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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

05
Mai21

"As Crianças Invisíveis" de Patrícia Reis

Niel Tomodachi

Um romance ímpar sobre adoção, maus-tratos e abandono. Surpreendente até ao final.

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Sobre o Livro:

M. é uma criança habituada a ser usada e devolvida por famílias sucessivas como um produto que não satisfaz o cliente. Cresce numa instituição de acolhimento, onde vai descobrindo o poder da amizade e as armadilhas do desejo e da paixão. Esta é a sua história até chegar à idade adulta, atravessando um processo de invisibilidade, no qual a dor se confunde com a esperança de encontrar uma vida a que possa chamar sua. Ao seu lado existem outras crianças e ainda Conceição, a assistente social que escolhe amar M. incondicionalmente.

As Crianças Invisíveis é um romance que alia um exercício literário ímpar com um profundo trabalho de investigação sobre abandono, maus-tratos e adopção. Construindo toda a narrativa de uma maneira muito original, sem identificar o sexo das crianças, e a partir do olhar delas, a escrita límpida, poderosa e cirúrgica de Patrícia Reis conduz-nos, neste romance avassalador, através dos sonhos, do medo e da intimidade de um conjunto de personagens que percorrem a infância e a adolescência sem pai, nem mãe, nem identidade

 

Sobre a Autora:

Patrícia Reis nasceu em 1970, em Lisboa. Começou a sua carreira de jornalista n’O Independente, na revista Sábado e estagiou na revista norte-americana Time. Esteve no Expresso, fez a produção do programa de televisão Sexualidades, trabalhou na revista Marie Claire, na Elle e nos projetos especiais do diário Público. Desde 2000 que assume a edição da revista Egoísta.
Estreou-se na ficção em 2004, com a novela Cruz das Almas, a que se seguiram os romances Amor em Segunda Mão (2006), Morder-Te o Coração (2007), que integrou a lista de 50 livros finalistas do Prémio Portugal Telecom de Literatura, No Silêncio de Deus (2008), Antes de Ser Feliz (2009), Por Este Mundo Acima (2011), Contracorpo (2013), Gramática do Medo (2016), escrito a quatro mãos com Maria Manuel Viana, A Construção do Vazio (2017) e As Crianças Invisíveis (2019). É ainda autora de obras de cariz biográfico e de livros infantojuvenis, entre os quais a coleção Diário do Micas, que tem o selo do Plano Nacional de Leitura.
A novela O que nos separa dos outros por causa de um copo de whisky (2014) ganhou por unanimidade o Prémio Nacional de Literatura da Fundação Lions. Da Meia-Noite às Seis (2021) é o seu mais recente romance.

 

05
Mai21

Meghan Markle vai publicar o seu primeiro livro no próximo mês

Niel Tomodachi

A duquesa de Sussex criou uma história infantil chamada “The Bench”, relacionada com a paternidade.

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Depois da produtora de entretenimento que está a colaborar com a Netflix e o Spotify, Meghan Markle continua a explorar novos projetos e anunciou esta terça-feira, 4 de maio, que vai lançar um livro infantil a 8 de junho. Chama-se “The Bench” e ainda não há informações sobre se vai ser editado em Portugal.

O livro centra-se na relação entre pais e filhos a partir da perspetiva da mãe. A ideia surgiu com um poema que Meghan Markle escreveu no Dia do Pai para o seu marido, o Príncipe Harry. O casal tem um filho, Archie, que está prestes a celebrar o segundo aniversário, e vão ter uma bebé que vai nascer no verão.

Será uma publicação da Random House Books for Young Readers.
 

O livro conta com ilustrações de Christian Robinson. Meghan Markle é uma fã de literatura há muito tempo e ao longo dos anos tem dito em entrevistas como gostava de passar essa paixão pela leitura aos seus filhos.

 

01
Mai21

"A Mão que Mata" de Lourenço Seruya

Niel Tomodachi

Alguém está disposto a tudo para esconder um terrível segredo

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Sobre o Livro:

Numa fria manhã de inverno, é encontrado um cadáver numa mansão na Serra de Sintra.
A família Ávila estava aí reunida para formalizar as partilhas patrimoniais, na sequência do falecimento do patriarca e jamais imaginava que o processo seria interrompido daquela forma.
O Inspetor Bruno Saraiva e a sua brigada da PJ são chamados a investigar, deparando-se com um caso peculiar: a vítima não era propriamente adorada pelos familiares, mas também ninguém tinha motivos para a querer morta. Terá o homicídio resultado de um assalto?

As opiniões dividem-se e a família Ávila não parece muito disposta a colaborar com a polícia.
Até que é encontrado um segundo cadáver na mansão…

Bruno Saraiva não tem dúvidas que o assassino está naquela casa, mas não tem ninguém que o apoie nesta teoria. Sem provas concretas que sustentem a sua crença, o Inspetor faz uma viagem-relâmpago a uma aldeia do Norte. Aí, toma conhecimento de uma informação que o põe no encalço do assassino: alguém que está disposto a tudo para esconder um terrível segredo.

 

Sobre o Autor:

Lourenço Seruya nasceu em Lisboa, no final do século xx. Depois de uma breve passagem pela área da Comunicação, concluiu em 2015 o Curso de Formação de Atores da ACT – Escola de Atores. Desde 2011 que representa em Teatro, Televisão e Cinema. Do seu currículo constam cinco espetáculos teatrais, mais de vinte filmes e outras tantas participações em séries e novelas. Paralelamente ao trabalho de ator, dá aulas de expressão dramática a crianças e adultos. Fã convicto de literatura policial, elege como principais referências Agatha Christie e Camilla Läckberg. Tem um irmão gémeo.

 

01
Mai21

Novo romance de Sally Rooney vai ser publicado em Portugal em outubro

Niel Tomodachi

'Beautiful world, where are you', o novo romance de Sally Rooney, que segue quatro jovens na Irlanda, a navegar entre o amor, a amizade e os seus medos quanto ao futuro, vai ser publicado em outubro em Portugal.

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O terceiro romance da escritora irlandesa, que ganhou fama internacional com 'Pessoas normais' e 'Conversas entre amigos' será editado em Portugal pela Relógio d'Água, que divulgou a data de publicação prevista, no seu planeamento editorial.

O lançamento de 'Beautiful world, where are you' já estava agendado para dia 7 de setembro no Reino Unido (pela editora britânica Faber) e nos Estados Unidos (pela Farrar, Straus and Giroux).

Agora, a Relógio d'Água, que na altura disse estar a negociar os direitos do livro, confirma que vai publicá-lo no próximo mês de outubro.

À semelhança dos anteriores, o novo romance de Sally Rooney também examina as relações românticas e emocionais de quatro jovens adultos, embora mais velhos e com preocupações mais globais e enraizadas.

Situada maioritariamente em Dublin e numa cidade próxima, a história centra-se em Alice, uma romancista, Eileen, a sua melhor amiga, Félix, que trabalha num armazém, e Simon, um homem que Eileen conhece desde a infância.

"À medida que o verão se aproxima, elas trocam 'e-mails' sobre arte, amizade, o mundo à sua volta e os complicados assuntos amorosos que se desenrolam nas suas próprias vidas. Dizem que querem ver-se de novo em breve. Mas o que vai acontecer quando o fizerem?", descreve a sinopse do livro.

Nas suas conversas, os amigos dissecam as suas vidas amorosas e os seus medos em relação ao futuro do planeta, sobre um pano de fundo da agitação política e dos receios quanto ao futuro económico, descreve o The New York Times.

"O próprio título fala de alguns dos temas do livro, é uma pergunta sem resposta. As personagens estão a contemplar um mundo em que o futuro é muito incerto para elas - como vai ser o mundo do trabalho, o que vai acontecer ao planeta, quais são as políticas pelas quais todos nós vivemos. Penso que a fasquia está mais elevada", afirma Mitzi Angel, editora da Farrar, Straus and Giroux.

De acordo com Mitzi Angel, os livros de Sally Rooney "são sempre políticos, porque são sobre como as pessoas precisam de descobrir como viver juntas, sobre como nos devemos comportar".

"São perguntas que estão presentes no livro, e ela coloca essas questões sem ser acutilante, mas com muita sinceridade", salienta.

Para o editor da britânica Faber, Alex Bowler, este romance marca o "próximo salto criativo de uma escritora singular" e "absorve" o leitor "na vida interior de personagens com mentes brilhantes e corações sofridos".

"O livro cintila com inteligência, empatia e, sim, beleza", acrescenta.

'Conversas entre amigos' foi o primeiro romance de Sally Rooney, publicado originalmente em 2017, e editado em Portugal em 2018 pela Presença, que lhe trouxe notoriedade, impulsionada pela boa aceitação da crítica e a nomeação para alguns prémios literários.

A fama internacional viria com o seu segundo romance, 'Pessoas normais' (2018), publicado em Portugal pela Relógio d'Água em 2019, que venceu o Prémio Costa para Melhor Romance, foi eleito Livro do Ano pelos British Book Awards e pela Waterstones, e foi finalista do Prémio Man Booker, em 2018, tendo sido ainda nomeado, no ano seguinte, para o Women's Prize for Fiction e o Dylan Thomas Prize.

'Beautiful world, where are you' é atualmente o único romance de Sally Rooney sem acordo para adaptação televisiva.

A versão para ecrã de 'essoas normais', que teve estreia na BBC e na Hulu, em abril de 2020, e está atualmente disponível na plataforma de streaming HBO, foi nomeada para quatro Emmy e dois Globos de Ouro.

Atualmente, a mesma equipa criativa da BBC, em parceria com a Hulu, está a trabalhar na adaptação de "Conversas entre amigos", contando com o mesmo realizador, Lenny Abrahamson.

Já no próximo mês, a Relógio d'Água vai publicar 'Sr. Salário', um conto de Sally Rooney editado no Reino Unido em 2019 (três anos depois de publicado na revista Granta), sobre um casal que vai viver junto, porque a morte da mãe da rapariga e o feitio difícil do pai tornam impossível a sua permanência, e ela não tem mais sítio nenhum para onde ir.

Este conto foi finalista do prémio literário Sunday Times EFG Private Bank Short Story.

 

30
Abr21

'Hamnet', 'O desassossego da noite' e outros romances chegam em maio

Niel Tomodachi

Os romances premiados 'Hamnet', 'O desassossego da noite' e 'A anomalia', livros inéditos em Portugal de Sylvia Plath e Silvina Ocampo e novas obras de Zadie Smith e Chimamanda Ngozi Adichie são algumas das novidades editoriais de maio.

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O romance 'Hamnet', da escritora irlandesa Maggie O'Farrell, inspirado na morte do filho de William Shakespeare aos 11 anos, que venceu o Women's Prize for Fiction de 2020, e o National Book Critics Circle Award, de ficção, este ano, vai ser publicado no próximo mês pela Relógio d'Água.

Pela mesma editora chega 'Mary Ventura e o Nono Reino', conto de Sylvia Plath, escrito em 1952 - quando a autora tinha 20 anos e pouco antes da sua primeira tentativa de suicídio -, que se manteve inédito durante mais de 60 anos, até ser publicado pela primeira vez em 2019.

A Relógio d'Água vai publicar ainda 'Sr. Salário', de Sally Rooney (autora de quem editou também 'Pessoas normais'), 'Diário da Peste', livro que recolhe o diário escrito por Gonçalo M. Tavares nas páginas de jornais, entre março e junho de 2020, sobre o dia-a-dia durante a pandemia, 'Rebelião na Quinta', de George Orwell (com prefácio de Ann Patchett), 'Fahrenheit 451: A Adaptação Autorizada', de Ray Bradbury e Tim Hamilton, com introdução do autor, e 'Vita Nova', antologia de poesia de Louise Gluck, vencedora do Prémio Nobel da Literatura.

A Dom Quixote traz este mês 'O Desassossego da Noite', romance de estreia da escritora neerlandesa Marieke Lucas Rijneveld, que venceu o Prémio Booker Internacional em 2020.

'Sinta-se Livre', obra que reúne textos inéditos e ensaios de Zadie Smith sobre vários temas da atualidade - das redes sociais às alterações climáticas, do mundo literário ao musical, passando ainda pelo Brexit, pela era Trump e pelo racismo -, e "Notas Sobre o Luto", de Chimamanda Ngozi Adichie, um livro que testemunha os efeitos devastadores causados pela morte do seu pai, vão ser também publicados pela editora este mês.

'Afastar-se - Treze Contos Sobre Água', de Luísa Costa Gomes, 'Devastação', de Eduardo Pitta, 'A Morte de Jesus', de J.M. Coetzee, "Um Coração Convertido", de Stefan Hertmans, e 'Peter Camenzind', de Hermann Hesse, são outras novidades da Dom Quixote.

O grupo editorial Leya aposta também nas biografias, com o lançamento de 'Salazar, O Ditador Que Se Recusa a Morrer', de Tom Gallagher, pela chancela da Dom Quixote, e 'O Mundo Não Tem de Ser Assim, Biografia de António Guterres', da autoria de Pedro Latoeiro e Filipe Domingues, uma biografia autorizada do secretário-geral das Nações Unidas, baseada em 120 entrevistas, editada pela Casa das Letras.

'A anomalia', de Hervé Le Tellier, romance que venceu no ano passado o prémio Goncourt, o mais importante galardão literário francês, chega às livrarias portuguesas, pela editorial Presença, que publica também em maio 'Uma grande história de amor', que marca o regresso à escrita de Susana Tamaro, dez anos depois, e 'As consequências do capitalismo', de Noam Chomsky e Marv Waterstone.

No próximo mês será lançado pela Antígona 'A fúria e outros contos', da multipremiada escritora, contista e poeta argentina Silvina Ocampo, mulher do também escritor Adolfo Bioy Casares, nunca antes publicada em Portugal, à exceção do romance "Quem ama, odeia", que foi escrito em coautoria com o marido.

Com prólogo de Jorge Luis Borges, este livro de 34 contos - que inclui 'A Casa de Açúcar', o preferido de Julio Cortázar, 'A Paciente e o Médico' e 'As Fotografias' - é considerado "um dos tesouros mais bem guardados da literatura latino-americana do século XX", segundo a editora.

A Antígona vai também lançar 'O apoio mútuo - Um fator da evolução', do anarquista russo Piotr Kropotkine, e 'Laocoonte', de G. E. Lessing, uma obra sobre teoria estética e sobre a natureza da pintura e da poesia.

A Alfaguara vai lançar 'O país dos outros', mais um livro da autora franco marroquina Leïla Slimani, de quem já publicou 'Canção doce' e 'No jardim do Ogre'.

A Companhia das Letras vai editar um novo romance do escritor português Hugo Gonçalves, 'Deus, pátria e família', ambientando na Lisboa de 1940, que "re-imagina o tempo do Estado Novo e da Segunda Guerra Mundial em Portugal", aliando mistério, amor e conspiração.

'A quinta dos animais' em edição cartonada e profusamente ilustrada, por Ralph Steadman, com dois prefácios históricos de George Orwell, vai ser editada pela Cavalo de Ferro.

A Elsinore vai reeditar o romance 'Olá, América!', de J. G. Ballard, com nova tradução de Miguel Romeira, um dos mais famosos livros deste autor, há muito esgotado nas livrarias.

Pela mesma editora chega 'Mundo Subterrâneo', de Robert Macfarlaine, autor de diversas obras sobre natureza e viagem, amplamente traduzidas e premiadas em todo o mundo, até hoje inédito em Portugal.

A Quetzal apresenta-se este mês nas livrarias com três obras de não ficção: 'O Homem do Casaco Vermelho', de Julian Barnes, um retrato da 'Belle Époque' e da vida de Samuel Jean de Pozzi, cirurgião francês e pioneiro na área da ginecologia; 'A Madrugada em Birkenau', um testemunho do Holocausto, por Simone Veil, numa narrativa pessoal e inédita; e 'A Arte da Viagem', de Paul Theroux.

'Desamigados', o primeiro livro de António Mega Ferreira com a Tinta-da-china, que conta a história de 11 amizades célebres que se transformaram em inimizades ferozes, como as de Wagner e Nietzsche, Hemingway e Fitzgerald ou Bocage e Macedo, é uma das apostas da Tinta-da-China para o próximo mês.

A editora publica também um novo número da revista Granta em Língua Portuguesa, dedicado ao tema Sono/Sonho, com capa de Jorge Molder e textos de autores como Jon Fosse, Haruki Murakami, Ondjaki, Catarina Gomes, Sérgio Rodrigues, Cláudia R. Sampaio e Afonso Reis Cabral.

A Gradiva presta homenagem a Eduardo Lourenço, com a edição de um volume intitulado "Ver é Ser Visto", que reúne um conjunto de "ensaios essenciais" do autor selecionados por Guilherme d'Oliveira Martins, que assina também a introdução, e com prefácio de José Tolentino de Mendonça.

Pelas Edições 70 vai sair 'Orientalismo - Representações Ocidentais do Oriente', de Edward W. Said, e 'Zonas de Baixa Pressão', crónicas escolhidas de António Guerreiro.

 

30
Abr21

Dramaturgo Carlos Costa retrata "distopia do Porto" em nova obra

Niel Tomodachi

O novo livro de ficção do dramaturgo portuense Carlos Costa, 'Skyline', lançado dia 08 de maio, é uma história que, parte de uma "distopia" da cidade do Porto para relatar as "relações perigosas" latentes no espaço público.

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As palavras são do próprio autor que, em entrevista à agência Lusa, afirmou hoje que a obra coloca em ação toda a cidade, até mesmo "as várias cidades que existem dentro do Porto".

"É uma distopia do Porto", referiu Carlos Costa, acrescentando que entre os protagonistas estão um presidente da Câmara Municipal, uma vereadora da Cultura, um presidente de uma empresa municipal, o presidente de uma Sociedade Anónima Desportiva (SAD) da cidade e muitas pessoas ligadas à Universidade local.

"Todos estes interesses se cruzam e as decisões são tomadas em função dos afetos e histórias que as pessoas têm umas com as outras. Apesar de este romance ter uma carga iminentemente política, também se centra na vida, intimidade, desejos e sonhos de cada um e como tudo isso influência as decisões tomadas relativamente ao espaço público", afirmou.

Em 'Skyline', Carlos Costa conta a história de uma autarquia empenhada na mudança da Ponte D. Maria Pia para junto da Praça da República, obra que se julga que vai "transformar o Porto no centro do mundo em termos económicos".

"A força que a cidade coloca para conseguir levar a cabo essa obra vai deixar à vista todas as fraturas que dividem as pessoas dentro da cidade", afirmou o diretor artístico do Visões Úteis.

A par da Câmara Municipal, nesta "distopia do Porto" prefigura-se também "uma relação do Futebol Clube do Porto dominado pelo capital chinês, e outro clube, que resulta de uma secreção do clube original em busca do associativismo perdido".

"É como se toda a cidade em termos económicos, sociais, artísticos, associativistas e políticos se estivesse a fragmentar", realçou o dramaturgo, acrescentando que num contexto em que o poder local assume o monopólio de toda a produção cultural, discurso e pensamento artístico surge "um movimento de resistência".

"Há um movimento de resistência política aos poderes instituídos na cidade e à maneira como eles se articulam uns com os outros, não só em termos institucionais, mas também dos afetos que unem as pessoas decisoras. É um movimento que de certa forma se vai radicalizar para resistir a esta ideia de cidade", salientou Carlos Costa.

Apontada muitas vezes para identificar uma cidade, 'Skyline' retrata a ideia de usar uma cidade para tentar transformar algo, partindo do princípio de que "cada um enquanto cidadão tem de se posicionar": "colaborando, resistindo ou lutando".

Ainda que esta seja uma obra totalmente de ficção, Carlos Costa explicou que a mesma é "construída em cima de uma crítica e de um pensamento ativo acerca do que somos enquanto cidade, do que queremos ou não ser".

"Apesar de o Porto ser o território a utilizar como ponto de partida, esta reflexão é aplicável a qualquer cidade ou contexto em que estamos. Temos de tomar uma decisão sobre aquilo que queremos ser enquanto cidade, ou seja, o que queremos partilhar, vender ou ser", disse.

Depois de dois anos de pesquisa e escrita, a obra de ficção vai ser lançada em 08 de maio, pelas 17h00, no Mira Fórum, no Porto, e conta com a apresentação de Miguel Guedes e a atuação do cantautor Válter Lobo.

Depois de 'Cratera' (lançado em 2018), 'Skyline' é o segundo romance de Carlos Costa, dramaturgo, encenador e ator nascido no Porto em 1969.

 

30
Abr21

"A Noite Passada" de Alice Brito

Niel Tomodachi

Um romance imperdível sobre um país cansado da censura e do respeitinho, que ousou sonhar a liberdade.

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Sobre o Livro:

Um romance de amor poderoso num Portugal que ansiava pela liberdade.

Tendo Lisboa como ponto de partida, a autora conta-nos a história de uma jovem, Amélia, de famílias respeitáveis, que põe o futuro e a honra a perder quando se deita com um agente da PIDE de modos delicados e linguagem sedutora, mas capaz das maiores crueldades.

Um livro imperdível, com uma escrita fluida, que lembra a aclamada série da RTP, Conta-me como Foi, cheio de histórias de heróis e vilões anónimos, preconceitos e modas arrojadas, e o grande sonho da liberdade.

 

Sobre a Autora:

Alice Brito é advogada, defensora da causa feminista e cronista em periódicos on-line . Tem artigos publicados em revistas e participações com outros autores em alguns livros. Nasceu em Setúbal, cidade em que vive desde sempre, e onde se passam os seus romances. Em 2012 publicou o seu primeiro livro As Mulheres da Fonte NovaO dia em que Estaline encontrou Picasso na biblioteca viu a luz do dia em 2015.

 

29
Abr21

Manuscrito de 'A hora da estrela' com anotações de Lispector publicado

Niel Tomodachi

Uma reprodução do manuscrito de "A hora da estrela", de Clarice Lispector, com as correções e notas da autora, bem como variações de algumas passagens, vai ser publicada simultaneamente em Portugal, França e Brasil, na segunda-feira.

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livro é publicado pela SP Edições, uma editora de origem francesa (SP Books, na versão original), com quase dez anos, especializada na reprodução de manuscritos de grandes obras da literatura, em edições limitadas e numeradas.

No seu catálogo, conta já com os manuscritos de "Alice no país das maravilhas", de Lewis Carroll, "Jane Eyre", de Charlotte Brontë, "Madame Bovary", de Gustave Flaubert, ou "Notre-Dame de Paris", de Victor Hugo, entre muitos outros.

São livros cuidados, em termos de confeção e de materiais utilizados, que pretendem uma aproximação o mais possível ao original, explicou à Lusa Jessica Nelson, fundadora e diretora (juntamente com Nicolas Tretiakow) da editora.

Esta é a primeira vez que se lança no mercado português, com um manuscrito da escritora brasileira Clarice Lispector, e é também uma estreia na edição em língua portuguesa, disse.

Uma primeira vez que não deverá ser a última, já que a editora está "a estudar futuros manuscritos de grandes autores", ciente de que "a literatura em língua portuguesa é muito rica".

Quanto ao manuscrito de "A hora da estrela", Jessica Nelson explica que o livro vem dentro de uma "caixa feita à mão" em França, "estampada com um ferro de dourar e adornada com um desenho e um friso concebidos" na oficina de desenho da própria editora.

"A tiragem é de 1.000 exemplares. Uma nota do editor acompanha o manuscrito, e adicionamos anexos contendo notas de trabalho de Clarice Lispector", revelou a responsável.

Além disso, o livro faz-se acompanhar pelas variações de várias passagens importantes, ensaiadas pela autora durante a elaboração do romance.

"Costumamos dizer que os manuscritos são matéria viva: eles estão sempre em movimento. No manuscrito de 'A hora da estrela', por exemplo, encontramos mais de uma versão para diferentes passagens-chave do texto: há duas versões da cena final do livro (a versão publicada seria o resultado da fusão dessas duas variantes). É o caso também do início do texto, inicialmente escrito de forma curta e condensada, e depois desenvolvido em várias outras folhas, mais próximo do que seria no final", especificou Jessica Nelson.

Aliás, este é um dos maiores prazeres de trabalhar com manuscritos, confessa a editora, a possibilidade de "descobrir o autor, uma obra, a literatura de uma forma diferente".

"Mais intimista, mais original, às vezes surpreendente. Como, por exemplo, quando descobrimos -- e isso só foi possível graças aos manuscritos originais -- que Marcel Proust hesitou muito antes de escolher a sua famosa 'madeleine'. Nos primeiros rascunhos, ele oscilou entre uma torrada, uma bolacha, um bolinho sem nome...".

Apesar de ter uma dedicação quase exclusiva aos manuscritos, a SP Edições interessa-se também por edições raras e ilustradas, pela bibliofilia e por desenhos de escritores.

"No início, voltámo-nos espontaneamente para os manuscritos de romances franceses; hoje publicamos uma grande variedade de manuscritos", entre eles o último caderno musical de Mozart ou a correspondência de escritores.

Fundada em França em 2012, foi só em 2016 que esta marca editorial se começou a projetar internacionalmente - com manuscritos como "Jane Eyre", inicialmente, e "Teoria da relatividade geral", de Einstein, posteriormente -- "por meio da colaboração com prestigiosas instituições e agentes da vida cultural de diferentes países".

Os 'fac-símiles' e as edições científicas já existiam muito antes do aparecimento da SP Edições. O que fez com que a editora se destacasse foi o facto de ser "a primeira a tratar o manuscrito como um objeto de arte, além de ser um objeto de estudo", contou Jessica Nelson.

"Por isso, temos um cuidado especial com os materiais que utilizamos, com o papel, com a confeção das caixas que contêm os nossos livros, com o tratamento das imagens. Aliás, uma das nossas especificidades é restaurar as imagens dos manuscritos, para dar ao leitor a impressão de que ele possui o texto original nas suas mãos".

Para ter acesso aos manuscritos originais, é desenvolvido um trabalho de colaboração com grandes instituições, colecionadores e famílias de escritores, revelou a diretora da SP Edições, sublinhando: "Cada livro é para nós a oportunidade de uma nova aventura, com novos desafios e novos encontros".

Quanto à ideia de criar esta editora, nasceu de uma visita a uma exposição, mas já germinava na cabeça dos seus fundadores, como contou Jessica Nelson: "Havia muito tempo que Nicolas Tretiakow e eu queríamos criar um novo tipo de editora. Uma exposição na Biblioteca Nacional da França, em Paris, sobre os rascunhos dos escritores foi o estopim. Tínhamos a sensação de estar diante de verdadeiros tesouros; e então pensámos que seria um ótimo objetivo poder compartilhá-los com um público de entusiastas".

Atualmente a editora dispõe de um catálogo com cerca de 40 títulos, que são manuscritos de grandes obras francesas, inglesas e americanas, alemãs e, agora, em língua portuguesa.

Os livros são distribuídos pelo mundo através do site da editora (disponível em várias línguas) e das "livrarias que confiam" no seu trabalho.

 

29
Abr21

"Breve História de Inglaterra" de Simon Jenkins

Niel Tomodachi

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Sobre o Livro:

Um livro curto, mas rigoroso, sobre os principais personagens e eventos da história da Inglaterra.

 

Sobre o Autor:

Simon Jenkins preside ao National Trust e é um dos mais proeminentes jornalistas do Reino Unido. Foi editor do Evening Standard e do jornal The Times, bem como colunista do jornal The Guardian. É autor dos bestsellers A Short History of England, Britains 100 Best Railway Stations, Englands Thousand Best Churches e Englands Thousand Best Houses.

 

«Jenkins fez um trabalho maravilhoso Chama-se a isto a melhor forma de contar histórias à moda antiga, cravejadas de episódios interessantes.»
Good Book Guide

29
Abr21

"A Importância de Dante" de John Took

Um Guia para Pessoas Inteligentes

Niel Tomodachi

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Sobre o Livro:

Em 2021 assinalam-se os 700 anos da morte de Dante Alighieri, um poeta que, nas palavras de T. S. Eliot, «divide o mundo com Shakespeare, não havendo um terceiro». Dante, tal como nós, viveu num mundo de violência política e incerteza moral, o que tornou o seu exílio uma agonia e lhe suscitou uma profunda meditação sobre a natureza da felicidade.

Em A Importância de Dante, John Took parte de três obras - Vita Nova, a obra inovadora da sua juventude; Convivio, trabalho maior da sua meia-idade; e a Commedia, o grande projeto da sua maturidade - como mapas para o desenvolvimento de Dante enquanto poeta e filósofo. Estas obras são ainda importantes testemunhos do papel ainda relevante de Dante como guia do nosso bem-estar e felicidade.

O pensamento de Dante, que refletiu a fundo sobre o bem-estar não só dos seus contemporâneos mas também dos que «pensarão nestes tempos como antigos», atravessa séculos e confirma o seu merecido estatuto não só como ícone cultural, mas como companheiro de viagem.

 

Sobre o Autor:

John Took é professor emérito em Estudos de Dante na University College London. Especializado em literatura italiana, em particular na obra de Dante, tem inúmeros artigos e livros publicados, incluindo a biografia Dante (Princeton University Press, 2020) e os títulos L'Etterno Piacer: Aesthetic Ideas in Dante (Oxford University Press) e Dante: Lyric Poet and Philosopher: An Introduction to the Minor Works (Clarendon Press).

 

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