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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

25
Out21

Amnistia Internacional deixa Hong Kong devido à lei de segurança nacional

Niel Tomodachi

Existem dois escritórios da Amnistia Internacional sediados em Hong Kong

A Amnistia Internacional vai fechar os seus dois escritórios em Hong Kong, justificando a decisão com a lei de segurança nacional imposta naquele território por Pequim.

"O escritório local vai cessar operações a 31 de outubro, enquanto que o escritório regional - que faz parte do secretariado internacional global da Amnistia - deverá encerrar no final de 2021", sendo que "as operações regionais serão transferidas para os outros escritórios da organização na Ásia-Pacífico", pode ler-se num comunicado publicado no site organização não-governamental (ONG).

"Esta decisão, tomada com o coração pesado, foi impulsionada pela lei de segurança nacional de Hong Kong, que tornou efetivamente impossível às organizações de direitos humanos em Hong Kong trabalhar livremente e sem medo de represálias graves por parte do Governo", indicou a presidente do Conselho Internacional da Amnistia, Anjhula Mya Singh Bais, citada no comunicado.

"Hong Kong tem sido desde há muito uma base regional ideal para as organizações internacionais da sociedade civil, mas a recente focalização nos grupos locais de direitos humanos e sindicais assinala uma intensificação da campanha das autoridades para livrar a cidade de todas as vozes dissidentes. É cada vez mais difícil para nós continuarmos a operar num ambiente tão instável", salientou.

Existem dois escritórios da Amnistia Internacional sediados em Hong Kong: uma secção local centrada na educação para os direitos humanos na cidade e um escritório regional que realiza trabalho de investigação, advocacia e campanha no leste e sudeste da Ásia e no Pacífico.

"Estamos profundamente gratos aos membros e pessoal da Amnistia que nos últimos 40 anos trabalharam incansavelmente para proteger os direitos humanos em e a partir de Hong Kong. Desde os esforços bem sucedidos para a abolição total da pena de morte em Hong Kong em 1993, até à exposição de provas do uso excessivo da força pela polícia durante os protestos em massa de 2019, a Amnistia em Hong Kong fez incidir uma luz sobre as violações dos direitos humanos nos dias mais negros", assinalou a secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnes Callamard, citada na mesma nota.

"Na região mais vasta, a nossa investigação e campanha abordou temas como a liberdade de expressão na Coreia do Norte, a objeção de consciência ao serviço militar na Coreia do Sul, o direito à habitação na Mongólia, as atrocidades do Japão em tempo de guerra contra as 'mulheres de conforto', e a repressão contra os advogados de direitos humanos na China, acrescentou.

A ONG lembrou que lei de segurança nacional, imposta pelo governo central chinês, em vigor desde o verão de 2020, visa alegados atos de secessão e subversão do poder do Estado, bem como atividades terroristas e conluio com forças estrangeiras ou externas que minem a segurança nacional.

A proteção da segurança nacional tem sido, para a ONG, utilizada arbitrariamente como pretexto para restringir os direitos humanos, liberdade de expressão, de reunião pacífica e associação, assim como para reprimir dissidências e a oposição política.

A Amnistia destacou que pelo menos 35 grupos foram dissolvidos desde que a lei foi promulgada, incluindo alguns dos maiores sindicatos e grupos ativistas da cidade.

 

24
Out21

Uma descoberta revolucionária: o processo avançado de mumificação pode ter começado mil anos antes do que se acreditava

Niel Tomodachi

Um grupo de arqueólogos terá encontrado o corpo de um nobre do Reino Antigo egípcio, mumificado e preservado com técnicas que se julgava só terem começado a ser utilizadas mil anos depois.

A descoberta vai ser detalhada e explicada ao pormenor numa série documental da National Geographic, intitulada "Tesouros Perdidos do Egito"

É uma revelação que pode obrigar a rever todo o conhecimento histórico sobre a mumificação e o antigo Egito: de acordo com uma descoberta recente de arqueólogos, o processo de mumificação sofisticada dos mortos no Egito antigo pode ter começado mil anos antes do que até aqui se acreditava.

A descoberta em questão remonta a 2019: um grupo de investigadores terá encontrado um corpo preservado de um antigo nobre egípcio chamado Khuwy. O processo da mumificação do seu corpo aparenta ter um grau de sofisticação (entre outras coisas, também pela qualidade do material usado) que só se acreditava ter começado a verificar-se cerca de mil anos depois.

Khuwy viveu no período na V Dinastia egípcia, no período do Império Antigo (2686-2181 a.C.). A descoberta do seu corpo — e as conclusões que se podem tirar do processo de preservação do seu corpo — não indicariam apenas que se encontrou uma das múmias egípcias mais antigas já descobertas. Provaria, também, que as técnicas de mumificação já eram altamente avançadas naquele período, há quase quatro mil anos, como explica o jornal britânico The Guardian.

Esta descoberta vai ser detalhada e explicada ao pormenor numa série documental da National Geographic intitulada “Lost Treasures of Egypt”, em português “Tesouros Perdidos do Egito” — mais concretamente, no quarto episódio da série, que começará a ser transmitida em novembro.

Uma especialista no processo de mumificação, a académica e líder do departamento de Egiptologia da Universidade Americana do Cairo Salima Ikram, afirmou ao The Guardian que “caso se trate efetivamente de uma múmia do Reino Antigo, todos os livros sobre mumificação e a história do Reino Antigo terão de ser revistos”.

Para se perceber melhor o valor histórica da descoberta (a confirmar-se), Salima explicava que “até agora pensávamos que a mumificação era relativamente simples durante o Reino Antigo”, por exemplo “sem remoção do cérebro e apenas ocasionalmente com remoção dos órgãos internos”. Julgava-se que se dedicava mais atenção “à aparência exterior” da múmia do que ao interior. A descrição do estado do corpo encontrado e do seu método de preservação enquadra-se mais, explicava, “nas múmias encontradas mil anos depois”.

 

22
Out21

Voltar a ser virgem para sobreviver no Afeganistão

Niel Tomodachi

Fugir e desonrar a família ou morrer a tentar amar. Chegar ao casamento não virgem é uma sentença de morte para as mulheres afegãs, obrigadas a recorrer a cirurgias de reconstrução do hímen. Os testes de virgindade são pedidos com frequência pelas autoridades e por familiares.

No Afeganistão, as mulheres solteiras não podem ter relações sexuais

Têm apenas 22 anos e, às costas, o peso de um crime já cometido - relações sexuais entre solteiros - e de um segundo que sonham cometer: fugir do país. Embora este último não esteja tipificado na lei afegã, merece igual reprovação, numa sociedade que reprime, persegue e castiga os jovens que ousam sonhar.

Com o regresso da força talibã ao poder, ao fim de 20 anos, a história de amor de Leila e Ehsan complica-se. O casal aceitou falar com o "El País" - que por motivos de segurança lhe atribuiu nomes fictícios - mas não esconde o medo: as suas vidas estão em perigo. Imaginar uma vida a dois em Cabul, com independência e um futuro livre é, para eles, quase uma utopia.

Numa altura em que, com a criação do Emirado Estado islâmico, o Ministério da Mulher acaba de desaparecer (substituído por uma espécie de "polícia moral" que promove a virtude), Leila decidiu submeter-se a uma cirurgia ginecológica para reconstruir o hímen. Voltar a ser virgem por não acreditar que os ventos possam mudar a seu favor.

Tem casamento marcado, daqui a seis meses, com o noivo que a família lhe escolheu e, se assim não fosse, estaria a desonrar ambas as famílias, explica, de forma crua, a estudante de Tecnologia da Saúde, fazendo o gesto de cortar o pescoço.

As provas de virgindade continuam frequentes no Afeganistão, não só a pedido das autoridades mas das próprias famílias, confirmou Heather Barr, responsável da área das mulheres da "Human Rights Watch". Daí a nobreza do trabalho de Shakila, a médica, de 30 anos, que operou Leila e tantas outras jovens. "Quero ajudar as meninas a terem uma vida livre e feliz", sublinhou. "É por isso que é tão importante para mim restaurar-lhes o hímen. Temos uma religião que proíbe as raparigas de fazerem sexo sem serem casadas. E quem não casa tem de ficar com o hímen intacto", explicou, assumindo que vive apavorada que alguém (incluindo o próprio marido) descubra esta vertente do seu trabalho.

Nos últimos sete anos, Shakila, que trabalha num hospital privado, já fez mais de 70 cirurgias ginecológicas do género. Utiliza os seus próprios instrumentos - num procedimento que considera simples e sem riscos - e aceita a vida dupla porque sabe que está a salvar vidas. "Eles podem matá-las". Cada intervenção ronda os 430 euros mas, na maior parte das vezes, não consegue cobrá-los porque as pacientes não têm dinheiro. Além de ser contactada pelas adolescentes, muitos pais recorrem aos seus serviços, sobretudo em caso de violação.

Segundo dados da "Human Rights Watch", em 2012 havia cerca de 400 adolescentes e mulheres presas, no Afeganistão, por crimes relacionados com a moral. Punição que as autoridades pretendem que sirva de exemplo a todas as raparigas que tentam evitar casamentos forçados, violações e outro tipo de abusos.

É por isso que Leila não expressa grande reação quando Ehsan garante ao "El País" que vai lutar para salvar este amor. "Temos de encontrar uma maneira de ficar juntos", atira o estudante de Economia. E o tempo está a esgotar-se.

 

01
Out21

“Tiveram 30 anos de blá, blá, blá e onde é que isso nos levou?”

Niel Tomodachi

Greta Thunberg fez mais um discurso duro, que foi mais um dedo acusador bem apontado aos governantes e adultos do mundo.

Este seu discurso aconteceu no Youth4Climate, em Milão, dia 28 de setembro de 2021, um encontro de jovens preparatório da COP26, a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que terá lugar em Glasgow (Escócia) em finais de outubro.  Participaram 400 jovens de quase 200 países, com idades entre os 15 e os 29 anos, para prepararem em conjunto um documento com propostas ambientais.  

Para Greta, a COP26 é só para “encher as vistas”, não vale de nada. 

“Eles convidam jovens escolhidos a dedo para reuniões como esta e afirmam ouvir-nos, mas não o fazem, não nos ouvem, nunca o fizeram” (…) Não há planeta B, não há planeta blá blá blá blá, blá blá blá blá, economia verde blá blá blá, neutralidade de carbono em 2050 blá blá blá. É tudo o que ouvimos dos nossos chamados líderes (…) palavras que soam bem mas que não levaram à ação, as nossas esperanças e sonhos afogaram-se nas suas palavras e promessas vazias (…) Claro que precisamos de um diálogo construtivo, mas tiveram 30 anos de blá blá blá blá e onde é que isso nos levou? ”, questiona a jovem ativista sueca. 

E Greta tem uma solução para este impasse: “Nós podemos mudar as coisas. Já não podemos deixar que os detentores do poder decidam o que é politicamente possível ou não, já não podemos deixar que os detentores do poder decidam o que é a esperança. A esperança não é blá, a esperança é dizer a verdade, a esperança é agir, a esperança vem sempre do povo”.

https://www.youtube.com/watch?v=Ee71cMN8iIs&feature=emb_title

Greta foi aplaudida por todos os outros jovens, o que é mais um dado importante para refletirmos. Segundo os últimos estudos da ONU publicados em setembro, o planeta está a caminhar para um aquecimento “catastrófico” de +2,7°C, aumentaram as catástrofes climáticas e de maior dimensão, o que espanta o nosso mundo civilizado que pensa que ainda há tempo. Não bastam palavras, temos mesmo de agir, agora, cada um por si no seu cantinho, mas todos a remar na mesma direção – proteger a Terra, o nosso futuro. 

Greta Thunberg, defensora feroz das causas ambientais, criou o movimento internacional “Fridays for future”, também conhecido por greve climática estudantil, em protesto contra a falta de ação que os líderes de todos os países têm manifestado para com o nosso planeta e o futuro dos jovens. Esse protesto simbólico consiste numa greve geral dos alunos às aulas de sexta-feira, participando em manifestações para mobilizar as pessoas a assumir atitudes mais responsáveis, como a preferência crescente de energias renováveis, gestos que possam travar as alterações climáticas e a degradação da Terra.

 

23
Set21

Poluição do ar é ainda mais perigosa do que se pensava (e a OMS baixou mais os limites)

Niel Tomodachi

Organização lança alerta e pede a membros que cortem emissões. OMS define como perigosos níveis considerados seguros até agora.

As medidas contra a emissão de gases e uso de outros poluentes são ainda mais urgentes do que se pensava — e não apenas pelo ambiente e saúde do planeta, mas também pela saúde das pessoas. 

Segundo um alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado na quarta-feira 22 de setembro, a poluição do ar é ainda mais perigosa do que se pensava anteriormente. Tanto que a organização decidiu baixar os níveis máximos de segurança, ou idealmente permitidos, de poluentes como o dióxido de nitrogênio.

Segundo a “BBC“, a OMS estima que sete milhões de pessoas morram prematuramente a cada ano devido a doenças relacionadas com poluição do ar. Os países de rendimento baixo e médio são os que mais sofrem, por causa da dependência de combustíveis fósseis.

Por isso, a organização apela agora aos seus 194 estados membros que cortem de forma ainda mais urgente as emissões e tomem medidas contra a mudança climática.

De acordo com o canal britânico, as mudanças nas diretrizes reduzem pela metade o máximo recomendado para exposição a pequenas partículas chamadas PM2.5s. Isto significa, por exemplo, que os limites legais do Reino Unido para os poluentes mais nocivos são agora quatro vezes maiores do que os máximos agora recomendados pela OMS.

A organização corta também o limite recomendado para outra classe de micropartículas, conhecida como PM10s, em 25 por cento. Outros poluentes destacados nas diretrizes incluem ozônio, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre e monóxido de carbono.

No fundo, adianta o “El País“, a OMS define agora como “perigosos” os níveis de poluição do ar que eram ainda considerados seguros, ao atualizar os padrões de qualidade do ar pela primeira vez em 15 anos — aumentando a insistência para que os países combatam o problema.

No entanto, segundo o jornal espanhol, os padrões de segurança estabelecidos pela OMS não são uma obrigatoriedade legal: cada país decide se fixa limites para cada poluente e se adota os mesmos tetos definidos pela organização.

 

01
Set21

ONU insta talibãs a protegerem direitos das crianças

Niel Tomodachi

45% da população afegã são crianças com menos de 15 anos. A ONU apelou assim aos talibãs para "respeitarem e protegerem os direitos humanos" e às comunidades internacionais para "não as abandonarem."

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As Nações Unidas apelaram esta terça-feira aos talibãs para “respeitarem e protegerem os direitos humanos” e também à comunidade internacional para “não abandonar as crianças” no Afeganistão, já que 45% da população tem menos de 15 anos de idade.

Numa declaração conjunta, a representante especial do secretário-geral da ONU para as Crianças e Conflitos Armados, Virginia Gamba, e a representante especial para a Violência contra as Crianças, Najat Maala M’jid, condenaram os “horríveis e mortais ataques contra o aeroporto de Cabul, no qual terão sido mortas e mutiladas crianças“, expressando “as mais profundas condolências” às vítimas e ao povo afegão.

“Os atuais contextos políticos e de segurança não devem apagar o progresso dos direitos humanos, incluindo os das crianças e mulheres. Exortamos os talibãs e outros partidos a respeitar a dignidade e os direitos humanos de todos os afegãos, incluindo rapazes e raparigas. Assegurar a proteção das crianças contra os danos e incluir as suas vozes e necessidades é fundamental para a paz e o desenvolvimento sustentáveis no Afeganistão”, vincaram os responsáveis.

As duas representantes recordam aos talibãs que estão “vinculados a todas as normas internacionais com as quais o Afeganistão já se comprometeu para a proteção das crianças”.

Além disso, demonstraram preocupação com os direitos das raparigas, incluindo a violência sexual e baseada no género, referindo que o direito à educação das mulheres deve continuar a ser respeitado e protegido de ameaças.

Segundo o comunicado, a primeira metade do ano testemunhou “um número alarmante de violações graves cometidas contra crianças”, o que levou os funcionários a instar os talibãs a garantir o respeito e proteção da ajuda humanitária, num país onde “10 milhões de crianças” precisam dessa ajuda para “sobreviver no terreno”.

“Proteger os direitos de todos os afegãos, incluindo os direitos das crianças, é a única solução sustentável para a paz”, finaliza a declaração.

No documento, a ONU referiu que o Conselho de Segurança identificou seis violações graves contra crianças: recrutamento e utilização, assassínio e mutilação, violação ou outras formas de violência sexual, ataques a escolas e hospitais, raptos e negação de acesso humanitário para crianças.

 

21
Ago21

Mais um sinal de crise: choveu pela primeira vez no pico da calota polar da Gronelândia

Niel Tomodachi

É mais um sinal claro da crise climática que assola o nosso planeta: chuva caiu onde nunca tinha caído, no cume da enorme calota de gelo da Gronelândia. Pelo menos desde que há registos. Aliás, a precipitação foi tão inesperada que os cientistas nem tinham forma de a calcular.

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No pico dos 3216 metros da massa de gelo daquela que é a maior ilha do Mundo, localizada entre o Atlântico Norte e o Oceano Ártico, as temperaturas estão normalmente bem abaixo dos 0ºC e seria altamente improvável - senão mesmo impossível, até agora - que a chuva ali caísse. No entanto, o "impossível" aconteceu entre os dias 14 e 16 de agosto, quando os cientistas na estação de pesquisa da Fundação Nacional da Ciência dos Estados Unidos viram as gotas de água a descer do céu em direção ao glaciar. Pela primeira vez desde que há registos.

De tão inesperada que era a precipitação naquela zona do planeta, os cientistas não tinham sequer medidores para calcular, em número exato, o volume da chuva. Mas, em estimativa, acreditam que tenham caído das nuvens cerca de sete mil milhões de toneladas de água em toda a Gronelândia.

O fenómeno aconteceu durante uma vaga de três dias excecionalmente quentes naquela ilha, quando as temperaturas eram 18ºC mais altas do que a média em alguns lugares. Resultado: gelo a derreter um pouco por toda a Gronelândia, que tem mais de 44 mil quilómetros de linha de costa.

Sem precedentes

Os avisos já foram lançados e as consequências já são visíveis em muitas partes do Mundo: vivemos uma crise climática e estamos "a ultrapassar os limites", alertam os especialistas. O episódio na Gronelândia é só mais um sinal claro do impacto ambiental no planeta.

"O que está a acontecer não é simplesmente uma ou duas décadas quentes num padrão climático errante. Isto não tem precedentes. Estamos a ultrapassar limites que não eram vistos em milénios e, francamente, isso não vai mudar até que ajustemos o que estamos a fazer ao ar", disse à CNN Ted Scambos, o cientista do Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo da Universidade do Colorado que relatou a queda da chuva no pico da calota de gelo.

Um relatório recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) concluiu que era "inequívoco" que as emissões de carbono das atividades humanas estão a aquecer o planeta e a causar impactos como o derretimento do gelo e a elevação do nível do mar.

Ponto de não retorno

Em maio, investigadores relataram que uma parte significativa da camada de gelo da Gronelândia estava a aproximar-se de um ponto de inflexão, após o qual o derretimento acelerado se tornaria inevitável, mesmo se o aquecimento global fosse interrompido.

A Gronelândia também teve um episódio de degelo em grande escala em julho, tornando 2021 um dos quatro anos no último século com um derretimento tão grande, como em 2019, 2012 e 1995. A chuva e o degelo de 14 a 16 de agosto ocorreram no último momento do ano em que um grande evento foi registado.

A causa destes fenómenos é a mesma: o ar quente é "empurrado" sobre a Gronelândia e mantido ali. Esses eventos de "bloqueio" não são incomuns, mas parecem estar a tornar-se mais graves, segundo os cientistas.

Se todo o gelo da Gronelândia derretesse, o nível global do mar aumentaria cerca de 6 metros, embora isso levasse séculos ou mesmo milénios para acontecer. Ainda assim, os biliões de toneladas de gelo derretidos na Groenlândia desde 1994 estão a elevar o nível do mar e a colocar em risco as cidades costeiras de todo o Mundo.

O nível do mar já subiu 20 centímetros e o IPCC disse que a variação provável até ao final do século era de mais 28-100 centímetros, embora pudesse chegar aos 200. O gelo da Gronelândia está a derreter mais rápido do que em qualquer outro momento nos últimos 12 mil anos, com a perda de gelo a ocorrer a uma taxa de cerca de 1 milhão de toneladas por minuto em 2019, estimam os cientistas.

 

20
Ago21

Jovens da Guiné-Bissau são dos que correm mais riscos com crise climática

Niel Tomodachi

Os jovens da Guiné-Bissau são dos que correm mais riscos devido ao impacto das alterações climáticas, segundo um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) hoje divulgado.

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Segundo o relatório, denominado "A crise climática é uma crise dos direitos da criança: apresentando o índice de risco climático das crianças", o impacto das alterações climáticas ameaça a saúde, educação e proteção dos jovens guineenses.

"O relatório concluiu que as crianças guineenses estão altamente expostas a inundações costeiras e poluição do ar, mas também que os investimentos em serviços sociais, especialmente educação, água, higiene e saneamento podem fazer uma diferença significativa na capacidade de proteger o seu futuro dos impactos das mudanças climáticas", refere, em comunicado, a Unicef.

Para a representante da Unicef em Bissau, Nadine Perrault, a "Guiné-Bissau está a tornar-se um lugar mais perigoso para as crianças desfrutarem das suas vidas" devido às alterações climáticas.

Nadine Perrault defendeu que é preciso investir nos serviços que as crianças dependem para "sobreviver", nomeadamente água, saúde e educação.

"Isso vai ajudar a proteger o seu futuro dos impactos de um clima em mudança e degradante", sublinhou, no comunicado, a representante da Unicef.

O relatório revela que 240 milhões de crianças no mundo estão altamente expostas a inundações costeiras, 330 milhões a inundações ribeirinhas, 400 milhões a ciclones, 600 milhões a doenças transmitidas por vetores, 815 milhões à poluição por chumbo, 820 milhões a ondas de calor, 920 milhões à escassez de água e mil milhões expostas a "altos níveis de poluição do ar".

 

18
Ago21

Um planeta barulhento: já não é possível encontrar locais sem ruído humano

Niel Tomodachi

Há três décadas que Gordon Hempton os procura. Sabe que não existem, mas quer dar-nos a conhecer os sítios mais silenciosos.

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Foi numa rotineira viagem no metro de Nova Iorque que o jornalista e professor George Foy esbarrou numa constatação: porque é que aceitamos viver no meio de tanto barulho?

Irritado pelo ruído de gritos, carruagens e avisos sonoros, parou para pensar. “Se este é o barulho levado ao seu nível máximo, qual é o lado oposto? O que é o silêncio absoluto e será que ele existe?”

A busca pelo silêncio que o levou a viajar pelo mundo e a consultar dezenas de especialistas deu origem a um livro, “Zero Decibels”, e a uma descoberta. Mas o norte-americano não foi nem é o único a ter a ambição de encontrar os locais mais silenciosos no planeta.

Antes de mais, é preciso estabelecer dois pontos cruciais. O primeiro é que esta não é só um exercício de curiosidade, mas um desafio humano. Vários estudos traçam a ligação entre a poluição sonora e diversos problemas de saúde, sejam eles mentais ou, por exemplo, cardiovasculares. O ruído humano é, também, prejudicial para a vida selvagem.

Por outro lado, é preciso estabelecer o que se quer dizer quando se fala em silêncio, neste caso silêncio natural — que é o ambiente sem ruído provocado pelos seres humanos, apenas preenchido pelos sons naturais. E são esses locais raríssimos que a organização sem fins lucrativos Quiet Parks International procura pelo mundo fora.

Os números avançados pela organização são claros. De acordo com a QPI, 90 por cento das crianças nunca terão a experiência de estar num ambiente com silêncio natural. E tudo graças à enorme exposição ao ruído humano, em terra, no ar — graças aos quase quatro mil milhões de passageiros em 2017 — e no mar — com um crescimento do tráfego marítimo de 400 por centro entre 1992 e 2014.

Encontrar os últimos locais onde apenas resiste o silêncio natural sem perturbação humana é um desafio mais complicado do que pareceria à partida. Envolve, claro, alguns critérios, nomeadamente o de ser um sítio onde gostaríamos de estar e de ser de fácil acesso. Logicamente, os mais inóspitos estão fora de hipótese. Mas mesmo esses têm um problema.

Ainda que viaje até os locais mais recônditos da Antártica, é provável que acabe por se cruzar com uma expedição, um navio ou acampamentos de cientistas. Os seus geradores e barulhos podem ser ouvidos a longas distâncias. E no deserto? Bem, os aviões que circundam o planeta são outro problema.

As gravações incríveis de Hempton estão disponíveis no Spotify
 

Qualquer avião comercial é audível a partir do chão e o ruído que deixa para trás pode espalhar-se a uma distância de mais de 160 quilómetros. O Pólo Norte é outra das rotas preferidas de aviões de longas distâncias.

Segundo Gordon Hempton, co-fundador da One Square Inch — nome da organização que viria a transformar-se na Quiet Parks International —, ninguém está a salvo do ruído, nem mesmo no meio da densa floresta amazónica, a 1.900 quilómetros da cidade mais próxima. Foi exatamente isso que registou o ecologista, que mesmo nesse local remoto, viu os microfones registarem a passagem de um a dois aviões por hora. “Mesmo que estejamos longe das estradas, nunca estamos demasiado longe das estradas nos céus”, explicava em 2014 à “BBC”.

É a busca por esse sítio raro e idílico que alimenta todos os que trabalham na QPI, que já certificou pelo menos um local selvagem e dois parques urbanos. Estes dois últimos, claro, medem-se perante critérios diferentes.

Encontrar estes locais em terra é uma tarefa dura, mas relativamente simplificada. Explicava em 2014 Hempton que parte do processo passa por identificar os sítios onde haverá inevitavelmente barulho. E esse processo de exclusão revela um mapa muito pequeno onde poderá ser possível fugir ao ruído humano.

Basta, desde logo, eliminar do mapa locais com luz artificial, bem como indústrias mineiras, campos agrícolas, estradas e rotas náuticas.

Identificados os locais, a QPI envia os seus peritos de microfones na mão para medir a qualidade do silêncio nestes locais remotos. São, atualmente, mais de 200 potenciais candidatos à certificação. No entanto, até hoje, só um mereceu a distinção.

Trata-se de uma área junto ao rio Zabalo, na floresta amazónica no território do Equador. Um local sob perigo iminente, alvo de novos desenvolvimentos urbanísticos e de operações da indústria mineira. Infelizmente, a certificação da QPI não é mais do que uma nota pública.

A organização espera, contudo, que a publicidade ajude a luta mediática necessária para garantir a proteção e preservação destes locais. Isso e, claro, o potenciar de um ecoturismo que convença as autoridades a manterem o estatuto de local de silêncio natural.

 

No caso dos parques urbanos, mereceram a distinção o Parque Nacional Yangmingshan, em Taiwan, e Hampstead Heath, em Londres, embora os especialistas reconheçam que esta seleção implica uma alteração dos critérios, menos exigentes em ambientes citadinos e que, portanto, admitem a existência de algum ruído de fundo.

A certificação é um trabalho duro. São necessárias horas e horas de gravações feitas nos locais, depois analisadas ao pormenor. Um zumbido leve de um avião pode deitar tudo a perder.

A definição de local silencioso que Hempton tem trabalhado ao longo das últimas três décadas assume, então, que um ruído humano haverá se surgir. E, portanto, classifica-os como silenciosos se neles se verificarem intervalos de 15 minutos sem interrupção humana — sendo que estas áreas terão que ter pelo menos três mil metros quadrados.

Ao fim de tantos anos de trabalho e com apenas um local registado, pode parecer uma tarefa infrutífera. Hempton tem uma explicação trágica: a de que já não existem sítios naturalmente silenciosos no planeta; e a de que os nossos ruídos, sejam de estradas, comboio, tráfego aéreo e marítimo, invadiram todos os recantos do planeta.

Não é possível, na sua opinião, permanecer num local sem que, a certa altura, um ruído de origem humana não se faça sentir. O que se pode certificar são os locais onde esses eventos são mais raros. E mesmo nas horas e horas de gravações feitas para classificar a área do rio Zabalo, um ocasional zumbido penetrava o silêncio.

“Não existem locais no planeta Terra que eu tenha visitado que não tenham sido afetados pelos ruídos humanos”, afirma à “BBC” o especialista em bioacústica Bernie Krause. “Por todo o planeta, não se passa um dia que não se ouça um destes sons.”

 

16
Ago21

Mulher em Cabul. "Terei de queimar os últimos 24 anos da minha vida"

Niel Tomodachi

Uma jovem mulher descreveu, ao Guardian, o domingo passado e aquilo em se tornou a sua realidade como mulher afegã numa sociedade controlada pelos talibãs. "Nunca esperei que ficássemos privadas dos nossos direitos básicos de novo e que regredíssemos 20 anos", escreveu.

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entrada das forças talibãs em Cabul, no domingo, tem implicações para todo o país, mas há uma faixa da população que fica particularmente vulnerável: as mulheres e as meninas, que, assim como aconteceu na primeira ocupação do movimento radical, serão colocadas estritamente ao serviço da família (do homem) e impedidas de ter acesso à educação.

Uma residente em Cabul, estudante, escreveu um artigo para o Guardian, onde descreveu os acontecimentos de domingo, apanhada de surpresa à ida para a faculdade. Foi avisada para fugir, porque os talibãs estavam já na cidade e iriam bater em mulheres sem burqa (cobertura facial).

"Queríamos ir para casa, mas não podíamos usar os transportes públicos. Os motoristas não nos deixavam entrar nos carros, porque não queriam a responsabilidade de transportar uma mulher", explicou a mulher, que não foi identificada.

Enquanto tentava fugir, alguns homens riam do desespero das mulheres: "Corre e põe o chadari [burqa]"; "São os vossos últimos dias nas ruas"; "Um dia, ainda me caso com quatro de vocês".

 

A mulher replica, também, as palavras da irmã, que trabalhava num escritório. "Desliguei o computador com o qual ajudei o meu povo e comunidade durante quatro anos com muita dor. Deixei a secretária com lágrimas nos olhos e disse adeus às minhas colegas. Percebi que foi o último dia no meu trabalho".

Com "dois cursos a ser tirados em simultâneo nas duas melhores universidades do Afeganistão", a mulher indica que naquele domingo acabou tudo. "Trabalhei dia e noite para me tornar na pessoa que sou hoje, e esta manhã, quando cheguei a casa, a primeira coisa que eu e as minhas irmãs fizemos foi esconder os nossos bilhetes de identidade, diplomas e certificados. Foi devastador".

"Agora, terei de queimar tudo o que consegui nos últimos 24 anos da minha vida. Ter bilhete de identidade ou prémios da universidade americana é arriscado, agora", disse, acrescentando que deixaram de haver empregos para mulheres no Afeganistão.

"Nunca esperei que ficássemos privadas dos nossos direitos básicos de novo e que regredíssemos 20 anos", escreveu.

Recorde-se que, no domingo, depois de o presidente Ashraf Ghani ter abandonado o Afeganistão, os talibãs entraram em Cabul e colocaram fim a uma campanha militar de duas décadas em que os Estados Unidos e aliados, incluindo Portugal, tentaram transformar o país, sem êxito. As forças de segurança afegãs, treinadas pelos militares estrangeiros, colapsaram.

Milhares de afegãos, em Cabul, tentam fugir do país e muitos dirigiram-se para o aeroporto internacional onde a situação é caótica.

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