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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

20
Set22

+Mulher: a nova exposição da Fábrica da Pólvora é um símbolo de força no feminino

Niel Tomodachi

Dez mulheres, com diferentes condições, são as protagonistas da mostra que pode visitar gratuitamente até 23 de outubro.

Dai Moraes sonhou, fotografou e a obra nasceu — não só uma, mas várias, pois cada fotografia é uma obra de arte por si só. Imagens que mostram mulheres despidas de vergonhas e preconceitos, a revelar ao mundo as marcas que fazem delas quem são, únicas nas diferenças que representam a sua individualidade, tão bem captadas pela lente da fotógrafa brasileira.

A exposição +Mulher foi inaugurada na passada sexta-feira, 16 de setembro. Ao chegar à Fábrica da Pólvora, em Barcarena, com a sua inconfundível fachada amarela, somos desde logo apresentados a esta verdadeira galeria a céu aberto. Numa fila de expositores, cada um a representar uma das dez mulheres que aceitaram o desafio de contar as suas histórias de vida, ficamos a conhecer as marcas, as cicatrizes, as doenças e as condicionantes que as acompanham, mas que nem por isso diminuem a sua força.

Para muitas, as partidas da vida mudaram a forma como olhavam para o seu corpo e como se viam ao espelho. A fotógrafa brasileira Dai Moraes quis devolver-lhes a confiança e a autoestima, através de sessões fotográficas feitas com uma enorme sensibilidade e talento, de forma a enaltecer a sua beleza “e mostrar o melhor de cada uma, mesmo que elas não vejam isso ainda”, conta a própria. Uma verdadeira libertação captada pela lente da criadora do projeto, que não escondeu a felicidade naquele fim de tarde onde se reuniram amigos, familiares, convidados e curiosos, para conhecer a exposição +Mulher.

Na Praça do Sol está patente o resultado daquilo que é muito mais que um trabalho fotográfico: é uma missão de vida e o propósito maior que fez Dai Moraes largar a área da publicidade para se dedicar à fotografia. O +Mulher é um projeto marcante que acabou por se tornar em algo muito especial e pessoal para todos os envolvidos. À fotógrafa brasileira juntaram-se outras mulheres que acreditaram na força da sua ideia, na importância do seu projeto e no poder da união feminina. Desde as protagonistas das sessões, à maquilhadora, à videógrafa, até a patrocinadora, todas tiveram um papel essencial para que o resultado fosse aquele que pode encontrar na mostra.

Com um caso de cancro na família, a brasileira teve a certeza de que este era um projeto que tinha que acontecer, assumindo-o como uma missão de vida. “Sou mulher, trabalho com mulheres e sei como temos uma pressão grande de estética. A minha mãe teve cancro do reto, ela teve que usar uma bolsa de colostomia e isso mexeu muito com a autoestima dela. Cada vez mais, fui estando cercada de pessoas que precisavam de ajuda e penso que a fotografia empodera as mulheres, resgata a sua autoestima, e por conta disso, o projeto acabou por crescer dessa forma”, afirma à NiT a fotógrafa e criadora do projeto.

“A primeira pessoa que escalei para o projeto foi a minha mãe, exatamente pela história, por ter vivido de perto este processo de melhorar a autoestima. Depois também falei com uma amiga, a Lu, que tinha uma história muito forte. Pensei: ‘já tenho duas, vamos atrás de outras pessoas’. Acabei por convidar algumas que já tinham sido minhas clientes, como é o caso das duas Anas. E fui apresentada às outras, ao longo do processo. Gosto muito de conversar com as pessoas, acabo sempre trocando histórias, então o networking foi-me levando a cada uma delas”, revela.

 

“O diferente pode ser bonito”

“Apesar das cicatrizes, das marcas, das condições, vemos que elas continuam sendo lindas do jeito que são”, refere Dai. E foi exatamente isso que sentiu Tatiana Chaves, uma das retratadas. “A Dai foi das primeiras pessoas que acreditou em mim, que viu algo que nunca ninguém tinha visto. Foi um sonho tornado realidade. Não há palavras para descrever o que significa, o que senti naquele dia e que estou a sentir neste momento”, conta, emocionada.

A jovem, que sofre de vitiligo e doença de chron, acredita que desta forma pode inspirar outras mulheres a não se deixarem abater com as contrariedades da vida e a sentirem-se especiais, mesmo quando se sentem fora do padrão. “Cada pessoa é única, não há ninguém igual, por isso as pessoas devem amar-se pelo que são e não pelo que os outros querem que elas sejam. Ter participado neste projeto, além da experiência e realização pessoal, é mostrar que, o diferente pode ser bonito”, sublinha Tatiana. À NiO, a jovem revelou ainda que foi contactada recentemente por uma marca portuguesa para um anúncio. “Cada vez mais as marcas querem pessoas diferentes e isso é maravilhoso. Não podemos deixar de gostar de nós só porque somos diferentes”.

Nesta edição do projeto +Mulher, além das imagens, tão fortes e impactantes, estas mulheres ganharam voz, através dos vídeos gravados nas sessões fotográficas e que chegam agora ao público para contar a história de cada uma. Por detrás deste trabalho, está outra mulher, Joana Mouta, videógrafa responsável pela Janela Discreta e cocriadora da exposição.

“Para mim, isto foi uma surpresa. Nunca tinha feito nada com esta intensidade. Gosto de fazer vídeos focados nas emoções, mas nunca tinha feito nada assim. Acompanhei todas as sessões fotográficas que a Dai fez e, no final, fazia uma entrevista a cada uma para contar a sua história. Foi muito bom, porque acho que algumas delas nem sabiam o quanto precisavam de contar a sua história. Foi muito emocionante. Acabámos sempre a abraçar-nos no final e a chorar. Foi muito bonito poder fazer parte”, explica Joana.

A fotógrafa Dai Moraes com a videógrafa Joana Mouta. Créditos: Gustavo Felman
 

E se, ao visitar a exposição, sente uma curiosidade imediata para ver os vídeos, saiba que pode fazê-lo no local, através do QR Code, presente em cada um dos expositores. “As fotografias são fortes, mas o vídeo depois é que vai contar a história de cada uma. Quem quiser vir até cá, é só aceder aos QR Code que estão em cada cubo, e são levados diretamente para a história dessa mulher”, refere a videógrafa.

Quem também sentiu este projeto de uma forma pessoal, foi Cindy Perella, que faz parte do Departamento de Marketing da Coloplast, patrocinadora da exposição. “Quem conhece a Coloplast sabe que a empresa carrega a missão de facilitar a vida das pessoas com necessidades de cuidados de saúde íntima. Já é muito difícil lidar com essa questão da beleza, autoestima e exposição quando estamos saudáveis. Mas quando se tem alguma condição relacionada com a saúde íntima, pode ser muito desafiante e é ainda mais difícil.”

E acrescenta: “Carregamos isso no nosso ADN, queremos facilitar a vida dessas pessoas. Sem sombra de dúvida fazer com que um projeto desses aconteça, patrociná-lo, fazer parte, quebrar o tabu, informar e valorizar a beleza natural dessas mulheres é a execução da nossa missão. Quando este projeto chegou às nossas mãos, demorou apenas dois segundos, para querermos fazer parte e fazer isso acontecer. Nunca vi um projeto tão alinhado com a própria missão da empresa”.

A Dama de Copas juntou-se ao projeto através da oferta da lingerie utilizada nas sessões fotográficas. Estas contaram também com o importante contributo de Ana Schelles e Kênia Bispo para a maquilhagem e cabelos. E assim, da colaboração, apoio, coragem e confiança de todas estas mulheres juntas, foi possível tornar real uma ideia que nasceu para empoderar todas elas.

Ao final da tarde, as responsáveis pelo projeto e exposição subiram ao palco, com discursos emotivos de agradecimento e a certeza de que este projeto muda vidas.

As protagonistas e as responsáveis do +Mulher. Créditos: Gustavo Felman
 

A história do projeto +MULHER

Tudo começou com uma ideia de Dai Moraes, há quase dez anos, no Rio de Janeiro. Nessa altura a fotografia era apenas uma paixão para brasileira, a par com o trabalho numa agência de publicidade, a sua área de formação. Tinha em mente a ideia de fotografar mulheres em tratamento ou vigilância de cancro de mama e assim fez. A força e importância deste trabalho fez depois com que lhe desse continuidade, em 2019. Nesse momento, as sessões decorreram tanto na cidade carioca como em Lisboa e passou a fotografar mulheres em tratamento ou vigilância de diversos tipos de cancro.

Três anos depois, em 2022, Dai, atualmente a viver em Portugal, decidiu alargar ainda mais e mostrar mulheres não só com histórias de cancro, mas com diferentes condições físicas e outros problemas de saúde, que resultam em histórias de vida e de superação incríveis. A terceira edição do + MULHER ganha, assim, uma exposição pública que permite chegar a mais pessoas e levar estas dez histórias de vida incríveis a inspirar tantas outras mulheres que passam pelo mesmo ou por problemas semelhantes.

Dai especializou-se em sessões Boudoir (expressão inspirada na palavra francesa que descreve o recanto privado da mulher), que são normalmente realizadas num ambiente mais íntimo, com um toque de sensualidade, feitas em lingerie e focadas no corpo e nas curvas das mulheres. Foi exatamente isso que procurou proporcionar a estas dez mulheres e o resultado está à vista de todos.

“Sempre quis fazer este trabalho de empoderar mulheres. Quando comecei este projeto, em 2013, a fotografia era mais voltada para o retrato, mas como estava a estudar esta área, pensei que com o Boudoir este tipo de trabalho iria ter um impacto diferente”, sublinha.

Através das sessões femininas Boudoir, Dai Moraes já realizou vários trabalhos em diversos locais como o Brasil, Portugal e o Reino Unido. A fotógrafa tem como objetivo de vida captar sorrisos e descobrir a alma dos seus clientes com a ajuda das lentes fotográficas. Quando perguntámos sobre o futuro do +Mulher, em especial, a fotógrafa não hesitou: “É um projeto para continuar”.

Pode visitar a exposição até 23 de outubro, todos os dias, das 9 às 23 horas. A entrada é livre. Vá até lá, convide os amigos, familiares, partilhe com os seus conhecidos para que o +Mulher inspire cada vez mais pessoas.

 

13
Ago22

Afeganistão. "Usar a burca é como ser sepultada viva"

Niel Tomodachi

Passar a usar a burca foi "como se fosse sepultada viva", relatou uma afegã de 19 anos à agência Lusa a propósito do primeiro aniversário da retoma do poder no país pelos talibãs.

Afeganistão. "Usar a burca é como ser sepultada viva"

Zahra (nome fictício) só conhecia, até há um ano, o Afeganistão que resultou da ocupação dos Estados Unidos e dos aliados ocidentais, em 2001.

Vinte anos depois, em 15 de agosto de 2021, os talibãs reconquistaram o poder, prometendo, na altura, manter os direitos conquistados pelas mulheres, permitindo-lhes trabalhar, frequentar escolas e ter um papel nas decisões sobre o país.

O regresso dos talibãs aconteceu na sequência da retirada das tropas norte-americanas e aliadas do solo afegão, depois de o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ter anunciado, em abril, o fim da guerra contra o terrorismo naquele país.

Apesar de considerar que a situação em que cresceu "não era a ideal", Zahra defendeu que a que resultou da saída dos ocidentais e do regresso ao poder dos talibãs "é muito, muito pior" e "chega para tirar a esperança" sobretudo às mulheres, raparigas e meninas.

As restrições impostas às mulheres começaram logo e muitas tiveram de deixar de trabalhar, afastar-se de cargos públicos, deixar as escolas e, a partir de 06 de maio passado, usar uma burca sempre que estiverem em público.

"Devem usar o 'chadri' [a burca] porque é tradicional e respeitoso", impôs um decreto publicado pelo regime talibã, adiantando que a obrigação abrange todas "as mulheres que não são nem demasiado jovens nem demasiado velhas" e que estas "devem velar o seu rosto quando encontram um homem que não é membro da sua família" de forma a evitar provocações.

A primeira vez que usou burca, Zahra sentiu "vergonha e só conseguiu olhar para o chão", e considera que "é isso mesmo que é pretendido, que as mulheres se sintam inferiores".

A burca não era estranha a Zahra, claro, e costumava ver muitas mulheres com aquele manto preto ou azul e rede nos olhos, mesmo no tempo do governo anterior. Mas nunca tinha usado e "tem medo de ter de a usar para sempre".

"É como se fosse sepultada viva", garantiu, defendendo vivamente que tem a certeza de que Deus não quereria isso para ninguém.

O medo é o sentimento mais presente na vida desta jovem afegã. Zahra contou que vive numa família só de mulheres, partilhando a vida com a sua mãe e a sua avó, que ainda se lembra de usar minissaia e passear sozinha com as amigas nas ruas de Cabul.

Mas isso "foi antes". Antes de os talibãs tomarem o poder, antes da imposição da 'sharia', o sistema jurídico do Islão tornado fundamentalista, e "antes de as mulheres serem consideradas pessoas de segunda categoria", lamenta Zahra.

"Agora, vivo com medo do futuro. Tive de abandonar a escola e temos muitas dificuldades financeiras", afirmou, acrescentando que a mãe não a quer obrigar a casar, mas "um dia, talvez tenha de aceitar o destino".

Como vive numa família só de mulheres, as dificuldades agravam-se quase todos os dias. Sair à rua é um processo complicado porque não tem em casa um 'mahram', um homem que a acompanhe e sirva de guardião aos olhos dos fundamentalistas. Embora confesse que a mãe às vezes arrisca, Zahra foi proibida de sair sem cumprir as regras.

"Elas têm medo por mim", explicou, referindo-se à mãe e à avó e admitindo que ela também tem.

Por isso, quando é absolutamente necessário sair, pede ajuda a um tio ou um primo, mas normalmente deixa-se ficar no seu quarto ou costura algumas coisas para "ajudar nas despesas".

A contrastar com as histórias que a avó conta dos anos em que era nova, quando o Afeganistão era mais parecido com um qualquer país da Europa, Zahra nem sonha em usar minissaia. Foi educada na modéstia e sempre cobriu a cabeça. "Mesmo que vivesse noutro lado, acho que não seria capaz".

Mas conduzir um carro é um sonho que tem desde pequena. "Ir para o trabalho a conduzir o meu próprio carro e a cumprimentar as pessoas na rua", descreve, referindo que reza todos os dias por esse momento.

"É um sonho de liberdade", concluiu.

 

27
Abr22

Anunciadas as seis escritoras finalistas do Women's Prize for Fiction

Niel Tomodachi

Louise Erdrich, Elif Shafak, Maggie Shipstead, Ruth Ozeki, Meg Mason e a romancista estreante Lisa Allen-Agostini são as finalistas do Women's Prize for Fiction, hoje anunciadas, representando um total de seis países.

Anunciadas as seis escritoras finalistas do Women's Prize for Fiction

júri do Prémio anunciou hoje os romances finalistas escolhidos a partir da 'longlist' de 16 títulos, anunciada em março, e que já tinha sido apurada de entre 175 submissões a concurso para o prémio que distingue anualmente a melhor obra de ficção escrita por mulheres.

A 'shortlist' deste ano engloba uma série variada de temas, que inclui a pertença e identidade, o poder da natureza, o fardo da história, a liberdade pessoal, a irmandade, doenças mentais, fantasmas, violência de género, a oportunidade de renovação.

Trata-se de romances que fornecem também cenários globais, que vão da Antártida a Montana e do Chipre a Trinidad e Tobago, destacou o júri.

"Fomos brindadas com uma qualidade extraordinariamente elevada de submissões este ano, o que tornou particularmente difícil a redução da lista de 16 para seis romances, mas a lista final contém uma variedade maravilhosa de histórias, assuntos, cenários e autores, desde a experiência de uma mulher nativa americana numa livraria assombrada, a uma aviadora precoce na Antártida", destacou Mary Ann Sieghart, presidente do júri.

Um romance é narrado por uma árvore, outro por um livro, alguns são engraçados, outros tristes e, por vezes, as duas coisas combinadas no mesmo livro, acrescentou, afirmando que o "único problema agora será identificar o vencedor entre estes seis brilhantes romances".

Um dos romances que mais tem prendido a atenção nesta edição do Women's Prize for Fiction é 'The Island of Missing Trees' (editado em Portugal no mês passado pela Presença com o título 'A ilha das árvores desaparecidas'), da escritora turca-britânica Elif Shafak, autora multipremiada e repetente na corrida a este prémio.

Também Louise Erdrich se tem destacado, não só por já ter recebido vários prémios, mas por ser considerada umas das mais talentosas escritoras da atualidade e uma das mais importantes dos Estados Unidos, que concorre agora com o romance 'The Sentence'. A autora, que cresceu no Norte Dakota entre comunidades de origem norte-europeia e nativos-americanos Ojibwa, na base de algumas das suas personagens, tem publicados em Portugal livros como 'Pegadas' e 'A rainha da beterraba' (Dom Quixote) e 'Vida de sombras' e 'A casa redonda' (Clube do Autor).

Outra autora que se tem destacado é a norte-americana Maggie Shipstead, cujo romance finalista 'Great Circle' chegou também à 'shortlist' do Prémio Booker do ano passado. Da autora, está publicado em Portugal o romance 'Deslumbra-me' (Jacarandá).

A par com estas autoras consagradas concorre um romance de estreia, 'The Bread the Devil Knead', de Lisa Allen-Agostini, escritora de Trinidad e Tobago.

A neozelandesa Meg Mason, com o romance 'Sorrow and Bliss', e a americana-canadiana Ruth Ozeki, com 'The Book of Form and Emptiness', completam a lista final.

Para trás ficaram outros quatro romances que marcam a estreia das suas autoras: 'Build Your House Around My Body', de Violet Kupersmith, 'Careless', de Kirsty Capes, 'The Final Revival of Opal & Nev', de Dawnie Walton, e 'The Paper Palace', de Miranda Cowley Heller.

As outras escritoras da 'longlist' que não chegaram à final são Leone Ross ('This One Sky Day'), Catherine Chidgey ('Remote Sympathy'), Rachel Elliott ('Flamingo'), Charlotte Mendelson ('The Exhibitionist'), Morowa Yejidé ('Creatures of Passage') e Lulu Allison ('Salt Lick').

Além de Mary Ann Sieghart, fizeram ainda parte do painel de jurados a jornalista e editora premiada Lorraine Candy, a romancista e jornalista Dorothy Koomson, a autora e jornalista literária premiada Anita Sethi, e a jornalista, radialista, 'podcaster' e autora Pandora Sykes.

No ano passado, o prémio foi atribuído ao romance 'Piranesi', de Susanna Clarke, entretanto editado em Portugal pela Casa das Letras.

Dirigido pela romancista Kate Mosse, o Women's Prize for Fiction tem por objetivo reconhecer a ficção escrita por mulheres em todo o mundo.

Criado em 1992, em Londres, por um grupo de homens e mulheres jornalistas, críticos, agentes, editores, bibliotecários e livreiros, o prémio foi uma resposta ao facto de, no ano anterior, a lista de finalistas do prestigiado prémio literário Booker não ter incluído uma única mulher.

Em 1992, apenas dez por cento das finalistas ao Booker Prize tinham sido mulheres.

A residência ou o país de origem não são critérios de elegibilidade para o Women's Prize for Fiction, que celebra a criatividade feminina.

A vencedora, que será anunciada a 15 de junho, recebe um prémio monetário no valor de 30 mil libras (perto de 33 mil euros).

 

29
Mar22

Mulheres afegãs proibidas de viajarem de avião sem um familiar masculino

Niel Tomodachi

Desde o seu regresso ao poder, a 15 de agosto de 2021, os talibãs anunciaram várias restrições à liberdade das mulheres. Das roupas à interdição da frequência no ensino médio, as mulheres afegãs estão cada vez mais arredadas da vida pública. Associações preparam manifestações

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Os talibãs ordenaram que as companhias aéreas no Afeganistão impeçam as mulheres de embarcar, a menos que estejam acompanhadas por um familiar do sexo masculino, uma nova restrição às liberdades das afegãs, muito afetadas nos sete meses que este grupo está no poder.

Desde o seu regresso ao poder, a 15 de agosto de 2021, os talibãs anunciaram várias restrições à liberdade das mulheres, geralmente aplicadas localmente, de acordo com as autoridades regionais do ministério para a Promoção da Virtude e a Prevenção do Vício.

O movimento islamita prometeu que apresentaria uma versão mais tolerante do rígido código de comportamento que o seu governo impôs no seu primeiro período no poder, de 1996 a 2001. Mas desde agosto que têm vindo a reverter duas décadas de avanços nos direitos das mulheres afegãs. Elas foram excluídas da maioria dos cargos públicos e do ensino médio. Além disso, elas estão também agora obrigadas a usar roupas de acordo com uma interpretação estrita do Alcorão.

As novas medidas contra as viagens das mulheres foram divulgadas poucos dias após o encerramento das escolas do ensino médio para meninas – apenas algumas horas após a reabertura, pela primeira vez, desde a chegada dos islamitas radicais ao poder.

Uma carta enviada por um executivo da Ariana Afghan aos funcionários da companhia aérea após a reunião com os talibãs – a AFP obteve uma cópia da mensagem – confirma que as novas instruções devem ser aplicadas a todos os voos. “Nenhuma mulher pode viajar em um voo local ou internacional sem um parente masculino”, lê-se no documento. A decisão foi adotada após uma reunião na quinta-feira entre representantes do Talibã, das duas companhias aéreas e autoridades migratórias do aeroporto, informaram à AFP os dois funcionários, que pediram anonimato. Dois agentes de viagens também confirmaram à agência noticiosa que pararam de emitir bilhetes para mulheres que viajam sozinhas. “Algumas mulheres que viajavam sem um familiar do sexo masculino não conseguiram embarcar em um voo da Kam Air, na sexta-feira, de Cabul a Islamabad”, afirmou um passageiro à AFP.

Recorde-se que os talibãs já tinham proibido as mulheres de viajarem sozinhas por estrada entre cidades caso o trajeto superasse os 72 quilómetros, mas o embarque em voos ainda não tinha sido restringido. Foi agora. Ainda não está claro se a regra também se aplica a mulheres estrangeiras, mas a imprensa local informou que uma mulher afegã com passaporte americano foi impedida de embarcar em um avião na semana passada.

Esta semana as associações de defesa dos direitos das mulheres no Afeganistão pretendem organizar manifestações, caso as escolas não retomem as aulas.

Os islamistas radicais também parecem ter iniciado uma repressão à imprensa local, que prosperou sob regimes anteriores apoiados pelos Estados Unidos. Nesta segunda-feira, 28 de março, na província de Kandahar, no sul, os serviços de inteligência talibãs executaram operações em quatro emissoras de rádio que tocam música e prenderam seis jornalistas. No domingo, 27, tinham ordenado a interrupção dos programas da BBC nas emissoras associadas do grupo britânico público de media.

Com agências

 

17
Fev22

Uma em cada quatro mulheres já sofreu violência doméstica, revela estudo mundial

Niel Tomodachi

Pesquisa inédita reúne relatos de mulheres de 161 países e mostra que 24% das mulheres sofrem agressão desde os 15 anos

Manifestante segura cartaz de "Basta" durante protesto contra violência contra a mulher em La Paz, capital da Bolívia (31-1-22). Foto: JORGE BERNAL / AFP

Ao menos uma em cada quatro mulheres já sofreu algum tipo de violência por parte do parceiro ao longo da vida. São casos de violência física ou sexual que também se revelam recentes: 13% dos episódios aconteceram em 2018, último ano incluído em um estudo mundial encomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e publicado na revista científica “The Lancet”.

A pesquisa reuniu informações de um banco de dados global da OMS sobre prevalência da violência contra as mulheres, que reúne pesquisas realizadas em 161 países entre os anos de 2000 e 2018 (últimos dados disponíveis). A análise dos relatos indica que 27% das mulheres com idades entre 15 e 49 sofreram violência doméstica pelo menos uma vez na vida, com uma a cada sete (13%) sofrendo episódios em 2018.

Como as estimativas são baseadas em experiências relatadas pelas próprias mulheres, e considerando que o tema ainda é tabu em muitos países, a verdadeira prevalência de violência, lembra o estudo, provavelmente é ainda maior.

A experiência deixa marcas na saúde física e mental das mulheres – e também de crianças e famílias em todo o mundo. E muitas vezes começa cedo. A pesquisa identificou altos níveis de violência vivenciados por adolescentes e mulheres jovens: 24% das mulheres de 15 a 19 anos foram agredidas ao menos uma vez pelos parceiros desde os 15 anos. 

A prevalência de violência recente também foi maior entre essa mesma faixa etária. Uma em cada seis adolescentes de 15 a 19 anos e de mulheres jovens de 20 a 24 anos sofreu violência doméstica em 2018.

— O alto número de mulheres jovens que sofrem violência por parte do parceiro é alarmante, pois a adolescência e o início da vida adulta são fases importantes da vida, quando são construídas as bases para relacionamentos saudáveis. A violência que essas jovens sofrem tem impactos duradouros em sua saúde e bem-estar — explica Lynnmarie Sardinha, principal autora do artigo.

O estudo também faz um recorte geográfico e mostra que, em geral, países de renda mais alta apresentam taxas mais baixas de violência doméstica. A prevalência de violência contra a mulher de 15 a 49 anos foi mais alta na Oceania (49%) e na África Subsaariana Central (44%). Por outro lado, foi mais baixa na Ásia Central (18%) e na Europa Central (16%).

 

Piora na pandemia

Os dados foram colhidos antes da pandemia da Covid-19, mas o estudo reforça que outras pesquisas recentes mostram como fatores como isolamento, depressão e ansiedade e uso de álcool, além da redução de acesso a serviços de ajuda na pandemia, agravaram os casos de violência contra as mulheres.

Além de expor a dimensão mundial do problema, o estudo pretende oferecer dados de base para ajudar os governos de diferentes países a monitorar e estabelecer políticas públicas de prevenção e combate à violência contra a mulher. A pesquisa avalia que os governos ainda não estão agindo para cumprir as metas de erradicação de violência contra as mulheres e que é urgente tomar ações. O tema é parte da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável.

 — Embora tenha havido progresso nos últimos 20 anos, ainda é extremamente insuficiente para alcançar a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de eliminar a violência contra as mulheres até 2030 — disse a coautora do estudo, Claudia García-Moreno, da OMS.

 

25
Jan22

Há uma nova editora em Portugal — e só vai publicar livros de mulheres

Niel Tomodachi

A Aurora Editora nasce pelas mãos da fundadora do Book Gang, Helena Magalhães.

Chama-se Aurora Editora e é a nova chancela do grupo Infinito Particular — o objetivo é apenas editar obras de autoras femininas, da literatura portuguesa e internacional, que muitas vezes não têm tanto destaque ou oportunidades no meio.

O projeto nasce pelas mãos da fundadora do clube de leitura e livraria digital Book Gang, Helena Magalhães, que já colaborava com o Infinito Particular. A também autora será a responsável pela curadoria editorial da Aurora.

A ideia passa por apostar em novas autoras portuguesas, mas também traduzir obras de escritoras estrangeiras. “Tenho sido bastante vocal na abertura do mercado às novas vozes femininas e na minha luta pelo incentivo à leitura através de livros modernos e atuais que falem às gerações de hoje. É isso que vou trabalhar na Aurora Editora e sinto-me privilegiada por terem confiado em mim para isto e por este desafio/sonho que tenho em mãos”, escreveu Helena Magalhães no Instagram.

“Sou a curadora de toda a parte editorial (trazer para cá livros internacionais que, na minha visão, podem ter impacto no mercado ao criar novos leitores; e lançar novas autoras portuguesas, claro) e criativa (AS CAPAS!!!! Vão ser obras de arte)”, acrescentou.

O primeiro lançamento vai acontecer em fevereiro. “Foi das leituras que mais me entusiasmaram no ano passado e que sei que é muito ansiado em Portugal e não vai desiludir. É um orgulho poder lançar a Aurora Editora com este romance tão atual, que nos faz refletir e incentiva ao diálogo.”

Trata-se de “Os Melhores Anos”, o primeiro livro de Kiley Reid. A história centra-se numa babysitter negra que é acusada de ter sequestrado uma criança branca — apesar de ela não ter cometido qualquer crime.

18
Nov21

HELPO: No Giving Tuesday, apoie as Mulheres Ativistas da Ilha de Moçambique!

Niel Tomodachi

No Giving Tuesday, apoie as Mulheres Ativistas da Ilha de Moçambique!

São mães e agricultoras da Ilha de Moçambique, e são também ativistas nas suas comunidades; são mulheres que contribuem para a disseminação de conhecimentos e boas práticas de alimentação e nutrição, promovendo o combate à desnutrição crónica nas crianças e a redução da insegurança alimentar nas famílias.
A desnutrição crónica pode ser prevenida e reversível até aos 2 anos de idade. Para isso, é essencial promover o acesso a conhecimento e envolver as mulheres em cada comunidade, dado a sua importância na providência de cuidados no seio familiar.

O projeto “1000 dias de boa alimentação: De mãos dadas entre a agricultura e a nutrição pelas grávidas e crianças do distrito da Ilha de Moçambique”, tem como objetivo melhorar o estado nutricional durante os primeiros 1000 dias de vida das crianças, através da produção de alimentos locais e da sua disponibilidade anual, aliando a Nutrição à Agricultura. Mais informação, aqui.

Como pode ajudar?

1. Transferência bancária

IBAN PT50 0010 0000 34833480003 28 

2. SER SOLIDÁRIO:

Através da Rede MULTIBANCO:

Selecione “Transferências e Débitos Diretos” > “Ser Solidário” > Escolha a Associação Helpo >Montante > e, caso deseje, o NIF. Pode emitir a fatura simplificada para efeitos fiscais.

Através de MB WAY:

Na app MB WAY, escolha a opção “Ser Solidário”, selecione a Associação Helpo e introduza o montante e o seu NIF (Número de Identificação Fiscal).

3. Através do botão de donativos na nossa página de facebook e instagram.

Apoie estas mulheres e faça a diferença na vida de milhares de crianças!

 

HELPO

08
Nov21

"Amor-Próprio" de Megan Logan

Guia Prático para Mulheres

Niel Tomodachi

Liberte-se da insegurança, pratique a autocompaixão e aceite a pessoa que é!

Amor-Próprio, Megan Logan - Livro - Bertrand

Sobre o Livro:

Neste mundo em constante mudança, cheio de desafios pessoais e profissionais, nem sempre é fácil dar prioridade ao amor-próprio. Este guia é o primeiro passo para o fazer. Com recurso a atividades inspiradoras e que incentivam a autorreflexão, ficará habilitada a focar-se na sua saúde mental, a fazer mudanças positivas e a assumir o controlo da sua vida.

Quer esteja a recuperar de uma imagem corporal distorcida, a abandonar um relacionamento doentio ou simplesmente decidida a colocar-se em primeiro lugar, este livro fornece ferramentas e exercícios úteis para criar uma vida repleta de significado e propósito.

Duas abordagens diferentes: Aprender o que é realmente o amor-próprio e porque é tão importante, e depois libertar-se da insegurança praticando a autocompaixão.
Técnicas comprovadas: Deixe-se inspirar por afirmações, incitações e exercícios inspiradores baseados na psicologia positiva, no mindfulness e noutras especialidades.
Tudo o que precisa é de amor-próprio: Quer esteja a passar por um mau momento, ou queira apenas incluir práticas de autocompaixão na sua vida, este guia irá ajudá-la a atingir o seu pleno potencial.

Prático, repleto de exercícios terapeuticamente comprovados, e com recurso a afirmações e citações inspiradoras.

 

Sobre a Autora:

Megan Logan é licenciada em Serviço Social pela James Madison University. Com mais de vinte anos de experiência, trabalhou em vários contextos de saúde mental, incluindo centros de apoio a vítimas de violência doméstica e de abuso sexual, um programa de transtornos alimentares e uma unidade de cuidados paliativos.
Tem-se dedicado à prática privada, especializando-se em questões relacionadas com abuso, perturbações alimentares, trauma, luto e perda.

 

«Praticar o amor-próprio significa aprendermos a confiar em nós, tratarmo-nos com respeito e sermos bondosos e amáveis para connosco.»
Brené Brown, autora bestseller de A Coragem de Ser Imperfeito

 

22
Out21

Voltar a ser virgem para sobreviver no Afeganistão

Niel Tomodachi

Fugir e desonrar a família ou morrer a tentar amar. Chegar ao casamento não virgem é uma sentença de morte para as mulheres afegãs, obrigadas a recorrer a cirurgias de reconstrução do hímen. Os testes de virgindade são pedidos com frequência pelas autoridades e por familiares.

No Afeganistão, as mulheres solteiras não podem ter relações sexuais

Têm apenas 22 anos e, às costas, o peso de um crime já cometido - relações sexuais entre solteiros - e de um segundo que sonham cometer: fugir do país. Embora este último não esteja tipificado na lei afegã, merece igual reprovação, numa sociedade que reprime, persegue e castiga os jovens que ousam sonhar.

Com o regresso da força talibã ao poder, ao fim de 20 anos, a história de amor de Leila e Ehsan complica-se. O casal aceitou falar com o "El País" - que por motivos de segurança lhe atribuiu nomes fictícios - mas não esconde o medo: as suas vidas estão em perigo. Imaginar uma vida a dois em Cabul, com independência e um futuro livre é, para eles, quase uma utopia.

Numa altura em que, com a criação do Emirado Estado islâmico, o Ministério da Mulher acaba de desaparecer (substituído por uma espécie de "polícia moral" que promove a virtude), Leila decidiu submeter-se a uma cirurgia ginecológica para reconstruir o hímen. Voltar a ser virgem por não acreditar que os ventos possam mudar a seu favor.

Tem casamento marcado, daqui a seis meses, com o noivo que a família lhe escolheu e, se assim não fosse, estaria a desonrar ambas as famílias, explica, de forma crua, a estudante de Tecnologia da Saúde, fazendo o gesto de cortar o pescoço.

As provas de virgindade continuam frequentes no Afeganistão, não só a pedido das autoridades mas das próprias famílias, confirmou Heather Barr, responsável da área das mulheres da "Human Rights Watch". Daí a nobreza do trabalho de Shakila, a médica, de 30 anos, que operou Leila e tantas outras jovens. "Quero ajudar as meninas a terem uma vida livre e feliz", sublinhou. "É por isso que é tão importante para mim restaurar-lhes o hímen. Temos uma religião que proíbe as raparigas de fazerem sexo sem serem casadas. E quem não casa tem de ficar com o hímen intacto", explicou, assumindo que vive apavorada que alguém (incluindo o próprio marido) descubra esta vertente do seu trabalho.

Nos últimos sete anos, Shakila, que trabalha num hospital privado, já fez mais de 70 cirurgias ginecológicas do género. Utiliza os seus próprios instrumentos - num procedimento que considera simples e sem riscos - e aceita a vida dupla porque sabe que está a salvar vidas. "Eles podem matá-las". Cada intervenção ronda os 430 euros mas, na maior parte das vezes, não consegue cobrá-los porque as pacientes não têm dinheiro. Além de ser contactada pelas adolescentes, muitos pais recorrem aos seus serviços, sobretudo em caso de violação.

Segundo dados da "Human Rights Watch", em 2012 havia cerca de 400 adolescentes e mulheres presas, no Afeganistão, por crimes relacionados com a moral. Punição que as autoridades pretendem que sirva de exemplo a todas as raparigas que tentam evitar casamentos forçados, violações e outro tipo de abusos.

É por isso que Leila não expressa grande reação quando Ehsan garante ao "El País" que vai lutar para salvar este amor. "Temos de encontrar uma maneira de ficar juntos", atira o estudante de Economia. E o tempo está a esgotar-se.

 

17
Out21

Há um milhão e 100 mil mulheres portuguesas em situação de pobreza

Niel Tomodachi

Uma em cada cinco mulheres portuguesas está em situação de pobreza em Portugal. As contas decorrem de um estudo da CGTP publicado a propósito do Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, que se assinala neste domingo, 17 de outubro

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A Comissão de Igualdade da CGTP alertou para a existência de mais de 20% de mulheres em situação de pobreza em Portugal, percentagem que diz manter-se superior à dos homens, e apelou a medidas.

“As mulheres têm um risco de pobreza superior ao dos homens, em Portugal, em virtude de os seus salários serem muito baixos, assim como todas as prestações que deles dependem”, denuncia a CGTP em comunicadoo.

O alerta é feito a propósito do Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, que se assinala neste domingo, 17 de outubro, apelando para a necessidade de o combate à pobreza “passar pelo aumento geral dos salários e das pensões, pela garantia de emprego estável e pelo fim da caducidade das convenções coletivas” de trabalho, como instrumentos que considera essenciais para garantir a distribuição da riqueza.

A CGTP diz ainda que, em 2020, existiam 2,37 milhões de residentes em Portugal em situação de pobreza ou exclusão social e, desses, cerca de um milhão e 100 mil eram mulheres, correspondente a 20,2% do total de mulheres residentes em Portugal, acima da percentagem de homens.

Há um mês e meio, em agosto, as mulheres eram as principais beneficiárias das prestações de desemprego (59% mulheres e 41% homens), lembra a central sindical, considerando que os indicadores apresentados esta semana pelo Governo, na proposta de Orçamento do Estado para 2022, revelam uma desigualdade de rendimentos nos ganhos de 17,1% e nas pensões de 28,4%, entre homens e mulheres.

A Comissão de Igualdade da CGTP destaca ainda serem mulheres os 69% de pensionistas com pensões até 438,81 euros, abaixo do limiar da pobreza, e que as mulheres trabalhadoras são mais de metade dos desempregados, são a maioria das famílias monoparentais e dos pobres em Portugal e que evidenciam as dificuldades e as desigualdades “que se mantém” em Portugal.

“Mais do que discursos politicamente corretos de quem governa, precisamos de políticas que resolvam os problemas do dia-a-dia”, apela a CGTP, no documento.

 

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