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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

21
Set23

Padres católicos abençoam casais do mesmo sexo em protesto contra arcebispo alemão

Niel Tomodachi

Vários padres católicos realizaram, esta quarta-feira, uma cerimónia de bênção a casais do mesmo sexo diante da catedral de Colónia, num protesto contra o arcebispo conservador da cidade, o cardeal Rainer Maria Woelki.

Padres católicos abençoam casais do mesmo sexo em protesto contra arcebispo alemão

O protesto foi desencadeado pelas críticas dos responsáveis da Igreja Católica de Colónia a um padre de Mettmann, uma cidade perto de Dusseldorf, que em março realizou uma "cerimónia de bênção para casais", incluindo alguns do mesmo sexo.

As autoridades da arquidiocese de Colónia, à qual Mettmann pertence, repreenderam o padre posteriormente e enfatizaram que o Vaticano não permite bênçãos para casais do mesmo sexo, informou a agência de notícias alemã DPA.

A bênção para casais do mesmo sexo realizada hoje foi o mais recente sinal de rebelião dos fiéis progressistas na diocese mais populosa da Alemanha, com cerca de 1,8 milhões de membros.

Várias centenas de pessoas compareceram ao serviço de bênção ao ar livre para casais do mesmo sexo e também heterossexuais. Cerca de 30 casais foram abençoados durante a cerimónia.

Agitando bandeiras com arco-íris, os presentes cantaram a música "All You Need Is Love", da banda britânica Beatles, relatou a DPA.

O comissário para a diversidade de género do Governo alemão classificou a bênção como um símbolo importante para a exigência de reconhecer e aceitar casais do mesmo sexo na Igreja Católica Romana.

"É principalmente graças às suas bases que a Igreja se está a abrir cada vez mais", disse Sven Lehmann, segundo o DPA.

"O Arcebispo Woelki e o Vaticano, por outro lado, estão anos-luz atrás da realidade social", lamentou Lehmann.

Os fiéis católicos da arquidiocese de Colónia há muito que protestam contra o seu arcebispo profundamente polémico e têm protestado em massa devido a alegações de que o religioso poderia ter encoberto relatos de abusos sexuais por parte do clero.

Dois enviados papais foram enviados a Colónia para investigar possíveis erros cometidos por altos funcionários no tratamento de casos de abusos por parte do clero. O relatório produzido levou o Papa Francisco a dar a Woelki um "intervalo espiritual" de vários meses por cometer grandes erros de comunicação.

Em março de 2022, após o seu regresso da suspensão, o cardeal colocou-se à disposição para renunciar ao cargo, mas até agora Francisco não tomou qualquer atitude.

Os muitos católicos progressistas da Alemanha também estão em desacordo com o Vaticano há muito tempo.

O Vaticano tentou travar o controverso processo de reforma da Igreja alemã, temendo que propostas relativas aos homossexuais, às mulheres e à moral sexual pudessem dividir a Igreja.

Hoje, mesmo em frente às centenas de fiéis que celebravam as bênçãos dos casais do mesmo sexo, havia também cerca de uma dúzia de católicos que se manifestaram contra o serviço religioso ao ar livre, informou a DPA.

 

05
Set23

Human Rights Watch critica ataques contra homossexuais no Líbano

Niel Tomodachi

A organização Human Rights Watch (HRW) denunciou hoje ataques sistemáticos das autoridades do Líbano contra os direitos fundamentais da comunidade LGTBI.

Human Rights Watch critica ataques contra homossexuais no Líbano

"À medida que o Líbano se afunda mais na crise, as autoridades reprimem os direitos das pessoas LGBTI permitindo a violência incontrolada contra a comunidade", disse a investigadora principal sobre direitos LGBTI da HRW, Rasha Younes.

"As autoridades libanesas devem abandonar imediatamente as leis anti-LGBTI propostas e acabar com os contínuos ataques contra as liberdades básicas", acrescentou Younes.

Em agosto, as autoridades libanesas apresentaram projetos-lei para penalizar as relações homossexuais consentidas entre adultos, além de defenderem penas até três anos de prisão a quem "promover a homossexualidade", explicou a organização não-governamental com sede nos Estados Unidos. 

Apesar das relações sexuais consentidas entre pessoas do mesmo sexo não estarem explicitamente tipificadas como delito, o artigo 534 do Código Penal do Líbano sanciona até um ano de prisão "qualquer relação sexual contrária à ordem natural".

Uma série de deliberações judiciais ocorridas entre 2007 e 2018 indicavam que as relações entre pessoas do mesmo sexo "não eram ilegais", mas no mês de julho nove deputados apresentaram uma proposta com vista à penalização.

A HRW urgiu Beirute a "salvaguardar os direitos, a liberdade de expressão, reunião, associação, privacidade, igualdade e de não discriminação a todas as pessoas do Líbano, incluindo as pessoas LGBTI".

Os ataques contra a comunidade LGBTI estão a ser acompanhados pela HRW e por outras organizações de defesa dos direitos humanos.

No dia 23 de agosto, um grupo de homens que se intitulavam "soldados de deus" atacaram um grupo de pessoas da comunidade LGBTI num bar de Beirute e as autoridades policiais não intervieram para acabar com o ato de violência.

Este tipo de ataques já provocaram o protesto de 18 organizações da sociedade civil libanesa.

 

31
Ago23

Canadá emite aviso a pessoas 'queer' que viajem para os Estados Unidos

Niel Tomodachi

O alerta do governo surge numa altura em que vários estados norte-americanos promulgaram leis que limitam os direitos e a vida de pessoas LGBTI+ no país.

Canadá emite aviso a pessoas 'queer' que viajem para os Estados Unidos

Canadá emitiu na quarta-feira um alerta para as pessoas 'queer' canadianas que viajem para o país vizinho, após vários ataques legislativos promovidos por estados norte-americanos conservadores. É a primeira vez que o governo de Ottawa avisa para os limites impostos à comunidade LGBTI+ nos Estados Unidos.

No comunicado, divulgado no site do governo, as autoridades afirmam que "alguns estados aplicaram leis e políticas que podem afetar pessoas 2SLGBTI+".

O '2S' na sigla serve para identificar os povos indígenas no Canadá - agrupados como 'Two-Spirit' (ou 2S), que são reconhecidos como os primeiros povos a habitar os territórios agora canadianos e, portanto, as primeiras pessoas 'queer' a habitar a região.

No alerta, o executivo liderado por Justin Trudeau pede ainda que os cidadãos "verifiquem as leis estatais e locais relevantes". E, clicando no aviso, o governo encaminha os utilizadores para outra página onde afirma que as pessoas 'queer' "estão sujeitas, e devem seguir, as leis aplicadas no seu destino, mesmo que essas leis infrinjam os seus direitos humanos".

"Nem todos os países têm os mesmos valores e sistema legal que temos no Canadá", aponta o país.

Os avisos emitidos pelas autoridades canadianas surgem depois do crescimento de políticas anti-LGBTI+ em estados governados por uma maioria do Partido Republicano. Estados como o Texas, Florida, Oklahoma, Nebraska e muitos outros passaram, por exemplo, a proibir qualquer tipo de intervenção médica que apoie pessoas transgénero, seja a nível cirúrgico, médico ou de acompanhamento psicológico.

No Texas, o governo regional aprovou ainda uma lei que pune pais que procurem tratamentos de afirmação de género para os seus filhos.

Também passou a ser limitado, em muitos estados, a abordagem de assuntos e questões LGBTI+ em escolas e manuais escolares, ameaçando-se mesmo professores que esclareçam dúvidas feitas por estudantes 'queer' (mesmo que estas o façam devido a uma ambiente familiar hostil).

Notícias ao Minuto

Mapa da HRC sobre os estados que limitam tratamentos de afirmação de género© Human Rights Campaign 

 

Segundo a organização não-governamental Human Rights Campaign, uma das maiores associações de defesa dos direitos de pessoas 'queer' nos EUA, foram aprovadas mais de 500 leis anti-LGBTI+ em parlamentos estatais por todo o país. A organização declarou um estado de emergência, considerando que a promoção destas leis tornou o país perigoso para a comunidade.

As leis aplicadas por estados conservadores, e a promoção das mesmas por parte de candidatos republicanos a nível nacional (como Donald Trump, Ron DeSantis ou Vivek Ramaswamy), têm-se refletido num aumento da violência contra pessoas queer ou aliados. O mais recente caso de violência ocorreu na Califórnia, onde uma mulher heterossexual foi morta a tiro por ter uma bandeira LGBTI+ na fachada da sua loja.

 

20
Ago23

Mulher morta a tiro na Califórnia devido a bandeira LGBTQ+ na sua loja

Niel Tomodachi

Uma mulher de 66 anos, da Califórnia, foi morta a tiro após uma disputa sobre uma bandeira do orgulho LGBTQ+ que exibia do lado de fora da sua loja, em Cedar Glen, avançaram hoje as autoridades locais.

Mulher morta a tiro na Califórnia devido a bandeira LGBTQ+ na sua loja

As autoridades do condado de San Bernardino disseram que Laura Ann Carleton foi declarada morta no local do tiroteio na noite de sexta-feira.

De acordo com a mesma fonte, antes do tiroteio, durante uma discussão inicial, o suspeito "fez vários comentários depreciativos sobre uma bandeira arco-íris que estava do lado de fora da loja, antes de atirar em Carleton" e depois fugiu do local.

A bandeira arco-íris representa a comunidade LGBTQ+ (sigla para lésbicas, 'gays', bissexuais, transgénero, 'queer' e outros).

A polícia conseguiu localizar o suspeito armado, que foi morto a tiro após um confronto com as autoridades.

Carleton, que preferia ser chamada de "Lauri", deixa o marido e nove filhos.

 

20
Ago23

Guiné Equatorial. Ativistas de direitos sexuais denunciam detenção ilegal

Niel Tomodachi

A organização de defesa dos direitos sexuais na Guiné Equatorial Somos Parte del Mundo denunciou hoje a detenção da ativista Trifonia Melibea Obono, na sequência de um aumento das detenções depois da divulgação de um relatório.

Guiné Equatorial. Ativistas de direitos sexuais denunciam detenção ilegal

Na nota, assinada pela direção desta organização, anuncia-se a "detenção ilegal" de Trifonia Melibea Obono no sábado, no Ministério da Segurança, conhecido como Guantánamo "pelas violações dos direitos humanos que acontecem nas suas instalações".

Desde o princípio do ano, "a situação agravou-se após a apresentação do relatório Tortura, Tratamentos e Penas Cruéis, Desumanas e Degradantes contra pessoas LGTBQI+ na Guiné Equatorial, na sede da União Europeia em Madrid", escrevem os ativistas numa nota enviada à Lusa, na qual acrescentam que o Governo considerou o relatório "demasiado atrevido" e que, "após a sua publicação, as detenções aumentaram drasticamente".

A publicação, dizem, "provocou uma reação violenta e determinadas personalidades com responsabilidades públicas utilizam desde então os poderes públicos para tornar invisíveis os ativistas LGBTIQA+ e provocam situações para legitimar o seu desaparecimento".

O comunicado, concluem, serve para "denunciar e dar notoriedade à detenção arbitrária da ativista, docente, investigadora e escritora Trifonia Melibea Obono na Guiné Equatorial, propondo que as entidades interessadas na proteção dos direitos humanos empatizem com a situação e que os poderes públicos no país a libertem".

Teodoro Obiang Nguema, de 80 anos, governa ditatorialmente a Guiné Equatorial desde 1979, quando derrubou, num golpe, o seu tio Francisco Macias.

Atualmente o chefe de Estado há mais tempo no cargo, à exceção das monarquias, foi reeleito nas eleições de 20 de novembro para um sexto mandato de sete anos, com 94,9% dos votos, segundo os resultados oficiais, que a oposição questionou, denunciando irregularidades na votação.

Desde que se tornou independente de Espanha, em 1968, a Guiné Equatorial é considerada por organizações de direitos humanos um dos países mais corruptos e repressivos do mundo, devido a denúncias de prisões, torturas de dissidentes e repetidas fraudes eleitorais.

 

10
Ago23

Barbie banido no Kuwait e Líbano por “promoção da homossexualidade”

Niel Tomodachi

Barbie banido do Kuwait e do Líbano por "promoção da homossexualidade"

O filme Barbie está a enfrentar polémica no Médio Oriente, com o Líbano a acusar o filme de contradizer os “valores morais e religiosos” e o Kuwait a proibi-lo. O filme, protagonizado por Margot Robbie e Ryan Gosling, já fez mais de mil milhões de dólares e tem estreia esta semana no Médio Oriente.

A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos permitirão que o filme seja exibido a partir do final deste mês, embora tenham solicitado edições referentes à narrativa LGBTQ+.

O ministro da Cultura do Líbano, Mohammad Mortada, defendeu que o filme Barbie deve ser banido do país, pois “promove a homossexualidade e a transformação sexual” e “contradiz os valores de fé e moralidade” ao diminuir a importância da unidade familiar. Bassam Mawlawi, ministro do Interior, pediu assim ao comité de censura para dar a sua recomendação.

Embora o Líbano tenha feito progressos no que toca aos direitos das pessoas LGBTQ+ desde 2017, ao celebrar o Pride e ao discutir a descriminalização da homossexualidade, os últimos anos têm visto um retrocesso nesse percurso. Em 2022, Mawlawi proibiu eventos que “promovem a perversão sexual” no Líbano, como resposta a eventos do Pride e suas marchas.

Já o subsecretário do Ministério da Imprensa do Kuwait, Lafy Al-Subei, explicou o motivo ao considerar que o filme Barbie promulga “ideias e crenças que são estranhas à sociedade e à ordem pública”.

Não foi ainda explicado quais as narrativas LGBTQ+ que alimentam estas críticas. Apesar de o filme conter personagens codificadas como sendo queer, não há papéis ou temas explicitamente LGBTQ+ retratados.

O filme Barbie está em exibição nos cinemas.

 

10
Ago23

OMS acusa Uganda de discriminar comunidade LGTBIQ no acesso à saúde

Niel Tomodachi

A Organização Mundial da Saúde (OMS) acusou o Uganda de discriminar a comunidade LGTBIQ no acesso à saúde com a lei que obriga a denunciar a orientação sexual dos pacientes.

OMS acusa Uganda de discriminar comunidade LGTBIQ no acesso à saúde

Para a OMS, a lei promulgada em maio pelo Presidente, Yoweri Museveni, enquadra-se numa "forma de discriminação" nos cuidados de saúde, já que pode levar à redução ou eliminação do acesso destas pessoas lésbicas, 'gays', transgénero, bissexuais, intersexo e 'queer' aos cuidados médicos.

"A saúde é um direito humano para todas as pessoas deste planeta, para todos os géneros e para todas as orientações sexuais", sublinhou o diretor de Emergências Sanitárias da OMS, Michael Ryan, numa conferência de imprensa na sede da organização, em Genebra.

O responsável da OMS acrescentou que esta legislação tem um impacto grave nas pessoas, uma vez que "criminaliza o comportamento com base na orientação ou preferência sexual".

As declarações da OMS surgem um dia depois de o Ministério da Saúde do Uganda ter instado todos os profissionais de saúde a "não discriminar ninguém, apesar de a lei os obrigar a denunciar a alegada homossexualidade" dos pacientes.

No mesmo dia, o Banco Mundial anunciou que deixaria de conceder financiamento ao país africano na sequência da aprovação da lei controversa.

Esta legislação, condenada por grande parte da comunidade internacional, criminaliza aqueles que se reconhecem como LGTBIQ e torna ainda mais duras as penas que já existiam no país africano.

A lei passa a criminalizar atos como "tocar noutra pessoa com a intenção de cometer um ato homossexual", segundo exemplifica a agência Efe.

 

09
Ago23

JK Rowling apagada do Museu da Cultura Pop por causa de “opiniões transfóbicas”

Niel Tomodachi

Os responsáveis do museu decidiram remover objetos ligados à autora da saga Harry Potter

Seria de esperar que houvesse espaço para o fenómeno Harry Potter, numa das várias alas de um museu dedicado à cultura pop. É precisamente no museu norte-americano que se encontram vários objetos e relíquias ligadas ao universo criado por JK Rowling — mas desde há algumas semanas que é cada vez mais complicado encontrar nesse museu quaisquer referências à autora.

Segundo os responsáveis pelo US Museum of Pop Culture (MoPop), que fica em Seattle, vários artefactos foram retirados com vista a “reduzir o impacto” de Rowling na secção dedicada a Potter. Na origem desta decisão está a posição polémica da britânica sobre as questões que envolvem a comunidade trans.

“Não é uma solução perfeita, mas foi o que pudemos fazer a curto prazo, enquanto pensamos no que iremos fazer a longo prazo”, afirmaram os responsáveis pelo museu. A decisão remonta a maio, altura em que o gestor de projeto do museu, Chris Moore — que é uma pessoa trans —, escreveu um artigo onde acusa Rowling de transfobia.

“Há uma entidade fria, sem coração, no mundo de Harry Potter e desta vez não é um Dementor. Adorávamos poder acompanhar a teoria de que os livros não foram escritor por ninguém, mas há uma certa pessoa que tem sido demasiado estridente com o seu discurso odioso para que possa ser ignorada”, escreveu. Desta feita, toda e qualquer menção a Rowling foi eliminada da exposição.

O desentendimento entre a comunidade LGBTQIA+ e JK Rowling vem de há muito tempo. “Se o sexo não é real, não existe atração pelo mesmo sexo. Se o sexo não é real, a realidade vivida pelas mulheres de todo o mundo é apagada. Conheço e adoro pessoas trans, mas apagar o conceito de sexo elimina a capacidade de muitas pessoas poderem falar sobre as suas vidas. Não é discurso de ódio dizer a verdade”, atirou em 2020, numa declaração que incendiou as redes sociais. Apesar das muitas críticas, por vezes vindas dos próprios atores dos filmes, Rowling nunca recuou nas suas opiniões.

 

07
Ago23

“Se Jesus nascesse agora, podia ser queer”. A comunidade LGBT esteve na JMJ

Niel Tomodachi

Os irmãos Lennart e Linnea chegaram ao Parque Tejo com uma bandeira que não era a do seu país. Dessa, tinham vergonha.

“Podem desviar a bandeira?”, perguntou, com uma certa antipatia, uma das peregrinas que se deslocaram ao Parque Tejo na tarde deste sábado, 5 de agosto. A mulher estava claramente incomodada por ver dois jovens a segurarem uma bandeira LGBTQIA+. De todas as outras que se erguiam no ar, esta destacava-se — e não era só pelas cores coloridas. 

Num evento religioso como este, não é algo comum. Nunca o foi. Ainda assim, Lennart e Linnea Such, de 23 e 19 anos, respetivamente, partiram de Frankfurt, na Alemanha, num autocarro especial, com uma enorme bandeira nas mãos (e outras tantas, mais pequenas, guardadas nas mochilas) e um objetivo muito simples: “Espalhar a mensagem de que somos todos iguais, independentemente da sexualidade ou cor de pele”.

Os irmãos são dos poucos que decidiram participar na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) sem as cores da sua nação: a Alemanha. “Usar uma bandeira alemã também não é fácil, por toda a nossa história. Acreditamos que o símbolo LGBT nos representa ainda melhor”, começam por contar à NiT.

Sabiam perfeitamente para o que vinham e, confessam, já receberam alguns comentários maldosos desde que chegaram a Portugal, há cerca de uma semana. “Nem sempre é fácil, temos pessoas que implicam, mas estamos aqui com outros grupos alemães que nos apoiam muito”. 

Por outro lado, ficaram surpreendidos pela forma como foram recebidos pelos lisboetas, principalmente quando estavam a passear na Rua Cor de Rosa, no Cais do Sodré “Houve grupos de pessoas que falaram mal connosco, mas os lisboetas deram-nos apoio. Foi muito importante”, contam os irmãos.

A mãe de Lennart e Linnea, que nasceu na Polónia, é católica e sempre procurou educar os filhos para seguirem o caminho de Deus, embora nunca os tenha forçado nesse sentido. E foi a primeira a apoiá-los quando decidiram, uma semana antes da JMJ, comprar a bandeira.

“Levava-nos à igreja e sempre gostámos muito. À medida que fomos crescendo, percebemos que não há uma única interpretação da Bíblia, temos que adaptá-la para os dias de hoje. Se Jesus nascesse agora, podia ser queer”, afirmam. 

Os jovens, que sempre se deram bem quando eram crianças, apoiam toda a comunidade LGBT, mas confessam que não gostam de se rotular. “Atualmente, não sei se sou heterossexual ou não, mas não gosto de me definir. Só digo que faço parte da comunidade”, disse Lennart, que está a estudar Serviço Social na Alemanha. 

Um dos momentos que têm marcado este evento nas redes sociais foi a declaração do Papa sobre as pessoas transexuais, numa entrevista à revista religiosa “Vida Nueva”, revelada na sexta-feira, 4 de agosto. Francisco afirmou que elas também são “filhas de Deus”. Pode ser o primeiro passo para uma mudança profunda na Igreja Católica, mas ainda há uma longa caminhada pela frente, até porque existem muitos católicos que não veem a comunidade LGBT com bons olhos.

“Foram boas as palavras do Papa, é a personagem principal da igreja, mas há muitas mais pessoas envolvidas. Há tantos jovens que foram criados desta maneira e não sei se alguma vez vão conseguir mudar o que sentem sobre isso”, confessam.

No final, os irmãos alemães despedem-se com um pedido: “Desculpem por esta semana e pelas pessoas católicas que tenham oprimido, de certa forma, a comunidade LGBT”.

 

07
Ago23

Jornada Mundial da Juventude expõe caminho que Igreja ainda tem a percorrer na aceitação das pessoas LGBTQIA+

Texto by esqrever (Pedro Carreira)

Niel Tomodachi

Jornada Mundial da Juventude expõe o caminho que a Igreja ainda tem a percorrer na aceitação das suas pessoas LGBTQIA+

A Jornada Mundial da Juventude dificilmente estaria longe de discussão e polémicas nestes dias, afinal de contas é o assunto do momento em Portugal. Entre a polémica orçamental e a sensação de que foi tudo feito à pressa, surgem nestes dias episódios que expõem o caminho que a Igreja ainda tem por fazer. E por ele passa também a sua comunidade LGBTQIA+.

Sobre o seu real empenho em relação ao reconhecimento e apoio às mais de 4.800 vítimas de abuso sexual na instituição, a Igreja anunciou um memorial que seria apresentado na Jornada Mundial da Juventude. Quatro meses passados, o projeto foi adiado. Eis que a sociedade civil procura colmatar esta ausência ao criar três cartazes que recordam e homenageiam as vítimas, para que um deles seja retirado no mesmo dia que foi colocado por ter sido considerado publicidade ilegal. A promiscuidade entre os poderes políticos e a Igreja tem aqui mais um exemplo e com responsabilidades para ambas as partes. Felizmente, após pressão, o cartaz foi novamente erguido num outro local.

O Papa Francisco encontrou-se com 13 vítimas dos abusos sexuais que, segundo o próprio, “desfiguram o rosto” da Igreja no primeiro dia da sua visita a Portugal. E se o gesto pareceu ser prioritário e tomado com o devido cuidado, protegendo a privacidade das pessoas, a verdade é que as suas palavras de reconhecimento e de apoio parecem não ter sido suficientes para se fazerem ouvir por quem está presente na Jornada. Logo no dia seguinte e em direto na televisão, um jovem falava sobre os abusos sexuais e em como “são as crianças que, se calhar, se metem a jeito“. Se calhar não. Se calhar as vítimas, e estamos aqui a falar essencialmente de crianças e jovens, não se metem a jeito. Este é um exemplo da importância da Educação Sexual nas escolas e de entender o real significado de consentimento. É este o trabalho do Estado, mas também o da Igreja.

Jornada Mundial da Juventude não acolhe ainda a população católica LGBTQIA+

Talvez este possa ser visto como um exemplo infeliz, afinal de contas são milhares e milhares de jovens, é expectável que haja alguém que diz algo menos feliz, mas a verdade é que este caso está longe de ser isolado. Apesar das mensagens de apoio e empatia por parte do Papa, a Jornada Mundial da Juventude está longe de acolher a sua população católica LGBTQIA+.

Uma pessoa trans levou a sua bandeira para a jornada – entre centenas de outras bandeiras espalhadas pelo recinto – e acabou confrontada por um grupo de pessoas peregrinas. Estas exigiram que baixasse a bandeira trans, alegando que não era o local adequado e que a bandeira representava uma ideologia. A resposta foi que tinha o direito de ali estar e que deus ama toda a gente.

Também responsáveis pelo Centro Arco-Íris, um centro de acolhimento e acompanhamento de jovens LGBTQIA+ durante a Jornada Mundial da Juventude, sofreram insultos. “Temos ouvido bastantes comentários desagradáveis e não estávamos à espera“, disseram. O Centro não está diretamente ligado à Jornada, mas cobre um papel que começa a ganhar destaque dentro da instituição. Este é “um espaço de acolhimento, conhecimento, partilha, reflexão e sensibilização acerca da relação entre a comunidade LGBTQIA+ e a Igreja Católica durante a Jornada Mundial da Juventude.”

Invasão de eucaristia organizada por pessoas católicas LGBTQIA+ com “oração reparadora”

Apesar da postura de inclusão e de trazer questões sobre a aceitação da Igreja perante crentes LGBTQIA+, o Centro Arco-Íris viu invadida uma eucaristia por si organizada por um grupo de pessoas católicas. O grupo entoou “uma oração reparadora” contra o que consideram ser “os pecados mortais” que resultam de “uma ideologia LGBT que, hoje, existe no seio da Igreja Católica”. Queriam reparar o quê mesmo, pergunto.

Individualmente, não temos nada contra estas pessoas. O inimigo é esta ideologia e alguns padres que a defendem contra o que deveria ser a Igreja Católica e contra o que é a vontade de Deus”, afirmou Rafael da Silva, promotor da ação. Talvez não tenha ouvido as palavras do Papa e, mais que isso, não perceba este jovem que a identidade e a liberdade das pessoas não é ideologia, mas direitos humanos.

Tal como nas diversas áreas da sociedade, a formação é essencial e aqui as palavras do Papa são fulcrais para que abram caminho perante o conservadorismo dentro da Igreja Católica. É certo que o seu posicionamento tem visto avanços e recuos, mas também se pode ver que existe abertura para abordar estes temas, o que já é, por si só, um avanço. Uma Igreja mais abrangente, inclusiva e, sim, feminista, é essencial para aquilo que a própria prega. Afinal de contas, Deus “não renega nenhum dos seus filhos”.

 

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