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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

23
Jan22

Reduzir o stress, purificar o ar e dar controlo à vida: como ter plantas em casa pode ser uma terapia

Niel Tomodachi

Não são só decorativas: as plantas têm poder e ajudam a regular o stress e o humor numa altura em passamos menos de meio dia por semana ao ar livre. Mas entre quatro paredes também há soluções.

O livro "Terapia das Plantas" é assinado pela psicóloga britânica Katie Cooper

Uma planta no canto do olho faz diferença. Várias plantas em casa, em pontos estratégicos ou de preferência pessoal, fazem uma revolução. No livro Terapia das Plantas — Como um oásis verde interior pode melhor o seu bem-estar mental e emocional, a autora e psicóloga britânica Katie Cooper, que tem mais de 200 plantas entre quatro paredes, encara as plantas domésticas como uma ferramenta terapêutica ao longo de cinco capítulos.

Sugestões práticas para criar ambientes mais verdes, em casa ou no trabalho, dicas para vivermos mais próximos da natureza e um guia de plantas, ora “respiradoras” ora “restauradoras”, animam as páginas de um livro esteticamente aprazível que mistura fotografias de uma verdura inspiradora com dados entusiasmantes que nos fazem querer dar um salto à estufa local. Mas antes uma explicação breve para entender o “poder” das plantas.

“Terapia das Plantas”, de Katie Cooper (editora Casa das Letras, livro à venda a partir do dia 25 de janeiro)

A modernidade que engoliu a natureza

 

“Nunca foi tão importante compreender a relação entre as plantas e as pessoas, dado que a urbanização engole os ecossistemas da terra.” A relação descurada e descuidada do ser humano com a natureza, da qual este depende, é ponto fulcral e omnipresente no trabalho assinado pela psicóloga Katie Cooper. E é também um ponto de partida para a reflexão. Afinal, em 2050 75% da população mundial viverá em cidades e a isso acresce o tempo passado em casa: “No Ocidente, somos agora predominantemente uma espécie que vive dentro de quatro paredes, com a média americana a passar 93% do seu tempo dentro de casa, e a média europeia, 90% — ou seja, menos de meio dia por semana passado ao ar livre, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental”.

A relação, ou falta dela, com o mundo natural traz prejuízos além daqueles amplamente mediatizados. Não estão apenas em causa as alterações climáticas, o esgotamento dos recursos naturais ou a extinção em massa de espécies, mas sim questões do foro mental, sobretudo numa altura da história em que a depressão e a ansiedade custam à União Europeia cerca de 170 biliões de euros. O vilão desta história é o stress — de acordo com uma previsão da Organização Mundial da Saúde, será o maior contribuinte para a doença mental por volta de 2030.

É aqui que a natureza entra em cena, com a autora a defender que existe um conjunto crescente de provas que mostram que esta “é um poderoso regulador dos nossos níveis de stress”. “Estar na natureza ajuda a ativar o nosso sistema parassimpático, o meio natural de destressar o corpo, que atua para promover o relaxamento ou o restabelecimento.” A importância do apego ao mundo natural e a influência deste na regulação do stress fazem parte da conversa, bem como o termo “síndrome do défice de natureza”, descrito em 2005 pelo jornalista Richard Louv no livro “Last Child in the woods”. “Louv traz para primeiro plano uma investigação científica em expansão, sugerindo que a síndrome do défice de natureza contribui para questões sociais como a obesidade, doenças emocionais e físicas, dificuldades de atenção e uma diminuição do uso dos nossos sentidos.”

 

Plantas e saúde. O que diz a ciência?

 

Ao longo do livro, a autora destaca evidências que confirmam a existência de uma “clara ligação” entre estar na natureza e saúde e bem-estar, enumerando benefícios como melhor imunidade, melhor qualidade do sono, redução dos níveis de stress, da depressão e da ansiedade, e ainda o aumento do sentimento de felicidade. Destaca também os efeitos positivos já estudados e confirmados da prática japonesa dos banhos de floresta, ou shinrin-yoku, que tão simplesmente implica passar tempo debaixo das copas das árvores — mas na falta de uma floresta nas traseiras de casa, a boa notícia é que “qualquer contacto diário com natureza faz a diferença”.

As investigações realizadas nesta área já são tão persuasivas que começam a influenciar as iniciativas e políticas governamentais: o governo holandês prevê uma poupança de mais de 65 milhões de euros por ano no orçamento de saúde ao investir em espaços verdes nas suas cidades, enquanto no Japão, os banhos de floresta são reconhecidos como uma forma de medicina preventiva e têm sido incorporados no plano nacional de saúde.”

Do exterior para o interior, apresentados os argumentos a favor dos espaços verdes, ter plantas em casa pode melhorar o nosso bem-estar dado os “benefícios multifacetados”, isto é, ambientais, fisiológicos, cognitivos e afetivos — estudos demonstram que as plantas podem aumentar a humidade numa sala até 15%, além de terem qualidades purificadoras do ar, com outros a sinalizar que a nossa tolerância à dor aumenta quando estamos rodeados de plantas. Além de ajudarem a filtrar a poluição atmosférica, também o fazem tendo em conta a poluição sonora, uma vez que ajudam a gerir a acústica nos interiores. Mais: “O envolvimento ativo com as plantas também pode aumentar os sentimentos de ‘autodomínio’ (a perceção de que estamos a controlar as nossas vidas) e da coesão social. Uma forma conhecida de melhorar o estado físico e emocional das pessoas que sentem que têm diminuído o controlo sobre as suas próprias vidas é encorajando-as a assumir a responsabilidade por outro ser vivo”.

A importância dos padrões fractais — formas que se repetem à medida que são ampliadas e que, na natureza, são tudo menos exatas — não passa ao lado da autora. “Os padrões fractais estão por toda a parte na natureza (…) e, como resultado, pensa-se que os nossos olhos evoluíram para os processar facilmente. O excecional equilíbrio da previsibilidade e variabilidade dos padrões torna-os fáceis de observar, mas suficientemente interessantes para nos manterem concentrados. Estudos demonstram que a fluência com que percebemos os padrões fractais nos coloca à vontade e pode ter um efeito imediato de redução do stress.”

 

Plantas de interior, uma intervenção

 

Ainda que os mais céticos possam achar exagerada a ideia de que as plantas interferem ou influenciam na forma como nos comportamentos ou sentimos — disclaimer feito no livro — a autora dá dicas úteis sobre o que fazer e não fazer. É, por exemplo, altamente desaconselhado deixar uma planta deteriorar-se à vista de todos, até porque, quer se esteja ou não consciente disso, tal poderá aumentar os níveis de ansiedade. Outra dica? Ao invés de nos ficarmos pelas plantas favoritas e de confiança — como aquelas que já sabemos serem resistentes a eventuais descuidos —, a ideia é mesmo reunir uma gama diversificada em casa. “Pensa-se que ao imitar um habitat que é rico e abundante, pode ajudar-nos a sentirmo-nos mais seguros e alegres.”

Escolher plantas ao invés de usar ornamentos ou obras de arte caras para decorar a casa, dizer adeus a mobiliário de plástico ou metal e optar por materiais naturais, como madeira, pedra ou tecidos biológicos, são alguns conselhos para criar um ambiente regenerador em casa, bem como desenhar jardins suspensos. Fundamental mesmo é escolher entre plantas “respiratórias” ou “restauradoras” — as primeiras ajudam a melhorar a qualidade do ar (palmeira-areca, ninho-de-passarinho, hera-do-diabo, língua-da-sogra ou flor-da-fortuna), as segundas têm uma influência regeneradora sobre nós, fisiológica e psicologicamente (estrelícia, ficus microcarpa, planta chinesa do pinheiro, samambaia-de-crocodilo, maranta-riscada ou cacau selvagem). Dúvidas na escolha serão certamente resolvidas na “plantopédia” reservada para o final do livro.

 

22
Jan22

Saúde mental: pedidos de apoio de jovens dispararam mais de 50% em pandemia

Niel Tomodachi

Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise (CAPIC) do INEM relata mais crises de ansiedade e pânico e uma subida nos comportamentos suicidas por parte dos jovens nos dois últimos anos, os da pandemia

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Os pedidos de ajuda ao Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise (CAPIC) do INEM relata mais crises de ansiedade e pânico e uma subida nos comportamentos suicidas por parte dos jovens nos dois últimos anos, os da pandemia aumentaram mais de 50% nos jovens em dois anos de pandemia, com mais crises de ansiedade e pânico e uma subida nos comportamentos suicidários.

Segundo os dados disponibilizados à agência Lusa pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), as situações encaminhadas pelo CAPIC aumentaram em todas as faixas etárias, uma subida que em quase dois anos de pandemia ultrapassa os 42%, passando de 7.345 ocorrências em 2019 para 10.474 no ano passado.

Contudo, nas camadas mais jovens (até aos 19 anos) esta subida foi mais acentuada e em dois anos subiu 52,8%, atingindo os 1.518 casos no ano passado (993 em 2019).

No total, as ocorrências que mais cresceram no CAPIC foram os incidentes críticos, como a morte inesperada de um familiar (muitos por causa da covid-19), que mais do que duplicaram desde o início da pandemia, chegando aos 2.276 casos em 2021 (1.099 em 2019).

Em declarações à agência Lusa, a psicóloga Sónia Cunha, responsável pelo CAPIC, confirmou que “com ao escalar e prolongar da pandemia” se tem assistido a “um reforço da sinalização nas camadas mais jovens“. “Muitas vezes, a família, e mesmo a escola, não identificam os problemas porque são atribuídos à fase que [os jovens] estão a ultrapassar, como a pré-adolescência, a adolescência ou até a idade infantil”, explicou Sónia Cunha, sublinhando a importância de não desvalorizar sintomas e enfrentar o problema.

A responsável lembra que esta circunstância “pode contribuir para a deteção mais tardia” e insiste: “São idades cruciais no desenvolvimento da personalidade e quanto mais aprofundado o problema estiver mais difícil é a sua resolução e o crescimento saudável do pronto de vista mental”.

As manifestações mais frequentes são a dificuldade em regular as emoções, “o que leva a episódios de crise ansiedade e ataques de pânico, mas também manifestações do foro mais afetivo, com sintomas depressivos, isolamento e desesperança“. “Este tipo de perturbação mais depressiva conduz muitas vezes a comportamentos suicidários e auto-lesivos, o que é ainda mais preocupante“, afirma.

Os dados do INEM apontam para uma subida global de quase 40% nas ocorrências relativas a comportamentos suicidários, com 2.517 casos em 2019 e 3.496 no ano passado.

Dependendo da avaliação do pedido que chega ao CAPIC, que pode vir das famílias ou das escolas, é feita uma avaliação e, nos casos mais graves, em que há risco imediato, “é ativada uma equipa de assistência para o local”.

As situações mais complexas podem exigir o envio de ambulância e da unidade móvel de intervenção psicológica de emergência, que pode atuar no local e/ou acompanhar a pessoa até à unidade de saúde.

Quando não há risco imediato, mas é identificada uma situação que requer resposta na área saúde mental, os especialistas do INEM aconselham a pessoa sobre onde se deve dirigir, fazendo, quando necessário, o contacto com a resposta na comunidade (médico de família ou escola).

“Nalgumas situações fazemos nós próprios esta ativação de rede de suporte e contactamos os centros de saúde e as escolas”, acrescentou.

A psicóloga insiste na necessidade de não desvalorizar sintomas e de validar o que jovens sentem.

A saúde mental “ainda não é algo confortável para se falar, mas não se pode ignorar. O elefante está aqui. O problema existe e em crescendo”, insistiu. Sónia Cunha reconhece que “é mais fácil dizer que é uma fase pela qual estão a passar” e que os profissionais do INEM incentivam sempre a que se dê importância aos sintomas, não desvalorizando e dando espaço para as pessoas falarem sobre estas questões.

“Muitos acham que falar sobre isto pode trazer ideias, mas não. As ideias que existem já lá estão. E quanto mais precocemente elas são faladas melhor é o prognostico. Falar sobre o assunto é uma forma de organizar os pensamentos e de alguém nos ajudar a fazê-lo“, explicou.

 

11
Jan22

Cientistas japoneses criam máscara que brilha quando exposta ao vírus da Covid-19

Niel Tomodachi

As inovadoras máscaras são feitas a partir de anticorpos extraídos de ovos de avestruz.

Cientistas japoneses desenvolveram uma inovadora máscara que deteta se uma pessoa está infetada com a Covid-19. Para isso, é necessário que a máscara esteja sob a luz ultravioleta. Esta inveção foi possível gaças à extração de anticorpos de ovos de avestruz. Após a utilização da máscara, o filtro é retirado e pulverizado com um corante que contém anticorpos do novo coronavírus. Se a infeção for detetada, o filtro brilha na presença de uma luz ultravioleta.

Tsukamoto, um professor veterinário e presidente da universidade Kyoto Prefectural, no Japão, estudou durante anos avestruzes, à procura de formas de adaptar o seu poder imunitário para combater a gripe das aves, alergias e outras doenças.

“A vantagem destas máscaras é que as pessoas assintomáticas podem detetar facilmente o coronavírus”, disse o líder da investigação, Yasuhiro Tsukamoto, à agência Reuters, citado na SIC. Através da utilização das máscaras, as pessoas conseguem perceber se há ou não presença do vírus.

Em fevereiro de 2021, os cientistas injetaram uma versão mais leve de Covid-19 nas avestruzes fêmeas, o que permitiu que removessem anticorpos dos seus ovos. O próximo passo foi criar uma máscara revestida por um filtro que contém anticorpos dessas mesmas avestruzes.

Durante dez dias, voluntários usaram as máscaras desenvolvidas pela equipa de Tsukamoto por um período de oito horas. Os filtros foram removidos e pulverizados com um químico que brilha sob luz ultravioleta se o vírus estiver presente. Os filtros usados pelas pessoas infetadas com Covid-19 brilhavam à volta das zonas do nariz e da boca.

A equipa de cientistas quer continuar com os estudos e alargar os testes a um grupo de pelo menos 150 pessoas. Outro dos objetivos é conseguir que as máscaras brilhem sob qualquer luz, sem ser apenas a ultravioleta.

O mais importante para a equipa de cientistas é que o projeto seja aprovado pelo governo japonês, para que as máscaras possam ser introduzidas no mercado. “Podemos produzir anticorpos em massa de avestruzes a um custo baixo. No futuro, quero fazer disso um kit de teste fácil para que qualquer pessoa possa usar”, afirmou Tsukamoto ao jornal “Kyodo News”.

 

09
Jan22

Tu podes ser um super-herói e salvar vidas

Niel Tomodachi

“Fast Heroes 112” é um projeto que ajuda a identificar os primeiros sintomas e atuar em caso de AVC (acidente vascular cerebral). Há atividades educativas no site, para fazer na escola e em casa, e um álbum de fotografias com máscaras (não dessas que estás a pensar).

O AVC, iniciais de acidente vascular cerebral, é coisa séria e grave. É como um ataque cardíaco, só que acontece no cérebro por causa de um bloqueio numa das artérias ou de uma hemorragia. A interrupção do fluxo sanguíneo conduz à perda da função neurológica devido à morte de células cerebrais. E o corpo manifesta-se.

A “Fast Heroes 112” (podes ver no site www.fastheroes.com) ajuda-te a perceber quais os sinais do AVC e como atuar de forma rápida caso aconteça com os teus familiares mais próximos e mais velhos, como os teus avós. Salvar vidas é o objetivo maior desta campanha mundial.

A cada hora que passa, três portugueses sofrem um AVC, um deles não sobrevive, outro fica com sequelas para o resto da vida. Dá que pensar, não dá? E tu podes ser um precioso veículo de transmissão de informação e um valente agente desta luta contra o AVC. Tu podes salvar vidas.

 

Os 3 F’s: Face, Força, Fala

 

Francisco é um dos elementos da equipa dos super-heróis. Faz caretas para fazer rir o seu neto Tomás. Se não consegue, algo de mau está a acontecer. Fernando também está na equipa e consegue levantar um carro só com um braço. Se o seu poder não se manifesta, alguma coisa estranha se passa. A avó Fátima, outro elemento, tem uma voz angelical, ninguém conta histórias como ela. Será que um AVC pode afetar o seu dom? Tânia é professora, é prima de Tomás, ensina o que sabe e o que aprende aos avós e explica o que é o trombo malvado, esse vilão que ataca o cérebro, causa o AVC e provoca lesões. Se algum super-herói perde um dos seus superpoderes, e há suspeita de AVC, é ligar para o 112 para chamar uma ambulância.

Lembrar as famílias quais são os sinais de um AVC é ser super-herói. Há três sintomas que são os mais comuns. Um lado da face que lentamente começa a descair. Um braço que repentinamente perde a força. Não conseguir falar, nem sequer duas palavras. Em qualquer um deles, é preciso atuar de imediato.

Cerca de 90% das pessoas que sofrem um AVC pedem conselhos a outras pessoas, familiares sobretudo, antes de chamarem uma ambulância. Daí a extrema importância de uma correta e rápida identificação dos sintomas e chegada atempada ao hospital para evitar consequências mais graves. Percebido, certo?

 

Ligar 112, acionar o socorro hospitalar

 

O AVC continua a ser uma das principais causas de morte e de incapacidade em Portugal. Diana Aguiar de Sousa, neurologista, membro da direção da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral, destaca vários aspetos. “A avaliação hospitalar urgente é particularmente importante nos doentes com AVC porque as consequências, potencialmente graves, podem ser reduzidas ou evitadas se os doentes conseguirem chegar ao hospital a tempo, recebendo o tratamento adequado.”

É ligar para o 112, não se pode arriscar a vida desnecessariamente. “Isto é particularmente importante nos casos de AVC porque, a cada minuto que passa, morrem milhões de células cerebrais. É por isso muito perturbador saber que estes doentes poderiam ter recebido tratamento a tempo, mas, devido ao atraso, terão uma maior incapacidade”, sublinha.

“Fast Heroes” é uma campanha mundial, focada sobretudo na faixa etária dos cinco aos nove anos, tem mais de cem mil crianças inscritas em muitos países, e lançou mais um desafio para chegar ao maior número de pessoas. Quer deixar a sua marca no registo mundial de recordes com o maior álbum online de fotografias de super-heróis. Basta colocares uma máscara de super-herói, fotografar, enviar.

Há várias escolas espalhadas pelo Mundo que participam na “Fast Heroes 112” e há um quadro de classificações. Ganham-se pontos por ensinar os pais, por vencer jogos, por preencher e-books. Neste momento, a EB de Louriçal, de Pombal, está em 6.º lugar.

 

Pontos a reter

AVC

Lesão das células cerebrais que morrem ou deixam de funcionar pela ausência de oxigénio e nutrientes, por causa de um bloqueio do fluxo de sangue, ou porque são inundadas pelo sangue devido a uma artéria que se rompe.

Sintomas

Face, assimetria do sorriso. Fala, dificuldade em falar. Força, falta de força num braço. Na presença de qualquer um destes sinais, é urgente e imperativo ligar para o 112. Sem pestanejar.

Certezas

O tratamento do AVC depende da velocidade de reação face aos sintomas e da referenciação através da linha 112 para a ativação da Via Verde do AVC. Atuar, logo.

Escolas

O ano de 2012 começa e a “Fast Heroes 112”, direcionada sobretudo para crianças dos cinco aos nove anos, convida todos os professores a juntarem-se à causa que, em Portugal, conta já com o envolvimento de mais de cem escolas e 125 turmas inscritas. A ideia é implementar a campanha todos os anos e já está a ser desenvolvido um novo livro com uma nova personagem, Tânia, a professora.

Participar

Basta ir ao website e fazer o registo. A campanha está a ser desenvolvida em parceria com o Departamento de Políticas Educativas e Sociais da Universidade da Macedónia. A iniciativa conta com o apoio da Direção-Geral da Educação, da Sociedade Portuguesa do AVC e da Organização Mundial do AVC.

 

(S)

12
Dez21

Nove conselhos para superar momentos difíceis

by Women's Health

Niel Tomodachi

Tornou-se comum a procura de estratégias para que no novo ano supere o que ficou para trás. Aprenda a passar por situações difíceis da melhor maneira.

2021 afetou-nos a nível psicológico (e não só). “Este ano trouxe consigo um conjunto de exigências, face às quais nem todas as pessoas sentiram (ou sentem) ter recursos para lidar com as mesmas”, começa por apontar Rute Agulhas, psicóloga clínica e docente e investigadora no ISCTE-IUL, em Lisboa.

A saúde mental continua a ser menosprezada. É “considerada menos importante do que a saúde física”, embora “ambas se influenciem mutuamente e de forma muito significativa” aponta Rute Agulhas. Contra isto, importa “apostar na sensibilização para o autocuidado. Cuidar de nós não é um luxo, é um direito e uma necessidade”.

Por isso preparamos este artigo, em jeito de apoio a quem precise de orientar o seu próprio caminho em busca de um maior estado de bem-estar pessoal.

 

1. Redefina a sua resposta ao stress

Nem sempre reage de forma tão calma e racional quanto gostaria? Nós entendemos. Quando a situação não corre como o esperado (e parece ficar fora do nosso controlo) é normal que a reação intensifique ainda mais o stress consequente. Vera Saicali, psicóloga da Oficina de Psicologia, em Lisboa, e terapeuta certificada em EMDR, esclarece os mais comuns casos e diz como contornar o problema.

Revê-se mais

  • Na que quer resolver tudo

“O que sugiro em primeiro lugar é que faça uma revisão dos problemas a resolver e perceba se está a abraçar mais causas do que deveria. Por vezes sujeitamo-nos a demasiadas coisas para resolver ao mesmo tempo, acabando sobrecarregadas”.

Como relaxar? “Há que fazer uma análise de tudo o que tem sob a sua responsabilidade e definir prioridades sobre as várias tarefas. Outro aspeto essencial é aprender a dizer não. Muitas vezes assumimos mais causas do que temos condição de assumir, o que pode levar a situações desagradáveis”.

 
 
  • Na que processa e não reage

“Falamos de quem fica muito na análise, mas não parte para a ação. O adiamento é frequentemente resultado da dificuldade em tomar decisões. Há que trabalhar o processo decisório, começando por rever os prós e os contras dos possíveis cenários”.

Assuma o controlo com maior confiança. “Procurar soluções para os problemas vai ajudá-la a sentir maior controlo, diminuindo stress. O mais importante é perceber que o erro faz parte de uma tomada de decisão. É uma oportunidade de aprendizagem. que nos permite preparar para uma próxima”.

  • Na que evita ao máximo

“O padrão mais comum nestes casos é o aprendido, e aqui pode valer muito a noção de que o nosso cérebro é muito maleável. Ou seja, da mesma forma que, sem darmos conta, adquirimos um padrão como este do evitamento, podemos ‘desprogramá-lo'”.

Contrarie a mente. “Um dos primeiros desafios será identificar as razões e emoções que a levam ao evitamento, que terá um resultado diferente do desejado. A chave está em enfrentar pequenos desafio, que darão a oportunidade de ser bem sucedida no confronto e não no evitamento”.

 

2. Crie tempo para os seus hábitos de bem-estar

Aposte nestas simples estratégias que servem de gancho para uma sensação plena e de maior felicidade.

 

  • Recrie na sua mente a melhor parte do dia.
  • Vá para o seu lugar seguro.
  • Anote os aspetos que aumentam a sua autoestima.
  • Defina um momento do dia para as preocupações.
  • Dê tudo no treino.
  • Garanta tempo para se divertir.

 

3. Não compare a sua dor

Tanto os problemas de cada um como a forma como lidamos com os mesmos não devem ser objeto de comparação para com os problemas do próprio. Mas será que o são?

Segundo a visão da docente Rute Agulhas, “todas as pessoas são diferentes, com historias de vida diferentes, percursos e recursos distintos. Nem sempre as estratégias que ajudam alguém a lidar com uma determinada situação nos podem ajudar a nós. É importante olhar para dentro de nós mesmos, numa lógica de autoconhecimento, e tentar perceber quais são as ‘ferramentas’ que temos, e as que podemos desenvolver, pensando na promoção de competências”. A cada caso, uma solução, por isso deixe as comparações de parte e foque se no seu problema, que não é menor que o dos outros. Como? “Sabendo pedir ajuda sempre que for preciso”, diz a psicóloga.

 

4. Aposte no mindfulness

O crescente interesse pela prática de mindfulness chamou a atenção da ciência, que procurou conhecer os efeitos deste método de meditação e a Universidade de Harvard foi uma das instituições que se dedicou ao tema. “A terapia cognitivo-comportamental individual é útil para muitos; medicamentos antidepressivos ajudam outros. Mas há quem não beneficie de nenhum destes métodos, o que leva a uma grande necessidade de abordagens alternativas”, assume Benjamin Shapero, professor de psiquiatria na Escola de Medicina de Harvard e um dos autores do referido estudo, que aponta a prática de mindfullness como eficaz apoio.

 

5. Pare e analise

“Observar os nossos problemas e refletir sobre os mesmos pode constituir uma atitude mindful na medida em que quando o fazemos já nos estamos a colocar no papel de observadores curiosos e a ganhar perspetiva sobre o que nos rodeia”, aponta Filipa Jardim da Silva, psicóloga especialista em psicologia clínica e da saúde, em Lisboa. Assim, “treinamos flexibilidade mental e aproximamo-nos da perspetiva que se possa revelar mais produtiva no momento”, explica.

 

6. Crie métodos para acordar e deitar-se bem-disposta

 

De manhã:

  • Passo 1: Espreguice todo o corpo e atente onde sente algum desconforto (na cabeça inclusive). Repita esta prática por dois minutos. Faça longas inspirações e mantenha-se sentada a sentir os batimentos cardíacos.
  • Passo 2: Faça uma introspeção sobre um único aspeto sobre si e use-o para canalizar energia para que o dia corra da forma que pretende. Pode ser uma única frase, um mantra, um excerto de um podcast ou uma página do seu livro favorito.
  • Passo 3: Expresse gratidão. Envie a alguém uma mensagem de texto ou de voz que seja positiva. Transforme os seus sentimentos em palavras específicas, não genéricas – terá mais valor e vai fazê-la sentir-se muito melhor.

 

À noite:

  • Passo 1: Proporcione-se a um momento de quietude consigo mesma (isto é meditação ao nível mais básico – não pense demasiado). Sente que a sua mente está a caminhar por uma direção mais negativa? Está tudo bem, aceite o pensamento.
  • Passo 2: Enquanto lava os dentes, analise e faça um agradecimento mental a uma situação do seu dia, que não correu como esperava.
  • Passo 3: Reflita sobre algo que correu mal e dissocie a situação geral da parte específica que planeou. Aceitar a responsabilidade do que aconteceu ajuda-nos a assumir a nossa realidade.

 

7. Aprenda a respirar fundo

Algo tão simples como uns minutos a respirar pode ajudá-la a acalmar-se. Palavra de ciência!

Yoga, meditação e outras técnicas de relaxamento dependem do foco a que damos à respiração, e são muitos os benefícios destas práticas que garantem, também, uma maior calma tanto do corpo como da mente. Só tem de escolher a técnica com que mais se identifica.

 

8. Pratique o amor-próprio

É importante praticar o amor-próprio, mas nem sempre é fácil fazê-lo bem. Para melhor lidar com tais situações, a psicóloga Margarida Gaspar de Matos, psicóloga clínica e professora catedrática da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, responde a três questões:

Como recuperar a paixão pela carreira quando nos sentimos estagnadas e experienciamos falta de evolução?

“A paixão acaba quando nos sentimos pouco desafiadas, competentes, extenuadas ou alvo de Mobbing (bullying no local de trabalho). Ultrapassar estas situações é difícil, porque em geral a solução não está ao nosso alcance. Aplique o modelo SOC (Selecionar o que nos interessa, Otimizar o que está ao nosso alcance e Compensar as áreas onde nos sentimos mal. Outro conselho é manter ‘outra vida’ valorizando e conservando o nosso suporte social e com isto ir diminuindo a distância entre a nós e as nossas paixões”.

Por vezes, passar a tarde no sofá a fazer scroll nas redes sociais parece um bom plano para quem quer ficar sozinha. Mas será o melhor?

“Passar uma tarde no sofá a fazer scroll nas redes sociais (para quem gosta), parece um bom plano, desde que não se torne no único plano. O excesso de uma atividade só é prejudicial quando nos limita na nossa diversidade. Até o excesso de trabalho. Se o trabalho passa a ser a nossa única atividade, estaremos a evitar o quê? A vida?”.

Na Women’s Health somos apologistas de que devemos apostar nos momentos de autocuidado. Mas por vezes é fácil sentirmo-nos culpadas por dedicar um dia inteiro a mimarmo-nos. Algum conselho?

“É terrível como inventámos uma cultura que nos consegue fazer sentir culpadas de ‘qualquer coisa’. Pensamos que poderíamos fazer melhor quando não temos que ter um modelo de perfeição que nos asfixie. Mimarmo-nos é essencial para nos ocuparmos melhor da nossa energia”.

 

9. Partilhe a boa disposição

Segundo Filipa Jardim da Silva, “o nosso nível de bem-estar influencia naturalmente a forma como pensamos, sentimos e nos comportamos, o que influencia o que acontece à nossa volta e a maneira como nos posicionamos perante a realidade”. “É vantajoso pensarmos e nos comportarmos da maneira como nos é mais produtivo, mesmo que não acreditemos nisso a 100%”. Por exemplo, quando olhar ao espelho e pensar ‘estou horrível, estou disforme’, identifique esse pensamento como negativo e desrespeitador e pense, em alternativa, ‘eu respeito-me, cuido de mim, tenho valor’.

“Provavelmente quando escolhemos pensar desta maneira notamos uma certa artificialidade, mas há que repetir para irmos acreditando mais (o que a nível cerebral se traduz na criação de novas estradas neuronais com as ligações que nos fazem melhor e atenuar os caminhos que nos prejudicam)”, reconhece. “Contrariarmos alguns comportamentos de impulso ou mais enraizados é positivo; fingirmos que estamos a sentir algo diferente do que estamos não o é. Projetarmos no espelho o que queremos ver pode ajudar-nos a lá chegar, mas ignorar o ponto de partida não é saudável”.

 

20
Out21

É possível estarmos felizes e tristes ao mesmo tempo? A ciência diz que sim

Niel Tomodachi

Parece um contra-senso, mas um dos maiores psicólogos mundiais garante que é uma realidade. E o filme “A Vida é Bela” tem dado uma ajuda.

Há coisas que são incomuns e ao mesmo tempo universais. É o que nos acontece naqueles momentos em que estamos felizes e, em simultâneo, não conseguimos evitar uma certa sensação de tristeza. O cérebro humano é profundamente complexo, sobretudo quando entramos no campo das emoções, que são cada vez mais estudadas. É isso que está a acontecer com este estado emocional específico, em que duas coisas tão antagónicas coincidem.

Pense, por exemplo, naquelas etapas marcantes da sua vida. Como o dia em que acabou o curso. Está a festejar uma conquista e ao mesmo tempo já sente uma certa nostalgia, ao dizer adeus a colegas que durante aqueles anos foram presença diária na sua vida. Pode acontecer quando mudamos de cidade ou para um novo emprego. Pode acontecer com aquele orgulho de pais que veem um filho partir para longe, atrás de algo pelo qual lutou. Sente-se a felicidade e o orgulho mas também aquela sensação estranha de ver alguém que cresceu e vai continuar o seu caminho noutro lugar.

“Os seres humanos têm as mentes mais sofisticadas da história do planeta e temos essas mentes complexas, em parte porque vivemos num mundo complexo”, explica à “Today”, Jeff Larsen, psicólogo da Universidade do Tennessee, nos EUA. “Por mais que gostemos que os estímulos e eventos venham até nós um de cada vez, não é assim que o mundo funciona. Podemos receber boas e más notícias no espaço de um minuto”. É a inevitabilidade da vida a acontecer e o nosso cérebro a reagir.

Para o psicólogo, é importante distinguir que este estado emocional não é o mesmo daquilo a que se chama de “depressão sorridente”. Este não é um diagnóstico médico, mas caracteriza pessoas que sofrem com sintomas de depressão e conseguem mascará-la num sorriso.

Ainda assim, Larsen explica que, dada a complexidade das emoções, as pessoas por vezes têm tendência a retrair-se. É um erro, já que este misto de emoções pode também ter algo importante para nos ensinar.

A pergunta que fazemos no título, sobre se é possível estarmos felizes e tristes ao mesmo tempo, começa a ter uma resposta já com certezas científicas: sim. “Normalmente, a paisagem emocional é definida de tal forma que estamos a sentir uma coisa ou outra, ou nenhuma. Existem momentos onde podemos sentir ambos, e esses momentos são poucos e distantes entre si, mas são interessantes”, acrescenta o especialista.

Nas duas décadas que leva a estudar a matéria, o conceituado psicólogo americano percebeu que grande parte de nós respondem facilmente que sim a esta pergunta. Ainda assim, não é fácil tentar discernir o momento exato em que tal acontece.

Há uma experiência em particular que Larsen tem repetido ao longo do tempo e para a qual conta com um aliado que já quase toda a gente viu (até mais do que uma vez). Falamos de “A Vida é Bela”, filme vencedor de três Óscares em 1999, incluindo melhor filme estrangeiro e melhor ator. A felicidade do ator e realizador Roberto Begnini foi bem visível naquela noite, numa caminhada para o palco em cima das cadeiras.

O filme é daquelas obras que se tornaram um clássico. No centro da história, está um pai, judeu, que é forçado a ir para Auschwitz com o filho. Perante o horror de um campo de concentração, ele tenta dar momentos de humor ao filho. Mais do que sobreviver, procura que seja a infância do filho a sobreviver.

Nas suas experiências, Larsen coloca pessoas a assistirem ao filme, com acesso a dois botões diferentes: um para assinalar momentos de tristeza, outro para os momentos em que se sentem felizes. Se dúvidas houvesse, o filme ajuda a esclarecer: metade dos participantes no estudo a dada altura carrega nos dois botões ao mesmo tempo. Acontece em poucos (e pontuais) momentos. Mas acontece. E todos nós nos identificamos com isso.

 

19
Out21

5 lições úteis para acordar cedo todas as manhã

Niel Tomodachi

acordar cedo

Não há nada como ficar na cama até tarde. Acordar nas calmas e tomar um bom pequeno-almoço. Nada contra momentos como este… ao fim de semana.

Assim lhe dirão os realistas, bem como todos aqueles que não descuram de aproveitar a manhã para treinar. ‘Como assim às 6 da manhã já estás a vestir a roupa de treino?!‘, ouvem frequentemente.

A dogma diz que de manhã é que se começa o dia. E o que qualquer madrugador lhe dirá é que depois de entrar no ritmo vai perceber como é bom ‘alongar’ o dia desta maneira.

 

PARA CONSEGUIR FUGIR DOS LENÇÓIS, FIXE ESTE TRUQUE MILITAR:

 

Por mais cansado ou ferido que esteja, lembre-se que há alguém que treinou mais do que você para o matar. Portugal não está em guerra, mas aplique esta filosofia à sua vida e veja os benefícios. Pensar num inimigo imaginário ajuda a não atirar a toalha ao chão e a não falhar treinos.

 

FAÇA HOJE PLANOS PARA AMANHÃ:

 

Se facilitar muito, o mais certo é não chegar a horas.
Para não desperdiçar nem um minuto, prepare os seus sapatos, toda roupa e até a chávena e o pires do café. Arranjar tudo na noite anterior elimina todas as desculpas. E depois do banho, deixe telemóvel e comece a vestir-se. Assim, a tentação de voltar para a sua cama não tem hipótese.

 

PENSE NO QUÃO BEM SE SENTE:

 

Todos passamos pelo mesmo: ficar na cama a pensar em mil razões para faltar ao treino matinal e aproveitar ao máximo mais aquela hora debaixo das mantas. Mas faça esta pergunta: Alguma vez se arrependeu de ter ido treinar? Claro que não.
E quantas vezes ficou a lamentar por não ter ido? Várias! Além disso, perder esse treino vai deixá-lo de mau humor!

 

QUANDO ACORDAR PARA TREINAR, PENSE LOGO NOS VÁRIOS BENEFÍCIOS A LONGO PRAZO:

 

Treinar cedo faz com que a jornada laboral seja mais suportável e até mais agradável. Concentre-se na importância de cumprir o treino e lembre-se da recompensa que vai conseguir, quer seja emagrecer ou correr 5 km em menos de 20 minutos. Qualquer objetivo é uma motivação.

 

Não tenha demasiada pressa:

 

Ninguém acorda bem-disposto depois de uma insónia, por isso programe o despertador para tocar uma hora antes de se levantar. Isto dá tempo ao corpo para se mentalizar. Desligue todos os aparelhos eletrónicos e quando vier a insónia e leia um livro ou aponte num papel as tarefas que tem por fazer (e que não o deixam dormir).

 

15
Out21

Felicidade durante a infância pode ajudar a prevenir demência na idade adulta

Niel Tomodachi

Jovens com sintomas depressivos elevados têm um risco 73 por cento mais elevado de desenvolver doenças cognitivas na velhice.

Já tinha sido reportado que uma má saúde cardiovascular podia danificar o fluxo sanguíneo para o cérebro e, em consequência, aumentar o risco de demência. No entanto, um novo estudo mostra agora que também há uma relação entre a saúde mental e a cognição — quanto mais felizes formos enquanto jovens adultos, menor será o risco de desenvolver demência numa idade mais avançada.

Este estudo, publicado no Journal of Alzheimer’s Disease a 30 de Setembro deste ano, apoia a relação entre a depressão e a demência, e mostra que quem tem depressão no início da idade adulta terá uma menor cognição 10 anos mais tarde e leva ainda ao declínio cognitivo na velhice.

Os investigadores analisaram cerca de 15 mil participantes, entre os 20 e 89 anos, utilizando métodos estatísticos inovadores que preveem as trajetórias médias dos sintomas de depressão e descobriram que, em cerca de seis mil participantes mais velhos, as probabilidades de sofrerem de incapacidade cognitiva era 73 por cento mais elevadas para aqueles que tinham sofrido de depressão quando eram jovens adultos. A percentagem baixava para 43 por cento de probabilidade de défice cognitivo para aqueles que teriam sofrido de depressão mais tarde.

Foi ainda descoberta uma associação entre o excesso de hormonas de stress e a capacidade de fazer novas memórias, ou seja, sermos felizes quando somos jovens vai fazer bem ao nosso cérebro algumas décadas depois. 

A explicação para este facto pode ser dada com recurso à biologia. Quando uma criança, ou uma pessoa em geral, tem demasiadas hormonas de stress a correr pelo seu corpo, pode prejudicar a sua capacidade de criar novas memórias. Este é um factor-chave quando se trata de saúde cognitiva e demência mais tarde na vida. Também demonstrou que isto afeta mais as mulheres, com mais danos no cérebro principalmente quando têm demasiado stress nas suas vidas. 

Os participantes foram examinados para a existência de depressão através da utilização de uma ferramenta chamada CESD-10, um questionário de 10 perguntas que avaliava os sintomas na semana anterior. Foram encontrados sintomas de depressão moderada a elevada em 13 por cento dos jovens adultos, 26 por cento dos adultos de meia-idade e ainda 34 por cento dos participantes mais velhos.

“Vários mecanismos explicam como a depressão pode aumentar o risco de demência”, disse uma das autoras Willa Brenowitz, professora do Departamento de Psiquiatria e Ciências Comportamentais da UCSF e do Instituto Weill para as Neurociências. “A hiperatividade do sistema central de resposta ao stress aumenta a produção das hormonas de stress, levando a danos no hipocampo, a parte do cérebro essencial para a formação, organização e armazenamento de novas memórias”.

 

14
Out21

É urgente preparar os jovens para uma vida mais saudável

Niel Tomodachi

estilo de vida

Uma em cada três crianças tem excesso de peso. Destas, 12% são obesas. Esta é a realidade do nosso país. Em 2021, a obesidade continua a ser a doença mais prevalente na infância, a nível nacional – uma das prevalências das mais elevadas a nível europeu. Assim alertam os resultados do estudo Childhood Obesity Surveillance Initiative (COSI, em Portugal). E este não é o único estudo que se debruça sobre este problema que urge em ser resolvido.

Não há dúvidas de que é na medicina preventiva que está o segredo para uma vida mais saudável. Comer bem, garantir um sono de qualidade e ser ativo. Estão são, hoje e sempre, as bases para uma vida em equilíbrio e com menor risco de um vasto número de doenças. Infelizmente, a aposta nem sempre segue este caminho e por isso, não sendo os mais jovens aqueles que apresentam maior risco de problemas cardiovasculares, cancro ou outro problema prevalente em faixas etárias mais avançadas, os cuidados com a alimentação e a prática de atividade física são postos de lado.

A nível da alimentação, sabe-se que quase metade dos jovens portugueses não consome frutas nem vegetais diariamente. A percentagem é mais evidente no sexo masculino (47%) mas igualmente preocupante no sexo feminino (43%). Assim aponta o Estudo Europeu da OMS ‘Spotlight on adolescente health and well-being’.

Ainda assim, Helena Real, Secretária-Geral da Associação Portuguesa de Nutrição, reconhece que “as gerações mais jovens começam a ser cada vez mais conscientes quanto à questão do equilíbrio nutricional e à sustentabilidade alimentar. Ainda assim, nem sempre esta sensibilidade se repercute em comportamentos mais saudáveis e sustentáveis em matéria alimentar, o que pode ser pressentido, por exemplo, no consumo reduzido de frutas e hortícolas por parte dos adolescentes, segundo o último inquérito alimentar português”, diz à Men’s Health.

 

O lado mental…

Maus hábitos à mesa? Crescente tendência para o excesso de peso. Se é verdade que a obesidade é um problema cada vez maior nas faixas etárias mais jovens, é também inegável que tal leva a problemas consequentes como a relação que os mais novos têm com o próprio corpo. Diz a OMS, nas conclusões do estudo Spotlight on adolescent health and well-being’, que 38% das jovens portuguesas de 15 anos considera-se gorda e 73% sentem-se pressionadas na escola. No sexo masculino, a percentagem, para a mesma idade, é de 24% e de 49%, respetivamente. Mais: “os jovens que consideram que já ficaram sozinhos na escola, por os colegas não lhe quererem fazer companhia, afirmam mais frequentemente estar a fazer dieta ou não gostar de algo no seu corpo”, revela o estudo ‘O comportamento alimentar dos jovens portugueses’.

 

…e o físico

O mesmo estudo nacional alega que “os jovens que veem televisão quatro horas ou mais por dia, referem mais frequentemente consumir alimentos pouco saudáveis”. O ciclo é vicioso, e por isso os cuidados não se podem ficar pela alimentação. Numa era em que o uso de ecrãs é cada vez mais comum, e garante presença nos quartos das crianças portuguesas cada vez mais cedo, é urgente apostar num estilo de vida mais ativo. E o problema tornou-se ainda mais urgente aquando da pandemia que, segundo Inês Marques, Pediatra no Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas, veio acentuar aquela que já era “uma tendência preocupante no estilo de vida das nossas crianças e jovens: o uso excessivo de ecrãs”. Tal hábito “tem os tornando mais sedentários, aumentando o risco de doenças cardiovasculares e limitando o treino das suas competências sociais, empatia e inteligência emocional, potenciando o risco de perturbações psicológicas ou comportamentais”, acrescenta a pediatra.

 

A PANDEMIA VEIO ACENTUAR AQUELA QUE JÁ ERA “UMA TENDÊNCIA PREOCUPANTE NO ESTILO DE VIDA DAS NOSSAS CRIANÇAS E JOVENS: O USO EXCESSIVO DE ECRÃS”.

 

Este aspeto é de grande importância: o estilo de vida pouco saudável seguido por grande parte das camadas mais jovens a nível nacional não diz respeito apenas à alimentação ou à prática de exercício físico. Estende-se à (falta de) socialização e outros aspetos consequentes. Como reagir? “Acompanhar a visualização de conteúdos de modo a reduzir os riscos associados; limitar o tempo diário despendido com os ecrãs, balanceando-o com o de sono e exercício físico; promover a interação social, sobretudo ao ar livre; tornar o digital lúdico e não sedentário, por exemplo através de jogos de georeferenciação”, enumera Inês Marques.

 

Mas como vai a prática desportiva?

Para João Beckert, Médico Especialista em Medicina Desportiva e em Medicina Física e de Reabilitação na Unidade de Medicina Desportiva e Performance do Hospital CUF Tejo, “os jovens portugueses não têm um estilo de vida saudável como gostaríamos. É manifesta a melhoria do ambiente construído, com ciclovias, parques públicos e equipamentos desportivos que, conjugados com o melhor acesso a informação e uma melhor oferta pública e provada de técnicos de desporto, permitiriam uma melhoria do estilo de vida” dos nossos jovens.

Dizem os mais recentes estudos que 65% dos jovens em Portugal fazem algum tipo de desporto ou atividade física (Eurobarómetro). Mas são dos menos ativos da Europa, acrescenta a entidade. Focando o caso nas faixas etárias mais jovens, “84,3% dos portugueses entre os 11 e os 17 anos são sedentários”, realça Rosário Ferreira, membro do departamento de pediatria do Hospital de Santa Maria. “São menos de 20% aqueles que praticam exercício físico a nível nacional”, diz a pediatra.

A realidade nas escolas reflete estes mesmos dados. Um estudo divulgado pelo Instituto de Avaliação Quantitativa (IAVE) admite que, em Portugal, “quase metade dos alunos do 2º ano não consegue saltar à corda seis vezes seguidas” e “quatro em cada dez não dá a cambalhota para a frente”.

Ainda assim, “a atividade física reportada por cerca de metade dos adolescentes portugueses de 12, 13 e 15 anos resume-se às aulas de educação física na escola, o que está muito abaixo das recomendações”, aponta Carla Rêgo, pediatra no Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Porto ao lembrar o relatório de 2018 do HBSC (Health Behaviour School Children).

Perante este retrato, será fácil inferir que os jovens portugueses, desde idades precoces (1 ano de idade!) apresentam um estilo de vida de risco para a ocorrência de doenças crónicas do adulto, tais como obesidade, doença cardiovascular, diabetes e alterações comportamentais. Estas repercussões do sedentarismo, da adição a ecrãs e de comportamentos alimentares incorretos terá um forte impacto quer na qualidade quer na expectativa de vida das gerações futuras, mas também elevados custos para o sistema de saúde do país”, salienta a pediatra.

Parte da solução, aos olhos de João Beckert, passa por “investir num reforço do desporto escolar” e em “aumentar a literacia desportiva”, mas também “quebrar algumas atitudes de hiperproteção parental (pavor ao risco) que limitam o desenvolvimento motor e psicossocial das crianças”. O médico especializado em Medicina Desportiva aponta ainda a necessidade de alargar as ofertas de modalidades desportivas alternativas bem como o financiamento de ofertas desportivas de proximidade e ainda a atribuilºao de bolsas desportivas”.

 

Os primeiros passos da mudança

A pediatra Carla Rêgo vê a solução na família, que tem a responsabilidade de educar, com o apoio da escola. “Importa lembrar que os cuidadores serão os principais responsáveis por criar, desde os primeiros anos de vida, comportamentos saudáveis baseados em escolhas alimentares equilibradas e variadas e num estilo de vida ativo, devendo para tal dar o exemplo. A criança estrutura o seu comportamento para a vida imitando os seus modelos (os cuidadores) e aprendendo de uma forma lúdica (em casa e na escola). Os adultos – educadores – são totalmente responsáveis pelos comportamentos dos jovens de hoje e, consequentemente, pela saúde física e mental das gerações futuras”, remata.

Já a psicóloga Alexandra Antunes realça que, para falar de estilos de vida saudável, importa incluir vários comportamentos que contribuem para a promoção da saúde física e psicológica, bem como para a prevenção da doença. “Destacaria os seguintes: a atividade física, a alimentação, os cuidados de higiene, o sono, o consumo de substâncias (álcool, drogas e tabaco), a gestão de stress, a relação interpessoal, a ocupação dos tempos livres”, enumera a especialista, que é Membro da Direção Nacional da Ordem dos Psicólogos Portugueses.

“De acordo com o último estudo da Health Behavior School-aged Children, em colaboração com a OMS (realizado em Portugal em 2018, que tem como objetivo perceber os estilos de vida e os comportamentos dos adolescentes), os adolescentes portugueses estão mais saudáveis do que em anos anteriores e em sintonia com a média europeia”. Porém, a psicóloga não nega que “há hábitos que ainda merecem a nossa preocupação pois estão aquém do desejável, o nível de atividade física ainda é insuficiente, o consumo de álcool mantém-se elevado e o uso excessivo das tecnologias em detrimento da relação direta com os pares”, realça.

 

“HÁ HÁBITOS QUE AINDA MERECEM A NOSSA PREOCUPAÇÃO: O NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA AINDA É INSUFICIENTE, O CONSUMO DE ÁLCOOL MANTÉM-SE ELEVADO E O USO EXCESSIVO DAS TECNOLOGIAS EM DETRIMENTO DA RELAÇÃO DIRETA COM OS PARES”,

 

Dito isto, aos olhos de Alexandra Antunes, “é prioritário a implementação de programas de literacia em saúde que visem a promoção de estilos de vida saudáveis através de uma mudança de comportamentos e que deve implicar os principais contextos com impacto no desenvolvimento dos jovens: família, escolas, a iniciar no nível pré-escolar e cuidados de saúde primários”.

 

Difícil, mas possível

“As crianças começam a expressar as suas ‘escolhas’ alimentares por volta dos 4 anos, como forma de controlo sobre o ambiente que os rodeia”. Assim lê-se no Guia Prático para Educadores, desenvolvido pela Direção Geral do Consumidor e Associação Portuguesa dos Nutricionistas. Logo, a solução está na implementação de medidas mais saudáveis em casa, na escola e nos meios por onde a criança cresce.

“É imprescindível que se promova um estilo de vida mais saudável e sustentável desde cedo, pois a saúde e a proteção do nosso planeta, sociedade e economia trabalha-se ao longo de toda a vida. A chave está em termos uma Dieta Mediterrânica, pois é dos modelos mais bem estudados e que nos mostra que é dos mais saudáveis e sustentáveis”, diz-nos Helena Real, secretária-geral da associação portuguesa de nutrição.

E se esta postura de dar o exemplo, fazendo do saudável o mais comum, é transcendente a outras áreas além da alimentação, façamos das boas rotinas de sono um bom hábito. Tornemos os momentos de atividade física mais frequentes do que os momentos passados em frente à televisão. Limitemos o tempo passado ao ecrã. Não é nas obrigações e proibições que estão a base para uma vida saudável, mas sim nas rotinas mais equilibradas. Só assim aprendemos a apreciar o lado mais saudável da vida – e há que começar o mais cedo possível.

 

12
Out21

Depressão afeta quase um em cada três crianças e adolescentes

Niel Tomodachi

Depressão afeta quase um em cada três crianças e adolescentes

19% das crianças e adolescentes apresenta sintomas moderados ou graves de depressão. A sazonalidade do emprego no Algarve é um dos fatores que em muito tem afetado a saúde mental dos mais novos.

A depressão afeta 31% dos jovens e adolescentes em Portugal, sendo que, destes, quase 19% têm sintomas moderados ou graves e 10% correm risco elevado de ter comportamentos suicidários. Os dados, apurados num estudo conduzido em 2020 pela Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, colocam o nosso País num patamar superior à média dos países analisados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). De acordo com a estimativa da OMS, 20% das crianças e adolescentes têm, pelo menos, uma perturbação mental.

No Algarve, o facto de o volume de emprego ter um carácter sazonal, devido à importância do turismo para a criação de postos de trabalho, tende a acentuar o problema. "Mais ainda do que as políticas de saúde, é fundamental olhar para a legislação laboral", clama Pedro Dias, pedopsiquiatra no Hospital de Faro. "São muitos os pais que têm um, dois ou mesmo três empregos para poderem sustentar a família. Ora, isso não lhes permite estar com os filhos, o que tem óbvias consequências para o bem-estar mental das crianças".

Maria do Carmo, diretora do serviço de Psiquiatria no Hospital de Portimão, concorda. "A seguir ao Alentejo, somos a região com números mais elevados de suicídio. O desemprego é uma alavanca para a depressão, e sabemos que esta, nos casos mais graves, pode acabar em suicídio".

Depressão afeta quase um em cada três crianças e adolescentes


"Há escassez de tudo"

Apesar de notar melhorias nas políticas de saúde mental, "sobretudo nos últimos anos", a especialista tem na ponta da língua os entraves de que sofre a região algarvia: fraca capacidade de resposta nos cuidados continuados, falta de estruturas para aplicar terapêuticas ocupacionais, falta de residências para acolher os doentes, falta de recursos humanos. "Temos um pedopsiquiatra, e ainda assim não está a tempo inteiro", exemplifica. "As condições de atendimento são péssimas. Há escassez de tudo", complementa Pedro Dias.

A pandemia agravou ainda mais o estado das coisas no Algarve. "É muito provável que os casos de depressão estejam sub-diagnosticados. Fatores ambientais tão importantes como a adversidade social, os conflitos familiares e o isolamento psicossocial causado pela pouca densidade populacional da região podem ter aumentado substancialmente, e com eles os estados depressivos", refere o pedopsiquiatra, para regressar às repercussões que este panorama tem nos mais jovens: "A gravidade dos quadros depressivos tem vindo a crescer, assim como as tentativas de suicídio, para o que concorrem, por exemplo, as escassas redes de suporte. As crianças estão muito sozinhas."

Na verdade, os estudos mais recentes mostram que a depressão multiplica por 20 a hipótese de suicídio (69% dos suicidas eram depressivos). Em 2019, a depressão afetou cerca de 716 mil portugueses (40% tinham sintomas depressivos graves).

Apesar dos sinais positivos que vislumbra, Maria do Carmo faz um apelo: "A criação de equipas comunitárias [equipas multidisciplinares que vão ao terreno prestar cuidados a pessoas com doença mental] foi um avanço muito importante. Mas é preciso continuar e, sobretudo, é fundamental um olhar diferente para as necessidades. É gravíssimo termos apenas um pedopsiquiatra na região", insiste a psiquiatra, para concluir: "Sem recursos humanos é impossível dar resposta aos problemas. Bem sei que o Plano de Recuperação e Resiliência tem 85 milhões de euros para gastar em saúde mental. Falta ver como serão distribuídos".

 

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