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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

07
Jun21

"Diário de um Médico no Combate à Pandemia" de Gustavo Carona

A missão mais difícil da minha vida

Niel Tomodachi

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Sobre o Livro:

Gustavo Carona já exerceu medicina em situações de máximo desespero, socorrendo populações dilaceradas pela guerra em alguns dos conflitos mais sangrentos do mundo - mas foi no Hospital de Matosinhos, onde trabalha diariamente, que viria a desempenhar a missão mais difícil da sua vida.

Especialista em cuidados intensivos e anestesiologia, o médico portuense traz-nos um testemunho em carne viva sobre a abnegação, o vincado sentido de dever e também o sofrimento dos profissionais de saúde ao longo da pandemia da covid-19.

Partindo do seu próprio caso, ao debater-se com a gestão de problemas pessoais, dores físicas constantes e um burnout que não apenas o afastou da sua unidade de cuidados intensivos como lhe trouxe um sentimento de frustração insustentável, Gustavo Carona faz um relato profundamente humano da angústia e do heroísmo de médicos, enfermeiros e auxiliares diante de um inimigo mortal que, além de invisível e desconhecido, não raras vezes pareceu incomensuravelmente mais poderoso do que a resistência mais árdua dos homens e os conhecimentos mais avançados da ciência.

 

Sobre o Autor:

Gustavo Carona nasceu no Porto em 1980. É médico anestesista e intensivista no Hospital de Matosinhos e dedica-se a missões humanitárias desde 2009. Já representou os Médicos Sem Fronteiras, os Médicos do Mundo e a Cruz Vermelha Internacional em zonas de carência humanitária extrema, como a República Centro Africana, o Sudão do Sul, Burundi, Afeganistão, Síria, Iraque, Iémen e Faixa de Gaza. Desde cedo que tenta dar voz às vidas que lhe passaram pelas mãos e a um mundo que poucos querem ver, apelando à humanidade global com a sua escrita nos media e redes sociais e com numerosas intervenções públicas. É autor dos livros 1001 Cartas para Mosul e O Mundo Precisa de Saber.

 

26
Mai21

Pandemia aumentou trabalho infantil e empurrou crianças para trabalhos perigosos

Niel Tomodachi

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O impacto económico da covid-19, associado ao encerramento de escolas e à falta de apoios sociais, fez aumentar o trabalho infantil em todo o mundo, empurrando crianças para trabalhos perigosos, alerta a organização Human Rights Watch (HRW).

Num relatório divulgado esta quarta-feira, em antecipação ao Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, que se assinala a 12 de junho, a organização centrou a sua análise no Gana, Nepal e Uganda, países com progressos significativos na redução da pobreza e do trabalho infantil e que assumiram o compromisso de erradicar este flagelo até 2025.

No documento de 69 páginas e intitulado "Não devemos trabalhar para comer: Covid-19, pobreza e o trabalho infantil no Gana, Nepal e Uganda", os investigadores examinaram o aumento do trabalho infantil e da pobreza e o impacto da pandemia de covid-19 nos direitos das crianças.

Muitas crianças sentem que não têm outra escolha senão trabalhar para ajudar as suas famílias a sobreviver

Testemunhos de crianças reproduzidos no relatório descreveram "longas e cansativas" horas de trabalho por pouco dinheiro depois de os pais terem perdido os empregos ou rendimentos, devido à pandemia de covid-19 e às restrições adotadas.

"Muitas crianças sentem que não têm outra escolha senão trabalhar para ajudar as suas famílias a sobreviver, mas um aumento do trabalho infantil não é uma consequência inevitável da pandemia", disse Jo Becker, responsável pela defesa dos direitos das crianças da Human Rights Watch.

"Governos e doadores devem aumentar os subsídios às famílias para manter as crianças longe do trabalho infantil e proteger os direitos das crianças à educação", acrescentou.

Foram ouvidas 81 crianças, algumas com apenas 8 anos, no Gana, Nepal e Uganda, e que trabalhavam em atividades como fornos de tijolos, fábricas de tapetes, minas de ouro, pedreiras, pescas e agricultura.

Havia também mecânicos, condutores de riquexós ou em trabalhos na construção, além de vendedores ambulantes.

Para a grande maioria, a pandemia e as restrições associadas afetaram "negativamente os rendimentos familiares", depois de os pais terem perdido o emprego devido ao encerramento de empresas, terem ficado sem acesso aos mercados devido à falta de transporte, ou terem perdido clientes devido a crise económica.

Muitas crianças entraram no mercado de trabalho pela primeira vez porque as famílias não tinham comida suficiente.

"Comecei a trabalhar porque estávamos tão mal", disse uma rapariga de 13 anos no Uganda, acrescentando: "A fome em casa era demasiada para nos sentarmos e esperarmos".

No Uganda e no Gana, as crianças carregavam sacos pesados de minério em locais de extração de ouro, esmagavam o minério com martelos, respirando pó e fumos de máquinas de processamento, e manuseavam mercúrio tóxico para extrair ouro do minério.

Há também registo de acidentes em pedreiras e de cortes profundos provocados pelos facões no corte de cana-de-açúcar.

Mais de um terço das crianças entrevistadas, em cada um dos países, trabalhava pelo menos dez horas por dia, sete dias por semana.

O relatório conclui que o encerramento de escolas contribuiu para um aumento do trabalho infantil em todo o mundo e que a maioria das crianças entrevistadas teve acesso limitado ou nenhum ao ensino à distância.

Consequentemente, perderam as refeições escolares gratuitas e muitas crianças abandonaram permanentemente a escola, enquanto outras continuaram a trabalhar mesmo após a reabertura.

Outro fator significativo do trabalho infantil, aponta o estudo, é a doença, deficiência ou morte de um dos pais.

"Centenas de milhares de crianças em todo o mundo perderam os pais e podem ser forçadas a tornar-se o principal assalariado da sua família", refere.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o número de crianças em trabalho infantil diminuiu aproximadamente 94 milhões entre 2000 e 2016, uma queda de 38%.

Em muitos países que reduziram com sucesso o trabalho infantil, os governos deram subsídios às famílias para reduzir a pressão sobre as crianças para trabalharem.

No entanto, 1,3 mil milhões de crianças - a maioria em África e na Ásia - não são abrangidas por estes programas de ajuda monetária.

"Para muitas famílias com crianças, a ajuda governamental em resposta à pandemia tem sido demasiado pequena para proteger os seus filhos de trabalhos perigosos e da exploração", disse Becker.

"Como milhões de famílias lutam financeiramente devido à pandemia, os subsídios em dinheiro são mais importantes do que nunca para proteger os direitos das crianças"", acrescentou.

(S)

28
Mar21

Seis ideias inspiradoras para ajudar adolescentes e jovens adultos a superarem a tristeza da pandemia

Niel Tomodachi

A fase entre os 18 e os 25 anos é uma das mais "agitadas", diz a ciência. Numa altura de longo período de pandemia e percebendo que adolescentes e jovens adultos estão especialmente vulneráveis, saiba como os ajudar a superar descontentamento e a eles próprios

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A fase entre os 18 e os 25 anos é uma das mais “agitadas”, diz a ciência. Tudo porque se procuram novos objetivos, experiências, sentimentos e nunca se está realizada. Aqui ficam seis ideias para sentir-se bem.

Experimente fazer tarefas onde pode ser útil. Faça voluntariado, procure ajudar numa associação de solidariedade, igreja que esteja perto de casa ou até num lar de pessoas mais velhas. Mostre-se disponível para ajudar.

Caso já o tenha feito, também pode inscrever-se em cursos online ou assistir a palestras nas redes sociais ou em plataformas como o YouTube. Assim, vai passar o tempo de forma instrutiva.

Seja produtivo na comunidade digital. Faça amizades ou estimule as mais antigas através de jogos, concursos, conversas em grupo sobre determinados temas ou crie conteúdos originais.

Nesta fase mais “agitada”, uma boa solução para passar o tempo é integrar as missões temporárias de solidariedade, mudando de país com uma organização para ajudar noutro local/destino que precise.

Adquira o hábito de fazer exercícios de respiração. Segundo o site francês Madame Figaro, estes podem ajudar nos momentos em que sentir maior ansiedade.

Durante o dia, faça três vezes a seguinte técnica de respiração: inspire fundo pelo nariz durante cinco segundos e expire em três segundos.

Pense de forma positiva. Insista. Vários cientistas defendem que o cérebro está programado para pensar, de forma intuitiva, nas coisas negativas. Por isso, experimente.

Antes de se deitar, faça uma sessão em que enumera os três melhores momentos do seu dia e agradeça. Sendo regular, este exercício pode contribuir para o cérebro habituar-se a pensar positivamente, tal com conta o site.

(S)

03
Fev21

Ar mais limpo devido à pandemia adicionou calor ao planeta

Niel Tomodachi

A Terra teve um pico de "febre" em 2020 por causa da redução de partículas, refere um novo estudo.

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Quando a pandemia começou, em 2020, no meio de todo o caos e drama sanitário e económico à escala planetária, parecia haver pelo menos uma boa notícia: a de que confinamento, imposto pelo controle dos contágios, teria baixado níveis de poluição em todo o mundo, transformado cidades outrora envoltas em smog num céu limpo e azul, trazendo espécies animais de volta a cidades e rios próximos.

No entanto, a verdade é que as temperaturas em zonas dos EUA, Rússia e China foram entre 0,3 e 0,37 graus Celsius mais altas durante um curto período de 2020, quando muitos países confinavam devido à pandemia e o ar estava mais limpo.

Segundo a Lusa, a citar um estudo publicado na terça-feira, 2 de fevereiro, na ‘Geophysical Research’. este pico de ‘febre’ na Terra observado em 2020 tem explicação, ironicamente ligada precisamente à baixa da poluição: terá sido causado pela diminuição de partículas de fuligem e de sulfato do escape dos carros e de carvão em chamas, que normalmente arrefecem de forma temporária a atmosfera, ao refletirem o calor do sol.

De uma forma geral, o planeta esteve cerca de 0,03 graus Celsius mais quente durante o ano passado porque a atmosfera tinha menos aerossóis de arrefecimento que, ao contrário do dióxido de carbono, é um tipo de poluição visível, refere o estudo citado também pela Associated Press.

“Limpar o ar pode aquecer o planeta porque a poluição (fuligem e sulfato) resulta num arrefecimento” que os cientistas do clima já conhecem há muito tempo, refere o principal responsável pelo estudo Andrew Gettelman, cientista atmosférico do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica. Os seus cálculos resultam da comparação do clima para 2020 com modelos de computador que simulam o que teria acontecido sem a redução de emissões provocada pelas medidas de confinamento impostas em muitos países do mundo.

Segundo Gettelman, este efeito de aquecimento temporário devido à redução de partículas foi mais forte do que o efeito da redução das emissões de dióxido de carbono, que retêm o calor. Tal deve-se, acrescenta, ao facto de o carbono permanecer na atmosfera por mais de um século enquanto os aerossóis permanecem no ar durante cerca de uma semana.

“O ar limpo aquece um pouco o planeta, mas mata muito menos pessoas do que a poluição do ar”, ressalvou no entanto Gettelman.

 

27
Jan21

Violência doméstica: 1/3 foi agredida pela primeira vez na pandemia

Niel Tomodachi

Alterações nos rendimentos levaram a mais episódios de violência doméstica durante a pandemia, sendo a mais frequente a de caráter psicológico. Três em cada dez inquiridos foi alvo de agressões, pela primeira vez, no confinamento

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Se, por um lado, a pandemia e as restrições foram o pretexto que levou especialistas a alertar para o facto de o primeiro confinamento ser a “lua de mel para o agressor” – o que lhe permitia controlar a vítima -, por outro lado, o recolhimento levaram a silêncios escondidos que preocupavam as autoridades. Mal as restrições foram levantadas, disparou o número de pedidos. Ou melhor, duplicou.

Agora, um estudo apresentado esta quarta-feira, 27 de janeiro, conclui que 1/3 das vítimas disse ter sido agredida pela primeira vez durante a pandemia.

Os resultados preliminares do estudo da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) indicam que são as mulheres quem mais refere ser vítima de violência doméstica (15,5%) durante este período, embora os homens também sejam vítimas (13,1%).

Profissão prejudicada pela pandemia levou a maior violência

“Este fenómeno, ainda que transversal a todos os grupos etários e níveis de escolaridade, tem especial relevo nos mais jovens e menos escolarizados. São também as pessoas que reportam dificuldades económicas ou cuja atividade profissional foi prejudicada pela pandemia quem mais refere ser vítima de violência doméstica”, sublinha a ENSP em comunicado.

O projeto de investigação “VD@COVID19” procurou analisar a violência doméstica psicológica, física e sexual autorreportada durante a pandemia, tendo para isso recolhido, entre abril e outubro de 2020, um total de 1.062 respostas a um questionário online dirigido à população.

“O desenho do estudo levou a uma maioria de respondentes com ensino superior, o que permitiu incluir grupos sociais que frequentemente têm menor participação em estudos de violência doméstica”, adianta a ENSP.

Os resultados indicam que, “em tempos de Covid-19, a ocorrência de situações de violência é uma realidade em Portugal com 15% dos participantes (159) a relatar ocorrência de violência no seu domicílio e um terço das vítimas (34%) disse ter sofrido violência doméstica pela primeira vez durante a pandemia“.

Violência psicológica lidera

O tipo de violência mais relatada é a psicológica, com 13% (138 participantes), seguindo-se a sexual, com 1% (11), e a física, com 0,9% (10), existindo coocorrência de diferentes tipos de violência.

Os investigadores referem que “a pandemia e o efeito das medidas de combate à propagação do vírus nos determinantes sociais e de saúde, como o agravamento das desigualdades socioeconómicas, nos consumos de álcool, medicamento e drogas e nos sentimentos de mal-estar e stress, potenciam o risco de violência doméstica”.

Segundo o estudo, a maioria das vítimas não procura ajuda nem a denuncia (72%), por a considerarem “desnecessária”, que “não alteraria a situação” e por se sentirem constrangidos com a situação.

Já os principais motivos para não ter denunciado a situação às autoridades policiais são que o “o abuso não foi grave” e “acreditar que as autoridades não fariam nada”.

As vítimas que procuraram ajuda fizeram-no maioritariamente junto de profissionais de saúde mental e, globalmente, avaliaram positivamente a resposta que receberam.

“Os resultados deste estudo apontam para uma complexidade na ocorrência de violência doméstica e de género em tempos de covid-19, pelo que existem pontos que carecem de maior aprofundamento, como por exemplo, o perfil de vítima e tipo de violência, novas vítimas, e distribuição geográfica”, afirma a coordenadora do estudo, Sónia Dias.

A investigadora adianta que “parece haver sinais de um aumento de casos não reportados oficialmente, considerando o facto de a grande das vítimas em tempos de covid-19 não ter procurado ajuda ou denunciado“, sendo por isso relevante continuar os esforços de recolha, análise e divulgação de dados, a sua caracterização e impactos, contribuindo para uma melhor definição de políticas públicas e planos de ação ao nível da prevenção e combate à violência doméstica.

Será também relevante, defendeu, #continuar os esforços para o planeamento e implementação de ações concretas de intervenção para o combate a todas as formas de violência doméstica e de género, bem como agilizar estratégias de proteção das vítimas em tempo de Covid-19, áreas que são acrescidas de maior dificuldade pelo contexto de pandemia”.

Existe uma relação entre ocorrência de violência doméstica em tempos de Covid-19 e histórico de vitimação, sendo que dois terços dos participantes (66%) já tinham sido vítimas anteriormente.

(S)

20
Dez20

Covid-19. Pandemia faz de 2020 um "ano do meio" na vida de muitos sem-abrigo

Niel Tomodachi

2020 é um "ano do meio" para Paulo, nem bom nem mau, porque já passou por muito pior e conseguiu ultrapassar, mas a pandemia afetou fortemente as pessoas sem-abrigo, deixou vidas suspensas e trouxe novos casos às associações.

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Na Cais, uma associação que trabalha junto de pessoas em situação de privação, exclusão e risco, social e economicamente vulneráveis, ainda se está a avaliar o impacto que a pandemia de covid-19 teve junto destas pessoas, mas já é possível saber que as consequências se sentiram sobretudo ao nível do isolamento, na saúde mental e nos seus rendimentos.

Além disso, revelou Gonçalo Santos, diretor técnico da associação, a pandemia trouxe novos rostos, pessoas que não recorriam anteriormente aos serviços da Cais, mas que precisaram de o fazer "porque viram-se, a si e à sua família, numa situação a que não estavam habituados".

"Tínhamos pessoas que nos chegavam numa situação de emergência e tínhamos também pessoas que nos chegavam já numa situação de desemprego e à procura de uma alternativa rápida para que a situação não se agudizasse", explicou.

Olhando para o número de pessoas apoiadas entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano, Gonçalo Santos adiantou que houve um aumento de cerca de 50% em termos de procura, uma tendência que tem vindo a diminuir ao logo do segundo semestre, "à medida que novas medidas e novas políticas entraram em vigor" e "à medida que as pessoas foram reorganizando a sua vida".

No início deste ano, Paulo estava desempregado, mas à espera de ser chamado para trabalhar num supermercado, "entretanto meteu-se isto da pandemia" e teve de ficar em casa juntamente com o companheiro, também ele vendedor da revista Cais.

Valeu-lhes a ajuda da associação, com dinheiro e alimentos, mas também dos vizinhos, um dos quais que até pagou a conta da luz.

Sem essa ajuda, admite, "se calhar passava fome", mas Paulo não é pessoa de baixar os braços porque já passou por "momentos muito piores", quando deixou a aldeia onde nasceu, perto do Bombarral, e partiu para Lisboa, onde andou "aos trambolhões" e ficou sem-abrigo.

"[2020] Não é um ano bom nem mau, é um ano do meio, para mim considero isso porque consegui ultrapassar tudo e isso é um fator que diz tudo", diz, recordando os tempos em que "queria dinheiro para comer e não tinha nem um euro".

Para se sustentar a si e à filha de 18 anos, João conta com a venda da revista Cais e os 280 euros que recebe de reforma por invalidez.

"Antes de aparecer isto da pandemia eu conseguia fazer mais ou menos em revistas 200 e tal euros. Agora, desde que isto entrou, nem metade eu consigo fazer, se fizer 100 euros é muito", lamentou.

Vende a revista há três anos e assume-se como "um homem muito feliz", que nunca perde a esperança.

"E não vou perder. Já passei momentos muito difíceis, piores do que o que estou agora a passar e não quer dizer que não esteja a passá-los, mas se consegui superá-los temos de conseguir viver um dia de cada vez", disse João.

Ainda assim, olha para 2020 como o pior ano da sua vida: "Para mim foi, nunca passei um ano com uma pandemia destas com a idade que eu tenho, não tem explicação"

No caso de Rui, a Cais surge como a oportunidade para fazer uma formação e encontrar um emprego, depois de haver estado inscrito no gabinete de emprego da Junta de Freguesia de Alcântara.

"Em fevereiro de 2020, este ano já, em princípio tinha sido escolhido para ingressar numa empresa, dei os meus dados, dei tudo, número de contribuinte, IBAN, só que entretanto começa a covid em Portugal e o que acontece é que foi tudo por água abaixo", contou.

Antes disso, respondeu a "centenas e centenas de anúncios" e já tinha ido a algumas entrevistas.

"Com a notícia de que tinha sido aprovado, obviamente que fiquei contente, só que, entretanto, gorou-se a expectativa", lamentou, acrescentando que até agora não foi possível encontrar outra oferta de emprego.

Não fosse a pandemia, "com certeza estaria a trabalhar e estaria mais descansado em relação ao futuro imediato, assim não".

De acordo com Gonçalo Santos, as ofertas de emprego diminuíram drasticamente como consequência da pandemia, mas ainda assim a CAIS conseguiu empregar 30 pessoas entre março e novembro, o que "representa cerca de um quarto" do total de pessoas apoiadas pela associação.

Normalmente quem chega à Cais passa por várias fases, desde integrar atividades educativas e ocupacionais, a ações de desenvolvimento pessoal e social, para depois integrarem o programa de capacitação e empregabilidade e conseguirem um emprego.

"O que aconteceu foi que muitas das pessoas que já estavam nesse processo de repente viram-se suspensas nas suas oportunidades de estágio, em alguns casos temporariamente, noutros ainda está suspensa a sua integração em posto de trabalho. E, portanto, para pessoas que fizeram um percurso longo e estavam prestes a entrar nesta reta final supermotivadas, isto teve um grande impacto porque na altura em que mais precisavam tudo parou", apontou o diretor técnico da Cais.

Segundo Gonçalo Santos, apesar de tudo, o setor social "respondeu bastante bem" às necessidades de quem precisou da sua ajuda e adiantou que a preocupação está agora no futuro próximo.

"Receamos que durante o próximo ano, quando um conjunto de medidas se alterarem, nomadamente quando as moratórias terminarem, que voltemos a ter um 'boom' na procura como aconteceu na última crise financeira e que de repente haja um aumento exponencial na procura dos nossos serviços e de um público alvo mais diferenciado, que terá mais competências, mas irá sofrer pela falta de ofertas que calculamos que irá haver", apontou.

Por enquanto, a CAIS acompanhou cerca de 130 pessoas no seu centro em Lisboa, cerca de 50% das quais são novos casos.

Apesar do aumento de novos casos, o número de pessoas e respetivos agregados familiares ajudados pela Cais deverá rondar os 600 no final do ano, aproximadamente o mesmo de 2019.

(S)

05
Dez20

Circulação entre concelhos é permitida no Natal — mas no Ano Novo já não

Niel Tomodachi

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou as medidas que vão estar em vigor durante as próximas semanas em Portugal.

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A partir da próxima quarta-feira, 9 de dezembro, entra em vigor o novo Estado de Emergência em Portugal. As medidas que vão estar vigor durante os próximos 15 dias foram apresentadas pelo primeiro-ministro, António Costa, no Palácio Nacional da Ajuda, na tarde deste sábado, 5 de dezembro. Foram também divulgadas as restrições que serão impostas no período do Natal e da Passagem de Ano, que são diferentes para as duas festas.

Entre os dias 23 e 26 de dezembro não haverá restrições à circulação entre conselhos, ao contrário do que se tem vindo a verificar nos últimas semanas em que houve feriados e pontes. A circulação na via pública no dia 23 a partir das 23 horas é permitida para quem se encontre em viagem. Já a 24 e 25 é permitida até às duas da manhã. No dia 26 voltam as restrições é preciso ficar em casa a partir das 23 horas.

Já os restaurantes nestes dias terão também os horários alargados. A 24 e a 25 de dezembro podem funcionar até à uma da manhã. Já a 26 só é permitido servir refeições até às 15h30, nos concelhos de risco muito elevado e extremo.

António Costa falou também nos riscos que esta celebração acarreta e pediu que sejam tomadas algumas precauções. “Evitar muita gente e muito tempo sem máscara, confraternizações em espaços fechados, pequenos e pouco arejados. Que seja um Natal de partilha, mas que nessa partilha não esteja o vírus numa circulação involuntária para que todos estejamos em família e em segurança.”

E no Ano Novo? 

Já no Ano Novo as restrições voltam a apertar. Não pode haver circulação entre concelhos entre a meia-noite de 31 de janeiro e as cinco da manhã de 4 de janeiro. Na Passagem de Ano pode haver circulação na via pública até às duas da manhã e no dia 1 é permitido estar fora de casa de casa até às 23 horas.

Os restaurante podem  trabalhar na noite de Passagem de Ano até à uma da manhã. Já no primeiro dia do ano só poderão servir refeições até às 15h30. De qualquer forma, estão proibidas festas públicas ou abertas ao público, e ajuntamentos na via pública com mais de seis pessoas.

“Janeiro e fevereiro são meses com maior frio e picos do vírus da gripe e é necessário chegar nas melhores condições para evitarmos uma terceira fase gravosa de Covid-19”, continuou António Costa.

Ainda assim, estas medidas serão reavaliadas a 18 de dezembro, uma semana antes do Natal, para perceber se a tendência das últimas semanas em relação ao número de contágios se mantém favorável e se não é preciso “puxar o travão de emergência”, como explicou o primeiro-ministro.

Já durante os próximos dois fins de semana, serão mantidas as mesmas medidas que até agora estão em vigor, a circulação na via pública a não ser permitida a partir das 13 horas.

“A evolução evidencia bem que as medidas que têm sido adotadas têm produzido efeitos na redução de números e na diminuição da evolução de novos casos por semana”, explicou António Costa. Contudo, “continuamos com um número de internados elevado, dos cuidados intensivos e também do número de óbitos. É fundamental mantermos as medidas”, continuou.

 

11
Nov20

Museus, monumentos e palácios abertos aos fins de semana — com entrada grátis

Niel Tomodachi

Tendo em conta as medidas de recolher obrigatório, os espaços só irão funcionar durante a manhã.

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O horário de abertura dos Museus, Monumentos e Palácios Nacionais, aos fins de semana, passa a ser entre as 10 e as 13 horas, com entradas gratuitas, anunciou esta quarta-feira, 11 de novembro, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC). 

Citada pela Lusa, a DGPC justifica este novo horário com o contexto das regras de confinamento em vigor e lembra que última entrada nestes equipamentos, aos sábados e domingos, é às 12h30. Além disso, “tendo em conta a significativa alteração das condições de visita, devido à redução de horário, estabelece-se gratuitidade a título extraordinário nos fins de semana”.

A DGPC tutela 156 museus agregados na Rede Portuguesa de Museus, e os monumentos e palácios nacionais, como os palácios da Ajuda e de Mafra e o Castelo de Guimarães.

Alguns museus de Lisboa e do Porto tinham também anunciado a decisão de reduzir o horário ou encerrar totalmente, nos fins de semana, em resposta às novas regras de confinamento, em vigor até 23 de novembro, para combater a pandemia Covid-19.

O Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Belém, Lisboa, optou por encerrar totalmente nos dois próximos fins de semana — dias 14 e 15, e 21 e 22 de novembro —, mas durante a semana mantém o horário diário das 11 às 19 horas. O Museu Gulbenkian, nos dois próximos fins de semana, estará aberto das 9h30 às 12 horas e as exposições temporárias “Esculturas Infinitas” e “René Lalique e a Idade do Vidro” podem ser vistas durante o mesmo horário.

Quanto ao Museu Coleção Berardo, em Belém, vai encerrar aos sábados e domingos, às 13 horas, com última entrada às 12h30, e as atividades para adultos e famílias, previstas para esses fins de semana, passam a ser realizadas em novos horários indicados no sítio ‘online’ do museu. No Porto, o parque e museu da Fundação de Serralves também só estarão abertos durante a manhã, nos fins de semana do confinamento.

09
Nov20

Bélgica declara livrarias como lugar de “primeira necessidade”. Não fecharão durante a pandemia

Niel Tomodachi

Além das farmácias, supermercados e hospitais, o país da Europa Ocidental tem declarado que as livrarias são também um espaço de primeira necessidade para que se mantenham em funcionamento face a uma nova quarentena.

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Embora a pandemia de coronavírus parecesse quase algo do passado na Europa, uma nova onda de infecções atingiu a região e alguns países já se preparam para um novo confinamento com a chegada do rigoroso inverno europeu.

Mas, apesar de uma nova quarentena significar o encerramento das atividades de todas as instalações ou lojas que não sejam essenciais, para a Bélgica a opção de incluir as livrarias como um local de “primeira necessidade” é mais do que válida. Aqui nós contamos os motivos.

Ao declarar o livro um “bem essencial” , o país quer garantir o acesso das pessoas aos livros durante todo o confinamento, para não perder aquela ligação que muitos belgas têm com a leitura e principalmente com os cuidados de saúde mental.

Convencidos de que a leitura ajuda a enfrentar as angústias ou a falta de planos e rotinas provocados pela pandemia do coronavírus, em um novo cenário de crise sanitária, a Bélgica decidiu contribuir com a saúde mental de sua população permitindo o funcionamento de livrarias durante a crise.

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“Parece-nos essencial proporcionar cuidados (…) para a saúde mental de todos os belgas. A cultura tem um papel enorme nisso”, afirmaram após o anúncio que permitirá a cada cidadão ter acesso, através de uma licença exclusiva, a locais que comercializam livros.

“O livro corresponde a uma necessidade clara em um período de angústia, de incertezas, que cada qual remete à sua própria mortalidade, à precariedade da existência”, disse o governo do primeiro-ministro Alexandre de Croo.

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Também já foi anunciado que esta nova etapa contará com um “confinamento mais severo” do que a anterior e que envolverá o fechamento de bares e restaurantes, a recomendação de home office e o toque de recolher entre a meia-noite e as cinco da manhã. No entanto, a possibilidade de ir atrás de um livro estará sempre disponível.

 

Source

02
Nov20

Óbidos Vila Natal foi cancelado devido à pandemia

Niel Tomodachi

O evento estava previsto entre 27 de novembro de 2020 e 3 de janeiro do próximo ano.

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Há quem vá apenas de vez em quando, mas também quem faça deste evento uma tradição familiar. O que é certo é que o Óbidos Vila Natal deste ano, que estava marcado para acontecer entre 27 de novembro de 2020 e 3 de janeiro do próximo ano, foi cancelado. 

É com pesar que declaramos o que tem sido uma realidade dos eventos nos últimos meses: o Óbidos Vila Natal está cancelado, por virtude da pandemia. Mas vamos celebrar o Natal em Óbidos”, escreveu a organização na página oficial de Facebook.

Contudo, garantem que a vila será decorada para que o espírito natalício seja um presente para todos. “Estamos a projetar, para as famílias, momentos únicos numa das épocas mais importantes do ano. Partilhe o Natal connosco. Aguarde novidades”.

Nos comentários multiplicam-se os elogios pela “decisão sensata”e “mais acertada”. “Vamos todos acreditar que em 2021 Óbidos Vila Natal será uma realidade”, escreve outra pessoa.

O evento, que decorre há vários anos, costuma ter uma roda gigante, exposições, parque de neve artificial, além da típica ginginha e dos doces, como o popular pão de ló de chocolate.

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