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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

18
Ago21

Um planeta barulhento: já não é possível encontrar locais sem ruído humano

Niel Tomodachi

Há três décadas que Gordon Hempton os procura. Sabe que não existem, mas quer dar-nos a conhecer os sítios mais silenciosos.

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Foi numa rotineira viagem no metro de Nova Iorque que o jornalista e professor George Foy esbarrou numa constatação: porque é que aceitamos viver no meio de tanto barulho?

Irritado pelo ruído de gritos, carruagens e avisos sonoros, parou para pensar. “Se este é o barulho levado ao seu nível máximo, qual é o lado oposto? O que é o silêncio absoluto e será que ele existe?”

A busca pelo silêncio que o levou a viajar pelo mundo e a consultar dezenas de especialistas deu origem a um livro, “Zero Decibels”, e a uma descoberta. Mas o norte-americano não foi nem é o único a ter a ambição de encontrar os locais mais silenciosos no planeta.

Antes de mais, é preciso estabelecer dois pontos cruciais. O primeiro é que esta não é só um exercício de curiosidade, mas um desafio humano. Vários estudos traçam a ligação entre a poluição sonora e diversos problemas de saúde, sejam eles mentais ou, por exemplo, cardiovasculares. O ruído humano é, também, prejudicial para a vida selvagem.

Por outro lado, é preciso estabelecer o que se quer dizer quando se fala em silêncio, neste caso silêncio natural — que é o ambiente sem ruído provocado pelos seres humanos, apenas preenchido pelos sons naturais. E são esses locais raríssimos que a organização sem fins lucrativos Quiet Parks International procura pelo mundo fora.

Os números avançados pela organização são claros. De acordo com a QPI, 90 por cento das crianças nunca terão a experiência de estar num ambiente com silêncio natural. E tudo graças à enorme exposição ao ruído humano, em terra, no ar — graças aos quase quatro mil milhões de passageiros em 2017 — e no mar — com um crescimento do tráfego marítimo de 400 por centro entre 1992 e 2014.

Encontrar os últimos locais onde apenas resiste o silêncio natural sem perturbação humana é um desafio mais complicado do que pareceria à partida. Envolve, claro, alguns critérios, nomeadamente o de ser um sítio onde gostaríamos de estar e de ser de fácil acesso. Logicamente, os mais inóspitos estão fora de hipótese. Mas mesmo esses têm um problema.

Ainda que viaje até os locais mais recônditos da Antártica, é provável que acabe por se cruzar com uma expedição, um navio ou acampamentos de cientistas. Os seus geradores e barulhos podem ser ouvidos a longas distâncias. E no deserto? Bem, os aviões que circundam o planeta são outro problema.

As gravações incríveis de Hempton estão disponíveis no Spotify
 

Qualquer avião comercial é audível a partir do chão e o ruído que deixa para trás pode espalhar-se a uma distância de mais de 160 quilómetros. O Pólo Norte é outra das rotas preferidas de aviões de longas distâncias.

Segundo Gordon Hempton, co-fundador da One Square Inch — nome da organização que viria a transformar-se na Quiet Parks International —, ninguém está a salvo do ruído, nem mesmo no meio da densa floresta amazónica, a 1.900 quilómetros da cidade mais próxima. Foi exatamente isso que registou o ecologista, que mesmo nesse local remoto, viu os microfones registarem a passagem de um a dois aviões por hora. “Mesmo que estejamos longe das estradas, nunca estamos demasiado longe das estradas nos céus”, explicava em 2014 à “BBC”.

É a busca por esse sítio raro e idílico que alimenta todos os que trabalham na QPI, que já certificou pelo menos um local selvagem e dois parques urbanos. Estes dois últimos, claro, medem-se perante critérios diferentes.

Encontrar estes locais em terra é uma tarefa dura, mas relativamente simplificada. Explicava em 2014 Hempton que parte do processo passa por identificar os sítios onde haverá inevitavelmente barulho. E esse processo de exclusão revela um mapa muito pequeno onde poderá ser possível fugir ao ruído humano.

Basta, desde logo, eliminar do mapa locais com luz artificial, bem como indústrias mineiras, campos agrícolas, estradas e rotas náuticas.

Identificados os locais, a QPI envia os seus peritos de microfones na mão para medir a qualidade do silêncio nestes locais remotos. São, atualmente, mais de 200 potenciais candidatos à certificação. No entanto, até hoje, só um mereceu a distinção.

Trata-se de uma área junto ao rio Zabalo, na floresta amazónica no território do Equador. Um local sob perigo iminente, alvo de novos desenvolvimentos urbanísticos e de operações da indústria mineira. Infelizmente, a certificação da QPI não é mais do que uma nota pública.

A organização espera, contudo, que a publicidade ajude a luta mediática necessária para garantir a proteção e preservação destes locais. Isso e, claro, o potenciar de um ecoturismo que convença as autoridades a manterem o estatuto de local de silêncio natural.

 

No caso dos parques urbanos, mereceram a distinção o Parque Nacional Yangmingshan, em Taiwan, e Hampstead Heath, em Londres, embora os especialistas reconheçam que esta seleção implica uma alteração dos critérios, menos exigentes em ambientes citadinos e que, portanto, admitem a existência de algum ruído de fundo.

A certificação é um trabalho duro. São necessárias horas e horas de gravações feitas nos locais, depois analisadas ao pormenor. Um zumbido leve de um avião pode deitar tudo a perder.

A definição de local silencioso que Hempton tem trabalhado ao longo das últimas três décadas assume, então, que um ruído humano haverá se surgir. E, portanto, classifica-os como silenciosos se neles se verificarem intervalos de 15 minutos sem interrupção humana — sendo que estas áreas terão que ter pelo menos três mil metros quadrados.

Ao fim de tantos anos de trabalho e com apenas um local registado, pode parecer uma tarefa infrutífera. Hempton tem uma explicação trágica: a de que já não existem sítios naturalmente silenciosos no planeta; e a de que os nossos ruídos, sejam de estradas, comboio, tráfego aéreo e marítimo, invadiram todos os recantos do planeta.

Não é possível, na sua opinião, permanecer num local sem que, a certa altura, um ruído de origem humana não se faça sentir. O que se pode certificar são os locais onde esses eventos são mais raros. E mesmo nas horas e horas de gravações feitas para classificar a área do rio Zabalo, um ocasional zumbido penetrava o silêncio.

“Não existem locais no planeta Terra que eu tenha visitado que não tenham sido afetados pelos ruídos humanos”, afirma à “BBC” o especialista em bioacústica Bernie Krause. “Por todo o planeta, não se passa um dia que não se ouça um destes sons.”

 

10
Ago21

Greta Thunberg inaugura Vogue escandinava e critica indústria da moda

Niel Tomodachi

"Não se pode produzir moda em massa ou consumir 'sustentavelmente' no mundo de hoje", alertou a ativista, que critica a indústria da moda.

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ativista Greta Thunberg foi escolhida para a capa da primeira edição da Vogue Escandinávia, onde chamou a atenção para a indústria da moda, uma das mais poluentes do mundo.

"A indústria da moda é um dos principais causadores da emergência ecológica e climática, sem falar no seu impacto nos inúmeros trabalhadores e comunidades que são explorados em todo o mundo para que alguns possam usufruir do pronto-a-vestir que muitos tratam como descartável", indicou a jovem de 18 anos, na publicação de Instagram onde apresenta a capa.

Greta Thunberg alerta que muitas marcas começaram a mostrar preocupação com o ambiente e até "se definem como 'sustentáveis', 'éticas', 'verdes' ou 'justas'". "Mas vamos ser claros: isto é quase sempre falso. Não se pode produzir moda em massa ou consumir 'sustentavelmente' no mundo de hoje", acrescentou, apelando a uma "mudança de paradigma".

 

A editora da revista, Martina Bonnier, disse-se "orgulhosa" por poder contar com a Greta para a primeira edição. "Não só é uma figura escandinava singular e uma força de mudança, como também incorpora o amor pela natureza, a busca pela sustentabilidade e a coragem ousada que está no centro da nossa visão", afirmou, no editorial daquela edição.

Por cá, a porta-voz do Pessoas-Animais-Natureza (PAN), Inês Sousa Real, aproveitou para chamar a atenção para o tema. "A rapidez com que se descarta a roupa e a ausência de uma cadeia de tratamento deste resíduo, proposto pelo PAN em Portugal e que foi rejeitado, contribui igualmente para a degradação do meio ambiente", indicou.

14
Jul21

Mais de 10 mil espécies estão em risco de extinção na Amazónia

Niel Tomodachi

Relatório elaborado por painel de cientistas destaca que é "crítico" reduzir a desflorestação e a degradação da floresta para zero em menos de uma década.

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Mais de 10 mil espécies de animais e plantas correm risco de extinção devido à destruição da floresta tropical na Amazónia, adverte um relatório publicado esta quarta-feira pelo Science Panel for the Amazon (SPA) citado pela Reuters.

A contínua destruição causada pela interferência humana coloca mais de oito mil espécies de plantas endémicas e de 2.300 animais em risco elevado de extinção.

Este relatório, que agrega as pesquisas de 200 cientistas de todo o mundo, representa a avaliação mais detalhada do estado da floresta tropical na Amazónia até hoje.

O relatório divulgado pela SPA salienta que é “crítico” reduzir a desflorestação e a degradação da floresta para zero em menos de uma década. O estudo pede ainda a reflorestação massiva de áreas que já foram destruídas.

Cerca de 35% da floresta tropical na Amazónia já foi destruída.

 

30
Jun21

Cidades flutuantes: será esta a solução para as mudanças climáticas?

Niel Tomodachi

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Terão os escritores do filme Waterworld previsto o futuro? Além da impossível simbiose aquática do protagonista, a abordagem poderia ter sido correta se a proposta da Universidade de Delaware (Estados Unidos) fosse levada em consideração diante da ameaça das mudanças climáticas para as cidades costeiras do mundo. De acordo com os especialistas, a construção de uma bateria de medidas deve começar agora, incluindo fortificações de áreas costeiras e criações de cidades flutuantes para as quais a próxima geração se deve deslocar.

A ideia publicada na revista Science pelo investigador AR Siders, do Disaster Research Center da Universidade de Delaware, e por Katharine J. March, especialista em Ciências Atmosféricas da Universidade de Miami, antecipa uma possível solução à elevação do nível do mar que provocará o aumento das temperaturas do planeta nos próximos anos e o derretimento dos polos.

A primeira parte da sua proposta consiste na retirada como o método mais eficaz antes da chegada das águas. Mas o seu projeto é ambicioso porque também propõe transformar estradas em canais para podermos viver em cidades flutuantes ou construir cidades mais fortificadas nos pontos mais altos do planeta, como se fosse um filme de ficção científica.

Especialistas acreditam que a construção de diques como o que está a ser planeado no litoral de Nova Iorque e a retirada para locais mais seguros devam ser a primeira opção, embora não a única, para evitar os desastres meteorológicos que estão por vir. A razão é o seu alto custo e a sua considerável ineficiência. De acordo com os seus cálculos, apenas 13% das costas poderiam ser bem-sucedidas e lucrativas, reforçando as suas defesas contra a elevação do nível do mar.

Universidade de Delaware

Projeto de médio prazo e exemplos de sucesso

Os investigadores sugerem que olhe a longo prazo se quiser alcançar o sucesso. “É difícil tomar boas decisões sobre as mudanças climáticas se pensarmos 5 ou 10 anos à frente. Estamos a construir infraestruturas que duram entre 50 e 100 anos; o nosso planeamento deve ser longo”, alerta Siders .

A proposta não é rebuscada. Na verdade, ela tem referências de sucesso, como a construção na Holanda em terrenos recuperados do mar. A sua última novidade deslumbrante foi a instalação de casas flutuantes no porto de Nassau (Roterdão) que se adaptam às marés e oferecem um espaço ecológico entre as casas. Outras cidades vizinhas seguiram o mesmo exemplo.

Os Estados Unidos também têm exemplos como as novas casas flutuantes de Miami. No Oceano Atlântico, alguns proprietários com uma conta bancária próspera já começaram a desfrutar de casas flutuantes de alto padrão.

As cidades flutuantes e as migrações são a solução para as mudanças climáticas? “A mudança climática está a afetar as pessoas ao redor do mundo e todos estão a tentar descobrir o que fazer a respeito. Uma estratégia potencial, fugir dos perigos, poderia ser muito eficaz, mas muitas vezes é esquecida”, afirma. Joseph R. Biden, do Departamento de Geografia da Universidade de Delaware e um dos promotores da proposta elaborada pelo departamento de pesquisa de desastres da universidade norte-americana para responder às perguntas.

 

29
Jun21

Há uma nova esperança para salvar gorilas em África

Niel Tomodachi

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Pela primeira vez, um bebé gorila filho de pais que cresceram em cativeiro nasceu em pleno meio natural.

Aconteceu no Gabão (África) e dá novas esperanças a esta e outras espécies ameaçadas de extinção.

O parto inédito teve lugar no Parque Nacional do Planalto Bateke. Mayombe, a mãe, 13 anos, nasceu no ZooParc de Beauval, em França, enquanto Djongo, o pai, de 15 anos, no Port Lympne Safari Park, em Inglaterra. Ambos foram posteriormente introduzidos na natureza.

“É uma notícia extraordinária, uma inovação mundial muito significativa para a conservação desta espécie, que corre sério risco de se extinguir”, disse à agência AFP Delphine Delord, diretora assistente do zoológico de Beauval.

A Fundação Aspinall, que administra o Port Lympne Safari Park, informou que o gorila bebé se encontra bem de saúde, apesar de requerer ainda alguns cuidados. “Está frágil, muito embora se alimente bem”, assinalou.

Quase 80% do Gabão é coberto por florestas. Programas de proteção e habitação de primatas foram estabelecidos ao longo dos últimos anos nos parques do país para impulsionar o turismo.

Segundo dados da Fundação Aspinall, o número de gorilas das planícies ocidentais encontrados no Gabão diminuiu 60% nos últimos 25 anos.

No ano passado, as autoridades gabonesas proibíram que os visitantes observassem os primatas que habitam as florestas locais, por receio que os humanos pudessem transmitir o novo coronavírus aos animais.

 

20
Jun21

Estudo alerta: os oceanos estão a ser inundados com embalagens de take-away

Niel Tomodachi

A revelação foi feita pela Nature Sustainability. Além das embalagens de comida, as garrafas de plástico são outra grande ameaça.

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Já se sabia que os oceanos já têm quase tantos peixes como plástico, mas há um novo estudo que revela que, apesar de todos os esforços, a quantidade de plástico no mar não está a diminuir. Antes pelo contrário.

De acordo com a mais recente edição da “Nature Sustainability”, os sacos de utilização única, as garrafas de plástico e as embalagens e embrulhos de comida utilizados para take-away são, neste momento, os tipos de plástico que mais poluem os oceanos. Ao todo, os produtos de plástico representam cerca de 75 por cento do lixo presente nos oceanos, revela este estudo.

As tampas e redes de pesca são também um elemento de preocupação, indica a “Nature Sustainability”, devido à sua elevada disseminação e muito lenta degradação.

No entanto, a novidade está no aumento da quantidade de embalagens de take-away que têm sido identificadas e que está a surpreender os investigadores. “Não estamos surpreendidos que o plástico represente quase 80 por cento do lixo, mas a elevada proporção das embalagens de take-away surpreendeu-nos”, afirma Carmen Morales-Caselles, investigadora da Universidade de Cádis, que liderou a pesquisa. “Esta informação irá facilitar que os governos possam, realmente, travar que o lixo chegue ao oceano, em vez de apenas o limpar”.

Na mesma publicação, a “Nature Sustainability” revela que as palhinhas e a palhetas representam 2,3 por cento do lixo e os cotonetes com bastão em plástico cerca de 0,16 por cento, o que, de acordo com os especialista, revela que os esforços para acabar com o plástico nestes produtos tem produzido efeitos positivos. 

 

13
Mai21

Portugal vive a partir de hoje em "crédito ambiental" até ao final do ano

Niel Tomodachi

Portugal começa hoje a viver a "crédito ambiental", ou seja, os cidadãos consumiram todos os recursos que permitiriam viver de forma sustentável este ano, alertou a associação ambientalista Zero, assinalando que todos os anos esta data chega mais cedo.

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"Se todas pessoas do mundo consumissem como consumimos em Portugal, a partir do dia 13 de maio nós teríamos que acionar um cartão de crédito ambiental. Passaríamos todos a ter que usar recursos para satisfazer necessidades de mobilidade, alimentação e habitação que só devíamos usar a partir do início do próximo ano", disse à agência Lusa a ativista Susana Fonseca.

A especialista em pegada ecológica assinalou que Portugal, "não sendo obviamente o primeiro país do mundo que atinge este limite", está a fazê-lo "muito antes de meados do ano".

"A cada ano que passa temos esta tendência de ter que usar os recursos do ano seguinte cada vez mais cedo", acrescentou, uma vez que no ano passado, por exemplo, o dia da sobrecarga só chegou em 25 de maio.

Zero indica que "os cálculos têm em conta dados de vários anos, pelo que não espelham de forma clara as implicações da pandemia na pegada ecológica" portuguesa.

Susana Fonseca apontou que as áreas que têm mais peso na pegada ecológica de Portugal são alimentação, responsável por 32 por cento do consumo de recursos, e a mobilidade.

"Não obstante todos os esforços que fazemos pela eficiência energética, pela reciclagem, não estamos a conseguir reduzir a nossa pegada ecológica, estamos é a aumentá-la", lamentou.

Para a Zero, "Portugal tem uma oportunidade única de aproveitar o Programa de Recuperação e Resiliência, a par com fundos de apoio europeus" para fazer transformações nos padrões de consumo.

Susana Fonseca apontou como objetivos a redução do consumo de proteína animal e a aposta numa "alimentação típica mediterrânica, com mais vegetais, leguminosas e mais fruta".

Salientou que o consumo de proteína animal dos portugueses ultrapassa "o recomendado pela própria Direção-Geral da Saúde". De acordo com os dados para Portugal, os cidadãos consomem três vezes mais carne do que se recomenda na roda dos alimentos, metade dos vegetais, um quarto das leguminosas e dois terços da fruta.

Defendeu ainda que a mobilidade sustentável está ao alcance com mais percursos a pé, de transporte público ou de bicicleta e privilegiando os meios de reunião por videoconferência em substituição de tantas viagens de avião.

A Zero recomenda ainda uma mudança da mentalidade "usar e deitar fora" para uma assente no princípio de "ter menos, mas de melhor qualidade".

Para isso, Susana Fonseca salientou que é preciso que os consumidores tenham escolhas sustentáveis que sejam acessíveis, para que deixe de acontecer como agora, em que mais sustentável equivale a mais dispendioso.

(S)

09
Mai21

Quénia protege animais selvagens (e vai contá-los um a um)

Niel Tomodachi

O Governo do Quénia anunciou a realização de um censo nacional da vida selvagem do país.

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O censo, o primeiro de sempre no Quénia, ajudará a “mudar o modelo de conservação que atenua os conflitos humanos com a vida selvagem, ao mesmo tempo que protege a subsistência das pessoas”, sublinhou o ministro queniano do Turismo e Vida Selvagem, Najib Balala.

A iniciativa irá abranger a contagem, entre outros, de mamíferos terrestres, mamíferos de água doce, mamíferos marinhos, aves, primatas ameaçados e répteis nas 47 províncias do Quénia.

Entre outros meios, os peritos utilizarão um helicóptero para assegurar um exame minucioso dos habitats da vida selvagem e assegurar que todos os animais visados sejam avistados e contados.

O censo arrancará na Reserva Natural das Colinas de Shimba, a cerca de 30 quilómetros de Mombaça, que conta com uma população de várias centenas de elefantes, entre outras espécies.

“A indústria do turismo será a maior beneficiária do censo porque poderemos saber o que temos e, portanto, melhorar a experiência do produto dos nossos visitantes”, considerou, por sua vez, a diretora do Departamento de Vida Selvagem, Safina Kwekwe.

O Serviço de Conservação da Vida Selvagem do Quénia (KWS) acredita que o recenseamento também irá melhorar a eficácia dos esforços de conservação, ao determinar o número de animais, incluindo espécies ameaçadas, e a sua localização exata.

Em 2020, o Quénia celebrou um marco de conservação, ao registar zero mortes de rinocerontes, como resultado de uma abordagem multissetorial da segurança dos animais e combate caça furtiva.

 

28
Abr21

Sustentabilidade: Estudo revela quem se preocupa mais com o planeta

Niel Tomodachi

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O mundo está a arder e nem sempre apenas num sentido figurado. Mas não são apenas os fogos a nossa única preocupação. Os oceanos vão crescer, as terras diminuir e a comida escassear. Na iminência de uma extinção, só nos resta questionar: ‘Porque é que isto está a acontecer?’.

Ora, nós sabemos bem o porquê. E a culpa é dos que continuam a não acreditar nas questões climáticas e, por isso, recusam-se a gestos tão simples e tão potentes como usar um saco de pano reutilizável sempre que vão ao supermercado. Tem dúvidas? A ciência está cá para as tirar.

Um psicólogo da Universidade Estadual da Pensilvânia (EUA) questionou 960 participantes sobre o que consideram ser ações masculinas e ações femininas. Questões básicas de cuidado ambiental como a separação de resíduos e posterior reciclagem, assim como o uso de sacos reutilizáveis, foram vistas como ações femininas. E pior: muitos homens confessaram evitar este tipo de comportamentos por temerem que a sua masculinidade ficasse em causa.

Com este estudo, publicado em 2019, não é difícil perceber porque é que a luta ambiental não tem ainda uma figura masculina – e aqui temos de excluir o Leonardo DiCaprio porque ele sozinho não faz milagres. Além disso, nenhum dos heróis com os quais crescemos se mostrou minimamente preocupado com o ambiente.

Tanto o Batman como o James Bond combatem o mal, mas, no que toca ao planeta Terra, pouco ou nada fazem. Facilmente agora percebemos o quão egoístas nós homens temos sido. Bem, os homens preocupam-se com algumas coisas e da forma mais correta, mas, por algum motivo, o interesse masculino está ainda muito longe de ter a ecologia e a sustentabilidade como centro de todas as suas atenções. E isso é triste, porque os homens perdem, as mulheres perdem, todos perdemos.

Aquilo pelo que os homens se interessam fervorosamente (como o futebol, o melhor óleo para a barba ou o suplemento que mais cuida dos músculos) pode ter os dias contados se não passarem a cuidar do ambiente.

Resta acreditar que tudo isto vai mudar para melhor e o primeiro passo passa por assistir a alguns dos discursos de Greta Thunberg. Com apenas 17 anos, esta jovem diz e faz o que todos os adultos já deviam estar a dizer e a fazer há anos. Na verdade, faz bem mais do que qualquer um de nós, não é verdade? E que tal juntar-se a ela?

(S)

26
Mar21

Elefantes africanos sob ameaça de extinção

Niel Tomodachi

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Os elefantes africanos encontram-se em risco crescente de extinção devido à caça ilegal de marfim e à perda do seu habitat, aponta o relatório da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) divulgado na quinta-feira.

As últimas avaliações da organização sublinham uma redução de mais de 86% na população de elefantes africanos das florestas nas últimas três décadas e de uma queda de pelo menos 60% nos últimos 50 anos entre os elefantes da savana, de acordo com o documento.

O relatório estima a existência de 415 mil elefantes nas savanas e florestas africanas que foram previamente avaliados como uma única espécie na Lista Vermelha da IUCN e classificados como "vulneráveis". Contudo, a organização decidiu tratá-los de forma separada após evidência genética de que são espécies distintas.

Os elefantes africanos sofrem quedas acentuadas em número desde 2008 devido a um aumento significativo da caça furtiva para recolher marfim, que atingiu o pico em 2011, mas continua a ameaçar as populações. A conversão contínua de habitats, principalmente para agricultura e outros usos da terra, também representa uma ameaça significativa para o maior animal terrestre do mundo, adverte a avaliação.

"Oitenta a 90% do nosso marfim vai para a Nigéria e acaba por financiar o Boko Haram, por isso esta é mesmo uma guerra transfronteiriça contra o crime organizado e até contra o terrorismo", afirma Lee White, o ministro da Água e Florestas do Gabão.

No entanto, medidas de conservação das espécies foram tomadas. "Transformámos biólogos em guerreiros, transformámos pessoas que se juntaram para observar os elefantes e trabalhar na natureza, nos parques nacionais, em soldados que foram para a guerra para garantir a sobrevivência dos elefantes", adiantou o ministro.

Além disso, a República do Congo também implementou medidas e, tal com no Gabão, verificaram-se resultados positivos. Na Área de Conservação Transfronteiriça do Okavango-Zambeze, na África Austral, o número de elefantes da savana também se mostrou estável ou em crescimento, salienta a União Internacional para a Conservação da Natureza.

"Os elefantes africanos desempenham um papel fundamental nos ecossistemas, nas economias e na nossa imaginação coletiva em todo o mundo", disse o diretor-geral da UICN, Bruno Oberle. "Precisamos de acabar urgentemente com a caça furtiva e garantir que habitat adequado suficiente para os elefantes da floresta e da savana seja conservado. Vários países africanos lideraram o caminho nos últimos anos, provando que podemos reverter o declínio dos elefantes, e devemos trabalhar juntos para garantir que o seu exemplo possa ser seguido", acrescentou.

A última avaliação da IUCN - a primeira de três atualizações anuais - avaliou 134.425 espécies de plantas, fungos e animais, dos quais mais de um quarto estão em perigo de extinção.

 

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