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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

13
Jul21

Stuff Out: a nova livraria de Lisboa tem milhares de livros em segunda mão

Niel Tomodachi

Fica perto da zona de São Bento e tem uma loja online. É um projeto de dois jovens centrado na economia circular e sustentável.

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Chama-se Stuff Out e é a nova livraria de Lisboa. Fica perto da zona de São Bento e começou como uma plataforma online para venda de livros usados. É um projeto de dois jovens empreendedores assente nos conceitos de economia circular e sustentabilidade.

Pedro Sousa e Rui Castro Prole estudaram juntos na Nova IMS, da Universidade Nova de Lisboa. Pedro, com 25 anos, tirou o curso de Gestão de Informação e começou a trabalhar numa empresa farmacêutica. Rui, com 24, terminou a licenciatura em Sistemas de Tecnologia de Informação, e conseguiu emprego na banca.

Juntos, e numa altura ainda sem grandes responsabilidades financeiras, decidiram deixar os empregos, arriscar e investir o que tinham neste projeto — que entretanto já deu uma grande volta.

“O nosso objetivo era vender produtos em segunda mão. Começámos por vender tudo, recheios de casa completos. O objetivo era fomentar a economia circular e um estilo de vida mais sustentável, tentar dar a perceber às pessoas que não é preciso comprar tudo de novo. Agora já começa a haver algumas marcas de roupa, que só se focam num tipo de artigo, mas não havia ninguém e ainda não há, a fazer isto bem: pessoas novas com capacidade para comunicar com um público mais jovem de forma a explicar que é ok comprar em segunda mão. Há muita gente a fazer esse trabalho informalmente, aquelas instagramers de vidas sustentáveis, mas não há muitas empresas que o façam como um todo. E essa era a nossa ideia original”, explica à NiT Pedro Sousa.

A Stuff Out abriu oficialmente em janeiro de 2020 — antes da loja online. Pedro e Rui conseguiram um espaço de armazém com escritório — ali bem perto de onde agora funciona a livraria — e começaram a vender todo o tipo de artigos (inclusive livros). Em março, desse ano como todos sabemos, chegou em força a pandemia, que fez parar tudo. Isso resultou num “conjunto grande de livros parado no armazém”, que era o que mais continuaram a vender.

“Reparámos que os livros vendiam, que as pessoas estavam a olhar para nós de outra forma e começavam a entender a nossa mensagem de ‘ok, é fixe comprar produtos em segunda mão’. Claro que o preço é um grande fator, os livros ficam muito mais baratos — Portugal é um dos países onde os livros novos são mais caros. E além disso a questão da sustentabilidade: não estamos a produzir algo novo. E uma coisa que tentámos marcar desde o início é que são livros que por si próprio já têm outra história. Às vezes têm uma dedicatória, de alguém que ofereceu aquele livro ao pai, ou têm a assinatura da pessoa que foi o dono do livro.”

Fica na zona de São Bento.
 

Foi a partir daí que se começaram a virar quase completamente para os livros, percebendo que havia uma oportunidade de mercado — e desenvolveram software que pudesse ser usado na gestão diária do inventário e da catalogação. Fizeram vários testes entre agosto e outubro do ano passado e em dezembro renasceu a Stuff Out online — com um site que só vende livros e que se mantém até hoje, com bastante sucesso.

“Os livros são só a forma como arranjámos de passar a mensagem. Percebemos que era a área mais fácil de entrar e de fazer a diferença. Temos a vantagem de o Rui perceber muito, muito de livros. O conhecimento já cá estava, nós é que também não estávamos a saber aproveitá-lo.”

A ideia de terem uma loja física já estava na mente de ambos, mas de repente:. “Há um dia em que estaciono aqui perto e reparei que havia um espaço para alugar — onde é a nossa loja agora”, conta Pedro Sousa. “Liguei para o contacto que lá estava e perguntei se era possível irmos ver o espaço. Fomos ver e percebemos que era perfeito para nós. Era o que precisávamos para crescer. Nós estamos muito perto: a loja é na rua atrás do nosso escritório, onde também é o armazém. Já conhecíamos bem o bairro.”

Em apenas dois dias ficaram com o espaço — que teve de levar obras durante dois meses. O passo seguinte foi contratar Andreia, de 29 anos, gerente de loja com experiência no contacto com os clientes. “É a nossa cara do negócio.” A Stuff Out foi inaugurada a 1 de julho.

A ideia é terem apresentações de livros no futuro.
 

Ter uma loja física era um objetivo com várias intenções. “Primeiro: dar credibilidade ao projeto online. Há uma dificuldade em vender livros online em segunda mão, muito porque, com a pandemia, há muitas pessoas a fazê-lo de forma não profissional. Pessoas que criaram uma página no Facebook e estão a vender livros a partir da sua casa. O que para nós é muito difícil porque os clientes que não nos conhecem têm a tendência de pôr todos no mesmo saco. Ou seja, no caso deles não há devoluções. Nós temos de ter: 14 dias de arrependimento, devolução sem questões.”

E acrescenta: “Além disso queríamos mostrar a nossa visão de venda de produtos em segunda mão. Na loja não temos só livros: temos uma mistura de artigos, uns que fomos comprando em feiras, outros que fomos guardando dos recheios de casas, coisas que aproveitámos e lhe demos um propósito, muitas vezes decorativo. Ou seja, a nossa loja não é só livros e o que queremos é mostrar como pode funcionar a decoração de um espaço só com produtos em segunda mão. Temos tido um feedback muito positivo e estou muito contente com o espaço. E é uma decoração em constante mudança. Não é garantido que daqui a um mês o espaço esteja exatamente igual”.

Ou seja, há várias peças decorativas que adornam o espaço — e estão todas disponíveis para venda. Encontra pela Stuff Out, por exemplo, a parte da frente de uma mota antiga, ou carrinhos de serviço de aviões, que são usados como repositores de livros. 

“Agora temos um cartão de visita. As vendas também aumentaram no online, através do site e do nosso Facebook, porque temos um espaço físico e um sítio que dá credibilidade ao negócio.”

Há várias peças decorativas à venda.
 

A Stuff Out também funciona como espaço de leitura. “As pessoas não têm de comprar. Podem só ir e desfrutar do espaço, falar connosco, conhecer-nos, podemos sugerir livros, podem-se sentar, ler um bocadinho. Temos o caso de estrangeiros que nos vêm pedir livros simples em português, porque estão a aprender. Nós recomendamos e eles ficam um bocadinho a ler para ver se faz sentido.”

Quando a situação de pandemia melhorar, a ideia é tornar a Stuff Out um local de maior partilha, com apresentações de livros e outras iniciativas. “Dar espaço a pessoas que normalmente não têm espaço, autores independentes. A loja para nós não é todo a meta. É só mais uma etapa. Temos ainda muitos projetos na gaveta.”

Através do online, vendem para pessoas de todas as idades — e muito para zonas mais remotas do País, em locais onde não existem livrarias físicas. Apesar de todas as coisas negativas, a pandemia impulsionou o comércio online, o que também foi uma vantagem para Pedro Sousa e Rui Castro Prole.

Este projeto tem todo o tipo de livros. “Nós não encomendamos os livros, vamos gerindo de acordo com o que aparece, o que compramos. Vendemos de tudo e isso para nós não tem problema nenhum. Até porque no online queremos tentar agradar a toda a gente. Há alguma curadoria no sentido de que não vendemos livros em mau estado. Só vendemos livros passíveis de serem oferecidos por alguém.” 

A equipa da Stuff Out.
 

Há três mil títulos à venda na loja. Mas no total, contando com o stock de armazém, chega aos 15 mil. Na livraria estão à venda os melhores e mais originais, com um esforço de curadoria para que haja diversidade. Seja como for, todo o catálogo pode ser consultado online. Existem raridades, histórias icónicas de autores famosos, grandes obras da literatura clássica e livros técnicos. Um pouco de tudo, portanto.

“Claro que há livros que não se vendem e tentamos fazer outras coisas com eles. Temos uma parede de livros na loja. Também somos nós a tentar fechar o círculo, a dar uma vida a estes livros que, de outra forma, tinham de ir para o lixo — faltavam páginas, tinham páginas rasgadas, etc. E acabamos por ficar com muitos livros parados porque não se vendem e nós também não os queremos deitar fora.” 

A Stuff Out está aberta de segunda-feira a domingo, das 11 às 19 horas. Fica no número 70c da Rua da Quintinha, em Lisboa. Pode contactar os responsáveis através do email contacto@stuffout.pt ou dos números de telefone 210 109 342 ou 212 416 957.

 

29
Jan21

Há uma nova plataforma portuguesa onde pode comprar e vender livros em segunda mão

Niel Tomodachi

O Ramalhete foi lançado no início de 2021 para facilitar o processo a quem quer partilhar experiências de leitura.

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Foram anos de trocas de mensagens e envios de comprovativos por plataformas de compra e venda que levaram finalmente Rita Godinho, de 27 anos, e Nuno Almeida, de 26, a fartarem-se de um processo demorado e pouco fiável. A 13 de janeiro, este casal de namorados apaixonados por literatura lançou em Portugal uma loja online que assegura um processo simples, legítimo e de confiança a quem quer comprar e vender livros usados.

“Neste momento, já temos cerca de 500 livros e 230 utilizadores registados, um número que aumenta diariamente”, conta a dupla à NiT. Depois de muita pesquisa, lançaram o Ramalhete para facilitar a vida a todos os portugueses que querem aventurar-se no mundo dos livros em segunda mão. Por lá, não há trocas de mensagens entre compradores e vendedores, envios de moradas ou de números de conta bancária. Todo o processo é automático, como em qualquer loja online tradicional.

Rita e Nuno contam que não existia ainda nenhum site automatizado para o comércio de livros usados no nosso País. “Era tudo muito semelhante e, embora existissem muitas plataformas para compra e venda de bens em segunda mão, todas elas seguiam o mesmo processo.”

O objetivo, dizem, sempre foi terem os seus próprios negócios. Em janeiro de 2017, frustrados com o mercado de trabalho em Portugal, decidiram ir para Dublin, na Irlanda, onde ficaram a trabalhar durante dois anos. Foi por lá que encontraram uma livraria que vendia livros em segunda mão e ficaram espantados com a diferença de preços em relação a um livro novo. “Começámos a optar por comprar sempre dessa maneira”, recordam.

Fizeram as malas e mudaram-se para o Luxemburgo. Ao fim de um ano, decidiram voltar para Portugal, em maio de 2020, depois de um período internacional em que ganharam conhecimentos técnicos e a liberdade financeira necessária para colocarem em prática o objetivo inicial: lançarem o próprio negócio. 

“Quando regressámos, começámos a vender alguns livros que fomos acumulando ao longo dos anos, mas todos os processos eram manuais, demorados e, por vezes, frustrantes”, continuam. 

Foi assim que se decidiram a lançar o Ramalhete. Além das centenas de livros e utilizadores que vai encontrar na plataforma, às vezes aparecem por lá edições antigas, como uma obra de José Saramago editada em 1986. 

O preço mínimo de venda é 2€, explicam, um valor baseado nas comissões cobradas pelo processador de pagamentos. “Acima disso, o preço é definido pelo comprador.” 

Rita é natural de Santa Maria da Feira e Nuno, de Vila Pouca de Aguiar, onde estão agora os dois a viver. Estudaram na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde se conheceram. Ela, Ciências da Comunicação; ele, Economia.

Rita ggosta de romances e thrillers; por outro lado, Nuno varia entre ficção e não ficção. Entre os seus autores favoritos, destacam grandes nomes da literatura portuguesa: Eça de Queiroz, José Saramago, Inês Pedrosa, Afonso Cruz e José Rentes de Carvalho estão na lista.

No Ramalhete, os livros estão separados pelos temas: Ficção, Não Ficção, Inglês e Outras Línguas. Se preferir, também pode pesquisar pelo nome da publicação ou autor. Quem quiser livrar-se dos seus livros antigos terá apenas de criar uma conta e seguir todos os passos simples indicados no separador “Quero vender!” da plataforma.

 

27
Jul20

Trade In: a nova plataforma portuguesa é um OLX de livros em segunda mão

Niel Tomodachi

O site, que foi lançado recentemente, já tem mais de quatro mil livros disponíveis. Qualquer pessoa pode registar-se.

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É uma nova alternativa para quem procura livros que nunca leu, ou para quem se quer desfazer de histórias antigas que tem lá por casa. A Trade In é uma plataforma portuguesa de venda de livros em segunda mão — uma espécie de OLX para o mundo literário.

Foi lançada em plena pandemia, no final de abril, por Adriana Vaz, programadora que costumava comprar e vender livros nos grupos de Facebook — mas que sentia a necessidade de um espaço mais organizado e mais acessível a todos os interessados.

Basta registar-se no site para começar a comprar ou a vender. A base de dados permite ver que livros é que estão a ser vendidos (e por quem). Neste momento há mais de 4.600 disponíveis. Depois, tal como noutras plataformas, os utilizadores podem trocar mensagens entre si para acertar pormenores do envio dos livros ou negociar os preços. O site não cobra qualquer taxa. 

 

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