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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

09
Nov22

Novo estudo mostra que 86% dos portugueses querem semana de trabalho de 4 dias

Niel Tomodachi

O inquérito da Coverflex, startup que opera na área dos benefícios aos trabalhadores, contou com mais de 1400 participantes.

As semanas de trabalho com apenas quatro dias já se estão a popularizar pela Europa. Em Portugal, o governo já começa a discutir esta ideia, pretendendo implementar um modelo de teste em 2023. Esta decisão é bastante apoiada pelos portugueses. Segundo um estudo da Coverflex, uma startup que opera na área dos benefícios aos trabalhadores, 86 por cento dos 1.438 inquiridos referiu que gostava de ter uma semana de trabalho reduzida.

Além disso, 62,1 por cento gostariam que as 40 horas obrigatórias de trabalho fossem concentradas em apenas quatro dias. Já 23,9 por cento mostraram interesse em semanas de 32 horas, mesmo que isso implicasse um corte nos salários. Dos inquiridos, apenas 14 por cento preferiram que nada fosse alterado.

O estudo da Coverflex foi realizado entre 14 de setembro e 4 de outubro. 46,5 por cento dos questionados têm idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos. 51,1 por cento são do sexo feminino e, na sua maioria, da região de Lisboa (41,7 por cento). São principalmente trabalhadores na área das Tecnologias de Informação e Desenvolvimento de Software, podendo então não representar completamente a sociedade portuguesa.

Após a pandemia, houve um aumento no modelo de trabalho híbrido (ou seja, dividido entre teletrabalho e presencial). 47,1 por cento dos inquiridos segue este modelo. 29,5 por cento tem apenas regime presencial e 23,4 por cento remoto. Os funcionários entre os 55 e os 64 anos são aqueles que mais trabalham presencialmente. Houve um aumento no regime presencial face ao ano passado — passou de 20,3 por cento para 29,5 por cento.

É em Lisboa que o modelo híbrido é mais popular. Segundo o estudo, 57,6 por cento da população inquirida segue este estilo de trabalho. A dimensão das empresas para as quais trabalham também tem um impacto no regime escolhido. “Mais de quatro em cada dez colaboradores a trabalhar em equipa de 1 a 10 colaboradores trabalham a partir do escritório da empresa. Esta percentagem vai diminuindo na proporção do aumento da dimensão da equipa”, acrescenta o estudo. Apenas 26,5 por cento dos trabalhadores em empresas com mais de 500 funcionários trabalham presencialmente.

A Coverflex adianta que apesar de um terço dos inquiridos trabalhar em regime remoto, 76,2 por cento dos mesmos não recebe qualquer apoio por trabalharem fora do escritório. “Considerando os cerca de 20 por cento que têm, no seu pacote de compensação, um budget para trabalho híbrido ou remoto, a maioria afirma ter um orçamento anual de até 250€ para o efeito. Apenas 17 participantes neste estudo dizem ter mil euros ou mais de orçamento anual para despesas relacionadas com o trabalho fora do escritório”.

O estudo também teve em atenção a atual diversidade no mercado de trabalho. Os homens representam entre 50 a 75 por cento dos colaboradores das empresas onde trabalham — ou seja, apenas cerca de 30 por cento dos funcionários são mulheres.

 

29
Ago22

Se o desperdício alimentar fosse um país, estaria entre os 7% mais ricos

Niel Tomodachi

Estudo revela que "um terço dos alimentos do mundo é perdido ou desperdiçado todos os anos".

Se o desperdício alimentar fosse um país, estaria entre os 7% mais ricos

Se o desperdício alimentar fosse um país, estaria no topo dos 7% mais ricos do mundo, de acordo com o estudo 'Closing the Food Waste Gap', da Boston Consulting Group (BCG), divulgado esta segunda-feira. A análise estima que se percam 1,5 biliões de dólares (cerca de 1,5 biliões de euros) em alimentos desperdiçados em 2030. 

"Isto significa que, se o desperdício alimentar fosse um país, estaria no topo dos 7% mais ricos pelo seu PIB e seria o terceiro maior emissor de gases de efeito de estufa", pode ler-se num comunicado a que o Notícias ao Minuto teve acesso. 

Ora, em termos de desperdício alimentar por agregado familiar, a média global situa-se em cerca de 75kg por ano, revela o mesmo estudo.

"Estima-se que um terço dos alimentos do mundo é perdido ou desperdiçado todos os anos. Nos países de rendimentos baixos a médios, o problema trata-se sobretudo da perda alimentar, uma vez que os alimentos não chegam a sair das fases de produção e de transporte. No entanto, o problema do desperdício ocorre sobretudo entre retalhistas e consumidores e, por isso, é mais premente em países em que o rendimento é mais elevado", pode ler-se no mesmo comunicado. 

Para ajudar a explicar a perda e o desperdício ao longo da cadeia de valor, a BCG dá o seguinte exemplo: "Começando com um total de 10 milhões de maçãs, 13% serão perdidas na fase de produção e 6% perdidas em armazém, no manuseamento e no transporte, o que significa que, apenas nas duas primeiras fases da cadeia, se perdem cerca de 2 milhões de maçãs. Acresce que 1% será ainda perdido na fase de processamento e embalamento, 6% no processo de distribuição e retalho, e 8% será desperdiçado pelos consumidores finais".

Segundo o estudo, estes dados "significam que cerca de um terço das maçãs iniciais será perdida ou desperdiçada, o que, neste caso, equivaleria a 3,4 milhões de maçãs que se perdem entre o local de cultivo e a mesa dos consumidores".

"O primeiro passo para encontrar soluções para resíduos alimentares é compreender exatamente como e onde estes ocorrem. A resposta é complexa, dependendo da região, do tipo de alimentos, entre muitos outros fatores", diz José Ferreira, managing partner da BCG em Portugal, citado no mesmo comunicado.

 

22
Jul22

Alterações climáticas vão afetar os cavalos-marinhos, diz novo estudo português

Niel Tomodachi

As altas temperaturas irão elevar os custos energéticos da espécie e diminuir a sua condição corporal.

Não é segredo que as alterações climáticas estão a afetar tanto os humanos, quanto os animais, em especial, os marinhos. Um estudo realizado por uma equipa de investigadores do MARE-ISPA, que chegou ao fim esta terça-feira, 19 de julho, visou analisar o aquecimento dos oceanos e o seu impacto no comportamento e fisiologia do cavalo-marinho-de-focinho-comprido.

A sede da pesquisa foi o Biotério de Organismos Aquáticos do Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida (ISPA). A instalação acolheu 22 espécies retiradas da Reserva Natural do Estuário do Sado, um dos maiores estuários da Europa.

Durante dois meses, a espécie foi exposta a temperaturas diversas, entre os 18 e os 24 graus, sendo a última a temperatura prevista para o final deste século. Foram analisados as taxas de ingestão e o sistema reprodutor dos cavalos-marinhos, e as conclusões indicaram que os peixes terão custos energéticos elevados e uma diminuição na sua condição corporal.

“Apesar dos cavalos-marinhos terem resiliência térmica e capacidade de adaptação a curto prazo, o gasto de energia que a exposição a temperaturas mais elevadas pode acarretar, a médio-longo prazo, poderá trazer consequências ao nível do crescimento e sobrevivência da espécie”, explicou a coordenadora do estudo, Ana Margarida Faria, num comunicado publicado pelo ISPA.

Nos últimos anos, os cavalos-marinhos-de-focinho-comprido têm apresentado um declínio acentuado em Portugal, de acordo com a página oficial da espécie no Oceanário de Lisboa. Entre os principais problemas de conservação, está a sua captura para, posteriormente, serem vendidos como lembranças.

Gonçalo Silva, investigador do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), frisou a importância da recolha de dados para “que se possam tomar decisões e aplicar medidas de mitigação e de conservação, com base científica”. Os cavalos-marinhos analisados no estudo foram devolvidos “sãos e salvos” ao estuário na quarta-feira, 20 de julho.

 

11
Abr22

A ciência explica por que razão o olhar dos cães nos derrete o coração

Niel Tomodachi

Um novo estudo realizado nos Estados Unidos explica o irresistível “puppy-dog eyes”. E às vezes até parece chantagem.

Não resiste ao olhar do seu cão quando ele implora por um snack? Não se preocupe. Há um motivo e a ciência explica-o. Um estudo apresentado esta semana revela as principais características anatómicas que podem explicar o que torna os rostos dos cães tão atraentes, e admite que os humanos podem ter contribuído para a capacidade de os cães formarem expressões faciais.

“O vínculo que os cães conseguem estabelecer com os humanos é único e diferente do de todos os outros mamíferos. Este vínculo pode ser demostrado através do olhar mútuo, algo que não observamos entre humanos e outros mamíferos domesticados, como cavalos ou gatos”, começa por explicar a autora do estudo Anne Burrows, professora do departamento de fisioterapia na Universidade de Duquesne em Pittsburgh, nos Estados Unidos.

A investigação realizada pela equipa de Burrows “fornece uma compreensão mais profunda do papel que as expressões faciais desempenham nas interações e comunicação entre cães e humanos”.

Burrows comparou as fibras de miosina em amostras de músculos faciais de lobos e cães domesticados. E os resultados revelaram que, assim como os humanos, cães e lobos têm músculos faciais dominados por fibras de contração rápida, mas os lobos têm uma percentagem maior de fibras de contração lenta em relação aos cães.

“Essas diferenças sugerem que ter fibras musculares mais rápidas contribui para a capacidade de um cão comunicar efetivamente com as pessoas”, revela o estudo. “Ao longo do processo de domesticação, os humanos podem ter criado cães com base em expressões faciais semelhantes às suas, e com o tempo os músculos dos cães podem ter evoluído para se tornarem ‘mais rápidos’, beneficiando ainda mais a comunicação entre cães e humanos”.

Ao terem mais fibras de contração rápida, os cães têm uma maior mobilidade facial e movimentos musculares mais rápidos, que lhes permitem pequenos movimentos, como uma sobrancelha levantada, como pode ver na imagem seguinte, da autoria da própria Anne Burrows:

À esquerda temos um lobo cinzento selvagem e à direita um Cão da Montanha de Berna. As setas vermelhas indicam o músculo levantador do ângulo dos olhos, um músculo não encontrado no lobo cinzento que suporta a comunicação do olhar entre cães e humanos.

 

17
Fev22

Uma em cada quatro mulheres já sofreu violência doméstica, revela estudo mundial

Niel Tomodachi

Pesquisa inédita reúne relatos de mulheres de 161 países e mostra que 24% das mulheres sofrem agressão desde os 15 anos

Manifestante segura cartaz de "Basta" durante protesto contra violência contra a mulher em La Paz, capital da Bolívia (31-1-22). Foto: JORGE BERNAL / AFP

Ao menos uma em cada quatro mulheres já sofreu algum tipo de violência por parte do parceiro ao longo da vida. São casos de violência física ou sexual que também se revelam recentes: 13% dos episódios aconteceram em 2018, último ano incluído em um estudo mundial encomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e publicado na revista científica “The Lancet”.

A pesquisa reuniu informações de um banco de dados global da OMS sobre prevalência da violência contra as mulheres, que reúne pesquisas realizadas em 161 países entre os anos de 2000 e 2018 (últimos dados disponíveis). A análise dos relatos indica que 27% das mulheres com idades entre 15 e 49 sofreram violência doméstica pelo menos uma vez na vida, com uma a cada sete (13%) sofrendo episódios em 2018.

Como as estimativas são baseadas em experiências relatadas pelas próprias mulheres, e considerando que o tema ainda é tabu em muitos países, a verdadeira prevalência de violência, lembra o estudo, provavelmente é ainda maior.

A experiência deixa marcas na saúde física e mental das mulheres – e também de crianças e famílias em todo o mundo. E muitas vezes começa cedo. A pesquisa identificou altos níveis de violência vivenciados por adolescentes e mulheres jovens: 24% das mulheres de 15 a 19 anos foram agredidas ao menos uma vez pelos parceiros desde os 15 anos. 

A prevalência de violência recente também foi maior entre essa mesma faixa etária. Uma em cada seis adolescentes de 15 a 19 anos e de mulheres jovens de 20 a 24 anos sofreu violência doméstica em 2018.

— O alto número de mulheres jovens que sofrem violência por parte do parceiro é alarmante, pois a adolescência e o início da vida adulta são fases importantes da vida, quando são construídas as bases para relacionamentos saudáveis. A violência que essas jovens sofrem tem impactos duradouros em sua saúde e bem-estar — explica Lynnmarie Sardinha, principal autora do artigo.

O estudo também faz um recorte geográfico e mostra que, em geral, países de renda mais alta apresentam taxas mais baixas de violência doméstica. A prevalência de violência contra a mulher de 15 a 49 anos foi mais alta na Oceania (49%) e na África Subsaariana Central (44%). Por outro lado, foi mais baixa na Ásia Central (18%) e na Europa Central (16%).

 

Piora na pandemia

Os dados foram colhidos antes da pandemia da Covid-19, mas o estudo reforça que outras pesquisas recentes mostram como fatores como isolamento, depressão e ansiedade e uso de álcool, além da redução de acesso a serviços de ajuda na pandemia, agravaram os casos de violência contra as mulheres.

Além de expor a dimensão mundial do problema, o estudo pretende oferecer dados de base para ajudar os governos de diferentes países a monitorar e estabelecer políticas públicas de prevenção e combate à violência contra a mulher. A pesquisa avalia que os governos ainda não estão agindo para cumprir as metas de erradicação de violência contra as mulheres e que é urgente tomar ações. O tema é parte da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável.

 — Embora tenha havido progresso nos últimos 20 anos, ainda é extremamente insuficiente para alcançar a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de eliminar a violência contra as mulheres até 2030 — disse a coautora do estudo, Claudia García-Moreno, da OMS.

 

16
Fev22

Estudo revela que mais de metade da população portuguesa não lê livros

Niel Tomodachi

Mais de metade dos portugueses não lê livros, uma realidade que está fortemente associada à educação, já que muitos não têm memória de os pais alguma vez os terem levado a uma livraria ou lhes terem oferecido um livro.

Estudo revela que mais de metade da população portuguesa não lê livros

As conclusões constam de um inquérito às práticas culturais dos portugueses, realizado nos últimos meses de 2020 pelo Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, com financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), e hoje apresentado na capital.

Trata-se da primeira vez que é feito em Portugal "um amplo levantamento à escala nacional das práticas culturais dos portugueses em vários domínios da cultura", destacou o administrador da FCG, Guilherme de Oliveira Martins, afirmando que este estudo nasceu precisamente da necessidade de conhecer esta realidade, da necessidade de ter um "ponto de partida".

No que respeita aos hábitos de leitura, o inquérito revelou que, nos últimos 12 meses anteriores ao inquérito, 61% dos portugueses não leram um único livro em papel, e, dos 39% que afirmavam ter lido, a maioria leu pouco.

Quando questionados sobre a leitura de livros digitais, a percentagem desce ainda mais, com apenas um em cada dez inquiridos a responder que leu nesse suporte.

Segundo o estudo, o universo de quem leu constitui-se maioritariamente por pequenos leitores (27%, que leram entre 1 e 5 livros impressos), seguidos de médios leitores (7%, que leram entre 6 e 20 livros) e grandes leitores (apenas 1% leu mais do que 20 livros num ano).

A mesma relação se encontra entre a população leitora de livros digitais: 5% de pequenos leitores, 1% de médios leitores e 0% de grandes leitores.

Estes dados revelam uma descida nos hábitos de leitura face a 2007, de acordo com o "Inquérito à Leitura" realizado nesse ano, que registava uma percentagem de 55% de leitores de livros impressos.

Contudo, o "Inquérito às Práticas Culturais dos Portugueses 2020" chama a atenção para o facto de aquele estudo ter excluído as regiões autónomas, de a amostragem ter sido diferente e de o formato da pergunta de aferição dos leitores de livros impressos também ter sido distinto. Em contrapartida, o "Inquérito à Ocupação do Tempo", realizado em 1999 pelo Instituto Nacional de Estatística, "indicava apenas 31% de leitores de livros em papel".

As conclusões do presente estudo apontam igualmente para a existência de uma relação entre a educação e os hábitos de leitura, já que, na sua infância e adolescência, a maioria dos inquiridos não beneficiou de estímulos à leitura gerados em contexto familiar.

De acordo com os dados divulgados, a grande maioria dos inquiridos assume que os pais nunca os levaram a uma livraria (71%), a uma feira do livro (75%) ou a uma biblioteca (77%).

Por outro lado, 47% assumem que os pais nunca lhes ofereceram um livro e 54% afirmam que nunca lhes leram um livro de histórias.

No entanto, os mais jovens e aqueles cujos pais têm ou tinham qualificações académicas superiores reconhecem mais frequentemente esse apoio familiar, "dados que denunciam a persistência de assimetrias sociais na criação de hábitos de leitura, mas também sinalizam uma mudança": "a democratização do acesso à educação potencia ganhos culturais nas gerações sucessoras".

Um dos coordenadores do estudo, o investigador José Machado Pais, destaca a este propósito que "as práticas culturais se associam bastante às práticas de leitura", ou seja, um leitor de livros tem uma maior propensão a desenvolver outras práticas culturais, "de onde todos os investimentos feitos na sensibilização, no interesse pela leitura, como o Plano Nacional de Leitura são bem vindos".

"Todas as iniciativas tomadas em contexto escolar, familiar, associativo, nos media, todos são muito bem vindos, porque fomentar o interesse pela leitura significa fomentar o interesse pela cultura em lato senso", sublinhou.

Ainda sobre o papel da escola (com as visitas de estudo e os programas de incentivo à leitura, por exemplo), o responsável assinalou a sua relevância em contextos em que os jovens não beneficiam de socializações de âmbito cultural em contexto familiar.

Quanto às idades, é entre os mais jovens que se encontram maiores hábitos de leitura de livros impressos: 44% tinham entre 15 e 24 anos, 46% tinham entre os 25 e os 34 anos, 44% entre 35 e 44 anos, 33% andavam na casa dos 45-54 anos, 31% tinham de 55 a 64 anos, e 22% tinham 65 ou mais.

Proporção semelhante foi encontrada entre leitores de livros digitais, embora com índices muito inferiores, que oscilaram entre 17% e 1%.

Avaliando a relação entre as práticas de leitura e o grau de ensino são tanto maiores quanto o nível de escolaridade, atingindo os 68% entre os inquiridos com o ensino superior.

No que respeita às motivações de leitura, 68% dos inquiridos afirmam ler livros "por prazer", uma percentagem que se eleva entre os mais idosos e os de mais baixa instrução, já que "os que menos prazer retiram da leitura (43%) são os jovens dos 15 aos 24 anos, precisamente os que mais leem para estudar ou realizar trabalhos escolares (45%)".

As escolhas de leitura são fortemente influenciadas pelas redes sociais, com 43% das recomendações a surgirem dos círculos da família, amigos e colegas de trabalho; 16% de comentários de amigos nas redes sociais; e 10% de 'sites' e de redes sociais especializados na leitura e avaliação de livros.

O estudo revela ainda que as classes com inquiridos que mais livros leem são as que têm uma prevalência de jovens e de estudantes que também consomem bastante televisão e Internet, sobressaindo "uma forte associação entre práticas de leitura e usos de Internet de pendor cultural".

A este propósito, José Machado Pais referiu que há quem defenda que o aumento da oferta cultural em espaços digitais pode aumentar os níveis de práticas culturais, mas lembrou que 29% dos portugueses "estão desconectados", pelo que a medida teria "impacto zero" nesta faixa, e que há uma percentagem significativa que usa diariamente a Internet, mas não para atividades culturais.

Por isso, considera que tal medida poderia apenas "diversificar e ampliar os hábitos culturais de quem já os tem".

Os impulsos à leitura surgem, ainda, da exposição dos livros nas livrarias (17%) e das críticas em jornais ou revistas (16%), acrescenta o estudo.

O inquérito procurou também saber quais as preferências dos leitores quanto ao género literário, concluindo que o romance é o mais procurado, por 46% dos inquiridos -- logo seguido de História, com 24% -, e o Teatro, o menos lido, com apenas 2% de leitores habituais.

Outra conclusão a que o inquérito chegou foi que a procura pelo género "romance" aumenta com a idade, de forma inversamente proporcional à procura de livros de "crime, 'thriller' ou mistério", lidos predominantemente pelos mais jovens.

A poesia é o género em que os seus leitores assíduos se repartem entre os mais velhos (a partir dos 55 anos) e os mais jovens de todos (entre os 15 e os 24 anos).

Os livros de História encontram-se principalmente entre os portugueses de idade mais avançada, ao passo que o romance, os livros técnico-científicos e os de ficção científica envolvem mais leitores entre os 35 e os 44 anos.

O local preferencial para a leitura é a casa, com 98% de respostas, seguida da escola (9%), do local de trabalho (8%), de cafés (5%), transportes (4%) e bibliotecas (3%).

O inquérito foi realizado entre 12 de setembro e 28 de dezembro de 2020 a um universo de 2000 inquiridos com 15 ou mais anos de idade, residentes em Portugal continental e regiões autónomas.

O estudo foi coordenado por José Machado Pais, Pedro Magalhães e Miguel Lobo Antunes, numa equipa ainda composta por Emanuel Cameira, Jorge Rodrigues da Silva, Rui Telmo Gomes, Teresa Duarte Martinho, Tiago Lapa e Vera Borges, e tem como objetivo oferecer aos decisores políticos, às instituições culturais, aos seus gestores e aos artistas, "informação precisa para se compreender as práticas culturais dos portugueses".

 

31
Out21

Estudo: 9% dos portugueses já seguem uma dieta veggie

Niel Tomodachi

De acordo com o estudo ‘The Green Revolution Portugal’ realizado em 2019 pela consultora espanhola Lantern (o primeiro estudo realizado a nível nacional sobre a realidade veggie), os portugueses estão a mudar os seus hábitos alimentares.

Segundo a pesquisa, existem 764 mil adultos que seguem uma dieta veggie, o que corresponde a 9% da população. 45% dos portugueses afirma ter reduzido ou eliminado o consumo de carne vermelha e 54% diz ter reduzido ou eliminado por completo o consumo de enchidos. Para além disso, é nas camadas mais jovens (18-24 anos) que se concentra o maior número de veganos e vegetarianos. Preocupação com a saúde e cuidado com o ambiente estão entre as principais razão para a adoção de uma dieta com mais plantas e menos animais.

No entanto e ainda segundo esta análise, um em cada três veggies admite ser complicado ou muito complicado encontrar pratos adequados à sua dieta fora de casa, sendo que o grau de insatisfação com os produtos substitutos disponibilizados pelo mercado é superior a 55%, demonstrando que há ainda um longo caminho a percorrer e um universo de inúmeras oportunidades.

 

11
Set21

Como ser uma mãe ‘cool’. É isto que os filhos mais valorizam

Niel Tomodachi

Enquanto a maioria das mães crê que os miúdos as apreciam pela comida que oferecem, na verdade o que as crianças mais valorizam é a ajuda nos trabalhos da escola. Veja também o que as crianças menos gostam de ver as progenitoras fazer.., em público

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Um estudo norte-americano revela atitudes e decisões que, aos olhos dos filhos, transformam as mães em pessoas interessantes. E se metade das progenitoras se preocupa com a forma como os filhos as veem, fica também claro o que não devem fazer para que o contrário não tenha lugar.

De acordo com o inquérito norte-americano citado pela OnePoll e que auscultou duas mil mães dos Estados Unidos da América com crianças entre os três e os 18 anos, quase metade (42%) fica zangado se as mães usarem, diante dos amigos, o diminutivo que é usado em casa. Quatro em cada dez não gosta de ouvir a progenitora a gritar pelo nome dos filhos em competições desportivas ou a dançar em público. Se o fizerem, o mais provável é ver as crianças a menear a cabeça.

Mas se metade da amostra considera que os filhos valorizam mais a comida, a verdade é que a análise encomendada pela revista de refeições saudáveis Sunset aponta outra direção: três em cada cinco miúdos diz que uma mãe “porreira” é aquela que ajuda nos trabalhos da escola e nas obrigações domésticas.

Relativamente à alimentação saudável, as inquiridas revelaram recorrer a truques como tornar a comida mais colorida (47%) ou apresentada sob formas originais (48%), e tudo isto para levar os filhos a ingerir alimentos de melhor qualidade. Mais de metade das entrevistadas reconheceu que as crianças ingerem refeições mais trabalhadas e sofisticadas do que as que preparam para elas próprias.

Relativamente a propostas alimentares, refere a análise que mais de seis mães em cada dez embalam frutas para um lanche, mais de metade apresenta batatas fritas e 46% diz dar vegetais. A maioria sonha poder integrar frutos vermelhos no cardápio infantil e juvenil por considerarem que melhoraria em muito a dieta dos filhos.

 

10
Set21

Risco de suicídio é três vezes maior em jovens homossexuais ou bissexuais

Niel Tomodachi

Os jovens homossexuais ou bissexuais têm uma probabilidade três vezes maior de cometer suicídio nalguma altura da sua vida, uma possibilidade que aumenta quando a família não aceita a sua orientação sexual, segundo dados hoje divulgados.

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Os dados constam de um documento com 28 páginas da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), com o título 'Vamos falar sobre o suicídio', lançado a propósito do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, assinalado hoje.

"Um dos fatores que pode espoletar estes comportamentos de suicídio são de facto este desajustamento que a pessoa sente relativamente à aceitação da família quando há questões de orientação sexual ou de identidade de género", disse à agência Lusa Renata Benavente, da OPP.

A psicóloga explicou que, quando existem estas "dificuldades acrescidas, sobretudo nestas fases de desenvolvimento que são críticas, da estruturação da personalidade, de aceitação de si próprio", a situação agrava-se.

"A adolescência por si só, e os números mostram isso, já é uma fase difícil em que há um número crescente de suicídios. Se essas dificuldades que são expectáveis da adolescência se associam a outros fatores de risco, nomeadamente a identidade sexual, a não aceitação por parte da família da sua orientação sexual, todas essas dificuldades naturalmente vão aumentar o risco de suicídio", sublinhou.

No seu entender, é um grupo de jovens e de pessoas que deve merecer uma particular atenção.

Alertou também para "uma problemática muito preocupante" que é o suicídio entre a população mais jovem, a segunda causa de morte entre os jovens em todo o mundo entre os 15 e os 34 anos.

"A primeira {causa] são as mortes por acidente e a segunda é o suicídio, o que nos leva a refletir sobre porque é que os jovens estão a tomar este tipo de decisão de retirar a própria vida", sublinhou.

Em Portugal, o número de mortes por suicídio "é elevado", com as estatísticas mais recente a apontarem para três mortes por dia poe esta causa.

No mundo, morrem quase 800 mil pessoas por suicídio anualmente, o que corresponde aproximadamente a uma morte a cada 40 segundos.

"A maior parte das pessoas que morreu por suicídio sofria de problemas de saúde psicológica, nomeadamente depressão e consumo problemático de álcool", refere o documento.

Por outro lado, apontou Renata Valente, a investigação internacional também mostra que o número de tentativas é 25 vezes superior ao número de suicídios consumados.

"As tentativas de suicídio e os suicídios são um grande desafio em termos da saúde pública e resultam normalmente de situações de grande sofrimento emocional e têm um impacto muito importante, quer pela perda de vidas humanas", quer nos "sobreviventes".

"Cada suicídio pode deixar entre seis a 10 pessoas sobreviventes", como pais, irmãos, filhos, amigos, conhecidos, vizinhos, colegas da pessoa que morreu e profissionais de saúde, refere a publicação.

Sobre o documento, Renata Benavente explicou que o objetivo principal é abordar as temáticas do suicídio e promover a literacia em saúde, "ajudando a população em geral a identificar alguns sinais que possam remeter para alterações que indiciam um eventual comportamento desta natureza".

"Para muitas é apenas um escape para uma situação transitória que não se consegue lidar de uma forma mais impulsiva e se estivermos atentos a este tipo de indicadores poderemos realmente atuar no sentido de ajudar esta pessoa a aliviar este sofrimento interno e não consumar um ato desta natureza", salientou.

O documento debruça-se também sobre os motivos que podem conduzir ao suicídio, os fatores de risco e proteção, faz recomendações sobre o que se pode fazer e tem uma secção dedicada aos mitos e factos e outra aos sinais de alerta.

 

21
Ago21

Empatia dos adolescentes começa com relações seguras em casa

Estudo analisou relações de 174 adolescentes durante quatro anos.

Niel Tomodachi

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Os adolescentes que têm uma relação próxima e segura com as suas famílias têm mais probabilidades de desenvolver empatia pelas outras pessoas, revela um estudo desenvolvido pelo departamento de psicologia da University of Virginia, nos Estados Unidos. 

Segundo precisa a investigação, os adolescentes que se sentem protegidos, apoiados e ligados afetivamente aos pais ou outros adultos responsáveis estão melhor equipados para sentir e expressar empatia. 

"Os adolescentes não gostam, geralmente, que lhes digam o que devem fazer e penso que não funciona dizer-lhes que devem ter empatia pelos outros. (...) O que funciona é verem empatia", afirmou Jessica Stern, a autor principal do estudo, em declarações à CNN. 

Para apurar a questão, a investigação analisou as relações entre pais e filhos de 174 adolescentes durantes quatro anos (dos 14 aos 18 anos) e depois observou as relações dos menores entre si. O estudo teve por base a teoria do apego, que defende que "a ideia de que todos os seres humanos têm necessidade de se relacionarem", mas que a qualidade das relações estabelecidas diferem e influenciam essa necessidade ao longo do tempo. 

A cientista social sublinhou ainda que, de acordo com outras pesquisas já realizadas, os adolescentes que são mais empáticos demonstram níveis baixos de agressividade e preconceito e têm menos probabilidades de serem 'bullys'. "Por isso é que é tão importante compreendermos de onde vem ou é construída a empatia", acrescentou. 

"Os resultados que obtivemos sugerem que, para promover empatia nos adolescentes, os pais precisam de expressá-la e estimulá-la", adiantou ainda a especialista. 

 

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