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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

19
Ago22

Orientação sexual e identidade de género: como compreender e acolher os miúdos?

Niel Tomodachi

“Mãe, sou não-binário!”. Que quer isto dizer, afinal? Para compreender melhor, fomos falar com quem percebe do assunto.

Aos poucos vamo-nos apercebendo, enquanto pais e adultos, que a identidade de género e a orientação sexual são percebidas de forma muito diferente hoje em dia do que eram quando nós eramos adolescentes.

Hoje, o género não tem apenas um número finito de opções, mas parece ser como um espectro de variações. Também na sexualidade parece haver uma maior liberdade e aceitação das diferentes escolhas. Muitas crianças e adolescentes manifestam-se abertamente apoiando a causa LGBT+ e preocupam-se muito com a homofobia.

 

Como esta é uma realidade diferente da que conheceram na sua infância e juventude, os pais podem sentir-se perdidos na melhor forma de entender e comunicar com os seus filhos. Foi a pensar neste desafio que falámos com a Inês Mota, Psicoterapeuta, Terapeuta de Casal e Familiar na Associação Casa Estrela do Mar, e com a M. Joana Almeida, Psicóloga clínica e terapeuta sexual no Centro de Desenvolvimento Infantil Diferenças.

Aprendemos muito, e queremos partilhá-lo convosco. Leiam e partilhem também com outros pais!

Em que idade é definida a identidade de género? 

Quando falamos de identidade de género falamos da identificação íntima e pessoal com o género e que pode corresponder ou não ao género atribuído à nascença.

Desde a infância que as crianças percebem as diferenças anatómicas e iniciam a aprendizagem dos papéis, atitudes e comportamentos de género. A identificação com o género inicia-se assim na infância e é importante que desde esta fase seja dado espaço às crianças para expressarem e explorarem  as suas expressões de género (papeis, atitudes e comportamentos).

 

Assim, não há uma idade  definitiva e final, mas sim um processo de exploração e crescimento que é progressivo e até pode mesmo ser fluído e vir a ter mudanças que nos parecem grandes e inesperadas mais tarde.

(Em conversa ouvimos uma mãe contar que a sua filha lhe disse que alguns dos colegas da sua filha eram não binários. A mãe desvalorizou, na sua opinião são miúdos que só querem ser diferentes, ou identificar-se com um grupo. Afinal, o que é ser não binário?)

 

O que é ser não binário?

O termo não binário refere-se às pessoas que não se identificam necessariamente como pertencendo a um dos géneros, ou seja a sua identidade de género vai para além do binómio masculino/feminino, sendo possível que se identifiquem com ambos os géneros ou mesmo com nenhum.

Pode ser confuso hoje em dia sentir tanta liberdade de auto-determinação e diversidade em função do género, mas os adultos e os jovens não tiveram sempre uma distância entre si e em como viam o mundo?! Desvalorizar e tratar como se fosse uma moda só vai afastar mais os pais, mães e outros adultos dos jovens e das suas vivências.

 

Como é que podemos ajudar as crianças no seu processo de inclusão?

Importa olhar para o masculino e feminino não como polos padronizados e opostos mas mais como um continuum de possibilidades ao longo do qual cada um de nós se pode identificar e expressar em termos de género.

Assim, é importante que durante o desenvolvimento  as crianças ou adolescentes possam explorar e expressar as suas expressões de género e a  sua individualidade, (não sendo condicionados  a modelos de género pré-concebidos).

Os adultos próximos também poderão abordar de forma positiva as questões de identidade e expressão de género de forma a que os/as jovens sintam a segurança de ser aceites, sintam a possibilidade de fazer um coming out familiar (se e quando o  quiserem fazer), e se sintam valorizados enquanto pessoas, para além do género e das suas expressões.

Importante também que os adultos procurem estar presentes ,atentos e disponíveis numa postura de abertura, promovendo momentos de diálogo e expressão de sentimentos.

Criando contextos de partilha, diálogo, expressão de sentimentos num ambiente de respeito mútuo os pais estão a favorecer modelos saudáveis de comunicação  e a contribuir para um contexto familiar de integração. É ainda importante que as figuras parentais possam apoiar a criança ou jovem no que for necessário, procurando também perceber e respeitar a forma como preferem ser tratados bem como a utilização de pronomes mais ajustada.

Sabemos que quem explora a sua diversidade sexual e de género com apoio familiar o faz de maneira mais saudável, mais protegida de discriminações e com maior satisfação – seja qual for o destino a que chega ao longo da sua juventude e como adulto. O amor incondicional das famílias é muito valioso nesta descoberta e como ferramenta de resistência e proteção pessoal dos riscos sociais existentes de discriminação e violência.

 

Como ajudar os adultos a entenderem e aceitarem?

É importante os pais saberem que é natural terem dúvidas e preocupações relativamente à diversidade de comportamentos e expressões de género das crianças e adolescentes e terem consciência de que precisarão de tempo para se adaptar à nova realidade e que também eles estão em processo de adaptação, durante o qual poderão atravessar diferentes estados emocionais também naturais aos processos de adaptação. Poderá ainda acontecer que os vários elementos familiares se adaptem de formas e em ritmos diferentes mas é importante que saibam que poderão conhecer-se melhor neste caminho e saír mais coesos enquanto família.

Por vezes observa-se a tendência de auto-culpabilização dos pais pelo percurso dos filhos, mas a afirmação dos filhos relativamente à sua identidade e expressão de género e orientação sexual não contém em si nada de negativo, como apenas diz respeito à individualidade destes.

Desenvolver e adoptar uma atitude positiva relativamente à orientação sexual e expressão de género dos seus filhos e filhas é importante e para tal os pais poderão recorrer ao apoio de instituições ou profissionais especializados nestas temáticas que os ajudem no esclarecimento de questões e na desconstrução de crenças e preconceitos.

Para os ajudar nesse processo poderão também frequentar grupos de pais ou falar com pais que tenham atravessado situações semelhantes. A AMPLOS tem ajudado muitas famílias a compreender melhor a sua situação e os caminhos que podem tomar através de um apoio de pares. 

Procurar informação rigorosa e científica pode igualmente ajudar, mas tendo em atenção as fontes de onde se bebe, pois há muita informação online que é pouco fiável e enganadora.

É importante que se valorize a confiança e a abertura como meios para a inclusão da família e dos pais no crescimento e nas descobertas que o adolescente está a viver no amor ou nas relações.

 

Com que idade é definida a orientação sexual?

A orientação sexual refere-se à atracção sentida (física, afectiva, emocional e sexual) em termos do género relativamente ao género do próprio.

Na adolescência, fase importante da experimentação sexual dão-se alterações biofisiológicas, psicológicas e sociais expressivas e é também na puberdade ou adolescência que se observa uma especificação da orientação sexual embora a percepção da orientação sexual também possa ocorrer na idade adulta (podendo haver ainda um desfazamento temporal entre a percepção da orientação sexual e a revelação da mesma).

Assim, a orientação sexual é melhor entendida em termos de um processo que se desenvolve ao longo da vida do que um evento que ocorre num momento determinado.

Os adolescentes são muito curiosos sobre os diferentes tipos de orientação sexual: falam de ser gay, bi, assexual e aromantic, pansexual…

Porque é isto tão importante para eles? Haverá uma necessidade de se encaixarem num modelo?

Estas orientações sexuais são fluidas, no sentido em que podem experienciar alguma orientação e mais tarde terem outra orientação?

A adolescência é a fase mais activa da exploração e afirmação da identidade, o que engloba a exploração da identidade sexual, e as terminologias também podem ser entendidas como buscas de expressões por parte dos jovens que melhor definam e expressem a sua orientação sexual.

A adolescência como fase de exploração e experimentação da vida tem realmente esta necessidade de encaixar num modelo, de pensar que o seu modelo é melhor que os outros? Quem nunca pensou que “os outros” se vestem mal, ouvem a música errada e ainda não perceberam como resolver os problemas do mundo?!

Neste momento, e na nossa cultura ocidental, europeia, global a auto-determinação em função do sexo e género é fundamental. Os jovens de hoje cresceram num mundo em que as minorias sexuais e género têm uma visibilidade nunca antes vista, têm direitos humanos defendidos e implementados e acedem a uma igualdade que a história não oferecia antes. É natural que os jovens de hoje sejam mais sensíveis à homofobia e transfobia e que se zanguem com uma sociedade que ainda não é inteiramente respeitadora e inclusiva. 

Mas não são só os jovens que podem ter orientações e identidade fluídas e mostrarem mudanças ao longo da vida- também acontece aos adultos. 

Associamos categorias de identidade à orientação sexual, mas talvez fosse mais correto pensarmos as nossas vivências afetivas e relacionais como menos deterministas e mais livres. Talvez as grandes perguntas não sejam “o que sou?” mas “onde estou?” no que toca à diversidade de género. 

 

 Como é que os pais devem lidar com a orientação sexual dos filhos de forma a ajudá-los a terem uma vida plena e realizada?

É importante que os pais e mães consigam promover espaços de diálogo nos quais os adolescentes se sintam seguros para partilhar e expressar as suas opiniões e sentimentos e se sintam aceites para fazer um coming out. 

É relevante também que os pais e mães adoptem uma postura de abertura, compreensão, valorização e aceitação das opiniões e expressões emocionais dos filhos procurando não as desqualificar ou criticar.

Os pais podem procurar informação e ajuda especializada para esclarecerem dúvidas, desconstruírem crenças e preconceitos e desenvolverem e transmitirem a mensagem de que as pessoas com orientações sexuais minoritárias podem ter vidas plenas e realizadas.

Apesar de nos processos de adaptação os pais poderem precisar do seu tempo para digerir as suas emoções é importante que não se adopte uma postura de silêncio sobre o tema, que não se culpabilize a criança ou jovem pelas adaptações familiares e que se continue a conseguir momentos de vivências afectivas familiares.

Relativamente aos namoros dos filhos com orientações sexuais minoritárias é importante que os pais procurem agir de forma semelhante à adoptada nas relações amorosas dos irmãos.

No processo geral é importante que os pais contribuam para que os filhos lidem de forma positiva com a orientação sexual e identidade de género e que estes se sintam aceites, seguros de si e preenchidos em termos de auto-estima, num contexto de tanta importância como o familiar. Os pais e mães estão assim a contribuir para que os seus filhos ou filhas se tornem mais resilientes para lidar com situações mais desafiantes provocadas por fatores de stress externos.

 

Também seria interessante pensar como a Escola tem um papel importante na informação dos jovens e na sua proteção contra a descriminação, não?

A colaboração com a escola é fundamental para a integração social dos jovens que pertencem a minorias sexuais de género e muitas vezes são os encarregados de educação que a promovem, mantêm e fazem as escolas evoluir e descobrir como intervir. Mas isto seria um outro artigo…

 

Texto /Source by https://pumpkin.pt/

28
Jun22

Livre quer criminalizar "práticas de conversão" da orientação sexual e acabar com "vazio legal"

Niel Tomodachi

Em causa está a punição por "práticas de conversão" da orientação sexual que vão desde multas a penas de prisão até três anos.

Livre propõe alteração de Código Penal sobre "práticas de conversão" da orientação sexual

O Livre vai entregar um projeto de lei para proibir e criminalizar as "práticas de conversão" da orientação sexual em Portugal, argumentando que está na altura do país "acabar com o vazio legal nesta matéria".

Num projeto de lei ao qual a agência Lusa teve acesso, o partido representado na Assembleia da República pelo deputado único, Rui Tavares, propõe que seja acrescentado ao Código Penal um artigo específico sobre este tipo de práticas, definindo que "quem praticar, promover ou publicitar quaisquer práticas ou tratamentos que visem a repressão ou modificação da orientação sexual, identidade de género ou expressão de género de qualquer pessoa é punido com pena de prisão até três anos ou com pena de multa, se pena mais grave lhe não couber".

De acordo com o mesmo artigo, "não são puníveis as práticas, tratamentos ou serviços de afirmação da expressão de género ou identidade de género devidamente consentidas, como por exemplo o recurso a tratamento hormonal e acompanhamento médico", a tentativa das práticas de conversão "é punível" e o procedimento criminal "não depende de queixa".

O Livre defende ainda que se este tipo de prática for levada a cabo por um "profissional de saúde, psicólogo ou profissional educativo será definida como sanção acessória a proibição de exercício da profissão por não menos de cinco anos".

"Caso o autor do crime seja titular de responsabilidades parentais sobre a vítima, o exercício das responsabilidades parentais deverá ser revista, avaliada e decidida pelo tribunal a continuação ou perda parcial ou total da guarda parental, desde que o superior interesse da pessoa menor seja sempre assegurado e a sua segurança e bem-estar sejam garantidos", acrescentam.

Esta força política quer ainda que no artigo 177º do Código Penal, sobre 'agravação' de crimes, que a pena prevista para este tipo de casos seja "agravada em metade" numa situação em que "a vítima seja pessoa particularmente vulnerável em razão de deficiência física ou mental, doença, menoridade, gravidez, condição de vítima de violência doméstica, condição de migrante ou requerente de asilo ou situação económica ou social".

O mesmo se aplica se da prática em causa "resulte gravidez, ofensa à integridade física grave, perigo de vida, suicídio ou morte da vítima".

O partido sugere também uma alteração à lei do direito à autodeterminação da identidade de género e expressão de género e à proteção das características sexuais de cada pessoa, acrescentando um número ao artigo 2º desta lei onde se passaria a ler que é "proibido praticar, recomendar ou publicitar práticas que visem a repressão ou modificação da orientação sexual, identidade de género ou expressão de género de qualquer pessoa".

Na exposição de motivos, o partido define 'práticas de conversão' como "quaisquer práticas ou tratamentos físicos e/ou mentais, independentemente da pessoa ou entidade que o façam, que tenham o intuito de reprimir e/ou modificar a orientação sexual, identidade de género, expressão de género de uma pessoa, colocando em causa o bem-estar e a saúde física e/ou mental da vítima".

O Livre recusa assim o termo "terapias de reconversão", explicando que "a palavra 'terapia' se refere a tratamentos, métodos ou procedimentos para curar ou tratar doenças, lesões ou distúrbios psíquicos, o que não é compatível com as posições e pareceres internacionais e nacionais da comunidade médica e civil sobre a orientação sexual e identidade de género ou expressão de género".

"Está na altura do Estado português, e à semelhança dos exemplos positivos já implementados no Canadá, França, Alemanha, Malta, Suíça, alguns estados dos EUA, entre outros, acabar com o vazio legal nesta matéria e criminalizar as "práticas de conversão", garantindo também o devido apoio e proteção de todas as pessoas afetadas, em concordância com os direitos fundamentais consagrados pela Constituição da República Portuguesa, com os pareceres e posições das várias entidades médicas e civis relevantes", vincam.

No passado dia 17 de maio, também o Bloco de Esquerda submeteu ao parlamento um projeto de lei que visa criminalizar este tipo de práticas.

 

17
Mai22

Quatro em cada cinco alunos LGBTQ preferem não revelar orientação sexual aos professores

Niel Tomodachi

Estudo da Universidade do Porto revela que grande parte dos alunos LGBTQ preferem não revelar a sua orientação sexual aos professores ou funcionários da escola. Investigação mostra ainda como tópicos relacionados com pessoas lésbicas, gays ou bissexuais ou com bullying homofóbico e transfóbico ou sobre aceitação da população LGBTQ ainda estão fora das salas de aula. Um em cada 10 alunos desta inquérito sofreu alguma tentativa de conversão da sua orientação sexual.

Quatro em cada cinco alunos LGBTQ preferem não revelar orientação sexual aos professores

Um inquérito feito por uma equipa do Centro de Psicologia da Universidade do Porto, e citado esta terça-feira pelo jornal Público, revela que quatro em cada cinco alunos LGBTQ (lésbica, gay, bissexual, transgénero, queer ou em questionamento), de minorias sexuais e de género, preferem não revelar a sua orientação sexual aos professores ou funcionários.

O mesmo trabalho revela que estes jovens são mais vezes vítimas de bullying do que os colegas heterossexuais ou cisgénero.

Questionados sobre a quem é que, na escola, os jovens contaram que são LGBTQ, 81% dos estudantes responde que nunca contou a nenhum professor ou funcionário e apenas 3,3% contaram a todos ou à maior parte dos adultos da escola.

Já entre colegas os números revelam mais confiança com 37% dos jovens a afirmar que tinha dito a toda a turma ou à maior parte, sendo que o valor baixa para 13% quando se colocam outras turmas na equação.

Relativamente ao grupo de amigos, 43,8% jovens LGBTQ afirmaram que todos sabiam, mas 27,4% contou a apenas alguns ou a nenhum amigo.

Para além destes números o inquérito evidencia ainda um problema na hora de levar os temas relacionados com a comunidade LGBTQ. Três em cada cinco estudantes dizem nunca ter aprendido nas aulas sobre bullying homofóbico e transfóbico ou sobre aceitação da população LGBTQ.

Mais: 40,6% nunca ouviram nas aulas tópicos relacionados com pessoas lésbicas, gays ou bissexuais, e 54,2% afirma que nunca foram abordados assuntos relacionados com pessoas transgénero. E ainda 56,3% dos alunos dizem que as aulas de educação sexual não abordaram a existência de diferentes orientações sexuais.

Os dados preliminares deste relatório revelam ainda outra realidade, a de que cerca de um em cada dez jovens LGBTQ já sofreu alguma tentativa de conversão da sua orientação sexual. Dos quase 700 alunos que responderam identificar-se como não heterossexuais, 8,6% foram vítimas de algum tipo de tentativa de mudança da orientação sexual: em oito casos foi conduzida por um profissional de saúde, em 15 casos por um líder religioso e em 44 casos por outra pessoa, maioritariamente um membro da família.

Este relatório faz parte de um estudo alargado sobre diversidade sexual e de género nas escolas, que foi aplicado também em Itália, Espanha, Grécia, Eslovénia, Letónia, Croácia, Irlanda, Áustria, França e Reino Unido no âmbito de um projeto europeu coordenado pela Universidade de Ghent, na Bélgica.

 

04
Abr22

Filipe Branco: "O meu livro pode ser um farol para muitas pessoas"

Niel Tomodachi

‘Deixa-me ser’ é o título do livro que Filipe Branco publicou em 2016 e que, agora, tem apresentado em várias escolas secundárias no âmbito da consciencialização para orientação sexual e identidade de género.

Filipe Branco: "O meu livro pode ser um farol para muitas pessoas"

Filipe Branco abraçou o desafio de passar as suas emoções para o papel já há cinco anos. Foi em 2016 que percebeu que a sua “história tinha valor e merecia ser contada”, o que, em conjunto com a paixão pela escrita, o levou a falar abertamente de temas como a homofobia, rejeição parental e suicídio.

Embora admita que teve “algum receio de expor demasiado essa parte”, tanto pessoal como familiar, decidiu conversar com a família sobre o que o livro aborda antes de tornar pública “esta história tão íntima”. ‘Deixa-me ser’ pretende passar a mensagem de que “nada está perdido” retratando o percurso de um jovem que alerta para o perigo da homofobia: “A homofobia mata”, confessou Filipe, explicando: “Quase morri porque o peso de ser quem era, e a não aceitação, fez com que essa me parecesse a única saída”.

“Penso que o meu livro pode ser um farol para muitas pessoas e espero que o seja”, revelou o escritor ao partilhar como foi difícil com o pai, como o facto de terem diferentes educações interferiu com a sua relação e aproximação. Em conversa com o Notícias ao Minuto, Filipe admitiu que o pai “precisava de tempo”, visto ter crescido “num meio pequeno”, o que “não o ajudou a compreender tudo tão rapidamente”.  

“Este período da minha vida teve um final feliz”, contou, revelando ser essa a sua maior motivação para se expressar através de um livro. A narrativa, que começa com a rejeição do pai, que não “aceitava ou entendia” a sua homossexualidade, sofre uma reviravolta e mostra uma mudança. “Foi esse conto de esperança que quis partilhar com os meus leitores”, exprimiu Filipe ao esclarecer que “mais pessoas passaram pelo mesmo e outros estarão a passar”. 

Notícias ao Minuto
© D.R. 

Apesar de reconhecer que, “felizmente somos dos países da Europa e do mundo com mais leis aprovadas a favor dos direitos de pessoas LGBTI”, recorda que “as leis não mudam mentalidades de um dia para o outro” e “ainda existe muito preconceito”, que se sente, nas suas palavras, através de “um crescimento de ideias mais radicais e preconceituosas de certos partidos políticos”. 

Contudo, o escritor pensa que esta tendência irá diminuir com a ajuda de personagens LGBTI em séries de televisão, cinema, livros e videojogos, o que “também tem ajudado bastante na visibilidade”.

 

Integrar a educação LGBTI nas escolas

Como crescer no interior fez com que Filipe sentisse “falta de falar sobre estes assuntos”, o escritor tem direcionado a apresentação do seu livro para escolas em zonas do país que “habitualmente não estão tão abertas a estas coisas”, tendo já marcado presença em várias no concelho de Torres Novas, bem como em bibliotecas e associações no Porto e Lisboa.  

Notícias ao Minuto

Escola Secundária Jacome Ratton em Tomar© D.R.

 

Filipe pensa que “é muito importante chegar a professores, alunos e alunas”, de forma a “passar esta mensagem de aceitação, de que o bullying homofóbico, e qualquer tipo de bullying, nas escolas só tem consequências negativas”. Na sua ótica, é necessário, desde cedo, abordar “o caminho da inclusão” para criar “um ambiente melhor nas escolas, na vida e na sociedade em geral”. Debater esta informação permite que os estudantes tenham oportunidade de participar nas sessões de esclarecimento sobre o tema: “Desde que comecei com estas atividades nas escolas, em 2016, sinto que os alunos e alunas estão muito mais informados”, contou.

(S)

 

08
Out21

AR aprova por unanimidade proibição da discriminação na doação de sangue

Niel Tomodachi

O Parlamento aprovou hoje por unanimidade a proibição da discriminação dos dadores de sangue em função da orientação sexual, numa votação sem surpresas do consenso manifestado no debate de quarta-feira.

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As propostas do PS, BE, e da deputada não inscrita Cristina Rodrigues reuniram os votos favoráveis de todos os partidos e deputadas não inscritas. Já a iniciativa do PAN, recebeu a abstenção do CDS-PP, e o apoio dos restantes.

Os diplomas seguem agora para discussão e aprovação em especialidade, na comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, ficando depois a faltar a votação final global.

Já na quarta-feira, quando as iniciativas estiveram em discussão, os partidos políticos com assento parlamentar concordaram na necessidade de proibir a discriminação na doação de sangue em função da orientação sexual e da identidade de género e defenderam que se fechasse de vez a porta à questão.

As propostas, apresentadas na sequência de denúncias sobre situações que persistem, da esquerda à direita do hemiciclo, preveem também a realização de campanhas de sensibilização e formação para os profissionais de saúde, e de uma campanha anual de incentivo à dádiva de sangue por parte de jovens e ao esclarecimento da população sobre a importância de doar sangue e dos critérios de elegibilidade.

Em março, a Direção-Geral da Saúde atualizou a norma que define os critérios de inclusão e exclusão de dadores de sangue, determinando que a triagem clínica "é feita de acordo com os princípios da não-discriminação".

O Instituto Português do Sangue arquivou este mês três processos de inquérito a profissionais por alegadas práticas discriminatórias na doação de sangue de homens homossexuais, entendendo não haver factos que justifiquem infração disciplinar.

 

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