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Little Tomodachi (ともだち)

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15
Nov22

Escritor brasileiro Rafael Gallo vence Prémio José Saramago 2022

Niel Tomodachi

O escritor brasileiro Rafael Gallo é o vencedor do Prémio José Saramago, no valor de 40.000 euros, pelo seu romance "Dor fantasma", que será publicado em Portugal pela Porto Editora, anunciaram hoje os promotores.

Escritor brasileiro Rafael Gallo vence Prémio José Saramago 2022

obra vencedora vai também ser editada no Brasil, pela Globo Livros, e será distribuída em todos os países da lusofonia, uma das condições previstas no prémio.

Promovido pela Fundação Círculo de Leitores, com o apoio da Fundação José Saramago, da Porto Editora e da Globo Livros, o prémio foi entregue durante uma cerimónia no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém (CCB), sala onde o Estado Português recebeu e homenageou José Saramago, em 1998, ano em que foi distinguido com o Prémio Nobel da Literatura.

Sobre esta obra, Bruno Vieira Amaral, escritor distinguido com o Prémio Literário José Saramago 2015, e membro do júri desta edição, enalteceu a qualidade da escrita de Rafael Gallo.

"É mão cirúrgica, aplicando incisões seguras e sábias, é mão de pintor, na pincelada criativa e intencional, é mão de maestro segurando a batuta e guiando a orquestra num crescendo de som e fúria que culmina no magistral desenlace do romance", afirmou.

Nascido na cidade de São Paulo, no Brasil, em 1981, Rafael Gallo tem criado histórias e inventado personagens desde pequeno, destacam os promotores do prémio, acrescentado que as suas primeiras incursões na área da literatura foram os contos que acabou por compilar num volume intitulado "Réveillon e outros dias", que propôs a várias editoras, sem nunca ter sido aceite ou publicado.

Tudo mudou quando concorreu ao Prémio SESC de Literatura, um concurso brasileiro para autores de obras inéditas, que lhe permitiu publicar o livro, em 2012, pela editora Record e, de certa forma, tornar-se escritor.

Em 2015, lançou o seu primeiro romance, "Rebentar", também pela editora Record, que foi distinguido com o Prémio São Paulo de Literatura, na categoria de autores estreantes com menos de 40 anos.

Desde então, não publicou outro livro, embora tivesse um romance inédito, "Dor fantasma", e 40 anos de idade quando foi divulgada a abertura de candidaturas para a mais recente edição do Prémio Literário José Saramago.

Isto porque o Prémio José Saramago passou, desde este ano, a contemplar obras de ficção inéditas de autores até aos 40 anos (até agora o limite de idade era 35 anos) e aumentou o valor a atribuir em 15 mil euros (o prémio pecuniário era de 25 mil euros).

Outra novidade é o facto de o prémio passar a distinguir obras inéditas, garantindo-lhes depois a publicação em Portugal (pelo Grupo Porto Editora) e no Brasil (pela Globo Livros), bem como a distribuição em todos os países da lusofonia.

O Prémio José Saramago foi instituído em 1999 e tem uma periodicidade bienal, pelo que a última edição deveria ter-se realizado em 2021, o que não aconteceu devido à pandemia, obrigando ao adiamento para 2022.

A edição deste ano teve como jurados os escritores e anteriores premiados José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, João Tordo e Bruno Vieira Amaral, além de Pilar del Rio, presidente da Fundação José Saramago, Guilhermina Gomes, em representação da Fundação Círculo de Leitores e Presidente do Júri, e a escritora brasileira Nélida Piñon, membro honorário.

O Prémio Literário José Saramago foi instituído para celebrar a atribuição do Prémio Nobel da Literatura de 1998 ao autor de "Memorial do Convento", visando jovens autores, cuja primeira edição tivesse sido publicada num país da lusofonia.

Segundo a organização, foram apresentadas "centenas de candidaturas" a esta 12.ª edição do prémio.

O Prémio José Saramago distinguiu nas edições anteriores, além dos nomes que fizeram parte do júri desta edição, os escritores Paulo José Miranda, Adriana Lisboa, Valter Hugo Mãe, Andréa del Fuego, Ondjaki, Julián Fuks e Afonso Reis Cabral, o último distinguido, em 2019, com o romance "Pão de Açúcar".

 

20
Set22

Escritora Marta Pais de Oliveira vence prémio literário Nortear

Niel Tomodachi

A escritora portuguesa Marta Pais de Oliveira venceu, com o conto em prosa "Medula", a 8.ª edição do prémio literário Nortear, dirigido a jovens escritores da eurorregião Galiza -- Norte de Portugal, foi hoje anunciado.

Escritora Marta Pais de Oliveira vence prémio literário Nortear

Segundo o Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) da eurorregião Galiza -- Norte de Portugal, o prémio vai ser entregue na próxima edição da Culturgal, feira de indústrias culturais da Galiza, que se realizará no final do ano, em Pontevedra, Espanha.

Marta Pais de Oliveira tem 32 anos, é natural de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, e já conquistou o prémio revelação Agustina Bessa-Luís 2020 com o seu primeiro romance, "Escavadoras".

A vencedora desta edição do Nortear, citada num comunicado divulgado pela organização, disse ter recebido a notícia com "enorme felicidade pela relevância do prémio, pelo incentivo que supõe e a oportunidade de promoção na eurorregião, e pela publicação do conto em galego e em português".

A obra "Medula" é, segundo explicou a autora, "uma distopia, ao estilo de George Orwell, que aborda a história de duas pessoas que estão às portas do ministério da solidão e precisam de decidir o que fazer depois".

Marta Pais Oliveira é licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Porto e Universidad Complutense de Madrid e pós-graduada em Comunicação Empresarial pela Porto Business School.

Depois de uma breve passagem pelo jornalismo, desenvolveu projetos de comunicação e gestão de marca, viveu em Moçambique, onde implementou sistemas de ensino à distância e atualmente está a impulsionar a "criação 3D na indústria da moda".

Depois de "Escavadoras", escreveu o conto "O homem na rotunda", integrou a coleção Contos Singulares da Relógio D'Água com o conto "Quando virmos o mar" e escreveu o libreto "Maria Magola", levado à cena no Festival Informal de Ópera 2021.

O prémio literário Nortear tem uma dotação financeira de três mil euros e contempla a publicação da obra vencedora em galego e português.

Trata-se de uma iniciativa do AECT da eurorregião Galiza -- Norte de Portugal, da Consellería de Cultura, Educación, Formación Profesional e Universidades da Junta de Galiza e da Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN).

À 8.ª edição do Nortear concorreram 40 jovens escritores, entre os 16 e os 36 anos, daquela eurorregião.

O júri do prémio Nortear foi presidido por Gonzalo Constela, escritor e diretor da Escola Oficial de Línguas de Santiago, e constituído pelos escritores galegos Eva Mejuto e Ramón Nicolás, e por Carlos Lopes, editor e responsável da editorial Edita-me, e Ana Araújo, docente do ensino secundário e técnica superior da DRCN.

De acordo com o comunicado, os elementos do júri destacaram "a mestria" de Marta Pais de Oliveira "na construção da narrativa em todas as suas categorias".

Para o júri, "Medula" possui um "bom ritmo e uma linguagem e estilo notável, que coincidem com o estado de desassossego permanente, que acompanham toda a estrutura interna da narrativa".

No geral, os elementos do júri consideraram que "se verificou um crescendo de qualidade das narrativas apresentadas a concurso, designadamente em termos de domínio da arquitetura do género narrativo, estilístico e mesmo linguístico".

O prémio visa distinguir anualmente obras originais para estimular o lançamento de novos escritores, incentivar a criatividade literária entre os jovens residentes na eurorregião Galiza - Norte de Portugal e promover a sua distribuição além-fronteiras.

Nas edições anteriores venceram o Nortear Lara Dopazo, Rui Cerqueira Coelho, Cecília Santomé, Sara Brandão, Sabela Varela, Célia Fraga e Pedro Rodríguez Villar.

O projeto Nortear é, segundo a organização, "um polo cultural de referência" na Europa no âmbito da cooperação transfronteiriça e é cofinanciado pelo programa Interreg Espanha -- Portugal (POCTEP).

 

07
Set22

Ana Baliza vence Prémio Design de Livro 2022 com "A Third Reason"

Niel Tomodachi

A 'designer' Ana Baliza venceu o Prémio Design de Livro 2022 com a obra "A Third Reason", de Alexandre Estrela, que ambos editaram, anunciou hoje a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB).

Ana Baliza vence Prémio Design de Livro 2022 com "A Third Reason"

Em comunicado enviado à Lusa pela DGLAB, pode ler-se que o "júri considerou que o livro, 'eximiamente pensado e executado, revela um compromisso sincero com um modelo tradicional de livro -- ilustrado por exemplo pela opção pela capa dura'".

"O júri acrescentou ainda o 'caráter disruptivo extremamente consciente, que alia a forma -- num desdobramento das páginas em harmónio -- com o conteúdo, remetendo claramente para a génese do poema que é apresentado ao longo das páginas, gerado através de recombinações infinitas'", acrescentou o mesmo texto.

O livro consiste em "poemas gerados a partir da declinação infinita do tema 'When I was Young' de Genesis P-Orridge", segundo o texto da apresentação da obra, que aconteceu na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, em março.

Duas menções especiais foram ainda atribuídas, aos livros "1961--1992 Japan", com 'design' e edição de And Atelier (João Araújo e Rita Huet), e "Encontros de Novas Dramaturgias, 5.ª Edição", com 'design' de Macedo Cannatà e edição do Colectivo 84.

O júri do prémio foi composto por Ana Baldaia, Dayana Lucas, Isabel de Lucena e Nuno Ferreira de Carvalho, tendo avaliado 141 livros candidatos.

Adicionalmente, foram selecionadas mais 17 obras que vão competir na 'Best Book Design From All Over The World 2023' ("Melhor Design de Livro de Todo o Mundo", traduzido do inglês), da fundação Buchkunst.

O Prémio Design de Livro foi criado em 2017 pela DGLAB, "com o objetivo de promover o 'design' e a qualidade de produção dos livros, valorizando o trabalho de editores, autores, 'designers', empresas gráficas e de todos aqueles que contribuem para o resultado final, conseguindo o melhor encontro entre conteúdo e forma no livro impresso".

O galardão máximo tem um valor monetário de 5.000 euros, enquanto as menções honrosas consistem num montante de 1.500 euros.

 

05
Ago22

Artista Catarina Silva vence Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce

Niel Tomodachi

A artista portuguesa Catarina Silva venceu a nova edição do Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce, na categoria de ilustração, com uma proposta visual para o conto "O Avô Minguante", de Daniela Leitão, anunciou hoje a organização.

Artista Catarina Silva vence Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce

Prémio de Literatura Infantil tem um valor monetário de 50.000 euros a repartir em partes iguais pelos autores do texto e da ilustração, sendo os vencedores anunciados em duas fases - primeiro o texto e depois a ilustração. Além do prémio monetário, os vencedores verão também a obra ser publicada.

Depois de Daniela Leitão ter vencido, em maio passado, a categoria de texto do prémio, com "O Avô Minguante", o júri atribuiu agora o prémio respeitante à vertente de ilustração, à autora Catarina Silva, 26 anos.

O júri elogiou "uma linguagem gráfica original e com um nível interessante de maturidade", e "a opção por um estilo de composição que se aproxima do enquadramento cinematográfico".

Catarina Silva, nascida em Lisboa, em 1996, é licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, tem ainda formação em ilustração e em cenografia e figurinos, e trabalha com cerâmica. É autora de um álbum ilustrado "Onde cabe uma montanha", inédito, não publicado.

O júri foi composto por André Carrilho, Bernardo P. Carvalho, Eduardo Côrte-Real, Marta Madureira e Sara Miranda.

Nesta edição foram ainda atribuídas duas menções honrosas em ilustração, aos trabalhos propostos por Manuela Peixoto e Margarida Ferreira.

O livro "O Avô Minguante", que será publicado em novembro, destaca-se pela "beleza da relação retratada entre a personagem criança e o avô", abordando questões sobre envelhecimento e morte, sublinhou o júri, em maio, quando distinguiu Daniela Leitão.

"Ao trazer para a literatura infantil um tema que não é fácil, a autora dirige-se de uma forma elegante e construtiva aos leitores, maiores e mais pequenos", afirmou o júri.

Este é o prémio literário com o valor mais elevado em Portugal, na área do livro para a infância.

Em 2021, o prémio foi atribuído ao conto "Assim como tu", escrito por Raquel Salgueiro e ilustrado por Jorge Margarido.

Em edições anteriores, o prémio permitiu a publicação de, entre outros, "Leituras e papas de aveia", de António Martins e Duarte Carolino, "O protesto do lobo mau", de Maria Leitão e Pedro Velho, e "O narciso com pelos no nariz", de Andreia Pereira e Ana Granado.

 

15
Jul22

Livro ilustrado 'A Guerra' premiado na Polónia

Niel Tomodachi

O livro ilustrado 'A Guerra', de André Letria e José Jorge Letria, venceu o Grande Prémio atribuído pela Biblioteca Pública de Varsóvia, na Polónia, referente aos melhores livros publicados em 2021, revelou a editora portuguesa Pato Lógico.

Livro ilustrado 'A Guerra' premiado na Polónia

O prémio é uma iniciativa do Museu do Livro Infantil, designação de um departamento daquela biblioteca pública, que anualmente premeia e recomenda obras de literatura polaca e estrangeiras.

'A Guerra', publicado pela editora polaca Wydawnictwo Dwie Siostry, soma vários prémios internacionais desde que saiu em 2018, pela Pato Lógico.

Tal como o título explicita, este é um livro ilustrado sobre guerras e conflitos, sobre poder, prepotência e morte, com uma narrativa visual e outra textual que se entrecruzam e dialogam ao longo das páginas.

"É o dualismo que me interessa num livro ilustrado, é criar um objeto e que conte uma história. Aqui neste há uma interpretação da essência da guerra, como uma doença que se transforma e adapta, que está atenta às fragilidades do hospedeiro e se instala de uma maneira insidiosa", explicou o autor e ilustrador André Letria à agência Lusa, quando o livro foi editado.

O ilustrador recorre visualmente a elementos que ajudam a personificar uma ideia de conflito, sem rostos, sem tempo e sem local: Há bombas, tanques e aviões de guerra, mas também um líder que destrói livros, uma floresta dizimada, uma cidade destruída, tudo retratado em tons escuros, castanhos e cinzentos.

'A Guerra' volta a juntar José Jorge Letria e André Letria - pai e filho - em torno do livro ilustrado, numa colaboração criativa que dura há mais de 20 anos e que ficou fixada em obras como 'Lendas do mar' (1998), 'Versos de fazer ó-ó' (1999), 'Os animais fantásticos' (2004), 'Domingo vamos à Luz'(2010) ou o mais recente 'Se eu fosse um livro' (2011).

Com esta obra, traduzida para várias línguas, André Letria foi distinguido em 2019 na Bienal de Ilustração de Bratislava, na Eslováquia e na Bienal de Ilustração de Guimarães, venceu o Junceda Internacional e o Prémio Nacional de Ilustração.

O livro também foi premiado nos Estados Unidos e na Coreia do Sul e está recomendado pelo Plano Nacional de Leitura.

28
Mai22

Prémio Booker Internacional atribuído a romance de Geetanjali Shree

Niel Tomodachi

O romance "Tomb of Sand", da indiana Geetanjali Shree, traduzido diretamente do hindi para inglês por Daisy Rockwell, é o vencedor do Prémio Booker Internacional 2022, anunciou hoje, em Londres, o presidente do júri, o tradutor Frank Wynne.

Prémio Booker Internacional atribuído a romance de Geetanjali Shree

"Tomb of Sand", o primeiro livro de Geetanjali Shree publicado no Reino Unido, é também o primeiro romance escrito numa das línguas mais faladas na Índia a ser distinguido pelo prémio britânico.

Para trás ficaram os outros cinco finalistas: "The Books of Jacob", da Nobel da Literatura Olga Tokarczuk (com tradução de Jennifer Croft), também anterior vencedora do Booker International, "A New Name: Septology VI-VII", do norueguês Jon Fosse (Damion Searls), "Cursed Bunny", da coreana Bora Chung (Anton Hur), "Heaven", da japonesa Mieko Kawakami (Sam Bett, David Boyd), e "Elena Knows", da argentina Claudia Piñeiro (Frances Riddle).

Geetanjali Shree nasceu na cidade indiana de Mainpuri, em 1957, e estreou-se na escrita em 1987, com a publicação de um primeiro conto numa revista literária indiana, a que se seguiu um primeiro livro de contos, em 1991.

A escritora soma atualmente cinco romances e diversos livros de contos e novelas, tendo recebido diversos prémios no seu país, incluindo o Crossword Book.

A tradutora distinguida, Daisy Rockwell, é também escritora, tradutora, artista plástica, e vive em Vermont, nos Estados Unidos.

Rockwell, que nasceu no estado do Massachusetts em 1969, soma a tradução para inglês de várias obras clássicas da literatura hindi e urdu, tendo sido distinguida com diversos prémios pela sua tradução de "A Gujarat Here", de Krishna Sobti.

"Tomb of Sand" decorre no norte da Índia e segue o percurso de superação de uma mulher de 80 anos que entra em depressão profunda, após a morte do marido.

A 'shortlist' do prémio deste ano foi dominada por mulheres, revelando-se "excecionalmente forte", segundo o júri.

"Foi lentamente e depois de uma longa e apaixonada discussão, que conseguimos ir excluindo as obras [selecionadas] uma a uma. Por fim, fomos cativados pelo poder e lucidez de 'Tomb of Sand'", um romance "particularmente luminoso", disse o presidente do júri, no anúncio do vencedor.

A 'shortlist' deste ano foi também e novamente dominada por editoras independentes, entre as quais estiveram pela primeira vez a Honford Star e a Tilted Axis, que publicou o livro premiado - uma editora fundada pela tradutora Deborah Smith, distinguida em 2016 com o Booker Internacional, com o romance "The Vegetarian", da coreana Han Kang.

O júri desta edição, presidido pelo tradutor Frank Wynne, contou ainda com a autora e académica Merve Emre, a escritora e advogada Petina Gappah, a escritora e humorista Viv Groskop, assim como o tradutor e escritor Jeremy Tiang.

A seleção inicial foi feita a partir de 135 obras, um número recorde de candidaturas.

O prémio Booker Internacional atribui um montante global de 50 mil libras (59.570 euros) à obra vencedora, repartidas igualmente entre autor e tradutor.

Nenhum dos livros finalistas está publicado em Portugal, mas Jon Fosse, Claudia Piñeiro e Olga Tokarczuk têm várias outras obras traduzidas para o mercado português.

O prémio visa distinguir livros traduzidos para o inglês e publicados no Reino Unido ou na Irlanda.

O anterior vencedor foi "À Noite Todo o Sangue é Negro", pelo francês David Diop e traduzido por Anna Moschovakis.

 

17
Mai22

Paulina Chiziane festeja prémio com povo enquanto os "sábios" recuperam

Niel Tomodachi

Paulina Chiziane, a primeira escritora africana a vencer o Prémio Camões, continua a celebrar este galardão junto do povo, mesmo dos que não sabem ler, ao mesmo tempo que os "que se acham mais sábios" ainda recuperaram do choque.

Paulina Chiziane festeja prémio com povo enquanto os "sábios" recuperam

"Uma boa parte daqueles que se julgam os mais conhecedores, os mais sábios, sempre me olharam assim com aquele arzinho de doutor, eles no pedestal e eu sempre no chão - sempre gostei de pôr os pés no chão - e foi uma surpresa, um choque para alguns deles, mas ainda bem que foi assim, porque na verdade eu escrevo em português", disse, em entrevista à agência Lusa, em Lisboa, onde se encontra a realizar um conjunto de atividades sobre a sua obra.

A autora reconheceu que nunca imaginou existirem tantas pessoas tão interessadas em ouvi-la e em ler o que escreveu e só lamenta não ter braços para "os abraçar a todos", os que vivem em África, Portugal, Brasil e em outros países que não falam português.

O que mais a surpreendeu foi "a celebração popular" e até de pessoas que não sabem ler, "porque as pessoas sempre olharam para o Prémio Camões como uma coisa muito distante dos africanos, sobretudo das pessoas de raça negra".

"Sou a primeira pessoa de raça negra, negra bantu, a receber o prémio", disse, contando que "as pessoas sempre olharam para este prémio com uma distância", como "o prémio dos outros".

"Se [o vencedor] não é um branco, vai ser um mulato, mas negro e ainda por cima mulher...", afirmou, referindo-se à forma como o galardão era visto.

E prosseguiu: "Agora, em todas as caminhadas, nós encontramos aqueles durões que acham que são os donos da língua portuguesa e são os donos da sabedoria".

Paulina explica que, embora tenha estudado o português, que é a sua segunda língua, pertence a uma cultura bantu. "É lógico que a estrutura da língua portuguesa que eu falo vai ser uma mistura de duas culturas. E eu sempre defendi isto e muitas vezes os puristas da língua, moçambicanos, negros, académicos e alguns achavam que uma boa língua portuguesa tem que ser falada, mesmo à portuguesa".

"E eu dizia: calma aí! E a estrutura da minha língua bantu, onde é que fica? A estética bantu, onde é que fica? Não vou deitar fora as minhas heranças. Eu sou produto da cultura bantu e sou produto desta cultura que veio com a Europa e que se impôs na minha terra. A língua portuguesa é minha e eu vou usá-la como eu quiser", salientou.

Conta que "a língua portuguesa, que tem origens na Europa e que traz consigo a cultura da Europa", está em África, onde "foi imposta".

"Nós aceitamos porque é um instrumento muito útil e muito importante. Mas esta língua não penetra tão bem no nosso mundo. Isto é, podemos comunicar-nos, mas existem alguns aspetos da nossa essência, da nossa fauna, da nossa flora e dos nossos mares".

A escritora considera que "a grande crítica que se faz aos escritores africanos, de língua portuguesa ou não, é que os africanos não sabem nomear as flores, só dizem as flores; não sabem nomear os pássaros, porque só dizem os pássaros dos passarinhos".

Segundo a autora, isso deve-se ao facto de a flora tropical moçambicana ser diferente da flora europeia: "Cada língua, cada cultura, sabe nomear as suas flores e suas plantas".

"Por vezes eu digo: Nós, como moçambicanos ou os africanos em geral, temos uma coisa muito boa, temos as nossas línguas maternas e depois aprendemos o português para nos comunicar com os outros. Depois aprendemos o francês, o inglês para trabalhar. Acabamos ficando poliglotas".

Ou seja, "os africanos, em termos de línguas, têm um património por vezes maior do que o património de Portugal ou da Europa, porque quase todo o africano é obrigado a conhecer mais do que uma língua".

Sobre os próximos temas da sua obra, Paulina promete insistir no que mais gosta: a vida e a existência.

"Eu acho que nós, como seres humanos, estamos deslocados da nossa própria humanidade".

E dá o seu exemplo: "Eu sou africana, mas estou distante da África, apesar de estar a viver em África; é como se eu estivesse proibida ou fosse proibida por alguma lei de ser africana. Nasci num tempo em que não podia falar a minha própria língua. Estou a viver numa sociedade que olha para África como este lugar, não sei, de inferno ou inexistente. Estou a viver num mundo em que um africano não pode expressar a sua religiosidade e às vezes tem vergonha da sua própria raça, do seu cabelo e da sua maneira de ser. Este é o mundo que nós herdamos desses conflitos e dessas pirâmides que o mundo entende que deve construir para classificar seres humanos".

É então que, "de vez em quando", sente "uma vontade de contribuir para uma reflexão sobre tudo isso e tentar entender as razões pelas quais o mundo está tão desequilibrado".

 

05
Mai22

José Eduardo Agualusa vence Grande Prémio de Crónica e Dispersos da APE

Niel Tomodachi

O escritor José Eduardo Agualusa foi o vencedor do Grande Prémio de Crónica e Dispersos Literários, da Associação Portuguesa de Escritores (APE), com o livro "O Mais Belo Fim do Mundo" (Quetzal), anunciou hoje a organização.

José Eduardo Agualusa vence Grande Prémio de Crónica e Dispersos da APE

Grande Prémio de Literatura Crónica e Dispersos Literários APE/Câmara Municipal de Loulé foi atribuído por unanimidade do júri, constituído por Carina Infante do Carmo, Carlos Albino Guerreiro e Fernando Batista, indicou a APE em comunicado.

Na ata de atribuição do prémio, o júri justificou a sua escolha com a "destreza na escrita da crónica, que se matiza nas formas do conto, do ensaio e do apontamento diarístico sem comprometer o desenho calibrado do livro".

"Na mão de José Eduardo Agualusa a crónica é uma sonda apurada dos dias comuns pessoais e do tempo coletivo que é o nosso, tenso, conturbado, alargando-nos o horizonte para geografias sobretudo africanas mediante uma escrita bela, lúcida e poética", acrescentou o júri.

O Grande Prémio de Crónica e Dispersos Literários, instituído pela APE, com o patrocínio da Câmara Municipal de Loulé, "destina-se a galardoar anualmente uma obra em português, de autor português, publicada em livro e em primeira edição em Portugal, no ano de 2021".

O valor monetário deste galardão é de 12 mil euros.

A cerimónia de entrega do prémio terá lugar no Dia do Município de Loulé, no próximo dia 26 de maio.

No ano passado, o vencedor do Grande Prémio de Crónica e Dispersos Literários foi Lídia Jorge, com o livro "Em todos os sentidos" (D. Quixote).

Em edições anteriores, este prémio já distinguiu os autores José Tolentino Mendonça, Rui Cardoso Martins, Mário Cláudio, Pedro Mexia e Mário de Carvalho.

 

29
Abr22

Prémio Candango de Literatura Lusófona lançado e com inscrições abertas

Niel Tomodachi

Um novo prémio destinado a contemplar, em oito categorias, obras literárias escritas por autores de língua portuguesa, foi lançado esta semana em Brasília e as inscrições estão abertas até 28 de maio, para livros publicados em 2021.

Prémio Candango de Literatura Lusófona lançado e com inscrições abertas

O I Prémio Candango de Literatura irá premiar, com um total de cerca de 34 mil euros, seis obras literárias escritas por autores da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) nas categorias de melhor romance, melhor livro de poesia, melhor livro de contos, melhor livro de autor nascido ou residente em Brasília, melhor capa e melhor projeto gráfico, anunciaram os organizadores, que fizeram o lançamento oficial do galardão na terça-feira, na capital do Brasil.

Além disso, serão também distinguidos dois projetos de incentivo à leitura, um de "melhor incentivo à leitura do ano de 2021" e outro de "melhor incentivo à leitura para pessoas com deficiência também em 2021".

Os vencedores das categorias de melhor romance, livro de poesia, livro de contos e autor residente no Distrito Federal receberão o equivalente a 30.000 reais (5,8 mil euros) cada.

Para as categorias melhor capa e projeto gráfico, o valor será de 12.000 reais (2,3 mil euros), para as categorias melhor iniciativa de incentivo à leitura, geral e para pessoas com deficiência, o valor a atribuir será de 15.000 reais a cada (2,9 mil euros).

Este prémio, que é uma iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, pretende estreitar os laços culturais entre o Brasil e os restantes países que integram a CPLP: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Os organizadores justificam que, "apesar de presente em vasto território no planeta, o idioma português abrange uma área descontínua, que passeia por diferentes continentes, como América do Sul, Europa, África e Ásia".

As inscrições são gratuitas e só podem ser feitas através da página oficial do evento, em www.premiocandangodeliteratura.com.br, pelo próprio autor ou seu procurador, ou pela editora. Os candidatos precisam também de comprovar a sua atuação na área há pelo menos dois anos.

Gerido pelo Instituto Cultural Casa de Autores, presidido pelo escritor Maurício Melo Júnior, e com curadoria do premiado escritor Ignácio de Loyola Brandão, o prémio vai buscar o nome Candango à personagem que nasce da confluência destas culturas lusófonas.

Embora a sua origem se tenha perdido no emaranhado da construção quotidiana da língua portuguesa, o vocábulo de cunho pejorativo era usado pelos africanos para designar os portugueses colonizadores.

Com o tempo, acabou por se tornar símbolo de pertença dos diversos povos brasileiros que construíram Brasília.

De acordo com o edital do concurso, o júri do prémio é constituído por 11 profissionais com experiência e reconhecimento na área da literatura, cada um dos quais deverá selecionar 10 livros para cada categoria. Os vencedores serão escolhidos por votação pelo júri completo e receberão, além dos prémios em dinheiro, o Troféu Candango de Literatura.

29
Abr22

Escritora russa Liudmila Ulítskaia vence prémio Formentor de Letras

Niel Tomodachi

A escritora russa Liudmila Ulítskaia venceu o Prémio Formentor de Letras 2022, pelo "poderoso fôlego narrativo com que regista as emoções mais subtis da alma humana", anuncio ontem o júri, em Lanzarote, Espanha.

Escritora russa Liudmila Ulítskaia vence prémio Formentor de Letras

Liudmila Ulítskaia, considerada opositora do regime de Vladimir Putin, "herdeira da tradição narrativa" da literatura russa, foi distinguida "pela sensibilidade com que relata a epopeia das pessoas destemidas no labirinto do mundo", justificou o júri, que esteve reunido na Casa José Saramago, em Tías, Lanzarote.

Este prémio literário, criado pela Fundação Formentor, tem um valor monetário de 50.000 euros e já distinguiu autores como Samuel Beckett, Jorge Luis Borges, Saul Bellow, Gisela Elsner, Javier Marías e Annie Ernaux.

Já indicada para o Nobel da Literatura, Liudmila Ulítskaia é "uma das escritoras mais marcantes e de maior alcance da literatura russa contemporânea", cuja obra "explora as ambíguas e complexas relações entre o bem e o mal", afirma o júri do prémio literário em comunicado.

Nascida em 1943 na região dos montes Urais, e com antepassados judeus ucranianos, Liudmila Ulítskaia vive em Berlim desde março, pouco depois da invasão russa da Ucrânia.

É formada em Biologia pela Universidade de Moscovo, fez investigação científica em genética e trabalhou ainda no Teatro Hebraico de Moscovo entre finais dos anos 1970 e início de 1980.

A escritora começou a publicar na década de 1990, tendo editado contos, teatro, romance e obras para crianças.

Em Portugal estão publicados, pelo menos, as obras "Mentiras de mulher", "Funeral divertido" e "Caso Kukótski".

O júri do Prémio Formentor de Letras integrou por Elide Pittarello, Marta Rebón, Gustavo Guerrero, Enric Bou e Basilio Baltasar.

 

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