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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

20
Set22

A cada quatro segundos morre uma pessoa por falta de comida

Niel Tomodachi

A cada quatro segundos morre uma pessoa de fome, denunciaram hoje mais de 200 organizações não-governamentais, pedindo aos líderes mundiais reunidos na 77.ª Assembleia Geral da ONU que "adotem ações que travem a crise".

ONG's enviaram carta aberta aos líderes políticos reunidos na Assembleia da ONU

As organizações não-governamentais (ONG), provenientes de 75 países, assinaram uma carta aberta dirigida aos líderes de Estados presentes em Nova Iorque para expressar indignação pela "explosão do número de pessoas famintas" e fazer recomendações para travar a crise global de fome.

"Atualmente, 345 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de fome aguda, número que mais do que duplicou desde 2019", sublinham as 238 organizações em comunicado de imprensa.

A carta aberta foi publicada a propósito do início da Assembleia Geral das Nações Unidas, onde um grande número de líderes políticos, mas também representantes da sociedade civil se reúnem durante uma semana para aquele que é considerado o encontro diplomático mais importante do mundo.

"É inadmissível que, com toda a tecnologia agrícola (...) existente hoje, ainda estejamos a falar sobre fome no século XXI", afirmou Mohanna Ahmed Ali Eljabaly, da Yemen Family Care Association, um dos signatários da carta.

"Não se trata apenas de um país ou de um continente e a fome nunca tem uma causa única. Trata-se da injustiça de toda a humanidade", acrescentou.

A crise alimentar, a par da crise de segurança causada pela invasão russa da Ucrânia e das crises energética e climática são as principais questões que estarão em debate na Assembleia Geral da ONU, que hoje começa.

Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) referiu que mais de 12% dos africanos enfrentam insegurança alimentar e apelou aos governos da África subsaariana para serem criteriosos na definição das políticas e da despesa pública.

 

13
Set22

Escravatura moderna: Em 2021, imagina quantas pessoas foram forçadas a trabalhar?

Niel Tomodachi

A escravatura moderna aumentou em todo o mundo nos últimos anos, impulsionada principalmente pela pandemia COVID-19, com quase 50 milhões de pessoas forçadas a trabalhar ou a casar no ano passado, revelou a ONU.

Estudo: 40,3 milhões vítimas de escravatura moderna

A informação consta no último relatório publicado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela Organização Internacional para as Migrações (IOM) – duas agências da ONU, com a organização não governamental Walk Free Foundation.

Segundo o documento, a ONU quer erradicar este flagelo até 2030, mas no ano passado havia mais 10 milhões de pessoas em situação de escravatura moderna do que as estimativas globais para 2016. Cerca de 27,6 milhões eram pessoas submetidas a trabalhos forçados e 22 milhões casadas contra sua vontade.

Mulheres e meninas representam mais de dois terços das pessoas forçadas ao casamento e quase quatro em cada cinco delas estavam em situação de exploração sexual comercial, segundo o relatório. No total, representam 54% dos casos de escravidão moderna.

A pandemia, que causou a deterioração das condições de trabalho e aumento do endividamento dos trabalhadores, fortaleceu as fontes da escravidão moderna em todas as suas formas.

Nos últimos anos, segundo o relatório, a multiplicação das crises, a pandemia, mas também os conflitos armados e as alterações climáticas, provocaram perturbações sem precedentes em termos de emprego e educação, o agravamento da pobreza extrema, o aumento de migrações forçadas e perigosas, a explosão de casos de violência de género.

Em todo o mundo, quase uma em cada 150 pessoas é considerada um escravo moderno.

Em comunicado de imprensa, o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, considera «chocante que a situação da escravatura moderna não esteja a melhorar» e apela aos governos, mas também aos sindicatos, às organizações patronais, à sociedade civil e ao cidadão comum que combatam «esta violação fundamental dos direitos humanos».

No relatório propõem-se uma série de acções, incluindo melhorar e fazer cumprir as leis e inspecções laborais, acabar com o trabalho forçado imposto pelo Estado, expandir as proteções sociais e fortalecer as proteções legais, aumentando a idade legal do casamento para 18 anos sem excepção.

Segundo o relatório, mulheres e crianças permanecem desproporcionalmente vulneráveis. Assim, quase um em cada oito trabalhadores forçados é uma criança e mais da metade deles são vítimas de exploração sexual comercial.

Os trabalhadores migrantes são mais de três vezes mais probabilidades de serem submetidos a trabalho forçado do que os adultos não migrantes.

O director-geral da OIM, António Vitorino, apelou a que toda a migração «seja segura, ordenada e regular». «Reduzir a vulnerabilidade dos migrantes ao trabalho forçado e ao tráfico de pessoas depende, acima de tudo, de políticas nacionais e estruturas legais que respeitem, protejam e cumpram os direitos humanos e liberdades fundamentais de todos os migrantes», sublinhou.

A Ásia e o Pacífico têm mais de metade do total de trabalhadores forçados do mundo.

 

30
Ago22

Degelo na Gronelândia elevará nível do mar em 27 centímetros, o dobro do previsto

Niel Tomodachi

A camada de gelo da Gronelândia, que está a derreter rapidamente, irá acabar por elevar o nível global do mar em pelo menos 27 centímetros, mais do dobro do que anteriormente previsto, segundo um estudo publicado esta segunda-feira.

27 centímetros são mais do que o dobro do aumento do nível do mar que os cientistas esperavam com o degelo

Este efeito pode ser causado pelo chamado "gelo zombie", ou "gelo condenado", que, embora ainda preso a áreas mais espessas de gelo, já não é "reabastecido" por glaciares próximos que agora recebem menos neve.

Sem este "reabastecimento", o "gelo condenado" está a derreter com as alterações climáticas e inevitavelmente irá elevar o nível do mar, salientou William Colgan, especialista do Serviço Geológico da Dinamarca e da Gronelândia e coautor do estudo.

"É gelo morto. Vai derreter e desaparecer da camada de gelo. Este gelo será enviado para o oceano, independentemente do cenário climático que adotemos agora", realçou Colgan em conferência de imprensa.

O autor principal do estudo, Jason Box, especialista em glaciares da Gronelândia, alertou que a situação é estar "com um pé para a cova".

Os inevitáveis 27 centímetros apontados pelo estudo são mais do que o dobro do aumento do nível do mar que os cientistas esperavam com o degelo na Gronelândia.

A investigação, publicada na revista Nature Climate Change, aponta que pode chegar a 78 centímetros.

Por outro lado, o relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) do ano passado projetou um alcance de 06 a 13 centímetros para o provável aumento do nível do mar, pelo derretimento do gelo da Groenlândia, até o ano 2100.

Neste trabalho, os cientistas olharam para o gelo em risco. Em perfeito equilíbrio, a queda de neve nas montanhas da Gronelândia desce, recarrega e engrossa as laterais dos glaciares, equilibrando o que está a derreter.

Mas, nas últimas décadas, há menos "reabastecimento" e mais degelo, o que cria um desequilíbrio.

Os autores do trabalho analisaram a proporção do que está a ser adicionado ao que está a ser perdido e calcularam que 3,3% do volume total de gelo da Gronelândia irá derreter, sem que importe o que aconteça no mundo com a redução da poluição por carbono, salientou Colgan.

Mais de 120 triliões de toneladas de gelo já estão fadadas a derreterem, devido à incapacidade do manto de gelo reabastecer as laterais.

"Esta é uma perda muito grande e terá um efeito prejudicial nas costas de todo o mundo", destacou David Holland, da NYU, que regressou recentemente da Gronelândia, mas não faz parte da investigação.

Esta é a primeira vez que os cientistas calculam uma perda mínima de gelo - e o aumento do nível de mar que causa - para a Gronelândia, uma das duas enormes camadas de gelo do planeta.

As duas estão a diminuir lentamente devido às alterações climáticas decorrentes da queima de carvão, petróleo e gás natural.

O 'timing' é uma questão sem resposta no estudo. Os investigadores frisaram que não podem estimar o momento do degelo do 'gelo condenado', mas apontaram que será "dentro deste século", embora não o assumam concretamente.

 

29
Ago22

Se o desperdício alimentar fosse um país, estaria entre os 7% mais ricos

Niel Tomodachi

Estudo revela que "um terço dos alimentos do mundo é perdido ou desperdiçado todos os anos".

Se o desperdício alimentar fosse um país, estaria entre os 7% mais ricos

Se o desperdício alimentar fosse um país, estaria no topo dos 7% mais ricos do mundo, de acordo com o estudo 'Closing the Food Waste Gap', da Boston Consulting Group (BCG), divulgado esta segunda-feira. A análise estima que se percam 1,5 biliões de dólares (cerca de 1,5 biliões de euros) em alimentos desperdiçados em 2030. 

"Isto significa que, se o desperdício alimentar fosse um país, estaria no topo dos 7% mais ricos pelo seu PIB e seria o terceiro maior emissor de gases de efeito de estufa", pode ler-se num comunicado a que o Notícias ao Minuto teve acesso. 

Ora, em termos de desperdício alimentar por agregado familiar, a média global situa-se em cerca de 75kg por ano, revela o mesmo estudo.

"Estima-se que um terço dos alimentos do mundo é perdido ou desperdiçado todos os anos. Nos países de rendimentos baixos a médios, o problema trata-se sobretudo da perda alimentar, uma vez que os alimentos não chegam a sair das fases de produção e de transporte. No entanto, o problema do desperdício ocorre sobretudo entre retalhistas e consumidores e, por isso, é mais premente em países em que o rendimento é mais elevado", pode ler-se no mesmo comunicado. 

Para ajudar a explicar a perda e o desperdício ao longo da cadeia de valor, a BCG dá o seguinte exemplo: "Começando com um total de 10 milhões de maçãs, 13% serão perdidas na fase de produção e 6% perdidas em armazém, no manuseamento e no transporte, o que significa que, apenas nas duas primeiras fases da cadeia, se perdem cerca de 2 milhões de maçãs. Acresce que 1% será ainda perdido na fase de processamento e embalamento, 6% no processo de distribuição e retalho, e 8% será desperdiçado pelos consumidores finais".

Segundo o estudo, estes dados "significam que cerca de um terço das maçãs iniciais será perdida ou desperdiçada, o que, neste caso, equivaleria a 3,4 milhões de maçãs que se perdem entre o local de cultivo e a mesa dos consumidores".

"O primeiro passo para encontrar soluções para resíduos alimentares é compreender exatamente como e onde estes ocorrem. A resposta é complexa, dependendo da região, do tipo de alimentos, entre muitos outros fatores", diz José Ferreira, managing partner da BCG em Portugal, citado no mesmo comunicado.

 

29
Ago22

Agora é a Gronelândia que quer controlar fluxos de cruzeiros

Niel Tomodachi

Com a chegada cada vez mais regular de turistas à Gronelândia, atrás de icebergues e paisagens naturais de cortar a respiração, as autoridades começam a estudar formas de controlar os fluxos para proteger o frágil ambiente, já severamente ameaçado pelo aquecimento global.

“É um destino de sonho”, admite Yves Gleyze à AFP, francês na casa dos 60 e veterano das viagens afastadas das multidões, acabado de aterrar em Ilulissat.

À chegada à terceira cidade do território autónomo pertencente à Dinamarca, os visitantes deparam-se com uma paisagem austera de pedra cinza e quase nenhuma vegetação. Mas basta uma curta viagem de carro para se espantarem com icebergues gigantescos.

Despegado do glaciar de Ilulissat, no fiorde vizinho, o majestoso bloco de gelo deriva com vagar pela Baía de Disko, entre baleias ocasionais.

Um icebergue a flutuar na Baía de Disko, em Ilulissat (Odd ANDERSEN / AFP)

 

Um barco navega entre icebergues na Baía de Disko Bay, em Ilulissat (Odd ANDERSEN / AFP)

Este postal atraiu 50 mil turistas 2021, dez vezes mais do que o número de habitantes da cidade. Mais de metade limita-se a uma curta paragem durante um cruzeiro pelo Ártico.

E espera-se que os números disparem com a abertura de um aeroporto internacional dentro de dois anos, um impulso bem acolhido para os rendimentos da ilha, mas também um desafio, dado o delicado – e a derreter – ecossistema.

 
Icebergues na Baía de Disko, em Ilulissat (Odd ANDERSEN / AFP)

 

Uma vista sobre icebergues a flutuar em direção à Baía de Disko, em Ilulissat (Odd ANDERSEN / AFP)

“Os icebergues estão a ficar mais pequenos”

O Ártico aqueceu quase quatro vezes mais depressa do que o resto do Planeta nos últimos 40 anos, revelam os mais recentes estudos científicos. “Podemos ver as alterações a cada dia que passa: os icebergues estão a ficar mais pequenos, o glaciar está a retrair-se”, lamento o autarca de Ilulisat, Palle Jeremiassen. E o degelo do permafrost afeta a estabilidade de alguns edifícios e infraestruturas.

Com uma paisagem imaculada tão cobiçada pelos visitantes, as autoridades estão determinadas a protegê-la sem virar as costas ao turismo. “Queremos controlar a chegada de barcos de turistas”, explica Jeremiassen, apontando os riscos que comportam navios altamente poluentes.

A ideia do autarca é limitar as chegadas ao porto a, no máximo, um barco por dia com não mais do que mil turistas. Porque, recentemente, a pequena localidade viu chegar três cruzeiros num só dia, despejando 6000 visitantes.

Um lodge em Ilimanaq, de onde se pode observar baleias e icebergues (Odd ANDERSEN / AFP)

 

Um lodge em Ilimanaq, onde os hóspedes podem obserrvar baleias e icebergues a flutuar na Baísa de Disko (Odd ANDERSEN / AFP)

A infraestrutura de Ilulisat não foi pensada para acomodar tamanho número de pessoas, nem é capaz de garantir que os turistas protegem as áreas protegidas, designadamente o fiorde.

A vizinha Islândia tem visto a indústria do turismo florescer nas últimas décadas e é um exemplo de como não fazer as coisas, insiste Jeremiassen. “Nós não queremos ser como a Islândia. Não queremos turismo de massas. Queremos controlar o turismo.”

A igreja Zion refletida numa poça de água em Ilulissat (Odd ANDERSEN / AFP)

Peixe a encolher

A Gronelândia vive em autonomia desde 2009 e espera um dia tornar-se totalmente independente da Dinamarca. Mas para isso teria de aguentar-se sem os subsídios de Copenhaga, que representam atualmente um terço do orçamento da ilha. Precisa ainda de encontrar uma forma de se sustentar financeiramente, mas, por enquanto, o seu maior recurso natural é o mar.

Um em cada três habitante de Ilulissat vive da pesca, atividade responsável pela maior fatia dos rendimentos da Gronelândia. Mas as alterações climáticas têm tido um enorme impacto no setor.

O sol da meia-noite sobre a Baía de Disko, atrás de Ilulissat (Odd ANDERSEN / AFP)

“Quando eu era novo, tínhamos camadas de gelo sobre as quais podíamos caminhar”, recorda Lars Noasen, capitão de um barco de turistas, enquanto navega entre destroços de icebergue na Baía de Disko Bay. “Agora, a camada de gelo já não é tão sólida. Não podes usá-la para nada, já não podes andar de trenó e pescar como antigamente.”

Nas duas últimas décadas, a imensa calote da Gronelândia perdeu 4,7 trilhões de toneladas de gelo, contribuindo só ela para um aumento do nível do mar de 1,2 centímetros, calculam investigadores dinamarqueses. E isso está a afetar os pescadores.

Um caminhante junto do cemitério de Ilulissat (Odd ANDERSEN / AFP)

“As condições do gelo estão alterar-se. O fiorde principal costumava estar vedado por icebergues gigantescos e gelo marinho e eles (os pescadores) não conseguiam navegar ali”, explica Sascha Schiott, do Instituto de Recursos Naturais da Gronelândia. Agora conseguem. E os barcos podem sair para a pesca o ano todo, o que multiplicou os transportes.

Em tendência contrária, o tamanho do peixe que os pescadores capturam diminuiu, muito por causa da pesca excessiva, continua Schiott. Ejner Inusgtuk discorda. Pescador, preparar as redes no porto. A culpa, acredita, é das alterações climáticas. “O clima está demasiado quente.”

 

22
Ago22

Singapura vai despenalizar a homossexualidade

Niel Tomodachi

Singapura vai revogar uma lei que proíbe as relações sexuais entre homens, anunciou o primeiro-ministro este domingo. Casamento continuará a ser proibido.

Relações sexuais entre homens serão permitidas, mas casamento continua a ser proibido

"Acredito que esta é a coisa certa a fazer e algo que a maioria dos singapurianos aceitará agora", disse o primeiro-ministro Lee Hsien Loong no discurso anual do dia nacional, acrescentando que o governo vai revogar a Secção 377A do código penal, uma lei colonial que criminaliza o sexo entre homens. A lei, promulgada em 1938 durante o domínio britânico, não se aplica às mulheres.

Por outro lado, o governo não tem intenção de mudar a definição legal de casamento, isto é, entre um homem e uma mulher. "Deixe-me assegurar a todos que, ao lidar com a questão, o governo continuará a defender as famílias como os alicerces básicos da sociedade. Vamos manter as nossas políticas sobre família e casamento inalteradas e manter as normas e valores sociais predominantes da nossa sociedade", acrescentou o líder da Singapura, citado pela agência Reuters.

"Todos os grupos devem aceitar que não podem ter tudo o que desejam porque simplesmente não é possível. E devemos manter o respeito mútuo e a confiança que construímos meticulosamente ao longo dos anos e permanecer unidos como um só povo", rematou.

Legado britânico:

A Singapura não é a única ex-colónia britânica com uma versão da lei 377, que continua a existir em muitas partes da Ásia, África e Oceânia. Foi introduzida pelo governo colonial britânico na Índia no século XIX e proibiu a "relação carnal contra a ordem da natureza com qualquer homem, mulher ou animal".

Depois, espalhou-se para fora da Índia, uma vez que os britânicos usaram o Código Penal Indiano como base para códigos de direito penal noutros territórios que controlavam. Várias ex-colónias britânicas, como Quénia, Malásia e Myanmar, ainda têm alguma versão da lei 377.

Em 2018, o Supremo Tribunal da Índia aboliu a lei 377 num veredicto histórico. Nos últimos anos, outras partes da Ásia também legalizaram o casamento homossexual. Taiwan tornou-se o primeiro a fazê-lo em 2019 e, em junho, a Tailândia aprovou um projeto de lei que permite uniões do mesmo sexo.

 

05
Ago22

A Grande Barreira de Coral na Austrália começa a mostrar sinais de recuperação

Niel Tomodachi

É uma das sete maravilhas naturais do mundo e está em risco de desaparecer devido às alterações climáticas.

Mergulhar na Grande Barreira de Coral está no topo da bucket list de muita gente. É uma das sete maravilhas naturais do mundo e um dos locais de excelência para fazer mergulho. No entanto, os incríveis corais, os peixes coloridos, aquela magia toda debaixo de água foi-se tornando numa paisagem branca de corais mortos.

Em menos de 30 anos, a Grande Barreira de Corais na Austrália perdeu metade dos seus corais devido às alterações climáticas. Um estudo, realizado em outubro de 2020, revelou aquilo que muitos cientistas temiam: um dos habitats mais importantes do nosso planeta estava mesmo em risco de desaparecer.

Felizmente, a Grande Barreira de Corais da Austrália registou a maior quantidade de cobertura de coral dos últimos 36 anos. Segundo um relatório do Instituto Australiano de Ciências Marinhas (IACM), que analisou dados de 87 pontos da Grande Barreira, foram verificados os sinais de recuperação mais animadores dos últimos anos.

As partes norte e central do recife conseguiram ultrapassar os danos mais depressa do que o previsto. A cobertura aumentou 36 por cento nos locais monitorados, mais nove por cento do que em 2021. Já na região sul, a percentagem desceu de 38 por cento, no ano passado, para 34 por cento em 2022. Esta recuperação deveu-se sobretudo aos corais Acropora, um coral ramificado que sustenta milhares de espécies marinhas.

Apesar das boas notícias, o presidente do IACM, Paul Hardisty, alertou que tudo pode mudar novamente, caso existam ciclones ou outros eventos de surtos de coroas de espinhos, que acabam por matar os corais.

“O que é preocupante é que a frequência destes eventos que causam perturbações está a aumentar, particularmente os fenómenos de grande escala de branqueamento de corais”, disse o líder do programa de monitorização, citado pelo “Público”.

A Grande Barreira de Corais, património da UNESCO, tem vindo a desaparecer nos últimos anos devido às alterações climáticas. O número de corais pequenos, médios e grandes diminuiu em mais de 50 por cento desde os anos 1990. 

O desaparecimento de corais ocorreu em águas rasas e profundas, e em quase todas as espécies, mas particularmente em corais ramificados e em forma de mesa, que têm sido os mais afetados pelas temperaturas recordes que desencadearam o branqueamento em massa em 2016 e 2017.

O branqueamento dos corais é o resultado do stress devido a mudanças na luz, temperatura e nutrientes, um processo que os leva a expelir algas simbióticas nos seus tecidos e a tornarem-se vulneráveis.

 

28
Jul22

Humanidade consumiu até hoje tudo o que o planeta pode produzir num ano sem se esgotar

Niel Tomodachi

Até hoje, a humanidade terá consumido tudo o que o planeta pode produzir num ano sem se esgotar, o que significa que viverá o que resta de 2022 a crédito, alertam duas Organizações Não Governamentais (ONG).

Humanidade consumiu até hoje tudo o que o planeta pode produzir num ano sem se esgotar

Em sentido figurado, seriam necessários 1,75 planetas Terra para suprir as necessidades da população de forma sustentável, segundo um indicador criado por investigadores no início dos anos 1990, que continua a piorar.

Esta data, 28 de julho, corresponde ao momento em que "a humanidade consumiu tudo o que os ecossistemas podem regenerar no espaço de um ano", explicam as ONG Global Footprint Network e WWF.

"Durante os 156 dias restantes [até o final do ano], o nosso consumo de recursos renováveis irá consistir em corroer o 'capital natural' do planeta", alerta Laetitia Mailhes, da Global Footprint Network.

Estes dados nem têm em conta as necessidades de outras espécies que vivem na Terra.

"Temos também que deixar espaço para o mundo selvagem", refere.

O 'Overshoot Day' (Dia de Sobrecarga da Terra) ocorre quando a pressão humana excede as capacidades regenerativas dos ecossistemas naturais.

Segundo a Global Footprint Network, que monitoriza esta mediação, este indicador tem aumentado ao longo de 50 anos: 29 de dezembro de 1970, 04 de novembro de 1980, 11 de outubro de 1990, 23 de setembro de 2000 e 07 de agosto de 2010.

Em 2020, esta data foi adiada por três semanas, devido ao efeito dos confinamentos motivados pela pandemia de covid-19, antes de regressar aos níveis anteriores.

Esta pegada ecológica é calculada a partir de seis categorias diferentes: agricultura, pastagens, áreas florestais necessárias para produtos florestais, áreas de pesca, áreas construídas e áreas florestais necessárias para absorver o carbono emitido pela combustão de 'combustíveis fósseis' e que está intimamente ligada aos padrões de consumo, principalmente nos países ricos.

Por exemplo, se todos os humanos vivessem como os franceses, o 'Overshoot Day' teria ocorrido ainda mais cedo, em 05 de maio de 2022.

O WWF e a Global Footprint Network apontam o dedo em particular para o sistema alimentar.

"O nosso sistema alimentar perdeu a cabeça com o consumo excessivo de recursos naturais, sem atender às necessidades da luta contra a pobreza" por um lado, e por outro uma epidemia de excesso de peso e obesidade, sublinha Pierre Cannet, do WWF França.

As duas ONG destacaram que a pegada ecológica dos alimentos é considerável, sendo que a produção de alimentos mobiliza todas as categorias de pegada, em especial as de cultura (necessárias para a alimentação animal e humana) e de carbono (a agricultura é um setor de alta emissão de gases de efeito estufa).

"No total, mais da metade da biocapacidade do planeta (55%) é usada para alimentar a humanidade", salientam.

Mais especificamente, "uma grande parte dos alimentos e matérias-primas são utilizados para alimentar os animais e os animais que consumimos posteriormente", detalha ainda Pierre Cannet.

No caso da União Europeia, "63% das terras cultiváveis (...) estão diretamente associadas à produção animal".

No entanto, a agricultura contribui para a desflorestação, para as alterações climáticas, emitindo gases de efeito estufa, para a perda de biodiversidade e para a degradação dos ecossistemas, enquanto utiliza grande parte da água doce, apontam as ONG.

Com base em recomendações científicas, estas defendem a redução do consumo de carne nos países ricos.

"Se pudéssemos reduzir o consumo de carne para metade, poderíamos adiar em 17 dias a data do Dia de Sobrecarga da Terra", explica Laetitia Mailhes.

Já limitar o desperdício de alimentos permitiria adiar a data em 13 dias, acrescentou, salientando que um terço dos alimentos é desperdiçado no mundo.

 

22
Jul22

"Caixa para bebés" abandonados: o projeto polémico que salva vidas

Niel Tomodachi

Quando o alarme toca no hospital Jikei, no sudoeste do Japão, as enfermeiras sobem uma escadaria em espiral e recolhem, o mais rápido possível, os recém-nascidos abandonados na "caixa para bebés" da unidade hospitalar, a única existente no país.

O projeto do hospital católico, situado na cidade de Kumamoto, na ilha de Kyushu, foi criado em 2007, permitindo que os bebés sejam deixados de forma anónima. Além disso, há outros serviços, nomeadamente um programa de partos sem identificação, que também não existe noutro local do Japão.

As críticas à unidade hospitalar não preocupam o diretor da instituição, Takeshi Hasuda, defensor desta rede de segurança vital. "Há mulheres que têm vergonha e muito medo" por sentirem que fizeram "algo horrível" ao engravidar, explicou à AFP. "Um lugar como o nosso, que não rejeita ninguém, (...), é muito importante" para essas jovens mães angustiadas, acrescentou.

Ao ouvirem o alarme, as enfermeiras tentam chegar em menos de um minuto à "caixa para bebés", decorada com um par de cegonhas e equipada com uma pequena cama cuidadosamente preparada.

"Se as mães ainda estiverem por perto, sugerimos-lhe que partilhe a sua história", contou Saori Taminaga, funcionária do hospital. A equipa procura garantir o bem-estar das mães, ouvindo-as, orientando-as e aconselhando-as a deixar informações que permitam à criança conhecer as suas origens.

 

Bebés fruto de prostituição, violação ou incesto

As "caixas para bebés" abandonados existem há séculos e sobrevivem até hoje, por exemplo na Alemanha, Bélgica, Coreia do Sul e EUA. A sua utilização em alguns países europeus, no início dos anos 2000, foi criticada pela ONU, que considera que a iniciativa vai "contra o direito da criança de ser conhecida e cuidada pelos pais".

No entanto, os responsáveis do hospital Jikei encaram-na de outra forma: como uma estratégia para prevenir os maus-tratos a crianças no Japão. As autoridades do país contabilizaram 27 abandonos de crianças em 2020, sendo que 57 menores morreram vítimas de abuso sexual em 2019.

Segundo Takeshi Hasuda, alguns dos bebés acolhidos são "fruto de prostituição, violação ou incesto" e as suas mães não têm a quem recorrer. Desde 2007, 161 bebés foram deixados lá no hospital.

O sistema continua, todavia, a gerar polémica no Japão, sobretudo devido a uma visão tradicional da família, explicou Chiaki Shirai, professora da Universidade de Shizuoka e especialista em questões reprodutivas e adoção. O país usa um sistema de registo familiar que inclui os nascimentos, óbitos e casamentos de uma família por gerações. De acordo com a docente, Isso "fixou na sociedade japonesa a ideia de que quem deu à luz um filho deve criá-lo", ao ponto de os filhos seram encarados quase como "propriedade" dos pais. "As crianças abandonadas, cujo registo indica que não têm família, são altamente estigmatizadas", explicou.

 

Aborto legal mas muito caro

Chiaki Shirai sublinhou ainda que as mulheres que usam a "caixa para bebés" ou dão à luz sem identificação são criticadas por não terem escolhido outras alternativas, nomeadamente o aborto, que é legal no Japão mas muito caro.

"A sociedade prefere culpá-las a ajudá-las ou tentar perceber a sua motivação", lamentou.

22
Jul22

Alterações climáticas vão afetar os cavalos-marinhos, diz novo estudo português

Niel Tomodachi

As altas temperaturas irão elevar os custos energéticos da espécie e diminuir a sua condição corporal.

Não é segredo que as alterações climáticas estão a afetar tanto os humanos, quanto os animais, em especial, os marinhos. Um estudo realizado por uma equipa de investigadores do MARE-ISPA, que chegou ao fim esta terça-feira, 19 de julho, visou analisar o aquecimento dos oceanos e o seu impacto no comportamento e fisiologia do cavalo-marinho-de-focinho-comprido.

A sede da pesquisa foi o Biotério de Organismos Aquáticos do Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida (ISPA). A instalação acolheu 22 espécies retiradas da Reserva Natural do Estuário do Sado, um dos maiores estuários da Europa.

Durante dois meses, a espécie foi exposta a temperaturas diversas, entre os 18 e os 24 graus, sendo a última a temperatura prevista para o final deste século. Foram analisados as taxas de ingestão e o sistema reprodutor dos cavalos-marinhos, e as conclusões indicaram que os peixes terão custos energéticos elevados e uma diminuição na sua condição corporal.

“Apesar dos cavalos-marinhos terem resiliência térmica e capacidade de adaptação a curto prazo, o gasto de energia que a exposição a temperaturas mais elevadas pode acarretar, a médio-longo prazo, poderá trazer consequências ao nível do crescimento e sobrevivência da espécie”, explicou a coordenadora do estudo, Ana Margarida Faria, num comunicado publicado pelo ISPA.

Nos últimos anos, os cavalos-marinhos-de-focinho-comprido têm apresentado um declínio acentuado em Portugal, de acordo com a página oficial da espécie no Oceanário de Lisboa. Entre os principais problemas de conservação, está a sua captura para, posteriormente, serem vendidos como lembranças.

Gonçalo Silva, investigador do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), frisou a importância da recolha de dados para “que se possam tomar decisões e aplicar medidas de mitigação e de conservação, com base científica”. Os cavalos-marinhos analisados no estudo foram devolvidos “sãos e salvos” ao estuário na quarta-feira, 20 de julho.

 

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