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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

14
Nov22

BRVN: a marca portuguesa que quer acabar com a moda masculina aborrecida

Niel Tomodachi

A primeira coleção chegou ao mercado em setembro. Mistura tecidos de alta durabilidade com cores e padrões ousados.

A experiência de entrar na secção masculina de uma loja de roupa pode ser muito monótona. A oferta demasiado semelhante é, sobretudo, condicionada pelo medo de arriscar em propostas arrojadas. Com a chegada ao mercado da BRVN, uma nova marca portuguesa de roupa para homens, estes medos estão a ser descartados. Durante dois anos, a marca esteve a funcionar apenas nos Estados Unidos da América e, em setembro, foi oficialmente lançada em Portugal.

O toque mais divertido de peças habilmente trabalhadas tem sido a receita para o sucesso além-fronteiras da etiqueta. E, se é o design mais playful e experimental que distingue o projeto no mercado, o know-how apurado da equipa contribui para o triunfo de cada artigo. Em pouco tempo, já somam pontos entre os homens portugueses.

Nascida sob a alçada de uma empresa com mais de 36 anos, a Latino Group, a insígnia “surgiu na sequência de uma oportunidade de mercado”, explica à NiT Andreia Silva, diretora de design da BRVN. Curiosamente, apesar da inovação, trata-se de um grupo pioneiro em fardamento militar para o exército, nacional e europeu.

Dada a experiência com materiais técnicos, a alta durabilidade não se coloca em causa. A porta-voz acrescenta que dão “uma roupagem com estilo ao militar, sendo que a moda está do nosso lado e virou uma tendência este ano”.

Com base nos tecidos, em torno dos quais se desenvolveu a Bravian — como também é conhecida a marca — surgiu a oportunidade de criar uma marca de moda, em 2020. Antes do confinamento, foi apresentada em cidades como Las Vegas e Nova Iorque.

“Nos Estados Unidos, aceitam tudo o que é diferente antes da Europa. Tem uma mistura cultural muito grande, então são mais recetivos”, acrescenta. “Mesmo nos ajustes, quando chegámos com um slim fit, eles já estavam com roupa mais larga. Na Europa, estamos a aceitar agora esta vestibilidade.”

 

Criatividade aliada à técnica

O trabalho em torno deste fitting masculino é algo enraizado na produção interna. Uma vez que a fábrica tem capacidade para não recrutarem pessoas de fora, colaboram com costureiras e designers que aproveitam a herança da empresa mãe. “Apenas compramos o fio, recrutamos o estampador e usamos matérias-primas nacionais ou italianas.”

Ao tentarem fugir do aspeto mais sisudo e clássico do vestuário, encontram inspiração nos locais mais inusitados e juntam várias ideias. O próprio logótipo da marca representa asas, que usam para desenvolver uma fénix que aparece na primeira coleção, “como um renascer ao fim da pandemia”. Apostam na logomania, construindo tudo em base da geometria e da desconstrução.

À paleta de tons frios e sóbrios, como o cáqui, o azul marinho, o preto e o ocre, as propostas são pinceladas com brilhos cítricos. Destacam-se o verde lima, o amarelo e o laranja tangerina, que surgem como apontamentos ou que são usados em co-ords ousados. Esta mistura resulta da mistura entre o estilo urbano e a tecnologia.

“Destacamos os detalhes utilitários como os bolsos termo colados, acabamentos técnicos misturados com estampados bold e criativos, inspirados em jogos como a LEGO e a TETRIS”, sublinha. A peça must-have da coleção é o puffer jacket, “que combina uma tecnologia premium ao nível do enchimento, super quente mas respirável e muito leve e com um material 100 por cento reciclado”.

A coleção da BRVN está disponível no site da marca e os preços variam entre os 95€ e os 600€. 

 

08
Set22

Fãs de Pokémon, a fanny pack que traz o Pikachu de volta é para vocês

Niel Tomodachi

Parece que os anos 90 voltaram em força com esta nova coleção cápsula da Balmain com a personagem da famosa série.

"Quero ser mais que perfeito, maior do que a imaginação, apanhá-los é o meu jeito, treiná-los é minha missão (…).” Já passaram mais de vinte anos, mas ainda há quem se lembre bem da música de abertura da série que começou a ser exibida na SIC em outubro de 1999. A música não fazia parte das bandas sonoras dos videojogos, mas isso não impedia os fãs de passarem horas e horas a jogar “Pokémon”.

Os caçadores das pequenas criaturas fictícias inspiradas em animais vão gostar de saber que já podem andar com o Pikachu por todo o lado e com muito estilo. A marca de luxo Balmain, revelou a sua última coleção cápsula lançada em colaboração com a Pokémon, que inclui camisas com a personagem principal, bolsas de cintura e mochilas. 

Com o famoso e fofo rato elétricos amarelo cujo vocabulário se resumia à expressão “pika-pika”, voltaram também as fanny pack (ou bolsas de cintura). Não sendo propriamente consensuais, foram um dos acessórios icónicos da década de 90. Agora, voltaram a ser cool e são vistas nas cinturas de todos os que querem estar na moda.

Há mais de dez anos, que o diretor criativo da Balmain, Olivier Rousteing, surpreende o mundo da moda com a sua visão distinta e escolhas imaginativas. Procura sempre parcerias não convencionais, e esta não é exceção.

“As brilhantes criaturas estéticas e cativantes da série Pokémon sempre foram apelativas para mim”, disse Olivier Rousteing, no lançamento. Numa coleção especial e de edição limitada, trouxe-as de volta.

“Hoje, fazem-me pensar numa época anterior, mais simples, em que todos partilhávamos uma visão cor de rosa de todas as mudanças positivas que tínhamos a certeza que as inovações digitais tornariam possíveis”, acrescentou o diretor criativo da Balmain.

Inspirado pelas cores arrojadas e iconografia brilhante dos Pokémon, Rousteing e o seu estúdio criam uma fanny pack com um padrão labiríntico em vermelho e preto onde se destaca a simpática figura do Pikachu.

Irá tornar-se icónico.
 
 

De nylon e couro, com uma alça ajustável e fecho de correr na parte superior, o design moderno da casa de luxo francesa reinterpreta o acessório. Agora, mais do que servir de cinto para as calças largas, três ou quatro tamanhos acima, como eram usadas nos anos 90, as fanny pack voltaram para serem usadas não só à cintura, mas também ao ombro. Estão novamente na mó de cima das tendências hype — e, se quiser aderir à trend com este modelo, terá de desembolsar 1.350€.

A coleção inclui também sweats (995€), casacos (1 995€), T-shirts (555€), camisas (1150€) e calças oversized (1.850€), seguindo sempre uma visão ousada e aventureira, com cores fortes e o padrão labiríntico de referência.

E, claro, uma parceria Balmain x Pokémon não poderia estar completa sem a inclusão de uma aventura digital. A partir de 5 de setembro, 15 insígnias NFC Balmain x Pokémon estarão disponíveis para compra física em nove lojas Balmain. Estas permitirão o acesso exclusivo a uma experiência Balmain x Pokémon, repleta de uma variedade de conteúdos digitais e prémios extraordinários, incluindo bilhetes VIP para o próximo Balmain Festival durante a Paris Fashion Week e acesso imediato ao conjunto de Roupas Balmain no Pokémon Unite.

Os fãs de Pokémon Unite, o jogo estratégico de batalha Pokémon, desenvolvido em parceria com a TiMi Studios, podem desbloquear o item de moda Balmain Fashion Set Trainer gratuitamente ao entrar no jogo por sete dias entre as 7 horas do dia 2 de setembro até às 23h59 do dia 30 de setembro.

Além disso, os fãs que comprarem um dos patches Balmain x Pokémon podem obter um código digital para desbloquear instantaneamente os itens de moda Balmain Outfit Set Trainer gratuitamente usando o menu “troca de presentes” no jogo.

 

29
Jul22

Click It: a nova marca de camisas sem género (que também são personalizáveis)

Niel Tomodachi

Têm padrões berrantes e outros mais sóbrios. No futuro planeiam lançar um vestido para todos.

A geração Z, nome dado a todos aqueles nascidos entre a segunda metade dos anos 90 até ao início de 2010, tem sido responsável por uma grande alteração no pensamento da sociedade. Segundo um estudo americano publicado em 2021, 1,2 milhões dos cidadãos daquele país identificavam-se como não-binários. Ou seja, não se identificam nem como homens nem como mulheres. A indústria da moda está a acompanhar esta tendência, e cada vez mais vemos novas marcas a apostarem em coleções que fogem ao binário.

Este fenómeno também se está a fazer sentir em Portugal, e a Click It, uma marca de camisas lançada em maio, pretende desconstruir aquilo que é o género, e os papéis e regras a ele associados, com o lançamento de peças que ficam bem em todos, independentemente daquilo com que se identificam.

“No ano passado despedi-me do trabalho onde estava”, começa por contar à NiT a fundadora Inês Duarte, de 29 anos. Estava na área da decoração e era a responsável da Península Ibérica na sua empresa. “A escolha não foi fácil, mas precisava de um desafio maior. Tinha um cargo muito bom”, mas sentia que já não havia espaço para evolução.

A ideia da Click It e das camisas sem género surgiu durante uma simples viagem de autocarro. Olhou para uma passageira que lhe chamou a atenção. “Uma rapariga tinha uma camisa branca e uma gola leopardo. Era uma opção diferente, mas não ia além disso e não dava para fazer mais nada com ela”, recorda.

A camisa é uma peça que já todos temos no armário, mas a proposta da marca não é apenas mais uma. O colarinho pode ser removido e trocado por outras cores e padrões diferentes, tal como o bolso. “Com algo básico conseguimos ter vários looks diferentes para muitas ocasiões: para ir trabalhar ou beber um copo. Só é preciso fazer esta mudança”, explica.

Não é um processo complicado e demora apenas segundos. Tanto o colarinho como a camisa vêm com molas que depois se ligam — e que acabam por ficar escondidas pelo tecido.

Para tornar a peça unissexo, optou por um aspeto oversized. “O que define a construção de uma camisa é o seu tamanho. Quando seguimos esta abordagem fica a servir a qualquer pessoa, independentemente também do corpo”, realça. Para criar uma proposta ainda mais abrangente, disponibilizam todos os artigos do XS ao XXXL, não deixando ninguém de fora.

“A desconstrução da questão binária faz cada vez mais parte da sociedade, e não é uma peça de roupa que vai definir o nosso género, especialmente quando já temos tantas pessoas a lutar pela sua identidade”, explica a fundadora. “Não vou lutar contra o mundo e vou encontrar linhas mais retas no design das camisas, mas o objetivo é que toda a gente se questione sobre o género da roupa”, acrescenta. Mas garante que até quem é cisgénero e heteronormativo pode adquirir as diferentes peças.

Têm três tipos de golas diferentes para a mesma camisa, e o objetivo é que cada pessoa se encontre e se sinta representada na sua escolha. “Temos a clássica, com um corte normal, uma romântica com um aspeto redondo e outra mais bicuda, que chega ao bolso da camisa”, refere. Em termos de cores têm quatro propostas: verde, azul, amarela com texturas e um padrão que as junta todas.

As peças são vendidas em separado, para que consiga criar a sua roupa de sonho. As golas custam 26€, a camisa 53€ e os bolsos 18€. No futuro, planeia criar um vestido também não-binário, “onde a ideia poderá ser trocar as mangas”, revela. Caso esteja interessado nesta fórmula revolucionária, pode passar pelo site da marca. 

 

04
Jul22

No pride month há arco-íris da cabeça aos pés

Niel Tomodachi

s causas importantes devem ser celebradas todo o ano, mas o mês de junho é especial para o movimento LGBTQIA+. Cor é a palavra de ordem. Opções não faltam.

Dos chapéus aos chinelos, o Pride Month impulsiona o mercado para oferecer roupa e acessórios dedicados ao movimento LGBTQIA+. O Mês do Orgulho, na tradução portuguesa, é celebrado em junho para assinalar a Revolta de Stonewall, ocorrida nos Estados Unidos. Foi esse o evento que marcou o início da chamada “libertação gay”, tendo mais tarde abrangido outras formas de identidade e sexualidade. Seguindo as siglas não há como errar: “L” de “lesbian”, “G” de “gay”, “B” de “bissexual”, “T” de “trans”, “Q” de “queer”, “I” de “intersexo” e “A” de “assexual”. Já o “+” abarca todas as restantes identidades de género ou sexualidade que não estejam contempladas nas letras anteriores.

Apesar de as demonstrações de apoio ou de orgulho na própria identidade serem positivas, existem marcas acusadas de “rainbow washing” – “lavagem de arco-íris” numa tradução direta -, ou seja, de se aproveitarem da causa apenas para obterem lucros. Quem quiser confirmar se as coleções alusivas ao Pride Month têm impacto real para o movimento, a ILGA World, associação mundial de defesa dos Direitos Humanos das pessoas lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersexo, alia-se todos os anos a diversas campanhas no sentido de promover ativamente o conhecimento e as lutas LGBTQIA+.

Swatch | 100 euros
The Spark company | 43 euros
Vogue eyewear | 104 euros
Blanc space | 24 euros
Caps Apparel | 27 euros
Vans | 60 euros
Ugg | 119 euros
Hey Harper | 42 euros
Happy Socks | 9,95 euros

09
Mai22

Etseo: a marca de roupa interior para homens feministas

Niel Tomodachi

“Queremos dar a oportunidade ao homem de retribuir o que tem recebido da mulher”, diz o fundador. Há peças florais, transparentes e rendadas.

Embora seja uma peça que apenas está visível em momentos de intimidade, a roupa interior é uma grande aliada da confiança. Muitas mulheres, por exemplo, sentem-se mais poderosas quando usam determinadas peças lingerie. No caso masculino, além da oferta disponível no mercado ser muito padronizada, também existe receio por parte dos homens em apostarem em peças de underwear mais arrojadas. Contrariando esta tendência, Jorge Santana, que se encontra na casa dos 40, lançou a Etseo, uma marca de roupa interior masculina que vê no feminismo a sua principal força.

A insígnia, que pretende sacudir preconceitos de género, foi criada com base em duas motivações distintas. Numa altura em que Jorge se dedicada à prática desportiva intensa, percebeu que havia uma lacuna ao nível do vestuário desportivo, que tem vindo a ser colmatada aos poucos. Considerava a roupa interior para treinar, por exemplo, muito desconfortável — algo que se propôs alterar.  

Aliada à identificação desta oportunidade de mercado, o empreendedor sentia também a necessidade de encarar a vida de outra forma. Constantemente deslocalizado no estrangeiro devido ao trabalho como engenheiro, passava pouco tempo com a família, e viu no projeto uma possibilidade de se reaproximar dos familiares e do País. Apesar de nunca ter estado ligado à produção de moda, apostou na criação de um negócio neste segmento específico: “Existe uma falta de competitividade na roupa interior masculina. Além disso, enquanto produto, não é difícil colocar no outro lado do mundo, porque a logística da moda é mais fácil do que a logística de outros negócios”.

“Comecei a preparar a ideia para mais tarde voltar a Portugal”, conta à NiT. Conseguiu que o registo da marca fosse aprovado em 2021, mas só em março de 2022 é que o primeiro artigo foi colocado à venda. Nascia assim a Etseo: “sendo Lisboa a capital mais ocidental da Europa continental, estamos a oeste de todo o mercado. Oeste lido ao contrário dá ‘etseo’”, explica o fundador.

Entretanto, a marca sofreu alterações. Manteve-se a inspiração inicial no conforto, mas os princípios e a missão da insígnia ocuparam um lugar de destaque. Afirmando-se como feminista, o objetivo de Jorge passou a ser a mitigação de estereótipos machistas e o combate à masculinidade tóxica. No contexto da marca, isso traduziu-se na utilização de padrões ou materiais que ainda são usados sobretudo em peças destinadas ao público feminino. Jorge deu por si a questionar porque é que a roupa interior às flores, por exemplo, continua a ser associada à falta de masculinidade — e resolveu recorrer a este estampado. A discussão sobre a barreira que distingue o feminino do masculino continua nos boxers com transparências ou rendas, que suscitam ainda mais estranheza. 

Após perceber a ausência de diversidade na roupa interior masculina, que era muito homogénea, procurou fazer a diferença, trazendo algo diferente para o mercado. A convicção de Jorge de que todas as ideias são passíveis de ser exploradas serviu como pilar à criação de uma marca com uma forte estrutura de ideias por trás. O público alvo, essencialmente, são homens com “uma mentalidade aberta” e que percebam a “capacidade de adaptação [a novos pontos de vista]”. Esta abordagem aos estereótipos machistas é especialmente importante “em países onde a população está presa a várias tradições obsoletas”, observa.

O feminismo e a masculinidade não são incompatíveis.
 
 

“Digo-lhe que uma pessoa que veste uns boxers com flores, tem um ordenado superior do que uma pessoa com uns boxers às riscas, porque é mais flexível, ousado e capaz de ir mais longe. São os valores da sociedade atual e o macho português tem que ter cuidado”, considera Jorge Santana.

Apesar de trabalharem com coleções, a questão da sazonalidade não é um problema para a Etseo. “Achámos que a roupa interior de homem funciona porque é muito menos sensível às estações do que a mulher. Há marcas que vendem o mesmo produto há dez anos”, explica.

 

Reparações históricas

“A ideia [desta linha] partiu deste facto: eu vivo numa família de mulheres”, avança. “A cultura onde nós vivemos é uma cultura machista e, durante décadas, órgãos de comunicação social e meios de publicidade viveram da exposição do corpo da mulher, mas não se encontra o inverso”. Contrariando a ideia de um homem resguardado, a marca questiona se ele tem coragem de retribuir à mulher aquilo que ela merece — desfrutar do corpo e da beleza masculina. Uma vez que, ao longo do tempo, o ónus do belo recaiu sempre sobre a figura feminina.

“Gosto de colocar este desafio ao homem e gosto desta perspetiva da mulher a observar o corpo masculino. Está entre o desafio e a provocação, mas é saudável”, conclui. “O homem anda a apreciar a beleza da mulher há séculos, sem dar nada em troca. Nós queremos, com esta linha de produtos, dar oportunidade aos homens de retribuirem com a sua beleza aquilo que sempre têm recebido das mulheres”.

As várias linhas adaptam a gostos muito diferentes.
 
 

Consciente de que não é uma marca mainstream, Jorge sublinha que “existem pessoas que não conseguem sair do ciclo habitual, inclusive as mulheres, que podem pensar que são peças com alguma feminilidade”. Para Jorge Santana, esta perspectiva está na base da confusão que existe em torno do conceito de feminismo, que muitas pessoas acabam por associar a uma ideia de falta masculinidade. Não obstante, o engenheiro acredita que as peças da da sua marca podem contribuir para aproximação sexual tanto dos casais heterossexuais como homossexuais.

Trata-se, sobretudo, da capacidade de “aceitar a diferença, viver fora da caixa e ser mais maleável face a várias situações”. Aliás, quem é capaz de o fazer com roupa interior, consegue transportar essa postura para o emprego, para um projeto ou até para uma relação: “Não ter medo de não ser macho é proteger a mulher, porque o macho tem tratado mal a mulher ao longo dos anos.”

“Na altura, contratámos uma consultora que nos desenhou as peças”, explica, sobre a produção. “Depois, apanhámos um avião para a Interfilière [principal feira internacional de lingerie], em Paris, onde tivemos contacto com fabricantes europeus e selecionámos os tecidos. A produção é feita em ateliers em Lisboa”.

Também a produção está ligada ao feminismo e à procura de justiça, fazendo com que o processo seja feito em Portugal. Existiu, desde o início, uma recusa em entrar num mercado barato, que explora pessoas com más condições laborais, nomeadamente mulheres com contratos precários.

Numa fase inicial, a aposta é sobretudo no mercado da União Europeia. Porém, existe curiosidade por parte do responsável em explorar economias mais avançadas, como a Coreia, o Japão, o Canadá e os EUA. Através de parcerias com empresas locais, querem entrar em “mercados de gama alta, com maior capacidade financeira e maior abertura cultural”.

A roupa interior da Etseo está disponível no site da marca e os preços oscilam entre os 28€ e os 35€.

 

07
Mai22

Wetheknot: já abriu a primeira loja física da marca minimalista portuguesa

Niel Tomodachi

Fica situada em Alfama, um dos bairros mais antigos de Lisboa. Por lá encontrará peças de roupa produzidas para durarem anos.

Depois de mais de uma década a encantar o País com peças muito elegantes, o minimalismo da marca nacional Wetheknot ganha um espaço próprio. A loja foi inaugurada no final de 2021, em Alfama, pelo duo por trás do negócio. Sérgio Gameiro, designer de moda, e Filipe Cardigos, designer gráfico uniram forças no espaço que veio mudar o cenário comercial do bairro histórico.                                                                                      

Além das vendas online, a dupla já vendia numa loja física partilhada, no Bairro Alto. Porém, o sonho passava por abrirem uma localização própria para “comunicar a marca de uma forma autêntica” e sem compromissos. Conseguiram cumprir o desejo no final de 2021, abrindo a boutique pet-friendly num dos bairros mais conhecidos e típicos da capital.

“Estávamos há dois anos à procura de uma loja. Quando vimos o espaço nesta rua, achamos que as características da nossa marca o tornariam nosso”, explica Sérgio. Queriam um sítio onde existisse muita circulação de pessoas, mas também preencheram uma lacuna na zona: “O feedback das pessoas que moram aqui é positivo porque, no meio de muitas lojas de souvenirs a venderem as mesmas coisas, um espaço de roupa jovem não é muito comum.”

A decoração é clean e minimalista.
 
 

Neste novo espaço, encontrará as peças características da sua filosofia slow-fashion. Marcada pelo minimalismo estético, simplicidade e intemporalidade, produzem roupa com tecidos bastante macios. Paralelamente, são “minimais porque queremos que as pessoas, quando compram uma peça nossa, a tenham durante o mais tempo possível” e com um design que possa ser usado daqui a uns anos.

A loja tem cerca de 30 metros quadrados, uma dimensão reduzida, e apresenta uma imagem neutra e moderna. Não queriam que o espaço ficasse muito cheia, de forma a que os “artigos pudessem respirar” e que as pessoas possam olhar para eles. Os dois criativos trataram das obras e tornaram o pequeno estabelecimento numa galeria: “Tem um aspeto muito simples, em tons neutros, com toda a mobília e a estrutura com materiais mais frios e industriais para contrastar com as nossas peças quentes”.

A entrada da loja.
 

A história da Wetheknot

O projeto surgiu em 2010 de forma muito orgânica. Os dois cofundadores conheceram-se no Porto, acabados de sair da faculdade, e tudo começou com um desafio proposto por Filipe, atualmente com 38 anos. “Ele recolhia os guarda-chuvas estragados da rua, desmancha-os e guardava os tecidos. Um dia, apresentou-se um saco cheio e desafiou-me a fazer alguma coisa com o material”, conta à NiT Sérgio, de 34 anos.

Desenvolveram a primeira coleção com dez calções de banho masculinos, uma vez que a matéria-prima era impermeável e leve. O uso de um material reaproveitado de forma engenhosa gerou bastante interesse.  Ainda assim, de acordo com o designer de moda, “o mercado ainda não estava preparado para aquele tipo de produtos” e apostaram em tecidos comprados, mas sempre com a sustentabilidade presente.

Numa fase inicial, destacaram-se pelos acessórios, nomeadamente as carteiras, e foram progredindo naturalmente. Começaram a surgir peças de roupa, trabalhadas com matérias-primas sustentáveis em solo nacional. Atualmente, mais de metade da produção é feita num estúdio, localizado na Mouraria, colaborando com um costureiro, Sohil Vahora. A outra metade é feita por Dona Manuela, uma colaboradora de Vila Nova de Famalicão.

Mais do que uma produção de moda sustentável, é nas relações humanas que o projeto encontra o âmago do seu ADN. Nestas colaborações com artistas locais, a estética clean da Wetheknot é o reflexo do cuidado dos criadores em ter um espaço onde todos são recebidos de braços abertos.

Além de poder visitar a loja no número 41 da R. de São João da Praça, pode conhecer a oferta da marca no site. 

 

26
Mar22

Homens: já podem treinar sem que aquela zona aqueça demasiado

Niel Tomodachi
Os novos boxers da Intimissimi Uomo prometem o conforto e a frescura ideais para os que gostam de praticar desporto.
21
Fev22

As novas contas da Pandora que todos os fãs da Marvel vão adorar

Niel Tomodachi

A marca de joalharia criou peças dedicadas aos filmes de super-heróis. Entre o Hulk e o Homem de Ferro há muito para conhecer.

O catálogo de contas da Pandora ficou ainda mais vasto. Neste mês de fevereiro, além de corações, olhos e pendentes, vai encontrar algumas das conhecidas figuras do universo da Marvel. A marca fechou uma parceria com os estúdios da Disney e criou várias peças para juntar às pulseiras.

Tem opções de vários super-heróis, como o Hulk ou o Homem de Ferro, mas também a Viúva Negra, o Pantera Negra ou elementos distintivos de outras personagens. É o caso do martelo de Thor e o escudo do Capitão América. A luva de Thanos é outra das contas que fazem parte desta coleção.

“Estamos muito orgulhosos desta nossa colaboração de longa data com a The Walt Disney Company e empolgados em dar vida a esta primeira parceira entre a Marvel e a Pandora”, explicou Stephen Fairchild, diretor de produtos da marca à edição britânica do “Metro”.

“Estes super-heróis emocionam, entretêm e também encorajam a usar as nossas vozes e poderes, sem esconder as fraquezas, tudo para tornar o mundo um lugar melhor”, continuou.

A recente coleção da Pandora ainda não está à venda em Portugal, mas deverá chegar em breve. No site português estão disponíveis outras contas de colaborações especiais dos últimos anos. Tem, por exemplo, as sugestões desenvolvidas com personagens de Harry Potter ou Star Wars.

 

20
Jan22

Pickles: bonés e chapéus cheios de cor para alegrar os dias

Niel Tomodachi

Dois irmãos juntam-se à volta de uma ideia durante o confinamento. Resultado: Pickles, marca de peças simples, confortáveis e ajustáveis, para todas as cabeças, para todas as estações.

Tudo começa com uma procura mais complexa do que parecia à primeira vista. “Queria um boné simples, minimalista, de uma cor gasta, que coubesse bem na cabeça e não custasse 30 euros”, recorda Tomás Cardoso Pinto. Pesquisa na Net, sites portugueses e estrangeiros, nada que lhe enchesse as medidas, pede ajuda ao irmão mais novo, Manuel. Conversa puxa conversa e o negócio surge desse debate. Pickles nasce assim como uma marca de bonés e chapéus confortáveis, 100% algodão, unissexo, para todas as idades.

Tomás deixou o trabalho numa operadora de telecomunicações, Manuel estava a terminar o curso de Marketing e Publicidade, juntaram-se, formaram uma dupla. Manuel desenhou o logótipo e trata sobretudo da parte de imagem. Tomás ocupa-se da área logística, operacional. Antes de avançarem para o mercado, em meados de 2021, definiram critérios e o modelo, sondaram amigos e familiares, que experimentaram e gostaram da arte final. “Há chapéus e chapéus e é difícil agradar a todas as cabeças. Preocupámo-nos com o formato, quisemos um chapéu que não fosse muito curto nem muito longo, e não muito caro”, revela Tomás. Os bonés são ajustáveis atrás com uma fivela, os chapéus têm fios no interior que funcionam como atacadores. E custam 17, 18 e 19 euros.

Manuel e Tomás Cardoso Pinto criaram acessórios unissexo, 100% algodão e que podem ser usados em todas as estações

As cores são a imagem de marca. Amarelo, azul-turquesa, cor-de-rosa, roxo, salmão, verde, caqui, bordeaux. Há mais, a paleta é diversa. O propósito é dar cor aos dias cinzentos com peças que nasceram num contexto difícil, durante a pandemia. “Temos tantas cores, tanta variedade, queremos associar essas cores à vida, aos bons momentos – quando vamos à rua, à praia, ao jardim, ou fazemos desporto no parque”, adianta Manuel. Os irmãos engendraram várias coleções: Simples, Meia Canja com duas cores no mesmo boné, Onda, Lusco-Fusco, Buckets, Mini Pickles que surge da procura de bonés para os mais pequenos, meninos e meninas.

O caminho foi feito aos poucos. Primeiro, as redes sociais, depois um site e uma loja online, depois a participação em feiras, e a presença em espaços multimarcas está nos planos. Tomás admite que “é sempre bom o cliente ter contacto direto com o produto”.

E, ironia do destino, antes da Pickles, Tomás e Manuel não tinham qualquer boné no armário, agora não saem de casa sem um na cabeça. Querem demonstrar que um acessório é mais do que um detalhe e passar a mensagem que a sazonalidade não faz sentido. “Um boné pode ser usado como um acessório de estilo”, diz Manuel. Como uma peça de moda. “Pode ser uma peça distintiva, pode combinar -se a roupa com o chapéu. Os Pickles são bonitos e bons para usar em qualquer ocasião”, acrescenta Tomás.

A próxima coleção de inverno está prestes a sair. São bonés de bombazina. Coloridos, pois claro. Para alegrar a vida e aproveitar os bons momentos.

 

07
Jan22

A nova coleção da Loewe é um sonho (de luxo) para os fãs de “A Viagem de Chihiro”

Niel Tomodachi

A linha homenageia as personagens de um dos mais memoráveis e amados filmes de animação do realizador japonês Hayao Miyazaki.

Poucos filmes de animação conseguem ser tão consensuais e adorados por públicos de diferentes idades, como “A Viagem de Chihiro”. Lançado em 2001 pelos Studio Ghibli, conta a história de uma miúda de 10 anos que, a caminho da mudança para os subúrbios, se vê dentro de um universo paralelo. Um mundo dominado por feiticeiros, bruxos e espíritos — e onde os humanos são transformados em animais —, tão envolvente que acabou por vencer o Óscar de Melhor Filme de Animação. Agora, mais de 20 depois de estrear, as memoráveis personagens do filme são homenageadas na mais coleção cápsula desenvolvida pela Loewe lançada esta sexta-feira, 7 de janeiro, e que promete esgotar rapidamente.

Nesta linha, vai ser possível encontrar Chihiro, Haku, a feiticeira Yubaba, e o espírito sem rosto Kaonashi —, entre muitas criaturas outras da animação desenhada por Hayao Miyazaki — em camisolas, t-shirts e casacos, também de lenços, mantas, carteiras, porta moedas, cachecóis, produzidos de forma artesanal em materiais como o jacquard ou a pele.

Jonathan Anderson, diretor criativo da Loewe, optou por este método de produção com o objetivo de assegurar peças únicas e de elevada qualidade. O designer explicou também que pretendia reproduzir na confeção da linha a forma como o filme foi produzido — à mão.

Em entrevista à Vogue britânica, o responsável da marca espanhola afirmou que: “[Esta coleção cápsula] é para os superfãs, porque é disso que trata o projeto: envolver-se com pessoas que têm uma obsessão pelo trabalho de Miyazaki”. “As minhas peças favoritas são a bolsa Hammock com o rosto de Chihiro bordado a 360º, e a camisola em malha tricotada à mão com o motivo Yu-pássaro e Bô em intarsia – é uma mistura de bordado de lurex com a técnica de crochê 3D em bola de lã, que enfatiza o artesanato – uma grande assinatura da Loewe.

Esta coleção marca a segunda parceria da Loewe com o Studio Ghibli, com quem, no passado, produziram outra inspirada no filme “O meu vizinho Totoro”. As peças já se encontram disponíveis no site da marca, com preços que vão dos 190€ aos 4.900€. 

 

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