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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

30
Jul21

Governo negoceia pagamento de licença a trabalhadores que queiram estudar

Niel Tomodachi

Licença sabática para trabalhadores que queiram apostar na melhoria das qualificações deverá ser paga pelos fundos europeus que ajudam a cumprir uma das promessas eleitorais feitas pelos socialistas.

31784959.jpgAs negociações com os parceiros sociais para que o Estado seja responsável por pagar as licenças sabáticas dos trabalhadores que queiram apostar na qualificação já terão começado. A promessa já constava do programa eleitoral socialista, mas os montantes necessários chegaram com os fundos europeus.

O Governo vai poder apoiar empresas, reforçar os rendimentos das famílias e alargar políticas sociais com as transferências que vão chegar da UE, escreve o Expresso com a confirmação da ministra do Emprego de que as negociações já estão em curso. “A lógica é promover um triângulo que passa pela valorização dos trabalhadores no mercado de trabalho, a promoção da conciliação da vida familiar e profissional e o reforço das políticas públicas que permitam o aumento dos rendimentos das famílias, sobretudo as mais jovens”, diz ao semanário Ana Mendes Godinho.

Depois de reunir com os parceiros sociais o Executivo terá ainda que fechar o modelo em que este tipo de programa se aplicará. Se no programa socialista se admitia a “substituição dos trabalhadores em formação”, para já ainda não há qualquer modelo delineado com o programa de licenças para formação que avançará à boleia da ‘bazuca’.

 
07
Jul21

Milhares protestam no parlamento georgiano contra a violência anti-LGBTQ

Niel Tomodachi

Manifestantes tinham bandeiras arco-íris e da União Europeia. Membros da extrema-direita voltaram a tentar impedir a manifestação dos ativistas LGBTQ.

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Um dia após os ativistas LGBTQ terem cancelado uma marcha Pride em Tbilissi, a capital da Geórgia, devido à violência perpetrada por membros da extrema-direita, que agrediram os ativistas, jornalistas e invadiram escritórios de organizações LGBTQ, milhares de pessoas juntaram-se para um protesto em frente ao parlamento georgiano.

Segundo o Euractiv, a manifestação desta terça-feira teve como objetivo denunciar a violência anti-LGBTQ, mas também anti-União Europeia (as centenas de elementos da extrema-direita, alguns ligados a um partido pró-russo, que impediram a realização da marcha Pride também retiraram uma bandeira da União Europeia que estava no exterior do parlamento da Geórgia).

Muitas das pessoas que marcaram presença neste protesto tinham bandeiras arco-íris mas também da União Europeia. Face a uma contramanifestação da extrema-direita, que juntou 200 pessoas, a polícia montou um cordão policial na área para proteger os milhares de ativistas LGBTQ.

Ainda assim, a presença das autoridades não evitou que os elementos da extrema-direita tentassem forçar a passagem pela barreira policial. Mas isso não amedrontou quem saiu à rua para lutar pelos direitos da comunidade LGBTQ e pelos direitos humanos na Geórgia.

 

“Não podemos tolerar neste país qualquer forma de violência que tenha como alvo as minorias”, disse Lili Chumburidze, uma das manifestantes, à AFP. “A homofobia não pertence ao século XXI”, acrescentou.

O primeiro-ministro georgiano, Irakli Garabishvili, tem sido muito criticado pela oposição e por ativistas de direitos humanos por se ter manifestado contra a realização da marcha Pride, que descreveu como “inaceitável para um grande segmento da sociedade” da Geórgia. O seu partido é acusado de apoiar grupos homofóbicos e nacionalistas.

Um dos organizadores da marcha Pride, Giorgi Tabagari, afirmou à AFP que suspeitava que “os serviços secretos tinham coordenado os ataques” de segunda-feira.

A Geórgia descriminalizou a homossexualidade em 2000 e adotou leis anti-discriminatórias em 2006 e em 2014. No entanto, os eventos LGBTQ são controversos neste país conservador onde a Igreja Ortodoxa exerce grande poder e influência.

24
Jun21

Última edição do jornal Apple Daily de Hong Kong esgota às primeiras horas da manhã

Niel Tomodachi

Mais de uma centena de pessoas estiveram à porta do edifício do jornal para apoiar os jornalistas, naquela que foi a última edição impressa do Apple Daily, que esgotou nos quiosques da cidade.

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Milhares de pessoas fizeram fila em Hong Kong para comprar a última edição impressa do jornal Apple Daily, que imprimiu um milhão de exemplares para a despedida, esgotada esta quinta-feira às primeiras horas da manhã.

Os residentes no bairro Mong Kok começaram a fazer fila horas antes de o jornal chegar às bancas, ainda de madrugada. Às 8h30 da manhã (1h30 em Lisboa), a última edição do Apple Daily estava esgotada na maioria dos quiosques da cidade, de acordo com a agência de notícias Associated Press (AP).

Na noite de quarta-feira, mais de uma centena de pessoas estiveram à porta do edifício do jornal, à chuva, para apoiar os jornalistas que trabalhavam na edição final, a tirar fotografias e gritando palavras de encorajamento. A primeira página da última edição mostra um funcionário do jornal a acenar aos apoiantes que rodearam o edifício, com o título “Residentes de Hong Kong fazem despedida dolorosa à chuva: ‘Apoiamos o Apple Daily'”.

Fundado em 1995, o Apple Daily foi um firme apoiante do movimento pró-democracia e dos protestos antigovernamentais que abalaram o território em 2019. O proprietário do diário, o magnata Jimmy Lai, cumpre atualmente uma pena de vários meses de prisão pela participação nas manifestações, e enfrenta ainda acusações por “conluio com forças estrangeiras”, alegadamente por defender sanções contra dirigentes de Pequim e de Hong Kong.

O jornal anunciou o fim das operações na quarta-feira, após o congelamento dos bens pelas autoridades de Hong Kong. Na semana passada, mais de 500 polícias invadiram as instalações do diário, numa operação que resultou na detenção de cinco responsáveis e no congelamento de bens no valor de 18 milhões de dólares de Hong Kong (cerca de 1,9 milhões de euros) de três empresas ligadas ao Apple Daily.

Dois responsáveis do jornal foram detidos e acusados de “conspirar com forças estrangeiras”, ao abrigo da lei de segurança nacional, imposta no ano passado por Pequim à região semiautónoma chinesa. Três outros responsáveis do jornal foram, entretanto, postos em liberdade sob caução. Esta foi a primeira vez que opiniões políticas publicadas por um órgão de comunicação social de Hong Kong levaram a um processo judicial, ao abrigo da controversa lei da segurança nacional.

Na quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Dominic Raab, escreveu na rede social Twitter que “o encerramento forçado” do jornal pelas autoridades de Hong Kong “é uma demonstração arrepiante da campanha para silenciar todas as vozes da oposição”. Também a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Maria Adebahr, considerou o encerramento um “duro golpe contra a liberdade de imprensa” no território.

 

19
Mai21

Sem palavras...

"O pai não podia com o bebé, afogavam-se, O guarda salvou-os"

Niel Tomodachi

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A imagem foi partilhada pela Guarda Civil no Twitter e é o espelho infeliz do drama dos migrantes que ocorre atualmente em Ceuta. Nesta, é possível ver um bebé de poucos meses a ser salvo do mar por um agente, Juan Francisco, que é já visto como um herói.

 

25
Abr21

O impacto que o Bullying homofóbico tem na vida dos estudantes

Texto by esqrever

Niel Tomodachi

O Bullying homofóbico é um fantasma que entra na vida dos estudantes e pode atormentá-los durante vários dias, meses e anos.

Cada vez mais deparamo-nos com uma panóplia de informação ao nosso redor. Se para nós adultos já é demasiada informação para digerir, para as crianças e adolescentes, ainda se agrava mais, visto que, ainda se encontram em processo de crescimento. A informação é uma arma poderosa nas mãos de quem a sabe usar para gerar mudança e, de alguma forma, evolução na nossa sociedade. Pode e deve ser usada para tal. O local onde nos é transmitida mais informação nos nossos primeiros anos de vida é a escola. Como se costuma dizer: “amada por uns, odiada por outros”. Depende do que vivenciam e do resultado que as suas experiências tem no seu quotidiano. Muitas crianças começam desde cedo a sentir que são diferentes e que não se enquadram nos estereótipos dos colegas em relação à sua orientação sexual. Quando isto acontece, em muitas situações, geram-se situações de Bullying homofóbico e estes estudantes são postos de parte. 

O Bullying é um ato de violência que pode ser praticado contra qualquer estudante, independentemente das suas condições sociais, condições económicas, cultura, faixa etária, nacionalidade, género e orientação sexual. Este ato de violência pode ocorrer de várias formas, sendo as principais: de forma física (em que existem empurrões, pontapés…), de forma verbal (em que existem insultos, julgamentos, críticas agressivas…) e de forma sexual (em que existe abusos sexuais, mutilação genital, exposição dos órgãos genitais sem consentimento…) fruto destas agressões muitos destes jovens tem dificuldade em socializar e isolam-se. O que é prejudicial, porque, o ser humano precisa de ter à sua volta uma rede de suporte informal (família, amigos, vizinhos) que seja significativa na sua vida para que o possa amparar em todos os momentos, mas sobretudo nos momentos mais dolorosos.  Os professores são um agente importante na identificação e prevenção. Cabe-lhes informar os alunos para que não se manifestem mais estas práticas. Tal como os professores, os colegas também devem ser ativos com episódios em que exista alguém a enfrentar Bullying homofóbico. E a família deve estar sempre atenta. Podem e devem denunciar quando o mesmo ocorre para evitar que continue por mais tempo. São vidas que estão em jogo. Muitos destes jovens ficam mais suscetíveis a desenvolver doenças mentais, como por exemplo, depressão, ansiedade, anorexia nervosa, entre outros, que podem levar ao suicídio. Os estudos comprovam que existe maior suscetibilidade para que estes estudantes queiram cometer o suicídio. 

O Bullying homofóbico é um fantasma que entra na vida dos estudantes e pode atormentá-los durante vários dias, meses e anos. Depende da gravidade da situação. Mas todas são graves a partir do momento em que começam. Muitos estudantes que passam por estas situações levam sequelas para a vida inteira que tem de ser resolvidas com a maior antecedência possível. Em muitos casos em adultos ainda estão a resolver as fragilidades que o Bullying deixou nas suas vidas. 

É assim importante estar atento a vários sinais que podem ser indicadores de que algo não está como devia estar. Torna-se primordial identificar situações de Bullying homofóbico e procurar agir de forma rápida recorrendo às pessoas e aos meios certos. 

Linhas de Apoio e de Prevenção do Suicídio em Portugal

Linha LGBT
De Quinta a Sábado, das 20h às 23h
218 873 922
969 239 229

SOS Voz Amiga
(entre as 16 e as 24h00)
213 544 545
912 802 669
963 524 660

Telefone da Amizade
228 323 535

Escutar – Voz de Apoio – Gaia
225 506 070

SOS Estudante
(20h00 à 1h00)
969 554 545

Vozes Amigas de Esperança
(20h00 às 23h00)
222 080 707

Centro Internet Segura
800 219 090

 

(S)

23
Abr21

Cimeira Social: Pede-se compromisso para pôr fim à situação de sem-abrigo

Niel Tomodachi

Mais de uma centena de personalidades europeias apelaram hoje para que a Cimeira Social do Porto adote uma meta que estipule o fim da situação de sem-abrigo na UE até 2030, numa carta endereçada a vários líderes europeus.

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"Nós, do nível europeu ao nível local, apelamos para que sejam audazes e deem um ímpeto político real à implementação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais e ao seu plano de ação, através da adoção de uma meta ao nível da UE para acabar com a situação de sem-abrigo até 2030", lê-se na carta.

Na missiva, subscrita por eurodeputados, presidentes de câmaras municipais - entre os quais o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina -, organizações não governamentais e membros do Comité das Regiões, os signatários qualificam a situação de sem-abrigo como "uma forma extrema de pobreza" e uma "violação dos direitos humanos" que não pode ser "tolerada" ou "ignorada" na União Europeia (UE).

"É por isso que apelamos para um compromisso para pôr fim à situação de sem-abrigo até 2030, tanto no compromisso da Cimeira Social do Porto a 07 de maio, como na declaração política da reunião informal dos chefes de Estado e de Governo a 08 de maio", refere o documento, endereçado ao presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, ao primeiro-ministro, António Costa, aos membros do Conselho de Emprego, Política Social, Saúde e Consumidores, e "membros do Conselho Europeu", em referência aos restantes chefes de Estado e de Governo da UE.

Apesar de considerarem que, no plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, a Comissão Europeia "declara corretamente que o número de sem-abrigo aumentou dramaticamente e é atualmente inaceitavelmente elevado", os signatários "lamentam" o facto de o executivo comunitário não ter incluído um "objetivo para reduzir e, no final, acabar com a situação de sem-abrigo, enquanto meta subjacente ao objetivo de redução da pobreza" no plano de ação em questão.

"Acreditamos que a Cimeira Social do Porto é a perfeita ocasião não só para apoiar o plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, mas para elevar ainda mais a fasquia no que se refere a fortalecer a dimensão social da União", refere a carta onde constam assinaturas de eurodeputados do PS, PSD e Bloco de Esquerda, e que tem entre os seus promotores o antigo eurodeputado do PS Manuel Pizarro.

Nesse sentido, as personalidades referem que "o combate à situação de sem-abrigo deve ser totalmente incorporado na arquitetura da coordenação de políticas sociais e económicas da UE" e "acompanhado através do painel de indicadores sociais" do processo do Semestre Europeu.

Referindo-se ao Eurobarómetro de março -- que destacava que nove em cada dez europeus quer uma "Europa social" --, os signatários sublinham que "reduzir a pobreza e a desigualdade social tornou-se na primeira prioridade em que a UE se deveria focar".

"A UE não pode resolver a situação de sem-abrigo sozinha. Muito do trabalho precisa de ser feito ao nível nacional, regional e local. No entanto, um compromisso europeu inequívoco, assim como um apoio concreto, podem fortalecer o trabalho de todos os atores", afirmam.

A agenda social é uma das grandes prioridades da presidência portuguesa do Conselho da UE, que espera conseguir a aprovação do plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, apresentado pela Comissão Europeia em março, e que estabelece três objetivos.

Além de procurar garantir que, até 2030, pelo menos 78% da população europeia está empregada, o plano de ação pretende ainda que haja menos 15 de milhões de pessoas em risco de pobreza e que 60% dos adultos europeus participem anualmente em ações de formação.

Na Cimeira Social do Porto, a presidência portuguesa quer ver aprovado um programa com medidas concretas baseadas no Pilar Social Europeu, um texto não vinculativo de 20 princípios com o intuito de promover os direitos sociais na Europa, proclamado na anterior cimeira social europeia, celebrada em novembro de 2017 em Gotemburgo, Suécia.

 

22
Abr21

Reino Unido qualifica de genocídio repressão chinesa contra uigures

Niel Tomodachi

A Câmara dos Comuns do Parlamento do Reino Unido aprovou hoje uma moção que qualifica como genocídio e crimes contra a Humanidade a repressão do regime chinês contra a minoria uigur na região de Xinjiang.

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A moção foi aprovada por unanimidade após um debate em que foram invocadas as regras da Convenção das Nações Unidas para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, bem como outros instrumentos de direito internacional.

O texto aprovado pelos deputados não vincula o Governo britânico, mas aumentará a pressão sobre o primeiro-ministro, Boris Johnson, para endurecer a sua posição em relação à China.

Em janeiro, o Governo dos Estados Unidos, ainda na era do ex-Presidente Donald Trump, já tinha qualificado como genocídio a repressão de Pequim contra a minoria uigur, embora até agora Johnson tenha preferido não seguir os seus passos e deixar esta questão nas mãos dos tribunais.

A moção foi proposta pelo deputado conservador Nus Ghani, um dos cinco legisladores britânicos que recentemente foram sancionados pela China, por terem criticado o tratamento dado aos uigures.

No exterior do Palácio de Westminster, sede do Parlamento, cerca de 50 pessoas juntaram-se gritando palavras de ordem condenando a ação do Governo de Pequim e apoiando a moção que foi hoje aprovada.

"Cada um de nós, cada uigur, está a pedir ao Governo britânico que vote a favor, porque temos necessidade urgente de ter os nossos familiares de volta a casa. Este genocídio tem de parar", disse Maira Aiseave, membro da comunidade uigur no Reino Unido.

Os participantes da manifestação, maioritariamente da comunidade uigur, transportavam bandeiras britânicas, dos uigures e tibetanas, para denunciar a repressão chinesa contra as minorias étnicas do país.

"Estamos a sofrer estas atrocidades. Estamos a sofrer há quatro anos. Só precisamos que o Governo reconheça o que está a acontecer e aja em conformidade", disse Rahima Mahmut, diretora de um grupo ativista uigur.

Nos últimos meses, os deputados britânicos tinham tentado repetidamente aprovar um projeto de lei com o objetivo de dar ao Supremo Tribunal o direito de decidir se um país está a cometer genocídio, o que permitiria o bloqueio de acordos comerciais entre o Reino Unido e a China, mas as propostas foram rejeitadas pelo governo.

Johnson alertou contra a estratégia de "mentalidade de Guerra Fria" em relação à China e afirmou que é importante cultivar parcerias com Pequim.

No mês passado, o Reino Unido, ao lado da União Europeia, Canadá e Estados Unidos, aplicaram sanções contra um grupo de entidades na China, por causa da questão uigur, provocando uma rápida retaliação de Pequim.

O chefe da diplomacia britânica, Dominic Raab, disse que as medidas fazem parte de uma "diplomacia intensiva", para forçar uma ação perante provas sobre graves abusos de direitos humanos contra a minoria muçulmana uigur.

 

20
Abr21

ONU realça movimento antidiscriminação. Pede que se "aproveite o momento"

Niel Tomodachi

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, apontou hoje que em 2020 o mundo assistiu à emergência de um movimento global contra a intolerância e apelou à comunidade internacional para "aproveitar o momento".

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"O ano passado foi um marco importante contra o flagelo do racismo, da discriminação racial, da xenofobia e intolerância relacionada na Europa e no mundo", disse Michelle Bachelet na abertura da Conferência de Alto Nível sobre proteção contra discriminação racial e intolerância relacionada, organizada pela presidência portuguesa do Conselho da UE.

"Vimos uma emergência de movimentos antirracistas e de grupos de defesa dos direitos civis, com muitos jovens que corajosamente saíram às ruas para exigir justiça racial, equidade, igualdade e direitos civis para todos", prosseguiu.

A Alta Comissária deu como exemplo desse combate o movimento de protesto desencadeado pela morte do norte-americano George Floyd --- "emblemática de um padrão de injustiça racial enfrentada pelos afrodescendentes em muitos países" ---, mas também grupos que se insurgiram contra o aumento dos ataques antissemitas e "o alarmante aumento do discurso de ódio" contra os ciganos no contexto da pandemia de covid-19.

"Temos de aproveitar este momento para corrigir injustiças históricas e combater a impunidade da discriminação racial e intolerância relacionada", apelou.

Para isso, a comunidade internacional tem de "implementar normas e padrões de direitos humanos" como a Convenção Internacional para a Eliminação de todas as Formas de discriminação e a Declaração e Plano de Ação de Durban, "compromissos acordados internacionalmente contra a discriminação racial em todas as esferas da vida".

Estes instrumentos, reforçou, "comprometem os Estados a tomar medidas orientadas na legislação, nas políticas e na prática, para garantir direitos plenos e iguais para os que enfrentaram discriminação no passado" numa ação concertada entre governos, parlamentos e a sociedade civil.

Apontando que a pandemia de covid-19 "expôs discriminações e desigualdades raciais indefinidas em larga escala", Michelle Bachelet defendeu uma "abordagem à recuperação baseada nos direitos humanos".

"Uma abordagem que coloque as pessoas no centro de todos os esforços", sublinhou, com medidas concretas "devidamente financiadas para que tenham um efeito real".

A concluir, Bachelet frisou que "a situação é urgente e é preciso agir agora" e que o Alto Comissariado que dirige está preparado para "apoiar todos os esforços" nesse sentido.

Organizada pela presidência portuguesa do Conselho da UE, em parceria com o Programa Nunca Esquecer, a Conferência de Alto Nível "Proteção contra a Discriminação Racial e Intolerância Relacionada" insere-se nos programas do "Trio de Presidências" (Alemanha, Portugal, Eslovénia) e da PPUE e integra-se numa série de iniciativas relacionadas com a promoção dos valores democráticos europeus.

 

29
Mar21

Militante pelos direitos dos homossexuais agredido no Uzbequistão

Niel Tomodachi

Um militante pelos direitos dos homossexuais no Uzbequistão foi violentamente agredido e hospitalizado com uma perna partida e ferimentos na cabeça, anunciou hoje a polícia deste país da Ásia Central.

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Segundo um comunicado dos responsáveis policiais, Miraziz Bozorov foi agredido na tarde de domingo perto da sua residência por desconhecidos, que se puseram em fuga.

O comunicado também descreve Bozorov, um militante muito crítico do conservadorismo e do Governo deste país de maioria muçulmana, como um provocador.

A agressão registou-se algumas horas após uma manifestação de protesto contra os homossexuais na capital Tachkent que reuniu várias dezenas de pessoas, com diversas detenções por "hooliganismo".

Esta manifestação foi convocada após um apelo de Bozorov à abolição da lei que proíbe relações sexuais entre homens, e quando o Uzbequistão, a par do Turquemenistão, continua a ser o único país da Ásia Central onde a homossexualidade é ainda criminalizada.

O Ministério do Interior uzbeque difundiu um vídeo que exibe vários manifestantes detidos a lamentarem as suas ações, mas o vídeo também critica Bozorov que, segundo a polícia, exibiu "um comportamento depravado e o desrespeito intencional pelas regras de comportamento em sociedade".

O embaixador do Reino Unido no Uzbequistão, Tim Torlot, denunciou a agressão a Bozorov, considerando-a "indesculpável".

O Presidente uzbeque, Shavkat Mirziyoyev, já declarou que a abolição da lei que criminaliza a homossexualidade não está na ordem do dia.

O seu antecessor, Islam Karimov, que dirigiu de forma autoritária o país durante 25 anos até à sua morte em 2016, qualificava a homossexualidade como uma forma "comum" das doenças mentais.

Apesar de ter emitido sinais de desanuviamento, através da aplicação de reformas políticas e económicas desde a sua chegada ao poder, Mirziyoyev manteve certos dispositivos autoritários do seu predecessor.

 

23
Mar21

Rivalidade. Da motivação à falta de ética

Niel Tomodachi

No desporto, no trabalho e no amor, entre pessoas, países e empresas, é o impulso para fazer mais e melhor. Em doses moderadas, melhora os resultados. Em excesso leva a stress, frustração, batota.

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No dia 1 de dezembro de 1907, 22 jogadores entraram no Campo da Quinta da Vitória, em Carcavelos, para o confronto entre as duas equipas. O ambiente era tenso. Oito dos 11 jogadores de um dos clubes tinham abandonado recentemente o outro e jogavam agora contra os seus ex-camaradas. A equipa reforçada era o Sporting Clube de Portugal, a desfalcada era o Sport Lisboa – um ano mais tarde rebatizado como Sport Lisboa e Benfica. Foi o primeiro dia de uma rivalidade que já dura há 114 anos.

Onde há competição, há rivalidade. No desporto, seja entre clubes ou atletas individuais, a história está cheia de rivalidades famosas: Benfica e Sporting, Brasil e Argentina ou Messi e Ronaldo, no futebol; Alain Prost e Ayrton Senna, na Fórmula 1; Roger Federer e Rafael Nadal, no ténis; Tom Brady e Peyton Manning, no futebol americano. “A dimensão competitiva é fulcral na alta competição”, esclarece Rui Gomes, que trabalhou como psicólogo em clubes desportivos, acompanhando atletas e é professor da Escola de Psicologia da Universidade do Minho. O responsável pelo grupo de investigação “Adaptação, rendimento e desenvolvimento humano” explica que, quando a competição é vista como uma batalha a ganhar, o stress competitivo aumenta e, com isso, “podem surgir efeitos negativos, como sentimentos de insucesso e baixa competência, esgotamento e perda de prazer”. Já quando é encarada de forma saudável, “os atletas tendem a sentir-se mais satisfeitos com as suas prestações e com a atividade desportiva”.

Na verdade, na sua forma mais saudável, a rivalidade pode até aumentar os resultados desportivos. Gavin Kilduff, que estuda as rivalidades entre pessoas, grupos e organizações, reuniu vários exemplos. Num dos seus estudos, o professor da Escola de Negócios Stern, da Universidade de Nova Iorque (NYU Stern), avaliou provas de atletismo de cinco quilómetros e percebeu que, com os rivais presentes na prova, os corredores fazem menos 25 segundos de tempo total. Mas o investigador não ignora o lado menos bom da rivalidade e já demonstrou que, além de aumentar o stress e a tendência para correr riscos, também pode fazer disparar os comportamentos pouco éticos. “As pessoas são mais propensas a fazer batota para enganar seus rivais e para obter alguma vantagem”, sustenta à NM. E dá um exemplo: “As partidas de futebol entre equipas rivais envolvem taxas significativamente mais altas de cartões amarelos e vermelhos”.

Outro dos problemas da rivalidade excessiva, refere Rui Gomes, é que, quando é “desenraizada de valores fundamentais de desportivismo e fair play, é a principal razão do fenómeno da violência no desporto”. O especialista garante ainda que importa distinguir desporto de alta competição e o juvenil. No caso dos mais novos, sublinha, “é indesejável tornar a competição e a rivalidade um aspeto central do processo formativo” – o jovem deve ser motivado para superar os seus próprios limites, não apenas para ganhar.

Competimos com quem nos é próximo

“O meu maior rival é o meu melhor e mais antigo amigo porque crescemos a competir um com o outro em muitas coisas”, conta, a rir, Gavin Kilduff. “Isso ilustra bem que a rivalidade não precisa de ser negativa ou envolver animosidade. Com frequência, os rivais respeitam-se e partilham um vínculo.” Este exemplo revela também duas outras importantes características que envolvem a rivalidade: a similaridade entre os competidores e a importância da proximidade do relacionamento.

E isto porque uma das mais importantes fontes de rivalidade é a comparação social: a tendência para nos autoavaliarmos por contraste com os outros. Sendo que estes ‘outros’ são aqueles que são parecidos connosco e fazem parte do nosso círculo. Stephen Garcia, professor na Universidade da Califórnia – Davis (EUA) e especialista em psicologia da competição, propôs um modelo que elenca os fatores individuais e contextuais que aumentam a comparação social – e, por arrasto, os comportamentos competitivos – que foca precisamente esses aspetos.

Da perspetiva individual, a tendência para rivalizar é marcada por três aspetos, sendo o primeiro a similaridade. “Ou seja, numa maratona, as pessoas que vão competir em si são aquelas que têm tempos semelhantes”, exemplifica Stephen Garcia. Depois, importa a proximidade do relacionamento: “As pessoas têm mais tendência para ser competitivas com amigos ou conhecidos do que com estranhos”. E, por fim, interessa a relevância do que está em disputa. “Alguém que habitualmente joga ténis será provavelmente mais competitivo num jogo de ténis do que num concurso de pesca”, pormenoriza.

Em relação ao contexto, um dos elementos que tem mais peso na competitividade é aquilo que ele batizou como Efeito N: a motivação competitiva diminui à medida que o número (N) de competidores aumenta. Isto surpreendeu-o. “Achávamos que mais concorrentes significava mais concorrência, e isto pode ser verdade nos negócios, mas não o é a nível psicológico. A preocupação com a comparação social diminui à medida que este número é maior”, detalha Garcia. “Num grupo de dez concorrentes, estamos muito mais preocupados com a posição que vamos ocupar do que num grupo de cem.”

Empresas: colaboração ou comparação

Stephen Garcia admite que estudar este tema tem sido uma aprendizagem para si próprio. “Agora sou capaz de reconhecer quando estou a ser competitivo em relação a outra pessoa, e não à tarefa que tenho em mãos. E se os sentimentos competitivos não forem úteis, relembro-me que não me devo preocupar com a comparação social. Penso simplesmente: ‘Mas o que é isto interessa?’.” Aconselha toda a gente a fazer o mesmo: a colocar o foco nas tarefas, não nas pessoas, e escolher apenas as batalhas que valem a pena.

Claro que isso é mais fácil de dizer do que de fazer. A rivalidade profissional, por exemplo, pode depender menos dos indivíduos e mais do estímulo das próprias instituições. Dos três principais sistemas de avaliação usados nas empresas, uns estimulam mais a competição do que outros. Nos sistemas individuais, cada um é avaliado pelo seu próprio desempenho; nos colaborativos é analisado o desempenho conjunto e, nos competitivos, as pessoas são avaliadas por comparação umas com as outras. “Todos têm o seu mérito e valor próprio”, defende o investigador Rui Gomes, acrescentando que “o grande desafio para quem lidera é definir o sistema mais adequado, em função do tipo de pessoas que tem na equipa e da situação”.

Um exemplo típico de avaliação centrada na competição é o usado em agências imobiliárias que dão destaque ao agente que mais faturou ou mais imóveis angariou nesse mês, por comparação com os colegas da mesma agência. Isso não serve todos de igual forma. “A competição tem o potencial de despertar as pessoas para uma dada tarefa ou objetivo, principalmente as mais focadas em resultados, mas tem a grande desvantagem de deixar um número significativo de funcionários sem possibilidade de sentirem sucesso e realização no seu trabalho”, salienta Rui Gomes.

Um pouco diferentes são as rivalidades que surgem de necessidades ainda mais primárias do que a valorização social ou profissional. De uma das mais básicas – o desejo de ser aceite e amado – brota muita rivalidade. Homens e mulheres competem por parceiros amorosos tentando colocar em evidência os seus melhores atributos, ao mesmo tempo que tentam desvalorizar os dos potenciais rivais, por exemplo.

Irmãos, os primeiros rivais

Mas é do amor fraterno, e não do romântico, que surge a mais precoce das rivalidades. “A relação entre irmãos é, por excelência, um dos espaços mais importantes de treino de socialização para uma criança. Ela pode experimentar, com relativa segurança, várias emoções e pode treinar a capacidade de decisão e de resolução de conflitos”, explica a psicóloga clínica Filipa Jardim da Silva. Assim, a rivalidade entre irmãos, “é sobretudo um meio de desenvolvimento de competências sociais e emocionais em que as crianças experimentam, com autonomia, a sua capacidade de regular afetos e resolver divergências”, resume.

Perante isso, os pais devem tentar ser meros observadores, sem tomar partido. “Uma intervenção maior pode ser necessária quando alguns limites são ultrapassados, mas em rivalidades saudáveis é preferível observarem sem intervir ou intervirem apenas como mediadores, modelando uma boa expressão de afetos”, diz a psicóloga. Por norma, após a adolescência, estas rivalidades tendem a esbater-se. “Quer exista uma relação mais ou menos próxima, na idade adulta há um aparelho cognitivo e emocional e uma identidade mais alicerçada que permite que as rivalidades se desvaneçam ou extingam.”

Contudo, extinguem-se de um lado, para começarem de outros: é precisamente na adolescência que começam a acirrar-se no desporto, na escola e no amor, dando continuidade ao ciclo de competição.

(S)

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