Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

18
Dez22

Angelina Jolie renunciou a funções na ONU mas continua trabalho com refugiados

Niel Tomodachi

A atriz Angelina Jolie anunciou, esta sexta-feira, que renunciou às suas funções de enviada especial do , manifestando a intenção de continuar a apoiar os refugiados e as pessoas deslocadas.

Angelina Jolie trabalha com o ACNER desde 2001

Numa declaração conjunta com o ACNUR, a atriz refere que está empenhada "num conjunto mais vasto de questões humanitárias e de direitos humanos".

"Numa altura em que o mundo enfrenta crises complexas, multifacetadas e interligadas, ela planeia envolver-se com um leque mais vasto de atores num conjunto mais amplo de questões humanitárias, bem como trabalhar mais diretamente com organizações locais", indica o comunicado do ACNUR.

Jolie trabalha com o ACNER desde 2001 e, em 2012, foi nomeada Enviada Especial.

" Neste papel crítico, ela usou a sua poderosa voz para criar consciência e apoio aos refugiados e para apelar a ações urgentes e soluções para as pessoas forçadas a fugir", prossegue a nota.

A ACNUR recorda que, nos últimos 21 anos, Angelina Jolie "trabalhou incansavelmente, realizando mais de 60 missões de campo para testemunhar histórias de sofrimento, bem como de esperança e resiliência".

"Mais recentemente, pormenoriza a nota, Jolie "viajou com o ACNUR para o Iémen e Burkina Faso, para se encontrar com pessoas deslocadas que sobrevivem a duas das emergências mais subfinanciadas e subdeclaradas do mundo".

"Angelina Jolie tem sido uma importante parceira humanitária do ACNUR há muito tempo. Estamos gratos pelas suas décadas de serviço, pelo seu empenho, e pela diferença que fez para os refugiados e pessoas forçadas a fugir", prossegue o organismo das Nações Unidas.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi, disse apreciar o desejo de Jolie mudar o seu compromisso e que apoia a sua decisão.

"Sei que a causa dos refugiados permanecerá próxima do seu coração, e estou certo de que ela trará a mesma paixão e atenção a uma pasta humanitária mais vasta", afirmou.

Por seu lado, Jolie afirmou: "Estou grata pelo privilégio e oportunidade que tive de trabalhar com tantos oficiais de campo destacados e dedicados do ACNUR e outros colegas que fazem trabalho de salvamento de vidas a nível mundial e de servir como Enviada Especial".

"Continuarei a fazer tudo o que estiver ao meu alcance nos próximos anos para apoiar os refugiados e outras pessoas deslocadas. Após 20 anos de trabalho dentro do sistema da ONU, sinto que é tempo de trabalhar de forma diferente, envolvendo-me diretamente com refugiados e organizações locais e apoiando a sua defesa de soluções", disse.

 

06
Abr22

Vem aí uma nova corrida solidária para ajudar instituições e refugiados ucranianos

Niel Tomodachi

À prática desportiva junta-se uma iniciativa de apoio social criada por estudantes de universitários.

Chama-se Corrida Saúde+Solidária e, nos últimos anos, tem juntado profissionais de saúde e estudantes universitários a desportistas. O convite, no entanto, está aberto a todos que queiram manter-se ativos enquanto contribuem para uma causa solidária. A prova tem lugar no dia 30 de abril em Lisboa.

A 9ª edição da iniciativa acontece em formato híbrido, que combina uma corrida virtual com a presencial. Em comunicado, a organização explica que esta decisão “permite alargar a iniciativa além fronteiras e chegar a um maior número de participantes que se podem inscrever numa das provas sem ter de se deslocar fisicamente a Lisboa”. O evento online decorre durante os dias 27 e 30 de abril. 

Caso escolha esta opção, o objetivo é correr nos dias estabelecidos pela comissão organizadora, ficando a escolha do percurso e o local onde é realizado à escolha de cada um.

O percurso da corrida presencial ainda não foi divulgado pela organização. Nas duas vertentes, o evento inclui quatro provas distintas: duas provas de cinco quilómetros (caminhada ou corrida), uma prova de 10 quilómetros e uma prova de 15 quilómetros, incluindo ainda outros desafios.

Esta iniciativa sem fins lucrativos é desenvolvida pela Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina de Lisboa (AEFML), que pretende doar todo o lucro das inscrições a instituições apoiadas. Este ano vão ajudar a Associação Conversa Amiga (ACA), ao Fundo João Lobo Antunes, ao Centro De Recuperação Infantil de Benavente (CRIB) e ao Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Enquanto não chega o dia da prova, pode acompanhar a página da Corrida Saúde+Solidária nas redes sociais, onde existem passatempos e giveaways a decorrer. Pode consultar também o site da prova para saber mais detalhes sobre inscrições cujos preços variam entre os 6€ e os 8€.

 

23
Mar22

Sem saber como ajudar os refugiados ucranianos? Comece pelo seu "mono"

Niel Tomodachi

Vivemos tempos sem precedentes. Ninguém queria nem esperava testemunhar acontecimentos que, um dia, estarão nos manuais de História. Neste momento, toda a ajuda é bem-vinda para reconstruir a vida de quem chega. E esse gesto solidário pode estar escondido na sua arrecadação.

Sem saber como ajudar os refugiados ucranianos? Comece pelo seu "mono"

Em apenas três semanas, são já mais de dez mil os refugiados ucranianos que chegaram a Portugal. De acordo com os dados divulgados por Cláudia Pereira, secretária de Estado para a Integração e as Migrações, a grande maioria são "mulheres com duas crianças". E prevê-se que o número de famílias separadas por uma guerra que não escolheram aumente.

Estas mães, avós, filhos e netos chegam apenas com a roupa que têm no corpo. Além das malas que não conseguiram trazer, os seus corações também ficaram. Foram deixados com os entes queridos na Ucrânia, retidos pela Lei Marcial ou por se terem recusado a abandonar o país ao qual sempre chamaram casa.

Perante este desastre, o mundo ficou em suspenso. As notícias diárias sobre o desenrolar e as vítimas da guerra despertaram-nos o desejo de ajudar. Porém, também aumentaram a incerteza. Como ser útil, neste momento? Todos os gestos fazem uma enorme diferença. Especialmente na vida de quem recomeça, ao mesmo tempo que tenta consertar os destroços do que restou: recomeçar uma vida, um lar, uma rede de apoio.

Sem saber como ajudar os refugiados ucranianos? Comece pelo seu "mono"

Se tem um eletrodoméstico velho em casa, pode entregá-lo numa loja Worten para que este seja reciclado. Através do programa Worten Transforma, e com base na receita dessa reciclagem, a marca vai doar novos eletrodomésticos e aparelhos tecnológicos a quem mais precisa, sendo que, neste caso, todos os equipamentos serão entregues a famílias ucranianas, para equipar os espaços onde serão acolhidas. O objetivo é dar a todas estas pessoas os equipamentos essenciais para tornar a sua adaptação ao País a melhor possível.

Esta iniciativa é mais um passo em frente no caminho da solidariedade que o programa Worten Transforma tem desbravado. O programa já recebeu mais de 66 mil toneladas de "monos" elétricos e eletrónicos. Embora esses equipamentos parecessem obsoletos, quando estavam fechados na nossa casa, tinham uma missão escondida: serem reciclados, para que, com isso, a Worten pudesse doar, a milhares de instituições nacionais, mais de 24 mil novos equipamentos.

Desde o lançamento do Worten Transforma, em 2009, este apoio da marca já se traduziu num investimento superior a 2,3 milhões de euros, melhorando a vida de 680 mil utentes. E, agora, vai levar um pouco de esperança a quem a guerra já tirou tanto.

(S)

16
Mar22

Quase uma criança refugiada a cada segundo desde o início da guerra na Ucrânia, alerta UNICEF

Niel Tomodachi

Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, diz estarem a sair 70 mil crianças refugiadas por dia da Ucrânia e devido à guerra e invasão russas. "Tal significa, a cada minuto, 55 crianças a fugir do país", diz responsável. Entidades alertam para a violenta desproteção e risco de tráfico

Ukrainian refugees arrive in Prague

Os dados alarmantes foram apresentados esta terça-feira, 15 de março, em comunicado, pelas Nações Unidas. “Todos os dias, nos últimos 20 dias, na Ucrânia, mais de 70 mil crianças tornaram-se refugiadas. Tal significa, a cada minuto, 55 crianças a fugir do país”, disse James Elder, porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância, a UNICEF.

Números de um êxodo que ascende, ao vigésimo dia de guerra após a invasão da Rússia, a cerca de 1,5 milhão de crianças. O porta-voz da Organização Internacional para as Migrações (OIM) vincou: “Chegámos agora a marca de três milhões em termos de movimentos de pessoas da Ucrânia para países vizinhos. E entre essas pessoas há cerca de 157.000 cidadãos de países terceiros”, alertou Paul Dillon, citado no mesmo comunicado.

Numa fuga marcada sobretudo por mulheres e crianças – os homens dos 18 aos 60 anos têm ficado em território para lutar –, as preocupações do tráfico e violência disparam e convocam todas as atenções.

James Elder alertou que os jovens são vítimas dos traficantes, quando chegam a novos ambientes desconhecidos. “Para dar uma ideia, na fronteira que eu costumava visitar – Medyka, a principal entre Polónia e Ucrânia – eram dezenas de pessoas em volta de autocarros e miniautocarros que gritavam nomes de capitais – ou pelo menos, assim era há uma semana – e as pessoas entravam neles”, descreveu.

“A grande maioria, é claro, são pessoas com intenções maravilhosas e de grande generosidade, mas não há dúvida, dado o que entendemos do tráfico na Europa, que essa continua sendo uma questão muito, muito grave”, alertou o porta-voz da UNICEF.

Por cá, pela moda nacional, os alertas da UNICEF ouviram-se alto e bom som. Ainda antes do desfecho da apresentação da coleção do designer Gonçalo Peixoto, representante do Fundo das Nações Unidas tomou o microfone e o espaço do Hub Criativo do Beato, em Lisboa, para apelar à ajuda humanitária urgente deste conflito. “Existem cerca de sete milhões e meio de crianças na Ucrânia, um milhão já saiu do seu país. As restantes permanecem em situação de emergência”, descreveu. “A UNICEF está no terreno a prestar auxílio, ajudando as unidades de saúde locais com equipamento cirúrgico, medicamentos, kits de parto, tudo o que é necessário numa situação destas. Estamos a fazer fornecimento de água, já que há mais de três milhões de pessoas na Ucrânia sem acesso a água e saneamento. Temos técnicos no terreno para tratar destas falhas, mas quando não é possível avançam tanques de água e quando isso também não é possível avança a distribuição de água engarrafada”, afirmou.

Uma ajuda que se exerce também do lado de fora das fronteiras desta guerra. “Estamos a trabalhar na proteção infantil com pontos azuis móveis ao longo das rotas de evacuação, que ajudam as famílias, dão indicações, informam sobre o que esperar do outro lado das fronteiras, e também estamos a fazer o acompanhamento e identificação das crianças que estão perdidas”, vincou a responsável.

Num pedido de ajuda que vai para lá do fim da ModaLisboa – onde a UNICEF esteve presente a recolher donativos – a angariação prossegue na conta de Instagram e que pode aceder aqui. “Lembrem-se que uma criança que vive num contexto de guerra só conhece o hoje, não sabe o que é o amanhã. Por isso é urgente ajudar. Há pessoas que não sabem, mas UNICEF depende 100% de donativos e, portanto, todas as contribuições são muito importantes”, afirmou.

10
Fev22

Flee, filme sobre um refugiado afegão gay, fez história ao ser nomeado para animação, documentário e filme internacional nos Óscares

Texto by esqrever

Niel Tomodachi

O filme dinamarquês Flee fez história nos Óscares ao ser a primeira produção a ser nomeada nas categorias de melhor filme de animação, melhor documentário e melhor filme internacional.

Flee (A Fuga) tem direção de Jonas Poher Rasmussen que criou a animação após uma entrevista com um amigo afegão de longa data identificado como Amin Nawabi. Este contou-lhe como chegou à Dinamarca e foi “duplamente marginalizado, sendo gay e refugiado”. Foram precisos quase 20 anos para Nawabi , hoje um académico, se sentir preparado para contar a sua história.

Sempre estive curioso sobre como é que ele tinha chegado aqui e porquê, mas ele não queria falar sobre isso. E eu, claro, respeitei. Mas a nossa amizade cresceu e esta coisa, esta história, foi uma espécie de caixa-negra na nossa amizade”, disse Rasmussen.

Flee conta a história de Amin Nawabi enquanto ele lida com um segredo doloroso que manteve escondido por 20 anos, um que ameaça descarrilar a vida que construiu para si mesmo e o seu futuro marido. Narrado principalmente através da animação ao diretor Jonas Poher Rasmussen, ele conta pela primeira vez a história da sua extraordinária jornada como uma criança refugiada do Afeganistão.”

Sinopse de Flee

A 94ª edição do Óscares acontece a 27 de março e em Portugal, a estreia de Flee está prevista para o dia 7 de abril.

 

(S)

12
Jan22

Portugal recebe exposição de Muhammed Muheisen sobre refugiados

Niel Tomodachi

A exposição "Vozes", do fotojornalista Muhammed Muheisen, mostra "o quotidiano e os desafios que os refugiados e as pessoas deslocadas internamente enfrentam", de sábado até 20 de março, no Centro Português de Fotografia, no Porto.

Portugal recebe exposição de Muhammed Muheisen sobre refugiados

exposição "Vozes", do fotojornalista Muhammed Muheisen, mostra "o quotidiano e os desafios que os refugiados e as pessoas deslocadas internamente enfrentam", de sábado até 20 de março, no Centro Português de Fotografia, no Porto.

Em nota de imprensa divulgada hoje, o Centro Português de Fotografia adianta que as imagens exibidas foram captadas ao longo de mais de uma década e revelam os "périplos em busca de um novo lar seguro e o estabelecimento em novos ambientes" de refugiados e pessoas deslocadas no Paquistão, Afeganistão, Grécia, Hungria, Croácia, Sérvia e Jordânia.

Citado no comunicado, o fotógrafo explica que pretende mostrar que "ninguém sai de sua casa a menos que seja obrigado".

"Há tantas histórias que nunca foram contadas e tantas vozes que nunca foram ouvidas. É minha responsabilidade, enquanto fotojornalista, encontrar essas histórias não contadas, documentá-las e partilhá-las com o mundo. Se algo aconteceu e nunca foi documentado, é como se nunca tivesse acontecido", prossegue.

Com estas imagens, espera "mudar estereótipos e dar voz às pessoas" retratadas.

"Nunca é apenas uma imagem, é uma voz, é um testemunho. É uma mensagem de uma criança ou um adulto de uma qualquer parte do mundo para uma outra parte do mundo, que vive para sempre", considera.

O foco principal do seu trabalho são as crianças, porque acredita que "elas são as verdadeiras vítimas dos conflitos, elas não podem escolher onde nascem ou as circunstâncias que as rodeiam".

"As crianças, no mundo inteiro, procuram as mesmas coisas, procuram diversão, procuram alegria e procuram felicidade -- não importa onde estejam", afirma o fotógrafo, que espera que, "ao retratar cada criança, em vez de serem chamados de 'menino e menina refugiados afegãos ou sírios', eles serão chamados e lembrados pelos seus nomes e idades, pelas suas esperanças e sonhos individuais".

Muhammed Muheisen é fotógrafo da National Geographic e fundador e presidente da organização holandesa sem fins lucrativos Everyday Refugees Foundation.

Venceu duas vezes o Prémio Pulitzer e foi nomeado, em 2013, pela revista Time como melhor fotógrafo de agência noticiosa.

Há mais de uma década que tem trabalhado sobre a crise dos refugiados em diferentes partes do mundo.

A exposição foi também exibida em Coimbra no verão de 2021 no Prémio Estação Imagem.

 

06
Set21

'Packs' com experiências que ninguém quer ter para ajudar quem sofre

Niel Tomodachi

Inspirados nos 'packs' de experiências, como tratamentos de beleza ou jantares românticos, a Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) lançou os packs anti-experiência para ajudar os milhares de deslocados que fogem da violência em Cabo Delgado, Moçambique.

31214313.jpg

Estes 'packs' anti-experiência pretendem sensibilizar para a vulnerabilidade do percurso migratório de quem foge da guerra, mas também dar aos portugueses a oportunidade de contribuírem para o futuro de muitas crianças e famílias deslocadas, refere-se num comunicado divulgado hoje.

Ao adquirir os 'packs', que estão à venda em 12 lojas físicas e online da FNAC e no site oficial do projeto (https://antiexperiencias.pt/home), "as pessoas poderão facilmente fazer a diferença e, mesmo que longe, estar na linha da frente da emergência humanitária em Moçambique", segundo André Costa Jorge, coordenador da PAR.

"Estamos a falar de milhares de pessoas que perderam tudo o que tinham e que agora se veem forçadas a começar a sua vida do zero. Não podemos ficar indiferentes ao seu desespero, são precisos gestos concretos de solidariedade que deem esperança a quem passa por tanto sofrimento", acrescentou.

As anti-experiências disponíveis são a fome, a sede, o medo ou o exílio, sentimentos que estão a ser vivenciados por milhares de pessoas que tiveram de deixar tudo para sobreviver à violência em Cabo Delgado, onde existem mais de 800.000 deslocados internos em Pemba e arredores, mas também mais a sul, na província de Nampula.

O conflito de Cabo Delgado traduz-se em 50.000 crianças em alojamentos temporários e necessitadas de bens essenciais, 51 crianças foram raptadas no último ano nas zonas de conflito, 2.852 mortos e 900.000 pessoas em situação de emergência alimentar.

Mais de 1,3 milhões de pessoas foram afetadas pela violência na província do norte de Cabo Delgado.

No interior de cada 'pack' estão histórias reais de pessoas que estão em Cabo Delgado. Cada um custa entre 20 euros a 50 euros, valor que será totalmente revertido para a causa de Cabo Delgado.

 

24
Ago21

A longa luta de Angelina Jolie pela vida dos refugiados e das mulheres afegãs

Niel Tomodachi

Há mais de 20 anos que a atriz acompanha de perto o drama dos afegãos — e a recente manobra é só mais uma de muitas campanhas.

dc4dbcb78377915c86cacb78d66f0f8a-754x394.jpg

Quando agarrou o papel de Lara Croft, a carreira de Angelina Jolie explodiu. Era, à época, conhecida pela sua beleza, pela sua relação atribulada com o pai, John Voight, e pelo seu passado ligado a excessos, entre álcool e drogas. “Tomb Raider” viria a mudar muita coisa.

O filme de 2001 levou-a até à selvas do Cambodja onde viveu uma experiência transformadora. Regressada aos Estados Unidos, onde sempre viveu uma vida de privilégio, embarcou na habitual digressão de promoção daquele que viria a ser o seu grande blockbuster. Mas a atriz, então com 26 anos, não se queria limitar a responder às habituais questões de circunstância.

“O Cambodja é um sítio lindíssimo”, atira quando lhe perguntam sobre a experiência nas filmagens. “Não quero falar de coisas muito pesadas, mas lá descobri o que se passa no mundo. Os meus olhos começaram a abrir-se”, revelou em entrevista à “NYRock”. A turbulenta e violenta história do país, que se debatia ainda com a probreza, a falta de condições de saúde e o perigo das minas, deixou uma impressão forte na atriz.

Assim que regressou a casa, o primeiro telefonema que fez foi para a Agência das Nações Unidas para os Refugiados. Sete meses depois, a atriz de 26 anos era nomeada como Embaixadora da Boa Vontade da agência. Mas antes de receber o título, voltou a fazer as malas e embarcou rumo a destinos pouco paradisíacos. Deixou para trás os luxos e aventurou-se pelos campos de refugiados no Cambodja, Serra Leoa, Tanzânia e Paquistão. Não só queria ajudar como recusou usar qualquer dinheiro da Agência — todos os custos, seus e do staff, foram pagos por si.

Foi no Paquistão que encontrou uma das situações mais complicadas, sobretudo entre os refugiados afegãos que, à época, tentavam escapar ao conflito provocado pela invasão norte-americana que combatia o regime talibã. Perante o apelo da Agência, Jolie cumpriu e entregou mais de um milhão de euros ao fundo de apoio aos refugiados afegãos. Vinte anos depois, Jolie vira-se novamente para o Afeganistão e faz notícia em todo o mundo.

Primeiro, a situação inédita: a atriz fez a sua primeira publicação no Instagram no sábado, 21 de agosto. Não era uma selfie, um retrato de família, uma promoção do seu novo filme; era, sim, a carta que recebeu de uma jovem afegã. Em dois dias acumulou mais de três milhões de likes e mais de sete milhões de seguidores.

“Neste momento, o povo afegão está a perder a sua capacidade se expressar livremente e de comunicar nas redes sociais. Por isso juntei-me ao Instagram para partilhar as suas histórias e as vozes do outro lado do globo que estão a lutar pelos seus mais básicos direitos humanos”, escreveu a atriz de 46 anos.

 

A jovem afegã, cujo nome foi ocultado por medo de represálias, não poupou críticas. “É doentio ver novamente tantos afegãos a fugirem das suas casas por causa do medo e da incerteza que tomou conta do país (…) Depois de tanto tempo e dinheiro gasto, de tanto sangue derramado e vidas perdidas, chegarmos a este ponto, é um falhanço impossível de compreender.”

Esta é apenas mais uma iniciativa de Jolie que, desde a primeira viagem em 2001, se tornou numa das estrelas de Hollywood mais dedicadas aos projetos humanitários. Chegou mesmo a lançar, em 2003, um livro que relatava as experiências na primeira pessoa das viagens feitas a países em desenvolvimento durante o primeiro ano no cargo de embaixadora das Nações Unidas.

Ao longo das últimas duas décadas, o drama afegão tornou-se numa das causas mais importantes para a atriz. Em 2008, sete anos depois do primeiro encontro com refugiados no Paquistão — onde voltou em 2005 para nova visita —, decidiu finalmente voar até Cabul pela primeira vez.

“Mais de cinco milhões de afegãos regressaram ao país nos seis anos que se seguiram à queda dos talibã”, explicava em 2008, antes da viagem. “Quero ver com os meus próprios olhos como é que eles estão.”

Durante uma visita a refugiados afegãos
 

Estima-se que Jolie tenha já feito mais de 60 viagens a locais de conflito, onde se vive sob condições dramáticas, num percurso que a levou a mais de 30 países. E, pela terceira vez na sua carreira como embaixadora, o drama afegão volta a ser um obstáculo.

“Por detrás dos rótulos — chamam-lhes refugiados, pessoas deslocadas, candidatos a asilo — estão pessoas com as mesmas esperanças, medos, arrependimentos que qualquer um de nós. As suas vidas costumam ter histórias profundamente trágicas mas também encorajadoras”, explicou em 2008. “Sobreviver, como sobreviveram durante 30 anos, muitas destas famílias afegãs, é um autêntico testemunho à resiliência do espírito humano. E isso sente-se através da sua generosidade, humor e determinação silenciosa em dar aos seus filhos um futuro melhor.”

Numa altura em que era uma das atrizes mais bem pagas de Hollywood, trocava as entrevistas de carreira por debates sobre as suas viagens. De regresso dessa visita a Cabul, trouxe centenas de fotos e vídeos. Num deles, um afegão contava a sua história entre lágrimas.

É tão raro ver um homem adulto perder o controlo e chorar. Quando acontece, percebes o quão devastadora é a situação. Ele estava desesperado por não poder fazer nada pela sua família”, comentou Jolie.

Apesar do estatuto de celebridade, qualquer uma destas viagens comporta riscos que a atriz aceita correr. São, afinal, zonas de conflito ou que ainda carregam pesadas marcas de guerra. E Jolie não diz que não.

Um dos momentos mais dramáticos da visita a Cabul
 

A sangrenta guerra civil do Cambodja deixou uma herança negra à população que, em 2001, fez despertar em Jolie a faceta de humanitária. O país do sudeste asiático tem sido também um dos seus focos.

Um ano depois das gravações de “Tomb Raider”, a atriz voltou ao Cambodja, onde enfrentou, lado a lado com a população, os perigos das minas. “Caminhei por certas zonas onde me tinham dito que nunca nada lá tinha explodido — e que portanto não eram consideradas zonas de alto-risco — mas tu e todos os que vão contigo tentam manter-se no visível trilho que toda a gente usa. Não te afastas dele”, contou.

“E quando a meio da noite tens que ir à casa de banho nos arbustos e deixas de saber bem qual é o caminho… É uma loucura pensar que realmente não sabes [onde estão as minas] e que há pessoas que vivem a vida assim.”

O Cambodja acabaria por conquistar um lugar no coração da atriz. Foi lá que, numa das suas visitas em 2002, decidiu ajudar no que lhe fosse possível — e, com o acordo do então marido Billy Bob Thornton, visitou um orfanato com o objetivo de adotar uma das muitas crianças vítimas da pobreza e da guerra.

“Em 2001 estava numa escola em Samlout a brincar no chão com um miúdo pequeno e tive uma visão clara como a luz do dia: ‘o meu filho está aqui’”, recordou em 2020 à “Vogue”. Regressou mais tarde a um orfanato na província de Battambang. Tinha prometido que visitaria apenas um orfanato mas, à medida que o percorria, o cenário complicou-se.

“Não sentia nenhuma ligação especial com nenhum dos órfãos”, revelou. “Foi então que disseram que havia mais um bebé.” Deitado numa pequena caixa pendurada no teto estava um pequeno bebé de meses. “Chorei, chorei muito”, contou à “Vanity Fair”.

Com Maddox ainda bebé
 

O processo de adoção foi atribulado. Suspenso ao fim de um mês por causa da decisão do governo norte-americano de banir adoções de crianças do Cambodja, ficou ainda manchado pela detenção do intermediário do processo, condenado por lavagem de dinheiro. Apesar de tudo, a adoção preencheu os requisitos legais e Maddox tornou-se mesmo no primeiro filho de Jolie — que, depois da separação de Thornton, o criou sozinha.

Além de Maddox, Jolie adotou outros órfãos em países sub-desenvolvidos. Pax veio do Vietname e Zahara da Etiópia. Tem ainda mais três filhos biológicos, Shiloh, Vivienne e Knox.

Ao fim de uma década como embaixadora da boa vontade, a atriz receberia outra honra, desta vez entregue por um português. Em 2012 foi promovida a Enviada Especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, entidade dirigida por António Guterres. Jolie ficaria, então, encarregue de dar a sua ajuda nas mais graves crises de refugiados.

Foi então na companhia do antigo primeiro-ministro português que Jolie fez a sua primeira campanha como enviada especial, ao Equador, sendo que depois acompanhou Guterres numa viagem de uma semana para apoiar a situação dos refugiados do conflito sírio, espalhados pela Jordânia, Líbano, Turquia e Iraque.

A mais recente crise afegã toca em dois assuntos queridos a Jolie: o drama dos refugiados no Afeganistão e os direitos das mulheres, sobretudo quando colocados em causa durante conflitos armados; ela que, em 2014, encabeçou um protocolo que haveria de ser adotado por 151 países.

Aos 46 anos e ainda com uma fervilhante carreira como atriz, tem se virado cada vez mais para a realização, onde também é visível a sua preocupação com os conflitos e dramas humanitários.

Aconteceu em “Na Terra de Sangue e Mel”, escrito por Jolie, que conta uma história de amor que tem lugar entre os horrores da guerra na Bósnia. E repetiu-se com “Primeiro, Mataram o Meu Pai”, de 2017, que relata a experiência real de Loung Ung, uma jovem de sete anos que, em plena guerra no Cambodja, é treinada para ser uma criança-soldado.

Há, contudo, sempre tempo para mais uma viagem humanitária, mesmo enquanto produz e cria filmes, educa seis filhos e lida com um turbulento processo de divórcio. “Nada teria significado se não vivesse uma vida onde fosse capaz de ajudar os outros”, nota.

 

09
Fev21

Síria. ONU critica postura de 57 países por não repatriarem mulheres e crianças refugiadas

Niel Tomodachi

Responsáveis da ONU pediram a 57 países que repatriem as mulheres e crianças que permanecem retidas em campos de refugiados no nordeste da Síria, criticando-os por não o fazerem.

30457215.jpg

Responsáveis da ONU pediram a 57 países que repatriem as mulheres e crianças que permanecem retidas em campos de refugiados no nordeste da Síria, e criticaram-nos por argumentarem motivos de segurança e de saúde para não o fazerem.

Através de cartas oficiais enviadas a esses governos, onde se incluem Espanha, França, China, Alemanha, Rússia, Estados Unidos ou Reino Unido, cerca de 20 relatores e peritos da ONU denunciam a deterioração da situação humanitária nesses campos, onde 80% dos ocupantes são mulheres e crianças.

Não são campos de refugiados, mas centros onde as pessoas estão detidas sem liberdade para sair e vivem em condições inumanas, que poderiam comparar-se às de Guantánamo”, sublinhou em conferência de imprensa Fionnuala Ní Aoláin, a relatora da ONU para os direitos humanos e luta antiterrorista, durante a apresentação da petição.

 

A irlandesa assinalou que cerca de metade das pessoas são provenientes do vizinho Iraque, um fator que dificulta o seu repatriamento por motivos de segurança, enquanto 15% (mais de 9.000) são oriundas de terceiros países. Ní Aoláin reconheceu que na lista de 57 países “existem alguns que estão a promover esforços para repatriar”, ao citar como exemplos a Rússia ou o Cazaquistão, mas indicou que “em muitos casos se trata de uma lista de vergonha”, por ausência de vontade política para que esses cidadãos regressem aos seus locais de origem.

A relatora explicou que muitos governos argumentam motivos de segurança, pela vinculação de alguns dos internados a grupos como o ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI), e que na sua perspetiva é particularmente injusto no caso das crianças, “condenadas por pertencerem a uma família”.

Segundo Ní Aoláin, muitos dos países da lista assumem, de forma equivocada, que a Síria irá reunir em breve condições para poder julgar os suspeitos. “Se existem suspeitos de crimes, os países podem processar os repatriados”, defendeu, acrescentando que a prioridade consiste em reabilitar estas pessoas e as suas sociedades e advertindo que condenar alguns destes detidos a uma vida indigna poderá originar problemas de segurança no futuro.

A relatora acrescentou que diversos governos utilizam agora também a pandemia de Covid-19 como desculpa para atrasar os repatriamentos e criticou as tentativas de alguns executivos por cancelarem a cidadania destes detidos para evitar que se responsabilizem por eles, “algo que é contrário à lei internacional”.

A petição aos governos solicita “uma ação coletiva, sustentável e imediata para evitar um dano irreparável”, pelo facto de “milhares de detidos nesses campos serem submetidos a violência, exploração, abuso e privações em condições que podem constituir torturas ou tratamentos inumanos”.

Os peritos denunciaram que em 2020 decorreu nesses campos um processo de recolha de dados e supostamente destinados a identificar presumíveis ligações ao EI, e no qual mulheres e crianças foram muitas vezes interrogados para a obtenção de dados pessoais sem o seu consentimento.

 

25
Out20

Bangladesh: Crianças rohingya sem escola e adultos arredados das decisões sobre o seu futuro

Niel Tomodachi

GBV_Fabeha-Monir-scaled.jpg

A pandemia de COVID-19 e as subsequentes restrições em diversos serviços nos campos de refugiados no Bangladesh, que acolhem quase um milhão de pessoas rohingya há três anos, fizeram com que as instalações educativas fossem encerradas. O plano de implementação do currículo do Myanmar, anunciado este ano, também acabou afetado.

“O governo de Bangladesh deve garantir que a COVID-19 não se torne em mais uma desculpa para privar as crianças rohingya do seu direito de acesso à educação”

David Griffiths, diretor do gabinete do secretário-geral da Amnistia Internacional

A UNICEF estima que há mais de 400 mil crianças com idades entre os três e os 18 anos nos campos de refugiados. Em janeiro, as autoridades do Bangladesh anunciaram que seria dada a oportunidade de estudarem o currículo do Myanmar, entre o sexto e o nono ano, após terem transitado de um programa de educação informal. O plano seria testado por dez mil alunos, no primeiro semestre deste ano, com disposições para ser alargado no futuro.

“O governo de Bangladesh deve garantir que a COVID-19 não se torne em mais uma desculpa para privar as crianças rohingya do seu direito de acesso à educação. A comunidade internacional deve apoiar as autoridades do Bangladesh com fundos e recursos para implementar o currículo do Myanmar”, insta o diretor do gabinete do secretário-geral da Amnistia Internacional, David Griffiths.

A educação das crianças rohingya no Bangladesh está presente no briefing Let us speak for our rights (“Vamos falar pelos nossos direitos”), apresentado esta terça-feira. O documento da Amnistia Internacional lembra que os refugiados devem ter o direito de participar em todas as decisões que afetam as suas vidas, pois a exclusão a que estão votados tem impactos a nível de direitos humanos, designadamente: liberdade de expressão, reunião e movimento, acesso à saúde e à educação. O briefing também pede uma investigação completa sobre as alegações de execuções extrajudiciais.

“Os rohingya foram perseguidos e discriminados no Myanmar, com centenas de milhares a serem forçados a fugir de casa por causa de crimes contra a humanidade. Agora, três anos após o deslocamento, ainda estão a sofrer”

David Griffiths, diretor do gabinete do secretário-geral da Amnistia Internacional

“Durante décadas, os rohingya foram perseguidos e discriminados no Myanmar, com centenas de milhares a serem forçados a fugir de casa por causa de crimes contra a humanidade. Agora, três anos após o deslocamento, ainda estão a sofrer e são impedidos de defender os seus direitos”, nota David Griffiths.

“Embora as autoridades do Bangladesh tenham tomado muitas medidas positivas para apoiar os refugiados, há uma falta de transparência nas decisões, que excluem quase totalmente o envolvimento dos rohingya. O que é necessário é uma política clara que inclua as suas vozes para garantir que os seus direitos humanos sejam devidamente protegidos”, defende o mesmo responsável.

A Amnistia Internacional apela à comunidade internacional para apoiar e trabalhar com as autoridades do Bangladesh para desenvolver uma política – como parte da cooperação internacional e de assistência – para proteger os refugiados rohingya.

 

Liberdades em causa

Em maio, as autoridades de Bangladesh levaram mais de 300 refugiados rohingya para Bhashan Char, uma ilha remota de lodo, que ainda não foi avaliada pela ONU quanto à sua habitabilidade. Estas pessoas faziam parte de um grupo de quase 1400 homens, mulheres e crianças que arriscaram a vida em viagens de barco para a Malásia.

Depois de ter sido recusada a entrada no país, os refugiados voltaram para águas sob administração do Bangladesh. A marinha nacional rebocou a embarcação até Bhashan Char, onde as autoridades propuseram realocar mais 103.200 pessoas.

A Amnistia Internacional falou com duas mulheres e um homem rohingya, na ilha, que ouviram relatos de assédio ou abuso sexual por parte de agentes da polícia e oficiais da marinha. As autoridades do Bangladesh devem conduzir uma investigação completa e exaustiva sobre estas alegações.

Os refugiados também relatam as condições de habitabilidade, com duas a cinco pessoas em quartos de cerca de 50 pés quadrados (cerca de 4,6 metros quadrados) – espaço suficiente apenas para uma. As casas de banho são escassas.

Tudo o que estas pessoas receberam foi uma peça de roupa, uma rede mosquiteira e um prato. Muitas usam lençóis que foram costurados a partir de roupas por algumas mulheres rohingya. A comida, afirmam, é distribuída duas vezes por dia e, desde que chegaram, nunca varia. A única unidade de saúde é uma clínica móvel operada pela marinha, que funciona quatro horas por dia, das 8h às 12h. Os refugiados disseram à Amnistia Internacional que frequentemente não lhes é permitido sair da zona onde dormem.

“As autoridades do Bangladesh devem transportar em segurança todos os refugiados rohingya, que estão atualmente em Bhashan Char, para os campos de refugiados em Cox’s Bazar e garantir que sejam consultados, sem coerção, sobre quaisquer planos futuros”

David Griffiths, diretor do gabinete do secretário-geral da Amnistia Internacional

O confinamento prolongado na ilha é uma violação das obrigações do Bangladesh face aos artigos 9 e 12 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, que protege o direito à liberdade de escolher a sua residência dentro de um território.

“As autoridades do Bangladesh devem transportar em segurança todos os refugiados rohingya, que estão atualmente em Bhashan Char, para os campos de refugiados em Cox’s Bazar e garantir que sejam consultados, sem coerção, sobre quaisquer planos futuros de realocação na ilha”, afirma David Griffiths.

 

Execuções extrajudiciais

Mais de 100 refugiados rohingya foram vítimas de alegadas execuções extrajudiciais, entre agosto de 2017 e julho de 2020, de acordo a organização de direitos humanos Odhikar. No entanto, nenhum desses casos foi investigado e nenhum dos supostos autores dos crimes foi levado à justiça.

A Amnistia Internacional falou com familiares de cinco refugiados que foram vítimas de alegadas execuções extrajudiciais, em Cox’s Bazar. Cada incidente tem uma narrativa surpreendentemente semelhante.

As vítimas foram mortas durante um “tiroteio” com membros pertencentes a entidades responsáveis pela aplicação da lei, que alegaram que só abriram fogo em retaliação. Três destes cinco homens terão sido retirados das suas casas pela polícia e, depois, encontrados mortos, relataram os familiares.

As autoridades do Bangladesh devem ter em consideração as acusações e preocupações das famílias Rohingya, bem como da sociedade civil, e iniciar investigações completas, independentes, imediatas e imparciais sobre todas as alegadas execuções extrajudiciais e garantir que os suspeitos de serem os autores sejam acusados em julgamentos justos, sem recurso ao uso da pena de morte.

 

Direito à saude

Até 23 de agosto de 2020, seis refugiados morreram de COVID-19 e 88 testaram positivo. No entanto, esses números têm por base análises feitas a 3931 pessoas, o que corresponde a menos de um por cento da população rohingya nos campos no Bangladesh.

Poucos refugiados voluntariam-se para serem testados em unidades de saúde administradas por agências humanitárias devido ao medo de serem separados da família ou coagidos ao isolamento. Anteriormente, passaram igualmente por experiências de comportamentos desrespeitosos das equipas médicas. Tudo isto é agravado pela falta de informações, claras e amplamente acessíveis, sobre os serviços disponíveis, revelou um funcionário de uma entidade de saúde que opera nos campos.

 

Violência e discriminação de género

A Amnistia Internacional entrevistou dez mulheres rohingya sobre violência de género e discriminação nos campos. Cinco delas disseram que a violência contra as mulheres aumentou, principalmente a violência doméstica, durante a COVID-19, à medida que os homens estão mais tempo em casa. As mulheres disseram que os maridos, tendo perdido a oportunidade de trabalhar, pressionavam-nas para que trouxessem dinheiro e eram violentos. Quatro das entrevistas acreditam que a discriminação e a violência contra as mulheres têm sido um fator constante nos campos, independentemente da pandemia.

Há ainda relatos de tráfico de seres humanos, assédio sexual e discriminação. Em alguns campos, os líderes comunitários decidiram não permitir que as mulheres trabalhassem nos últimos meses devido à COVID-19.

A representação das mulheres é altamente desproporcional e discriminatória em reuniões comunitárias, onde apenas uma ou duas mulheres são convidadas a se juntarem a 50 homens, indicou uma mulher de 29 anos que vive no campo 1W.

 

Source

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Quotes:

“How wonderful it is that nobody need wait a single moment before starting to improve the world.” ― Anne Frank

Pesquisar

Nelson's bookshelf: currently-reading

Alfie - O Gato do Bairro
tagged: currently-reading

goodreads.com

2023 Reading Challenge

2023 Reading Challenge
Nelson has read 11 books toward his goal of 55 books.
hide

Arquivo

    1. 2023
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2022
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D

Afiliado Wook

WOOK - www.wook.pt

Comunidade Bertand

Afiliado Miniso

Read the Printed Word!

Em destaque no SAPO Blogs
pub