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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

17
Mai22

Quatro em cada cinco alunos LGBTQ preferem não revelar orientação sexual aos professores

Niel Tomodachi

Estudo da Universidade do Porto revela que grande parte dos alunos LGBTQ preferem não revelar a sua orientação sexual aos professores ou funcionários da escola. Investigação mostra ainda como tópicos relacionados com pessoas lésbicas, gays ou bissexuais ou com bullying homofóbico e transfóbico ou sobre aceitação da população LGBTQ ainda estão fora das salas de aula. Um em cada 10 alunos desta inquérito sofreu alguma tentativa de conversão da sua orientação sexual.

Quatro em cada cinco alunos LGBTQ preferem não revelar orientação sexual aos professores

Um inquérito feito por uma equipa do Centro de Psicologia da Universidade do Porto, e citado esta terça-feira pelo jornal Público, revela que quatro em cada cinco alunos LGBTQ (lésbica, gay, bissexual, transgénero, queer ou em questionamento), de minorias sexuais e de género, preferem não revelar a sua orientação sexual aos professores ou funcionários.

O mesmo trabalho revela que estes jovens são mais vezes vítimas de bullying do que os colegas heterossexuais ou cisgénero.

Questionados sobre a quem é que, na escola, os jovens contaram que são LGBTQ, 81% dos estudantes responde que nunca contou a nenhum professor ou funcionário e apenas 3,3% contaram a todos ou à maior parte dos adultos da escola.

Já entre colegas os números revelam mais confiança com 37% dos jovens a afirmar que tinha dito a toda a turma ou à maior parte, sendo que o valor baixa para 13% quando se colocam outras turmas na equação.

Relativamente ao grupo de amigos, 43,8% jovens LGBTQ afirmaram que todos sabiam, mas 27,4% contou a apenas alguns ou a nenhum amigo.

Para além destes números o inquérito evidencia ainda um problema na hora de levar os temas relacionados com a comunidade LGBTQ. Três em cada cinco estudantes dizem nunca ter aprendido nas aulas sobre bullying homofóbico e transfóbico ou sobre aceitação da população LGBTQ.

Mais: 40,6% nunca ouviram nas aulas tópicos relacionados com pessoas lésbicas, gays ou bissexuais, e 54,2% afirma que nunca foram abordados assuntos relacionados com pessoas transgénero. E ainda 56,3% dos alunos dizem que as aulas de educação sexual não abordaram a existência de diferentes orientações sexuais.

Os dados preliminares deste relatório revelam ainda outra realidade, a de que cerca de um em cada dez jovens LGBTQ já sofreu alguma tentativa de conversão da sua orientação sexual. Dos quase 700 alunos que responderam identificar-se como não heterossexuais, 8,6% foram vítimas de algum tipo de tentativa de mudança da orientação sexual: em oito casos foi conduzida por um profissional de saúde, em 15 casos por um líder religioso e em 44 casos por outra pessoa, maioritariamente um membro da família.

Este relatório faz parte de um estudo alargado sobre diversidade sexual e de género nas escolas, que foi aplicado também em Itália, Espanha, Grécia, Eslovénia, Letónia, Croácia, Irlanda, Áustria, França e Reino Unido no âmbito de um projeto europeu coordenado pela Universidade de Ghent, na Bélgica.

 

04
Abr22

Filipe Branco: "O meu livro pode ser um farol para muitas pessoas"

Niel Tomodachi

‘Deixa-me ser’ é o título do livro que Filipe Branco publicou em 2016 e que, agora, tem apresentado em várias escolas secundárias no âmbito da consciencialização para orientação sexual e identidade de género.

Filipe Branco: "O meu livro pode ser um farol para muitas pessoas"

Filipe Branco abraçou o desafio de passar as suas emoções para o papel já há cinco anos. Foi em 2016 que percebeu que a sua “história tinha valor e merecia ser contada”, o que, em conjunto com a paixão pela escrita, o levou a falar abertamente de temas como a homofobia, rejeição parental e suicídio.

Embora admita que teve “algum receio de expor demasiado essa parte”, tanto pessoal como familiar, decidiu conversar com a família sobre o que o livro aborda antes de tornar pública “esta história tão íntima”. ‘Deixa-me ser’ pretende passar a mensagem de que “nada está perdido” retratando o percurso de um jovem que alerta para o perigo da homofobia: “A homofobia mata”, confessou Filipe, explicando: “Quase morri porque o peso de ser quem era, e a não aceitação, fez com que essa me parecesse a única saída”.

“Penso que o meu livro pode ser um farol para muitas pessoas e espero que o seja”, revelou o escritor ao partilhar como foi difícil com o pai, como o facto de terem diferentes educações interferiu com a sua relação e aproximação. Em conversa com o Notícias ao Minuto, Filipe admitiu que o pai “precisava de tempo”, visto ter crescido “num meio pequeno”, o que “não o ajudou a compreender tudo tão rapidamente”.  

“Este período da minha vida teve um final feliz”, contou, revelando ser essa a sua maior motivação para se expressar através de um livro. A narrativa, que começa com a rejeição do pai, que não “aceitava ou entendia” a sua homossexualidade, sofre uma reviravolta e mostra uma mudança. “Foi esse conto de esperança que quis partilhar com os meus leitores”, exprimiu Filipe ao esclarecer que “mais pessoas passaram pelo mesmo e outros estarão a passar”. 

Notícias ao Minuto
© D.R. 

Apesar de reconhecer que, “felizmente somos dos países da Europa e do mundo com mais leis aprovadas a favor dos direitos de pessoas LGBTI”, recorda que “as leis não mudam mentalidades de um dia para o outro” e “ainda existe muito preconceito”, que se sente, nas suas palavras, através de “um crescimento de ideias mais radicais e preconceituosas de certos partidos políticos”. 

Contudo, o escritor pensa que esta tendência irá diminuir com a ajuda de personagens LGBTI em séries de televisão, cinema, livros e videojogos, o que “também tem ajudado bastante na visibilidade”.

 

Integrar a educação LGBTI nas escolas

Como crescer no interior fez com que Filipe sentisse “falta de falar sobre estes assuntos”, o escritor tem direcionado a apresentação do seu livro para escolas em zonas do país que “habitualmente não estão tão abertas a estas coisas”, tendo já marcado presença em várias no concelho de Torres Novas, bem como em bibliotecas e associações no Porto e Lisboa.  

Notícias ao Minuto

Escola Secundária Jacome Ratton em Tomar© D.R.

 

Filipe pensa que “é muito importante chegar a professores, alunos e alunas”, de forma a “passar esta mensagem de aceitação, de que o bullying homofóbico, e qualquer tipo de bullying, nas escolas só tem consequências negativas”. Na sua ótica, é necessário, desde cedo, abordar “o caminho da inclusão” para criar “um ambiente melhor nas escolas, na vida e na sociedade em geral”. Debater esta informação permite que os estudantes tenham oportunidade de participar nas sessões de esclarecimento sobre o tema: “Desde que comecei com estas atividades nas escolas, em 2016, sinto que os alunos e alunas estão muito mais informados”, contou.

(S)

 

22
Jan22

Saúde mental: pedidos de apoio de jovens dispararam mais de 50% em pandemia

Niel Tomodachi

Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise (CAPIC) do INEM relata mais crises de ansiedade e pânico e uma subida nos comportamentos suicidas por parte dos jovens nos dois últimos anos, os da pandemia

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Os pedidos de ajuda ao Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise (CAPIC) do INEM relata mais crises de ansiedade e pânico e uma subida nos comportamentos suicidas por parte dos jovens nos dois últimos anos, os da pandemia aumentaram mais de 50% nos jovens em dois anos de pandemia, com mais crises de ansiedade e pânico e uma subida nos comportamentos suicidários.

Segundo os dados disponibilizados à agência Lusa pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), as situações encaminhadas pelo CAPIC aumentaram em todas as faixas etárias, uma subida que em quase dois anos de pandemia ultrapassa os 42%, passando de 7.345 ocorrências em 2019 para 10.474 no ano passado.

Contudo, nas camadas mais jovens (até aos 19 anos) esta subida foi mais acentuada e em dois anos subiu 52,8%, atingindo os 1.518 casos no ano passado (993 em 2019).

No total, as ocorrências que mais cresceram no CAPIC foram os incidentes críticos, como a morte inesperada de um familiar (muitos por causa da covid-19), que mais do que duplicaram desde o início da pandemia, chegando aos 2.276 casos em 2021 (1.099 em 2019).

Em declarações à agência Lusa, a psicóloga Sónia Cunha, responsável pelo CAPIC, confirmou que “com ao escalar e prolongar da pandemia” se tem assistido a “um reforço da sinalização nas camadas mais jovens“. “Muitas vezes, a família, e mesmo a escola, não identificam os problemas porque são atribuídos à fase que [os jovens] estão a ultrapassar, como a pré-adolescência, a adolescência ou até a idade infantil”, explicou Sónia Cunha, sublinhando a importância de não desvalorizar sintomas e enfrentar o problema.

A responsável lembra que esta circunstância “pode contribuir para a deteção mais tardia” e insiste: “São idades cruciais no desenvolvimento da personalidade e quanto mais aprofundado o problema estiver mais difícil é a sua resolução e o crescimento saudável do pronto de vista mental”.

As manifestações mais frequentes são a dificuldade em regular as emoções, “o que leva a episódios de crise ansiedade e ataques de pânico, mas também manifestações do foro mais afetivo, com sintomas depressivos, isolamento e desesperança“. “Este tipo de perturbação mais depressiva conduz muitas vezes a comportamentos suicidários e auto-lesivos, o que é ainda mais preocupante“, afirma.

Os dados do INEM apontam para uma subida global de quase 40% nas ocorrências relativas a comportamentos suicidários, com 2.517 casos em 2019 e 3.496 no ano passado.

Dependendo da avaliação do pedido que chega ao CAPIC, que pode vir das famílias ou das escolas, é feita uma avaliação e, nos casos mais graves, em que há risco imediato, “é ativada uma equipa de assistência para o local”.

As situações mais complexas podem exigir o envio de ambulância e da unidade móvel de intervenção psicológica de emergência, que pode atuar no local e/ou acompanhar a pessoa até à unidade de saúde.

Quando não há risco imediato, mas é identificada uma situação que requer resposta na área saúde mental, os especialistas do INEM aconselham a pessoa sobre onde se deve dirigir, fazendo, quando necessário, o contacto com a resposta na comunidade (médico de família ou escola).

“Nalgumas situações fazemos nós próprios esta ativação de rede de suporte e contactamos os centros de saúde e as escolas”, acrescentou.

A psicóloga insiste na necessidade de não desvalorizar sintomas e de validar o que jovens sentem.

A saúde mental “ainda não é algo confortável para se falar, mas não se pode ignorar. O elefante está aqui. O problema existe e em crescendo”, insistiu. Sónia Cunha reconhece que “é mais fácil dizer que é uma fase pela qual estão a passar” e que os profissionais do INEM incentivam sempre a que se dê importância aos sintomas, não desvalorizando e dando espaço para as pessoas falarem sobre estas questões.

“Muitos acham que falar sobre isto pode trazer ideias, mas não. As ideias que existem já lá estão. E quanto mais precocemente elas são faladas melhor é o prognostico. Falar sobre o assunto é uma forma de organizar os pensamentos e de alguém nos ajudar a fazê-lo“, explicou.

 

19
Nov21

Crianças e jovens sentem que a sua opinião não conta

Niel Tomodachi

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Já são conhecidos resultados do inquérito “Tenho Voto na Matéria”, promovido pela Unicef entre 15 e 26 de setembro de 2021, para saber o que pensam, sentem e desejam as crianças e jovens para as suas comunidades. Participaram 9306 crianças e jovens de todos os distritos do país, com idades entre os seis e os 18 anos.

E, destes, 76% manifestaram que nunca ou raramente deram a sua opinião sobre o local onde vivem, enquanto 80% diz mesmo que quando deram a sua opinião esta de pouco serviu e não teve influência no que foi decidido.

Já no que diz respeito ao que as preocupa, “ficou evidente que as crianças e os jovens querem ser envolvidos e existem assuntos, em particular, que os preocupam relacionados com o seu bem-estar”.

“A saúde mental (20,8%), a discriminação (16%), a internet e as redes sociais (11,6%) surgem nos resultados como as três principais preocupações das crianças e dos jovens nas respostas ao inquérito online”.

“A grande maioria das crianças e dos jovens consultados não se sente envolvida nas decisões sobre o lugar onde vive ou, quando consultados, sentem que as suas opiniões ou sugestões não têm consequência ou impacto nas decisões”, lê-se no documento com os resultados, a que a agência Lusa teve acesso.

“Os resultados, validados pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião, da Universidade Católica, vêm demonstrar que, apesar de não votarem, crianças e jovens estão disponíveis para se envolver”, refere a Unicef.

 

14
Out21

É urgente preparar os jovens para uma vida mais saudável

Niel Tomodachi

estilo de vida

Uma em cada três crianças tem excesso de peso. Destas, 12% são obesas. Esta é a realidade do nosso país. Em 2021, a obesidade continua a ser a doença mais prevalente na infância, a nível nacional – uma das prevalências das mais elevadas a nível europeu. Assim alertam os resultados do estudo Childhood Obesity Surveillance Initiative (COSI, em Portugal). E este não é o único estudo que se debruça sobre este problema que urge em ser resolvido.

Não há dúvidas de que é na medicina preventiva que está o segredo para uma vida mais saudável. Comer bem, garantir um sono de qualidade e ser ativo. Estão são, hoje e sempre, as bases para uma vida em equilíbrio e com menor risco de um vasto número de doenças. Infelizmente, a aposta nem sempre segue este caminho e por isso, não sendo os mais jovens aqueles que apresentam maior risco de problemas cardiovasculares, cancro ou outro problema prevalente em faixas etárias mais avançadas, os cuidados com a alimentação e a prática de atividade física são postos de lado.

A nível da alimentação, sabe-se que quase metade dos jovens portugueses não consome frutas nem vegetais diariamente. A percentagem é mais evidente no sexo masculino (47%) mas igualmente preocupante no sexo feminino (43%). Assim aponta o Estudo Europeu da OMS ‘Spotlight on adolescente health and well-being’.

Ainda assim, Helena Real, Secretária-Geral da Associação Portuguesa de Nutrição, reconhece que “as gerações mais jovens começam a ser cada vez mais conscientes quanto à questão do equilíbrio nutricional e à sustentabilidade alimentar. Ainda assim, nem sempre esta sensibilidade se repercute em comportamentos mais saudáveis e sustentáveis em matéria alimentar, o que pode ser pressentido, por exemplo, no consumo reduzido de frutas e hortícolas por parte dos adolescentes, segundo o último inquérito alimentar português”, diz à Men’s Health.

 

O lado mental…

Maus hábitos à mesa? Crescente tendência para o excesso de peso. Se é verdade que a obesidade é um problema cada vez maior nas faixas etárias mais jovens, é também inegável que tal leva a problemas consequentes como a relação que os mais novos têm com o próprio corpo. Diz a OMS, nas conclusões do estudo Spotlight on adolescent health and well-being’, que 38% das jovens portuguesas de 15 anos considera-se gorda e 73% sentem-se pressionadas na escola. No sexo masculino, a percentagem, para a mesma idade, é de 24% e de 49%, respetivamente. Mais: “os jovens que consideram que já ficaram sozinhos na escola, por os colegas não lhe quererem fazer companhia, afirmam mais frequentemente estar a fazer dieta ou não gostar de algo no seu corpo”, revela o estudo ‘O comportamento alimentar dos jovens portugueses’.

 

…e o físico

O mesmo estudo nacional alega que “os jovens que veem televisão quatro horas ou mais por dia, referem mais frequentemente consumir alimentos pouco saudáveis”. O ciclo é vicioso, e por isso os cuidados não se podem ficar pela alimentação. Numa era em que o uso de ecrãs é cada vez mais comum, e garante presença nos quartos das crianças portuguesas cada vez mais cedo, é urgente apostar num estilo de vida mais ativo. E o problema tornou-se ainda mais urgente aquando da pandemia que, segundo Inês Marques, Pediatra no Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas, veio acentuar aquela que já era “uma tendência preocupante no estilo de vida das nossas crianças e jovens: o uso excessivo de ecrãs”. Tal hábito “tem os tornando mais sedentários, aumentando o risco de doenças cardiovasculares e limitando o treino das suas competências sociais, empatia e inteligência emocional, potenciando o risco de perturbações psicológicas ou comportamentais”, acrescenta a pediatra.

 

A PANDEMIA VEIO ACENTUAR AQUELA QUE JÁ ERA “UMA TENDÊNCIA PREOCUPANTE NO ESTILO DE VIDA DAS NOSSAS CRIANÇAS E JOVENS: O USO EXCESSIVO DE ECRÃS”.

 

Este aspeto é de grande importância: o estilo de vida pouco saudável seguido por grande parte das camadas mais jovens a nível nacional não diz respeito apenas à alimentação ou à prática de exercício físico. Estende-se à (falta de) socialização e outros aspetos consequentes. Como reagir? “Acompanhar a visualização de conteúdos de modo a reduzir os riscos associados; limitar o tempo diário despendido com os ecrãs, balanceando-o com o de sono e exercício físico; promover a interação social, sobretudo ao ar livre; tornar o digital lúdico e não sedentário, por exemplo através de jogos de georeferenciação”, enumera Inês Marques.

 

Mas como vai a prática desportiva?

Para João Beckert, Médico Especialista em Medicina Desportiva e em Medicina Física e de Reabilitação na Unidade de Medicina Desportiva e Performance do Hospital CUF Tejo, “os jovens portugueses não têm um estilo de vida saudável como gostaríamos. É manifesta a melhoria do ambiente construído, com ciclovias, parques públicos e equipamentos desportivos que, conjugados com o melhor acesso a informação e uma melhor oferta pública e provada de técnicos de desporto, permitiriam uma melhoria do estilo de vida” dos nossos jovens.

Dizem os mais recentes estudos que 65% dos jovens em Portugal fazem algum tipo de desporto ou atividade física (Eurobarómetro). Mas são dos menos ativos da Europa, acrescenta a entidade. Focando o caso nas faixas etárias mais jovens, “84,3% dos portugueses entre os 11 e os 17 anos são sedentários”, realça Rosário Ferreira, membro do departamento de pediatria do Hospital de Santa Maria. “São menos de 20% aqueles que praticam exercício físico a nível nacional”, diz a pediatra.

A realidade nas escolas reflete estes mesmos dados. Um estudo divulgado pelo Instituto de Avaliação Quantitativa (IAVE) admite que, em Portugal, “quase metade dos alunos do 2º ano não consegue saltar à corda seis vezes seguidas” e “quatro em cada dez não dá a cambalhota para a frente”.

Ainda assim, “a atividade física reportada por cerca de metade dos adolescentes portugueses de 12, 13 e 15 anos resume-se às aulas de educação física na escola, o que está muito abaixo das recomendações”, aponta Carla Rêgo, pediatra no Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Porto ao lembrar o relatório de 2018 do HBSC (Health Behaviour School Children).

Perante este retrato, será fácil inferir que os jovens portugueses, desde idades precoces (1 ano de idade!) apresentam um estilo de vida de risco para a ocorrência de doenças crónicas do adulto, tais como obesidade, doença cardiovascular, diabetes e alterações comportamentais. Estas repercussões do sedentarismo, da adição a ecrãs e de comportamentos alimentares incorretos terá um forte impacto quer na qualidade quer na expectativa de vida das gerações futuras, mas também elevados custos para o sistema de saúde do país”, salienta a pediatra.

Parte da solução, aos olhos de João Beckert, passa por “investir num reforço do desporto escolar” e em “aumentar a literacia desportiva”, mas também “quebrar algumas atitudes de hiperproteção parental (pavor ao risco) que limitam o desenvolvimento motor e psicossocial das crianças”. O médico especializado em Medicina Desportiva aponta ainda a necessidade de alargar as ofertas de modalidades desportivas alternativas bem como o financiamento de ofertas desportivas de proximidade e ainda a atribuilºao de bolsas desportivas”.

 

Os primeiros passos da mudança

A pediatra Carla Rêgo vê a solução na família, que tem a responsabilidade de educar, com o apoio da escola. “Importa lembrar que os cuidadores serão os principais responsáveis por criar, desde os primeiros anos de vida, comportamentos saudáveis baseados em escolhas alimentares equilibradas e variadas e num estilo de vida ativo, devendo para tal dar o exemplo. A criança estrutura o seu comportamento para a vida imitando os seus modelos (os cuidadores) e aprendendo de uma forma lúdica (em casa e na escola). Os adultos – educadores – são totalmente responsáveis pelos comportamentos dos jovens de hoje e, consequentemente, pela saúde física e mental das gerações futuras”, remata.

Já a psicóloga Alexandra Antunes realça que, para falar de estilos de vida saudável, importa incluir vários comportamentos que contribuem para a promoção da saúde física e psicológica, bem como para a prevenção da doença. “Destacaria os seguintes: a atividade física, a alimentação, os cuidados de higiene, o sono, o consumo de substâncias (álcool, drogas e tabaco), a gestão de stress, a relação interpessoal, a ocupação dos tempos livres”, enumera a especialista, que é Membro da Direção Nacional da Ordem dos Psicólogos Portugueses.

“De acordo com o último estudo da Health Behavior School-aged Children, em colaboração com a OMS (realizado em Portugal em 2018, que tem como objetivo perceber os estilos de vida e os comportamentos dos adolescentes), os adolescentes portugueses estão mais saudáveis do que em anos anteriores e em sintonia com a média europeia”. Porém, a psicóloga não nega que “há hábitos que ainda merecem a nossa preocupação pois estão aquém do desejável, o nível de atividade física ainda é insuficiente, o consumo de álcool mantém-se elevado e o uso excessivo das tecnologias em detrimento da relação direta com os pares”, realça.

 

“HÁ HÁBITOS QUE AINDA MERECEM A NOSSA PREOCUPAÇÃO: O NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA AINDA É INSUFICIENTE, O CONSUMO DE ÁLCOOL MANTÉM-SE ELEVADO E O USO EXCESSIVO DAS TECNOLOGIAS EM DETRIMENTO DA RELAÇÃO DIRETA COM OS PARES”,

 

Dito isto, aos olhos de Alexandra Antunes, “é prioritário a implementação de programas de literacia em saúde que visem a promoção de estilos de vida saudáveis através de uma mudança de comportamentos e que deve implicar os principais contextos com impacto no desenvolvimento dos jovens: família, escolas, a iniciar no nível pré-escolar e cuidados de saúde primários”.

 

Difícil, mas possível

“As crianças começam a expressar as suas ‘escolhas’ alimentares por volta dos 4 anos, como forma de controlo sobre o ambiente que os rodeia”. Assim lê-se no Guia Prático para Educadores, desenvolvido pela Direção Geral do Consumidor e Associação Portuguesa dos Nutricionistas. Logo, a solução está na implementação de medidas mais saudáveis em casa, na escola e nos meios por onde a criança cresce.

“É imprescindível que se promova um estilo de vida mais saudável e sustentável desde cedo, pois a saúde e a proteção do nosso planeta, sociedade e economia trabalha-se ao longo de toda a vida. A chave está em termos uma Dieta Mediterrânica, pois é dos modelos mais bem estudados e que nos mostra que é dos mais saudáveis e sustentáveis”, diz-nos Helena Real, secretária-geral da associação portuguesa de nutrição.

E se esta postura de dar o exemplo, fazendo do saudável o mais comum, é transcendente a outras áreas além da alimentação, façamos das boas rotinas de sono um bom hábito. Tornemos os momentos de atividade física mais frequentes do que os momentos passados em frente à televisão. Limitemos o tempo passado ao ecrã. Não é nas obrigações e proibições que estão a base para uma vida saudável, mas sim nas rotinas mais equilibradas. Só assim aprendemos a apreciar o lado mais saudável da vida – e há que começar o mais cedo possível.

 

01
Ago21

Associação do Porto ensina jovens a apoiar e a lidar com sem-abrigo

Niel Tomodachi

Mariana Castro Moura começou em março de 2020 a oferecer alimentos a sem-abrigo do Porto, um projeto que evoluiu para associação e que agora ensina jovens a lidar com esta realidade, olhos nos olhos com quem mais precisa.

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É assim desde que o país confinou em março de 2020, dias depois da confirmação da chegada da covid-19 a Portugal. Diariamente, pouco depois do meio-dia, a voluntária ruma à Rotunda da Boavista e zona do Bom Sucesso para entregar 'kits' alimentares aos sem-abrigo que por ali estão.

O movimento gerado em torno do projeto deu-lhe asas e, já denominado Caminhos do Amor, passou a estar mais dias em mais locais da cidade, sempre com Mariana ao leme, sempre a entregar comida e roupa a quem precisa, ao mesmo tempo que germinava a ideia de atrair os jovens.

"A ideia surgiu da necessidade de ter mais gente a movimentar a associação, mais gente nova e porque há miúdas cada vez mais novas a mostrar interesse em participar", sintetizou à Lusa a mentora, momentos antes de, já com os 'kits' preparados nas sacas plásticas, iniciar mais uma jornada diária, avenida da Boavista acima.

Matilde Allen, de 14 anos, é a primeira jovem voluntária do novo projeto, embora com "experiência" na rota dos sábados, em que é distribuída comida e roupa pela cidade a quem precisa, aqui na companhia da família.

Ainda em casa, Mariana define o que é importante: "aprender a falar com eles [os sem-abrigo], saber interagir, saber preparar os 'kits'. Tudo tem de sair perfeito". E lá se fazem ao caminho, primeiro num autocarro da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto e o resto a pé.

"Há mais jovens inscritos, o problema é conjugar a disponibilidade. O mais novo tem sete anos e virá acompanhado pela mãe", contou a mentora.

Convidada para ser aprendiz do projeto, Matilde aceitou de pronto e até fez mais: "já falei a alguns amigos, a quem me parece que queira participar. Entusiasmados já há, prontos a participar não sei se tanto, mas mais algum tempo e poderão participar".

Confessando-se parte de uma geração que está sempre a olhar para o telemóvel, a jovem percebeu "que fazer estas rondas e ajudar é uma maneira de desligar das redes sociais, do telemóvel, e preocupar-se com uma causa maior que é ajudar".

"Estando a socializar de uma forma completamente diferente é, de todo, uma vivência", sublinhou.

E perante pessoas que "precisam muito de ajuda, que não têm como receber alimentos e roupa", confessou valer a "pena tirar um pouco das férias para estar com eles".

Cerca das 13:30 a rota está completa, contando à Lusa a mentora que a Matilde entregou 16 'kits' alimentares e foram dados bolos a mais quatro pessoas, dois deles jovens artistas de rua. Mariana é assim, não espera que lhe peçam, atua.

"Desde que chegou a pandemia, há mais sem-abrigo nesta zona [da Boavista] e também mais pessoas que, não o sendo, precisam de ajuda. Há mais pessoas de meia-idade, mas também aparecem jovens por terem perdido o trabalho", relatou Mariana sobre o "quadro" antes e depois da pandemia na zona onde intervém.

No trajeto que a reportagem da Lusa, quase sempre com a câmara de filmar desligada, acompanhou, foi visível que a ajuda presta-se também sob a "forma de aconselhamento" e até "para comprar medicação".

"Faço um bocadinho de tudo", resumiu Mariana.

Matilde confessou à Lusa no final da sua primeira "aula" que "não contava ver tanta gente a precisar de ajuda", mas que, ainda assim, a missão "foi o que estava à espera".

"Há mais gente a precisar, mas eu não consigo chegar a todos", disse Mariana antes de a equipa do Caminhos do Amor rumar à Pasteleira, para a segunda rota, aqui para apoiar toxicodependentes.

 

15
Jul21

Uma em cada 10 pessoas que sofre 'borderline' suicida-se ainda jovem

Niel Tomodachi

Uma em cada 10 pessoas que sofre de perturbação da personalidade 'borderline' suicida-se ainda jovem, uma doença que constitui um grave problema de saúde pública, mas que é incompreendida, mal diagnosticada e maltratada, alerta o psiquiatra João Carlos Melo.

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Foi para dar voz a estas pessoas que se encontram "perdidas numa terra de ninguém" e alertar para esta doença que João Carlos Melo escreveu o livro "Reféns das próprias emoções - Um retrato íntimo das pessoas com personalidade 'borderline'".

"Notei que fazia falta um livro com estas características, nomeadamente em Portugal, dedicado sobretudo ao grande público, embora todas as pessoas da área da saúde mental certamente que ficarão mais bem informadas", diz o psiquiatra em entrevista à agência Lusa.

Desde a publicação do livro em maio que João Carlos Melo tem recebido "muitas reações extraordinariamente positivas" de reconhecimento e de agradecimento.

"Muitas pessoas que eu não conheço têm mostrado que o livro tem ajudado a divulgar este problema e sentem-se reconhecidas, sentem-se retratadas e sentem que é um bom serviço que é prestado dando a conhecer este problema", revela o psiquiatra, que pretende também com o livro ajudar doentes e familiares.

No livro, o psiquiatra pergunta o que é que Marilyn Monroe, Janis Joplin e Amy Winehouse tinham em comum. "A fama? Sem dúvida que sim. O talento e o brilho? Também", mas havia "um outro lado".

"Eram excessivas, intensas. Viviam sempre no limite. As relações que estabeleciam eram dramáticas e tumultuosas. Tinham atitudes autodestrutivas. Agrediam-se a si próprias de formas variadas" e "eram demasiado jovens quando morreram" e eram doentes 'borderline', escreve o diretor do Hospital de Dia de Psiquiatria do Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra).

À Lusa, João Carlos Melo explica que a maior parte das pessoas não precisa de fazer um grande esforço para regular as suas emoções, podendo ficar indignadas, zangadas, magoadas com muitas situações, mas estas pessoas "ficam muito mais" porque são "hipersensíveis".

"Não conseguem controlar as emoções por várias razões que têm a ver com o temperamento, com o funcionamento biológico, com as histórias de vida e a própria impulsividade", explica.

Segundo João Carlos Melo, são doentes que "sofrem e fazem sofrer os outros" e são "incompreendidos" como é a doença.

"Mesmo dentro da psiquiatria, esta doença é mal compreendida, mal diagnosticada e maltratada. Como o têm sido as pessoas que dela sofre", afirma.

Estimativas apontam que esta doença atinja mais de 2% da população, o dobro da doença bipolar, da esquizofrenia e da doença de Alzheimer, mas podem ser mais, porque muitas vezes o diagnóstico tende a ser feito para outra patologia, como a depressão ou bipolaridade, ansiedade.

Também há doentes que só procuram ajuda em situações de crise nas urgências dos hospitais, acabando por desaparecer e não ficar nas estatísticas.

A ideia da morte está quase sempre presente nestes doentes e 10% morrem de suicídio, o que "é muito", e cerca de 75% fazem tentativas de suicídio: "Isto pode ser entendido e pode ser sentido como uma manipulação, mas na verdade a pessoa está a ter um comportamento desesperado de sobrevivência".

Já os comportamentos autolesivos tem outro significado que é provocar uma dor física para aliviar a dor psicológica que os doentes descrevem como sendo "dolorosa" e "insuportável".

Estudos epidemiológicos mostram que mesmo sem tratamentos específicos os doentes vão melhorando com o avançar da idade "nestes comportamentos mais exuberantes, de impulsividade, agressividade".

Mas há outros aspetos que são mais difíceis de melhorar como o vazio interior, a baixa autoestima, a dificuldades nas relações com as pessoas e angústias de separação e abandono.

20
Abr21

Procura da imagem perfeita nas "selfies" fragiliza autoestima das adolescentes

Niel Tomodachi

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A procura da imagem perfeita nas redes sociais, através da utilização de filtros nas "selfies", está a fragilizar a autoestima das jovens e tem levado a uma procura crescente de cirurgias plásticas, segundo um inquérito divulgado.

A "Dismorfia do snapchat" é um transtorno psicológico que afeta cada vez mais jovens em todo mundo, que se desencadeia por influência das redes sociais e as leva a realizarem cirurgias plásticas para ficarem como aparecem nas "selfies" em que usam filtros que mudam a aparência.

Um estudo da Academia Americana de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva Facial mostrou que 72% dos cirurgiões sentiram o aumento da procura por estes procedimentos em 2019, mais 15% do que em 2018.

Tendo em conta este contexto foi conduzido em Portugal o estudo Detoxify Beauty, um inquérito "online" que envolveu 510 raparigas portuguesas, dos 10 aos 17 anos, e que decorreu em 10 países.

"O grande objetivo do estudo foi perceber de que forma é que estas jovens estão a distorcer a sua imagem nas redes sociais e perceber qual é o impacto dos filtros das redes sociais na sua autoestima, no seu comportamento, na sua identidade e na sua vida quotidiana", disse hoje à agência Lusa a psicóloga Filipa Jardim da Silva.

"Elas assumem que fazem selfies com vista a serem aceites, a serem apreciadas e sentirem-se integradas e populares

 

Cerca de metade das jovens portuguesas inquiridas dizem que desejavam sentir-se mais autoconfiantes e sete em cada 10 afirma que gostavam de ter mais orgulho no seu corpo, realçou.

Em média, passam mais de duas horas por dia nas redes sociais, sendo que devido ao contexto pandémico, 70% passou a estar ainda mais tempo.

Apenas 50% das inquiridas consideram que as redes sociais são um fator positivo nas suas vidas, enquanto 41% afirmam que não conseguem ser elas mesmas e 25% lamentam que na vida real não possam assemelhar-se à pessoa que mostram 'online'.

Segundo o inquérito que decorreu em março, 76% das raparigas com 13 anos usam filtros ou recorrem a aplicações para mudar a sua aparência nas fotografias. Em média, têm 12 anos quando utilizam pela primeira vez este tipo de funcionalidades.

Quase dois terços dizem que tentam editar ou esconder pelo menos uma característica do seu corpo antes de publicarem uma fotografia e 86% afirmam que publicam "selfies" para receberem comentários e "likes".

"Elas não referem que publicam "selfies" porque lhes dá prazer, porque é uma forma de se expressarem, de terem uma presença "online" de encararem uma personagem. Não, elas assumem que é com vista a serem aceites, a serem apreciadas e se sentirem integradas e populares", sublinhou.

Para a psicóloga clínica, os resultados do estudo "não são positivos, mas não foram surpreendentes: vêm muito alinhados com aquilo que seria a nossa expectativa".

"Por ser um tema tão pertinente e ter tantas repercussões em tantas dimensões surgiu esta iniciativa", que se enquadra na nova campanha "Selfie Invertida", uma iniciativa do Projeto pela Autoestima da Dove.

"A família e a escola têm um papel fundamental na construção da autoestima dos jovens"

 

Segundo a porta-voz do estudo, observa-se "uma correlação" entre a utilização dos filtros e pressão para a perfeição no online com "uma maior incidência de distúrbios alimentantes, de ansiedade, de depressão".

"Estes resultados atestam, por um lado, a pertinência do estudo e a pertinência de continuar a trabalhar na área da autoestima dos jovens", mostrando também que "temas que aparentemente podem ser até algo ligeiro ou supérfluos são temas que alavancam doença psicológica".

Para a psicóloga, "a família e a escola têm um papel fundamental na construção da autoestima dos jovens", sendo "importante que os adultos de referência valorizem cada jovem, ajudando a que descubram as suas forças e talentos e respeitando a sua individualidade, mais do que fomentar comparações injustas".

"Separar os comportamentos da identidade pessoal e valorizar mais o processo de aprendizagem do que o resultado concreto são dois princípios essenciais na construção de uma boa autoestima", defendeu.

(S)

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