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Little Tomodachi (ともだち)

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07
Out22

ONG Memorial distinguida com Nobel em momento de repressão na Rússia

Niel Tomodachi

A organização não-governamental russa Memorial, co-distinguida com o Prémio Nobel da Paz, revelou ao longo das últimas três décadas purgas estalinistas e atos de repressão na Rússia contemporânea, além de ter sido vítima do regime de Vladimir Putin. 

ONG Memorial distinguida com Nobel em momento de repressão na Rússia

Durante o último inverno, a justiça da Rússia decretou a dissolução do organismo por alegadas violações da controversa lei sobre os "agentes estrangeiros", que levou a uma vaga de condenações com críticas e protestos no estrangeiro. 

A condenação do grupo Memorial, encarado como um pilar da sociedade civil russa e símbolo da democratização da década de 90, após a queda da União Soviética, ocorreu poucas semanas antes da última ofensiva contra a Ucrânia, no passado mês de fevereiro. 

Mais recentemente, o Kremlin aumentou a repressão contra os membros do grupo que criticam a campanha militar em território ucraniano, ameaçando-os com pesadas penas de prisão efetiva.  

Fundada em 1989, a organização não-governamental continuou a desafiar o regime e foi alvo de represálias, incluindo assassinatos, de acordo com a agência France Presse. 

Dos crimes estalinistas às campanhas de terror na Chechénia, a organização, criada por dissidentes soviéticos - entre os quais o Prémio Nobel da Paz, Andrei Sakharov, ganhou prestígio pelo rigor das investigações, que visaram também os grupos paramilitares russos atualmente destacados na Síria. 

Paralelamente, a Memorial mantém listas de presos políticos, garante assistência aos reclusos, aos emigrantes e aos elementos das minorias sexuais perseguidos na Rússia. 

Foi sobretudo pelo trabalho que realizou na Chechénia, república do Cáucaso onde se travaram duas guerras, que a organização não-governamental (ONG) se fez conhecer no estrangeiro, recebendo o Prémio Shakarov do Parlamento Europeu, em 2009. 

Durante os dois conflitos na Chechénia, os colaboradores da ONG mantiveram-se no terreno, documentando as ações dos soldados russos e dos apoiantes locais.  

"O poder ainda hoje nos detesta por isso", disse à France Presse (AFP) em novembro do ano passado a historiadora Irina Chtcherbakova, uma das fundadoras da organização.  

Em 2009, a responsável da ONG na Chechénia, Natalia Estemirova, foi raptada e executada com um tiro na cabeça, em Grozny. 

O dirigente tchetcheno, Ramzan Kadyrov, um apoiante do ataque do Kremlin contra a Ucrânia, foi acusado de responsabilidade no assassinato de Estimorova e apontado como "inimigo do povo" pelos membros da ONG. 

Em 2018, o responsável local da Memorial em Grozny, Oioub Titiev, foi acusado num caso de estupefacientes, que segundo a ONG foi orquestrado pelas autoridades, para acabar definitivamente as atividades da Memorial em território tchetcheno.    

De acordo com os fundadores, a Memorial iniciou atividades muito antes da criação oficial do organismo, em 1989.

O objetivo do grupo era identificar e prestar homenagem às milhares de vítimas esquecidas da repressão soviética e do Gulag (Administração do Sistema de Campos de Prisioneiros da União Soviética). 

Nas décadas de 60 e 70 do século XX, vários ativistas começaram a recolher de forma clandestina informações sobre os crimes soviéticos mantendo as ações de forma aberta durante o período da Perestroika, na década de 80, altura em que o país foi dirigido por Mikhail Gorbachev.

"A Memorial é herdeira de um movimento e é uma organização que não deixou de gritar bem alto que seria um perigo deixar desaparecer da consciência coletiva a memória da ditadura", disse a historiadora, Irina Chtcherbakova. 

Após a chegada de Vladimir Putin ao poder, no ano 2000, as investigações da ONG tornaram-se mais difíceis de levar a cabo porque o Kremlin passou a defender uma interpretação da História que minimiza os crimes da época soviética. 

Durante o processo de dissolução da ONG, o procurador russo Alexei Jafiarov, acusou a Memorial de "criar uma imagem falsa e mentirosa da URSS, transformando-a num Estado 'terrorista'" ao mesmo tempo que "reabilitava os crimes nazis". 

A Memorial tem denunciado outras formas de pressão contra si.

Um dos historiadores que investiga as purgas do estalinismo na Carélia (noroeste da Rússia), Yuri Dmitriev, foi condenado no passado mês de dezembro a 15 anos de prisão num processo de "violência sexual", uma acusação que diz ser falsa. 

No passado mês de abril, após o início da campanha militar contra a Ucrânia, Oleg Orlov, um dos dirigentes históricos da Memorial, disse à AFP que estava a viver "o período mais sombrio" de sempre. 

"O que se passa agora não é comparável ao que se passava antes (...) um país deita abaixo o sistema totalitário mas regressa ao totalitarismo", disse Orlov, que faz parte da ONG desde a década de 80 e é autor de várias investigações sobre o envolvimento militar soviético no Afeganistão (1979-1989).

O Prémio Nobel da Paz 2022 foi hoje atribuído a Ales Bialiatski, da Bielorrússia, e às organizações de defesa dos direitos humanos Memorial, da Rússia, e Centro de Liberdades Civis, da Ucrânia, anunciou o Comité Nobel Norueguês.

Ales Bialiatski, 60 anos, atualmente preso na Bielorrússia, fundou a organização Viasna (Primavera) em 1996, para ajudar presos políticos e as suas famílias, na sequência da repressão do regime do Presidente Alexander Lukashenko.

O Centro de Liberdades Civis foi criado em Kiev, em 2007, para fazer avançar os direitos humanos e a democracia na Ucrânia.

 
 
30
Jan21

"Black Lives Matter" indicado para nomeação de Nobel da Paz

Niel Tomodachi

O movimento que nasceu nos Estados Unidos foi indicado para a nomeação do Prémio Nobel da Paz de 2021. O deputado socialista norueguês, que enviou a proposta do "Black Lives Matter" ao Comité, destaca a "grande conquista no aumento da consciência global e da consciência sobre a injustiça racial".

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"Acho que um dos principais desafios que vimos na América, mas também na Europa e na Ásia, é o tipo de conflito crescente baseado na desigualdade", escreveu Petter Eide, deputado norueguês, citado pelo jornal "The Guardian". De acordo com o político, o "Black Lives Matter" ("As Vidas Negras Importam") conseguiu que os protestos contra o racismo e violência policial contra negros fossem disseminados além da América e um pouco por todo o mundo.

De facto, desde 2013, e após a morte do afro-americano George Floyd no ano passado, asfixiado por um agente da polícia, o movimento ganhou fôlego em vários países e levou milhares de pessoas às ruas. A contestação foi de tal forma global que "todos os grupos da sociedade" mobilizaram-se na luta contra a desigualdade social, algo que o deputado norueguês considera que "nunca foi feito".

"Black Lives Matter" foi criado há oito anos por Alicia Garza, Patrisse Cullors e Opal Tometi em protesto contra a morte de Trayvon Martin, de 17 anos, alvejado a tiro por George Zimmerman, um segurança que foi absolvido do caso de homicídio.

O movimento ganhou reconhecimento público nos EUA em 2014, mais uma vez, em manifestações contra a morte de dois afro-americanos, Michael Brown e Eric Garner. O protesto global do movimento foi notório em 2020, ano da pandemia, em sequência das mortes de George Floyd e Breonna Taylor.

As indicações para nomeações do Nobel da Paz podem ser submetidas por qualquer político a exercer um cargo nacional. Para tal, têm de escrever um texto com duas mil palavras, onde explicam as razões da escolha de determinada personalidade, instituição ou movimento. O prazo das submissões termina a 1 de fevereiro, depois o Comité do Nobel terá de reduzir a lista. O vencedor será escolhido em outubro.

 

09
Out20

Programa Alimentar Mundial, das Nações Unidas, vence o Nobel da Paz de 2020

Niel Tomodachi

O prémio Nobel da Paz de 2020 foi atribuído ao Programa Alimentar Mundial, das ONU. "Não deixem o Programa Alimentar Mundial sem fundos", apelou a presidente do comité à comunidade internacional.

O prémio Nobel da Paz de 2020 foi atribuído esta sexta-feira de manhã ao Programa Alimentar Mundial, das Nações Unidas. A escolha foi feita no espírito da defesa dos princípios da cooperação internacional e do multilateralismo, que a presidente do Comité do Nobel da Paz diz que “não é respeitado hoje”.

O prémio Nobel da Paz foi atribuído a esta agência das Nações Unidas “pelos seus esforços no combate à fome, pelo seu contributo para melhorar as condições pela paz em zonas atingidas por conflitos e por agir como uma força motriz nos esforços para prevenir o uso da fome como uma arma de guerra e de conflito”.

“A fome é uma das armas mais antigas de conflito no mundo”, disse Berit Reiss-Andersen, presidente do comité, em respostas aos jornalistas no local. “Quem tem controlo sobre a comida também controlo militar, tem controlo dos civis e também pode usar a insegurança alimentar como um método para expulsar populações dos seus territórios ao queimar-lhes as quintas e aos destruir-lhes infraestruturas.”

Berit Reiss-Andersen disse ainda que esta atribuição que serve como um “apelo à comunidade internacional”, com uma mensagem clara: “Não deixem o Programa Alimentar Mundial sem fundos. Todos os países do mundo têm a obrigação de garantir que as pessoas não passam fome”.

“Há uma relação entre o aumento da fome e a pandemia. Há uma estimativa do Programa Alimentar Mundial que, perante o orçamento que têm hoje, haverá 265 milhões de pessoas a passar fome dentro de um ano”, adiantou ainda Berit Reiss-Andersen.

Nobel volta a premiar orgão das Nações Unidas, em defesa do multilateralismo

A crítica ao isolacionismo e a defesa do diálogo e cooperação internacionais têm sido apostas constantes do Nobel da Paz, que no século XXI já atribuiu o prémio quatro vezes ao universo das Nações Unidas e as suas agências: em 2001, à própria ONU; em 2004, à Agência Internacional de Energia Atómica; em 2007, ao Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas; e, agora, em 2020, ao Programa Alimentar Mundial.

Esta sexta-feira, Berit Reiss-Andersen fez uma defesa declarada do multilateralismo e da cooperação internacional, naquilo que pode ser interpretado como uma crítica velada ao isolacionismo defendido pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, e à sua política de “América Primeiro”.

“A pandemia também nos mostrou que a cooperação multilateral é absolutamente necessária para combater desafios globais. E parece que o multilateralismo não é respeitado hoje em dia”, apontou. “O Comité do Nobel quer completamente dar ênfase a este aspeto”, acrescentou, referindo mais à frente que “as Nações Unidas desempenham um papel fundamental na defesa dos padrões humanitários no mundo, direitos humanos e cooperação multilateral”.

Apesar disso, os EUA são os maiores contribuidores para o Programa Alimentar Mundial — em 2019, contribuiu com mais 2 mil milhões de euros para este fundo, num total de 6,8 mil milhões disponíveis.

Esse foi, de resto, o maior contributo que um só país deu ao Programa Alimentar Mundial desde pelo menos 1998, de acordo com os dados disponíveis no site daquela agência da ONU que, desde 2017, é dirigida pelo norte-americano David Beasley, antigo governador republicano da Carolina do Sul e apoiante de Donald Trump.

A contrastar, está a postura de Washington D.C. perante a Organização Mundial de Saúde — primeiro com a suspensão de fundos e, depois, com a retirada dos EUA daquele organismo para o qual era, também, o maior contribuinte.

Num ano marcado pela pandemia da Covid-19, a Organização Mundial de Saúde (OMS) era a favorita das casas de aposta para receber a distinção. Não tão bem cotados, mas ainda assim dados como possíveis vencedores, surgiram também outros nomes, como a ativista contra as alterações climáticas Greta Thunberg ou o co-fundador da Microsoft e filantropo Bill Gates.

Num vídeo publicado na conta oficial do Nobel do Paz, o vice-presidente do comité, Henrik Syse, explicou que a pandemia teve alguns, mas ainda assim poucos, efeitos na maneira como aquele grupo de seis pessoas se preparou para decidir quem é o vencedor deste ano.

“Creio que a Covid-19 afetou quase toda a gente em todo o planeta, mas nós continuámos a fazer o nosso trabalho como de costume”, disse. “Felizmente somos só seis pessoas no comité. Podemos ir para outra sala, se for necessário, para termos mais distanciamento entre cada um, que foi o que fizemos nalgumas reuniões. Mas as nossas atividades têm acontecido como de costume.”

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