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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

08
Nov22

Aristides de Sousa Mendes dá a partir de hoje o nome a uma praça em Jerusalém

Niel Tomodachi

O antigo cônsul português Aristides de Sousa Mendes, que salvou milhares de judeus do regime nazi, foi esta terça-feira homenageado em Jerusalém com a atribuição do seu nome a uma praça pública, disse à Lusa o embaixador de Portugal.

Aristides de Sousa Mendes dá a partir de hoje o nome a uma praça em Jerusalém

"Tratou-se de mais um reconhecimento de Israel ao papel de Aristides de Sousa Mendes durante o Holocausto", afirmou o embaixador Jorge Cabral.

A praça Aristides de Sousa Mendes fica no cruzamento das ruas Torah V'Avoda e Israel Zangwill.

"O que é muito importante e simbólico é que possa haver um local público com o nome dele", acrescentou Jorge Cabral.

O diplomata destacou as anteriores homenagens e reconhecimento do Estado de Israel a Aristides de Sousa Mendes, designadamente quando passou a ser em 1966 um dos 'Justos Entre as Nações' - tornando-se o primeiro português a receber tal legitimidade -, e a ter uma árvore plantada com o seu nome na avenida dos Justos Entre as Nações.

Nascido em 19 de julho de 1885, na aldeia de Cabanas de Viriato, concelho do Carregal do Sal, Viseu, Aristides de Sousa Mendes morreu em abril de 1954, no Hospital Franciscano para os Pobres, em Lisboa.

Aristides de Sousa Mendes salvou milhares de judeus e outros refugiados do regime nazi, emitindo vistos à revelia das ordens da ditadura - a maioria entre 12 e 23 de junho de 1940 - o que lhe valeu mais tarde a expulsão da carreira diplomática, acabando por morrer na miséria.

Na cerimónia realizada hoje, numa parceria entre a Câmara de Jerusalém e a Fundação Sousa Mendes, participaram Moshe Lion, edil de Jerusalém, Gerald Mendes, neto do antigo cônsul, membros da Fundação - nos Estados Unidos e da filial israelita -, o embaixador Jorge Cabral e um grupo de familiares de pessoas salvas por Aristides de Sousa Mendes.

Estiveram ainda presentes no evento a ex-embaixadora de Israel em Portugal, Colette Avital, e o rabino Yaakov Kruger, filho do rabino Chaim Kruger, presidente da Fundação Sousa Mendes, entre outros.

Antes da cerimónia de dedicação, o grupo visitou o Yad Vashem, onde Gerald Mendes acendeu a 'Chama Eterna', "que mantém viva a memória dos que salvam vidas e também dos que morreram e que não devem ser esquecidos", disse à Lusa Jorge Cabral.

O Yad Vashem é o memorial oficial de Israel para não deixar esquecer as vítimas judaicas do Holocausto.

Além de Aristides de Sousa Mendes, são considerados 'Justos entre as Nações' os cidadãos portugueses Joseph Brito-Mendes e sua mulher (em 2004), Carlos Sampaio Garrido (2010) e o padre Joaquim Carreira (2014).

 

15
Jul22

'Last Folio' no Porto para mostrar as memórias "dolorosas" do Holocausto

Niel Tomodachi

Esta será a última oportunidade, ao nível mundial, para ver a exposição internacional.

'Last Folio' no Porto para mostrar as memórias "dolorosas" do Holocausto

Museu e Igreja da Misericórdia do Porto (MMIPO) vai receber a partir de hoje, dia 15 de julho, até 20 de novembro de 2022, uma exposição para mostrar as duras "memórias dolorosas, guardadas no 'vão de escada' da História da Europa Central de meados do século XX" do Holocausto. 

Esta será a última oportunidade, ao nível mundial, para se ver 'Last Folio', uma exposição internacional com um documentário que a acompanha, tendo a sido pela primeira vez exibida em 2009.

O fotógrafo de renome mundial Yuri Dojc e a cineasta Katya Krausova são as duas 'mãos' por detrás desta obra após terem ido "em busca de testemunhas sobreviventes de uma cultura judaica quase extinta", como relata um comunicado enviado ao Notícias ao Minuto. 

Foi numa pequena cidade eslovaca, na fronteira entre a Polónia e a Ucrânia, que, numa abandonada escola judaica, foram captadas imagens de despojos.

Os testemunhos mostram a passagem do tempo, a inalterabilidade de algo que já existiu, mas também de testificação, de perenidade memorial de uma comunidade desvanecida em 1942.

A inauguração decorrerá no próximo dia 15 de julho, pelas 18h00, custando 5 euros a entrada. A exposição é aberta a todas as idades e poderá vê-la entre as 10h00 às 18h00. 

 

17
Fev22

“Geração Esquecida”: a nova exposição relacionada com o Holocausto

Niel Tomodachi

Pode ser visitada no BAM - Bacalhôa Adega Museu, de Joe Berardo, em Azeitão. Reúne obras de três artistas judeus.

Chama-se “Geração Esquecida” e é uma nova exposição dedicada à obra de três artistas judeus que foram marcados pelo período do Holocausto. A partir desta quinta-feira, 17 de fevereiro, pode conhecer trabalhos de Erich Kahn, Eugen Hersch e Fritz Lowen em Azeitão.

A mostra está patente no BAM – Bacalhôa Adega Museu, de Joe Berardo. O espaço de exposições tem ainda uma galeria dedicada à arte africana, “Out of Africa | Ginga, Rainha de Angola”; e outra centrada na azulejaria, “O Azulejo Português do Século XVI ao XX”.

As visitas têm de ser guiadas e acontecem sempre às 10h30, 11h30, 14h30, 15h30 e 16h30. O BAM – Bacalhôa Adega Museu está aberto todos os dias. Álvaro Silva é o curador de “Geração Esquecida”. Joe Berardo promete abrir outro museu em breve, junto da propriedade da Bacalhôa em Azeitão.

 
03
Fev22

"Anne Frank, A Minha Melhor Amiga" estreou no catálogo da Netflix

Niel Tomodachi

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Anne Frank ficou conhecida mundialmente após a publicação do seu diário -  livro em que escreveu sobre a perseguição nazi que ela e a sua família enfrentaram. Mesmo após décadas, a sua história continua a ser extremamente relevante para entender as crueldades da Segunda Guerra Mundial. Agora ganhou um novo filme: "Anne Frank, A Minha Melhor Amiga."

Original da Netflix, o filme  Anne Frank, A Minha Melhor Amiga é baseado numa história real da amizade entre a Anne e a amiga Hannah Goslar, uma sobrevivente do Holocausto. A ocupação nazi em Amsterdão ao angustiante reencontro num campo de concentração.

 

 

25
Jan22

Nova exposição no Museu Berardo evoca as memórias do Holocausto

Niel Tomodachi

A mostra junta fotografias e vídeos de dois artistas. A inauguração acontece a 27 de janeiro e a entrada é gratuita.

Chama-se “Last Folio” e é uma exposição que vai ser inaugurada no Museu Coleção Berardo, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, na quinta-feira, 27 de janeiro. Com fotografias e vídeos dos artistas Yuri Dojc e Katya Krausova, pretende evocar memórias do Holocausto.

A mostra centra-se na destruição perpetuada pelos nazis no território que hoje corresponde à Eslováquia — nomeadamente na cultura judaica. É o resultado de um projeto que começou em 2005, pela mão dos dois artistas, ambos nascidos na antiga Checoslováquia, que emigraram por razões políticas quando o país foi invadido por tropas soviéticas nos anos 60.

Yuri Dojc e Katya Krausova viajaram durante dez anos por diversos locais da Eslováquia, para recuperarem as memórias de um país arrasado, e em busca de sobreviventes judeus, numa tentativa de resgatar a cultura histórica judaica.

“São imagens únicas pela sua autenticidade e intensidade, tão belas quanto trágicas, de ruínas de escolas, de sinagogas, de livros e de objetos”, indica o museu. “Last Folio” fica patente no Museu Coleção Berardo até 29 de maio. Pode ser visitada todos os dias das 10 às 19 horas. A entrada é gratuita.

 

19
Jan22

Novo livro diz ter descoberto quem traiu Anne Frank aos nazis — mas há quem não acredite

Niel Tomodachi

Mais de 75 anos depois, uma nova investigação diz ter encontrado o culpado, um notário judeu. Vários especialistas desacreditam a descoberta.

Quando Otto Frank regressou a Amesterdão, estava sozinho. Era o único sobrevivente da sua família, levada para os campos de concentração depois de terem sido descobertos no esconderijo onde viveram durante vários anos.

Desse drama permaneceu a memória de Anne, a jovem que descreveu a experiência traumatizante no seu diário, que serve hoje como um dos mais pessoais e simbólicos testemunhos dos horrores do Holocausto. Em 1945, o seu pai voltou a casa, onde recebeu uma nota anónima que apontava para o homem que teria revelado aos nazis a localização do esconderijo — e que, de forma indireta, condenara a sua família à morte.

Nesse papel estava o nome de Arnold van den Bergh, um notário judeu. Otto entregou a potencial pista aos detetives que voltaram a investigar o caso em 1963. O caso nunca foi resolvido, até hoje, revelam os responsáveis por uma nova investigação que chega às bancas em formato de livro.

“The Betrayal of Anne Frank: A Cold Case Investigation” foi lançado esta terça-feira, 18 de janeiro, nos Estados Unidos da América, e está a agitar a opinião pública, sobretudo as comunidades judaicas. Para os investigadores, o homem que traiu os Frank foi mesmo Bergh, conhecido membro do Conselho Judaico de Amesterdão que morreu em 1950, vítima de um cancro.

No comando da operação esteve Vince Pankoke, um veterano do FBI que apostou nas novas tecnologias como a inteligência artificial e a análise de dados para tentar descobrir novos indícios. Os trabalhos começaram em 2016 e envolveram uma equipa com mais de 20 elementos.

Ao contrário do que seria de esperar, nenhuma das tecnologias foi fulcral na conclusão, que foi tirada a partir de muitas das provas já existentes e analisadas por diversos investigadores. Os achados foram compilados em livro por Rosemary Sullivan, que deu o contexto essencial para a conclusão.

“Em 1939, nos novos países ocupados e nos guetos judaicos, eram estabelecidos Conselhos Judaicos que agiam como um filtro entre os ocupantes e as comunidades judaicas.” Era através deles que os alemães impunham as regras específicas, aplicadas apenas aos judeus. Cabia depois aos membros dos conselhos espalharem e implementarem as ordens.

Segundo a investigação de Pankoke, Bergh usava o estatuto de membro para evitar ser enviado para um dos muitos campos de concentração. Outros, como os Frank, não tinham a mesma sorte. Viveram durante dois anos escondidos no pequeno anexo da fábrica onde Otto trabalhara, pelo menos até serem denunciados, presos e enviados para os campos.

Bergh numa das reuniões do Conselho Judaico
 
 

Um ano depois, a guerra terminava e as autoridades holandesas faziam o seu trabalho: caçar os criminosos que, contra a lei, entregaram os seus compatriotas às mãos dos alemães. Bergh, apesar de potencial suspeito, nunca foi acusado.

A investigação que começou em 2016 teve muitos meios para fazer o seu trabalho, inclusive doações da própria cidade de Amesterdão. E um supercomputador analisou moradas e identidades, na tentativa de eliminar suspeitos — e encontrar outros.

Acabaria por ser a tal nota anónima entregue a Otto que serviria de cola a todos os outros indícios. “Sabemos que o Conselho Judaico foi dissolvido no final de setembro de 1943 e que [os membros] foram enviados para os campos. E pensámos, bem, se o Arnold van den Bergh está num campo qualquer, não poderia ter acesso a informação que poderia comprometer a localização do anexo”, revelou Pankoke.

Só que descobriram mais tarde que Bergh estivera por Amesterdão nos últimos anos da guerra, a peça que os ajudou a montar o novo caso. “No seu papel de membro do Conselho Judaico, ele teria acesso às moradas dos esconderijos dos judeus. Quando Bergh perdeu todas as proteções dadas pelo Conselho e que o ajudavam a fugir dos campos, ele teve que fornecer algo de valioso aos nazis para que ele e a sua mulher pudessem manter-se a salvo.”

O investigador principal não é perentório e admite que possa existir “uma dúvida razoável” sobre a sua inocência, até porque não há provas absolutamente claras da sua culpa. “Diria que [Bergh] era um jogador de xadrez. Ele pensava em termos de proteção, nos meios que teria à sua disposição para evitar ser enviado para os campos.”

Para outros historiadores e investigadores, as conclusões de Pankoke podem ser altamente precipitadas. “As provas são muito escassas para se poder acusar alguém. Esta é uma acusação enorme, cheia de suposições que assentam em pouco mais do que um fragmento de informação”, explica ao “The New York Times” Emile Schrijver, diretor do Bairro Cultural Judaico de Amesterdão. Não está sozinho.

Segundo Laurien Vastenhout, investigadora, não há qualquer evidência que comprove a existência de uma tal lista que incluísse as moradas dos esconderijos dos judeus e, portanto, nenhuma certeza sobre se Bergh saberia do paradeiro dos Frank e de outros. “Porque é que as pessoas que estavam escondidas dariam a sua morada ao Conselho Judaico?”, questiona.

Embora existam muitas dúvidas sobre a atual investigação, o diário americano demonstra a dura realidade de que vários judeus foram instrumentais na concretização de muitos dos horrores do Holocausto. Cita, por exemplo, Hannah Arendt, a filósofa, autora e sobrevivente que explicou que a Solução Final “nunca teria sido possível sem a ajuda de judeus no trabalho administrativo e de vigilância”. Um tema delicado entre a comunidade judaica, na qual muitos sentem que esta é apenas mais uma forma de os culparem pelo período mais negro da sua história.

“Há um nome para isto”, explica o escritor Dara Horn ao “The New York Times”. “Chama-se a ‘inversão do Holocausto’. Há uma razão pela qual isto atrai o público não-judeu. Dá-lhes a sensação de não terem que pensar na sua própria responsabilidade.”

 

08
Mai21

Merkel recorda vítimas do nazismo no aniversário do fim da II Guerra

Niel Tomodachi

A chanceler alemã, Angela Merkel, recordou hoje as vítimas do nazismo e insistiu na obrigação de manter viva a sua memória, no 76.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial.

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"É a nossa eterna responsabilidade manter viva a memória de milhões de pessoas que perderam as suas vidas durante os anos da ditadura nacional-socialista", declarou a chanceler numa mensagem difundida pelo porta-voz do Governo, Steffen Seibert, na sua conta de Twitter.

Para Merkel, "08 de maio de 1945 foi um dia de libertação" que "marcou o fim da ditadura nacional-socialista e o colapso da civilização que foi o Shoa [Holocausto]".

O ministro das Relações Exteriores alemão, Heiko Maas, também agradeceu, através da rede social Twitter, a todos aqueles que "arriscaram e sacrificaram as suas vidas milhões de vezes para libertar o mundo do fascismo".

"Infelizmente, a ideia do fascismo ainda hoje não foi completamente erradicada. Todos os dias temos que nos unir em favor da democracia e da liberdade", acrescentou.

Também o Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, sublinhou, na sexta-feira, a importância de manter viva a memória dos crimes cometidos pelo regime nacional-socialista de Hitler.

"A superação do nacional-socialismo, lembrando a injustiça e a culpa, não enfraquece a nossa democracia; pelo contrário, fortalece o seu poder de resistência e a sua solidez", afirmou.

A memória dos crimes contra a Humanidade causados pelo Holocausto e a devastação causada pelo nacional-socialismo e pelo racismo passaram a fazer parte da identidade alemã e devem sê-lo também no futuro, frisou.

Para o Presidente alemão, é preciso estar ciente de que "cada geração assimila novamente a história e que a cada geração a memória volta a ser tarefa".

 

28
Jan21

Cartões de identificação de judeus em exibição pela primeira vez

Niel Tomodachi

O arquivo de 160 mil cartões de registos de judeus holandeses e de outras minorias que foram perseguidos e enviados para os campos de concentração nazi ajudaram a Cruz Vermelha a localizar os desaparecidos, após a Segunda Guerra Mundial, e agora serão exibidos no Museu do Holocausto em Amesterdão, em 2022.

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A Cruz Vermelha cedeu a propriedade do arquivo de cartões ao Bairro Cultural Judaico de Amesterdão, organização que gere várias instituições, nomeadamente o museu onde serão expostos os milhares de cartões de identificação de judeus holandeses e de outras minorias, que foram perseguidos pelo regime nazi e enviados para campos de concentração.

"Em termos de preservação, ficariam em excelentes mãos no Arquivo Nacional, mas seria invisível. O Museu Nacional do Holocausto tem o espaço para o exibir e também fornece o contexto apropriado", explica Marieke van Schaik, diretora da Cruz Vermelha dos Países Baixos.

Os cartões incluem o nome, data de nascimento, morada, profissão, estado civil e elementos da família de cada indivíduo e, alguns deles, a data em que foram deportados para os campos de concentração nazi, escrita a lápis vermelho, como é o caso do cartão de Anne Frank, que tem registado "3-9-44", o dia em que foi transferida para o campo de concentração de Auschwitz.

Após a Segunda Guerra Mundial, estes cartões foram utilizados pela Cruz Vermelha para ajudar a localizar as pessoas desaparecidas.

Nos Países Baixos, a partir de 1941, os judeus foram forçados a registarem-se pelos alemães. São o país com a maior taxa de mortalidade da Europa no Holocausto, uma vez que dos 140 mil que viviam no país, foram deportados 107 mil e apenas sobreviveram cinco mil e duzentos.

Acredita-se que esta seja a coleção mais completa do Holocausto, o maior genocídio da história que aconteceu há 76 anos. Apesar de os cartões de identificação já terem sido digitalizados em 2012, é a primeira vez que estarão disponíveis fisicamente para consulta. É "de grande valor não só como arquivo, mas também como monumento do museu e recordação tangível do Holocausto", realça a Cruz Vermelha.

A coleção será exibida ao público no final de 2022, assim que o museu reabrir as portas, depois de concluir as obras de renovação.

"É da maior importância que possamos mostrar a memória física de todos os judeus que foram assassinados", afirma Emile Schrijver, diretor do Bairro Cultural Judaico, citado pelo "The Guardian".

 

27
Jan21

AS HISTÓRIAS DAS MULHERES LÉSBICAS E BISSEXUAIS NOS CAMPOS NAZIS

Texto by esQrever

Niel Tomodachi

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Nazis chamavam-nas de “anti-sociais”, “criminosas” ou “loucas”.

Mas as mulheres lésbicas e bissexuais presas durante o Holocausto em Ravensbrück, o campo de concentração de mulheres, não eram nenhuma dessas coisas.

Muitas vezes esquecidas, durante décadas as suas histórias foram perdidas, dado que a orientação sexual das mulheres permaneceu um tabu e continuou invisibilizada na sociedade. Como resultado, é difícil saber hoje exatamente quantas mulheres foram perseguidas e assassinadas pela sua orientação sexual ou quantas delas estavam noutras categorias de prisões nos campos nazis.

Ficam aqui algumas histórias que podemos contar de mulheres perseguidas sob o período do Terceiro Reich, todas elas passaram por Ravensbrück, o campo de concentração para mulheres a 90 km a norte de Berlim. Para algumas delas, foi também onde elas terminaram a vida.

Henny Schermann

Henny Schermann nasceu em 19 de fevereiro de 1912 em Frankfurt. No momento da sua prisão, ela era vendedora na cidade. O seu nome era Jenny Sara Schermann, mas preferia ser chamada de Henny. Assume-se que foi presa numa rusga a um bar lésbico, tese apoiada por documentos oficiais que afirmam ela era uma “lésbica lasciva que frequenta apenas aqueles bares“.

Os documentos nazis oficiais afirmavam ser “solteira“, não lhe reconhecendo nenhuma relação estável. Também a registaram como uma “Judia Apátrida” – todas as pessoas judias perderam a nacionalidade alemã.

Foi deportada para Ravensbrück em 1940. Em 1942, foi selecionada por um dos “médicos da morte” nazi, o Dr. Friedrich Mennecke. Ele – junto com outros médicos – controlava a seleção de pessoas consideradas ‘indignas da vida’. As vítimas eram então enviadas para as câmaras de gás. Mennecke também foi responsável pela morte de crianças com deficiência. Henny Schermann foi enviada para a câmara de gás a 30 de maio de 1942 em Bernburg.

Elli Smula

Elli Smula, nascida em 1914, cresceu com o seu irmão Willi e a sua mãe Martha – depois de o seu pai morrer na Primeira Grande Guerra, a mãe teve de cuidar da família sozinha. Começou por trabalhar como condutora nos comboios em Berlim. Foi denunciada pelo seu empregador, a Berlin Public Transport, e foi presa a 12 de setembro de 1940 e interrogada pela Gestapo que a acusou de ter relações sexuais em festas com colegas e não se apresentar para o trabalho no dia seguinte.

A 30 de novembro de 1940, foi deportada para o campo de concentração de Ravensbrück. A documentação oficial registrou que o motivo da sua prisão era que ela era uma prisioneira “política” e “lésbica“. Pouco se sabe sobre seu tempo no acampamento. Mas depois da guerra, a sua mãe escreveu que a filha tinha morrido “de repente” em Ravensbrück a 8 de julho de 1943.

Inge Scheuer

Inge Scheuer, nascida em 1924, foi recrutada em 1943 para o serviço militar como “Assistente de Fuzileiros”. Ela recebeu alta por causa de seu relacionamento com uma colega e em março de 1944 foi internada no Hospital Psiquiátrico Brandenburg-Görden pelo Escritório de Saúde em Angermünde que avisou o hospital que confirmasse se sua “tendência para o mesmo sexo” tornava necessária uma medida mais severa: ser enviada para o chamado “campo de proteção à juventude” para raparigas em Ravensbrück. Inge foi libertada após seis semanas e sobreviveu à guerra.

Mary Pünjer

Mary Pünjer nasceu Mary Kümmermann em 1904 e trabalhou no negócio de moda da sua família em Wandsbek, um bairro de Hamburgo. A 24 de julho de 1940, foi presa, provavelmente durante uma rusga a um bar de lésbicas.

Passou quase três meses em celas da polícia em Fuhlsbüttel, um campo de concentração nos arredores de Hamburgo, de onde as pessoas eram frequentemente enviadas para outros campos. A 12 de outubro de 1940 foi admitida no Ravensbrück.

Documentos oficiais registaram a sua prisão por diferenças “políticas” e porque era “lésbica“. Nazis decidiram, em 1941, assassinar pessoas prisioneiras no campo de concentração gravemente doentes e que não podiam trabalhar.

Mulheres de Ravensbrück que se enquadravam nessa categoria foram enviadas para o acampamento em Bernburg, perto de Dessau e criado como um “hospital” para assassinar pessoas doentes e com deficiência sob a política nazi de (pseudo-)”eutanásia”.

Ala de extermínio em Berburg.

Pünjer foi gaseada na ala da morte do lar para pessoas idosas e convalescentes em Bernburg, provavelmente na primavera de 1942.

Marie Glawitsch

Marie Glawitsch nasceu em 1920 na cidade austríaca de Graz. Em setembro de 1939 foi condenada a seis meses de prisão por roubo e por violar o parágrafo 129 do Código Penal Austríaco. A Seção 129 era a parte do código legal da Áustria que punia relações homossexuais. A lei descrevia-o como uma “fornicação“. Seguiram-se outras sentenças por roubo.

A 31 de outubro de 1942, aos 22 anos, Marie foi internada no campo de concentração para mulheres de Ravensbrück e rotulada como uma “criminosa profissional“. Sobreviveu ao acampamento e morreu em 1966 aos 46 anos.

Rosa Jochmann

Rosa Jochmann nasceu em 1901 na capital austríaca de Viena. A sua mãe, uma lavadora chamada Josephine, morreu quando Rosa tinha apenas 14 anos. O seu pai, um moldador de ferro, morreu em 1920. Nesse mesmo ano, ela tornou-se representante sindical numa fábrica que fabricava tampas de vidro para lâmpadas a gás. Ajudou a criar o movimento sindical e juntou-se ao Partido Operário Social Democrata (SDLP).

No início da década de 1930, Jochmann era um membro sénior do SDLP e a sua política colocou-a em rota de colisão com o nazismo. Quando a Alemanha nazi anexou a Áustria no Anschluss em 1938 ela recusou-se a fugir.

Quando a guerra eclodiu no verão de 1939, ela já havia sido presa várias vezes. A 22 de agosto de 1939, foi presa novamente e passou meses na prisão da Gestapo antes de ser enviada para Ravensbrück em março de 1940.

Mesmo no campo de concentração, Rosa recusou-se a parar de defender as restantes pessoas e tornou-se numa mediadora entre as pessoas prisioneiras e as autoridades do acampamento. Arriscou assim um tratamento ainda mais severo, mas sobreviveu.

Quando as tropas soviéticas libertaram o campo em 1945, Jochmann ficou para trás para cuidar das pessoas doentes. Mais tarde, foi nomeada cidadã honorária de Viena. Quando morreu em 1994 de um ataque cardíaco, foi premiada com um túmulo de honra na cidade.

A sua sexualidade permaneceu secreta ao longo da sua vida, mas numa exposição de 2005 sobre a perseguição a gays, lésbicas e bissexuais, foi identificada como lésbica.


Grupos ativistas de mulheres lésbicas e bissexuais e historiadoras feministas investigam o que aconteceu em Ravensbrück desde pelo menos a década de 1980. No 70º aniversário da libertação do campo de concentração de mulheres em Ravensbrück, colocaram uma pedra memorial para as mulheres perseguidas e assassinadas, um lembrete de uma história que permaneceu escondida por décadas e das mulheres cujas histórias trágicas ainda estão perdidas na névoa do tempo.

26
Jan21

A HISTÓRIA DO TRIÂNGULO ROSA INVERTIDO: DE RÓTULO NAZI A SÍMBOLO DE ORGULHO

Texto by esQrever

Niel Tomodachi

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Triângulos cor-de-rosa foram originalmente usados em campos de concentração nazi para identificar prisioneiros gay.

Antes do triângulo rosa se tornar um símbolo mundial de poder e Orgulho gay, este foi concebido como um distintivo de vergonha. Na Alemanha nazi, um triângulo rosa invertido foi costurado nas camisas de homens gay em campos de concentração, para identificá-los e desumanizá-los ainda mais. Foi apenas na década de 1970 que ativistas recuperaram o símbolo de vergonha e o transformaram num de libertação.

A homossexualidade foi tornada ilegal na Alemanha em 1871, mas raramente foi aplicada até o Partido Nazi assumir o poder em 1933. Como parte da sua missão de “purificar” racial e culturalmente a Alemanha, os nazis prenderam milhares de indivíduos LGBTI, a maioria homens gay, que viam como degenerados.

O Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos estima que 100.000 homens gay foram presos e entre 5.000 e 15.000 foram colocados em campos de concentração. Assim como pessoas judias foram forçadas a identificarem-se com estrelas amarelas, homens gay em campos de concentração tiveram que usar um grande triângulo rosa invertido. Outros exemplos de símbolos foram os triângulos castanhos usados para identificar pessoas de etnia cigana, vermelho para prisioneiros políticos, verde para criminosos, azul para imigrantes, roxo para Testemunhas de Jeová e preto para pessoas que consideravam “associais”, como trabalhadoras do sexo e mulheres lésbicas.

Prisioneiros identificados com o triângulo rosa invertido em Campo de Concentração Nazi

Nos campos de concentração, os homens gay eram tratados com especial severidade, tanto por guardas quanto por colegas prisioneiros. “Não havia solidariedade para os prisioneiros homossexuais; eles pertenciam à casta mais baixa”, escreveu Pierre Seel, um sobrevivente gay do Holocausto, no seu livro de memórias I, Pierre Seel, Deported Homossexual: A Memoir of Nazi Terror.

Estima-se que 65% dos homens gay em campos de concentração morreram entre 1933 e 1945. Mesmo após a Segunda Guerra Mundial, tanto a Alemanha Oriental quanto a Ocidental mantiveram leis homofóbicas do país e, como resultado, após a sua libertação dos campos, muitos gays foram novamente encarcerados até o início da década de 1970. A lei não foi oficialmente revogada até 1994.

O início da década de 1970 também foi quando o movimento pelos direitos dos homossexuais começou a surgir na Alemanha. Em 1972, The Men with the Pink Triangle, a primeira autobiografia de um sobrevivente de campo de concentração gay, foi publicada. No ano seguinte, a primeira organização de direitos gays da Alemanha do pós-guerra, Homosexuelle Aktion Westberlin (HAW), recuperou o triângulo rosa como símbolo de libertação.

Na sua essência, o triângulo rosa invertido representava um pedaço da nossa história alemã que ainda precisava ser tratado”, disse Peter Hedenström, um dos membros fundadores da HAW em 2014.

Placa memorial de homens homossexuais está colocada onde outrora ficava um dos quartéis demolidos do campo de concentração de Buchenwald, perto de Weimar, Alemanha.. O campo, estabelecido pelos nazis em 1937, foi um dos primeiros e o maior deles em solo alemão, nele ficaram cerca de 250.000 prisioneiros entre 1937 e 1945. 65.000 foram mortos ou morreram durante este período. (Horacio Villalobos)

O triângulo começou posteriormente a surgir noutros círculos LGBTI um pouco por todo o mundo. Em 1986, seis ativistas da cidade de Nova Iorque criaram um póster com as palavras SILENCE = DEATH (SILÊNCIO = MORTE) e um triângulo rosa, destinado a chamar a atenção para a crise da pandemia do VIH/SIDA que dizimava populações inteiras de homens gays nos Estados Unidos da América. O póster foi de imediato adotado pela organização ACT UP e tornou-se num símbolo do movimento de combate ao VIH/SIDA.

O triângulo continua a figurar proeminentemente em imagens de várias organizações e eventos LGBTI nos dias de hoje. Desde a década de 1990, placas com um triângulo rosa fechado num círculo verde têm sido usadas como um símbolo que identifica “espaços seguros” para pessoas LGBTIQ. Existem memoriais em forma de triângulo rosa em São Francisco e Sidney que homenageiam vítimas LGBTI do Holocausto. Em 2018, para o Mês do Orgulho, a Nike lançou uma coleção de sapatos com triângulos rosa.

Embora o triângulo rosa tenha sido recuperado como um símbolo de força e Orgulho, é também, em última análise, uma lembrança para nunca esquecermos o passado e reconhecer a perseguição que as pessoas LGBTI ainda enfrentam em todo o mundo.

FonteHistory.

Source: https://esqrever.com

 

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