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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

01
Ago21

Associação do Porto ensina jovens a apoiar e a lidar com sem-abrigo

Niel Tomodachi

Mariana Castro Moura começou em março de 2020 a oferecer alimentos a sem-abrigo do Porto, um projeto que evoluiu para associação e que agora ensina jovens a lidar com esta realidade, olhos nos olhos com quem mais precisa.

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É assim desde que o país confinou em março de 2020, dias depois da confirmação da chegada da covid-19 a Portugal. Diariamente, pouco depois do meio-dia, a voluntária ruma à Rotunda da Boavista e zona do Bom Sucesso para entregar 'kits' alimentares aos sem-abrigo que por ali estão.

O movimento gerado em torno do projeto deu-lhe asas e, já denominado Caminhos do Amor, passou a estar mais dias em mais locais da cidade, sempre com Mariana ao leme, sempre a entregar comida e roupa a quem precisa, ao mesmo tempo que germinava a ideia de atrair os jovens.

"A ideia surgiu da necessidade de ter mais gente a movimentar a associação, mais gente nova e porque há miúdas cada vez mais novas a mostrar interesse em participar", sintetizou à Lusa a mentora, momentos antes de, já com os 'kits' preparados nas sacas plásticas, iniciar mais uma jornada diária, avenida da Boavista acima.

Matilde Allen, de 14 anos, é a primeira jovem voluntária do novo projeto, embora com "experiência" na rota dos sábados, em que é distribuída comida e roupa pela cidade a quem precisa, aqui na companhia da família.

Ainda em casa, Mariana define o que é importante: "aprender a falar com eles [os sem-abrigo], saber interagir, saber preparar os 'kits'. Tudo tem de sair perfeito". E lá se fazem ao caminho, primeiro num autocarro da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto e o resto a pé.

"Há mais jovens inscritos, o problema é conjugar a disponibilidade. O mais novo tem sete anos e virá acompanhado pela mãe", contou a mentora.

Convidada para ser aprendiz do projeto, Matilde aceitou de pronto e até fez mais: "já falei a alguns amigos, a quem me parece que queira participar. Entusiasmados já há, prontos a participar não sei se tanto, mas mais algum tempo e poderão participar".

Confessando-se parte de uma geração que está sempre a olhar para o telemóvel, a jovem percebeu "que fazer estas rondas e ajudar é uma maneira de desligar das redes sociais, do telemóvel, e preocupar-se com uma causa maior que é ajudar".

"Estando a socializar de uma forma completamente diferente é, de todo, uma vivência", sublinhou.

E perante pessoas que "precisam muito de ajuda, que não têm como receber alimentos e roupa", confessou valer a "pena tirar um pouco das férias para estar com eles".

Cerca das 13:30 a rota está completa, contando à Lusa a mentora que a Matilde entregou 16 'kits' alimentares e foram dados bolos a mais quatro pessoas, dois deles jovens artistas de rua. Mariana é assim, não espera que lhe peçam, atua.

"Desde que chegou a pandemia, há mais sem-abrigo nesta zona [da Boavista] e também mais pessoas que, não o sendo, precisam de ajuda. Há mais pessoas de meia-idade, mas também aparecem jovens por terem perdido o trabalho", relatou Mariana sobre o "quadro" antes e depois da pandemia na zona onde intervém.

No trajeto que a reportagem da Lusa, quase sempre com a câmara de filmar desligada, acompanhou, foi visível que a ajuda presta-se também sob a "forma de aconselhamento" e até "para comprar medicação".

"Faço um bocadinho de tudo", resumiu Mariana.

Matilde confessou à Lusa no final da sua primeira "aula" que "não contava ver tanta gente a precisar de ajuda", mas que, ainda assim, a missão "foi o que estava à espera".

"Há mais gente a precisar, mas eu não consigo chegar a todos", disse Mariana antes de a equipa do Caminhos do Amor rumar à Pasteleira, para a segunda rota, aqui para apoiar toxicodependentes.

 

23
Abr21

Cimeira Social: Pede-se compromisso para pôr fim à situação de sem-abrigo

Niel Tomodachi

Mais de uma centena de personalidades europeias apelaram hoje para que a Cimeira Social do Porto adote uma meta que estipule o fim da situação de sem-abrigo na UE até 2030, numa carta endereçada a vários líderes europeus.

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"Nós, do nível europeu ao nível local, apelamos para que sejam audazes e deem um ímpeto político real à implementação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais e ao seu plano de ação, através da adoção de uma meta ao nível da UE para acabar com a situação de sem-abrigo até 2030", lê-se na carta.

Na missiva, subscrita por eurodeputados, presidentes de câmaras municipais - entre os quais o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina -, organizações não governamentais e membros do Comité das Regiões, os signatários qualificam a situação de sem-abrigo como "uma forma extrema de pobreza" e uma "violação dos direitos humanos" que não pode ser "tolerada" ou "ignorada" na União Europeia (UE).

"É por isso que apelamos para um compromisso para pôr fim à situação de sem-abrigo até 2030, tanto no compromisso da Cimeira Social do Porto a 07 de maio, como na declaração política da reunião informal dos chefes de Estado e de Governo a 08 de maio", refere o documento, endereçado ao presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, ao primeiro-ministro, António Costa, aos membros do Conselho de Emprego, Política Social, Saúde e Consumidores, e "membros do Conselho Europeu", em referência aos restantes chefes de Estado e de Governo da UE.

Apesar de considerarem que, no plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, a Comissão Europeia "declara corretamente que o número de sem-abrigo aumentou dramaticamente e é atualmente inaceitavelmente elevado", os signatários "lamentam" o facto de o executivo comunitário não ter incluído um "objetivo para reduzir e, no final, acabar com a situação de sem-abrigo, enquanto meta subjacente ao objetivo de redução da pobreza" no plano de ação em questão.

"Acreditamos que a Cimeira Social do Porto é a perfeita ocasião não só para apoiar o plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, mas para elevar ainda mais a fasquia no que se refere a fortalecer a dimensão social da União", refere a carta onde constam assinaturas de eurodeputados do PS, PSD e Bloco de Esquerda, e que tem entre os seus promotores o antigo eurodeputado do PS Manuel Pizarro.

Nesse sentido, as personalidades referem que "o combate à situação de sem-abrigo deve ser totalmente incorporado na arquitetura da coordenação de políticas sociais e económicas da UE" e "acompanhado através do painel de indicadores sociais" do processo do Semestre Europeu.

Referindo-se ao Eurobarómetro de março -- que destacava que nove em cada dez europeus quer uma "Europa social" --, os signatários sublinham que "reduzir a pobreza e a desigualdade social tornou-se na primeira prioridade em que a UE se deveria focar".

"A UE não pode resolver a situação de sem-abrigo sozinha. Muito do trabalho precisa de ser feito ao nível nacional, regional e local. No entanto, um compromisso europeu inequívoco, assim como um apoio concreto, podem fortalecer o trabalho de todos os atores", afirmam.

A agenda social é uma das grandes prioridades da presidência portuguesa do Conselho da UE, que espera conseguir a aprovação do plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, apresentado pela Comissão Europeia em março, e que estabelece três objetivos.

Além de procurar garantir que, até 2030, pelo menos 78% da população europeia está empregada, o plano de ação pretende ainda que haja menos 15 de milhões de pessoas em risco de pobreza e que 60% dos adultos europeus participem anualmente em ações de formação.

Na Cimeira Social do Porto, a presidência portuguesa quer ver aprovado um programa com medidas concretas baseadas no Pilar Social Europeu, um texto não vinculativo de 20 princípios com o intuito de promover os direitos sociais na Europa, proclamado na anterior cimeira social europeia, celebrada em novembro de 2017 em Gotemburgo, Suécia.

 

05
Abr21

O novo mural de arte urbana do Porto é dedicado aos sem-abrigo

Niel Tomodachi

A criação é de Mr. Dheo, street artist portuense, e fica na zona da Foz Velha.

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Chama-se “Quando a noite cai” e é a mais recente criação de Mr.Dheo. O street artist do Porto criou uma mural de arte urbana dedicado às pessoas em situação de sem-abrigo. Fica na Foz Velha e é impossível ficar indiferente ao trabalho final.

No mural, vê-se um homem a dormir num banco, com os seus pertences por perto, e um cão por baixo. Na imagem partilhada nas redes sociais, ao fundo as pessoas passeiam descontraidamente.

Quando divulgou o trabalho, o artista portuense lembrou que “Portugal terá cerca de 7.100 pessoas na condição de sem-abrigo (…) não sendo ainda possível perceber se a pandemia aumentou o fenómeno”.

A situação serviu de inspiração para Mr.Dheo que, como explica o “Portal de Notícias do Porto”, estreia com esta obra uma das duas paredes livres integradas no Programa de Arte Urbana do Porto, dinamizado pela empresa municipal Ágora. 

O artista é também o responsável pelo famoso mural em Vila Nova de Gaia que é uma homenagem aos profissionais de sáude. Foi a 9 de novembro que o próprio deu conta da sua criação na sua conta no Instagram. O mural mostra uma enfermeira armada com um bastão, a acertar em cheio no novo coronavírus.

Uma parte do mural.
 
20
Dez20

Covid-19. Pandemia faz de 2020 um "ano do meio" na vida de muitos sem-abrigo

Niel Tomodachi

2020 é um "ano do meio" para Paulo, nem bom nem mau, porque já passou por muito pior e conseguiu ultrapassar, mas a pandemia afetou fortemente as pessoas sem-abrigo, deixou vidas suspensas e trouxe novos casos às associações.

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Na Cais, uma associação que trabalha junto de pessoas em situação de privação, exclusão e risco, social e economicamente vulneráveis, ainda se está a avaliar o impacto que a pandemia de covid-19 teve junto destas pessoas, mas já é possível saber que as consequências se sentiram sobretudo ao nível do isolamento, na saúde mental e nos seus rendimentos.

Além disso, revelou Gonçalo Santos, diretor técnico da associação, a pandemia trouxe novos rostos, pessoas que não recorriam anteriormente aos serviços da Cais, mas que precisaram de o fazer "porque viram-se, a si e à sua família, numa situação a que não estavam habituados".

"Tínhamos pessoas que nos chegavam numa situação de emergência e tínhamos também pessoas que nos chegavam já numa situação de desemprego e à procura de uma alternativa rápida para que a situação não se agudizasse", explicou.

Olhando para o número de pessoas apoiadas entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano, Gonçalo Santos adiantou que houve um aumento de cerca de 50% em termos de procura, uma tendência que tem vindo a diminuir ao logo do segundo semestre, "à medida que novas medidas e novas políticas entraram em vigor" e "à medida que as pessoas foram reorganizando a sua vida".

No início deste ano, Paulo estava desempregado, mas à espera de ser chamado para trabalhar num supermercado, "entretanto meteu-se isto da pandemia" e teve de ficar em casa juntamente com o companheiro, também ele vendedor da revista Cais.

Valeu-lhes a ajuda da associação, com dinheiro e alimentos, mas também dos vizinhos, um dos quais que até pagou a conta da luz.

Sem essa ajuda, admite, "se calhar passava fome", mas Paulo não é pessoa de baixar os braços porque já passou por "momentos muito piores", quando deixou a aldeia onde nasceu, perto do Bombarral, e partiu para Lisboa, onde andou "aos trambolhões" e ficou sem-abrigo.

"[2020] Não é um ano bom nem mau, é um ano do meio, para mim considero isso porque consegui ultrapassar tudo e isso é um fator que diz tudo", diz, recordando os tempos em que "queria dinheiro para comer e não tinha nem um euro".

Para se sustentar a si e à filha de 18 anos, João conta com a venda da revista Cais e os 280 euros que recebe de reforma por invalidez.

"Antes de aparecer isto da pandemia eu conseguia fazer mais ou menos em revistas 200 e tal euros. Agora, desde que isto entrou, nem metade eu consigo fazer, se fizer 100 euros é muito", lamentou.

Vende a revista há três anos e assume-se como "um homem muito feliz", que nunca perde a esperança.

"E não vou perder. Já passei momentos muito difíceis, piores do que o que estou agora a passar e não quer dizer que não esteja a passá-los, mas se consegui superá-los temos de conseguir viver um dia de cada vez", disse João.

Ainda assim, olha para 2020 como o pior ano da sua vida: "Para mim foi, nunca passei um ano com uma pandemia destas com a idade que eu tenho, não tem explicação"

No caso de Rui, a Cais surge como a oportunidade para fazer uma formação e encontrar um emprego, depois de haver estado inscrito no gabinete de emprego da Junta de Freguesia de Alcântara.

"Em fevereiro de 2020, este ano já, em princípio tinha sido escolhido para ingressar numa empresa, dei os meus dados, dei tudo, número de contribuinte, IBAN, só que entretanto começa a covid em Portugal e o que acontece é que foi tudo por água abaixo", contou.

Antes disso, respondeu a "centenas e centenas de anúncios" e já tinha ido a algumas entrevistas.

"Com a notícia de que tinha sido aprovado, obviamente que fiquei contente, só que, entretanto, gorou-se a expectativa", lamentou, acrescentando que até agora não foi possível encontrar outra oferta de emprego.

Não fosse a pandemia, "com certeza estaria a trabalhar e estaria mais descansado em relação ao futuro imediato, assim não".

De acordo com Gonçalo Santos, as ofertas de emprego diminuíram drasticamente como consequência da pandemia, mas ainda assim a CAIS conseguiu empregar 30 pessoas entre março e novembro, o que "representa cerca de um quarto" do total de pessoas apoiadas pela associação.

Normalmente quem chega à Cais passa por várias fases, desde integrar atividades educativas e ocupacionais, a ações de desenvolvimento pessoal e social, para depois integrarem o programa de capacitação e empregabilidade e conseguirem um emprego.

"O que aconteceu foi que muitas das pessoas que já estavam nesse processo de repente viram-se suspensas nas suas oportunidades de estágio, em alguns casos temporariamente, noutros ainda está suspensa a sua integração em posto de trabalho. E, portanto, para pessoas que fizeram um percurso longo e estavam prestes a entrar nesta reta final supermotivadas, isto teve um grande impacto porque na altura em que mais precisavam tudo parou", apontou o diretor técnico da Cais.

Segundo Gonçalo Santos, apesar de tudo, o setor social "respondeu bastante bem" às necessidades de quem precisou da sua ajuda e adiantou que a preocupação está agora no futuro próximo.

"Receamos que durante o próximo ano, quando um conjunto de medidas se alterarem, nomadamente quando as moratórias terminarem, que voltemos a ter um 'boom' na procura como aconteceu na última crise financeira e que de repente haja um aumento exponencial na procura dos nossos serviços e de um público alvo mais diferenciado, que terá mais competências, mas irá sofrer pela falta de ofertas que calculamos que irá haver", apontou.

Por enquanto, a CAIS acompanhou cerca de 130 pessoas no seu centro em Lisboa, cerca de 50% das quais são novos casos.

Apesar do aumento de novos casos, o número de pessoas e respetivos agregados familiares ajudados pela Cais deverá rondar os 600 no final do ano, aproximadamente o mesmo de 2019.

(S)

16
Mai20

Pachamama faz pão biológico que ajuda a comunidade sem-abrigo

Niel Tomodachi

A padaria bio lançou um pão cujo parte da venda reverte para a Comunidade Vida e Paz.

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A Pachamama, padaria biológica, criou um pão que, além de ser de fermentação natural e feito sem processados, tem um cunho solidário. Quem comprar o pão com o rótulo "Pão Vida e Paz" sabe que está a contribuir com 0,05€ para a Comunidade Vida e Paz, uma organização de apoio aos sem-abrigo.

Segundo a instituição, o número de pessoas a viver na rua aumentou nos últimos tempos e atualmente já são mais de 800 os sem abrigo a precisar de apoio. Para Miguel Abreu, fundador da Pachamama, "numa altura crítica é necessário ir mais longe e pôr a criatividade das empresas ao serviço de quem mais precisa".

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O Pão Vida e Paz, à semelhança de todos os ouros desta marca, é feito com farinhas ainda trituradas e moinhos de pedra e é usado o método de fabrico tradicional com massa mãe sem fermento. A lista de ingredientes é simples: água, farinha de trigo integral, farinha de centeio integral massa mãe e sal.

O pão custa 1,99€ e já está à venda nos supermercados e também na loja online.

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