Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

29
Mar21

APAV apoiou mais de 13 mil vítimas de violência em 2020

Niel Tomodachi

Em cerca de 46% das situações foi formalizada queixa/denúncia junto de pelo menos uma entidade policial, o que representa um aumento de 4%

image.jpg

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apoiou no ano passado mais de 13 mil vítimas diretas de mais de 19.600 crimes e outras formas de violência e recebeu uma média de 38 chamadas por dia.

Segundo o relatório anual de 2020, no ano em que comemorou 30 anos de existência, a APAV registou 66.408 atendimentos de pessoas vítimas ou não de crimes, para esclarecimento de informações e outros assuntos.

Cerca de 75% do total de vítimas diretas de crime eram do sexo feminino e as faixas etárias mais frequentes situavam-se entre os 25 e os 54 anos de idade, representando um total de 38,3%.

Os crimes contra as pessoas (95,1%) tiveram um maior destaque no ano passado, com especial relevo para os crimes de violência doméstica (75,4%). Já os crimes contra o património, que em 2020 representaram 2,5% do total assinalado pela APAV, registaram um aumento de 0,7% em relação ao ano anterior.

De acordo com os dados da APAV, de um total de 13.093 vítimas diretas, a associação registou 13.113 autores/as de crime. Destes, cerca de 56% eram do sexo masculino e tinham idades compreendidas entre os 35 e os 54 anos (21,1%). No que diz respeito à relação entre vítima e autor/a do crime, as relações de intimidade (44,2%) foram as mais assinaladas.

Em cerca de 46% das situações foi formalizada queixa /denúncia junto de pelo menos uma entidade policial, o que representa um aumento de 4% face aos registos de 2019.

Quanto ao número médio de vítimas por ano, a APAV indica 8720 mulheres, 1841 crianças, 1627 homens e 1626 pessoas idosas.

Nos vários serviços de proximidade - Gabinetes de Apoio à Vítima, Equipas Moveis de Apoio à Vítima, Polos de Atendimento em Itinerância, Sistema Integrado de Apoio à Distância, Sub-Redes Especializadas, Casas de Abrigo e Linha Internet Segura - foram registados 66.408 atendimentos.

A APAV refere que apoiou vítimas diretas de 290 municípios dos 308 existentes (94% do território nacional), registou 19.697 crimes e outras formas de violência e promoveu 1227 atividades formativas (48% destinadas a crianças e jovens).

A associação lembra que o ano de 2020 foi pautado pela pandemia causada pelo coronavírus SARS-CoV-2 e que, "com todos os constrangimentos inerentes a uma nova realidade", se teve de adaptar e reinventar "dia após dia".

Quanto aos contactos recebidos, a APAV indica que os contactos telefónicos (61,6%) e presenciais (29,6%) continuam a ser os principais, mas sublinha que no apoio 'online' se verificou uma subida de 5,9% face ao ano anterior, com um registo de 17,7% dos contactos efetuados.

"Foi também percebida a subida percentual dos contactos telefónicos face aos presenciais, com uma elevação de 4,2%. O aumento da utilização de ferramentas de apoio à distância, como o telefone e o apoio online, poderá ter sido condicionada pelas restrições vividas em 2020, em consequência da situação pandémica", sublinha.

No que se refere à referenciação das vítimas, o relatório da APAV indica que uma em cada cinco (20,4%) são referenciadas pelos órgãos de polícia criminal e 13,4% por amigos/conhecidos.

"O número de referenciações efetuadas para a APAV reforçam o reconhecimento da associação junto das comunidades locais e das restantes instituições com as quais articula", sublinha a associação.

Perfil das vítimas

Quanto ao perfil geral das vítimas apoiadas diretamente, a APAV refere que são maioritariamente do sexo feminino (74,9%), com uma média de 40 anos de idade e que a relação com o autor/a do crime é conjugal na maior parte dos casos (18.2%).

No que se refere às vítimas crianças e jovens, são maioritariamente do sexo feminino (59,7%) com uma média de 10 anos de idade e filhos/as do/a agressor/a.

O perfil que a APAV define para as vítimas do sexo masculino indica que a faixa etária predominante é a dos adultos (56,9%), seguida de crianças (29,3%) e idosos (15,3%). Contudo, a média de idades das vítimas do sexo masculino situa-se nos 36 anos e a maior parte (16,1%) são filhos do/a autor/a do crime, seguindo-se os cônjuges (10,8%).

Já no caso das pessoas idosas, o perfil das vítimas traçado indica que a maioria são mulheres (72,1%), com uma média de 76 anos de idade e, na maior parte dos casos (33,8%) são pai/mãe do autor do crime. Em 22,7% dos casos são cônjuges.

 

27
Jan21

Violência doméstica: 1/3 foi agredida pela primeira vez na pandemia

Niel Tomodachi

Alterações nos rendimentos levaram a mais episódios de violência doméstica durante a pandemia, sendo a mais frequente a de caráter psicológico. Três em cada dez inquiridos foi alvo de agressões, pela primeira vez, no confinamento

violência-doméstica-Istock-1200x675.jpg

Se, por um lado, a pandemia e as restrições foram o pretexto que levou especialistas a alertar para o facto de o primeiro confinamento ser a “lua de mel para o agressor” – o que lhe permitia controlar a vítima -, por outro lado, o recolhimento levaram a silêncios escondidos que preocupavam as autoridades. Mal as restrições foram levantadas, disparou o número de pedidos. Ou melhor, duplicou.

Agora, um estudo apresentado esta quarta-feira, 27 de janeiro, conclui que 1/3 das vítimas disse ter sido agredida pela primeira vez durante a pandemia.

Os resultados preliminares do estudo da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) indicam que são as mulheres quem mais refere ser vítima de violência doméstica (15,5%) durante este período, embora os homens também sejam vítimas (13,1%).

Profissão prejudicada pela pandemia levou a maior violência

“Este fenómeno, ainda que transversal a todos os grupos etários e níveis de escolaridade, tem especial relevo nos mais jovens e menos escolarizados. São também as pessoas que reportam dificuldades económicas ou cuja atividade profissional foi prejudicada pela pandemia quem mais refere ser vítima de violência doméstica”, sublinha a ENSP em comunicado.

O projeto de investigação “VD@COVID19” procurou analisar a violência doméstica psicológica, física e sexual autorreportada durante a pandemia, tendo para isso recolhido, entre abril e outubro de 2020, um total de 1.062 respostas a um questionário online dirigido à população.

“O desenho do estudo levou a uma maioria de respondentes com ensino superior, o que permitiu incluir grupos sociais que frequentemente têm menor participação em estudos de violência doméstica”, adianta a ENSP.

Os resultados indicam que, “em tempos de Covid-19, a ocorrência de situações de violência é uma realidade em Portugal com 15% dos participantes (159) a relatar ocorrência de violência no seu domicílio e um terço das vítimas (34%) disse ter sofrido violência doméstica pela primeira vez durante a pandemia“.

Violência psicológica lidera

O tipo de violência mais relatada é a psicológica, com 13% (138 participantes), seguindo-se a sexual, com 1% (11), e a física, com 0,9% (10), existindo coocorrência de diferentes tipos de violência.

Os investigadores referem que “a pandemia e o efeito das medidas de combate à propagação do vírus nos determinantes sociais e de saúde, como o agravamento das desigualdades socioeconómicas, nos consumos de álcool, medicamento e drogas e nos sentimentos de mal-estar e stress, potenciam o risco de violência doméstica”.

Segundo o estudo, a maioria das vítimas não procura ajuda nem a denuncia (72%), por a considerarem “desnecessária”, que “não alteraria a situação” e por se sentirem constrangidos com a situação.

Já os principais motivos para não ter denunciado a situação às autoridades policiais são que o “o abuso não foi grave” e “acreditar que as autoridades não fariam nada”.

As vítimas que procuraram ajuda fizeram-no maioritariamente junto de profissionais de saúde mental e, globalmente, avaliaram positivamente a resposta que receberam.

“Os resultados deste estudo apontam para uma complexidade na ocorrência de violência doméstica e de género em tempos de covid-19, pelo que existem pontos que carecem de maior aprofundamento, como por exemplo, o perfil de vítima e tipo de violência, novas vítimas, e distribuição geográfica”, afirma a coordenadora do estudo, Sónia Dias.

A investigadora adianta que “parece haver sinais de um aumento de casos não reportados oficialmente, considerando o facto de a grande das vítimas em tempos de covid-19 não ter procurado ajuda ou denunciado“, sendo por isso relevante continuar os esforços de recolha, análise e divulgação de dados, a sua caracterização e impactos, contribuindo para uma melhor definição de políticas públicas e planos de ação ao nível da prevenção e combate à violência doméstica.

Será também relevante, defendeu, #continuar os esforços para o planeamento e implementação de ações concretas de intervenção para o combate a todas as formas de violência doméstica e de género, bem como agilizar estratégias de proteção das vítimas em tempo de Covid-19, áreas que são acrescidas de maior dificuldade pelo contexto de pandemia”.

Existe uma relação entre ocorrência de violência doméstica em tempos de Covid-19 e histórico de vitimação, sendo que dois terços dos participantes (66%) já tinham sido vítimas anteriormente.

(S)

23
Out20

Os presentes de Natal solidários da The Body Shop são os mais amorosos de sempre

Niel Tomodachi

A marca lançou várias propostas que amigos e família vão adorar receber — tudo enquanto ajuda vítimas de violência doméstica.

babbd2c9def29853fd27ad1a540cdbef-754x394.jpg

Em tempos de crise, a desigualdade cresce e as comunidades são isoladas e deixadas para trás.” É com esta mensagem que a The Body Shop anuncia a chegada das presentes de Natal solidários para 2020, que já estão à venda nas lojas da marca e que vão ajudar a apoiar mulheres que sofrem de violência doméstica e que viram a sua situação piorar com a crise da Covid-19.

Além das campanhas de apoio às vítimas, a marca já doou no nosso País mais de nove mil Body Butters e 1401 produtos faciais à Cruz Vermelha e, garantem os responsáveis, quer ajudar ainda mais este Natal.

Para 2020, a marca criou uma linha de presentes de Natal solidários que pode oferecer aos seus amigos e família sabendo que vai estar — ainda que de forma indireta — a ajudar uma boa causa. A oferta é mais sustentável do que no ano passado, com embalagens reutilizáveis, desenhadas de forma a que nada seja desperdiçado. O material usado foi reduzido em mais de 80 toneladas em comparação com 2019, cortaram mais de 40 toneladas de papel e mais de sete toneladas de plástico. Todos os produtos são vegan e cruelty free, como é habitual.

the body shop
 

Entre as opções amorosas, há, por exemplo, o Soothing Body Mil & Honey Ultimate Gift Bag (49€), que vem numa bolsa de beleza reutilizável e inclui um esfoliante corporal, gel de banho, body yogurt, body butter, máscara facial e creme para as mãos; ou o Lather & Smooth Snow Globe Gift Dome (20€), um globo natalício que se transforma em mealheiro, com seis produtos miniatura da marca.

Já pode conhecer as dezenas de opções em sacos, bolsas, caixinhas, globos e kits de Natal da The Body Shop nas lojas físicas e site da marca, onde vai também encontrar os famosos calendários de advento.

17
Out20

"Murro no Estômago - Violência doméstica na primeira pessoa"

Niel Tomodachi

Por quem sofre e por quem a combate

350x.jpg

Sobre o Livro:

Mais de 500 mulheres nos últimos 15 anos. Na esmagadora maioria, as vítimas são mortas por homens em contexto de relações de intimidade ou familiares.

Paulo Jorge Pereira reúne, neste livro, as histórias de vítimas e sobreviventes. Relatos emocionantes, duros e crus na primeira pessoa; exemplos deixados com a esperança de que a história de quem os lê possa ser diferente. A estas histórias juntam-se, pela primeira vez em livro, os testemunhos de profissionais que combatem o fenómeno e se empenham na defesa de quem sofre.

Murro no Estômago apresenta a violência doméstica sob diferentes perspetivas e numa dimensão inédita. Este livro é um apelo à ação, para que todos saibamos como podemos ajudar.

Está nas mãos de todos nós acabar com o fenómeno da violência doméstica.
Com a participação de:

- Ana Teresa Silva
- Aurora Dantier
- Carlos Farinha
- Carolina Reis
- Cátia Rodrigues
- Cristina Soeiro
- Daniel Cotrim
- Maria Fernanda Alves

 

Sobre o Autor:

Paulo Jorge Pereira nasceu a 13 de agosto de 1970, em Lisboa. Licenciado em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa, a paixão pelo Jornalismo levou-o a trabalhar, a partir de 1992, em jornais como A Bola, Record, Diário Económico e Jornal Económico. Em 2017, trabalhou no Sindicato dos Jornalistas e publicou o romance Filhos da Primavera Árabe (Ego Editora). De janeiro de 2018 a maio de 2019, foi chefe de redação do semanário Contacto, jornal português no Luxemburgo.

17
Out20

"Murro no Estômago": livro dá voz a sobreviventes de violência doméstica

Niel Tomodachi

Alice, Beatriz, Carla, Deolinda, Patrícia, Sónia e Telma são os nomes por detrás de histórias de carne e osso que dão corpo ao "Murro no Estômago", do jornalista Paulo Jorge Pereira.

6603454_770x433_acf_cropped.jpg

Mais do que vítimas, as mulheres que sofreram violência doméstica são sobreviventes e o jornalista Paulo Jorge Pereira quis dar-lhes espaço para contarem as suas histórias de vida na primeira pessoa.

Alice, Beatriz, Carla, Deolinda, Patrícia, Sónia e Telma são os nomes (fictícios, à exceção de um) por detrás de histórias de carne e osso que dão corpo ao “Murro no Estômago” com que o jornalista Paulo Jorge Pereira titulou o seu livro, que é lançado na segunda-feira.

Editado pela 2020 Influência e integrado nas comemorações dos 30 anos da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), o livro resulta de “um exercício de cidadania” e da convicção de que o Código Deontológico impõe aos jornalistas a obrigação de “combater discriminações e violência” e de “defender os direitos das pessoas”, disse à Lusa o autor.

“A violência doméstica é muitas vezes abordada na perspetiva de ‘isto está a acontecer, é uma desgraça e não sabemos como é que vamos dar a volta a isto’. O livro conta as histórias, e não se esconde das histórias, que cada uma das vítimas viveu, mas elas são sobreviventes”, sublinha Paulo Jorge Pereira.

São sete relatos de mulheres sobreviventes, na primeira pessoa, acompanhados por testemunhos de oito profissionais que combatem o flagelo social da violência doméstica no Ministério Público, na Polícia Judiciária, na Polícia de Segurança Pública (PSP), nos serviços sociais, nas associações de apoio à vítima (no caso, a APAV) e na comunicação social.

“Os números estão aí” para recordar quantas vítimas não puderam estar na posição de ter voz, mas estas sobreviveram para contar e para mostrar que “deram a volta” e que “estão a viver uma espécie de segunda vida”, relata o jornalista.

Estas sobreviventes “não vão esquecer o que passaram”, mas “têm uma coragem invulgar e, com apoio obviamente, conseguem encontrar um outro caminho”, que, não sendo fácil, “está ao alcance”, acredita Paulo Jorge Pereira.

Dirigido “a quem esteja a sofrer em silêncio”, o livro pretende ajudar quem se sente “sozinho” a “denunciar” e, por isso, inclui uma folha informativa da APAV sobre o crime de violência doméstica e uma série de contactos úteis.

A violência doméstica “não seleciona estrato social, idade, se as pessoas são da cidade ou fora da cidade”, acabando por ser “demasiado democrática”, lamenta o autor.

A violência doméstica matou mais de 500 pessoas nos últimos 15 anos, na maioria mulheres mortas por homens em contextos familiares e de intimidade. Só este ano já morreram 10, segundo dados do Observatório das Mulheres Assassinadas da UMAR.

Ora, a pandemia veio agravar a situação, tendo as Nações Unidas constatado que a maioria dos países não está a conseguir proteger as mulheres do impacto negativo da pandemia de covid-19 e que os casos de violência doméstica estão a alastrar.

Esse mesmo receio já foi manifestado por várias associações de apoio às vítimas em Portugal, onde, segundo dados da PSP, as detenções pelo crime de violência doméstica diminuíram cerca de 32% com a pandemia.

“O machismo é algo que está presente na sociedade desde sempre”, assinala Paulo Jorge Pereira, recordando que “as mulheres são ‘atropeladas'” nos seus direitos e “continuam a ser vistas como uma espécie de personagens secundárias”.

Assumindo o “incómodo” de saber que são os homens os principais agressores em contexto de violência doméstica, Paulo Jorge Pereira defende que “o combate pela igualdade, mais do que justo, é qualquer coisa que se impõe” e considera que a ideia de todos serem “feministas” faz hoje “mais sentido” do que antes.

“É tempo de a sociedade, todos nós, termos a noção de que, se nós quisermos, a violência doméstica acaba”, acredita.

04
Set20

Esta marca de roupa usa toalhas de mesa para combater a violência doméstica

Niel Tomodachi

O projeto chama-se Soldaderas e todos os lucros revertem para as vítimas no México.

a13adfab8a5e6200a87562777e909752-754x394.jpg

Durante a Revolução Mexicana, que começou em 1910 e se prolongou por uma década, muitas mulheres juntaram-se à luta por uma sociedade justa e tornaram-se cruciais na libertação do México. Chamavam-se Soldaderas e apareceram para quebrar por completo com os códigos de género austeros que dominavam uma sociedade em que as mulheres eram forçadas a levar uma vida doméstica. 

Até hoje, as Soldaderas são recordadas no México como parte da sua história, mas os papéis tradicionais atribuídos aos géneros mantêm-se inalterados. A revolução não trouxe quaisquer mudanças quando se fala de igualdade e os dados mais recentes revelam que a sitiação parece estar a piorar: este ano, o país atingiu um máximo histórico de violência contra as mulheres, segundo dados governamentais.

Apenas em março, foram feitas mais de 26 mil chamadas de emergência para denunciar este tipo de violência. A designer Sabrina Olivera, que cresceu na cidade do México, testemunhou a violência e desigualdade desde miúda e foi por isso mesmo que quis dar uma volta na sua carreira de assistente e focar-se em lançar a sua própria marca independente, cujo principal objetivo é ajudar quem sofreu de violência doméstica no seu País.

soldaderas
As calças são feitas com deadstock.
 

Nascida em 1994, Olivera está agora a viver em Brooklyn, nos Estados Unidos da América, e lançou na semana passada a sua primeira linha de pronto-a-vestir, a que chamou Soldaderas, em honra às mulheres-soldado da revolução. 

A coleção é feita com três estilos de calças com padrões, todas com bolsos na parte inferior da perna, em vez das ancas. Este estilo prático e utilitário, com uma estética militar, permite que os movimentos sejam mais confortáveis e simboliza uma “armadura de proteção” moderna para mulheres que têm de estar “sempre a fugir da violência para protegerem os seus corpos dentro das suas próprias casas”, como descreveu a revista “Vogue” norte-americana esta quinta-feira, 3 de setembro.

As calças são todas produzidas entre Nova Iorque e a Cidade do México, e a designer usa tecidos de deadstock, maioritariamente vindos de panos da cozinha, toalhas de mesa e cortinas encontradas no México, de forma simbólica para derrubar os papéis domésticos tradicionais que são impostos às mulheres mexicanas.

soldaderas
Os bolsos utilitários.
 

A coleção está disponível por pré-encomenda no site de Olivera, com preços que vão dos 168€ aos 210€. Todas as receitas são doadas à Red Nacional de Refugios A.C., uma fundação mexicana que abriga vítimas de violência doméstica.

Olivera explicou à “Vogue” que quer “celebrar o poder feminino” no seu país num período em que a violência de género atingiu um máximo histórico. “Muitas mulheres no México ainda são Soldaderas de certa forma, especialmente aquelas que são oprimidas por pertencerem a uma classe mais baixa, por serem mulheres de cor, ou por viverem nas periferias das cidades principais. Todos os dias são uma luta para elas”. 

A sua esperança é inspirar aqueles que usam as suas roupas a aprender mais sobre a violência contra as mulheres no México e encorajá-los a combatê-la. “Estamos num momento em que tudo está a mudar e muitas pessoas estão a envolver-se mais no ativismo. A moda tem de se adaptar nesse sentido e oferecer aos clientes opções para determinar como vai ser o futuro”.

soldaderas

 

17
Jul20

The Body Shop: ESTAR ISOLADA ≠ ESTAR SOZINHA LUTAMOS CONTRA A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Niel Tomodachi

EdCcE_iWsAE18Ok.jpg

1 BODY BUTTER = 1 DOAÇÃO

Vamos por em marcha a nossa primeira ação em colaboração com a Cruz Vermelha Portugal para dar visibilidade à violência doméstica e apoiar mulheres em situação de violência. Estar isolada não é estar sozinha! Por cada Body Butter* vendida nas nossas lojas, vamos doar uma igual a mulheres que sofrem de violência doméstica e que são atendidas pelos diversos programas da Cruz Vermelha. Compra a tua Body Butter e colabora até dia 7 de Setembro. Contamos contigo?

#IsolatedNotAlone

*Body Butter de 50ml em todos os aromas.

transferir.jpg

Grande parte do mundo está, ou esteve isolado devido à pandemia da COVID-19. Este momento teve um grande impacto em todas as pessoas mas, particularmente nas mulheres que sofrem de violência doméstica.

Muitas das mulheres foram obrigadas a ficar em casa com o seu agressor durante o confinamento, com risco de sofrer mais abuso e violência. Esta é uma das consequências da COVID-19 que menos se fala: a violência doméstica é um problema social que aumentou durante a pandemia.

No último ano, só em Portugal houveram 29 473 vítimas de violência doméstica participadas às Forças de Segurança (Dados da CIG) e 243 milhões de mulheres e meninas (de idades entre os 15 e os 49 anos) em todo o mundo que sofreram de violência doméstica sexual ou física por parte de um parceiro (Dados ONU)


Em Portugal, no período que abrange a pandemia de covid-19 a rede nacional registou 15.919 atendimentos, fazendo agora, e desde a última quinzena de maio, uma média de 4.500 atendimentos, cada vez mais presenciais à medida que o desconfinamento avança, e que são quase o dobro dos 2.500 atendimentos em média nas quinzenas e abril, que já eram um número muito significativo. Os pedidos de ajuda cresceram sobretudo nas vias telefónicas e digitais. A linha de apoio da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), o email e o número de SMS criado especificamente para o contexto da pandemia e que o Governo pretende manter receberam 727 contactos entre 19 de março e 15 de junho, um aumento de 180% face ao primeiro trimestre de 2019. Dos quase 16 mil atendimentos na rede nacional feitos durante o período da pandemia, 1.167 foram a pessoas com mais de 66 anos. A violência doméstica sobre idosos é ainda uma realidade muito escondida, muitas vezes porque as vítimas sentem que têm que proteger os agressores.Neste momento e só na Cruz Vermelha estão ativas 3465 medidas de teleassistência com botão de SOS. (Dados da Cruz Vermelha)


Ainda que estejamos a deixar para trás os dias de confinamento mais restrito, as consequências na saúde, sociais e laborais da pandemia atinge especialmente as mulheres. Depois do isolamento devido ao COVID-19 os agressores podem ter uma perceção de maior controlo que acarreta um risco para as mulheres que agora querem sair e recuperar a sua autonomia.

Além disso, neste momento a saída de uma relação violenta pode ser ainda mais difícil, devido ao aumento dos abusos a vitima pode ter mais medo ou pode estar numa situação de dependência económica do seu agressor.

A violência doméstica é uma grave violação dos direitos humanos. Não podemos ficar indiferentes. É momento de atuar.

Associámo-nos à Cruz Vermelha com o objetivo de sensibilizar, direccionando a sociedade para a ação e a mudança cultural.

Podes-te unir à campanha e mostrar a tua solidariedade ao partilhar o hashtag
#isolatednotalone

::::::::::

Continua a ler em...

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Quotes:

“How wonderful it is that nobody need wait a single moment before starting to improve the world.” ― Anne Frank

Pesquisar

Nelson's bookshelf: currently-reading

Alfie - O Gato do Bairro
tagged: currently-reading

goodreads.com

2022 Reading Challenge

2022 Reading Challenge
Nelson has read 0 books toward his goal of 50 books.
hide

Arquivo

    1. 2022
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D

Afiliado Wook

WOOK - www.wook.pt

Comunidade Bertand

Afiliado Miniso

Read the Printed Word!

Em destaque no SAPO Blogs
pub