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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

21
Fev22

O magnífico trilho japonês de 1000 quilómetros que está a ajudar a curar uma nação

Niel Tomodachi

O percurso de longa distância entre Fukushima e Aomori passa por praias e florestas e destaca a ruralidade desta zona do Japão.

A 11 de março de 2011 o mundo parou para ver o que se passava no Japão, onde um terramoto de magnitude 9 na escala de Richter destruía várias regiões do país. Foi o quarto maior desde 1900, ano em que a atividade sísmica começou a ser registada. Tohoku, no nordeste do Japão, foi a região mais afetada — não parou de tremer durante seis minutos. O pior, porém, ainda estava para vir. Uma onda gigante acabou por ceifar a vida de 18 mil habitantes e deixou milhões sem casa.

Após a catástrofe, Tohoku investiu 259 milhões de euros para tentar reverter os danos causados. Construíram-se estradas e paredes que protegem as casas da ondulação do mar. Outra iniciativa, que se tem vindo a destacar cada vez mais, foi a criação de um trilho de 1.000 quilómetros.

O Trilho Costeiro de Michinoku, pensado em 2012, pretendia revitalizar as comunidades mais afetadas pelo tsunami, tentando dar alguma esperança à região ao mesmo tempo que promovia a sustentabilidade. “O percurso de longa distância entre Fukushima e Aomori pode agir como uma ponte que liga a natureza, os estilos de vida locais e os vestígios do desastre aos caminhantes”, afirmou o governo na proposta inicial.

Ficou completo sete anos depois, embora tivesse sido pouco explorado durante os 18 meses seguintes, devido à pandemia. O percurso começa na cidade de Soma, em Fukushima, e segue por norte passando por Iwate e Miyagi — duas localidades nas zonas mais gravemente afetadas pela onda gigante — antes de chegar a Hachinohe, em Aomori.

“Segue a costa do Oceano Pacífico, entre florestas, praias remotas e altíssimos penhascos, até portos de pesca”, conta à “BBC” Paul Christie da Walk Japan, uma empresa de visitas guiadas que organiza expedições e experiências pelo trilho. Revela que em algumas das aldeias pela qual o percurso passa, os efeitos do tsunami foram mínimos, enquanto que noutras as reconstruções continuam, mesmo mais de dez anos depois.

Segundo Christie, o longo caminho já atraiu a atenção de caminhantes nacionais e internacionais. Estima que o verdadeiro boom do percurso ocorra durante este ano, à medida que as restrições da Covid-19 vão sendo aligeiradas um pouco por todo o mundo.

Para os locais, foi-se tornando num caminho diário. Os pescadores percorrem-no para chegarem aos seus postos, que funcionam também como espaços que ligam as pessoas às atividades locais, como a criação de sal e a gastronomia da região. Outrora, o espaço estava completamente em ruínas. “As pessoas de cá têm-se estado a usar o trilho desde os seus primórdios, ajudando a construir a estrada. Agora juntam-se ao trabalho de conservação, gerindo, em simultâneo, atividades e visitas para viajantes”, conta à mesma publicação Naoko Machida, um guia turístico. “Muitos de nós temos uma ligação muito forte ao percurso. Tornou-se num símbolo da esperança.”

Ali, as boas ações são retribuídas. Quando a região ficou devastada pelo tsunami, os habitantes das áreas circundantes ajudaram os locais. Desta vez, são eles que oferecem ajuda aos visitantes, dando-lhes tendas e lugares onde dormir. “Quando a minha filha de 18 anos percorreu o trilho, um senhor ficou tão preocupado com ela, que ia acampar nas montanhas, que lhe ofereceu um quarto e comida”, recorda-se Kumi Aizawa, uma das responsável pela ONG que gere o Trilho Costeiro de Michinoku.

Embora o caminho tenha importância económica, uma vez que acaba por beneficiar os afetados pelo tsunami (e as aldeias por onde passa), também desempenha um papel emocional importante, criando um espaço seguro para várias conversas sobre o desastre.

“Os caminhantes são, para os locais, alguém com quem podem falar. Os locais não podem conversar uns com os outros sobre o desastre. Podias conhecer alguém num bar, mas não sabes se perdeu um filho ou a mulher, então não falas do assunto. Mesmo dentro das família, o assunto é quase tabu. Os viajantes são de fora, então é mais fácil falar com eles. Dez anos depois, as pessoas ainda têm muito do tsunami dentro de si”, revela.

E recorda uma história que lhe contaram, sobre um adolescente que estava a ser socorrido por uma mulher, que o ajudava a subir uma parede. Quando o jovem se virou para trás para a ajudar a ela, já tinha sido levada por uma onda. “O rapaz demorou quatros ano até conseguir contar isto a alguém. Demora tempo. Mas é importante falarmos, por isso é que Tohoku precisa de alguém que ouça — os visitantes podem ser essas pessoas durante o seu percurso”, conclui Aizawa.

 

Como chegar

Este trilho é perfeito não só para os caminhantes mais experientes, mas também para aqueles que querem criar uma forte ligação com a natureza e com os locais que, entre si, têm centenas de histórias para contar.

Para lá chegar, pode apanhar um avião de Lisboa para Tóquio, com os preços a começarem nos 625€. Após isso vai embarcar no comboio Shinkansen, que tem uma paragem na região de Fukushima.

 

18
Fev22

Os quatro novos trilhos em Penafiel que tem de percorrer este verão

Niel Tomodachi

Cada rota desenvolve-se em torno de pontos emblemáticos do concelho, como a aldeia de xisto Quintandona ou a Serra da Boneca.

Há muito para explorar em Penafiel, concelho do distrito do Porto onde a natureza e o património convivem em perfeita harmonia e convidam a visitas sem pressas. Entre os moinhos e igrejas românicas, aldeias preservadas e monumentos megalíticos que se espalham pelo vasto território, atrações não faltam. A partir do verão, dispõe de quatro novos trilhos de caminhada que, no total, percorrem 45 quilómetros e levam os aventureiros à descoberta de lugares icónicos da região, dos Moinhos de Capela e Cabroela a uma aldeia de xisto com mais de 200 anos.

Os trajetos — três circulares e um linear — variam entre os nove e os 16 quilómetros de extensão e apresentam diferentes graus de dificuldade. Passam por nove freguesias e estão pensados para serem concluídos entre três a cinco horas e levam-no por paisagens inesquecíveis, que lhe permitem desfrutar da natureza, da ruralidade e património da região. Entre o rio e a serra, terá floresta, espelhos de água e edifícios históricos para admirar à medida que mudam as estações, visto que os percursos vão estar disponíveis durante todo o ano.

“A Boneca, o baloiço e o Douro” tem início nas imediações do Engenho do Azeite, na freguesia de Sebolido, e vai até ao topo da Serra da Boneca, onde poderá baloiçar com o Douro como cenário. Já a Via panorâmica do Tâmega” começa em Entre-os-Rios e percorre as margens do rio até Abragão, percorrendo as freguesias de Eja, Termas de São Vicente, Rio de Moinhos, Boelhe, Luzim e Vila Cova e Abragão.

Quintandona: terra de mil cores, festas e sabores”, na freguesia de Lagares e Figueira, permite apreciar “os lavadouros tradicionais, a capela com mais de 200 anos ou o antigo cruzeiro”; e “Moinhos de Capela a moinhos de Cabroelo” é o tema do último percurso, que garante comunhão total com a natureza.

O pelouro do desporto da câmara municipal de Penafiel é o responsável pelo projeto, que começou a ganhar forma em junho de 2021. Os percursos estão “em fase final de homologação” junto da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal e vão estar ao acesso de todos neste verão.

 

 

22
Jan22

Mata de Vilar vai ter o primeiro trilho florestal inclusivo de Portugal

Niel Tomodachi

Ainda não está totalmente aberta ao público, mas já pode visitar a Mata com grupos e em eventos organizados, sob pedido.

Numa paisagem marcada pela flora diversa, que inclui carvalhos, cerejeiras bravas, sobreiros e faias — e na qual é habitual ver uma série de animais, como os recém-chegados esquilos vermelhos — está a nascer o primeiro trilho inclusivo de Portugal, “acessível a pessoas com vários tipos de deficiência e mobilidade reduzida”. O anúncio foi feito pela Câmara Municipal de Lousada, vila em que se encontra a Mata de Vilar, responsável por acolher a iniciativa.

O novo percurso, que vai ter uma extensão aproximada de 800 metros, junta-se assim aos quatro trilhos já existentes nesta área de 14 hectares, com tamanhos e graus de dificuldade variáveis. Será complementado com estruturas de apoio aos visitantes, nomeadamente uma mesa interpretativa sensorial e outros instrumentos de estimulação sensorial e de orientação.

Em breve, também um aplicativo para smartphones estará disponível e serão implementados pontos de acesso Wifi e postos de carregamento alimentados por energia solar, adiantou a autarquia. O acesso à rede de Internet vai ter, igualmente, a função de auxiliar a gestão e monitorização da Mata, permitindo a recolha e carregamento de dados em tempo real, ajudando ainda a realização de atividades pedagógicas, científicas e de ciência cidadã”.

Tudo isto sem descurar “as obras de conservação de elementos arquitetónicos com interesse histórico e cultural, designadamente os caleiros originais calcetados que ladeiam alguns trilhos. Estes vão ser recuperados numa extensão de aproximadamente 300 metros, mantendo a sua traça original, dos finais do século XIX, bem como a funcionalidade de condução das águas pluviais”.

 

20
Jun21

Há um trilho fascinante para descobrir entre os Moinhos de Jancido

Niel Tomodachi

Em Gondomar há mais de cinco quilómetros de paisagens de sonho para percorrer, entre a mina de Midões e a foz do rio Sousa.

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Com o tempo a ficar melhor de dia para dia, já só pensamos em sair à rua para apanhar ar puro e fazer atividades ao ar livre. São inúmeros os trilhos e percursos pedestres que aguardam pela nossa visita, em várias regiões de todo o país. Desta vez, a proposta é no norte de Portugal, em Gondomar, mais precisamente em Jancido.

O trajeto envolto pela natureza e riachos entre a Linha de Midões e os Moinhos de Jancido já se encontra sinalizado e foi inaugurado em maio. O roteiro a seguir conta com paisagens de sonho e passagens obrigatórias em campos de cultivo, serras e nos icónicos oito moinhos de Jancido.

Este percurso pedestre de 5,4 quilómetros é linear e tem uma tipologia natural, rural e histórica. Pode percorrê-lo em cerca de duas horas e em qualquer altura do ano, tendo um grau de dificuldade reduzido, segundo a Federação Portuguesa de Campismo e Montanhismo).

Deve iniciar a rota em frente ao Centro de Saúde da Foz do Sousa e seguir um caminho na antiga linha de caminho de ferro, onde circulavam vagões que carregavam carvão desde a mina de Midões até à foz do rio Sousa, e apreciar a fauna e a flora local. O fim deste trilho tem lugar no Parque de Merendas de Covelo.

O destaque do percurso é óbvio: são os oito moinhos. Mais especificamente, um de formato redondo em xisto e telha de lousa, com uma cascata ao lado.

Estas típicas estruturas têm mais de 200 anos e estão rodeadas de levadas e cursos de água (afluentes do rio Sousa) e herdaram os nomes das suas famílias: Moinho do Quintas, Moinho do Oliveira, Moinho do Capela, Moinho do Alves, Moinho do Caralhitos, Moinho do Almeida, Moinho do Crestina e Moinho do Garrido, na ordem da nascente para a foz.

Um ponto importante de sublinhar é que foi um grupo de voluntários locais a transformar as ruínas destes moinhos e a dar-lhe uma nova vida. Falamos dos Amigos de Jacinto, um grupo de amigos que se uniu para restaurar, limpar, plantar e definir novos percursos — e até construiu uma ponte pedonal.

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