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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

19
Set22

The Trash Traveller, a viagem com um sentido

Niel Tomodachi

É alemão, anda de bicicleta mapa de Portugal acima e abaixo e largou a biomedicina para chamar a atenção para… o lixo.

Foto: The Thrash Traveller

Andreas Noe é, acima de tudo, um tipo bem disposto. Intitula-se The Trash Traveller, canta “canções ridículas” e faz sorrir as pessoas. Pelo caminho, espera consciencializá-las para a luta que o move: acabar com o consumo de plástico de uso único.

Encontrámo-lo em Matosinhos, no âmbito do Travel Fest da Associação de Bloggers de Viagem Portugueses, à maegem do qual fez o que mais gosta: limpar praias.

Foto: The Thrash Traveller

Formado em biomedicina, conheceu Portugal através do surf e depressa percebeu que uma país com tão generosa costa se torna diariamente num recetáculo do lixo do Mundo.

Desistiu da carreira e da sua Alemanha, agarrou na carrinha que é sua casa e desatou a percorrer Portugal atrás de plástico. Com um ukelele que lhe foi oferecido por um viajante que cruzou algures às costas, a cantar num português delicioso letras tão parvas que só podem ficar na memória.

Foto: The Thrash Traveller

Objetivo: fazer passar a mensagem: “Sou um viajante de lixo, com um ukelele de lixo, tenho uma voz de lixo e canto canções de lixo”, conta Andrea, entre duas músicas. Uma delas é uma adaptação simples da Casa Portuguesa que Amália eternizou. Em versão lixo, claro.

“Não é porque o lixo seja pior em Portugal do que noutro lugar, mas porque adoro Portugal!”, ressalva o ativista, que se diz “chocado com o que os homens estão a fazer ao Planeta”.
Foto: The Thrash Traveller

Até então avesso às redes sociais, percebeu que usá-las ajudaria a luta a que se entregou. Andou 160 dias a recolher uma tonelada de plástico e a partilhar 160 vídeos e fotografias castiças, até um frigorífico apanhou e da porta fez uma “prancha de surf”.

Percebeu que não era suficiente e resolveu dedicar dois meses seguidos a descer por areais do Minho ao Algarve: em 832 km juntou 1,62 toneladas de lixo e centenas de pessoas e associações e ONGs e conquistou um movimento em plena pandemia.

Até que um dia foi recebido ao fim do dia por um senhor a agraciá-lo com água… numa garrafa de plástico de uso único. “OK, tenho de alterar a mensagem”, compreendeu. Tinha de convencer as pessoas a largar de vez o plástico.

E partiu à cata do item de plástico que mais se descarta para a Natureza: beatas de cigarro. Em dois meses, recolheu, com mais de 600 pessoas e 70 ONGs, 1,1 milhão de beatas em 38 cidades e praias. E fotografou-se deitado e coberto delas em “obras de arte efémeras”.

“Não se trata de limpar, trata-se de alterar a raiz do problema”, explica Andreas, que lançou uma campanha em defesa da implementação de um sistema de depósito para embalagens.

Foto: The Thrash Traveller

Pegou num quadro de bicicleta velho e em peças de 14 bicicletas descartadas, construiu a “Rosa” e deu a volta a Portugal e, 2370 km a explicar às pessoas que o Mundo tem materiais e coisas que cheguem e não precisa de fabricar mais e que o plástico só vai parar à Natureza “porque não tem valor”.

Apanhou 4599 garrafas e latas e documentou tudo com imagens no Instagram e lançou uma petição com várias ONGs que têm lutado nessa questão há anos e que espera vir a entregar ao Governo português. Para dar valor ao que é descartável e fazer perceber, pelo dinheiro, que pode ser reutilizado. Porque só 10% do plástico acaba reciclado em Portugal.

Foto: The Thrash Traveller

13
Set22

O percurso para pedalar pelo Douro e perder calorias enquanto admira paisagens incríveis

Niel Tomodachi

Pedalar fortalece o coração, contribui para reduzir o colesterol mau, tonifica as coxas e os glúteos e, ainda por cima, é relaxante.

Treinar não significa apenas passar horas no ginásio, correr mais de 10 quilómetros ou caminhar durante 30 minutos todos os dias. Existem formas de manter a forma e praticar exercício físico que permitem, ao mesmo tempo, descobrir alguns dos locais mais incríveis de Portugal. Pedalar com as magníficas paisagens do Douro como cenário é uma das alternativas.

Pedalar não só é bastante relaxante, como também queima centenas de calorias. Mas há mais: fortalece o coração, contribui para reduzir o colesterol mau, pode ajudar com as dores nas costas e ainda tonifica as coxas e os glúteos.

A rota do Pico em Mesão Frio é uma das preferidas de muitos ciclistas aventureiros. O percurso é feito ao longo de 12 quilómetros através de montes, vinhedos, aldeias e caminhos ancestrais por algumas das paisagens mais incríveis do Douro. Mas atenção: o trilho tem várias subidas e descidas íngremes, por isso não deve ser feito por principiantes.

O trajeto é circular e o ponto de partida e chegada é no Largo da Independência, situado no centro da vila de Mesão Frio. Para dar início ao passeio basta seguir as direções até encontrar o miradouro de São Silvestre, um dos pontos mais interessantes da rota, oferece uma vista privilegiada sobre o rio e as vinhas. Serve também de referência para saber que se encontra no caminho certo. A partir deste ponto volta a descer por um caminho irregular, entre as vinhas. Depois é só continuar a seguir as indicações que o irão levar ora por estradas, ora por caminhos em terra batida. Passará ainda por uma pequena aldeia antes de chegar novamente a Mesão Frio.

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Conhecida pelo santuário de "Nossa Senhora dos Remédios", com a sua enorme escadaria de 686 degraus Lamego é também um dos locais para pedalar. O percurso começa exatamente no santuário e tem lugar cerca de 48 quilómetros feitos por estradas locais, passando também por pequenas aldeias. Saindo de Lamego em direção à Régua, a cerca de 12km de descida, no meio das vinhas da estrada Nacional 2 que atravessa Portugal de Norte a Sul e é atualmente uma das atracões turísticas do nosso País.

 

S. Leonardo da Galafura

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Este percurso começa e termina numa aldeia a 4 quilómetros da Régua. O percurso, quase sempre no meio de vinhedos e algumas aldeias, mostra o Douro de uma forma única. A passagem pelo miradouro São Leonardo de Galafura permite-lhe ter uma vista fantástica sobre o vale do Douro. Junto ao miradouro há um restaurante onde se pode comer qualquer coisa opcionalmente. Após o miradouro, começa uma descida deslumbrante em direção ao rio Douro. O percurso tem cerca de 57 quilómetros e a dificuldade é moderada.

 

Grande Rota do Vale do Rio Côa

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Tal como o nome indica esta é uma das maiores toas da região. Composta por 222 quilómetros de trilhos este percurso liga a nascente, localizada nos Fóios (Sabugal), à foz, no concelho de Vila Nova de Foz Côa. Pelo caminho pode parar para admirar algumas paisagens de cortar a respiração. O Parque Arqueológico do Vale do Côa e o Douro Vinhateiro são dois dos destaques da parte final desta grande Rota, que alia na perfeição Natureza e Património. A terceira e última etapa deste percurso liga a aldeia de Quinta Nova, no concelho de Pinhel, às imediações do Museu do Côa.

 

Passeadouro da Folgosa

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Também conhecida como Ecovia do Douro, este percurso situa-se mesmo junto ao rio que lhe deu o nome. O passeadouro em Aramar foi criado no âmbito da obra de consolidação do talude que suporta a estrada nacional 222 e tem cerca de um quilómetro de extensão. É uma das rotas mais fáceis de fazer, mesmo para iniciantes ou com os miúdos.

 

São João das Arribas

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Esta rota estende-se ao longo de oito quilómetros. O ponto de partida é junto ao posto de turismo de Miranda do Douro e a chegada tem uma vista incrível no miradouro de São João das Arribas. O percurso é quase sempre feito em solo plano e existem apenas algumas subidas e descidas.

 

Rota das vinhas

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Este percurso passa pelo coração do Douro Vinhateiro, São João da Pesqueira. Com partida e chegada junto à sede da Junta de Freguesia de Ervedosa do Douro, a rota tem aproximadamente 25 quilómetros e um nível de dificuldade considerado elevado. Entre socalcos e vinhas o passeio é feito através de paisagens sublimes.

 

Rota pelo Pinhão

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Esta rota oferece um passeio de bicicleta ao longo do rio Douro entre a Régua e Pinhão pela estrada N222, considerada uma das mais belas estradas do mundo. Durante o passeio, opcionalmente, é possível visitar uma adega e fazer uma prova de vinhos.

 

30
Ago22

Degelo na Gronelândia elevará nível do mar em 27 centímetros, o dobro do previsto

Niel Tomodachi

A camada de gelo da Gronelândia, que está a derreter rapidamente, irá acabar por elevar o nível global do mar em pelo menos 27 centímetros, mais do dobro do que anteriormente previsto, segundo um estudo publicado esta segunda-feira.

27 centímetros são mais do que o dobro do aumento do nível do mar que os cientistas esperavam com o degelo

Este efeito pode ser causado pelo chamado "gelo zombie", ou "gelo condenado", que, embora ainda preso a áreas mais espessas de gelo, já não é "reabastecido" por glaciares próximos que agora recebem menos neve.

Sem este "reabastecimento", o "gelo condenado" está a derreter com as alterações climáticas e inevitavelmente irá elevar o nível do mar, salientou William Colgan, especialista do Serviço Geológico da Dinamarca e da Gronelândia e coautor do estudo.

"É gelo morto. Vai derreter e desaparecer da camada de gelo. Este gelo será enviado para o oceano, independentemente do cenário climático que adotemos agora", realçou Colgan em conferência de imprensa.

O autor principal do estudo, Jason Box, especialista em glaciares da Gronelândia, alertou que a situação é estar "com um pé para a cova".

Os inevitáveis 27 centímetros apontados pelo estudo são mais do que o dobro do aumento do nível do mar que os cientistas esperavam com o degelo na Gronelândia.

A investigação, publicada na revista Nature Climate Change, aponta que pode chegar a 78 centímetros.

Por outro lado, o relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) do ano passado projetou um alcance de 06 a 13 centímetros para o provável aumento do nível do mar, pelo derretimento do gelo da Groenlândia, até o ano 2100.

Neste trabalho, os cientistas olharam para o gelo em risco. Em perfeito equilíbrio, a queda de neve nas montanhas da Gronelândia desce, recarrega e engrossa as laterais dos glaciares, equilibrando o que está a derreter.

Mas, nas últimas décadas, há menos "reabastecimento" e mais degelo, o que cria um desequilíbrio.

Os autores do trabalho analisaram a proporção do que está a ser adicionado ao que está a ser perdido e calcularam que 3,3% do volume total de gelo da Gronelândia irá derreter, sem que importe o que aconteça no mundo com a redução da poluição por carbono, salientou Colgan.

Mais de 120 triliões de toneladas de gelo já estão fadadas a derreterem, devido à incapacidade do manto de gelo reabastecer as laterais.

"Esta é uma perda muito grande e terá um efeito prejudicial nas costas de todo o mundo", destacou David Holland, da NYU, que regressou recentemente da Gronelândia, mas não faz parte da investigação.

Esta é a primeira vez que os cientistas calculam uma perda mínima de gelo - e o aumento do nível de mar que causa - para a Gronelândia, uma das duas enormes camadas de gelo do planeta.

As duas estão a diminuir lentamente devido às alterações climáticas decorrentes da queima de carvão, petróleo e gás natural.

O 'timing' é uma questão sem resposta no estudo. Os investigadores frisaram que não podem estimar o momento do degelo do 'gelo condenado', mas apontaram que será "dentro deste século", embora não o assumam concretamente.

 

29
Ago22

Soluções baseadas na natureza geram renovação urbana mais verde

Niel Tomodachi

Embora a natureza seja boa para o corpo e para a mente, estão a ser adotadas soluções baseadas na natureza em projetos de renovação urbana de modo a mitigar os efeitos das alterações climáticas e criar comunidades mais saudáveis.

Cascais e Porto são duas das cidades onde estão implementados os projetos

Os longos confinamentos durante a pandemia do coronavírus vieram recordar-nos do poder restaurador da natureza para o corpo e para a mente. Ainda assim, voltar a conectar as pessoas com a natureza, particularmente nas cidades, tem sido o foco de vários projetos de investigação europeus desde muito antes da pandemia de covid-19, há quase três anos. Estes projetos estão a utilizar soluções dadas pela natureza para enfrentar desafios fundamentais a nível económico, ambiental, sanitário e social, numa tentativa de melhorar as condições de vida nas zonas urbanas em geral.

Reúnem as cidades europeias para traçar caminhos em busca de um sistema socioeconómico mais sustentável e para melhorar o bem-estar. Vejamos, por exemplo, Dortmund, na Alemanha, Turim, na Itália e Zagreb, na Croácia. Fazem parte de um projeto para acrescentar vegetação rica em biodiversidade às áreas urbanas e para criar recursos ambientais benéficos a nível económico.

"Não se trata apenas de plantar uma árvore", afirma Axel Timpe na Universidade RWTH de Aachen, na Alemanha. "É a formação de um sistema vivo que cria resultados produtivos". Timpe está a coordenar o projeto proGIreg, que aborda o desafio da regeneração pós-industrial através da criação de laboratórios vivos em áreas urbanas. Dortmund, na região central industrial de Rhine-Ruhr, na Alemanha, foi em tempos um centro siderúrgico. Turim, na sombra dos Alpes, abriga a que foi a maior fábrica de automóveis do mundo em Lingotto, agora em grande parte desativada. Zagreb, a capital da Croácia, possuía a maior exploração de suínos do mundo e uma grande fábrica de enchidos, ambas agora extintas.

Embora com uma estética, geografia e história diferentes, as três cidades enfrentam alguns desafios semelhantes. Na ausência de espaços verdes de alta qualidade, estas áreas sofrem desvantagens sociais e económicas.

 

Cultivo urbano

Neste contexto, um dos objetivos do projeto tem sido transformar um aterro sanitário num parque urbano, em Dortmund. Esta área está a ser limpa e estão a ser plantadas árvores, recorrendo a painéis solares para gerar energia e cultivando prados de flores silvestres.

O projeto está também a promover a agricultura urbana com particular ênfase para os peixes e plantas, um sistema de produção alimentar conhecido como aquaponia. Esta combinação de piscicultura (aquacultura) e de cultivo de plantas sem solo (hidroponia) utiliza menos terreno do que a agricultura tradicional.

As plantas são regadas com a água da aquacultura rica em nutrientes através de uma antiga forma de produção alimentar que desempenha agora um novo papel nas áreas urbanas. Ao trabalhar com habitantes locais, os sistemas de aquaponia do projeto tornam a produção alimentar local mais viável a nível económico.

A cidade de Turim cedeu terrenos a voluntários para abrir uma quinta urbana num bairro pós-industrial, onde têm lugar diversas atividades.

Os voluntários alugam parcelas para as pessoas utilizarem como jardins e a aquaponia é utilizada para cultivar ervas aromáticas de alta qualidade para os restaurantes locais. Há um jardim para pessoas com necessidades especiais. No local são também oferecidas aulas de cozinha e jardinagem.

 

Contar com a natureza

O objetivo geral destes projetos é tornar as nossas cidades locais melhores para viver recorrendo a "soluções baseadas na natureza". Isto significa contar com a natureza para enfrentar as maiores ameaças da nossa época, incluindo ameaças à segurança alimentar, água, biodiversidade, saúde humana, economia e ao clima.

O exemplo clássico da utilização de SBN é a plantação de árvores tropicais conhecidas como mangais ao longo da costa da Papua Nova Guiné, para evitar a erosão na costa. Outro exemplo é a instalação de telhados verdes em Malmö, na Suécia, utilizados para arrefecer edifícios no verão e evitar a perda de calor no inverno, bem como um sistema de drenagem de solos abertos, lagoas ricas em biodiversidade e zonas de transbordo, o que ajuda a melhorar a drenagem, reduzindo o risco de inundações.

Os investigadores estão a ver além das soluções técnicas, abordando questões delicadas, como o papel das comunidades locais na conceção e implementação de SBN e a melhor forma de combinar várias soluções baseadas na natureza.

Com as cidades de Dortmund, Turim e Zagreb como pioneiras, o projeto proGIreg está a trabalhar com várias cidades para aproveitar as lições aprendidas até ao momento. Estas são Cascais, em Portugal, Cluj-Napoca, na Roménia, Pireu, na Grécia e Zenica, na Bósnia e Herzegovina.

Timpe e a sua equipa estão a produzir um catálogo de modelos de negócios que podem ajudar a população local a manter as atividades em funcionamento de forma sustentável.

Foco social

Outro projeto que desenvolve soluções baseadas na natureza é denominado URBiNAT, que está a trabalhar inicialmente com três cidades: Sófia (Bulgária), Nantes (França) e Porto (Portugal).

O URBiNAT tem um foco social particularmente forte. Numa fase posterior, deverão aderir Bruxelas, na Bélgica, Siena, em Itália, Høje-Taastrup, na Dinamarca, Nova Gorica, na Eslovénia, bem como outros locais. As pessoas que vivem na periferia destes locais não têm acesso a bons empregos e apresentam elevadas taxas de absentismo escolar.

"Muitas vezes, também se sentem muito desligados da cidade onde vivem", considera Gonçalo Canto Moniz no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, em Portugal, ao falar dos residentes da comunidade. Coordena o URBiNAT juntamente com Isabel Ferreira, Nathalie Nunes e Beatriz Caitana.

O seu projeto procura expandir o conceito de SBN para que este inclua a componente da natureza humana. Concretamente, isto traduz-se no desenvolvimento de estratégias como os mercados locais, onde o foco não é tanto o cultivo de árvores e plantas, mas sim a promoção de um sentido de comunidade. Também encontram formas de misturar o natural com o social, como um jardim de inverno que também funciona como uma sala de aula ao ar livre.

Corredores de saúde

Canto Moniz e a sua equipa inspiraram-se no conceito de "corredores verdes", áreas de terra devolvidas à natureza para que animais e insetos possam circular livremente. Querem explorar aquilo a que denominaram "corredores saudáveis", para ligar bairros desfavorecidos. Até ao momento, o projeto criou um catálogo completo de SBN de grande alcance, desde hortas comunitárias aos muros verdes, nas cidades pioneiras.

A tecnologia aérea é utilizada para recolher provas dos resultados. Serão utilizados drones equipados com câmaras de imagem térmica para determinar a redução das temperaturas ao nível da rua resultante das árvores recém-plantadas e outras áreas verdes. Os inquéritos realizados aos habitantes da região irão comparar o seu bem-estar socioeconómico antes e depois das SBN serem colocadas em prática. Os projetos de Canto Moniz e de Timpe iniciaram ambos em 2018 e terminarão no próximo ano, embora as suas SBN não tenham datas de conclusão.

A investigação neste artigo foi financiada pela UE. Este artigo foi originalmente publicado na Horizon, a Revista de Investigação e Inovação da UE. 

 

29
Ago22

Agora é a Gronelândia que quer controlar fluxos de cruzeiros

Niel Tomodachi

Com a chegada cada vez mais regular de turistas à Gronelândia, atrás de icebergues e paisagens naturais de cortar a respiração, as autoridades começam a estudar formas de controlar os fluxos para proteger o frágil ambiente, já severamente ameaçado pelo aquecimento global.

“É um destino de sonho”, admite Yves Gleyze à AFP, francês na casa dos 60 e veterano das viagens afastadas das multidões, acabado de aterrar em Ilulissat.

À chegada à terceira cidade do território autónomo pertencente à Dinamarca, os visitantes deparam-se com uma paisagem austera de pedra cinza e quase nenhuma vegetação. Mas basta uma curta viagem de carro para se espantarem com icebergues gigantescos.

Despegado do glaciar de Ilulissat, no fiorde vizinho, o majestoso bloco de gelo deriva com vagar pela Baía de Disko, entre baleias ocasionais.

Um icebergue a flutuar na Baía de Disko, em Ilulissat (Odd ANDERSEN / AFP)

 

Um barco navega entre icebergues na Baía de Disko Bay, em Ilulissat (Odd ANDERSEN / AFP)

Este postal atraiu 50 mil turistas 2021, dez vezes mais do que o número de habitantes da cidade. Mais de metade limita-se a uma curta paragem durante um cruzeiro pelo Ártico.

E espera-se que os números disparem com a abertura de um aeroporto internacional dentro de dois anos, um impulso bem acolhido para os rendimentos da ilha, mas também um desafio, dado o delicado – e a derreter – ecossistema.

 
Icebergues na Baía de Disko, em Ilulissat (Odd ANDERSEN / AFP)

 

Uma vista sobre icebergues a flutuar em direção à Baía de Disko, em Ilulissat (Odd ANDERSEN / AFP)

“Os icebergues estão a ficar mais pequenos”

O Ártico aqueceu quase quatro vezes mais depressa do que o resto do Planeta nos últimos 40 anos, revelam os mais recentes estudos científicos. “Podemos ver as alterações a cada dia que passa: os icebergues estão a ficar mais pequenos, o glaciar está a retrair-se”, lamento o autarca de Ilulisat, Palle Jeremiassen. E o degelo do permafrost afeta a estabilidade de alguns edifícios e infraestruturas.

Com uma paisagem imaculada tão cobiçada pelos visitantes, as autoridades estão determinadas a protegê-la sem virar as costas ao turismo. “Queremos controlar a chegada de barcos de turistas”, explica Jeremiassen, apontando os riscos que comportam navios altamente poluentes.

A ideia do autarca é limitar as chegadas ao porto a, no máximo, um barco por dia com não mais do que mil turistas. Porque, recentemente, a pequena localidade viu chegar três cruzeiros num só dia, despejando 6000 visitantes.

Um lodge em Ilimanaq, de onde se pode observar baleias e icebergues (Odd ANDERSEN / AFP)

 

Um lodge em Ilimanaq, onde os hóspedes podem obserrvar baleias e icebergues a flutuar na Baísa de Disko (Odd ANDERSEN / AFP)

A infraestrutura de Ilulisat não foi pensada para acomodar tamanho número de pessoas, nem é capaz de garantir que os turistas protegem as áreas protegidas, designadamente o fiorde.

A vizinha Islândia tem visto a indústria do turismo florescer nas últimas décadas e é um exemplo de como não fazer as coisas, insiste Jeremiassen. “Nós não queremos ser como a Islândia. Não queremos turismo de massas. Queremos controlar o turismo.”

A igreja Zion refletida numa poça de água em Ilulissat (Odd ANDERSEN / AFP)

Peixe a encolher

A Gronelândia vive em autonomia desde 2009 e espera um dia tornar-se totalmente independente da Dinamarca. Mas para isso teria de aguentar-se sem os subsídios de Copenhaga, que representam atualmente um terço do orçamento da ilha. Precisa ainda de encontrar uma forma de se sustentar financeiramente, mas, por enquanto, o seu maior recurso natural é o mar.

Um em cada três habitante de Ilulissat vive da pesca, atividade responsável pela maior fatia dos rendimentos da Gronelândia. Mas as alterações climáticas têm tido um enorme impacto no setor.

O sol da meia-noite sobre a Baía de Disko, atrás de Ilulissat (Odd ANDERSEN / AFP)

“Quando eu era novo, tínhamos camadas de gelo sobre as quais podíamos caminhar”, recorda Lars Noasen, capitão de um barco de turistas, enquanto navega entre destroços de icebergue na Baía de Disko Bay. “Agora, a camada de gelo já não é tão sólida. Não podes usá-la para nada, já não podes andar de trenó e pescar como antigamente.”

Nas duas últimas décadas, a imensa calote da Gronelândia perdeu 4,7 trilhões de toneladas de gelo, contribuindo só ela para um aumento do nível do mar de 1,2 centímetros, calculam investigadores dinamarqueses. E isso está a afetar os pescadores.

Um caminhante junto do cemitério de Ilulissat (Odd ANDERSEN / AFP)

“As condições do gelo estão alterar-se. O fiorde principal costumava estar vedado por icebergues gigantescos e gelo marinho e eles (os pescadores) não conseguiam navegar ali”, explica Sascha Schiott, do Instituto de Recursos Naturais da Gronelândia. Agora conseguem. E os barcos podem sair para a pesca o ano todo, o que multiplicou os transportes.

Em tendência contrária, o tamanho do peixe que os pescadores capturam diminuiu, muito por causa da pesca excessiva, continua Schiott. Ejner Inusgtuk discorda. Pescador, preparar as redes no porto. A culpa, acredita, é das alterações climáticas. “O clima está demasiado quente.”

 

22
Ago22

Reflorestar: o cartão que vai ajudar a recuperar a paisagem da Serra da Estrela

Niel Tomodachi

A associação Estrela Geopark lançou uma iniciativa para promover ações de reflorestação após o incêndio.

Na madrugada de 6 de agosto, o fogo atingiu a maior área protegida do País. Um pesadelo que durou 11 dias e destruiu um quarto do Parque Natural da Serra da Estrela, o que corresponde a mais de 25 mil hectares em seis concelhos.

Para ajudar a reflorestar esta área protegida, que foi devastada pelas chamas, a associação Estrela Geopark lançou um cartão com o objetivo de gerar receitas para apoiar e promover ações de reflorestação. O lançamento do cartão Reflorestar foi anunciado na quinta-feira, 18 de agosto, na sequência do último incêndio que devastou grande parte da paisagem da Serra da Estrela.

“O mês de agosto ficou assinalado na história desta montanha, pelas marcas que o fogo deixou neste território classificado como Geopark Mundial da UNESCO”, começa por escrever a organização. Acrescentam ainda que esta iniciativa, “além de estar a contribuir para a regeneração da paisagem da Estrela”, traz vantagens para o utilizador, que poderá “usufruir de um conjunto de descontos nos mais diversos parceiros deste Geopark”.

A aquisição do cartão Reflorestar tem um custo de 10€ e pode ser feita através do email info@geoparkestrela.pt. As receitas serão usadas para apoiar e contribuir para futuras ações de reflorestação que venham a ser coordenadas pelas autoridades locais. Os utilizadores podem ter descontos em alojamentos, animação turística, museus, produtos locais, restauração e outros serviços.

 

05
Ago22

A Grande Barreira de Coral na Austrália começa a mostrar sinais de recuperação

Niel Tomodachi

É uma das sete maravilhas naturais do mundo e está em risco de desaparecer devido às alterações climáticas.

Mergulhar na Grande Barreira de Coral está no topo da bucket list de muita gente. É uma das sete maravilhas naturais do mundo e um dos locais de excelência para fazer mergulho. No entanto, os incríveis corais, os peixes coloridos, aquela magia toda debaixo de água foi-se tornando numa paisagem branca de corais mortos.

Em menos de 30 anos, a Grande Barreira de Corais na Austrália perdeu metade dos seus corais devido às alterações climáticas. Um estudo, realizado em outubro de 2020, revelou aquilo que muitos cientistas temiam: um dos habitats mais importantes do nosso planeta estava mesmo em risco de desaparecer.

Felizmente, a Grande Barreira de Corais da Austrália registou a maior quantidade de cobertura de coral dos últimos 36 anos. Segundo um relatório do Instituto Australiano de Ciências Marinhas (IACM), que analisou dados de 87 pontos da Grande Barreira, foram verificados os sinais de recuperação mais animadores dos últimos anos.

As partes norte e central do recife conseguiram ultrapassar os danos mais depressa do que o previsto. A cobertura aumentou 36 por cento nos locais monitorados, mais nove por cento do que em 2021. Já na região sul, a percentagem desceu de 38 por cento, no ano passado, para 34 por cento em 2022. Esta recuperação deveu-se sobretudo aos corais Acropora, um coral ramificado que sustenta milhares de espécies marinhas.

Apesar das boas notícias, o presidente do IACM, Paul Hardisty, alertou que tudo pode mudar novamente, caso existam ciclones ou outros eventos de surtos de coroas de espinhos, que acabam por matar os corais.

“O que é preocupante é que a frequência destes eventos que causam perturbações está a aumentar, particularmente os fenómenos de grande escala de branqueamento de corais”, disse o líder do programa de monitorização, citado pelo “Público”.

A Grande Barreira de Corais, património da UNESCO, tem vindo a desaparecer nos últimos anos devido às alterações climáticas. O número de corais pequenos, médios e grandes diminuiu em mais de 50 por cento desde os anos 1990. 

O desaparecimento de corais ocorreu em águas rasas e profundas, e em quase todas as espécies, mas particularmente em corais ramificados e em forma de mesa, que têm sido os mais afetados pelas temperaturas recordes que desencadearam o branqueamento em massa em 2016 e 2017.

O branqueamento dos corais é o resultado do stress devido a mudanças na luz, temperatura e nutrientes, um processo que os leva a expelir algas simbióticas nos seus tecidos e a tornarem-se vulneráveis.

 

22
Jul22

Alterações climáticas vão afetar os cavalos-marinhos, diz novo estudo português

Niel Tomodachi

As altas temperaturas irão elevar os custos energéticos da espécie e diminuir a sua condição corporal.

Não é segredo que as alterações climáticas estão a afetar tanto os humanos, quanto os animais, em especial, os marinhos. Um estudo realizado por uma equipa de investigadores do MARE-ISPA, que chegou ao fim esta terça-feira, 19 de julho, visou analisar o aquecimento dos oceanos e o seu impacto no comportamento e fisiologia do cavalo-marinho-de-focinho-comprido.

A sede da pesquisa foi o Biotério de Organismos Aquáticos do Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida (ISPA). A instalação acolheu 22 espécies retiradas da Reserva Natural do Estuário do Sado, um dos maiores estuários da Europa.

Durante dois meses, a espécie foi exposta a temperaturas diversas, entre os 18 e os 24 graus, sendo a última a temperatura prevista para o final deste século. Foram analisados as taxas de ingestão e o sistema reprodutor dos cavalos-marinhos, e as conclusões indicaram que os peixes terão custos energéticos elevados e uma diminuição na sua condição corporal.

“Apesar dos cavalos-marinhos terem resiliência térmica e capacidade de adaptação a curto prazo, o gasto de energia que a exposição a temperaturas mais elevadas pode acarretar, a médio-longo prazo, poderá trazer consequências ao nível do crescimento e sobrevivência da espécie”, explicou a coordenadora do estudo, Ana Margarida Faria, num comunicado publicado pelo ISPA.

Nos últimos anos, os cavalos-marinhos-de-focinho-comprido têm apresentado um declínio acentuado em Portugal, de acordo com a página oficial da espécie no Oceanário de Lisboa. Entre os principais problemas de conservação, está a sua captura para, posteriormente, serem vendidos como lembranças.

Gonçalo Silva, investigador do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), frisou a importância da recolha de dados para “que se possam tomar decisões e aplicar medidas de mitigação e de conservação, com base científica”. Os cavalos-marinhos analisados no estudo foram devolvidos “sãos e salvos” ao estuário na quarta-feira, 20 de julho.

 

01
Jul22

Muitas atividades gratuitas na inauguração do Corredor Verde do Leça

Niel Tomodachi

A partir de 2 de julho podes treinar ou passear num percurso agradável e novinho em folha no concelho de Matosinhos. É o Corredor Verde do Leça, o novo parque urbano que acompanha o rio Leça.

Quando o projeto, que resulta de um acordo bilateral entre os municípios da Maia e de Matosinhos, estiver terminado, este parque urbano terá sete quilómetros de ciclovia e de percurso pedonal. Para já, ainda só vamos na 1.ª fase e neste sábado, dia 2, serão inaugurados os primeiros 600 metros no Parque das Varas.

O dia de inauguração vai ter diversas atividades gratuitas para os visitantes, como slide, rappel, insufláveis, carros de pedais, aulas de fitness e passeios de bicicleta.

Este parque urbano pretende impor-se pelas suas potencialidades, alterando o antigo preconceito de o rio Leça ser um dos mais poluídos da Europa. Haverá espaço e condições para a mobilidade suave, o desporto, a fruição do território e, claro, o contacto com a natureza.

 

20
Mai22

Guerlain vai doar 20€ para proteger as abelhas por cada repost no Instagram

Niel Tomodachi

A ação decorre de 20 a 22 de maio, altura em que 20 por cento das vendas revertem também para o programa de conservação.

Maçãs, pêras, amêndoas e mirtilos fazem parte do nosso quotidiano, mas será que imaginamos um mundo onde não existam? Não é fácil pensar nessa realidade. O problema é que pode estar bem mais próxima do que pensamos. Para que estes e tantos outros frutos existam, são necessárias abelhas, e estas estão em perigo.

Aliás, a taxa média anual de mortalidade destes insetos encontra-se nos 30 por cento, segundo o Observatoire Français d’Apidologie. Um número alarmante para a manutenção do ecossistema tal como o conhecemos. Para contrariar precisamente estes números, a Guerlain repete pelo segundo ano consecutivo uma ação de sensibilização que pretende proteger este animal, símbolo da Maison Guerlain.

Se está a pensar comprar um produto na marca, aproveite para o fazer nos dias 20, 21 e 22 de maio. Durante este período, 20 por cento de todas as vendas, realizadas no site da marca ou no El Corte Inglès de Lisboa ou Vila Nova de Gaia, revertem para o Programa de Conservação Guerlain for Bees. Mas mesmo que não vá adquirir um novo produto da insígnia francesa, não de ajudar. É simples: basta partilhar o post que a marca vai publicar no Instagram com o visual criado por Tomáš Libertíny, incluindo os hashtags #GuerlainForBees e #WorldBeeDay. E pronto: já está a contribuir com a doação de 20€ para a iniciativa.

 

Com uma forte ligação às abelhas, a marca procura chamar à atenção para esta problemática que muitos desconhecem. Ações que nos parecem comuns estão a ter um forte impacto na sobrevivência das abelhas, não só das selvagens como das domésticas. Da agricultura intensiva, que leva à extinção de habitats de milhares de animais, à relação destes com as alterações climáticas que já se fazem sentir, estes seres sensíveis estão em perigo, colocando em causa a disponibilidade de recursos para outras espécies, incluindo os seres humanos.

 

Uma marca com aliados fortes na proteção das abelhas

Com isto em mente, o programa de Conservação tem várias parcerias com outras entidades para chegar a todos os públicos. A Bee School é uma das iniciativas mais importantes e pretende contactar diretamente os mais jovens. Mas a Guerlain apoia também a apicultura com o Women for Bees, um programa de formação de apicultoras espalhadas por todo o mundo para a preservação desta espécie. Além de mecenas nesta área e de variadas colaborações, a marca é ainda parceira da China, através do Centro de Conservação de Shan Shui, apoiando a proteção das abelhas naquela região.

A juntar-se a esta causa está também o artista Tomáš Libertíny, conhecido como o “encantador de abelhas”. Convidado pela Guerlain, vai levar o emblemático Frasco da Abelha para outro nível, numa cocriação que incorpora o trabalho exímio destes animais.

 

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