Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

22
Jul22

Alterações climáticas vão afetar os cavalos-marinhos, diz novo estudo português

Niel Tomodachi

As altas temperaturas irão elevar os custos energéticos da espécie e diminuir a sua condição corporal.

Não é segredo que as alterações climáticas estão a afetar tanto os humanos, quanto os animais, em especial, os marinhos. Um estudo realizado por uma equipa de investigadores do MARE-ISPA, que chegou ao fim esta terça-feira, 19 de julho, visou analisar o aquecimento dos oceanos e o seu impacto no comportamento e fisiologia do cavalo-marinho-de-focinho-comprido.

A sede da pesquisa foi o Biotério de Organismos Aquáticos do Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida (ISPA). A instalação acolheu 22 espécies retiradas da Reserva Natural do Estuário do Sado, um dos maiores estuários da Europa.

Durante dois meses, a espécie foi exposta a temperaturas diversas, entre os 18 e os 24 graus, sendo a última a temperatura prevista para o final deste século. Foram analisados as taxas de ingestão e o sistema reprodutor dos cavalos-marinhos, e as conclusões indicaram que os peixes terão custos energéticos elevados e uma diminuição na sua condição corporal.

“Apesar dos cavalos-marinhos terem resiliência térmica e capacidade de adaptação a curto prazo, o gasto de energia que a exposição a temperaturas mais elevadas pode acarretar, a médio-longo prazo, poderá trazer consequências ao nível do crescimento e sobrevivência da espécie”, explicou a coordenadora do estudo, Ana Margarida Faria, num comunicado publicado pelo ISPA.

Nos últimos anos, os cavalos-marinhos-de-focinho-comprido têm apresentado um declínio acentuado em Portugal, de acordo com a página oficial da espécie no Oceanário de Lisboa. Entre os principais problemas de conservação, está a sua captura para, posteriormente, serem vendidos como lembranças.

Gonçalo Silva, investigador do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), frisou a importância da recolha de dados para “que se possam tomar decisões e aplicar medidas de mitigação e de conservação, com base científica”. Os cavalos-marinhos analisados no estudo foram devolvidos “sãos e salvos” ao estuário na quarta-feira, 20 de julho.

 

11
Abr22

A ciência explica por que razão o olhar dos cães nos derrete o coração

Niel Tomodachi

Um novo estudo realizado nos Estados Unidos explica o irresistível “puppy-dog eyes”. E às vezes até parece chantagem.

Não resiste ao olhar do seu cão quando ele implora por um snack? Não se preocupe. Há um motivo e a ciência explica-o. Um estudo apresentado esta semana revela as principais características anatómicas que podem explicar o que torna os rostos dos cães tão atraentes, e admite que os humanos podem ter contribuído para a capacidade de os cães formarem expressões faciais.

“O vínculo que os cães conseguem estabelecer com os humanos é único e diferente do de todos os outros mamíferos. Este vínculo pode ser demostrado através do olhar mútuo, algo que não observamos entre humanos e outros mamíferos domesticados, como cavalos ou gatos”, começa por explicar a autora do estudo Anne Burrows, professora do departamento de fisioterapia na Universidade de Duquesne em Pittsburgh, nos Estados Unidos.

A investigação realizada pela equipa de Burrows “fornece uma compreensão mais profunda do papel que as expressões faciais desempenham nas interações e comunicação entre cães e humanos”.

Burrows comparou as fibras de miosina em amostras de músculos faciais de lobos e cães domesticados. E os resultados revelaram que, assim como os humanos, cães e lobos têm músculos faciais dominados por fibras de contração rápida, mas os lobos têm uma percentagem maior de fibras de contração lenta em relação aos cães.

“Essas diferenças sugerem que ter fibras musculares mais rápidas contribui para a capacidade de um cão comunicar efetivamente com as pessoas”, revela o estudo. “Ao longo do processo de domesticação, os humanos podem ter criado cães com base em expressões faciais semelhantes às suas, e com o tempo os músculos dos cães podem ter evoluído para se tornarem ‘mais rápidos’, beneficiando ainda mais a comunicação entre cães e humanos”.

Ao terem mais fibras de contração rápida, os cães têm uma maior mobilidade facial e movimentos musculares mais rápidos, que lhes permitem pequenos movimentos, como uma sobrancelha levantada, como pode ver na imagem seguinte, da autoria da própria Anne Burrows:

À esquerda temos um lobo cinzento selvagem e à direita um Cão da Montanha de Berna. As setas vermelhas indicam o músculo levantador do ângulo dos olhos, um músculo não encontrado no lobo cinzento que suporta a comunicação do olhar entre cães e humanos.

 

17
Fev22

Uma em cada quatro mulheres já sofreu violência doméstica, revela estudo mundial

Niel Tomodachi

Pesquisa inédita reúne relatos de mulheres de 161 países e mostra que 24% das mulheres sofrem agressão desde os 15 anos

Manifestante segura cartaz de "Basta" durante protesto contra violência contra a mulher em La Paz, capital da Bolívia (31-1-22). Foto: JORGE BERNAL / AFP

Ao menos uma em cada quatro mulheres já sofreu algum tipo de violência por parte do parceiro ao longo da vida. São casos de violência física ou sexual que também se revelam recentes: 13% dos episódios aconteceram em 2018, último ano incluído em um estudo mundial encomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e publicado na revista científica “The Lancet”.

A pesquisa reuniu informações de um banco de dados global da OMS sobre prevalência da violência contra as mulheres, que reúne pesquisas realizadas em 161 países entre os anos de 2000 e 2018 (últimos dados disponíveis). A análise dos relatos indica que 27% das mulheres com idades entre 15 e 49 sofreram violência doméstica pelo menos uma vez na vida, com uma a cada sete (13%) sofrendo episódios em 2018.

Como as estimativas são baseadas em experiências relatadas pelas próprias mulheres, e considerando que o tema ainda é tabu em muitos países, a verdadeira prevalência de violência, lembra o estudo, provavelmente é ainda maior.

A experiência deixa marcas na saúde física e mental das mulheres – e também de crianças e famílias em todo o mundo. E muitas vezes começa cedo. A pesquisa identificou altos níveis de violência vivenciados por adolescentes e mulheres jovens: 24% das mulheres de 15 a 19 anos foram agredidas ao menos uma vez pelos parceiros desde os 15 anos. 

A prevalência de violência recente também foi maior entre essa mesma faixa etária. Uma em cada seis adolescentes de 15 a 19 anos e de mulheres jovens de 20 a 24 anos sofreu violência doméstica em 2018.

— O alto número de mulheres jovens que sofrem violência por parte do parceiro é alarmante, pois a adolescência e o início da vida adulta são fases importantes da vida, quando são construídas as bases para relacionamentos saudáveis. A violência que essas jovens sofrem tem impactos duradouros em sua saúde e bem-estar — explica Lynnmarie Sardinha, principal autora do artigo.

O estudo também faz um recorte geográfico e mostra que, em geral, países de renda mais alta apresentam taxas mais baixas de violência doméstica. A prevalência de violência contra a mulher de 15 a 49 anos foi mais alta na Oceania (49%) e na África Subsaariana Central (44%). Por outro lado, foi mais baixa na Ásia Central (18%) e na Europa Central (16%).

 

Piora na pandemia

Os dados foram colhidos antes da pandemia da Covid-19, mas o estudo reforça que outras pesquisas recentes mostram como fatores como isolamento, depressão e ansiedade e uso de álcool, além da redução de acesso a serviços de ajuda na pandemia, agravaram os casos de violência contra as mulheres.

Além de expor a dimensão mundial do problema, o estudo pretende oferecer dados de base para ajudar os governos de diferentes países a monitorar e estabelecer políticas públicas de prevenção e combate à violência contra a mulher. A pesquisa avalia que os governos ainda não estão agindo para cumprir as metas de erradicação de violência contra as mulheres e que é urgente tomar ações. O tema é parte da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável.

 — Embora tenha havido progresso nos últimos 20 anos, ainda é extremamente insuficiente para alcançar a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de eliminar a violência contra as mulheres até 2030 — disse a coautora do estudo, Claudia García-Moreno, da OMS.

 

16
Fev22

Estudo revela que mais de metade da população portuguesa não lê livros

Niel Tomodachi

Mais de metade dos portugueses não lê livros, uma realidade que está fortemente associada à educação, já que muitos não têm memória de os pais alguma vez os terem levado a uma livraria ou lhes terem oferecido um livro.

Estudo revela que mais de metade da população portuguesa não lê livros

As conclusões constam de um inquérito às práticas culturais dos portugueses, realizado nos últimos meses de 2020 pelo Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, com financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), e hoje apresentado na capital.

Trata-se da primeira vez que é feito em Portugal "um amplo levantamento à escala nacional das práticas culturais dos portugueses em vários domínios da cultura", destacou o administrador da FCG, Guilherme de Oliveira Martins, afirmando que este estudo nasceu precisamente da necessidade de conhecer esta realidade, da necessidade de ter um "ponto de partida".

No que respeita aos hábitos de leitura, o inquérito revelou que, nos últimos 12 meses anteriores ao inquérito, 61% dos portugueses não leram um único livro em papel, e, dos 39% que afirmavam ter lido, a maioria leu pouco.

Quando questionados sobre a leitura de livros digitais, a percentagem desce ainda mais, com apenas um em cada dez inquiridos a responder que leu nesse suporte.

Segundo o estudo, o universo de quem leu constitui-se maioritariamente por pequenos leitores (27%, que leram entre 1 e 5 livros impressos), seguidos de médios leitores (7%, que leram entre 6 e 20 livros) e grandes leitores (apenas 1% leu mais do que 20 livros num ano).

A mesma relação se encontra entre a população leitora de livros digitais: 5% de pequenos leitores, 1% de médios leitores e 0% de grandes leitores.

Estes dados revelam uma descida nos hábitos de leitura face a 2007, de acordo com o "Inquérito à Leitura" realizado nesse ano, que registava uma percentagem de 55% de leitores de livros impressos.

Contudo, o "Inquérito às Práticas Culturais dos Portugueses 2020" chama a atenção para o facto de aquele estudo ter excluído as regiões autónomas, de a amostragem ter sido diferente e de o formato da pergunta de aferição dos leitores de livros impressos também ter sido distinto. Em contrapartida, o "Inquérito à Ocupação do Tempo", realizado em 1999 pelo Instituto Nacional de Estatística, "indicava apenas 31% de leitores de livros em papel".

As conclusões do presente estudo apontam igualmente para a existência de uma relação entre a educação e os hábitos de leitura, já que, na sua infância e adolescência, a maioria dos inquiridos não beneficiou de estímulos à leitura gerados em contexto familiar.

De acordo com os dados divulgados, a grande maioria dos inquiridos assume que os pais nunca os levaram a uma livraria (71%), a uma feira do livro (75%) ou a uma biblioteca (77%).

Por outro lado, 47% assumem que os pais nunca lhes ofereceram um livro e 54% afirmam que nunca lhes leram um livro de histórias.

No entanto, os mais jovens e aqueles cujos pais têm ou tinham qualificações académicas superiores reconhecem mais frequentemente esse apoio familiar, "dados que denunciam a persistência de assimetrias sociais na criação de hábitos de leitura, mas também sinalizam uma mudança": "a democratização do acesso à educação potencia ganhos culturais nas gerações sucessoras".

Um dos coordenadores do estudo, o investigador José Machado Pais, destaca a este propósito que "as práticas culturais se associam bastante às práticas de leitura", ou seja, um leitor de livros tem uma maior propensão a desenvolver outras práticas culturais, "de onde todos os investimentos feitos na sensibilização, no interesse pela leitura, como o Plano Nacional de Leitura são bem vindos".

"Todas as iniciativas tomadas em contexto escolar, familiar, associativo, nos media, todos são muito bem vindos, porque fomentar o interesse pela leitura significa fomentar o interesse pela cultura em lato senso", sublinhou.

Ainda sobre o papel da escola (com as visitas de estudo e os programas de incentivo à leitura, por exemplo), o responsável assinalou a sua relevância em contextos em que os jovens não beneficiam de socializações de âmbito cultural em contexto familiar.

Quanto às idades, é entre os mais jovens que se encontram maiores hábitos de leitura de livros impressos: 44% tinham entre 15 e 24 anos, 46% tinham entre os 25 e os 34 anos, 44% entre 35 e 44 anos, 33% andavam na casa dos 45-54 anos, 31% tinham de 55 a 64 anos, e 22% tinham 65 ou mais.

Proporção semelhante foi encontrada entre leitores de livros digitais, embora com índices muito inferiores, que oscilaram entre 17% e 1%.

Avaliando a relação entre as práticas de leitura e o grau de ensino são tanto maiores quanto o nível de escolaridade, atingindo os 68% entre os inquiridos com o ensino superior.

No que respeita às motivações de leitura, 68% dos inquiridos afirmam ler livros "por prazer", uma percentagem que se eleva entre os mais idosos e os de mais baixa instrução, já que "os que menos prazer retiram da leitura (43%) são os jovens dos 15 aos 24 anos, precisamente os que mais leem para estudar ou realizar trabalhos escolares (45%)".

As escolhas de leitura são fortemente influenciadas pelas redes sociais, com 43% das recomendações a surgirem dos círculos da família, amigos e colegas de trabalho; 16% de comentários de amigos nas redes sociais; e 10% de 'sites' e de redes sociais especializados na leitura e avaliação de livros.

O estudo revela ainda que as classes com inquiridos que mais livros leem são as que têm uma prevalência de jovens e de estudantes que também consomem bastante televisão e Internet, sobressaindo "uma forte associação entre práticas de leitura e usos de Internet de pendor cultural".

A este propósito, José Machado Pais referiu que há quem defenda que o aumento da oferta cultural em espaços digitais pode aumentar os níveis de práticas culturais, mas lembrou que 29% dos portugueses "estão desconectados", pelo que a medida teria "impacto zero" nesta faixa, e que há uma percentagem significativa que usa diariamente a Internet, mas não para atividades culturais.

Por isso, considera que tal medida poderia apenas "diversificar e ampliar os hábitos culturais de quem já os tem".

Os impulsos à leitura surgem, ainda, da exposição dos livros nas livrarias (17%) e das críticas em jornais ou revistas (16%), acrescenta o estudo.

O inquérito procurou também saber quais as preferências dos leitores quanto ao género literário, concluindo que o romance é o mais procurado, por 46% dos inquiridos -- logo seguido de História, com 24% -, e o Teatro, o menos lido, com apenas 2% de leitores habituais.

Outra conclusão a que o inquérito chegou foi que a procura pelo género "romance" aumenta com a idade, de forma inversamente proporcional à procura de livros de "crime, 'thriller' ou mistério", lidos predominantemente pelos mais jovens.

A poesia é o género em que os seus leitores assíduos se repartem entre os mais velhos (a partir dos 55 anos) e os mais jovens de todos (entre os 15 e os 24 anos).

Os livros de História encontram-se principalmente entre os portugueses de idade mais avançada, ao passo que o romance, os livros técnico-científicos e os de ficção científica envolvem mais leitores entre os 35 e os 44 anos.

O local preferencial para a leitura é a casa, com 98% de respostas, seguida da escola (9%), do local de trabalho (8%), de cafés (5%), transportes (4%) e bibliotecas (3%).

O inquérito foi realizado entre 12 de setembro e 28 de dezembro de 2020 a um universo de 2000 inquiridos com 15 ou mais anos de idade, residentes em Portugal continental e regiões autónomas.

O estudo foi coordenado por José Machado Pais, Pedro Magalhães e Miguel Lobo Antunes, numa equipa ainda composta por Emanuel Cameira, Jorge Rodrigues da Silva, Rui Telmo Gomes, Teresa Duarte Martinho, Tiago Lapa e Vera Borges, e tem como objetivo oferecer aos decisores políticos, às instituições culturais, aos seus gestores e aos artistas, "informação precisa para se compreender as práticas culturais dos portugueses".

 

31
Out21

Estudo: 9% dos portugueses já seguem uma dieta veggie

Niel Tomodachi

De acordo com o estudo ‘The Green Revolution Portugal’ realizado em 2019 pela consultora espanhola Lantern (o primeiro estudo realizado a nível nacional sobre a realidade veggie), os portugueses estão a mudar os seus hábitos alimentares.

Segundo a pesquisa, existem 764 mil adultos que seguem uma dieta veggie, o que corresponde a 9% da população. 45% dos portugueses afirma ter reduzido ou eliminado o consumo de carne vermelha e 54% diz ter reduzido ou eliminado por completo o consumo de enchidos. Para além disso, é nas camadas mais jovens (18-24 anos) que se concentra o maior número de veganos e vegetarianos. Preocupação com a saúde e cuidado com o ambiente estão entre as principais razão para a adoção de uma dieta com mais plantas e menos animais.

No entanto e ainda segundo esta análise, um em cada três veggies admite ser complicado ou muito complicado encontrar pratos adequados à sua dieta fora de casa, sendo que o grau de insatisfação com os produtos substitutos disponibilizados pelo mercado é superior a 55%, demonstrando que há ainda um longo caminho a percorrer e um universo de inúmeras oportunidades.

 

11
Set21

Como ser uma mãe ‘cool’. É isto que os filhos mais valorizam

Niel Tomodachi

Enquanto a maioria das mães crê que os miúdos as apreciam pela comida que oferecem, na verdade o que as crianças mais valorizam é a ajuda nos trabalhos da escola. Veja também o que as crianças menos gostam de ver as progenitoras fazer.., em público

crianças-alimentação-istock-1200x675.jpg

Um estudo norte-americano revela atitudes e decisões que, aos olhos dos filhos, transformam as mães em pessoas interessantes. E se metade das progenitoras se preocupa com a forma como os filhos as veem, fica também claro o que não devem fazer para que o contrário não tenha lugar.

De acordo com o inquérito norte-americano citado pela OnePoll e que auscultou duas mil mães dos Estados Unidos da América com crianças entre os três e os 18 anos, quase metade (42%) fica zangado se as mães usarem, diante dos amigos, o diminutivo que é usado em casa. Quatro em cada dez não gosta de ouvir a progenitora a gritar pelo nome dos filhos em competições desportivas ou a dançar em público. Se o fizerem, o mais provável é ver as crianças a menear a cabeça.

Mas se metade da amostra considera que os filhos valorizam mais a comida, a verdade é que a análise encomendada pela revista de refeições saudáveis Sunset aponta outra direção: três em cada cinco miúdos diz que uma mãe “porreira” é aquela que ajuda nos trabalhos da escola e nas obrigações domésticas.

Relativamente à alimentação saudável, as inquiridas revelaram recorrer a truques como tornar a comida mais colorida (47%) ou apresentada sob formas originais (48%), e tudo isto para levar os filhos a ingerir alimentos de melhor qualidade. Mais de metade das entrevistadas reconheceu que as crianças ingerem refeições mais trabalhadas e sofisticadas do que as que preparam para elas próprias.

Relativamente a propostas alimentares, refere a análise que mais de seis mães em cada dez embalam frutas para um lanche, mais de metade apresenta batatas fritas e 46% diz dar vegetais. A maioria sonha poder integrar frutos vermelhos no cardápio infantil e juvenil por considerarem que melhoraria em muito a dieta dos filhos.

 

10
Set21

Risco de suicídio é três vezes maior em jovens homossexuais ou bissexuais

Niel Tomodachi

Os jovens homossexuais ou bissexuais têm uma probabilidade três vezes maior de cometer suicídio nalguma altura da sua vida, uma possibilidade que aumenta quando a família não aceita a sua orientação sexual, segundo dados hoje divulgados.

34222376.jpg

Os dados constam de um documento com 28 páginas da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), com o título 'Vamos falar sobre o suicídio', lançado a propósito do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, assinalado hoje.

"Um dos fatores que pode espoletar estes comportamentos de suicídio são de facto este desajustamento que a pessoa sente relativamente à aceitação da família quando há questões de orientação sexual ou de identidade de género", disse à agência Lusa Renata Benavente, da OPP.

A psicóloga explicou que, quando existem estas "dificuldades acrescidas, sobretudo nestas fases de desenvolvimento que são críticas, da estruturação da personalidade, de aceitação de si próprio", a situação agrava-se.

"A adolescência por si só, e os números mostram isso, já é uma fase difícil em que há um número crescente de suicídios. Se essas dificuldades que são expectáveis da adolescência se associam a outros fatores de risco, nomeadamente a identidade sexual, a não aceitação por parte da família da sua orientação sexual, todas essas dificuldades naturalmente vão aumentar o risco de suicídio", sublinhou.

No seu entender, é um grupo de jovens e de pessoas que deve merecer uma particular atenção.

Alertou também para "uma problemática muito preocupante" que é o suicídio entre a população mais jovem, a segunda causa de morte entre os jovens em todo o mundo entre os 15 e os 34 anos.

"A primeira {causa] são as mortes por acidente e a segunda é o suicídio, o que nos leva a refletir sobre porque é que os jovens estão a tomar este tipo de decisão de retirar a própria vida", sublinhou.

Em Portugal, o número de mortes por suicídio "é elevado", com as estatísticas mais recente a apontarem para três mortes por dia poe esta causa.

No mundo, morrem quase 800 mil pessoas por suicídio anualmente, o que corresponde aproximadamente a uma morte a cada 40 segundos.

"A maior parte das pessoas que morreu por suicídio sofria de problemas de saúde psicológica, nomeadamente depressão e consumo problemático de álcool", refere o documento.

Por outro lado, apontou Renata Valente, a investigação internacional também mostra que o número de tentativas é 25 vezes superior ao número de suicídios consumados.

"As tentativas de suicídio e os suicídios são um grande desafio em termos da saúde pública e resultam normalmente de situações de grande sofrimento emocional e têm um impacto muito importante, quer pela perda de vidas humanas", quer nos "sobreviventes".

"Cada suicídio pode deixar entre seis a 10 pessoas sobreviventes", como pais, irmãos, filhos, amigos, conhecidos, vizinhos, colegas da pessoa que morreu e profissionais de saúde, refere a publicação.

Sobre o documento, Renata Benavente explicou que o objetivo principal é abordar as temáticas do suicídio e promover a literacia em saúde, "ajudando a população em geral a identificar alguns sinais que possam remeter para alterações que indiciam um eventual comportamento desta natureza".

"Para muitas é apenas um escape para uma situação transitória que não se consegue lidar de uma forma mais impulsiva e se estivermos atentos a este tipo de indicadores poderemos realmente atuar no sentido de ajudar esta pessoa a aliviar este sofrimento interno e não consumar um ato desta natureza", salientou.

O documento debruça-se também sobre os motivos que podem conduzir ao suicídio, os fatores de risco e proteção, faz recomendações sobre o que se pode fazer e tem uma secção dedicada aos mitos e factos e outra aos sinais de alerta.

 

21
Ago21

Empatia dos adolescentes começa com relações seguras em casa

Estudo analisou relações de 174 adolescentes durante quatro anos.

Niel Tomodachi

naom_5e3bee2dbe849.jpg

Os adolescentes que têm uma relação próxima e segura com as suas famílias têm mais probabilidades de desenvolver empatia pelas outras pessoas, revela um estudo desenvolvido pelo departamento de psicologia da University of Virginia, nos Estados Unidos. 

Segundo precisa a investigação, os adolescentes que se sentem protegidos, apoiados e ligados afetivamente aos pais ou outros adultos responsáveis estão melhor equipados para sentir e expressar empatia. 

"Os adolescentes não gostam, geralmente, que lhes digam o que devem fazer e penso que não funciona dizer-lhes que devem ter empatia pelos outros. (...) O que funciona é verem empatia", afirmou Jessica Stern, a autor principal do estudo, em declarações à CNN. 

Para apurar a questão, a investigação analisou as relações entre pais e filhos de 174 adolescentes durantes quatro anos (dos 14 aos 18 anos) e depois observou as relações dos menores entre si. O estudo teve por base a teoria do apego, que defende que "a ideia de que todos os seres humanos têm necessidade de se relacionarem", mas que a qualidade das relações estabelecidas diferem e influenciam essa necessidade ao longo do tempo. 

A cientista social sublinhou ainda que, de acordo com outras pesquisas já realizadas, os adolescentes que são mais empáticos demonstram níveis baixos de agressividade e preconceito e têm menos probabilidades de serem 'bullys'. "Por isso é que é tão importante compreendermos de onde vem ou é construída a empatia", acrescentou. 

"Os resultados que obtivemos sugerem que, para promover empatia nos adolescentes, os pais precisam de expressá-la e estimulá-la", adiantou ainda a especialista. 

 

20
Ago21

Estudo revela que sestas curtas não chegam para recuperar de noites mal dormidas

Niel Tomodachi

Quando já se trata de privação de sono, a tal horinha de sono já não é solução. Mas não pense que isto é o fim das sestas.

f52e6078b4f2a322b20ca8290b60ab80-754x394.jpg

Antes de mais, é importante realçar: as sestas continuam a ter bons argumentos a seu favor. No entanto, um novo estudo vem confirmar que sestas mais curtas no dia seguinte não chegam para compensar os défices provocados por uma noite de privação de sono.

As conclusões resultam de um estudo de que o “Science Daily” dá conta, levado a cabo por um departamento da Universidade Estadual do Michigan, nos EUA, que se dedica precisamente ao estudo do sono.

O estudo foi originalmente publicado este mês de agosto na revista “Sleep”. Kimberly Fenn, e equipa de investigadores que liderou, procuraram saber se sestas curtas poderiam mitigar défices cognitivos causados pela privação de sono. “Descobrimos que sestas de 30 ou 60 minutos não mostram efeitos mensuráveis.”

O estudo levado a cabo juntou 275 participantes, entre os 18 e os 26 anos, que foram divididos em três grupos: um primeiro grupo teve direito a noite de sono descansada, em casa; um grupo não dormiu, ficando em privação de sono; e um grupo intermédio ficou em privação de sono no laboratório mas com oportunidade de fazer sestas de 30 ou 60 minutos.

Na noite antes do teste, todos os participantes levaram a cabo diferentes testes e tarefas cognitivas, que repetiriam no dia seguinte, já com as novas circunstâncias. Algumas diferenças foram notórias.

Quem teve uma noite descansada, sem privação de sono, mostrou também melhores resultados nas tais tarefas negativas. Os piores resultados foram de quem não teve direito a sequer uma sesta. Já o tal grupo intermédio, que ficou em privação de sono mas com direito a uma sesta, mostrou mais falhas nas tarefas cognitivas do que quem não teve privação de sono. Ainda assim houve dados curiosos.

As conclusões do estudo apontam para a possibilidade de sestas mais longas poderem já começar a compensar os défices cognitivos provocados pela privação de sono. E há aqui um elemento a ter em conta: o chamado sono de ondas lentas (“slow-wave sleep”, no original em inglês).

O nosso sono atravessa diferentes fases e a fase de slow-wave sleep é tida como a mais profunda e reparadora. E entre o tal grupo que não dormiu de noite mas teve direito a sesta, houve ligeiras melhorias, com menos 2 a 4 por cento de falhas nas tarefas cognitivas, a cada vez que se contabilizavam mais 10 minutos deste tipo de sono mais reparador durante as sestas.

Ainda há muito que estamos a aprender sobre o sono e as sestas em particular mas Kimberly Fenn, a autora do estudo, realça que estas conclusões abrem caminho a novas oportunidades de estudo sobre as sestas.

Em certos casos, destaca-se no estudo, podemos estar a falar de períodos de sesta maiores que podem salvar vidas. “Estes números até podem parecer pequenos, mas ao considerar os tipos de erros que podem ocorrer em funções que se veem privadas de sono, como cirurgiões, polícias ou camionistas, uma redução de 4 por cento nos erros pode potencialmente salvar vidas”, afirma a investigadora.

Na prática, o estudo não serve como argumento contra as sestas. Antes pelo contrário, aponta para a possibilidade de as sestas terem mesmo de ser maiores, quando já falamos de privação de sono, como confirma de diminuir o risco de erro em diferentes tarefas cognitivas.

 

04
Ago21

Detetados 15 novos biomarcadores para demência (e possíveis tratamentos)

Niel Tomodachi

Num estudo que envolveu mais de 13 mil pessoas, biomarcadores contribuíram para detetar um maior risco de demência até 20 anos antes da manifestação dos primeiros sintomas da doença degenerativa do cérebro, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.

naom_610a357de748b.jpg

Segundo um artigo publicado na revista Galileu, a beta amilóide (Aβ) e a tau são as proteínas mais conhecidas pela sua correlação a um risco aumentado de demência, no entanto não são as únicas.

Num estudo divulgado no jornal científico Alzheimer’s & Dementia: The Journal of the Alzheimer's Association e citado pela Galileu, investigadores descobriram 15 biomarcadores adicionais que, em testes que envolveram 13.657 pessoas, conseguiram prognosticar o declínio cognitivo e a consequente subida do risco de demência até duas décadas previamente à manifestação da patologia cerebral. 

O estudo investigou correlações entre aproximadamente cinco mil proteínas presentes no plasma sanguíneo e o risco de incidência da doença num grupo de doentes britânicos, cujas primeiras amostras de sangue foram recolhidas há mais de três décadas. Posteriormente, os dados apurados foram duplicados numa segunda coorte composta por norte-americanos.

Sendo que os investigadores mapearam 15 proteínas no plasma dos participantes associadas ao risco aumentado para demência, ainda nos estágios iniciais da degeneração neuronal. 

Segundo a pesquisa, refere a revista Galileu, essas proteínas estão associadas a um ou mais sistemas e processos biológicos, como em disfunções no sistema imunológico, na rutura da barreira hematoencefálica (BBB), em doenças vasculares e na resistência central à insulina. Enquanto outras (SAP3, NPS-PLA2, IGFBP-7, MIC-1, TIMP-4, OPG, TREM2 e pro-BNP N-) já foram relacionadas com demência em estudos de controle prévios, trata-se da primeira ocasião em que sete delas (SVEP1, HE4, CDCP1, SIGLEC-7, MARCKSL1, CRDL1 e RNAS6) são associadas à patologia degenerativa do cérebro. 

Os investigadores escreveram: "até onde sabemos, este é o maior estudo de todo o proteoma [conjunto de proteínas presentes em uma célula quando está sujeita a um estímulo] com resultados replicados em associações de longo prazo entre proteínas plasmáticas, declínio cognitivo e risco de demência até ao momento". 

"O nosso plano de pesquisa leva explicitamente em consideração a longa fase pré-clínica da demência, quando ela ainda pode ser evitada". 

O estudo publicado revelou ainda que seis das 15 proteínas detetadas podem ser alteradas com fármacos atualmente disponíveis, no entanto que não foram originalmente desenvolvidos para o tratamento da demência. Consequentemente, os especialistas sublinham que a utilização desses medicamentos para tratar a patologia terá que ser ainda avaliada. 

Joni Lindbohm, principal autor do estudo e investigador da Universidade de Helsinkin, na Finlândia, disse num comunicado emitido à imprensa, que a equipa irá agora analisar se as proteínas descobertas têm um associação causal com a demência e se são suscetíveis de modificação e drenagem. Lindbohm salienta que as duas fases serão cruciais para que o grupo consiga potencialmente encontrar novos alvos de fármacos para a prevenção da demência. 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que em todo o mundo existam 47.5 milhões de pessoas com demência. 

Em Portugal, tendo como referência os dados da Alzheimer Europe, avalia-se que existam mais de 193 mil e 500 pessoas que sofram da doença. 

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Quotes:

“How wonderful it is that nobody need wait a single moment before starting to improve the world.” ― Anne Frank

Pesquisar

Nelson's bookshelf: currently-reading

Alfie - O Gato do Bairro
tagged: currently-reading

goodreads.com

2022 Reading Challenge

2022 Reading Challenge
Nelson has read 0 books toward his goal of 50 books.
hide

Arquivo

    1. 2022
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D

Afiliado Wook

WOOK - www.wook.pt

Comunidade Bertand

Afiliado Miniso

Read the Printed Word!

Em destaque no SAPO Blogs
pub