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Little Tomodachi (ともだち)

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02
Dez22

Identidade de género: Conselho de Ética apresenta 5 considerações aos projetos de lei nas escolas

Niel Tomodachi

Identidade de género: Conselho de Ética apresenta parecer aos projetos de lei nas escolas

O Conselho Nacional de Ética e Ciências da Vida apresenta o parecer aos projectos de lei do Partido Socialista (PS) e do Bloco de Esquerda (BE) sobre a autodeterminação de género nas escolas portuguesas.

São vários os pontos que este parecer desenvolve sobre os projetos de lei apresentados. Mas antes de explicitar esses pontos, o parecer considera que “a Assembleia da República poderia ser mais abrangente e elaborar uma lei” onde é promovida “uma Escola mais inclusiva, que melhor promova o livre desenvolvimento da personalidade e a não discriminação das pessoas“. São estes valores onde “a temática da identidade de género se inscreve, mas que não esgota“.

Além da autodeterminação da identidade e expressão de género e do direito à proteção das características sexuais das crianças e jovens, o parecer considera que esta é uma oportunidade “para redigir uma lei sobre educação que contemplasse pelo menos outras expressões de violência nas escolas“, considerando “o bullying a mais frequente e devastadora“.

O Conselho de Ética admite encontrar-se nas escolas portuguesas “diversas manifestações de intolerância e de violência – designadamente de género, no namoro, contra orientações sexuais não normativas“, mas considera que “uma abordagem apenas focada nas questões da identidade e expressão de género – como as agora propostas – é redutora e pode correr o risco de se tornar estigmatizante”, uma vez que não é dada “a devida atenção à complexidade identitária da pessoa” (por exemplo, a etnia, a cultura, a religião e a nacionalidade).

Para além das proposta de aprofundamento dos temas, o Conselho de Ética assinala alguns aspetos específicos que acredita merecerem reflexão e uma redação aperfeiçoada:

Cinco considerações específicas do Conselho de Ética

  • Maior densificação do conceito de crianças e jovens e regulamentação diferenciada em razão da idade da pessoa
    a regulamentação deve ser mais detalhada, distinguindo as várias fases de desenvolvimento das crianças e jovens:
    i)  respeitando o papel dos pais ou representantes legais nas fases mais precoces do desenvolvimento;
    ii)  considerando a opinião do jovem de forma mais relevante a partir da adolescência e,
    iii)  a opinião do jovem torna-se ainda mais determinante, a partir dos 16 anos.
  • Acompanhamento das crianças e jovens em sofrimento
    as recomendações do Colégio de Pedopsiquiatria da Ordem dos Médicos preveem que “a abordagem a crianças e adolescentes (suspeita de disforia de género/incongruência de género) deverá ser realizada por equipas especializadas, constituídas por psiquiatra da infância e da adolescência, psicólogo clínico, endocrinologista pediátrico e assistente social
  • A formação deve ser plural e adequada ao contexto social e cultural
    a lei não só poderia, mas deveria também fazer referência ao poder local, designadamente ao papel dos governos regionais e dos municípios no desenho de políticas educativas inclusivas, visando incorporar as instituições locais na educação para a cidadania e no combate à discriminação
  • O dever de comunicação
    as crianças deveriam ser sensibilizadas para apoiar e ser solidárias para com colegas que possam estar a ser sujeitos a discriminação e/ou de violência incentivando-os a procurar ajuda dos adultos (pais, professores). Por outro lado, devem ser criados canais de comunicação sigilosos.
  • Regulamentação sobre balneários que atendam aos interesses legítimos e direitos de todos os membros da comunidade educativa
    Alguns conselheiros do CNECV sugerem que se crie a obrigação legal de acrescentar às casas de banho e balneários existentes para pessoas do sexo masculino e do sexo feminino, outras instalações para o mesmo efeito não referenciadas pelo género/sexo e que garantam condições de privacidade a quem os utiliza, sendo acessíveis de forma indiscriminada;
    Outros conselheiros, porém, sugerem a criação de um regime jurídico que permita assegurar a existência de espaços reservados nos balneários masculinos e femininos (espaços que podem ser usados por todas as pessoas que os frequentam), permitindo-se o acesso das pessoas trans ao balneário do género com o qual se identificam. No que se refere às casas de banho, sugerem a descaracterização das atuais casas de banho, tornando-as neutras

É esperado que os projetos de lei sobre a autodeterminação de género nas escolas portuguesas sejam discutidos na Assembleia da República em breve.

 

24
Nov22

LGBTI Viseu exibe ARY, o filme que acompanha a descoberta da identidade não binária de Ary Zara

Texto by https://esqrever.com/

Niel Tomodachi

LGBTI Viseu exibe ARY, o filme que acompanha a redescoberta da identidade não binária de Ary Zara

A Associação LGBTI Viseu irá exibir o filme ARY, a longa metragem de estreia de Daniela Guerra. A exibição será no dia 26 de novembro pelas 15:00 no IPDJ de Viseu, em parceria com o Cine Clube de Viseu.

O filme acompanha o quotidiano íntimo de Ary, que não se reconhece na classificação binária de género e aos 28 anos decide redescobrir a sua identidade, iniciando uma viagem ao outro lado do espelho.”

Daniela conta no seu filme “um pedaço da vida de Ary”, que acompanhou entre a fase de início da transição e a realização da mastectomia. Na sua descoberta, Ary percebeu que “uma porta dá acesso a outra porta e acesso a outra”. O processo permitiu-lhe conhecer cada vez mais sobre si mesmo e que “viesse à superfície” o que realmente queria fazer com o seu corpo sem que ficasse preso a um género.

Ary Zara fez parte do projeto, com Isaac dos SantosT GUYS CUDDLE TOO, um canal que fez “trans-bordar vários assuntos pertinentes à comunidade LGBTI e quebrar pré-conceitos e preconceitos“. A maior incidência do canal foi a desmistificação do que é ser trans.

A sessão desse dia 26 de novembro tem entrada livre e contará com uma conversa no final do filme com a realizadora Daniela Guerra, ARY Zara e Daniela Bento (pela Direção da ILGA Portugal).

Capa evento Ary um filme de Daniela Guerra
Evento no Facebook


Source: https://esqrever.com/


19
Ago22

Orientação sexual e identidade de género: como compreender e acolher os miúdos?

Niel Tomodachi

“Mãe, sou não-binário!”. Que quer isto dizer, afinal? Para compreender melhor, fomos falar com quem percebe do assunto.

Aos poucos vamo-nos apercebendo, enquanto pais e adultos, que a identidade de género e a orientação sexual são percebidas de forma muito diferente hoje em dia do que eram quando nós eramos adolescentes.

Hoje, o género não tem apenas um número finito de opções, mas parece ser como um espectro de variações. Também na sexualidade parece haver uma maior liberdade e aceitação das diferentes escolhas. Muitas crianças e adolescentes manifestam-se abertamente apoiando a causa LGBT+ e preocupam-se muito com a homofobia.

 

Como esta é uma realidade diferente da que conheceram na sua infância e juventude, os pais podem sentir-se perdidos na melhor forma de entender e comunicar com os seus filhos. Foi a pensar neste desafio que falámos com a Inês Mota, Psicoterapeuta, Terapeuta de Casal e Familiar na Associação Casa Estrela do Mar, e com a M. Joana Almeida, Psicóloga clínica e terapeuta sexual no Centro de Desenvolvimento Infantil Diferenças.

Aprendemos muito, e queremos partilhá-lo convosco. Leiam e partilhem também com outros pais!

Em que idade é definida a identidade de género? 

Quando falamos de identidade de género falamos da identificação íntima e pessoal com o género e que pode corresponder ou não ao género atribuído à nascença.

Desde a infância que as crianças percebem as diferenças anatómicas e iniciam a aprendizagem dos papéis, atitudes e comportamentos de género. A identificação com o género inicia-se assim na infância e é importante que desde esta fase seja dado espaço às crianças para expressarem e explorarem  as suas expressões de género (papeis, atitudes e comportamentos).

 

Assim, não há uma idade  definitiva e final, mas sim um processo de exploração e crescimento que é progressivo e até pode mesmo ser fluído e vir a ter mudanças que nos parecem grandes e inesperadas mais tarde.

(Em conversa ouvimos uma mãe contar que a sua filha lhe disse que alguns dos colegas da sua filha eram não binários. A mãe desvalorizou, na sua opinião são miúdos que só querem ser diferentes, ou identificar-se com um grupo. Afinal, o que é ser não binário?)

 

O que é ser não binário?

O termo não binário refere-se às pessoas que não se identificam necessariamente como pertencendo a um dos géneros, ou seja a sua identidade de género vai para além do binómio masculino/feminino, sendo possível que se identifiquem com ambos os géneros ou mesmo com nenhum.

Pode ser confuso hoje em dia sentir tanta liberdade de auto-determinação e diversidade em função do género, mas os adultos e os jovens não tiveram sempre uma distância entre si e em como viam o mundo?! Desvalorizar e tratar como se fosse uma moda só vai afastar mais os pais, mães e outros adultos dos jovens e das suas vivências.

 

Como é que podemos ajudar as crianças no seu processo de inclusão?

Importa olhar para o masculino e feminino não como polos padronizados e opostos mas mais como um continuum de possibilidades ao longo do qual cada um de nós se pode identificar e expressar em termos de género.

Assim, é importante que durante o desenvolvimento  as crianças ou adolescentes possam explorar e expressar as suas expressões de género e a  sua individualidade, (não sendo condicionados  a modelos de género pré-concebidos).

Os adultos próximos também poderão abordar de forma positiva as questões de identidade e expressão de género de forma a que os/as jovens sintam a segurança de ser aceites, sintam a possibilidade de fazer um coming out familiar (se e quando o  quiserem fazer), e se sintam valorizados enquanto pessoas, para além do género e das suas expressões.

Importante também que os adultos procurem estar presentes ,atentos e disponíveis numa postura de abertura, promovendo momentos de diálogo e expressão de sentimentos.

Criando contextos de partilha, diálogo, expressão de sentimentos num ambiente de respeito mútuo os pais estão a favorecer modelos saudáveis de comunicação  e a contribuir para um contexto familiar de integração. É ainda importante que as figuras parentais possam apoiar a criança ou jovem no que for necessário, procurando também perceber e respeitar a forma como preferem ser tratados bem como a utilização de pronomes mais ajustada.

Sabemos que quem explora a sua diversidade sexual e de género com apoio familiar o faz de maneira mais saudável, mais protegida de discriminações e com maior satisfação – seja qual for o destino a que chega ao longo da sua juventude e como adulto. O amor incondicional das famílias é muito valioso nesta descoberta e como ferramenta de resistência e proteção pessoal dos riscos sociais existentes de discriminação e violência.

 

Como ajudar os adultos a entenderem e aceitarem?

É importante os pais saberem que é natural terem dúvidas e preocupações relativamente à diversidade de comportamentos e expressões de género das crianças e adolescentes e terem consciência de que precisarão de tempo para se adaptar à nova realidade e que também eles estão em processo de adaptação, durante o qual poderão atravessar diferentes estados emocionais também naturais aos processos de adaptação. Poderá ainda acontecer que os vários elementos familiares se adaptem de formas e em ritmos diferentes mas é importante que saibam que poderão conhecer-se melhor neste caminho e saír mais coesos enquanto família.

Por vezes observa-se a tendência de auto-culpabilização dos pais pelo percurso dos filhos, mas a afirmação dos filhos relativamente à sua identidade e expressão de género e orientação sexual não contém em si nada de negativo, como apenas diz respeito à individualidade destes.

Desenvolver e adoptar uma atitude positiva relativamente à orientação sexual e expressão de género dos seus filhos e filhas é importante e para tal os pais poderão recorrer ao apoio de instituições ou profissionais especializados nestas temáticas que os ajudem no esclarecimento de questões e na desconstrução de crenças e preconceitos.

Para os ajudar nesse processo poderão também frequentar grupos de pais ou falar com pais que tenham atravessado situações semelhantes. A AMPLOS tem ajudado muitas famílias a compreender melhor a sua situação e os caminhos que podem tomar através de um apoio de pares. 

Procurar informação rigorosa e científica pode igualmente ajudar, mas tendo em atenção as fontes de onde se bebe, pois há muita informação online que é pouco fiável e enganadora.

É importante que se valorize a confiança e a abertura como meios para a inclusão da família e dos pais no crescimento e nas descobertas que o adolescente está a viver no amor ou nas relações.

 

Com que idade é definida a orientação sexual?

A orientação sexual refere-se à atracção sentida (física, afectiva, emocional e sexual) em termos do género relativamente ao género do próprio.

Na adolescência, fase importante da experimentação sexual dão-se alterações biofisiológicas, psicológicas e sociais expressivas e é também na puberdade ou adolescência que se observa uma especificação da orientação sexual embora a percepção da orientação sexual também possa ocorrer na idade adulta (podendo haver ainda um desfazamento temporal entre a percepção da orientação sexual e a revelação da mesma).

Assim, a orientação sexual é melhor entendida em termos de um processo que se desenvolve ao longo da vida do que um evento que ocorre num momento determinado.

Os adolescentes são muito curiosos sobre os diferentes tipos de orientação sexual: falam de ser gay, bi, assexual e aromantic, pansexual…

Porque é isto tão importante para eles? Haverá uma necessidade de se encaixarem num modelo?

Estas orientações sexuais são fluidas, no sentido em que podem experienciar alguma orientação e mais tarde terem outra orientação?

A adolescência é a fase mais activa da exploração e afirmação da identidade, o que engloba a exploração da identidade sexual, e as terminologias também podem ser entendidas como buscas de expressões por parte dos jovens que melhor definam e expressem a sua orientação sexual.

A adolescência como fase de exploração e experimentação da vida tem realmente esta necessidade de encaixar num modelo, de pensar que o seu modelo é melhor que os outros? Quem nunca pensou que “os outros” se vestem mal, ouvem a música errada e ainda não perceberam como resolver os problemas do mundo?!

Neste momento, e na nossa cultura ocidental, europeia, global a auto-determinação em função do sexo e género é fundamental. Os jovens de hoje cresceram num mundo em que as minorias sexuais e género têm uma visibilidade nunca antes vista, têm direitos humanos defendidos e implementados e acedem a uma igualdade que a história não oferecia antes. É natural que os jovens de hoje sejam mais sensíveis à homofobia e transfobia e que se zanguem com uma sociedade que ainda não é inteiramente respeitadora e inclusiva. 

Mas não são só os jovens que podem ter orientações e identidade fluídas e mostrarem mudanças ao longo da vida- também acontece aos adultos. 

Associamos categorias de identidade à orientação sexual, mas talvez fosse mais correto pensarmos as nossas vivências afetivas e relacionais como menos deterministas e mais livres. Talvez as grandes perguntas não sejam “o que sou?” mas “onde estou?” no que toca à diversidade de género. 

 

 Como é que os pais devem lidar com a orientação sexual dos filhos de forma a ajudá-los a terem uma vida plena e realizada?

É importante que os pais e mães consigam promover espaços de diálogo nos quais os adolescentes se sintam seguros para partilhar e expressar as suas opiniões e sentimentos e se sintam aceites para fazer um coming out. 

É relevante também que os pais e mães adoptem uma postura de abertura, compreensão, valorização e aceitação das opiniões e expressões emocionais dos filhos procurando não as desqualificar ou criticar.

Os pais podem procurar informação e ajuda especializada para esclarecerem dúvidas, desconstruírem crenças e preconceitos e desenvolverem e transmitirem a mensagem de que as pessoas com orientações sexuais minoritárias podem ter vidas plenas e realizadas.

Apesar de nos processos de adaptação os pais poderem precisar do seu tempo para digerir as suas emoções é importante que não se adopte uma postura de silêncio sobre o tema, que não se culpabilize a criança ou jovem pelas adaptações familiares e que se continue a conseguir momentos de vivências afectivas familiares.

Relativamente aos namoros dos filhos com orientações sexuais minoritárias é importante que os pais procurem agir de forma semelhante à adoptada nas relações amorosas dos irmãos.

No processo geral é importante que os pais contribuam para que os filhos lidem de forma positiva com a orientação sexual e identidade de género e que estes se sintam aceites, seguros de si e preenchidos em termos de auto-estima, num contexto de tanta importância como o familiar. Os pais e mães estão assim a contribuir para que os seus filhos ou filhas se tornem mais resilientes para lidar com situações mais desafiantes provocadas por fatores de stress externos.

 

Também seria interessante pensar como a Escola tem um papel importante na informação dos jovens e na sua proteção contra a descriminação, não?

A colaboração com a escola é fundamental para a integração social dos jovens que pertencem a minorias sexuais de género e muitas vezes são os encarregados de educação que a promovem, mantêm e fazem as escolas evoluir e descobrir como intervir. Mas isto seria um outro artigo…

 

Texto /Source by https://pumpkin.pt/

04
Abr22

Filipe Branco: "O meu livro pode ser um farol para muitas pessoas"

Niel Tomodachi

‘Deixa-me ser’ é o título do livro que Filipe Branco publicou em 2016 e que, agora, tem apresentado em várias escolas secundárias no âmbito da consciencialização para orientação sexual e identidade de género.

Filipe Branco: "O meu livro pode ser um farol para muitas pessoas"

Filipe Branco abraçou o desafio de passar as suas emoções para o papel já há cinco anos. Foi em 2016 que percebeu que a sua “história tinha valor e merecia ser contada”, o que, em conjunto com a paixão pela escrita, o levou a falar abertamente de temas como a homofobia, rejeição parental e suicídio.

Embora admita que teve “algum receio de expor demasiado essa parte”, tanto pessoal como familiar, decidiu conversar com a família sobre o que o livro aborda antes de tornar pública “esta história tão íntima”. ‘Deixa-me ser’ pretende passar a mensagem de que “nada está perdido” retratando o percurso de um jovem que alerta para o perigo da homofobia: “A homofobia mata”, confessou Filipe, explicando: “Quase morri porque o peso de ser quem era, e a não aceitação, fez com que essa me parecesse a única saída”.

“Penso que o meu livro pode ser um farol para muitas pessoas e espero que o seja”, revelou o escritor ao partilhar como foi difícil com o pai, como o facto de terem diferentes educações interferiu com a sua relação e aproximação. Em conversa com o Notícias ao Minuto, Filipe admitiu que o pai “precisava de tempo”, visto ter crescido “num meio pequeno”, o que “não o ajudou a compreender tudo tão rapidamente”.  

“Este período da minha vida teve um final feliz”, contou, revelando ser essa a sua maior motivação para se expressar através de um livro. A narrativa, que começa com a rejeição do pai, que não “aceitava ou entendia” a sua homossexualidade, sofre uma reviravolta e mostra uma mudança. “Foi esse conto de esperança que quis partilhar com os meus leitores”, exprimiu Filipe ao esclarecer que “mais pessoas passaram pelo mesmo e outros estarão a passar”. 

Notícias ao Minuto
© D.R. 

Apesar de reconhecer que, “felizmente somos dos países da Europa e do mundo com mais leis aprovadas a favor dos direitos de pessoas LGBTI”, recorda que “as leis não mudam mentalidades de um dia para o outro” e “ainda existe muito preconceito”, que se sente, nas suas palavras, através de “um crescimento de ideias mais radicais e preconceituosas de certos partidos políticos”. 

Contudo, o escritor pensa que esta tendência irá diminuir com a ajuda de personagens LGBTI em séries de televisão, cinema, livros e videojogos, o que “também tem ajudado bastante na visibilidade”.

 

Integrar a educação LGBTI nas escolas

Como crescer no interior fez com que Filipe sentisse “falta de falar sobre estes assuntos”, o escritor tem direcionado a apresentação do seu livro para escolas em zonas do país que “habitualmente não estão tão abertas a estas coisas”, tendo já marcado presença em várias no concelho de Torres Novas, bem como em bibliotecas e associações no Porto e Lisboa.  

Notícias ao Minuto

Escola Secundária Jacome Ratton em Tomar© D.R.

 

Filipe pensa que “é muito importante chegar a professores, alunos e alunas”, de forma a “passar esta mensagem de aceitação, de que o bullying homofóbico, e qualquer tipo de bullying, nas escolas só tem consequências negativas”. Na sua ótica, é necessário, desde cedo, abordar “o caminho da inclusão” para criar “um ambiente melhor nas escolas, na vida e na sociedade em geral”. Debater esta informação permite que os estudantes tenham oportunidade de participar nas sessões de esclarecimento sobre o tema: “Desde que comecei com estas atividades nas escolas, em 2016, sinto que os alunos e alunas estão muito mais informados”, contou.

(S)

 

02
Fev22

Novo pronome de género a caminho dos dicionários noruegueses

Niel Tomodachi

Um novo pronome de género neutro fará oficialmente parte da língua norueguesa, dentro de um ano. O objetivo é criar uma alternativa para as pessoas que não se identificam com nenhum dos géneros retratados pelos pronomes tradicionais e, assim, gerar representatividade.

Introdução de termos mais representativos na língua é uma das batalhas travadas pelas comunidades LGBTQIA+

"Hen" tornar-se-á uma alternativa aos pronomes singulares de terceira pessoa existentes nos dicionários noruegueses, o feminino "hun" ("ela", em português) e o masculino "han" ("ele"). O Conselho de Línguas da Noruega, que confirmou que a alteração deve entrar em vigor dentro de um ano, justifica a introdução do novo pronome com o aumento e posterior estabilização do uso real do termo por parte de pessoas não-binárias (que não se identificam com nenhum dos géneros biologicamente definidos à nascença).

De acordo com Daniel Ims, representante do conselho, embora os pronomes de género neutro tenham começado a ser debatidos no seio da comunidade linguística e gramatical da Noruega há já algum tempo, o processo de aceitação dos argumentos para a sua adoção foi moroso e só recentemente é que o paradigma começou a alterar-se, abrindo espaço para a integração das pessoas que - por não se identificaram nem como homens nem como mulheres, ou nem como apenas homens ou apenas mulheres - não se sentem representadas pelas opções que encontram na própria língua.

O debate desencadeado pelos planos de reconhecimento da palavra "hen" tem sido visto de forma positiva por quem defende a visibilidade e representatividade das pessoas não-binárias no espaço público. "Acho que uma pessoa normal na rua não conhece ninguém que se identifique como não-binário. Mas espero que, colocando 'hen' no dicionário, possamos espalhar essa ideia, porque há muitas pessoas que não se sentem à vontade com certos pronomes, mas também não têm a terminologia certa para as descrever", explicou Carl-Oscar Vik, 18 anos, da cidade norueguesa de Skien, à imprensa norueguesa.

 

Debates em todo o mundo

A questão da representatividade da comunidade não-binária, com debates sobre a linguagem a adotar, vão ganhando espaço em todo o mundo, onde os defensores da integração de novos pronomes e do caráter mutável da linguagem como organismo vivo esbarram no tradicionalismo de quem defende a manutenção da língua com pouco ou nenhum espaço para mudanças.

Mais recentemente, o ministro da educação francês, Jean-Michel Blanquer, acusou um dicionário de referência de "doutrina inspirada nos Estados Unidos da América" por incluir uma entrada para a palavra "iel", usada por pessoas não-binárias em França como pronome de género neutro. Nos EUA, o conhecido dicionário Merriam-Webster incluiu, em 2019, uma definição singular de género neutro do pronome "they", que originalmente significava apenas "eles" e "elas".

Em Portugal, a necessidade de as pessoas encontrarem formas linguísticas mais integradoras também tem levado ao surgimento de novas palavras, que na sua maioria são versões alteradas de palavras já existentes. Um exemplo é a substituição, muito usada entre pessoas não-binárias, das letras "o" e "a" em adjetivos que não são neutros por um arroba (@) ou por um "x" - "bonit@s" e "bonitxs" em vez de "bonitos" e "bonitas".

 

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