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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

16
Jul21

Há uma nova livraria para descobrir no Porto

Niel Tomodachi

A Bibliofolia vai dar visibilidade a pequenos autores e editoras. Tem até um jardim e atividades programadas.

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Numa altura em que a maioria dos jovens — e não só — prefere ver filmes e séries do que ler um bom livro, nota-se que há um decréscimo das livrarias de rua. Vemos mais e mais espaços a fechar, proprietários que não conseguem aguentar o negócio e a pandemia que veio complicar ainda mais as contas.

É por isso que a abertura de uma livraria é sempre uma boa notícia. Este é o caso da Bibliofolia, a nova livraria da editora Exclamação. Abriu a 5 de julho na Rua Aníbal Cunha, na zona de Cedofeita, e pretende ser muito mais do que apenas um lugar onde se vendem livros.

“Sentimos que tínhamos a necessidade de ter um espaço aberto ao público, ao mesmo tempo que há falta de espaços livreiros no Porto. Por isso, criámos este espaço onde as pessoas podem vir estar, ler, encontrar obras de pequenos editores ou escritores que não têm onde mostrar os seus trabalhos”, revela à NiT o dono da Editora Exclamação, Nuno Gomes.

A abertura desta livraria era já um sonho antigo, que foi sendo adiado também pela pandemia, até que decidiram que “não dava para esperar mais porque a vida tem que continuar”. Aproveitaram um espaço onde já tinham escritórios, fizeram algumas alterações e assim nasceu para o público esta Bibliofolia.

O edifício em si tem dois pisos e uma decoração muito simples, onde sobressaem as estantes com livros e onde há um cantinho com um sofá para sentar a ler, para fazer apresentações ou até para receber exposições. Aqui encontra ainda um pequeno jardim onde pode ficar a ler e onde no futuro terão lugar algumas atividades.

Tem até um jardim onde pode ler
 

Neste momento, encontra na livraria a exposição “Livros-Objeto”, de Isabel Sá, que poderá ser vista até ao final de setembro. A exposição tem livros construídos a partir de imagens e tenta mostrar que os livros podem ser meros objetos ou ser muito mais.

“Vamos fazer uma aposta em conteúdos de poesia, ficção, arte, ciências naturais e literatura infantil. Sobretudo, e apesar de contarmos também com grandes editoras, vamos focar-nos na literatura marginal, que não está disponível noutros locais, de pequenos editores e de autor, desde clássicos menos conhecidos a novos nomes.”

Além desta aposta, vai haver algum foco na literatura brasileira e africana, vai ser criado um clube de leitura e de cinema na literatura. Nos próximos meses serão também agendadas pequenas oficinas para crianças e outras sobre temas como encadernação ou impressão.

“Temos uma noção clara que é um projeto arriscado, mas achamos que as pessoas estão cansadas do digital, vai haver uma reviravolta e durante a pandemia até houve um aumento do regresso aos livros. O livro físico não vai morrer e esta é a nossa aposta. Queremos incentivar à leitura e às gerações mais novas a voltar à relação envolvente com os livros.”

 

13
Jul21

Stuff Out: a nova livraria de Lisboa tem milhares de livros em segunda mão

Niel Tomodachi

Fica perto da zona de São Bento e tem uma loja online. É um projeto de dois jovens centrado na economia circular e sustentável.

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Chama-se Stuff Out e é a nova livraria de Lisboa. Fica perto da zona de São Bento e começou como uma plataforma online para venda de livros usados. É um projeto de dois jovens empreendedores assente nos conceitos de economia circular e sustentabilidade.

Pedro Sousa e Rui Castro Prole estudaram juntos na Nova IMS, da Universidade Nova de Lisboa. Pedro, com 25 anos, tirou o curso de Gestão de Informação e começou a trabalhar numa empresa farmacêutica. Rui, com 24, terminou a licenciatura em Sistemas de Tecnologia de Informação, e conseguiu emprego na banca.

Juntos, e numa altura ainda sem grandes responsabilidades financeiras, decidiram deixar os empregos, arriscar e investir o que tinham neste projeto — que entretanto já deu uma grande volta.

“O nosso objetivo era vender produtos em segunda mão. Começámos por vender tudo, recheios de casa completos. O objetivo era fomentar a economia circular e um estilo de vida mais sustentável, tentar dar a perceber às pessoas que não é preciso comprar tudo de novo. Agora já começa a haver algumas marcas de roupa, que só se focam num tipo de artigo, mas não havia ninguém e ainda não há, a fazer isto bem: pessoas novas com capacidade para comunicar com um público mais jovem de forma a explicar que é ok comprar em segunda mão. Há muita gente a fazer esse trabalho informalmente, aquelas instagramers de vidas sustentáveis, mas não há muitas empresas que o façam como um todo. E essa era a nossa ideia original”, explica à NiT Pedro Sousa.

A Stuff Out abriu oficialmente em janeiro de 2020 — antes da loja online. Pedro e Rui conseguiram um espaço de armazém com escritório — ali bem perto de onde agora funciona a livraria — e começaram a vender todo o tipo de artigos (inclusive livros). Em março, desse ano como todos sabemos, chegou em força a pandemia, que fez parar tudo. Isso resultou num “conjunto grande de livros parado no armazém”, que era o que mais continuaram a vender.

“Reparámos que os livros vendiam, que as pessoas estavam a olhar para nós de outra forma e começavam a entender a nossa mensagem de ‘ok, é fixe comprar produtos em segunda mão’. Claro que o preço é um grande fator, os livros ficam muito mais baratos — Portugal é um dos países onde os livros novos são mais caros. E além disso a questão da sustentabilidade: não estamos a produzir algo novo. E uma coisa que tentámos marcar desde o início é que são livros que por si próprio já têm outra história. Às vezes têm uma dedicatória, de alguém que ofereceu aquele livro ao pai, ou têm a assinatura da pessoa que foi o dono do livro.”

Fica na zona de São Bento.
 

Foi a partir daí que se começaram a virar quase completamente para os livros, percebendo que havia uma oportunidade de mercado — e desenvolveram software que pudesse ser usado na gestão diária do inventário e da catalogação. Fizeram vários testes entre agosto e outubro do ano passado e em dezembro renasceu a Stuff Out online — com um site que só vende livros e que se mantém até hoje, com bastante sucesso.

“Os livros são só a forma como arranjámos de passar a mensagem. Percebemos que era a área mais fácil de entrar e de fazer a diferença. Temos a vantagem de o Rui perceber muito, muito de livros. O conhecimento já cá estava, nós é que também não estávamos a saber aproveitá-lo.”

A ideia de terem uma loja física já estava na mente de ambos, mas de repente:. “Há um dia em que estaciono aqui perto e reparei que havia um espaço para alugar — onde é a nossa loja agora”, conta Pedro Sousa. “Liguei para o contacto que lá estava e perguntei se era possível irmos ver o espaço. Fomos ver e percebemos que era perfeito para nós. Era o que precisávamos para crescer. Nós estamos muito perto: a loja é na rua atrás do nosso escritório, onde também é o armazém. Já conhecíamos bem o bairro.”

Em apenas dois dias ficaram com o espaço — que teve de levar obras durante dois meses. O passo seguinte foi contratar Andreia, de 29 anos, gerente de loja com experiência no contacto com os clientes. “É a nossa cara do negócio.” A Stuff Out foi inaugurada a 1 de julho.

A ideia é terem apresentações de livros no futuro.
 

Ter uma loja física era um objetivo com várias intenções. “Primeiro: dar credibilidade ao projeto online. Há uma dificuldade em vender livros online em segunda mão, muito porque, com a pandemia, há muitas pessoas a fazê-lo de forma não profissional. Pessoas que criaram uma página no Facebook e estão a vender livros a partir da sua casa. O que para nós é muito difícil porque os clientes que não nos conhecem têm a tendência de pôr todos no mesmo saco. Ou seja, no caso deles não há devoluções. Nós temos de ter: 14 dias de arrependimento, devolução sem questões.”

E acrescenta: “Além disso queríamos mostrar a nossa visão de venda de produtos em segunda mão. Na loja não temos só livros: temos uma mistura de artigos, uns que fomos comprando em feiras, outros que fomos guardando dos recheios de casas, coisas que aproveitámos e lhe demos um propósito, muitas vezes decorativo. Ou seja, a nossa loja não é só livros e o que queremos é mostrar como pode funcionar a decoração de um espaço só com produtos em segunda mão. Temos tido um feedback muito positivo e estou muito contente com o espaço. E é uma decoração em constante mudança. Não é garantido que daqui a um mês o espaço esteja exatamente igual”.

Ou seja, há várias peças decorativas que adornam o espaço — e estão todas disponíveis para venda. Encontra pela Stuff Out, por exemplo, a parte da frente de uma mota antiga, ou carrinhos de serviço de aviões, que são usados como repositores de livros. 

“Agora temos um cartão de visita. As vendas também aumentaram no online, através do site e do nosso Facebook, porque temos um espaço físico e um sítio que dá credibilidade ao negócio.”

Há várias peças decorativas à venda.
 

A Stuff Out também funciona como espaço de leitura. “As pessoas não têm de comprar. Podem só ir e desfrutar do espaço, falar connosco, conhecer-nos, podemos sugerir livros, podem-se sentar, ler um bocadinho. Temos o caso de estrangeiros que nos vêm pedir livros simples em português, porque estão a aprender. Nós recomendamos e eles ficam um bocadinho a ler para ver se faz sentido.”

Quando a situação de pandemia melhorar, a ideia é tornar a Stuff Out um local de maior partilha, com apresentações de livros e outras iniciativas. “Dar espaço a pessoas que normalmente não têm espaço, autores independentes. A loja para nós não é todo a meta. É só mais uma etapa. Temos ainda muitos projetos na gaveta.”

Através do online, vendem para pessoas de todas as idades — e muito para zonas mais remotas do País, em locais onde não existem livrarias físicas. Apesar de todas as coisas negativas, a pandemia impulsionou o comércio online, o que também foi uma vantagem para Pedro Sousa e Rui Castro Prole.

Este projeto tem todo o tipo de livros. “Nós não encomendamos os livros, vamos gerindo de acordo com o que aparece, o que compramos. Vendemos de tudo e isso para nós não tem problema nenhum. Até porque no online queremos tentar agradar a toda a gente. Há alguma curadoria no sentido de que não vendemos livros em mau estado. Só vendemos livros passíveis de serem oferecidos por alguém.” 

A equipa da Stuff Out.
 

Há três mil títulos à venda na loja. Mas no total, contando com o stock de armazém, chega aos 15 mil. Na livraria estão à venda os melhores e mais originais, com um esforço de curadoria para que haja diversidade. Seja como for, todo o catálogo pode ser consultado online. Existem raridades, histórias icónicas de autores famosos, grandes obras da literatura clássica e livros técnicos. Um pouco de tudo, portanto.

“Claro que há livros que não se vendem e tentamos fazer outras coisas com eles. Temos uma parede de livros na loja. Também somos nós a tentar fechar o círculo, a dar uma vida a estes livros que, de outra forma, tinham de ir para o lixo — faltavam páginas, tinham páginas rasgadas, etc. E acabamos por ficar com muitos livros parados porque não se vendem e nós também não os queremos deitar fora.” 

A Stuff Out está aberta de segunda-feira a domingo, das 11 às 19 horas. Fica no número 70c da Rua da Quintinha, em Lisboa. Pode contactar os responsáveis através do email contacto@stuffout.pt ou dos números de telefone 210 109 342 ou 212 416 957.

 

29
Mar21

Aventuras de Arsène Lupin chegam às livrarias graças ao sucesso da série

Niel Tomodachi

Várias editoras estão a lançar as aventuras de Arsène Lupin, o cavalheiro ladrão criado por Maurice Leblanc em 1905, a reboque do sucesso de audiências da série da Netflix, cuja segunda temporada foi anunciada em janeiro.

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Arsène Lupin é uma personagem de ficção criada há mais de um século por Maurice Leblanc, inspirada no anarquista francês Marius Jacob (1879-1954), e que representa um ladrão cavalheiro bem vestido, caracterizado pela sua inteligência e perspicácia.

Em janeiro deste ano, a Netflix estreou a série 'Lupin', inspirada nas aventuras deste gatuno de casaca, e liderou o 'top' diário do serviço de 'streaming' em vários países, como Portugal, Brasil, Argentina, Itália, Espanha, Holanda ou Suécia.

Depois deste sucesso, a Netflix anunciou o regresso de Lupin no verão, tendo divulgado o 'teaser' da segunda parte da série no início deste mês.

À boleia deste sucesso, as editoras anunciaram o lançamento dos livros de aventuras de Arsène Lupin, com a Relógio d'Água e a Cultura Editora na linha da frente com as publicações a decorrerem já este mês.

'Arsène Lupin - Gentleman Ladrão' é o título da edição da Relógio d'Água, que recupera a coletânea de nove contos, inicialmente publicados na revista Je Sais Tout em julho de 1905, como uma alternativa às narrativas policiais de Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle.

A obra conheceu um enorme sucesso com a criação de um protagonista dotado de imaginação fértil, agilidade física e mental, sentido de humor, elegância e com uma falta de escrúpulos associada a um código de honra que o levava a proteger sempre os mais frágeis.

Neste primeiro livro da Relógio d'Água - que já anunciou que irá publicar também o segundo e terceiro volume da série -, Arsène Lupin demonstra a sua capacidade para esconder joias de um modo original, escapar à prisão, assaltar cofres, descobrir joias falsas, mostrando ainda como desde rapaz se revelara o seu talento de assaltante.

A Cultura Editora também já fez chegar às livrarias a sua edição da mesma obra, com o título 'Arsène Lupin - Cavalheiro Ladrão'.

No próximo mês, outras publicações surgirão nos escaparates das livrarias, desde logo uma edição da Leya, que chega no dia 6 de abril, intitulada 'Arsène Lupin, Ladrão de Casaca', numa edição de lombada cozida à mão e sem corte a guilhotina, "conferindo um aspeto de manuscrito, tal como terá sido entregue à editora nos primórdios da carreira deste mestre do crime", explica a Leya.

Dois dias depois, será posta à venda a versão da Porto Editora, 'Arsène Lupin, Cavalheiro Ladrão', que também acompanha as primeiras nove aventuras de Lupin, situadas em Paris, no início do século XX, em plena Belle Époque.

No dia 15, é a vez de a editora Aletheia, através da chancela Ideia-Fixa, pôr à venda 'Arsène Lupin contra Sherlock Sholmes', o segundo volume da série de vinte títulos que Maurice Leblanc dedicou à figura de Arsène Lupin.

A Ideia-Fixa já tinha publicado em 2015 o primeiro volume, 'Arsène Lupin, gentleman-gatuno', que as outras editoras estão agora a lançar.

Maurice Leblanc construiu uma das personagens mais marcantes do policial, que veio a inspirar, entre outros, o Santo, de Leslie Charteris, e muita da banda desenhada famosa dos anos 1960.

É o caso da personagem Arsène Lupin III, protagonista do manga japonês 'Lupin III', de 1967, que foi escrito como sendo o neto de Arsène Lupin.

Os autores das várias edições de Lupin III, usaram os romances de Leblanc como inspiração para outras obras, como foi o caso do realizador japonês Hayao Miyazaki, e o seu filme 'O Castelo de Cagliostro' (1979), vagamente baseado na aventura 'A Condessa de Cagliostro'.

Maurice Leblanc nasceu a 11 de dezembro de 1864, na cidade francesa de Rouen, no seio de uma família rica.

Aos 6 anos, foi enviado para a Escócia, devido à Guerra Franco-Prussiana, onde prosseguiu os estudos, tendo-se revelado demasiado bom aluno, como reconheceria mais tarde com arrependimento.

Cedo travou conhecimento com as obras literárias de Gustave Flaubert e Guy de Maupassant (este último apoiou-o nas suas primeiras tentativas literárias), normandos como ele, e mais tarde conheceu os trabalhos de Émile Zola e Mallarmé.

Apesar das oportunidades de estudo em França, na Alemanha ou em Itália, decidiu interromper o curso de Direito para se tornar jornalista e escritor, depois de uma curta experiência de trabalho na empresa familiar.

Estabeleceu-se como repórter policial do jornal L'Écho de Paris e publicou "Une femme", um romance psicológico, aos 23 anos, que foi bem acolhido pela crítica, mas ignorado pelos leitores, o que viria a acontecer com as suas obras seguintes.

A personagem que o tornaria famoso, Arsène Lupin, surgiu de um convite do editor da revista Je sais tout para publicar histórias de um detetive que pudesse ser uma alternativa às de Sherlock Holmes, então muito populares.

Mas Arsène Lupin viria a revelar-se uma personagem contrária à do detetive de Baker Street, inspirando-se no anarquista francês Marius Jacob, considerado um ladrão inteligente, com sentido de humor e generosidade.

A obra de Maurice Leblanc tinha também raízes em autores como Octave Mirbeau, e embora, a partir de 1907, se tenha dedicado quase exclusivamente à personagem de Arsène Lupin, escreveu ainda dois romances de ficção científica, "Os Três Olhos" (1919) e "O Fantástico Acontecimento" (1920).

Socialista radical, agraciado com a Ordem Nacional da Legião da Honra, Maurice Leblanc morreu de pneumonia em 1941, aos 76 anos, em Perpignan, para onde se retirara em 1939, depois da invasão alemã.

Vários dos seus vinte e quatro romances policiais foram adaptados ao cinema e ao teatro.

 

27
Mar21

São Paulo vai ter uma livraria só com livros escritos por mulheres

O nome do espaço remete para um ensaio de Virginia Woolf

Niel Tomodachi

A livraria vai abrigar cinco mil exemplares de 1 500 obras, de 150 editoras.

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Vai chamar-se Gato sem Rabo a primeira livraria em São Paulo, Brasil, só com livros escritos por mulheres. Idealizada por Johanna Stein, o nome remete para o ensaio “Um teto todo seu”, de Virginia Woolf.

Em 65 metros quadrados, a livraria vai abrigar cinco mil exemplares de 1 500 obras, de 150 editoras. Títulos de ficção e não-ficção, dos clássicos à literatura infantil, para mostrar a diversidade da produção no feminino. A abertura será em abril, mas os encontros em torno dos livros ficam adiados para depois da pandemia.

 

06
Mar21

Coleção da extinta Cotovia adquirida pela Livraria Poesia Incompleta

Niel Tomodachi

A coleção de Poesia da editora Cotovia, que encerrou em novembro do ano passado, foi adquirida pela Livraria Poesia Incompleta, em Lisboa, exclusivamente dedicada àquele género literário, anunciou hoje em comunicado a editora Fernanda Mira Barros.

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No final de agosto de 2020, Fernanda Mira Barros anunciou o fecho da Cotovia, em pleno período pandémico, uma decisão "ponderada" e "definitiva", recorda a editora, que seis meses depois permanece aberta apenas por "razões burocráticas".

Uma dessas razões é tratar do "destino a dar a um 'stock' de livros excelentes, não datados, publicados ao longo de 35 anos com dedicação, cuidado e consciência do seu valor para a cultura do país".

É o caso da coleção de Poesia, uma das quatro coleções emblemáticas da editora -- Prosa, Ensaio, Teatro e Poesia -- que "foi agora adquirida pela Livraria Poesia Incompleta", uma livraria "praticamente única no mundo, por ser dedicada inteira e exclusivamente à poesia".

"Uma coisa tão rara, tão preciosa como a Livraria Poesia Incompleta deveria vir em todos os roteiros de Lisboa e de Portugal, deveria ser uma alegria, um lugar de visita frequente, um assunto de conversa: Como é possível que um só homem, o dono e livreiro da Poesia Incompleta, tenha feito sozinho, e mantenha, num país onde se lê o que sabemos, uma livraria assim?", considera Fernanda Mira Barros.

A coleção de poesia, iniciada nos anos 1980, inclui traduções de poetas como Paul Clean, Antonio Machado, Jaime Gil de Biedma, Adrienne Rich, Luis Cerrnuda, Josef Brodskii, Edmond Jabès, Hans Magnus Enzensberger, Francis Ponge e Philip Larkin.

Mas esta coleção é apenas parte do 'stock' da Cotovia, permanecendo desconhecido o destino das restantes coleções e edições.

No inicio de dezembro, a companhia de teatro Artistas Unidos, que em parceria com a Cotovia editava os "Livrinhos de Teatro", anunciou uma nova parceria com a Livraria Snob, que passou a editá-los.

A editora Livros Cotovia foi fundada em 1988, por André Fernandes Jorge (1945-2016), com seu irmão, o poeta João Miguel Fernandes Jorge, que abandonou o projeto editorial pouco tempo depois.

Ao longo de mais de 30 anos, a editora ultrapassou os 700 títulos, de 350 autores, "todos eles relevantes", para "um público leitor que sabe o que quer", como escreve no seu 'site', e todos eles detentores de uma identidade própria, marcada, na sua maioria, pela imagem gráfica original, desenhada pelo cineasta João Botelho.

Os portugueses A.M. Pires Cabral, Teresa Veiga, Daniel Jonas, Luís Quintais, Paulo José Miranda, Jacinto Lucas Pires, Eduarda Dionísio, Luísa Costa Gomes constam do catálogo da Cotovia, assim como o angolano Ruy Duarte de Carvalho e os brasileiros André Sant'Anna, Bernardo Carvalho, Carlito Azevedo e Marcelo Mirisola, entre muitos outros autores de língua portuguesa dos dois lados do Atlântico.

Martin Amis, Virginia Wolf, Roberto Calasso, Doris Lessing e Natalia Ginzburg estão entre os autores traduzidos ao longo dos anos pela Cotovia, assim como John Milton, Robert Louis Stevenson e Arthur Schnitzler.

"Responsável pela edição, pela primeira vez em língua portuguesa, de vários autores de renome internacional, e também pela descoberta e promoção de alguns autores rapidamente reconhecidos como os 'novos' da literatura portuguesa, a Cotovia é ainda uma das raras editoras que em Portugal publica regularmente textos dramáticos (portugueses e em tradução)", descreve, na apresentação que a Cotovia mantém no seu 'site'.

Nas coleções de Ensaio, Ficção, Poesia encontram-se autores como Paul Celan, Iosif Brodskii, Luis Cernuda, Doris Lessing, Eric Rohmer, Reiner Werner Fassbinder, Thomas Bernhard, Christa Wolf, José Ortega y Gasset, Simone Weill, Victor Aguiar e Silva, João Barrento e Jorge de Sena.

Na coleção de clássicos gregos e latinos, a Cotovia publicou Homero, Virgílio, Ovídio, Apuleio, Petrónio, Horácio, entre muitos outros, fazendo com que os seus títulos chegassem ao público em geral, acompanhando-os ainda de estudos e ensaios.

Após a morte do fundador, em 2016, a direção editorial dos Livros Cotovia ficou entregue a Fernanda Mira Barros, que fazia parte da equipa há mais de 20 anos. Licenciada em Línguas e Literaturas Inglesa e Alemã, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Mira Barros fora responsável pela criação do 'blog' da Cotovia, em 2011.

Em fevereiro de 2020, a Cotovia anunciou o encerramento da sua loja, na rua Nova da Trindade, em Lisboa, situada no edifício projetado por Raul Lino, que acolhera a histórica Livraria Opinião, na década de 1970.

O encerramento da loja foi então marcado para 13 de março, poucos dias antes da declaração do estado de emergência, por causa da pandemia. Na altura, a editora transferiu a venda de livros para o seu 'site'.

O catálogo continua disponível na página 'online' e é possível ainda comprar livros por encomenda através do email da editora.

 

03
Fev21

Orfeu Negro e Antígona voltam a apoiar livrarias independentes

Niel Tomodachi

A iniciativa ADOPTA UMA LIVRARIA, das editoras Orfeu Negro e Antígona, está de regresso para apoias as livrarias independentes portuguesas. Saiba como ajudar.

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Entre 5 e 14 de Fevereiro, os leitores que encomendarem livros nos sites das duas editoras estão a apoiar directamente uma livraria, já que 30% do valor líquido das encomendas reverte a favor da livraria seleccionada para esse dia. E ainda é oferecido um desconto de 10% no preço de cada livro, assim como portes gratuitos.

São incentivos, mas também medidas de emergência adoptadas pelas editoras Orfeu Negro e Antígona que saem em apoio das livrarias independentes, pequenos negócios onde o encerramento obrigatório teve especial impacto. As duas editoras querem alertar os leitores para esta realidade e recuperam agora a iniciativa ADOPTA UMA LIVRARIA, lançada pela primeira vez em Abril de 2020.

Tanto a Orfeu Negro como a Antígona seleccionaram dez livrarias em todo o país e a cada dia estará a ajudar uma. Em listas disponibilizadas nos sites oficiais das editoras, encontra espaços como a Fonte de Letras (Évora), a Palavra de Viajante (Lisboa), a Culsete (Setúbal), a Flâneur (Porto), a Tinta nos Nervos (Lisboa), a Gigões e Anantes (Aveiro), a Aqui há Gato (Santarém) ou a Salta Folhinhas (Porto).

“O sucesso da [primeira] iniciativa provou duas coisas. A primeira é que os leitores reconhecem a importância das livrarias de bairro, com atendimento personalizado e livros escolhidos a dedo. A segunda é que o ecossistema do livro (das livrarias às editoras, passando por distribuidoras, gráficas, autores, tradutores, designers, e terminando nos leitores) sai fortalecido quando ninguém fica para trás”, garantem as editoras em comunicado.

 

02
Fev21

Setor livreiro à beira da primeira falência massiva

Niel Tomodachi

A associação de editores e livreiros acusa o Governo de ter uma atitude "proibitiva e censória" sobre o livro, promovendo a venda clandestina típica do Estado Novo, e avisa que o setor está à beira da primeira falência massiva.

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Este entendimento da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) decorre da sua incompreensão e surpresa perante a decisão do Governo de manter a proibição da venda de livros, no novo decreto do estado de emergência, contrariando assim aquilo que terá sido a "vontade mostrada pelo Presidente da República" e por "vários partidos com assento parlamentar".

"Nunca imaginei no século XX ver livros por baixo de sacos de plástico como se fossem lixo ou bens tóxicos. As pessoas ligadas ao setor sentem-se violentadas por essas imagens, mais ainda quando o Presidente da República deu possibilidade que fosse diferente. Mas o Governo não seguiu as recomendações do Presidente da Republica, o que é estranho, mantendo-se o livro inacessível a 80% da população", disse à Lusa o vice-presidente da APEL, Pedro Sobral.

Segundo o responsável, o argumento da venda 'online' não é justificação, porque praticamente só acontece nos grandes centros urbanos de Lisboa e Porto, "fora das grandes cidades as pessoas não têm acesso, a capacidade de compra 'online' ainda é muito baixa".

A APEL afirma não compreender que num local de venda onde se pode comprar um telemóvel ou fruta, o acesso aos livros esteja vedado, sendo estes tão importantes para o conhecimento e informação como os jornais.

"As tabacarias que também vendem livros, podem vender revistas, jogos de azar e pastilhas elásticas, mas não podem vender livros. Temos relatos de livros vendidos debaixo do balcão. Voltámos ao Estado Novo. Estamos a falar de um livro, não de armas ou de drogas", lamentou Pedro Sobral.

Para o responsável, há uma "atitude proibitiva e censória sobre o livro, um bem que pode ser considerado fundamental".

"Um bem essencial vedado à população"

A APEL assinala que o argumento do Ministério da Cultura é que, com as livrarias encerradas, permitir que os espaços comerciais que permanecem abertos vendam livros, pode causar "desequilíbrio de mercado".

Esta é uma visão "errada", para os editores e livreiros, porque as livrarias têm as vendas 'online', o que "não funciona para um supermercado, porque no retalho não especializado dificilmente se encontram os livros pretendidos no site 'online'".

Acima de tudo, o argumento de não permitir desequilíbrio de mercado vai causar uma situação muito mais grave que é a de deixar um bem essencial vedado a toda a população e os editores "à beira de explodir e de não conseguir pagar a milhares de pessoas", afirmou.

"Seria fundamental a venda ao postigo, não vemos como isso pode potenciar a catástrofe que vivemos, mas pelo menos que sejam vendidos nos pontos que o estado de emergência permite estarem abertos. Estamos perante um confinamento de dois ou três meses", desabafou.

Mas mesmo assim, a APEL considera que se houvesse vontade política de resolver este problema, o Governo ter-se-ia reunido com a APEL e representantes do setor para tentar encontrar uma solução, que poderia passar, por exemplo, por apoiar os espaços fechados e deixar os abertos operar.

Esta pode ser a diferença entre "conseguir gerar uma receita mínima, permitir que os livros não sejam devolvidos em massa e aguentar sozinhos para ver pelo menos uma luz ao fundo do túnel", e "pôr em causa todo um setor".

"As ajudas absolutamente insignificantes"

"Estamos à beira da primeira falência massiva no setor, por não deixar funcionar o mercado dentro do enquadramento do estado de emergência. Isto é uma situação que não é compreensível", afirmou o vice-presidente da APEL.

Pedro Sobral recorda que no dia 8 de fevereiro as aulas 'online' vão ser retomadas e que haverá necessidade de comprar livros escolares.

A APEL queixa-se das "ajudas absolutamente insignificantes" que têm sido destinadas ao setor do livro, mas sublinha que neste momento já nem está a pedir apoios, apenas que deixem os profissionais do setor trabalhar.

"Não entendo como foram destinados 15 milhões de euros para a comunicação social, 48 milhões para a cultura e, para este setor, primeiro foram destinados cerca de 500 mil euros, agora 600 mil euros e, simultaneamente, foram proibidos de vender nos locais que podem estar abertos", disse Pedro Sobral.

O responsável destacou que não põe em causa a importância dos valores atribuídos às outras áreas sob a tutela do Ministério da Cultura, "que provavelmente até são insuficientes. O que está em causa é a proporção".

O setor que engloba "edição, gráfica e livreiros é o que maior número de pessoas emprega e que traz mais valor acrescentado à economia portuguesa", lembrou.

Acresce a isto que "o Ministério da Cultura não apresentou uma política, uma ideia, uma estratégia para o incentivo à leitura e ao livro", acusou, lembrando que é à tutela que deveria caber a "função de apresentar uma estratégia para inverter isto".

Neste âmbito, elogiou as bibliotecas e os bibliotecários que, "com muito esforço", têm tentado manter-se a funcionar e a levar os livros até casa das pessoas: "Estão a substituir-se espontaneamente àquilo que é a função do Estado e da tutela".

"Pensei que este era um problema que tinha ficado definitivamente resolvido no 25 de Abril", acrescentou.

Os apoios anunciados pela ministra da Cultura, Graça Fonseca, no contexto do novo estado de emergência, de resposta à pandemia, na área do livro, está prevista a aplicação de 300 mil euros, no programa de aquisição de livros a pequenas e médias livrarias independentes, para distribuição pelas bibliotecas da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas; e de mais 300 mil, numa linha de apoio à edição para editoras portuguesas, destinada a comparticipar financeiramente o custo de edição de livros.

Foi também anunciado o reforço das bolsas de apoio à criação literária, para 24, visando diretamente autores: 12 bolsas anuais, com valor de 15 mil euros cada, e 12 semestrais, com um valor de 7.500 euros cada, num total de 270 mil euros.

A Lusa questionou o Ministério da Cultura sobre os argumentos da APEL e a classificação do livro como bem de primeira necessidade, aguardando resposta.

 

29
Jan21

UMA ODE AOS LIVROS – AS LIVRARIAS NACIONAIS QUE CONTAM COM A AJUDA DE TODOS

Niel Tomodachi

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Nunca terá sido tão urgente recorrer aos livros, à leitura, à literatura, à cultura e educação como agora. Presos por fios entre confinamentos, campanhas eleitorais, extremismos vários, é o ser humano exímio (ou assim o deveria ser) em escapar para universos paralelos, onde possa existir sem essa perturbação constante, torpor de fatores externos que não raramente acabam por levar a melhor, deixando-o prostrado num marasmo de notícias, números, estatísticas, que às tantas, invés de contribuírem para o seu crescimento, acabam por ter o efeito perverso da apatia, do sentimento horrivel de egoísmo, do “não quero saber”.

A cultura é assim extremamente válida e, se não um bem de primeira necessidade biológica, não matando a fome física, é um bem de primeira necessidade a um nível muito mais elevado do que a nossa própria existência até. Mata a nossa fome de conhecimento. Não é apenas algo que esteja alocado a intelectualidade, é mais que isso. Preenche-nos os vazios. Dá-nos luz em dias que nem o Sol parece nem sequer aquecer.

Porque no dia em que a humanidade o deixar de ser, restará a quem de lá vier, num futuro mais ou menos de ficção científica, os nossos livros, bons ou maus, romance de cordel ou históricos, ficção e não ficção. Ficará a prova da nossa existência em folhas de papel, muitas delas mais antigas do que qualquer um de nós consegue imaginar. Livros não são coisas de brincar, nem servem para queimar.

Por isto e para salvar o que resta daquilo que nos torna humanos, a diferença entre o homem e o animal, a capacidade de imaginar, de ir mais além do nosso espaço físico sem sair do mesmo lugar, a RELI – Rede de Livrarias Independentes (RELI), apela a todos para que se faça um esforço de intervenção pública. Num momento em que as livrarias foram encerradas ainda que temporariamente, apela-se que se fale de todas as que possam vender através de plataformas online, com envios seguros para casa de cada leitor, sem que haja a necessidade de sairmos dos nossos espaços. Acima de tudo, apela à segurança de livreiros, de clientes, sempre com o interesse e objetivo únicos de salvar as pequenas livrarias, o comércio local, tantas e tantas vezes esquecido por nós. Os próprios leitores.

Seguimos na Revista RUA em nos focarmos sempre na nossa Cultura, Tradição e, como tal, não podemos fechar os olhos ou negar que temos uma responsabilidade acrescida neste caso. Fizemos assim uma lista de algumas livrarias que poderemos auxiliar, todos. Basta clicar nos links indicados (ou pesquisar na RELI).

LISBOA

Baobá Livraria

Livraria Alquimia

Distopia

Deja Lu

Tinta nos Nervos

Gatafunho

Hipopotamos na Lua

PORTO

Livraria Flaneur

Livraria Varadero

Livraria Poetria

Salta Folhinhas

PORTALEGRE

Nun’alvares

ÉVORA

Fonte de Letras

GUIMARÃES

Rimas e Tabuadas

Livraria Pinto dos Santos

BRAGA

Livraria Centésima Página

Bracara Alfarrabium

LAGOS

Até à Lua

A Internacional – Livraria/ Bookshop

COIMBRA

Livraria Faz de Conto

Livraria e Editora Bruaá

 

(S)

14
Jan21

44 anos depois, fechou a Livraria Campos Trindade

Niel Tomodachi

No entanto, o projeto vai continuar em breve noutro espaço em Lisboa.

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44 anos depois da inauguração, a histórica Livraria Campos Trindade encerrou portas esta quarta-feira, 13 de janeiro. O proprietário da livraria da Rua do Alecrim, em Lisboa, não conseguiu chegar a acordo com o senhorio do edifício.

Já em 2018 a Campos Trindade tinha recebido uma ordem de despejo, mas na altura existiu um acordo para ficar ali durante mais algum tempo. Esta quarta-feira, com o anúncio do fim, vários clientes habituais deslocaram-se até à livraria para depositarem flores na fachada e fazerem as últimas compras.

A Campos Trindade foi fundada em 1977 por Tarcísio Trindade, o pai do atual gerente, Bernardo Trindade. Era uma das livrarias lisboetas há mais tempo em atividade e Bernardo Trindade promete reabri-la em breve noutro espaço em Lisboa, mesmo que noutros moldes.

 

13
Jan21

Covid-19: Livrarias voltam a fechar, mas podem vender ao postigo

Niel Tomodachi

As livrarias vão voltar a encerrar, a partir das 00:00 de sexta-feira, em Portugal Continental, mas vão poder vender ao postigo, de acordo com as novas medidas de combate à pandemia de covid-19, hoje anunciadas pelo Governo.

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Em conferência de imprensa, realizada em Lisboa, o primeiro-ministro, António Costa, apresentou as regras de um novo período de confinamento, que passam pelo encerramento de todo o comércio, "salvo estabelecimentos autorizados".

"Ficam suspensas as atividades de comércio a retalho e de prestação de serviços em estabelecimentos abertos ao público, com exceção daquelas que disponibilizem bens ou prestem serviços de primeira necessidade ou outros considerados essenciais", lê-se no comunicado do Conselho de Ministros, que decorreu hoje à tarde.

Em março do ano passado, quando foi decretado o estado de emergência e a obrigatoriedade de as livrarias fecharem portas, foi-lhes permitido estarem abertas se fizessem as vendas através de um postigo, medida que a ministra da Cultura, na altura, justificou, por considerar que os livros são também um bem de primeira necessidade.

Questionado sobre se essa possibilidade estava acautelada neste novo confinamento, o Ministério da Cultura confirmou à agência Lusa que as livrarias vão poder vender ao postigo.

Entretanto, António Costa remeteu para quinta-feira o anúncio de "um conjunto de medidas de apoio aos setores que são particularmente atingidos", a serem apresentadas pela ministra da Cultura e pelo ministro da Economia.

Contactada pela Lusa, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) escusou-se para já a comentar as medidas anunciadas, preferindo esperar para conhecer todas as regras e apoios previstos para o mercado livreiro.

O anúncio de hoje vai agravar a situação de um setor que ainda não tinha conseguido recuperar da crise que atravessa por causa do período em que estive encerrado, levando muitas livrarias e editoras ao limite da sobrevivência.

De acordo com os últimos dados relativos à venda de livros em Portugal, disponibilizados pela consultora Gfk, no final de outubro o setor livreiro tinha recuperado algum fôlego da queda abrupta que registou devido à pandemia, mas ainda assim continuava com uma quebra de 15,8%, o que significava perdas no valor de 7,5 milhões de euros.

Entre 19 de março e 2 de maio, o país esteve em situação de estado de emergência, que transitou imediatamente para a situação de calamidade, e o mercado caiu a pique.

Para tentar ajudar o setor, em abril, o Ministério da Cultura anunciou o lançamento de um programa no valor global de 400 mil euros -- reforçado mais tarde com cerca de 36 mil euros -, para aquisição de livros, a preço de venda ao público, dos catálogos das editoras e livrarias, até um máximo de cinco mil euros por editora e livraria, a serem distribuídos pela Rede de Ensino de Português no Estrangeiro e Rede de Centros Culturais.

A este valor acresceram 200 mil inscritos em orçamento para compra de livros para bibliotecas da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, privilegiando as livrarias de proximidade.

Estas medidas não foram bem recebidas pela APEL, que considerou não se aproximarem daquilo que os editores e livreiros tinham proposto, nem resolver os seus problemas.

Segundo a Gfk, os dados relativos às vendas de livros em lojas físicas, entre a segunda semana de março e a última de maio, revelam uma perda de 16,1 milhões de euros (de 28 milhões em 2019, para 11,9 milhões em 2020), o que se traduziu numa quebra de 57,6%.

A partir do final de maio e até ao final de setembro, verificou-se uma recuperação e os valores entrados alcançaram os 39,6 milhões de euros, mesmo assim, menos 7,5 milhões do que em igual período do ano anterior.

Fazendo a avaliação total dos primeiros nove meses de 2020, os mais recentes disponíveis, o mercado livreiro português registou perdas no valor de 23,3 milhões de euros, face a 2019 (de 102,2 milhões para 78,9 milhões).

 

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