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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

25
Abr21

O impacto que o Bullying homofóbico tem na vida dos estudantes

Texto by esqrever

Niel Tomodachi

O Bullying homofóbico é um fantasma que entra na vida dos estudantes e pode atormentá-los durante vários dias, meses e anos.

Cada vez mais deparamo-nos com uma panóplia de informação ao nosso redor. Se para nós adultos já é demasiada informação para digerir, para as crianças e adolescentes, ainda se agrava mais, visto que, ainda se encontram em processo de crescimento. A informação é uma arma poderosa nas mãos de quem a sabe usar para gerar mudança e, de alguma forma, evolução na nossa sociedade. Pode e deve ser usada para tal. O local onde nos é transmitida mais informação nos nossos primeiros anos de vida é a escola. Como se costuma dizer: “amada por uns, odiada por outros”. Depende do que vivenciam e do resultado que as suas experiências tem no seu quotidiano. Muitas crianças começam desde cedo a sentir que são diferentes e que não se enquadram nos estereótipos dos colegas em relação à sua orientação sexual. Quando isto acontece, em muitas situações, geram-se situações de Bullying homofóbico e estes estudantes são postos de parte. 

O Bullying é um ato de violência que pode ser praticado contra qualquer estudante, independentemente das suas condições sociais, condições económicas, cultura, faixa etária, nacionalidade, género e orientação sexual. Este ato de violência pode ocorrer de várias formas, sendo as principais: de forma física (em que existem empurrões, pontapés…), de forma verbal (em que existem insultos, julgamentos, críticas agressivas…) e de forma sexual (em que existe abusos sexuais, mutilação genital, exposição dos órgãos genitais sem consentimento…) fruto destas agressões muitos destes jovens tem dificuldade em socializar e isolam-se. O que é prejudicial, porque, o ser humano precisa de ter à sua volta uma rede de suporte informal (família, amigos, vizinhos) que seja significativa na sua vida para que o possa amparar em todos os momentos, mas sobretudo nos momentos mais dolorosos.  Os professores são um agente importante na identificação e prevenção. Cabe-lhes informar os alunos para que não se manifestem mais estas práticas. Tal como os professores, os colegas também devem ser ativos com episódios em que exista alguém a enfrentar Bullying homofóbico. E a família deve estar sempre atenta. Podem e devem denunciar quando o mesmo ocorre para evitar que continue por mais tempo. São vidas que estão em jogo. Muitos destes jovens ficam mais suscetíveis a desenvolver doenças mentais, como por exemplo, depressão, ansiedade, anorexia nervosa, entre outros, que podem levar ao suicídio. Os estudos comprovam que existe maior suscetibilidade para que estes estudantes queiram cometer o suicídio. 

O Bullying homofóbico é um fantasma que entra na vida dos estudantes e pode atormentá-los durante vários dias, meses e anos. Depende da gravidade da situação. Mas todas são graves a partir do momento em que começam. Muitos estudantes que passam por estas situações levam sequelas para a vida inteira que tem de ser resolvidas com a maior antecedência possível. Em muitos casos em adultos ainda estão a resolver as fragilidades que o Bullying deixou nas suas vidas. 

É assim importante estar atento a vários sinais que podem ser indicadores de que algo não está como devia estar. Torna-se primordial identificar situações de Bullying homofóbico e procurar agir de forma rápida recorrendo às pessoas e aos meios certos. 

Linhas de Apoio e de Prevenção do Suicídio em Portugal

Linha LGBT
De Quinta a Sábado, das 20h às 23h
218 873 922
969 239 229

SOS Voz Amiga
(entre as 16 e as 24h00)
213 544 545
912 802 669
963 524 660

Telefone da Amizade
228 323 535

Escutar – Voz de Apoio – Gaia
225 506 070

SOS Estudante
(20h00 à 1h00)
969 554 545

Vozes Amigas de Esperança
(20h00 às 23h00)
222 080 707

Centro Internet Segura
800 219 090

 

(S)

23
Abr21

Cimeira Social: Pede-se compromisso para pôr fim à situação de sem-abrigo

Niel Tomodachi

Mais de uma centena de personalidades europeias apelaram hoje para que a Cimeira Social do Porto adote uma meta que estipule o fim da situação de sem-abrigo na UE até 2030, numa carta endereçada a vários líderes europeus.

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"Nós, do nível europeu ao nível local, apelamos para que sejam audazes e deem um ímpeto político real à implementação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais e ao seu plano de ação, através da adoção de uma meta ao nível da UE para acabar com a situação de sem-abrigo até 2030", lê-se na carta.

Na missiva, subscrita por eurodeputados, presidentes de câmaras municipais - entre os quais o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina -, organizações não governamentais e membros do Comité das Regiões, os signatários qualificam a situação de sem-abrigo como "uma forma extrema de pobreza" e uma "violação dos direitos humanos" que não pode ser "tolerada" ou "ignorada" na União Europeia (UE).

"É por isso que apelamos para um compromisso para pôr fim à situação de sem-abrigo até 2030, tanto no compromisso da Cimeira Social do Porto a 07 de maio, como na declaração política da reunião informal dos chefes de Estado e de Governo a 08 de maio", refere o documento, endereçado ao presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, ao primeiro-ministro, António Costa, aos membros do Conselho de Emprego, Política Social, Saúde e Consumidores, e "membros do Conselho Europeu", em referência aos restantes chefes de Estado e de Governo da UE.

Apesar de considerarem que, no plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, a Comissão Europeia "declara corretamente que o número de sem-abrigo aumentou dramaticamente e é atualmente inaceitavelmente elevado", os signatários "lamentam" o facto de o executivo comunitário não ter incluído um "objetivo para reduzir e, no final, acabar com a situação de sem-abrigo, enquanto meta subjacente ao objetivo de redução da pobreza" no plano de ação em questão.

"Acreditamos que a Cimeira Social do Porto é a perfeita ocasião não só para apoiar o plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, mas para elevar ainda mais a fasquia no que se refere a fortalecer a dimensão social da União", refere a carta onde constam assinaturas de eurodeputados do PS, PSD e Bloco de Esquerda, e que tem entre os seus promotores o antigo eurodeputado do PS Manuel Pizarro.

Nesse sentido, as personalidades referem que "o combate à situação de sem-abrigo deve ser totalmente incorporado na arquitetura da coordenação de políticas sociais e económicas da UE" e "acompanhado através do painel de indicadores sociais" do processo do Semestre Europeu.

Referindo-se ao Eurobarómetro de março -- que destacava que nove em cada dez europeus quer uma "Europa social" --, os signatários sublinham que "reduzir a pobreza e a desigualdade social tornou-se na primeira prioridade em que a UE se deveria focar".

"A UE não pode resolver a situação de sem-abrigo sozinha. Muito do trabalho precisa de ser feito ao nível nacional, regional e local. No entanto, um compromisso europeu inequívoco, assim como um apoio concreto, podem fortalecer o trabalho de todos os atores", afirmam.

A agenda social é uma das grandes prioridades da presidência portuguesa do Conselho da UE, que espera conseguir a aprovação do plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, apresentado pela Comissão Europeia em março, e que estabelece três objetivos.

Além de procurar garantir que, até 2030, pelo menos 78% da população europeia está empregada, o plano de ação pretende ainda que haja menos 15 de milhões de pessoas em risco de pobreza e que 60% dos adultos europeus participem anualmente em ações de formação.

Na Cimeira Social do Porto, a presidência portuguesa quer ver aprovado um programa com medidas concretas baseadas no Pilar Social Europeu, um texto não vinculativo de 20 princípios com o intuito de promover os direitos sociais na Europa, proclamado na anterior cimeira social europeia, celebrada em novembro de 2017 em Gotemburgo, Suécia.

 

22
Abr21

Reino Unido qualifica de genocídio repressão chinesa contra uigures

Niel Tomodachi

A Câmara dos Comuns do Parlamento do Reino Unido aprovou hoje uma moção que qualifica como genocídio e crimes contra a Humanidade a repressão do regime chinês contra a minoria uigur na região de Xinjiang.

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A moção foi aprovada por unanimidade após um debate em que foram invocadas as regras da Convenção das Nações Unidas para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, bem como outros instrumentos de direito internacional.

O texto aprovado pelos deputados não vincula o Governo britânico, mas aumentará a pressão sobre o primeiro-ministro, Boris Johnson, para endurecer a sua posição em relação à China.

Em janeiro, o Governo dos Estados Unidos, ainda na era do ex-Presidente Donald Trump, já tinha qualificado como genocídio a repressão de Pequim contra a minoria uigur, embora até agora Johnson tenha preferido não seguir os seus passos e deixar esta questão nas mãos dos tribunais.

A moção foi proposta pelo deputado conservador Nus Ghani, um dos cinco legisladores britânicos que recentemente foram sancionados pela China, por terem criticado o tratamento dado aos uigures.

No exterior do Palácio de Westminster, sede do Parlamento, cerca de 50 pessoas juntaram-se gritando palavras de ordem condenando a ação do Governo de Pequim e apoiando a moção que foi hoje aprovada.

"Cada um de nós, cada uigur, está a pedir ao Governo britânico que vote a favor, porque temos necessidade urgente de ter os nossos familiares de volta a casa. Este genocídio tem de parar", disse Maira Aiseave, membro da comunidade uigur no Reino Unido.

Os participantes da manifestação, maioritariamente da comunidade uigur, transportavam bandeiras britânicas, dos uigures e tibetanas, para denunciar a repressão chinesa contra as minorias étnicas do país.

"Estamos a sofrer estas atrocidades. Estamos a sofrer há quatro anos. Só precisamos que o Governo reconheça o que está a acontecer e aja em conformidade", disse Rahima Mahmut, diretora de um grupo ativista uigur.

Nos últimos meses, os deputados britânicos tinham tentado repetidamente aprovar um projeto de lei com o objetivo de dar ao Supremo Tribunal o direito de decidir se um país está a cometer genocídio, o que permitiria o bloqueio de acordos comerciais entre o Reino Unido e a China, mas as propostas foram rejeitadas pelo governo.

Johnson alertou contra a estratégia de "mentalidade de Guerra Fria" em relação à China e afirmou que é importante cultivar parcerias com Pequim.

No mês passado, o Reino Unido, ao lado da União Europeia, Canadá e Estados Unidos, aplicaram sanções contra um grupo de entidades na China, por causa da questão uigur, provocando uma rápida retaliação de Pequim.

O chefe da diplomacia britânica, Dominic Raab, disse que as medidas fazem parte de uma "diplomacia intensiva", para forçar uma ação perante provas sobre graves abusos de direitos humanos contra a minoria muçulmana uigur.

 

20
Abr21

ONU realça movimento antidiscriminação. Pede que se "aproveite o momento"

Niel Tomodachi

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, apontou hoje que em 2020 o mundo assistiu à emergência de um movimento global contra a intolerância e apelou à comunidade internacional para "aproveitar o momento".

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"O ano passado foi um marco importante contra o flagelo do racismo, da discriminação racial, da xenofobia e intolerância relacionada na Europa e no mundo", disse Michelle Bachelet na abertura da Conferência de Alto Nível sobre proteção contra discriminação racial e intolerância relacionada, organizada pela presidência portuguesa do Conselho da UE.

"Vimos uma emergência de movimentos antirracistas e de grupos de defesa dos direitos civis, com muitos jovens que corajosamente saíram às ruas para exigir justiça racial, equidade, igualdade e direitos civis para todos", prosseguiu.

A Alta Comissária deu como exemplo desse combate o movimento de protesto desencadeado pela morte do norte-americano George Floyd --- "emblemática de um padrão de injustiça racial enfrentada pelos afrodescendentes em muitos países" ---, mas também grupos que se insurgiram contra o aumento dos ataques antissemitas e "o alarmante aumento do discurso de ódio" contra os ciganos no contexto da pandemia de covid-19.

"Temos de aproveitar este momento para corrigir injustiças históricas e combater a impunidade da discriminação racial e intolerância relacionada", apelou.

Para isso, a comunidade internacional tem de "implementar normas e padrões de direitos humanos" como a Convenção Internacional para a Eliminação de todas as Formas de discriminação e a Declaração e Plano de Ação de Durban, "compromissos acordados internacionalmente contra a discriminação racial em todas as esferas da vida".

Estes instrumentos, reforçou, "comprometem os Estados a tomar medidas orientadas na legislação, nas políticas e na prática, para garantir direitos plenos e iguais para os que enfrentaram discriminação no passado" numa ação concertada entre governos, parlamentos e a sociedade civil.

Apontando que a pandemia de covid-19 "expôs discriminações e desigualdades raciais indefinidas em larga escala", Michelle Bachelet defendeu uma "abordagem à recuperação baseada nos direitos humanos".

"Uma abordagem que coloque as pessoas no centro de todos os esforços", sublinhou, com medidas concretas "devidamente financiadas para que tenham um efeito real".

A concluir, Bachelet frisou que "a situação é urgente e é preciso agir agora" e que o Alto Comissariado que dirige está preparado para "apoiar todos os esforços" nesse sentido.

Organizada pela presidência portuguesa do Conselho da UE, em parceria com o Programa Nunca Esquecer, a Conferência de Alto Nível "Proteção contra a Discriminação Racial e Intolerância Relacionada" insere-se nos programas do "Trio de Presidências" (Alemanha, Portugal, Eslovénia) e da PPUE e integra-se numa série de iniciativas relacionadas com a promoção dos valores democráticos europeus.

 

29
Mar21

Militante pelos direitos dos homossexuais agredido no Uzbequistão

Niel Tomodachi

Um militante pelos direitos dos homossexuais no Uzbequistão foi violentamente agredido e hospitalizado com uma perna partida e ferimentos na cabeça, anunciou hoje a polícia deste país da Ásia Central.

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Segundo um comunicado dos responsáveis policiais, Miraziz Bozorov foi agredido na tarde de domingo perto da sua residência por desconhecidos, que se puseram em fuga.

O comunicado também descreve Bozorov, um militante muito crítico do conservadorismo e do Governo deste país de maioria muçulmana, como um provocador.

A agressão registou-se algumas horas após uma manifestação de protesto contra os homossexuais na capital Tachkent que reuniu várias dezenas de pessoas, com diversas detenções por "hooliganismo".

Esta manifestação foi convocada após um apelo de Bozorov à abolição da lei que proíbe relações sexuais entre homens, e quando o Uzbequistão, a par do Turquemenistão, continua a ser o único país da Ásia Central onde a homossexualidade é ainda criminalizada.

O Ministério do Interior uzbeque difundiu um vídeo que exibe vários manifestantes detidos a lamentarem as suas ações, mas o vídeo também critica Bozorov que, segundo a polícia, exibiu "um comportamento depravado e o desrespeito intencional pelas regras de comportamento em sociedade".

O embaixador do Reino Unido no Uzbequistão, Tim Torlot, denunciou a agressão a Bozorov, considerando-a "indesculpável".

O Presidente uzbeque, Shavkat Mirziyoyev, já declarou que a abolição da lei que criminaliza a homossexualidade não está na ordem do dia.

O seu antecessor, Islam Karimov, que dirigiu de forma autoritária o país durante 25 anos até à sua morte em 2016, qualificava a homossexualidade como uma forma "comum" das doenças mentais.

Apesar de ter emitido sinais de desanuviamento, através da aplicação de reformas políticas e económicas desde a sua chegada ao poder, Mirziyoyev manteve certos dispositivos autoritários do seu predecessor.

 

23
Mar21

Rivalidade. Da motivação à falta de ética

Niel Tomodachi

No desporto, no trabalho e no amor, entre pessoas, países e empresas, é o impulso para fazer mais e melhor. Em doses moderadas, melhora os resultados. Em excesso leva a stress, frustração, batota.

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No dia 1 de dezembro de 1907, 22 jogadores entraram no Campo da Quinta da Vitória, em Carcavelos, para o confronto entre as duas equipas. O ambiente era tenso. Oito dos 11 jogadores de um dos clubes tinham abandonado recentemente o outro e jogavam agora contra os seus ex-camaradas. A equipa reforçada era o Sporting Clube de Portugal, a desfalcada era o Sport Lisboa – um ano mais tarde rebatizado como Sport Lisboa e Benfica. Foi o primeiro dia de uma rivalidade que já dura há 114 anos.

Onde há competição, há rivalidade. No desporto, seja entre clubes ou atletas individuais, a história está cheia de rivalidades famosas: Benfica e Sporting, Brasil e Argentina ou Messi e Ronaldo, no futebol; Alain Prost e Ayrton Senna, na Fórmula 1; Roger Federer e Rafael Nadal, no ténis; Tom Brady e Peyton Manning, no futebol americano. “A dimensão competitiva é fulcral na alta competição”, esclarece Rui Gomes, que trabalhou como psicólogo em clubes desportivos, acompanhando atletas e é professor da Escola de Psicologia da Universidade do Minho. O responsável pelo grupo de investigação “Adaptação, rendimento e desenvolvimento humano” explica que, quando a competição é vista como uma batalha a ganhar, o stress competitivo aumenta e, com isso, “podem surgir efeitos negativos, como sentimentos de insucesso e baixa competência, esgotamento e perda de prazer”. Já quando é encarada de forma saudável, “os atletas tendem a sentir-se mais satisfeitos com as suas prestações e com a atividade desportiva”.

Na verdade, na sua forma mais saudável, a rivalidade pode até aumentar os resultados desportivos. Gavin Kilduff, que estuda as rivalidades entre pessoas, grupos e organizações, reuniu vários exemplos. Num dos seus estudos, o professor da Escola de Negócios Stern, da Universidade de Nova Iorque (NYU Stern), avaliou provas de atletismo de cinco quilómetros e percebeu que, com os rivais presentes na prova, os corredores fazem menos 25 segundos de tempo total. Mas o investigador não ignora o lado menos bom da rivalidade e já demonstrou que, além de aumentar o stress e a tendência para correr riscos, também pode fazer disparar os comportamentos pouco éticos. “As pessoas são mais propensas a fazer batota para enganar seus rivais e para obter alguma vantagem”, sustenta à NM. E dá um exemplo: “As partidas de futebol entre equipas rivais envolvem taxas significativamente mais altas de cartões amarelos e vermelhos”.

Outro dos problemas da rivalidade excessiva, refere Rui Gomes, é que, quando é “desenraizada de valores fundamentais de desportivismo e fair play, é a principal razão do fenómeno da violência no desporto”. O especialista garante ainda que importa distinguir desporto de alta competição e o juvenil. No caso dos mais novos, sublinha, “é indesejável tornar a competição e a rivalidade um aspeto central do processo formativo” – o jovem deve ser motivado para superar os seus próprios limites, não apenas para ganhar.

Competimos com quem nos é próximo

“O meu maior rival é o meu melhor e mais antigo amigo porque crescemos a competir um com o outro em muitas coisas”, conta, a rir, Gavin Kilduff. “Isso ilustra bem que a rivalidade não precisa de ser negativa ou envolver animosidade. Com frequência, os rivais respeitam-se e partilham um vínculo.” Este exemplo revela também duas outras importantes características que envolvem a rivalidade: a similaridade entre os competidores e a importância da proximidade do relacionamento.

E isto porque uma das mais importantes fontes de rivalidade é a comparação social: a tendência para nos autoavaliarmos por contraste com os outros. Sendo que estes ‘outros’ são aqueles que são parecidos connosco e fazem parte do nosso círculo. Stephen Garcia, professor na Universidade da Califórnia – Davis (EUA) e especialista em psicologia da competição, propôs um modelo que elenca os fatores individuais e contextuais que aumentam a comparação social – e, por arrasto, os comportamentos competitivos – que foca precisamente esses aspetos.

Da perspetiva individual, a tendência para rivalizar é marcada por três aspetos, sendo o primeiro a similaridade. “Ou seja, numa maratona, as pessoas que vão competir em si são aquelas que têm tempos semelhantes”, exemplifica Stephen Garcia. Depois, importa a proximidade do relacionamento: “As pessoas têm mais tendência para ser competitivas com amigos ou conhecidos do que com estranhos”. E, por fim, interessa a relevância do que está em disputa. “Alguém que habitualmente joga ténis será provavelmente mais competitivo num jogo de ténis do que num concurso de pesca”, pormenoriza.

Em relação ao contexto, um dos elementos que tem mais peso na competitividade é aquilo que ele batizou como Efeito N: a motivação competitiva diminui à medida que o número (N) de competidores aumenta. Isto surpreendeu-o. “Achávamos que mais concorrentes significava mais concorrência, e isto pode ser verdade nos negócios, mas não o é a nível psicológico. A preocupação com a comparação social diminui à medida que este número é maior”, detalha Garcia. “Num grupo de dez concorrentes, estamos muito mais preocupados com a posição que vamos ocupar do que num grupo de cem.”

Empresas: colaboração ou comparação

Stephen Garcia admite que estudar este tema tem sido uma aprendizagem para si próprio. “Agora sou capaz de reconhecer quando estou a ser competitivo em relação a outra pessoa, e não à tarefa que tenho em mãos. E se os sentimentos competitivos não forem úteis, relembro-me que não me devo preocupar com a comparação social. Penso simplesmente: ‘Mas o que é isto interessa?’.” Aconselha toda a gente a fazer o mesmo: a colocar o foco nas tarefas, não nas pessoas, e escolher apenas as batalhas que valem a pena.

Claro que isso é mais fácil de dizer do que de fazer. A rivalidade profissional, por exemplo, pode depender menos dos indivíduos e mais do estímulo das próprias instituições. Dos três principais sistemas de avaliação usados nas empresas, uns estimulam mais a competição do que outros. Nos sistemas individuais, cada um é avaliado pelo seu próprio desempenho; nos colaborativos é analisado o desempenho conjunto e, nos competitivos, as pessoas são avaliadas por comparação umas com as outras. “Todos têm o seu mérito e valor próprio”, defende o investigador Rui Gomes, acrescentando que “o grande desafio para quem lidera é definir o sistema mais adequado, em função do tipo de pessoas que tem na equipa e da situação”.

Um exemplo típico de avaliação centrada na competição é o usado em agências imobiliárias que dão destaque ao agente que mais faturou ou mais imóveis angariou nesse mês, por comparação com os colegas da mesma agência. Isso não serve todos de igual forma. “A competição tem o potencial de despertar as pessoas para uma dada tarefa ou objetivo, principalmente as mais focadas em resultados, mas tem a grande desvantagem de deixar um número significativo de funcionários sem possibilidade de sentirem sucesso e realização no seu trabalho”, salienta Rui Gomes.

Um pouco diferentes são as rivalidades que surgem de necessidades ainda mais primárias do que a valorização social ou profissional. De uma das mais básicas – o desejo de ser aceite e amado – brota muita rivalidade. Homens e mulheres competem por parceiros amorosos tentando colocar em evidência os seus melhores atributos, ao mesmo tempo que tentam desvalorizar os dos potenciais rivais, por exemplo.

Irmãos, os primeiros rivais

Mas é do amor fraterno, e não do romântico, que surge a mais precoce das rivalidades. “A relação entre irmãos é, por excelência, um dos espaços mais importantes de treino de socialização para uma criança. Ela pode experimentar, com relativa segurança, várias emoções e pode treinar a capacidade de decisão e de resolução de conflitos”, explica a psicóloga clínica Filipa Jardim da Silva. Assim, a rivalidade entre irmãos, “é sobretudo um meio de desenvolvimento de competências sociais e emocionais em que as crianças experimentam, com autonomia, a sua capacidade de regular afetos e resolver divergências”, resume.

Perante isso, os pais devem tentar ser meros observadores, sem tomar partido. “Uma intervenção maior pode ser necessária quando alguns limites são ultrapassados, mas em rivalidades saudáveis é preferível observarem sem intervir ou intervirem apenas como mediadores, modelando uma boa expressão de afetos”, diz a psicóloga. Por norma, após a adolescência, estas rivalidades tendem a esbater-se. “Quer exista uma relação mais ou menos próxima, na idade adulta há um aparelho cognitivo e emocional e uma identidade mais alicerçada que permite que as rivalidades se desvaneçam ou extingam.”

Contudo, extinguem-se de um lado, para começarem de outros: é precisamente na adolescência que começam a acirrar-se no desporto, na escola e no amor, dando continuidade ao ciclo de competição.

(S)

04
Fev21

Estudo revela mais meninas em risco de mutilação genital na Europa

Niel Tomodachi

As estimativas revelam um aumento na União Europeia do número de meninas oriundas de países com mutilação genital feminina em risco de serem sujeitas à prática.

3038120.jpgAs estimativas revelam um aumento na União Europeia do número de meninas oriundas de países com mutilação genital feminina (MGF) em risco de serem sujeitas à prática, segundo o Instituto Europeu para a Igualdade de Género.

Num estudo divulgado e realizado a propósito do Dia Internacional de Tolerância Zero contra a MGF, que se assinala no sábado, a agência da Comissão Europeia com sede em Vilnius, capital da Lituânia, escolheu Áustria, Dinamarca, Espanha e Luxemburgo, todos países com robustas políticas e leis de combate à MGF, para estimar o nível de risco de MGF na União Europeia (UE).

O Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE, na sigla em inglês) concluiu que, em três dos quatro países analisados, Áustria, Espanha e Luxemburgo, o aumento de migrantes oriundos de países onde a MGF é praticada, que se tem verificado na última década, fez crescer o risco de mutilação genital feminina. A Dinamarca continua com uma probabilidade entre os 11% e os 21% de as meninas de países onde a MGF é praticada estarem em risco, representando 1.408 a 2.568 menores. Ainda que com um intervalo inferior (9% a 15%), em Espanha o número sobe para, respetivamente, 3.435 e 6.025 meninas em risco.

Para contrabalançar este cenário numérico, o EIGE destaca um sinal de transformação positiva: as comunidades afetadas pela MGF a viverem na UE “têm, em grande parte, opiniões negativas sobre a prática e acreditam que está lentamente a desaparecer nos seus países de origem”. Por exemplo, as alterações produzidas nos países de origem das migrantes de Espanha e Áustria diminuíram a percentagem de meninas em risco elevado de serem sujeitas à prática.

Como exemplo, o EIGE refere que, enquanto em 2011, as meninas mais em risco na Áustria eram originárias da Etiópia, país com uma elevada taxa de MGF, as meninas que correm maior risco atualmente são oriundas do Iraque, país com um índice baixo da prática.

Em resumo, explica Carlien Scheele, diretora do EIGE, citada no estudo, a que a Lusa teve acesso, “o número absoluto de meninas em risco é maior porque há mais meninas de países onde a MGF é praticada a viverem na UE, mas as comunidades afetadas revelam uma oposição crescente à prática e frequentemente lideram esforços com vista à sua erradicação”. Estas estimativas revelam que “as leis e as campanhas funcionam”, acredita. “Estamos a vencer a luta contra a MGF”, vinca.

Nos quatro países analisados, as requerentes de asilo menores correm um risco mais elevado (chegando aos 37% na Dinamarca e aos 31% na Áustria), o que leva o EIGE a recomendar aos Estados-membros que reconheçam a prática como “perseguição com base no sexo”, no quadro do sistema de asilo. Os quatro países criminalizam a MGF mesmo quando praticada no estrangeiro. Porém, a proteção é mais débil no que respeita à proteção das mulheres e meninas que tentam entrar na UE em busca de refúgio. Apenas o Luxemburgo — onde uma das comunidades migrantes analisadas foi a oriunda da Guiné-Bissau, único país de língua portuguesa onde a excisão é uma prática enraizada — reconhece a MGF como critério para a concessão de asilo.

Na pesquisa, o EIGE recomenda aos Estados-membros que forneçam formação especializada aos profissionais que lidam com as comunidades afetadas, nas áreas da saúde, educação, justiça, proteção das crianças, asilo e migrações. O EIGE recomenda também a adoção de sistemas de registo de casos, à semelhança do que Portugal tem desde 2014 e que, em 2019, sinalizou 129 mulheres excisadas residentes em território nacional.

Estima-se que em Portugal vivam 6.500 mulheres excisadas, na maioria originárias da Guiné-Bissau. A mutilação genital feminina — que consiste na retirada total ou parcial de partes genitais, com consequências físicas, psicológicas e sexuais graves, podendo até causar a morte — ainda é uma prática comum em três dezenas de países, sobretudo africanos, estimando-se que ponha em risco três milhões de meninas e jovens todos os anos e que cerca de 200 milhões de mulheres e meninas tenham já sido submetidas à prática.

(S)

04
Fev21

Al-Anoud é o rosto da violência de género no Iémen

Niel Tomodachi

Casada aos 12 anos por exigência da mãe, Al-Anoud Hussain Sheryan viveu acorrentada a uma janela até ao dia em que viu o seu rosto ser desfigurado pelo próprio marido, num ataque com ácido, no Iémen.

image.jpgAtualmente com 19 anos, a jovem conta a sua história e procura um apoio financeiro que a permita seguir em frente num país marcado pela guerra e pela pobreza, onde a violência de género é encoberta.

(S: JN)

 

02
Fev21

Como Inspirar as Crianças a Mudar o Mundo

Artigo by National Geographic

Niel Tomodachi

Os jovens que se tornam agentes de mudança partilham determinadas características. Eis como os pais podem fomentar essas características nos seus filhos.

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Sarina Lee, aluna do quarto ano, gosta de comprar roupa. Mas esta nova-iorquina suburbana não gosta que os retalhistas lhe digam que alguns dos estilos que ela escolhe são para “meninos”. Por exemplo, recentemente Sarina encomendou um par de ténis. “Eles chegaram e eram muito grandes, porque a medida era de ‘tamanhos de rapazes’”, diz a sua mãe, Glenna. Depois de descobrir que tinha amigos rapazes que também se incomodavam com atividades e itens identificados por género, Sarina decidiu colocar a sua frustração a uso.

“Abordei os meus professores para criar um clube na escola chamado ‘Projeto de Aceitação de Género’, dando às crianças um espaço para serem quem são e não o que se espera que sejam”, diz Sarina. Os seus projetos para o futuro incluem o lançamento de uma comunidade de apoio para os alunos aprenderem sobre estereótipos de género, bem como iniciar uma campanha para enviar cartas a empresas para estas repensarem a publicidade baseada em género.

Este tipo de paixão por uma causa é um sinal de esperança, sobretudo depois de um ano como 2020, que trouxe um pouco de tudo para a vida das crianças, desde uma pandemia, alterações climáticas e justiça racial.

Mas, aparentemente, ser um jovem ativista, para além de mudar o mundo, também oferece outros benefícios. De acordo com um estudo de 2018 publicado na Child Development, os agentes de mudança acabam geralmente por ganhar mais dinheiro no futuro e alcançar níveis superiores de educação do que os não ativistas. E, de acordo com várias sondagens, os estudantes universitários ativistas tendem a ser mais felizes e a ter mais bem-estar social.

O ativismo também traz benefícios para o desenvolvimento, como aprender a expressar ideias de forma eficaz e a interagir com outras pessoas. “Precisamos de conseguir expressar a nossa paixão, ser alguém que envolve os outros e os entusiasma sobre uma determinada questão”, diz Nancy Deutsch, professora de educação na Universidade da Virgínia e diretora do Centro Juvenil Nex.

Os agentes de mudança partilham muitas vezes determinadas características, qualidades que os especialistas encontram repetidamente em jovens ativistas e que os tornam tão bem-sucedidos. Eis como são essas qualidades em alguns dos jovens transformadores mais conhecidos – e como os pais podem trazer ao de cima essas características nos seus pequenos ativistas.

Os agentes de mudança veem ambos os lados da história.

“Fazer a diferença exige um certo nível de empatia e perspetiva”, diz Nancy. “Precisamos de descobrir qual é o problema e como falar dele de uma forma que atraia outras pessoas.” Antes de Sarina formar o seu clube, falou com a comunidade para compreender o que sentiam os outros alunos, pais e professores sobre a sua causa. Sarina vai usar essas informações para criar uma apresentação que possa partilhar na escola.

Como pode criar um agente de mudança empático. “Os pais devem enfatizar que todas as mudanças envolvem diferenças, conflitos e compromissos”, sugere Gene Beresin, diretor executivo do Centro Juvenil Clay do Hospital Geral de Massachusetts. Apresentar gentilmente os dois lados de uma história e fazer o papel de advogado do diabo também pode ajudar – os pais podem estimular a empatia mostrando aos filhos o que cada lado tem a ganhar e a perder. “Ao compreenderem os pontos de vista de outras pessoas, também é mais fácil argumentarem de uma forma que possam ser ouvidos”, diz Nancy.

Os agentes de mudança descobrem as suas aptidões especiais.

“Todos os movimentos de mudança social requerem pessoas com diferentes capacidades e talentos”, diz Nancy. “A melhor coisa que se pode fazer por um movimento é descobrir quais são as nossas capacidades e pontos fortes.” Por exemplo, o movimento Standing Rock ganhou muita atenção depois de uma jovem fotógrafa chamada Tina Malia ter captado uma imagem de veteranos militares dos EUA ajoelhados em frente a nativos americanos.

Como os pais podem ajudar os filhos a encontrarem as suas capacidades especiais. “Não precisamos necessariamente de ir para a rua para um comício ou liderar um esforço para salvar um rio”, diz Gene Beresin, professor de psiquiatria na Escola de Medicina de Harvard. Uma criança também pode escrever cartas para as autoridades municipais ou para os diretores de escolas, ou participar em eventos cívicos. “Descubra quais são os seus valores e missões”, diz Gene. “Combine isso com o conhecimento dos pontos fortes e fracos dos seus filhos.” Depois, faça sugestões. Eles sabem escrever bem? Conseguem fazer um blog? Sabem tirar fotografias?

Os agentes de mudança são apaixonados.

discurso apaixonado de Greta Thunberg em 2019 nas Nações Unidas deixou uma coisa clara: Greta tem sentimentos fortes sobre as alterações climáticas. E embora o poder das suas palavras polarizassem algumas pessoas, essas palavras receberam muita atenção. Essa paixão é a chave para um movimento de sucesso. “Uma causa não precisa de ser algo que arrase com a Terra”, diz Adam Edwards, coautor de Surmountable: How Citizens From Selma to Seoul Changed the World. “Mas encontrar algo que nos apaixone é definitivamente um traço comum.”

Como os pais podem criar uma criança apaixonada. “Tenha conversas frequentes que envolvam os valores, ideais, missões e objetivos do seu filho”, sugere Gene, que foi um jovem ativista na década de 1960. “Ouça o que é importante para eles.” Para inspirar mais paixão, pode referir entes queridos na vida do seu filho que sejam afetados pelos problemas com os quais eles se preocupam – por exemplo, um amigo que já foi sem-abrigo ou um profissional de saúde que precisa de equipamento de proteção individual.

Os agentes de mudança perseveram.

As mudanças raramente acontecem tão depressa quanto as crianças desejam e, embora isto possa ser inicialmente dececionante, também ensina paciência e resiliência. Malala Yousafzai começou a escrever sobre a educação das mulheres no Afeganistão quando tinha apenas 11 anos; aos 15, foi alvejada pelos Talibã. Contudo, nove meses depois, Malala falou abertamente sobre a educação feminina na sede da ONU em Nova Iorque. Hoje, o Fundo Malala já angariou centenas de milhões de euros para construir escolas que ajudam raparigas, mas milhões de crianças ainda não vão à escola. Manter um movimento, mesmo quando este se torna difícil, é fundamental para os agentes de mudança. “Eu adoro a frase ‘mesmo assim, ela persistiu’”, diz Adam Edwards.

Como os pais podem criar uma criança que persevera. “Certifique-se de que os mais jovens sabem que mesmo as mudanças mais pequenas a nível local fazem parte da solução”, diz Gene. Os pais podem salientar que as crianças já estão a fazer a diferença aos poucos, seja a usar menos eletricidade em casa ou a ajudar um amigo a aprender a ler. Falar sobre os grandes ativistas também pode ajudar quando as coisas ficam mais difíceis. Nancy cita os esforços de vários anos do ativista dos direitos civis John Lewis como um exemplo de grandes mudanças que surgem gradualmente.

Os agentes de mudança são fortes jogadores de equipa.

“Pode ser tentador olhar para os líderes individuais”, diz Nancy. “Mas, na realidade, os movimentos e mudanças são feitos por grupos enormes de pessoas que trabalham em conjunto.” Martin Luther King Jr. foi um líder e organizador poderoso, mas sem a ajuda de pessoas que desafiaram a segregação nos transportes públicos, pessoas que se recusaram a sair de cafés, ou crianças que marcharam para que os seus pais não perdessem os empregos, o movimento pelos direitos civis nos EUA não teria tido sucesso.

Como os pais podem criar um jogador de equipa. Ajudar o seu filho a encontrar um movimento significativo pode mostrar-lhe a força e a importância de uma equipa. “Precisamos de sentir que temos um propósito, que estamos aqui para fazer algo, é realmente uma parte essencial que precisamos enquanto humanos”, diz Nancy. Os desportos são ótimos, mas tornar-se um jogador de equipa também pode significar entrar num clube escolar, participar num grupo coral ou numa banda, ou frequentar um templo religioso. Gene Beresin diz: “Estamos a ensinar os nossos filhos a fazerem parte de algo maior do que eles.”

 

POR JAMIE KIFFEL-ALCHEH (S)
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

 

30
Jan21

"Black Lives Matter" indicado para nomeação de Nobel da Paz

Niel Tomodachi

O movimento que nasceu nos Estados Unidos foi indicado para a nomeação do Prémio Nobel da Paz de 2021. O deputado socialista norueguês, que enviou a proposta do "Black Lives Matter" ao Comité, destaca a "grande conquista no aumento da consciência global e da consciência sobre a injustiça racial".

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"Acho que um dos principais desafios que vimos na América, mas também na Europa e na Ásia, é o tipo de conflito crescente baseado na desigualdade", escreveu Petter Eide, deputado norueguês, citado pelo jornal "The Guardian". De acordo com o político, o "Black Lives Matter" ("As Vidas Negras Importam") conseguiu que os protestos contra o racismo e violência policial contra negros fossem disseminados além da América e um pouco por todo o mundo.

De facto, desde 2013, e após a morte do afro-americano George Floyd no ano passado, asfixiado por um agente da polícia, o movimento ganhou fôlego em vários países e levou milhares de pessoas às ruas. A contestação foi de tal forma global que "todos os grupos da sociedade" mobilizaram-se na luta contra a desigualdade social, algo que o deputado norueguês considera que "nunca foi feito".

"Black Lives Matter" foi criado há oito anos por Alicia Garza, Patrisse Cullors e Opal Tometi em protesto contra a morte de Trayvon Martin, de 17 anos, alvejado a tiro por George Zimmerman, um segurança que foi absolvido do caso de homicídio.

O movimento ganhou reconhecimento público nos EUA em 2014, mais uma vez, em manifestações contra a morte de dois afro-americanos, Michael Brown e Eric Garner. O protesto global do movimento foi notório em 2020, ano da pandemia, em sequência das mortes de George Floyd e Breonna Taylor.

As indicações para nomeações do Nobel da Paz podem ser submetidas por qualquer político a exercer um cargo nacional. Para tal, têm de escrever um texto com duas mil palavras, onde explicam as razões da escolha de determinada personalidade, instituição ou movimento. O prazo das submissões termina a 1 de fevereiro, depois o Comité do Nobel terá de reduzir a lista. O vencedor será escolhido em outubro.

 

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