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Little Tomodachi (ともだち)

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17
Mar21

Prémio Oceanos abre inscrições para 2021 e mapeia literatura em português

Niel Tomodachi

As inscrições para a edição deste ano do Oceanos - Prémio de Literatura em Língua Portuguesa abrem na segunda-feira, e decorrerão até 18 de abril, com um processo de recolha de informações para um banco de dados literários inédito.

naom_58d241dc2dfc4.jpgPara a edição de 2021, poderão ser inscritos romances, livros de poesia, contos, crónicas e dramaturgia publicados entre 01 de janeiro e 31 de dezembro do ano passado.

Podem concorrem obras editadas em qualquer lugar do mundo, desde que escritas originalmente em língua portuguesa, segundo informou a organização do Oceanos em comunicado.

As inscrições podem ser feitas pela editora e/ou pelo autor dos livros, através do preenchimento da ficha de inscrição e a inclusão da obra no 'site' do Itaú Cultural.

"A tecnologia desenvolvida pelo Itaú Cultural permite que todos os livros inscritos e validados pela curadoria do prémio sejam avaliados numa plataforma digital por júris internacionais, compostos por escritores, poetas, professores e críticos literários dos países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). As obras passarão por um processo de avaliação realizado em três etapas até chegar a três vencedores", explica o comunicado.

A partir deste ano, além do patrocínio do Banco Itaú e da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), de Portugal, e do apoio institucional da CPLP, o Oceanos passa a contar também com a parceria do Instituto Cultural Vale.

Essas instituições estarão, a partir deste ano, a trabalhar em benefício do principal objetivo do Oceanos, que é ampliar o conhecimento sobre as literaturas dos países membros da CPLP através do mapeamento da produção literária em língua portuguesa.

Nesse sentido, junto às inscrições, o prémio dará início a um processo de recolha de informações para a constituição de um banco de dados literários inédito, "que permitirá identificar tendências e lacunas", de acordo com a organização.

Essas informações "serão coligidas, tratadas e analisadas, e aos resultados será dada ampla divulgação junto a todos os atores da dinâmica do livro, na qual se incluem também os órgãos governamentais, educacionais, empresariais, as universidades, a imprensa e o público em geral", diz o comunicado.

"Queremos contribuir para o desenvolvimento do mercado editorial como recurso para o fortalecimento da literatura escrita em língua portuguesa, da profissionalização do autor e do sistema editorial", advogou a coordenadora do projeto, Selma Caetano.

Em relação ao prémio, o seu processo de avaliação será realizado em três etapas, sendo que na primeira o júri de avaliação elege as 50 obras semifinalistas entre os concorrentes e escolhe, por votação, os membros dos júris subsequentes (etapa intermediário e final).

Na segunda etapa, o júri intermediário selecionará 10 finalistas entre os 50 semifinalistas eleitos pelo júri anterior. Por fim, na terceira etapa, o júri final definirá os três vencedores entre os 10 finalistas.

Todos os livros inscritos concorrem entre si, independentemente do género literário, pelas três premiações, com valor total de 250 mil reais (37.300 euros, no câmbio atual), sendo que 120 mil reais (17.900 euros) serão destinados ao primeiro colocado, 80 mil reais (11.900 euros) para o segundo e 50 mil reais (7.470 euros) para o terceiro.

A curadoria desta edição é formada pela linguista Adelaide Monteiro, de Cabo Verde, a escritora e jornalista Isabel Lucas, de Portugal, e o jornalista Manuel da Costa Pinto, do Brasil, com coordenação da gestora cultural Selma Caetano.

 

03
Fev21

Livros de Muhammad Chukri, Joseph Andras e Silvina Ocampo estreiam cá

Niel Tomodachi

A Antígona vai apostar na publicação de inéditos, ao longo do semestre, estreando em Portugal obras do autor marroquino Muhammad Chukri e do francês Joseph Andras, bem como um livro de contos da argentina Silvina Ocampo.

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Do plano editorial da Antígona até junho, fazem ainda parte a publicação de 'A praga escarlate', de Jack London, obra publicada pela última vez em 1967, e 'Comboios Rigorosamente Vigiados', de Bohumil Hrabal, com tradução direta do checo.

'A praga escarlate', editada este mês, tem como pano de fundo uma pandemia terrível e incontrolável, um tema que tem sido recuperado pelas editoras em obras antigas que o trataram, face à pandemia que o mundo atualmente atravessa.

A história passa-se em 2013, quando uma pandemia varre o planeta e faz ruir a civilização, mas é relatada sessenta anos mais tarde, em 2073, por um sobrevivente, James Smith, que conta aos netos as suas lembranças de um mundo já distante.

Nesta obra de Jack London, publicada originalmente em 1912, a pandemia conduz ao colapso dos Estados modernos e o mundo retrocede à barbárie: o medo reina, as pessoas isolam-se, hordas saqueiam lojas, e muitos fogem em massa das cidades.

"Um texto profético sobre a vulnerabilidade da nossa civilização, publicado em 1912, e que ecoa sonoramente no presente", destaca a editora, que tem vindo a publicar toda a obra do escritor norte-americano, que morreu em 1916.

Do mesmo autor, a Antígona publicou anteriormente 'O tacão de ferro', outro romance visto como "profético", neste caso, da ascensão do fascismo, que trata da subida ao poder de uma ditadura oligárquica.

Em abril, deverá sair um livro de contos da multipremiada escritora, contista e poeta argentina Silvina Ocampo, mulher do também escritor Adolfo Bioy Casares, nunca antes publicada em Portugal, à exceção do romance 'Quem ama, odeia', que foi escrito em coautoria com o marido.

'A fúria e outros contos', com prólogo de Jorge Luis Borges, é considerado "um dos tesouros mais bem guardados da literatura latino-americana do século XX" e o seu livro mais "ocampiano", segundo a editora.

Entre os 34 contos que compõem esta antologia, encontram-se 'A Casa de Açúcar', o preferido de Julio Cortázar, 'A Paciente e o Médico' e 'As Fotografias'.

Referindo-se a Silvina OcampoItalo Calvino disse não conhecer "outro escritor que capture melhor a magia dos rituais quotidianos, o rosto proibido ou oculto que os nossos espelhos não nos mostram".

O mês de maio chega com três novidades: 'Comboios Rigorosamente Vigiados', de Bohumil Hrabal, o segundo que a editora publica do autor checo; 'Dos Nossos Irmãos Feridos', estreia do autor francês Joseph Andras em Portugal; e 'Ferro em Brasa', de Filipe Homem Fonseca e Miguel Martins.

Depois de 'Uma Solidão Demasiado Ruidosa', a Antígona prossegue a publicação das obras de Bohumil Hrabal, em tradução direta do checo, agora com um clássico da literatura do pós-guerra, datado de 1965, considerado "uma pequena obra-prima de humor, humanidade e heroísmo".

Adaptada ao cinema por Jiri Menzel em 1968 (vencedor do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro), a história acompanha Milos Hrma, jovem aprendiz numa estação ferroviária na Checoslováquia ocupada pelos nazis.

'Comboios Rigorosamente Vigiados' teve uma edição anterior, em Portugal, em 1990, há muito esgotada.

'Dos Nossos Irmãos Feridos' é o romance de estreia de Joseph Andras, que causou sensação em França, "um livro de tirar o fôlego" sobre o caso verídico de Fernand Iveton, um 'pied-noir' (termo referente a cidadãos franceses que viveram no norte de África sob governação francesa), executado durante a Guerra da Argélia, em novembro de 1956.

A execução representou um castigo que se pretendia exemplar e um aviso a todos os que tomassem o partido dos colonizados e do anticolonialismo.

Esta obra constitui, assim, uma reflexão sobre um símbolo da resistência à opressão colonial e às injustiças dos conflitos, num estilo inesquecível, destaca a editora.

'Dos Nossos Irmãos Feridos' venceu o Prémio Goncourt 2016 para primeiro romance, mas o autor rejeitou o galardão, porque, segundo o próprio, a sua "conceção de literatura não é compatível com a ideia de competição, e a concorrência e a rivalidade são alheias à escrita e à criação", e também porque sempre preferiu o anonimato, escudando-se num pseudónimo.

'Pão Seco', do marroquino Muhammad Chukri (1935-2003), com tradução do árabe e posfácio de Hugo Maia, chega em junho, um romance que o dramaturgo norte-americano Tennessee Williams descreveu como "um verdadeiro documento do desespero humano, com um impacto avassalador".

Originalmente publicado em 1973, o romance autobiográfico 'Pão seco', considerado uma "obra de culto", foi proibido até recentemente nos países árabes, por tocar em tabus da sociedade magrebina.

Nesta novela autobiográfica que consagrou o autor, Muhammad Chukri recorda os tempos em que a fome grassou no Rife e a sua família partiu para Tânger em buscar de uma vida melhor.

Nas noites passadas ao relento, nos becos da cidade, o pequeno Muhammad, orgulhoso e insolente, descobre a injustiça e a compaixão, o consolo das drogas, do sexo e do álcool.

É já na prisão que um dos seus companheiros de cativeiro lhe ensina os rudimentos da leitura, que mudarão para sempre a sua vida: Muhammad Chukri aprendeu a ler e a escrever aos 21 anos. Até morrer, publicou dez romances.

 

05
Jan21

Prémio Costa distingue romance sobre sereia e biografia sobre racismo

Niel Tomodachi

O livro de memórias de Lee Lawrence, cuja mãe foi alvejada dentro de casa pela polícia, em Inglaterra, venceu o Prémio Costa na categoria de biografia, enquanto a escritora britânica Monique Roffey venceu o prémio para melhor romance.

naom_568eafc809e38.jpg'The Mermaid of Black Conch', uma história de amor passada numa pequena aldeia das Caraíbas, em 1976, entre um pescador e uma sereia centenária, foi a escolhida na categoria de melhor romance, de acordo com o 'site' do Prémio Literário Costa, que anunciou os vencedores de 2020, nas suas diversas categorias.

"The Louder I Will Sing", distinguido como melhor biografia, é um livro escrito por Lee Lawrence, sobre a experiência de crescer na Grã-Bretanha moderna, como jovem negro.

Lee Lawrence tinha 11 anos quando, durante o motim de Brixton (sul de Londres), em 28 de setembro de 1985, a polícia invadiu a sua casa e, por engano, alvejou a mãe, Cherry Groce, deixando-a paraplégica. A partir daquele momento, as suas vidas mudaram para sempre.

"The Louder I Will Sing: A story of racism, riots and redemption" é uma história tanto de pessoas como de política, mas também sobre o poder positivo que a esperança, a fé e o amor podem trazer como resposta, segundo o 'site'.

O Prémio Literário Costa prestou homenagem póstuma à poeta irlandesa Eavan Boland, que morreu em abril do ano passado, escolhendo "The Historians" como o vencedor de 2020 na categoria de poesia.

Ao longo dos seus quase sessenta anos de carreira, Eavan Boland tornou-se conhecida pela sua habilidade para entrelaçar mitos, história e a vida de uma mulher comum, transformando-os numa "poesia hipnotizante".

O seu volume final, "The Historians", explora as formas pelas quais histórias ocultas, por vezes totalmente baseadas na vida das mulheres, "podem rever poderosamente a nossa noção de passado".

"Love After Love", de Ingrid Persaud, escritora natural de Trinidad e Tobago, foi o livro premiado na categoria primeiro romance.

Esta história junta uma mulher "irreprimível", Betty Ramdin, o seu tímido filho, Solo, e o seu "maravilhoso hóspede", Sr. Chetan, formando uma família não convencional.

Felizes nas suas diferenças, constroem juntos uma casa, que os mantém a salvo de um mundo cada vez mais perigoso, até à noite em que um copo de rum e uma terrível verdade destroem a unidade familiar, afastando-os uns dos outros.

Na categoria de livro infantil, a autora premiada foi a inglesa Natasha Farrant, com "Voyage of the Sparrowhawk", uma viagem épica, de perseguições policiais, tempestades no mar e cachorros inesperados.

Passada no rescaldo da Primeira Guerra Mundial, a história segue dois órfãos, que viajam no seu pequeno barco, através do Canal, em busca dos seus entes queridos e de um lugar a que possam chamar casa.

Lançado em 1971, o Prémio Costa é um dos mais prestigiados e populares galardões literários do Reino Unido, distinguindo anualmente os melhores livros do ano, escritos por autores residentes no Reino Unido e na Irlanda.

O prémio tem cinco categorias -- cada uma delas é avaliada separadamente por um painel de três juízes - e, dos vencedores de cada uma das categorias, um é escolhido como Livro do Ano, este selecionado por um painel de nove membros, que inclui representantes dos painéis originais.

O vencedor do Livro do Ano, que será anunciado no dia 26 de janeiro, recebe um prémio monetário no valor de 30 mil libras (aproximadamente 35 mil euros).

No ano passado, o Prémio Livro do Ano foi para "O voluntário", de Jack Fairweather, a biografia de Witold Pilecki, herói da resistência polaca, na Segunda Guerra Mundial, que se infiltrou em Auschwitz.

O prémio melhor romance distinguiu "O Coração de Inglaterra", de Jonathan Coe, o primeiro romance galardoado foi "The confessions of Frannie Langton", de Sara Collins, o melhor livro de poesia foi "Flèche", de Mary Jean Chan, e, na área infantil, o livro distinguido foi "Asha & the Spirit Bird", de Jasbinder Bilan.

 

29
Dez20

Desafio Literário 2021♥

Preparados para o primeiro desafio anual do Blog?

Niel Tomodachi

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Olá, a todos!

Pela primeira vez decidi fazer um desafio literário! 

Como estamos a começar um novo ano, criei um desafio de leitura para 2021 com temas escolhidos. Convido todos os que queiram, a fazer parte desta jornada comigo. Podem ir comunicando e sugerindo os livros que vão lendo aqui nos comentários.

Eu irei partilhando como sempre as minhas leituras com todos e preencherei (abaixo) o desafio conforme for terminando. 

Preparados?

 

🚩 O DESAFIO!

1.Um livro publicado em 2021...

2.Um livro com mais de 500 páginas...

3.Ler uma Biografia ou Diário...

4.Um livro que se passa num lugar que já visitou...

5.Um livro com um número no título...

6.Um livro publicado em 2019/2020...

7.Um livro sobre causas sociais ou ambiente...

8.Um ebook...

8.Um clássico da literatura...

9.Um livro sobre alimentação saudável ou lifestyle...

10.Um livro que foi ou será um filme...

11.Um livro LGBTQI+...

12.Um livro com menos de 200 páginas...

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Aguardo pelos teus comentários!

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28
Dez20

Dois livros assinalam em Macau 100 anos da publicação de 'Clepsydra'

Niel Tomodachi

Os livros 'Clepsydra 1920-2020 - Estudos e revisões' e 'Ladrão de tempo' vão ser lançados na terça-feira, em Macau, para assinalar os 100 da publicação da obra 'Clepsydra de Camilo Pessanha.

naom_56d2c8bcb36d3.jpgA primeira obra é uma coleção de artigos sobre a obra de Pessanha, sob coordenação de Catarina Nunes de Almeida, da Faculdade de Letras de Lisboa, e conta com textos de de Carlos Morais José, Catarina Nunes de Almeida, Daniel Pires, Duarte Drumond Braga, Fernando Cabral Martins, Paulo Franchetti, Pedro Eiras, Ricardo Marques, Rogério Miguel Puga e Serena Cacchioli.

O segundo livro, de Carlos Morais José, reúne uma série de textos e artigos sobre Camilo Pessanha, publicados ao longo dos anos pelo autor.

O lançamento, pela editoria COD, vai decorrer na Casa de Portugal em Macau, com a participação de Carlos Morais José, bem como de Catarina Nunes de Almeida e de Duarte Drummond Braga, através da plataforma digital Zoom.

Considerado o expoente máximo do simbolismo em língua portuguesa, Camilo Pessanha nasceu em Coimbra, em 1867, e morreu em 1926, em Macau, onde viveu desde 1894.

 

27
Dez20

Nobel, escritoras portuguesas e reedições. As mulheres na literatura para 2021

Niel Tomodachi

Louise Gluck, Olga Tokarczuk, Virginia Wolf e Susanna Tamaro de regresso.Patrícia Reis, Luísa Costa Gomes, Alexandra Lucas Coelho estão também entre as muitas autoras femininas que estão nas listas de edições para 2021. Aponte a agenda também a chegada de reedições de John le Carré e George Orwell.

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A obra vencedora do prémio Booker 2020, uma nova coleção na Tinta-da-China, dirigida por Alberto Manguel, textos inéditos de George Orwell, e novos romances de Olga Tokarczuk, Bernardine Evaristo e Michel Houellebecq, são algumas das novidades editoriais de 2021.

Logo no início do ano, a Cavalo de Ferro vai editar um livro de ensaios da escritora norte-americana Patrícia Highsmith, conhecida pelos ‘thrillers’ psicológicos, no qual partilha as inspirações, aprendizagens, êxitos e fracassos da sua carreira.

Segue-se “Rebelião”, romance de Joseph Roth, inédito em Portugal, com o qual a editora prossegue a publicação da obra essencial do autor austríaco a partir dos originais, e que retrata uma sociedade austríaca fraturada e perdida. A editora vai lançar também uma edição cartonada e ilustrada por Ralph Steadman de “A Quinta dos Animais”, de George Orwell, com os dois prefácios do autor.

A Cavalo de Ferro vai também lançar uma coleção, com novo formato, dedicada a obras influentes da literatura, como “Mrs. Dalloway”, de Virginia Woolf, “O Estranho Caso do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde e outros contos”, de R.L. Stevenson, e “A Confissão de Um Filho do Século”, de Alfred De Musset, ainda inédito em Portugal.

“Casa de Dia, Casa de Noite”, mais um romance da Nobel da Literatura de Olga Tokarczuk, “O Passageiro”, de Ulrich Alexander Boschwitz, “As Crónicas Marcianas”, de Ray Bradbury, e “A presa”, de Irène Némirovsky, romance publicado em 1938 e até hoje inédito em Portugal, são outras das novidades da Cavalo de Ferro, que vai publicar também uma “coleção de esboços, de micronarrativas” de Julio Cortázar, intitulada “Um Certo Lucas”.

Através da chancela Elsinore, chega às livrarias no primeiro semestre o mais recente romance de Cynan Jones, “Estilicídio”, originalmente escrito para a BBC Radio 4, que encomendou ao autor 12 histórias interligadas, com a duração máxima de 15 minutos de tempo de leitura.

“Despertar os Leões”, de Ayelet Gundar-Goshen, com tradução direta do hebraico, “Sistema Nervoso”, da autora chilena Lina Meruane, “Olá, América!”, de J. G. Ballard, em nova tradução, e “Inventário de Algumas Perdas”, da escritora alemã Judith Schalansky, são outras novidades da editora.

Até junho, a Elsinore publica ainda o último livro do “quarteto das estações” de Ali Smith, “Verão”, um novo livro da premiada autora de “Rapariga, Mulher, Outra”, Bernardine Evaristo, intitulado “Blonde Roots”, e o novo romance de Tatiana Salem Levy, “Vista Chinesa”,

Entre os destaques da Companhia das Letras, contam-se um romance de José Gardeazabal, nascido dos tempos vividos no último ano e intitulado “Quarentena — Uma história de amor”, bem como um romance sobre identidade e relações raciais, “O avesso da pele”, do autor brasileiro Jeferson Tenório.

Até junho, a Companhia das Letras conta ainda passar a editar Dulce Garcia, com o romance “Olho da rua”, e publicar novos livros de Hugo Gonçalves, João Tordo e Afonso Cruz, bem como um novo livro de Isabel Lucas, intitulado “Viagem ao país do futuro”.

Alfaguara traz aos leitores portugueses mais um livro do escritor francês Michel Houellebecq, “As partículas elementares”, no qual explora a crise afetiva e sexual da sociedade ocidental, através dos percursos familiares e sentimentais dos dois protagonistas, assim como dois romances que têm figurado nas mais importantes listas de melhores livros do ano: “The Vanishing Half”, da autora americana Brit Bennett, e o vencedor do Prémio Booker 2020, “Shuggie Bain”, de Douglas Stuart.

Para os primeiros seis meses do ano, a Relógio d’Água planeia editar “Jack”, da norte-americana Marilynne Robinson, “O Problema dos Três Corpos”, o primeiro livro em Portugal do autor de ficção científica chinês Liu Cixin, um novo livro de Djaimilia Pereira de Almeida, “Notas de vida e morte”, mais um livro da laureada com o Nobel 2020, Louise Gluck, “Vita Nova”, bem como o romance vencedor do Women’s Prize for Fiction deste ano, “Hamnet”, da escritora irlandesa Maggie O’Farrell, inspirado na morte do filho de William Shakespeare aos 11 anos.

Para 2021, além dos destaques literários, a Tinta-da-China reserva uma novidade que é o nascimento de uma nova coleção, de antologias temáticas de contos dirigida por Alberto Manguel, com temas como amor, vingança, ou erotismo.

Quanto a livros, está prevista a publicação de “Trieste”, de Jan Morris, na Coleção de Literatura de Viagens, naquela que é a sua primeira tradução pra português, “O Reino”, de Emmanuel Carrère, também inédito em Portugal e inspirado pelos primórdios do cristianismo, “Ideas of Order”, de Wallace Stevens, a ser publicado na coleção de poesia, e o ensaio-memória “The Undying”, de Anne Boyer, sobre cancro, doença e política nos tempos modernos.

Na Coleção Ephemera, está previsto sair “Diário dos Dias da Peste”, com organização de José Pacheco Pereira, inspirado nos dois meses que corresponderam ao período mais duro do confinamento da pandemia da covid-19.

Porto Editora destaca “Beartown”, do sueco Fredrik Backman, um romance sobre os sonhos e a sobrevivência de uma pequena comunidade, que foi adaptado para uma série de cinco episódios pela HBO.

Bertrand Editora prepara-se para lançar o primeiro volume de “A Dança da Morte” (“The Stand”), o “grande romance apocalíptico de Stephen King”, construído num cenário de luta pela sobrevivência após uma poderosa estirpe de vírus da gripe matar 99% da população. O livro foi alvo de uma recente adaptação para a HBO.

Quetzal vai publicar um novo livro de Julian Barnes, “O Homem do Casaco Vermelho”, uma aventura social, cultural e política vivida em Londres, em 1885, pelo príncipe Edmond de Polignac, o conde Robert de Montesquieu e o plebeu Samuel Pozzi, médico-cirurgião e ginecologista, livre pensador — o homem do casaco vermelho, retratado na famosa tela do célebre pintor John Singer Sargeant.

As publicações D. Quixote vão editar o novo romance de Patrícia Reis, “Da meia-noite às seis”, um livro de ensaios da escritora inglesa Zadie Smith, “Sinta-se livre”, um “grande romance” do escritor Matthew Weiner, criador de séries como “Mad Men” e “Os Sopranos”, intitulado “Heather, absolutamente”, e um livro sobre a importância da família, da memória e da perda, com o título “Luto”, da autoria de Eduardo Halfon.

“A cadela”, de Pilar Quintana, finalista do National Book Award nos Estados Unidos, “Chamada para o morto”, primeiro livro de John le Carré, publicado originalmente em 1961, “Afastar-se (treze contos sobre água)”, de Luísa Costa Gomes, “Paixão”, livro de poemas inéditos de Maria Teresa Horta, “A morte de Jesus”, livro com que J.M. Coetzee fecha a trilogia iniciada com “A Infância de Jesus”, o romance histórico “Um coração convertido”, de Stefan Hertmanns, e o romance de estreia do autor norte-americano Salvatore Scibona, “Fim”, são outros dos destaques.

Caminho vai publicar um novo livro de Alexandra Lucas Coelho, ainda sem título, sobre as crises do Líbano, e o segundo romance do angolano Júlio de Almeida, “Incesto real”.

Pela Asa chega uma novela negra do escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte, “Cães maus não dançam”, bem como o aclamado romance literário de Mary Beth Keane, “Ask again, yes”, que está já a ser adaptado ao cinema.

Entre as publicações da editorial Presença, destacam-se “O preço do dinheiro”, ‘thriller’ de Ken Follett, autor de “Os pilares da Terra”, “Uma grande história de amor”, o romance que marca o regresso de Susanna Tamaro, e “O Fonchito e a lua”, um ‘picture book’ do autor peruano Nobel da Literatura Mário Vargas Llosa.

Almedina prepara-se para publicar as biografias de Joe Biden e Kamala Harris, “Ensaios” de George Orwell, muitos deles inéditos em português, e “A Última Tentação de Cristo”, de Nikos Kazantzakis, o livro que inspirou o filme de Martin Scorsese.

(S)

26
Dez20

Espólio de Hergé e Dante segundo Botticelli na Gulbenkian em 2021

Niel Tomodachi

Uma mostra de documentos, desenhos originais e obras de Hergé, o criador de Tintim, as visões de Dante, por Sandro Botticelli, e uma retrospetiva da coleção de Arte Moderna, são algumas das exposições previstas para 2021 na Gulbenkian.

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De acordo com a programação da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), em Lisboa, para 2021, o calendário de exposições abre em março com "Histórias de uma Coleção. Arte Moderna e Contemporânea da Fundação Gulbenkian", patente até dia 23 de agosto.

"Numa altura em que o Centro de Arte Moderna está encerrado para obras de renovação, a Fundação Gulbenkian apresenta uma exposição dedicada à história da sua coleção moderna e contemporânea que começou a ser constituída no final da década de 1950, com o objetivo de integrar exposições temporárias itinerantes dentro e fora de Portugal, fixou-se num edifício próprio em 1983 e conta, atualmente, com cerca de 12 mil obras", adianta a fundação.

Esta exposição, patente entre 05 de março e 31 de maio, e com curadoria de Ana Vasconcelos, Leonor Nazaré, Patrícia Rosas e Rita Fabiana, segue a linha de aquisições das obras ao longo dos anos, detendo-se nos seus momentos-chave e nas circunstâncias históricas e artísticas "que fazem dela uma coleção ímpar, composta por nomes maiores da arte moderna e contemporânea nacional e com relevantes pontuações internacionais", sublinha a Gulbenkian.

Na mesma altura, vai estar aberta ao público uma mostra dedicada a Jorge Queiroz e Arshily Gorky: um encontro imaginado entre dois artistas com uma obra singular, que também tem curadoria de Ana Vasconcelos.

A 02 de julho, chega Hugo Canoilas e o seu projeto concebido para a galeria temporária do Museu Gulbenkian, prosseguindo uma investigação iniciada em 2020, em torno dos fundos marinhos, dos ambientes aquáticos e dos organismos primitivos que os habitam.

"O artista, que vive e trabalha em Viena, propõe uma instalação intensa e sensorial, habitada por pinturas-esculturas, "novas formas de vida" onde a cor, as texturas-tessituras e a fluidez lhes conferem uma qualidade quase alquímica, como se, sob o nosso olhar, estivessem em plena metamorfose", explica a Gulbenkian, que vai ter esta mostra, com curadoria de Rita Fabiana, patente até 27 de setembro.

Entre 23 de setembro e 27 novembro, a fundação recebe, pela mão do curador João Carvalho Dias, "Visões de Dante. O Inferno segundo Botticelli", no âmbito das comemorações dos 700 anos da morte de Dante Alighieri (1265-1321).

Vão ser apresentados "dois excecionais desenhos sobre pergaminho" do pintor renascentista italiano de Sandro Botticelli (1445-1510), alusivos ao "Inferno" da "Divina Comédia" e dois manuscritos de Jacopo della Lana e de Boccaccio, cedidos pela Biblioteca Apostólica Vaticana.

A mostra integra ainda um exemplar do manuscrito dantesco proveniente do acervo da Biblioteca Nacional de Portugal, que foi propriedade de Frei Manuel do Cenáculo, bem como um conjunto de obras da Coleção Calouste Gulbenkian.

A esta mostra juntam-se ainda uma escultura e desenhos de Rui Chafes, em estreita referência ao "Inferno" de Dante.

A partir de 07 de outubro, e até 10 de janeiro de 2022, pode ser visitada na Galeria Principal a exposição "Hergé", apresentada pela primeira vez no Grand Palais, em Paris.

Esta exposição reúne uma importante seleção de documentos, desenhos originais e várias obras criadas pelo autor de Tintim.

"Organizada em colaboração com o Museu Hergé de Louvain-la-Neuve, a mostra revela as múltiplas facetas de uma personalidade artística de referência, da ilustração à banda desenhada, passando pela publicidade, imprensa, desenho de moda e artes plásticas", explicita a Gulbenkian, destacando que esta é "uma oportunidade única de descobrir os tesouros dos estúdios Hergé: pranchas originais, pinturas, fotografias e documentos de arquivo".

Com inauguração a 22 de outubro, "Fernão Cruz. Morder o pó" é a primeira exposição individual, em contexto institucional, de Fernão Cruz, um jovem artista que interpela o público "com a formulação inquieta de uma pergunta sobre a morte, tão antiga quanto a humanidade", aqui com curadoria de Leonor Nazaré.

Já no final de 2022, chega a Lisboa uma mostra da arte no feminino, que antes vai passar pela Bélgica e por França. "Tudo o que eu quero. Artistas Portuguesas de 1900 a 2020" é uma exposição no âmbito da Presidência de Portugal na União Europeia 2021, realizada com o apoio da Fundação Gulbenkian.

Tem inauguração no dia 25 de fevereiro de 2021 no centro de artes Bozar, em Bruxelas, onde ficará até 23 de maio.

Em 2022 passa pelo Centro de Criação Contemporânea Olivier Debré, em Tours (França) integrada no programa geral da Temporada Cruzada Portugal-França.

No final de 2022 e início de 2023, chega então à Fundação Calouste Gulbenkian esta exposição, que parte do "magnífico autorretrato de Aurélia de Souza, pintado em 1900".

A mostra, que tem como curadores Helena de Freitas e Bruno Marchand, apresenta uma seleção de artistas mulheres portuguesas desde o início do século XX até hoje, propondo uma reflexão focada num contexto de criação que durante muitos séculos foi quase exclusivamente masculino.

Estarão presentes 41 artistas de referência, entre as quais Maria Helena Vieira da Silva, Lourdes Castro, Paula Rego, Ana Vieira, Salette Tavares, Helena Almeida, Joana Vasconcelos, Maria José Oliveira e Leonor Antunes.

Oriundas de coleções públicas, particulares e de acervos de artistas, estas obras de arte incluem pintura, escultura, desenho, objeto, livro, instalação, filme e vídeo.

 

26
Dez20

Fórum do Futuro lança livro 'Vita Nova' com textos de Octavia Butler

Niel Tomodachi

A organização do Fórum do Futuro decidiu lançar um livro, intitulado 'Vita Nova', para contrariar a impossibilidade de realizar o evento este ano, disponibilizando gratuitamente a obra com textos de múltiplos autores como Octavia Butler e Ted Chiang.

naom_582defa5d4903.jpgpublicação vai estar disponível ao público para levantamento, a partir de segunda-feira, no Rivoli -- Teatro Municipal do Porto.

"Dada a impossibilidade de se concretizar uma nova edição do Fórum do Futuro em 2020, devido às dificuldades impostas pela pandemia", a equipa curatorial do projeto "desenvolveu um projeto editorial que comissariou ensaios escritos e visuais, bem como conversas e entrevistas, que propõe debater a existência humana e não-humana no atual contexto social".

A equipa é composta pelo diretor do Departamento de Arte Contemporânea e Cinema da empresa municipal Ágora, Guilherme Blanc, e por três curadores por si convidados: a curadora e investigadora Filipa Ramos, a artista Jenna Sutela e o escritor e curador Shumon Basar.

Copublicado com a editora Bom Dia Boa Tarde Boa Noite, o livro inclui, entre outros trabalhos, obras de nomes como Joan Jonas, Octavia Butler (o ensaio "As raças perdidas da ficção científica", de 1980) e Suzanne Treister, além de uma entrevista com Ted Chiang.

"Os editores propuseram também um encontro entre autores que contribuíram para esta publicação e grupos de estudantes, coordenados por docentes, de quatro instituições académicas da cidade: Orfeu Bertolami da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto; Inês Moreira da Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto; Nuno Crespo da Escola das Artes -- Universidade Católica e Eduarda Neves, da Escola Superior Artística do Porto", acrescenta o comunicado da Ágora.

Daqui "resultaram quatro sessões de questões e comentários que abordam a prática, os interesses e inquietações de Chandra Wickramasinghe, Rosi Braidotti, Sophia Al Maria e Denise Ferreira da Silva".

"O livro está ancorado no presente para, a partir daí, poder imaginar o futuro da ciência, da espiritualidade, da arte e da sociedade em geral: temas que são explorados pela complementaridade das vozes, imagens e ideias que o habitam", escrevem os responsáveis pelo projeto, no texto inicial da publicação.

O livro pode ser levantado gratuitamente, nos dias 28, 29 e 30 de dezembro no Rivoli, entre as 13:00 e as 20:00, podendo ser reservado através de forumdofuturo@agoraporto.pt.

A partir de janeiro, as cópias disponíveis da publicação poderão ser adquiridas através do mesmo endereço de email.

O Fórum do Futuro define-se como "um programa de debates e performances que decorre anualmente na cidade do Porto e que tem como principal objetivo reunir convidados de múltiplas disciplinas e diferentes geografias culturais para refletir sobre questões fundamentais para as sociedades contemporâneas".

O fórum realiza-se desde 2014 e já contou com nomes como o arquiteto Jean Nouvel, o filósofo Michel Maffesoli, os artistas Wolfgang Tillmans e Sasha Grey, os escritores Ali Smith, Tahar Ben Jelloun e Margaret Atwood, entre muitos outros.

 

26
Dez20

Novidades literárias com vencedor do Booker e coleção de Alberto Manguel

Niel Tomodachi

A obra vencedora do prémio Booker 2020, uma nova coleção na Tinta-da-China, dirigida por Alberto Manguel, textos inéditos de George Orwell, e novos romances de Olga Tokarczuk, Bernardine Evaristo e Michel Houellebecq, são algumas das novidades editoriais de 2021.

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Logo no início do ano, a Cavalo de Ferro vai editar um livro de ensaios da escritora norte-americana Patrícia Highsmith, conhecida pelos 'thrillers' psicológicos, no qual partilha as inspirações, aprendizagensêxitos e fracassos da sua carreira.

Segue-se 'Rebelião', romance de Joseph Roth, inédito em Portugal, com o qual a editora prossegue a publicação da obra essencial do autor austríaco a partir dos originais, e que retrata uma sociedade austríaca fraturada e perdida.

A editora vai lançar também uma edição cartonada e ilustrada por Ralph Steadman de 'A Quinta dos Animais', de George Orwell, com os dois prefácios do autor.

A Cavalo de Ferro vai também lançar uma coleção, com novo formato, dedicada a obras influentes da literatura, como 'Mrs. Dalloway', de Virginia Woolf, 'O Estranho Caso do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde e outros contos', de R.L. Stevenson, e 'A Confissão de Um Filho do Século', de Alfred De Musset, ainda inédito em Portugal.

'Casa de Dia, Casa de Noite', mais um romance da Nobel da Literatura de Olga Tokarczuk, 'O Passageiro', de Ulrich Alexander Boschwitz, 'As Crónicas Marcianas', de Ray Bradbury, e 'A presa', de Irène Némirovsky, romance publicado em 1938 e até hoje inédito em Portugal, são outras das novidades da Cavalo de Ferro, que vai publicar também uma 'coleção de esboços, de micronarrativas' de Julio Cortázar, intitulada 'Um Certo Lucas'.

Através da chancela Elsinore, chega às livrarias no primeiro semestre o mais recente romance de Cynan Jones, 'Estilicídio', originalmente escrito para a BBC Radio 4, que encomendou ao autor 12 histórias interligadas, com a duração máxima de 15 minutos de tempo de leitura.

'Despertar os Leões', de Ayelet Gundar-Goshen, com tradução direta do hebraico, 'Sistema Nervoso', da autora chilena Lina Meruane, 'Olá, América!', de J. G. Ballard, em nova tradução, e 'Inventário de Algumas Perdas', da escritora alemã Judith Schalansky, são outras novidades da editora.

Até junho, a Elsinore publica ainda o último livro do 'quarteto das estações' de Ali Smith, 'Verão', um novo livro da premiada autora de 'Rapariga, Mulher, Outra', Bernardine Evaristo, intitulado 'Blonde Roots', e o novo romance de Tatiana Salem Levy, 'Vista Chinesa',

Entre os destaques da Companhia das Letras, contam-se um romance de José Gardeazabal, nascido dos tempos vividos no último ano e intitulado 'Quarentena -- Uma história de amor', bem como um romance sobre identidade e relações raciais, 'O avesso da pele', do autor brasileiro Jeferson Tenório.

Até junho, a Companhia das Letras conta ainda passar a editar Dulce Garcia, com o romance 'Olho da rua', e publicar novos livros de Hugo Gonçalves, João Tordo e Afonso Cruz, bem como um novo livro de Isabel Lucas, intitulado 'Viagem ao país do futuro'.

Alfaguara traz aos leitores portugueses mais um livro do escritor francês Michel Houellebecq, 'As partículas elementares', no qual explora a crise afetiva e sexual da sociedade ocidental, através dos percursos familiares e sentimentais dos dois protagonistas, assim como dois romances que têm figurado nas mais importantes listas de melhores livros do ano: 'The Vanishing Half', da autora americana Brit Bennett, e o vencedor do Prémio Booker 2020, 'Shuggie Bain', de Douglas Stuart.

Para os primeiros seis meses do ano, a Relógio d'Água planeia editar 'Jack', da norte-americana Marilynne Robinson, 'O Problema dos Três Corpos', o primeiro livro em Portugal do autor de ficção científica chinês Liu Cixin, um novo livro de Djaimilia Pereira de Almeida, 'Notas de vida e morte', mais um livro da laureada com o Nobel 2020, Louise Gluck, 'Vita Nova', bem como o romance vencedor do Women's Prize for Fiction deste ano, 'Hamnet', da escritora irlandesa Maggie O'Farrell, inspirado na morte do filho de William Shakespeare aos 11 anos.

'A Noite do Morava', de Peter Handke, 'Canoagem', de Joaquim Manuel Magalhães, 'Rodeado De Ilha', de João Miguel Fernandes Jorge, reedições dos clássicos 'Recordações da Casa dos Mortos', de Fiódor Dostoievski, 'O Doutor Fausto', de Thomas Mann, 'A Guerra do Mundo', de Niall Ferguson, e um livro de Gonçalo M. Tavares com ilustrações de Julião Sarmento, são outras das novidades desta editora.

Para 2021, além dos destaques literários, a Tinta-da-China reserva uma novidade que é o nascimento de uma nova coleção, de antologias temáticas de contos dirigida por Alberto Manguel, com temas como amor, vingança, ou erotismo.

Quanto a livros, está prevista a publicação de 'Trieste', de Jan Morris, na Coleção de Literatura de Viagens, naquela que é a sua primeira tradução pra português, 'O Reino', de Emmanuel Carrère, também inédito em Portugal e inspirado pelos primórdios do cristianismo, 'Ideas of Order', de Wallace Stevens, a ser publicado na coleção de poesia, e o ensaio-memória 'The Undying', de Anne Boyer, sobre cancro, doença e política nos tempos modernos.

Na Coleção Ephemera, está previsto sair 'Diário dos Dias da Peste', com organização de José Pacheco Pereira, inspirado nos dois meses que corresponderam ao período mais duro do confinamento da pandemia da covid-19.

A Porto Editora destaca 'Beartown', do sueco Fredrik Backman, um romance sobre os sonhos e a sobrevivência de uma pequena comunidade, que foi adaptado para uma série de cinco episódios pela HBO.

A Bertrand Editora prepara-se para lançar o primeiro volume de 'A Dança da Morte' ('The Stand'), o 'grande romance apocalíptico de Stephen King', construído num cenário de luta pela sobrevivência após uma poderosa estirpe de vírus da gripe matar 99% da população. O livro foi alvo de uma recente adaptação para a HBO.

Quetzal vai publicar um novo livro de Julian Barnes, 'O Homem do Casaco Vermelho', uma aventura social, cultural e política vivida em Londres, em 1885, pelo príncipe Edmond de Polignac, o conde Robert de Montesquieu e o plebeu Samuel Pozzi, médico-cirurgião e ginecologista, livre pensador -- o homem do casaco vermelho, retratado na famosa tela do célebre pintor John Singer Sargeant.

As publicações D. Quixote vão editar o novo romance de Patrícia Reis, 'Da meia-noite às seis', um livro de ensaios da escritora inglesa Zadie Smith, 'Sinta-se livre', um 'grande romance' do escritor Matthew Weiner, criador de séries como 'Mad Men' e 'Os Sopranos', intitulado 'Heather, absolutamente', e um livro sobre a importância da família, da memória e da perda, com o título 'Luto', da autoria de Eduardo Halfon.

'A cadela', de Pilar Quintana, finalista do National Book Award nos Estados Unidos, 'Chamada para o morto', primeiro livro de John le Carré, publicado originalmente em 1961, 'Afastar-se (treze contos sobre água)', de Luísa Costa Gomes, 'Paixão', livro de poemas inéditos de Maria Teresa Horta, 'A morte de Jesus', livro com que J.M. Coetzee fecha a trilogia iniciada com 'A Infância de Jesus', o romance histórico 'Um coração convertido', de Stefan Hertmanns, e o romance de estreia do autor norte-americano Salvatore Scibona, 'Fim', são outros dos destaques.

A Caminho vai publicar um novo livro de Alexandra Lucas Coelho, ainda sem título, sobre as crises do Líbano, e o segundo romance do angolano Júlio de Almeida, 'Incesto real'.

Pela Asa chega uma novela negra do escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte, 'Cães maus não dançam', bem como o aclamado romance literário de Mary Beth Keane, 'Ask again, yes', que está já a ser adaptado ao cinema.

Entre as publicações da editorial Presença, destacam-se 'O preço do dinheiro', 'thriller' de Ken Follett, autor de 'Os pilares da Terra', 'Uma grande história de amor', o romance que marca o regresso de Susanna Tamaro, e 'O Fonchito e a lua', um 'picture book' do autor peruano Nobel da Literatura Mário Vargas Llosa.

Almedina prepara-se para publicar as biografias de Joe Biden e Kamala Harris, 'Ensaios' de George Orwell, muitos deles inéditos em português, e 'A Última Tentação de Cristo', de Nikos Kazantzakis, o livro que inspirou o filme de Martin Scorsese.

 

20
Dez20

A ler desde pequeno se chega longe no futuro

Niel Tomodachi

Contar histórias aos mais novos e incentivá-los a ler desde cedo é um estímulo ao desenvolvimento da sua criatividade, empatia e inteligência. Ler em família é um ótimo primeiro passo.

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Toda a gente sabe que a leitura é crucial no desenvolvimento cognitivo de crianças e jovens, mas a realidade do nosso país está longe de o refletir, e muitos são os que reviram os olhos quando a conversa passa por ler um livro. Se dúvidas tivéssemos de que as coisas são mesmo assim, um estudo recente veio provar que os alunos do 3.º ciclo e ensino secundário leem cada vez menos. Levada a cabo pelo Plano Nacional de Leitura (PNL2027) e pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa (CIES-IUL), a pesquisa revelou que, em 2019, 21,8% daqueles alunos assumiram não ter lido qualquer livro por prazer nos 12 meses anteriores ao inquérito, o que representa um crescimento de cerca de 10% em relação a 2007.

Sabendo-se que os hábitos de leitura são maioritariamente integrados durante a infância e adolescência, é inevitável ficar apreensivo com estes números. Tanto mais que os primeiros resultados do estudo apontam para uma relação entre o comportamento dos alunos face aos livros e o contexto familiar em que estão inseridos. Quanto mais forte é a relação da família com a leitura – independentemente do nível de escolaridade dos pais —, mais livros os jovens dizem ter lido. De salientar que mais de metade dos alunos (57%) diz que a família tem uma relação distante com a leitura e a percentagem de estudantes com menos de 20 livros em casa quase duplicou entre 2007 e 2019, passando dos 14,5% para 27,3%.

Estimular a leitura entre os mais novos, envolver a família nesse propósito e facilitar o acesso a livros para aquelas faixas etárias é precisamente um dos objetivos do Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce, criado por esta cadeia em 2014. O livro vencedor da edição deste ano — “Leituras e Papas de Aveia” — da autoria de António Pedro Martins com ilustrações de Duarte Carolino, já está disponível em todas as lojas Pingo Doce do país, e conta as aventuras da pequena Olívia e dos monstrinhos que habitam o seu colchão. António Pedro e Duarte contam-lhe um pouco mais sobre esta experiência no vídeo:

Mais afeto e melhores notas

São inúmeros os benefícios que resultam da leitura, que pode – e deve – ser incentivada desde os primeiros tempos de vida, mesmo ainda na barriga da mãe, como defendem alguns especialistas.

Além de estreitar enormemente os laços afetivos entre pais e filhos, ler para as crianças vai estimular o seu desenvolvimento cognitivo, já que a leitura ensina a comunicação básica, incentiva a fala e ajuda a introduzir letras, números, cores e formas. Além disso, sabe-se também que desafia a memória, aguça a criatividade e imaginação e ainda treina a escuta e a concentração. Como consequência, pesquisas não faltam a relacionar os hábitos de leitura e o bom desempenho académico e até profissional.

Num interessante estudo sobre o tema, intitulado “The Sooner, the Better: Early Reading to Children”, os investigadores concluíram exatamente que ler livros a crianças pequenas contribui significativamente para um ambiente doméstico favorável à literacia e ao desenvolvimento da linguagem desde cedo. Já antes havia sido percebido que a leitura é um precioso auxiliar no enriquecimento do vocabulário ao longo dos primeiros anos.

Apreender o mundo e assimilar valores

Algumas investigações sugerem também que a leitura de histórias promove o desenvolvimento emocional, uma vez que, ao ouvir ler, a criança capta o tom de voz e as expressões de quem o faz, interioriza valores importantes (como a amizade ou a liberdade, por exemplo) e aprende a distinguir o certo do errado. Outra das consequências da leitura — especialmente a leitura de ficção — diz respeito ao desenvolvimento da empatia, o que também justifica a importância dos contos de fadas. Há ainda a perceção de que os livros contribuem para a redução de preconceitos da parte de quem lê ou ouve ler, uma vez que ajudam a conhecer e a compreender o mundo em que se vive.

A cereja no topo do bolo (sobretudo para pais desesperados devido à energia inesgotável dos filhos) é que a leitura favorece o relaxamento, verificando-se uma diminuição dos níveis de ansiedade, de acordo com a pesquisa levada a cabo pelo neuropsicólogo David Lewis-Hodgson, responsável pelo Mindlab, da Universidade de Sussex, Brighton, Reino Unido.

E o melhor é que tudo isto pode ser obtido de forma muito fácil, sem sair de casa e recorrendo apenas ao mais simples que há: amor, tempo em família e livros.

Como incentivá-los a ler?

Pôr os mais novos a ler não é tarefa impossível, sobretudo se se seguir algumas destas sugestões:

Prateleiras cheias de livros – Fazer do livro uma presença constante em casa desde sempre é meio caminho andado para que os mais novos ganhem o gosto pela leitura. Se crescerem rodeados de livros vão achar natural lê-los pela vida fora.

Dar o exemplo – Parte importante da educação faz-se pelo exemplo e o caso da leitura não é exceção. Por isso, há que ler – com eles e sem eles – para que percebam que ler é um hábito normal e desejável na família.

Criar rotinas – É bom que os mais novos tenham liberdade para ler quando e onde quiserem (dentro dos limites do bom senso, claro), mas é importante estipular momentos diários, como a altura antes de dormir, por exemplo, para lhes ler uma história ou, se as crianças já souberem ler, para o fazerem sozinhas ou lado a lado.

Qual é o livro mais adequado a cada idade?

Saber que livros são adequados a cada faixa etária pode ser determinante para que os mais novos mantenham o entusiasmo à medida que crescem. Antes de mais, é importante que se adequem, de alguma forma, aos seus gostos, e a quantidade de texto e de ilustrações deve ser proporcional à sua idade e conhecimentos. Aqui ficam algumas sugestões:

Até aos 5/6 meses – Livros pequenos e cartonados, de pano ou plástico com grandes figuras coloridas;

Dos 6 aos 12 meses – Livros com texturas ou sons, ilustrações de animais, objetos do quotidiano ou meios de transporte. O material deve ser resistente e durável;

1 a 3 anos – Textos simples, com rimas e repetições, como fábulas em verso, por exemplo. Livros com ilustrações variadas são sempre uma boa aposta, assim como com diferentes texturas;

3 a 6 anos – As histórias podem começar a apresentar mais texto e menos imagens. As fábulas e os contos de fadas são uma opção nestas idades;

6 a 8 anos – Livros ainda com imagens, mas em menor número, já que as histórias são mais longas e as personagens começam a apresentar características definidas em termos de caráter, e o final feliz é ansiado pela criança;

8 a 10 anos – Histórias mais complexas, com princípio, meio e fim. Nesta idade, as crianças são recetivas a livros com os seus heróis preferidos (por exemplo, personagens de um jogo ou filme), sendo esta uma forma de os cativar para a leitura;

10 a 12 anos – Começa a transição para livros com enredos densos e vocabulário mais rico, com as ilustrações a escassearem ou até a desaparecerem por completo. Livros de aventuras, mundos mágicos, mitos e lendas, detetives e até ficção científica são muito apreciados nesta idade.

Saiba mais em
https://observador.pt/seccao/premio-literario/

(S)

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