Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

28
Jun22

Governo espanhol propõe mudança de género desde os 12 anos sem parecer médico

Niel Tomodachi

Proposta aprovada torna possível mudar de género no registo civil, a partir dos 12 anos, sem parecer médico, mas será necessária autorização de um juiz até aos 14 anos.

Menores poderão se registrar com novo gênero na Espanha | Mundo | Pleno.News

O Governo espanhol aprovou esta segunda-feira uma proposta de lei que prevê a mudança de género no registo civil a partir dos 12 anos sem necessidade de pareceres médicos, sendo que a partir dos 16 basta a vontade da pessoa.

Ao abrigo desta proposta, que terá de ser aprovada pelo parlamento, será possível mudar de género no registo civil, a partir dos 12 anos, sem parecer médico, mas será necessária autorização de um juiz para os casos entre os 12 e os 14 e dos pais ou tutores legais entre os 14 e os 16.

Para maiores de 16 anos, bastará a própria vontade de quem quiser fazer a alteração.

É a segunda vez que o Governo espanhol aprova esta proposta, depois de há um ano ter avançado com o anteprojeto, que dividiu o Executivo.

Conhecida como a lei da “autodeterminação de género”, a proposta pretende retirar a carga de patologia à mudança de género.

“Reconhece-se o direito a todos serem quem são sem mediação de testemunhas”, afirmou a ministra da Igualdade, Irene Montero, numa conferência de imprensa no final do conselho de ministros que aprovou a proposta.

A proposta proíbe também cirurgias de modificação genital até aos 12 anos em crianças que nasçam com características físicas dos dois géneros (crianças intersexuais ou hermafroditas),

Por outro lado, o texto consagra o direito de lésbicas, bissexuais e transgénero com capacidade reprodutiva acederem às técnicas de reprodução mediamente assistida e permite a filiação dos filhos de mães lésbicas e bissexuais sem necessidade de casamento.

A proposta foi aprovada no mesmo dia em que a imprensa espanhola noticiou que um juiz de Ourense (na Galiza, noroeste de Espanha) autorizou a mudança do género nos documentos de uma criança de 8 anos.

A decisão, citada pela agência de notícias EFE, considera que a criança, um rapaz registado com o género feminino, tem “maturidade suficiente” e apresenta uma “situação estável de transexualidade”.

A mãe desta criança disse à EFE que esta é “uma grande vitória, um avanço enorme para as crianças e para todos os grupos que lutam pelo reconhecimento dos menores”.

Em relação ao filho, disse que “sempre falou no masculino na primeira pessoa” e que em casa sempre o deixaram “expressar-se livremente na forma de vestir e brincar”.

“Espero que isto sirva para alguma coisa e se oiçam os menores”, defendeu, dizendo que não tem sentido solicitar relatórios de equipas de psiquiatras “porque isto não é uma doença”.

A mulher lamentou que a proposta de lei que vai ser debatida pelos deputados não abranja as crianças.

 

21
Jan22

Cineastas querem reinventar Harry Potter com elenco transgénero, não binário e multirracial

Niel Tomodachi

Para esta nova versão da saga é mesmo pedido que o ator seja "não branco". Harry vai deixar de ser o protagonista. J.K. Rowling ainda não terá dado autorização.

Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson – que deram vida a Harry Potter, Ron Weasley e Hermione Granger, respetivamente, na saga Harry Potter

Criaturas de várias formas e cores marcam presença no mundo mágico de Harry Potter, porém a ausência de diferentes identidades de género, etnias ou orientações sexuais é notório. Com este pretexto, cineastas nos Estados Unidos querem reinventar os filmes de Harry Potter. Todos os géneros podem fazer o casting, contudo para alguns papéis é obrigatório ser, entre outros, “não branco”, como para interpretar Sirius Black.

O propósito é refletir a diversidade que há dentro da comunidade de fãs nas personagens que eles tanto amam, introduzindo pessoas de cor, histórias queer e personagens com diferentes religiões”, sublinhou a responsável pelo projeto e estrela de TikTok Megan Mckelli, ao Daily Mail.

A decisão surge entre as acusações de transfobia que envolvem J.K. Rowling, que esteve na mira dos críticos quando disse que as mulheres são “pessoas que menstruam”. Os produtores poderão enfrentar uma luta judicial com a escritora, que possui os direitos de autor dos filmes, já que ainda não é claro que ela tenha aceitado os planos.

O guião traz algumas novidades. Harry não será o protagonista; a mãe Lily Evans deverá ser “uma mulher trans ou não binária”; o papel do pai, James Potter, deverá ser entregue a um ator não caucasiano: “asiático, negro, afrodescendente, com ambiguidade étnica, multirracial, latino, hispânico, do Médio Oriente, do sul asiático, indiano ou ilhas do Pacifico”, especifica o jornal; enquanto que para Remus Lupin, por exemplo, não é pedida nenhuma caraterística específica.

Os cineastas pretendem que esta nova versão dos filmes, a ser transmitida como websérie, comece a ser gravada no início do verão deste ano. Porém, não se sabe quando será exibida.

Agora, enquanto esperam uma resposta de Rowling, os cineastas têm já em campo uma agente, Hannah Schill, para os ajudar a recrutar um elenco à medida.

 

29
Out21

Texas proíbe jovens trans de participarem nos desportos femininos escolares

Lei foi assinada pelo governador republicano, Greg Abbott.

Niel Tomodachi

As jovens transgénero já não terão permissão para participar em equipas desportivas de escolas públicas no estado americano do Texas, de acordo com um novo projeto de lei que foi assinado pelo governador Greg Abbott na ultima segunda-feira, 25 de outubro.

O projeto foi aprovado pelos parlamentares estaduais a 15 de outubro e deve passar a vigorar a partir de 18 de janeiro, afetando atletas que fazem parte das equipas escolares e universitárias.

Grupos de defesa da igualdade de direitos trans condenaram a medida como discriminatória. A Human Rights Campaign, um grupo de defesa dos direitos LGBTQ+, disse que pretende contestar a lei nos tribunais. A ONG Athlete Ally classificou a aprovação do projeto como “desoladora”.

Também a plataforma Equality Texas se manifestou em comunicado: “Se os texanos querem proteger as crianças, o objetivo não deve ser impedir que as crianças trans participem no desporto, mas dar a todas as crianças a liberdade de fazer amigos e brincar sem temer o tipo de discriminação que muitos trans mais velhos sofrem diariamente”, lê-se no Twitter oficial da plataforma.

 

Os grupos argumentam que o verdadeiro propósito deste tipo de lei é criar afirmações falsas para agitar a base conservadora do governador Abbott e que há poucas evidências de que mulheres ou meninas trans tenham vantagem nos desportos em virtude do sexo que lhes foi atribuído no nascimento.

A National Collegiate Athletic Association (NCAA), que organiza os desportos universitários dos Estados Unidos, declarou em abril que só realizaria eventos em estados “livres de discriminação”.

 

Texas junta-se a outros estados

 

Vários outros estados americanos, incluindo o Alabama, Arkansas, Mississippi, Dakota do Sul, Montana, Tennessee e West Virginia, aprovaram leis ou medidas provisórias semelhantes nos últimos anos.

No 1º de junho, o Mês do Orgulho da comunidade LGBTQ+, o governador da Flórida proibiu as meninas transexuais de competirem em equipas desportivas nas escolas.

Idaho foi o primeiro estado a promulgar uma lei nesse sentido, ainda em 2020. No entanto, um tribunal federal barrou a implementação, enquanto ainda são analisadas contestações jurídicas.

Em 2021, pelo menos 35 projetos de lei para excluir jovens trans do atletismo foram apresentados em 31 estados, contra 29 em 2020 e dois em 2019, de acordo com uma contagem publicada pela Conferência Nacional de Legislaturas Estaduais dos EUA.

 

17
Out21

PS quer alunos transgénero tratados na escola pelo nome que escolherem

Niel Tomodachi

Projeto de lei esclarece também a questão das casas de banho e quer que as escolas passem a detetar as crianças e jovens que não se identificam com o género atribuído à nascença.

Projeto de lei do PS surge na sequência de uma declaração de inconstitucionalidade do TC em relação à

O grupo parlamentar do Partido Socialista (PS) entregou um projeto de lei que prevê que as escolas sejam obrigadas a respeitar o direito dos alunos que não se identificam com o género que lhe foi atribuído no momento do nascimento a utilizarem "o nome auto atribuído em todas as atividades escolares e extraescolares".

No entanto, em paralelo, a escola terá de garantir "a adequada identificação" da criança ou jovem "através do seu documento de identificação em situações que o exijam" - por exemplo, matrícula ou exames.

Nas atividades escolares, esses alunos também devem poder optar por ficar do lado do sexo com que mais se autoidentificam, tal como na escolha de roupa no caso em que exista um uniforme escolar.

As escolas devem ainda garantir que a criança ou jovem tem o direito a escolher a casa de banho ou balneário com que mais se identifica, "tendo sempre em consideração a sua vontade expressa e assegurando a sua intimidade e singularidade".

Por outro lado, as escolas "devem" igualmente ser proativas nestes casos, definindo "canais de comunicação e deteção, identificando o responsável ou responsáveis na escola a quem pode ser comunicada a situação de crianças e jovens que manifestem uma identidade ou expressão de género que não corresponde à identidade de género à nascença".

O projeto de lei do PS surge na sequência de uma declaração de inconstitucionalidade do Tribunal Constitucional em relação à lei de 2018 sobre as medidas relacionadas com a identidade de género nas escolas. Em causa estava uma violação da reserva de lei parlamentar, mas os juízes não abordaram a substância das normas, nomeadamente os pontos que agora os socialistas pretendem legislar.

 

02
Jun21

Chinesa transgénero é a nova musa da Dior para J’Adore

Niel Tomodachi

Dior aposta em nova embaixadora de beleza. Jin Xing é autora, bailarina, transgénero e a primeira pessoa a assumir publicamente uma cirurgia de transição na China, em 1995. Agora vai ser rosto do perfume 'J'Adore', que tem contado com a atriz Charlize Theron

JIn-Xing-1200x675.jpg

Mais um passo rumo à diversidade no mundo da moda de luxo. O icónico perfume J’Adore – cujo rosto tem sido o da atriz Charlize Theron – ganhou agora uma nova musa. A LVMH, detentora do segmento Dior Beauty, escolheu Jin Xing, uma celebridade transgénero chinesa, para o papel de embaixadora da popular fragrância criada em 1999.

A informação foi avançada pelo site Global Times e os sinais que ressaltam desta decisão são claros. Por um lado, esta escolha é entendida como uma passo positivo junto da comunidade transgénero, mas também como forma de mudar o posicionamento da marca, alargando o conceito exclusivamente feminino para o universo das fragrâncias unissexo.

A campanha surge também alicerçada num vídeo no qual a estrela fala do apoio ao empoderamento feminino, da diversidade e individualidade, conceitos nos quais a marca se quer alicerçar. Ainda na primeira pessoa, Jin Xing revela como se sentiu no processo de transição. “Quando escolhi, à data, ser mulher, mãe, esposa e enfrentar a sociedade de uma forma nova, 80% de tudo isso era preocupação, dúvida e até mesmo desprezo”, revelou.

Charlize Theron é rosto da J’Adore há mais de uma década

Bailarina, autora, ativista e ex-coronel do exército, Xing foi a primeira pessoa a submeter-se publicamente à cirurgia de redefinição de género na China, em 1995. Xing aparece na campanha da fragrância, explicando como ela se sentiu no momento de sua transição.

O novo rosto da Dior é também apresentadora de televisão e foi considerada pela revista Hollywood Reporter, a Oprah Winfrey da China.

 

17
Mar21

Elliot Page em entrevista à revista Time: “Sou totalmente quem sou”

Niel Tomodachi

3 meses após revelar a sua identidade trans, o ator Elliot Page é capa da revista Time e fala do seu crescimento como criança e dos desafios pessoais e da comunidade.

::::

elliot-page-time-magazine-2.png

Passaram 3 meses desde que, numa publicação no seu Instagram, o celebrado ator Elliot Page partilhou com o mundo a sua identidade trans. A notícia correu o mundo e, entre mensagens de apoio e de Orgulho, tornou, mais uma vez, claro que os meios de comunicação não sabem ainda como abordar este tipo de eventos. Mas Elliot diz estar hoje pronto para falar sobre a sua viagem. 7 anos depois de Laverne Cox ter sido a primeira pessoa trans na capa da revista Time, Elliot Page releva-se em entrevista à revista Time [capa abaixo].

Elliot Page não se lembra exatamente há quanto tempo se questionava, mas lembra-se da sensação de triunfo quando, por volta dos 9 anos, finalmente foi autorizado a cortar o cabelo curto. “Senti-me como um menino,” disse Page. “Queria ser um menino e perguntei à minha mãe se poderia sê-lo algum dia.

Em Halifax, na Nova Escócia, Page via-se como um menino em jogos imaginários, livre do desconforto de como outras pessoas o viam. Após o corte de cabelo, as pessoas começaram a vê-lo do jeito que ele se via, e para Elliot isso parecia-lhe certo e emocionante. A alegria foi, no entanto, de curta duração. Meses depois, Page conseguiu um papel como filha de uma família no filme Pit Pony. Ele usava uma peruca para o filme, e quando o filme se tornou num programa de TV, ele deixou o cabelo crescer novamente. “Tornei-me um ator profissional aos 10 anos,” disse Page. E perseguir essa paixão veio com um compromisso difícil. “Claro que eu tinha que ter um determinado aspecto”, confessou.

Passados estes anos, é-lhe difícil falar sobre os dias que levaram ao seu coming out público. “É um sentimento de verdadeira excitação e profunda gratidão por estar neste ponto da minha vida”, disse, “misturado com muito medo e ansiedade.”

Atualmente a filmar a terceira temporada da série da Netflix The Umbrella Academy, Page antecipava apenas “muito apoio e amor e uma enorme quantidade de ódio e transfobia”. E foi essencialmente isso que aconteceu, o que Page não previu foi o quão grande seria a sua história. O anúncio de Page, que o tornou uma das pessoas trans mais famosas do mundo, começou por ser tendência no Twitter em mais de 20 países e ganhou mais de 400.000 novos seguidores e seguidoras no Instagram apenas naquele dia. Milhares de artigos foram publicados, nem todos da melhor forma, é certo, como explicado aqui.

O processo de autoconhecimento, em todas as suas especificidades, continua a ser um trabalho em progresso. Enfatizar o género, uma identidade inata e realizada, pessoal e social, fixa e em evolução, é complicado o suficiente sem estar sob um holofote que nunca parece desligar, mas tendo chegado a um momento crítico, Page diz sentir uma profunda responsabilidade em compartilhar a sua verdade. “Há pessoas extremamente influentes que estão a espalhar mitos e retórica prejudicial—todos os dias vemos a nossa existência debatida”, afirmou Page. “As pessoas trans são muito reais.

Nunca me reconheci,” revelou Page sobre muitos dos seus papéis mais famosos no grande ecrã. “Durante muito tempo não conseguia nem olhar para uma foto minha.” Foi difícil assistir aos seus próprios filmes, especialmente aqueles em que ele desempenhou papéis considerados mais femininos. “Existem estereótipos generalizados sobre masculinidade e feminilidade que definem como todas as pessoas devem agir, vestir e falar e eles não servem a ninguém”, recordou num discurso de 2014.

elliot-page-time-magazine.png

Elliot Page encontrou o amor, casando-se com a coreógrafa Emma Portner em 2018. Começou a produzir os seus próprios filmes com protagonistas LGBTQ como Freeheld My Days of Mercy e fez de um guarda-roupa masculino uma condição para assumir papéis. No entanto, a discórdia diária estava a tornar-se insuportável. “A diferença em como eu me sentia antes de sair do armário como pessoa gay para depois desse momento foi enorme,” disse. “Mas o desconforto no meu corpo alguma vez desapareceu? Não, não, não, não.”

Em parte, foi o isolamento forçado pela pandemia que trouxe à tona a luta de Page com o género. Page e Portner separaram-se no verão passado e divorciaram-se efetivamente no início de 2021, apesar de manterem a proximidade. “Tive muito tempo sozinho para realmente me concentrar em coisas que acho, de muitas maneiras e inconscientemente, estava a evitar,” disse ele.

Esse tempo solitário levou-o a uma série de decisões. Uma delas passou por ser tratado com um nome diferente, Elliot, que ele disse ter sempre gostado. Page tem uma tatuagem que diz E.P. PHONE HOME, uma referência ao clássico filme de Spielberg sobre um extraterrestre e um rapaz chamado precisamente Elliot. “Amava E.T. quando era criança e sempre quis parecer-me com os rapazes nos filmes”. A outra decisão foi usar pronome diferente: “Ele”.

Outra decisão, contou Page, foi fazer uma cirurgia de resignação. No momento em que publicou a sua divulgação no Instagram, ele estava a recuperar em Toronto. Como muitas pessoas trans, Page enfatizou que ser trans não tem necessariamente a ver com cirurgia. Para algumas pessoas é desnecessário, para outras é inacessível. Para o mundo em geral, o foco dos meios de comunicação na operação sensacionalizou os corpos trans, convidando a perguntas invasivas e inadequadas. Mas Page descreveu a cirurgia como algo que, para ele, tornou possível finalmente reconhecer-se quando se olha ao espelho, proporcionando catarse que ele esperava encontrar desde o “inferno” da puberdade. “A cirurgia transformou completamente a minha vida,” disse ele. Tanta parte da sua energia foi gasta pelo tremendo desconforto em relação ao seu corpo que agora Elliot Page tem diz ter essa energia de volta.

Como uma pessoa trans branca, milionária e famosa, Page tem um tipo único de privilégio e, com isso, uma oportunidade de defender aquelas com menos. “O meu privilégio permitiu-me ter recursos para estar onde estou hoje e é claro que quero usar esse privilégio e plataforma para ajudar da maneira que posso.”

elliot-page-time-magazine-cover.png

Elliot Page na capa da revista Time.

 

https://esqrever.com/

 

12
Mar21

Women's Prize for Fiction. Autora transgénero nas candidatas pela 1.ª vez

Niel Tomodachi

Uma escritora transgénero, Torrey Peters, figura pela primeira vez na lista de candidatas ao Women's Prize for Fiction, ao lado da já premiada escritora escocesa Ali Smith e da comediante britânica Dawn French.

naom_5ef681995caa5.jpg

'longlist' do prémio literário que anualmente distingue ficção escrita por mulheres em todo o mundo foi anunciada pela organização e revela a presença, pela primeira vez entre as finalistas, de uma autora transgénero.

Torrey Peters concorre com "Detransition, Baby", o seu romance de estreia, que segue uma mulher 'trans', Reese, a sua antiga parceira Amy, agora Ames, que fez um processo de destransição, e uma mulher 'cis', Katrina, com quem Ames tem tido um caso, e que está grávida. "Uma comédia moderna de costumes", como o descreveu Elizabeth Day, um dos membros do júri, segundo o jornal The Guardian.

A nomeação de Torrey Peters surge depois de os organizadores terem esclarecido em 2020 que o prémio era aberto a todas as mulheres, sejam elas "mulheres cis [que se identificam com o género de nascença], mulheres transgénero ou qualquer pessoa que seja legalmente definida como mulher ou do sexo feminino".

"É um prémio para as mulheres, e as mulheres 'trans' são mulheres, portanto ...", esclareceu a presidente do júri, a escritora Bernardine Evaristo.

A necessidade deste esclarecimento deveu-se ao facto de Akwaeke Emezi, que se identifica como pessoa não binária, e que foi nomeada para o Women's Prize em 2019, ter afirmado que não iria submeter os seus futuros livros ao prémio, porque os organizadores pediram informações sobre o seu sexo, tal como definido "por lei".

Torrey Peters concorre com autoras já consagradas como Ali Smith, candidata com o último volume da tetralogia sobre as estações, "Summer", e com a comediante tornada romancista Dawn French, e o seu livro "Because of you", que lança um olhar sobre a maternidade.

"Piranesi", primeiro romance de Susanna Clarke desde "Jonathan Strange e Mr. Norrell", também faz parte da lista, assim como "The Golden Rule", de Amanda Craig, que abre com duas mulheres a conspirar para matar os maridos uma da outra.

O tema dos gémeos também está presente na edição deste ano, em que concorrem "The vanishing half", de Brit Bennett, em que uma de duas irmãs idênticas oriundas de uma comunidade negra constrói uma nova identidade como pessoa branca, "Unsettled Ground", de Claire Fuller, que segue um par de gémeos de 51 anos que ainda vivem com a mãe, e "Consent", de Annabel Lyon, em que uma mulher estudiosa põe a sua vida em suspenso quando a sua irmã gémea é ferida num acidente.

Da 'longlist' constam outros cinco romances de estreia: a autora irlandesa Naoise Dolan, com "Exciting Times", no qual uma jovem irlandesa vai para Hong Kong e se apaixona por um homem e uma mulher, Avni Doshi, com "Burnt Sugar", livro que foi finalista do Prémio Booker 2020, Patricia Lockwood, com "No One Is Talking About This", sobre o cruzamento entre as vidas real e 'online' de uma mulher, Raven Leilani, com "Luster", sobre a relação de uma mulher negra de 23 anos com um homem branco de meia-idade casado, e Cherie Jones, com "How the One-Armed Sister Sweeps Her House", um conto de homicídio, abuso e violência, em Barbados.

Os três candidatos que completam a lista de finalistas são "Small Pleasures", de Clare Chambers, sobre uma jornalista que cobre a história de um aparente nascimento virgem na década de 1950, "Transcendent Kingdom", de Yaa Gyasi, que segue uma mulher que conhece a sua história familiar depois de a dependência de opiáceos destruir a vida do seu irmão, e "Nothing But Blue Sky", de Kathleen McMahon, no qual um homem reflete sobre os seus 20 anos de casamento, após a morte súbita da mulher.

A organização do prémio destaca que a lista deste ano homenageia uma gama de géneros e temas que vão da família à maternidade, passando pela pobreza rural e isolamento, a dependência, a identidade e pertença, raça e classe, dor e felicidade, velhice e vida posterior.

Os romances abrangem também uma série de cenários globais diferentes, do Sul de Londres ao Sul profundo, Gana, Hong Kong, Barbados, Brooklyn e um reino de fantasia.

Seis dos finalistas são de autoras britânicas, cinco são norte-americanas, duas são irlandeses, uma canadiana, outra barbadiana e uma ganense-americana.

"Lemos tantos romances brilhantes para o prémio deste ano e tivemos uma sessão de julgamento enérgica onde discutimos as nossas paixões, opiniões e preferências. Infelizmente, tivemos de deixar ir alguns livros muito meritórios, mas estamos confiantes de que escolhemos dezasseis romances de destaque que representam uma gama verdadeiramente vasta e variada de ficção feminina que reflete múltiplas perspetivas, estilos narrativos e preocupações", disse Bernardine Evaristo.

A presidente do júri, autora de "Rapariga, Mulher, Outra", com que ganhou o prémio Booker, acrescentou: "Estes romances fascinaram, comoveram, inspiraram e desafiaram-nos".

Do painel de jurados fazem ainda parte a escritora e jornalista Elizabeth Day, a apresentadora de televisão e rádio Vick Hope, a colunista Nesrine Malik e a apresentadora Sarah-Jane Mee.

No ano passado, o prémio foi atribuído ao romance "Hamnet", da irlandesa Maggie O'Farrell.

A lista de finalistas deste prémio, composta por seis obras, será conhecida no dia 28 de abril, e a vencedora será anunciada a 7 de julho.

Dirigido pela romancista Kate Mosse, o Women's Prize for Fiction tem por objetivo reconhecer a ficção escrita por mulheres em todo o mundo.

Criado em 1992, em Londres, capital britânica, por um grupo de homens e mulheres jornalistas, críticos, agentes, editores, bibliotecários e livreiros, o prémio foi uma resposta ao facto de, no ano anterior, a lista de finalistas do prestigiado prémio literário Booker não ter incluído uma única mulher.

Aliás, em 1992, apenas dez por cento das finalistas ao Booker Prize tinham sido mulheres.

A residência ou o país de origem não são critérios de elegibilidade para o Women's Prize for Fiction, que celebra a criatividade feminina.

A vencedora recebe um prémio monetário no valor de 30 mil libras (perto de 33 mil euros).

 

12
Jul20

Book: "Once A Girl, Always A Boy - A Family Memoir Of A Transgender Journey"

Niel Tomodachi

41FFlDCIvML.jpg

Sobre a Obra:

Jeremy Ivester is a transgender man. Thirty years ago, his parents welcomed him into the world as what they thought was their daughter. As a child, he preferred the toys and games our society views as masculine. He kept his hair short and wore boys clothing. They called him a tomboy. Thats what he called himself.

By high school, when he showed no interest in flirting, his parents thought he might be lesbian. At twenty, he wondered if he was asexual. At twenty-three, he surgically removed his breasts. A year later, he began taking the hormones that would lower his voice and give him a beardand he announced his new name and pronouns.

Once a Girl, Always a Boy is Jeremys journey from childhood through coming out as transgender and eventually emerging as an advocate for the transgender community. This is not only Jeremys story but also that of his family, told from multiple perspectivesthose of the siblings who struggled to understand the brother they once saw as a sister, and of the parents who ultimately joined him in the battle against discrimination. This is a story of acceptance in a world not quite ready to accept.

Sobre o Autor:

Jo Ivester was raised in a politically active family. In 1967, when she was ten years old, her father moved their family from Boston, MA to an all-black town in the Mississippi Delta, where they were drawn into the heart of the civil rights movement. Because of this experience, Jo is committed to advocating for equal rights for all. Her best-selling, award-winning memoir about her family’s time in Mississippi, The Outskirts of Hope (She Writes Press, April 2015), has led to numerous speaking engagements about racial relations. In the last few years, she has broadened her focus to raise awareness about the transgender community, and now serves on the board of Equality Texas, a non-profit LGBTQ rights organization. When not focused on family, writing, and advocate work, Jo enjoys skiing, walking on the beach, and swing dancing with her husband. She lives in Austin, Texas.

::::::::::::::::::::

Excertos do Livro:

"...every night as she lay in bed, she hoped for some magic that would transform her into a boy while she slept."

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Quotes:

“How wonderful it is that nobody need wait a single moment before starting to improve the world.” ― Anne Frank

Pesquisar

Nelson's bookshelf: currently-reading

Alfie - O Gato do Bairro
tagged: currently-reading

goodreads.com

2022 Reading Challenge

2022 Reading Challenge
Nelson has read 0 books toward his goal of 50 books.
hide

Arquivo

    1. 2022
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D

Afiliado Wook

WOOK - www.wook.pt

Comunidade Bertand

Afiliado Miniso

Read the Printed Word!

Em destaque no SAPO Blogs
pub