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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

15
Jun21

Museu de Lamas recebe uma tonelada de lixo para reflexão ambiental

Niel Tomodachi

O Museu de Santa Maria de Lamas abre no próximo sábado o festival BasqueirArt, que dispôs uma tonelada de lixo por várias salas desse equipamento cultural do concelho de Santa Maria da Feira, para refletir sobre sustentabilidade ambiental.

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O evento constitui uma extensão do festival de música Basqueiral, que desde 2017 se realiza anualmente nesse mesmo município do distrito de Aveiro e que este ano privilegia um formato temporalmente mais alargado, evitando concentrações de público ao propor, até final de agosto, 13 concertos, oito sessões de cinema, seis instalações artísticas, quatro residências, quatro espetáculos, uma exposição de fotografia, um mural de arte urbana e uma intervenção comunitária em mobiliário público.

A coordenação do programa BasqueirArt é partilhada entre o Museu de Lamas e a associação cultural Basqueiro, que escolheram a sustentabilidade ambiental como tema da edição de 2021 por considerarem que essa é "uma questão incontornável da atualidade" e defenderem que a abordagem artística dessa temática funciona como "um meio de consciencialização e debate de ideias".

Foi por isso que Susana Ferreira, diretora do Museu de Lamas, aceitou que "cerca de uma tonelada de lixo" fique a decorar diferentes salas desse espaço ao longo de dois meses. "Como estamos a viver uma pandemia, tínhamos que arrojar e decidimos apresentar instalações efémeras com recurso a lixo limpo, para motivar uma reflexão e discussão em torno de questões ambientais muito prementes", declarou à Lusa.

Um dos cenários das sete criações com resíduos, assinadas por diferentes autores, é a ala do museu dedicada à arte sacra, agora transformada com detritos sobretudo de plástico e cartão, mas incluindo também têxteis, brinquedos e peças informáticas. Todos esses materiais em fim de vida foram recolhidos ao longo de meses por diversos grupos da comunidade local e, entretanto, devidamente tratados para poderem partilhar o espaço ocupado pela habitual coleção do museu.

"Houve lixo que chegou a ir à máquina de lavar, para nunca se colocar em causa a conservação e a preservação do espólio integrado na nossa exposição permanente", realça Susana Ferreira.

Essas instalações definem um circuito que serve de preâmbulo à exposição do fotógrafo Mário Cruz, que já foi premiado duas vezes no âmbito do concurso mundial World Press Photo, e cuja última distinção nesse âmbito foi precisamente pela visão social e ambiental que proporcionou do rio Pasig, em Manila, nas Filipinas, onde a acumulação de lixo na água é de tal forma extrema, que se chega a poder caminhar sobre os resíduos.

São imagens da realidade em torno desse rio, declarado biologicamente morto em 1990, que o fotojornalista da agência Lusa exibirá em Lamas na mostra 'Living among what's left behind/Vivendo entre o que é deixado para trás', que já esteve patente em Roma, Bruxelas e Macau, assim como no Palácio Anjos, em Algés, junto a Lisboa, tendo sido considerada o Melhor Trabalho de Fotografia de 2020, pela Sociedade Portuguesa de Autores.

Com opções de entrada livre e outras a preços até 5 euros, a restante programação do BasqueirArt 2021 integra ainda concertos por artistas como Ana Deus e Indignu, sessões de curtas e longas-metragens da 26.ª edição do CineEco Seia - Festival Internacional de Cinema Ambiental e a criação de um mural de arte urbana por Daniel Eime, entre outras iniciativas.

04
Jun21

Ai Weiwei em Lisboa. Cortiça, mármore e ativismo pelos direitos humanos

Niel Tomodachi

Peças inéditas em cortiça e mármore portugueses convivem com outras, icónicas, quase todas marcadas pelo forte ativismo pelos direitos humanos, na maior exposição de sempre realizada pelo artista chinês Ai Weiwei, que inaugura na sexta-feira, em Lisboa.

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Numa conferência de imprensa com visita guiada aos jornalistas à exposição de 85 obras, que ficará até 28 de novembro deste ano na Cordoaria Nacional, em Belém, Ai Weiwei falou dos seus temas de eleição, e da experiência de vida em Portugal, onde reside, numa propriedade rural em Montemor-o-Novo, desde o ano passado.

Na sensibilidade do artista convivem o gosto pelas coisas simples - como a natureza e os animais da sua herdade alentejana - e toda a tragédia humana expressa na sua obra plástica e audiovisual, onde estão patentes a indignação e a denúncia sobre a crise ambiental, a guerra, os refugiados, a censura, a perseguição política, o exílio, as restrições à liberdade e a pobreza no mundo.

"O meu trabalho tornou-se relevante porque passei por imensas dificuldades. Mas continuo sempre a trabalhar com a minha consciência", disse o artista chinês aos jornalistas na conferência de imprensa da exposição "Rapture", na Cordoaria Nacional.

As obras de Ai Weiwei apresentadas nesta primeira exposição individual em Portugal -- e a maior de sempre, disse - revelam o perfil do artista e ativista dissidente chinês, mundialmente reconhecido como um dos mais influentes, interventivos e criativos nomes da arte contemporânea, eleito o artista mais popular do mundo em 2020 pela publicação internacional The Art Newspaper.

Ai Weiwei nasceu em 1957, em Pequim, e tem trabalhado há décadas sobretudo na área do documentário e artes visuais, mantendo uma postura crítica sobre a China em questões de direitos humanos, mas também em todos os lugares onde existem refugiados ou perseguidos por questões políticas.

À entrada da Cordoaria, o visitante é recebido por uma gigantesca cobra ondulante colocada no teto do edifício, que aponta as duas alas por onde se estende a exposição, com instalações e esculturas em grande, média e pequena escala, assim como vídeos/filmes e fotografias.

"Snake Ceiling" (2009) é o título desta peça em forma de cobra, uma grande instalação constituída por centenas de mochilas de crianças, em memória aos estudantes mortos no terramoto de Sichuan, em 2008.

Também foram incluídas outras peças icónicas do artista como "Circle of Animals" (2010), na qual Ai Weiwei revisita uma série de esculturas compostas por doze cabeças de animais do zodíaco chinês, e que explora a relação da china contemporânea com a sua própria história, e "Law of the Journey (Prototype B)" (2016), que consiste num barco insuflável de 16 metros de comprimento com figuras humanas e faz alusão a um dos temas mais recorrentes na obra do artista: a crise global dos refugiados.

Marcello Dantas - curador da exposição e idealizador de uma série de grandes exposições do artista pela América Latina nos últimos anos - explicou à agência Lusa que depois do sucesso alcançado com a exposição do artista chinês no Brasil, acolhendo 10 mil visitantes por dia, em 2019, propôs a sua apresentação em Portugal.

"Para trazer este artista foi preciso desenhar um modelo muito específico de produção, devido à grande escala das obras", apontou o curador brasileiro.

No Porto, adiantou, está prevista, em julho deste ano, a colocação de uma grande instalação nos jardins do Museu de Serralves, com uma dimensão de 34 metros e pesando 300 toneladas.

Na Cordoaria nacional, os visitantes poderão conhecer algumas das peças mais importantes da carreira do artista chinês, e outras inéditas, criadas este ano, em Portugal, concebidas em materiais característicos do país, nomeadamente cortiça, mármore e azulejo.

Questionado pela Lusa sobre a inspiração para as novas peças, Ai Weiwei referiu que uma delas - intitulada "Pendant (Toilet paper)", feita em mármore maciço com 1,60 metros - representa um simples rolo de papel higiénico, e foi inspirada na corrida ao consumo deste produto durante a pandemia, que levou à sua rápida escassez no mercado.

"Esta procura desenfreada de papel higiénico representa a insegurança e desconfiança das pessoas no sistema em que vivem", interpretou.

Outra obra inédita, criada este ano, em cortiça, intitula-se "Brainless Figur" ("Figura sem cérebro"), e consiste numa escultura do próprio artista feita naquele material tipicamente português, sentado numa cadeira, faltando-lhe a parte craniana que aloja o cérebro.

Conhecido por desenvolver ligações aos países por onde passa, Ai Weiwei, agora a viver no Alentejo, iniciou um trabalho de colaboração com artesãos portugueses de diferentes ateliês para trabalhar materiais como a cortiça, azulejo, tecidos e pedra.

Ao longo do percurso expositivo, foram dispostos écrans que exibem uma série de documentários, incluindo um dos seus mais recentes filmes - "Coronation" - retrato da evolução da pandemia covid-19 em Wuhan, na China, tida como o berço da pandemia.

Com imagens captadas por equipas profissionais e cidadãos que voluntariamente ajudaram o artista no projeto, o documentário mostra como foi o confinamento da primeira cidade no mundo a ser atingida pela pandemia.

"Rapture", explicou o curador, aponta para um duplo sentido, o do imaginário do sonho e da mitologia - que o artista chinês usa, inspirado na sua própria cultura - e a do rapto em si mesmo, quando esteve detido, na China, pelo ativismo e trabalho artístico, crítico do sistema político do país.

Em 2011, esteve preso durante 81 dias, na China, sem acusação, apenas com alegações de crimes económicos, e, depois de libertado, passaram-se quatro anos até ser autorizado a sair do país.

Entre os seus trabalhos mais recentes estão o filme "The Rest"(2019), sobre a crise dos migrantes, que se seguiu a "Human Flow", filmado em mais de 20 países, também sobre a temática dos refugiados, e exibido em Veneza, em 2017.

A exposição "Ai Weiwei - Rapture" começa antes do visitante entrar, com a instalação, no exterior, da peça "Forever Bicycles" (2015), uma escultura monumental com 960 bicicletas de aço inoxidável usadas como blocos de construção.

20
Mai21

Gulbenkian vai receber uma mega exposição sobre faraós e arte egípcia

Niel Tomodachi

"Faraos Superstar" promete ser a maior mostra de arte egípcia alguma vez feita no País.

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Em outubro de 2022, o Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa, vai ter uma exposição dedicada aos faraós, do antigo Egito, anunciou o diretor do museu, António Filipe Pimentel, segundo a Agência Lusa, citada pelo “Diário de Notícias“.

António Filipe Pimentel revelou que deverá ser a maior exposição portuguesa ligada aos faraós e à arte egípcia: “Serão duas exposições numa só, numa perspetiva desde o século XVIII até à atualidade, e numa perspetiva contemporânea”. Nesta exposição haverá então dois olhares quanto à arte egípcia: um olhar para o passado e um olhar para a contemporaneidade. “Faraos Superstar” será a nova aposta do museu.

O historiador de arte António Filipe Pimentel e o curador francês Benjamin Weil foram anunciados em dezembro como responsáveis para liderar a mudança dos museus da Fundação Calouste Gulbenkian.

Quanto a mais planos para este ano, António Pimentel refere a campanha “Art Matters”, com ligação ao movimento “Black Lives Matter”, impulsionado pelos acontecimentos de maio do ano passado, lembrando que “é preciso respirar, que a arte serve de consolo e abre a perspetiva criativa que contribui para aumentar a resistência da Humanidade”.

 

20
Mai21

Clink: nasceu um espaço cultural no famoso quarteirão das artes do Porto

Niel Tomodachi

É um projeto que quer ligar pessoas e promover eventos artísticos e relacionados com a arquitetura e design.

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O famoso quarteirão das artes do Porto, em torno da Rua de Miguel Bombarda, tem um novo espaço cultural. Chama-se Clink e foi inaugurado a 8 de maio no número 84 da Rua do Rosário. Trata-se de um projeto que quer ligar pessoas e promover eventos artísticos e relacionados com as áreas da arquitetura e design.

O objetivo, como explicam os responsáveis à NiT, é “privilegiar a partilha de experiências criativas, potenciar manifestações artísticas e promover o design e a criatividade nacionais através da sua loja, showroom e eventos culturais”. 

O Clink apresenta-se como um organismo cultural, social e económico que pretende ligar artistas, designers, artesãos, marcas e a indústria no geral. Foi fundado pelos empreendedores criativos Paulo André e Le Brimet.

O espaço tem mais de 400 metros quadrados e tem uma área de galeria que pode receber exposições de arquitetura, fotografia, ilustração, design ou instalações artísticas. Esta zona do Clink chama-se Stretch Box.

Depois, há um showroom para marcas nacionais de design de produto e iluminação; salas de reunião e formação; uma Multimedia Room, com salas para vídeo e arte digital; um espaço de cowork chamado Coolab; uma loja de design, a ClinkStore; e a sede do atelier Spectroom, responsável pela gestão cultural e comunicação do Clink. No exterior do espaço, existe um pátio de 150 metros quadrados que também irá acolher instalações artísticas temporárias.

O Clink vai produzir ainda uma série de iniciativas ligadas às artes. Vai haver o Clink Into, um podcast intimista apresentado pela artista plástica Susana Chasse e Le Brimet que terá conversas informais sobre “a arte de viver e de criar”. 

É assim o showroom.
 

Além disso, haverá os Clink Docs, um conjunto de documentários sobre arte e design realizados por João Filipe Silva. As Clink Music Sessions, dedicada à música portuguesa emergente, vão ter a curadoria do músico e arquiteto Marcus Amadeus.

A Clink Artboard, com curadoria de Susana Chasse, vai promover a pintura, ilustração, fotografia e desenho nacional. A programação irá incluir ainda as Film Sessions, com organização da curadora Sofia Mourato (do Arquitectura Film Festival), centradas em produções documentais relacionadas com arquitetura, arte e design.

Até 30 de julho, vai poder conhecer na Stretch Box uma mostra retrospetiva do designer Toni Grilo, “Do Design-Arte à Arte do Design”. Já na Clink Artboard descubra uma mostra da própria Susana Chasse, intitulada “[ OO ] * #01”, que explora o universo comum entre o desenho, a escrita e a pintura.

“O Clink está a criar uma rede criativa em que marcas, designers, artistas, músicos e sonhadores rompem comportamentos estabelecidos, cultivam outras experiências e desafiam novas emoções”, acrescentam os responsáveis pelo novo espaço.

A programação completa e todas as restantes informações podem ser conhecidas no site oficial do projeto. 

 

10
Mai21

Exposição 'Mulheres e Resistência' até final do ano no Museu do Aljube

Niel Tomodachi

Os 50 anos do início das "Novas Cartas Portuguesas" são o ponto de partida de uma exposição no Museu do Aljube, em Lisboa, que associa esta obra à luta das mulheres pela liberdade, num sentido mais amplo.

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"Mulheres e Resistência -- 'Novas Cartas Portuguesas' e outras lutas", que vai estar patente até ao dia 31 de dezembro, parte de um livro escrito por três mulheres, decidido em maio de 1971 e publicado um ano depois, com a primeira edição recolhida e destruída pela Censura, três dias após o seu lançamento.

Nos 50 anos do início da escrita das "Novas Cartas Portuguesas", por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, que deram origem ao processo das Três Marias, a exposição revisita a atualidade da luta das mulheres pelos seus direitos, procurando compreender o papel da repressão, o valor da solidariedade e a importância da vitória deste processo literário e político.

"Uma das ideias era abordar a questão das mulheres e da resistência e, a partir daí, associar os 50 anos do início da escrita das 'Novas Cartas Portuguesas', pelas Três Marias, a um processo mais geral e amplo da luta das mulheres pelos seus direitos e por direitos sociais, e da luta pela liberdade no nosso país", disse à Lusa a diretora do Museu do Aljube Resistência e Liberdade, Rita Rato.

A este tema central foi associada a luta mais geral e mais ampla das mulheres em Portugal durante a ditadura, com um núcleo expositivo das várias expressões de resistência popular, desde o inicio dos anos de 1930 até ao 25 de Abril, como as lutas operárias, as lutas camponesas, as lutas antifascistas, as lutas dinamizadas por outras mulheres intelectuais, com uma dispersão no território muito significativa, tentando até revelar que a resistência das mulheres está para lá do que é mais conhecido, particularmente nos campos do sul e na cintura industrial de Lisboa, destacou Rita Rato, que é também uma das curadoras.

"Ao longo desta exposição conseguimos concluir isso, que de certa forma existiram processos paralelos de resistência, de formas muito diversas de participação das mulheres, e isso também revela a riqueza da mobilização feminina na luta pelos seus direitos no nosso país", afirmou.

A outra curadora da exposição, Joana Alves, explica que quiseram deixar claro que, antes das Três Marias, houve outras mulheres que também lutaram para que elas pudessem escrever o livro e que as mulheres atuais herdaram as lutas delas, criando um fio condutor, que liga esta "luta contínua".

"Temos os processos originais de apreensão dos livros da Natália Correia, que foi a editora das 'Novas Cartas Portuguesas', temos também o processo da 'Minha Senhora de Mim', o livro da Maria Teresa Horta, que foi talvez o que impulsionou a escrita das 'Novas Cartas'".

O livro de poesia "Minha Senhora de Mim" foi editado em abril de 1971 pela Dom Quixote, mas dois meses depois a editora foi objeto de um auto de busca e apreensão da obra por parte da PIDE (polícia política da ditadura do Estado Novo).

A proprietária da editora, Snu Abecassis, foi advertida de que estava proibida de publicar qualquer obra de Maria Teresa Horta, e a autora foi vítima de um espancamento na rua.

Na altura, Maria Velho da Costa, ao saber do sucedido, questionou Maria Teresa Horta: Se uma mulher causa todo este burburinho e confusão, o que aconteceria se fossem três?

Esta frase foi o ponto de partida para a escrita das "Novas Cartas", e é o ponto de partida da exposição, a acompanhar uma fotografia das Três Marias a sair do tribunal.

O Arquivo Nacional Torre do Tombo disponibilizou os processos originais da censura, da proibição do livro e do processo da Maria Teresa Horta.

O despacho da Direção-Geral da Informação, datado de maio de 1972, que proíbe "a circulação" das "Novas Cartas Portuguesas" e recomenda "a instrução do processo-crime", acusa a obra de "preconizar a emancipação da mulher, sempre, em todos os seus aspectos", e de possuir passagens "francamente chocantes, por imorais".

A Torre do Tombo disponibilizou igualmente um dos volumes do processo da apreensão da "Antologia de Poesia Erótica e Satírica", organizada por Natália Correia e publicada pelas Edições Afrodite, em 1966, que levou a escritora a tribunal plenário.

Todos os documentos podem ser vistos pelos visitantes da exposição.

"Houve também uma dimensão muito importante que quisemos valorizar: desde 2015, o Museu do Aljube tem vindo a recolher testemunhos orais de muitas mulheres que tiveram um papel insubstituível na luta pela liberdade no nosso país e constituímos, a partir dessas 16 mulheres e seus testemunhos, um vídeo com excertos das suas partilhas e da sua experiência", assinalou Rita Rato.

Então, o núcleo das "Novas Cartas", que começa com a frase de Maria Velho da Costa e a foto das Três Marias, integra ainda um ponto de escuta, que replica uma sala dos anos 1970, onde as pessoas se podem sentar e ouvir a leitura de algumas das cartas, bem como consultar livremente o livro, explicou Joana Alves.

Uma outra parte da exposição tem os processos cedidos pela Torre do Tombo, que estão ao lado das primeiras edições da antologia poética de Natália Correia, da "Minha Senhora de Mim", das "Novas Cartas Portuguesas" e também da primeira edição do livro de Maria Lamas, "As Mulheres do Meu País", "que é uma das 'Marias' que vieram antes das Três Marias".

"Depois há a parte da solidariedade internacional, que explica o impacto que esta teve no processo [judicial, contra as Três Marias], porque o próprio processo da PIDE sugeria que fossem absolvidas, por causa do impacto que estava a ter lá fora, e o que isso poderia significar para o regime de Marcelo Caetano", disse Joana Alves.

O caso chegou às primeiras páginas de jornais como Le Monde e The Times, e a revistas como Newsweek e Le Nouvel Observateur, coincidindo, no verão de 1973, com a denúncia internacional do massacre de Wiriamu, no norte de Moçambique, pelo padre Adrian Hastings.

O núcleo da exposição termina com réplicas dos cartazes das manifestações de solidariedade internacional e com a absolvição.

Em paralelo -- adianta Rita Rato -- "temos o enquadramento das mulheres durante o regime fascista, do ponto de vista legal, o enquadramento com propaganda da mocidade portuguesa feminina, com alguns cartazes de como deve ser a mulher ideal, de como se constrói a ideologia em torno da opressão da mulher".

Mais à frente, apresentam-se várias fotografias de mulheres que, apesar dessa "forte dimensão repressiva do regime", ideológica, simbólica e física, "lutaram e conquistaram direitos muito importantes".

"Depois terminamos no piso -1 com o vídeo dos testemunhos, que permite revelar uma experiência muito própria da resistência das mulheres: mulheres que foram estudantes, dirigentes académicas, jornalistas, médicas, mulheres que viveram na clandestinidade, mulheres que estiveram presas vários anos, com percursos diferentes", descreveu a diretora do museu.

Até ao final do ano, será desenvolvida uma programação paralela, que começa já a 16 de maio, com "uma curta-metragem de um 'work in progress' de Luísa Sequeira, realizadora do Porto, que está a fazer um filme sobre as 'Novas Cartas Portuguesas', e também vai mostrar o filme que fez em 2015, que se chama 'Quem é Bárbara Virgínia', que é um filme sobre a primeira mulher que fez uma longa-metragem em Portugal, em 1945 [e que foi selecionada para o primeiro Festival de Cannes]", explicou Joana Alves.

Haverá ainda conversas, momentos de leitura das "Novas Cartas" e uma série de outras atividades para um calendário que as curadoras estão ainda a fechar.

 

02
Abr21

Goa promove 'Susegad', a felicidade com nome português

Niel Tomodachi

Em tempos de pandemia, um novo livro lançado na Índia propõe um estilo de vida inspirado em Goa, onde a felicidade tem um nome, 'Susegad' ("sossegado"), e deve muito à cultura indo-portuguesa, disse o autor à Lusa.

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"'Susegad' vem da palavra portuguesa 'sossegado', e tem sido projetado como ser relaxado ou preguiçoso por muitos turistas. Mas para mim, e para muitos goeses, o conceito original de 'susegad' é estar satisfeito consigo mesmo, com a natureza, com o ritmo das estações do ano, e é este sentimento que eu tento descrever e partilhar no livro", explicou à Lusa o escritor indiano Clyde D'Souza.

Publicado em inglês pela editora Penguin Random House, "Susegad: A arte goesa do contentamento" defende a singularidade da cultura goesa, passando em revista a influência de quatro séculos de colonização portuguesa, em busca da receita para a felicidade.

"Já havia livros sobre o 'Hygge', que é a forma de viver dinamarquesa, 'Lagom', o modo de vida sueco, ou o 'Ikigai', o estilo japonês de vida sustentável, e agora acrescenta-se o 'Susegad'", disse Clyde D'Souza, que vive em Mumbai, a capital financeira da Índia, mas descende de goeses.

Diretor de programas do popular canal de televisão 9XM, com dois livros anteriores publicados, o escritor, de 44 anos, recorda as longas férias de verão passadas em Goa, de onde vem a família, e onde ainda conserva uma casa.

"Eu costumava ir de férias para Goa, em criança, para as belas casas indo-portuguesas, com o tradicional balcão. A minha avó - em Goa muitas crianças continuam a usar a palavra "avó", em português - chamava-me o tempo todo 'maalkiryaat' ["malcriado", em concani]", ri-se.

Viver 'susegad' é, segundo o escritor, o maior anseio dos goeses, que usam frequentemente a palavra de origem portuguesa na língua mais falada naquele estado indiano.

"Quando irritados, os goeses dizem com frequência, em concani: 'Maka suseg di' (Dá-me paz e sossego)", recorda o escritor, no livro.

Para o escrever, Clyde D'Souza entrevistou vários goeses de destaque, como a cantora de fado Sónia Shirsat, o proprietário do restaurante luso-goês Horseshoe, Vasco Sequeira, no bairro das Fontainhas, em Pangim, ou o músico goês Remo Fernandes, a viver no Porto, em Portugal, retido na Índia pela pandemia na altura em que o livro foi escrito.

objetivo do escritor, que sublinha que não se trata de um livro de auto-ajuda, é resgatar um termo omnipresente no quotidiano daquela antiga colónia portuguesa, onde a influência dos portugueses continua visível: do tradicional "vindalho" (vinha de alhos) ao hábito de comprar 'pao' (pão) pela manhã, passando pelas festas católicas ou o apego à sesta, que um político de Goa já propôs tornar obrigatória, defendendo que é necessária para preservar o estilo de vida 'susegad'.

"A fusão entre a cultura portuguesa e indiana, o casamento destas duas culturas tão diferentes, resultou em algo único. Uma das pessoas que entrevistei disse uma coisa muito interessante: muitas antigas colónias de Portugal, como Macau, Brasil ou Goa, parecem ter um modo de vida próprio", conta.

"É difícil dizer o que conduziu às qualidades mágicas desses lugares, mas penso que [no caso de Goa] está relacionado com a mistura entre a sensibilidade europeia e a sensibilidade indiana", defende.

O escritor analisou "a poção mágica", dos hábitos à cultura e ao clima, cobrindo tópicos como comida, música, história e tradições, com capítulos com títulos em concani ou português, como 'Kaantar' (Cantar), 'Casa' ou 'Viva re viva', sobre a festa de São João e outras celebrações tradicionais.

"Quando se vai a Goa, o humor muda completamente. Claro que há problemas, mas há alguma coisa de especial", defende.

"A ideia foi trazer essa magia, e mostrar que a forma como os goeses vivem, a sua música, a sua comida, um simples banho de mar, podem trazer satisfação", afirma.

E se em Goa, sê goês, o escritor acredita que o estilo de vida 'susegad' pode ser adotado por pessoas em todo o mundo, numa altura em que a pandemia condicionou o quotidiano.

"A pandemia trouxe um grau de consciência sobre a saúde mental e sobre a importância de estar consciente e de tentar encontrar alguma paz, uma coisa com que todos lutámos no último ano, e acho que o 'susegad' pode ajudar", defende.

"A ideia não é que toda a gente se mude para Goa, o que não é possível, mas trazer 'susegad' para a vida das pessoas, independentemente de onde vivam", afirma.

 

11
Mar21

Centro comunitário construído apenas com terra e bambu no Bangladesh é o Prémio Obel 2020

Niel Tomodachi

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Prémio de arquitetura distingue projetos em prol do desenvolvimento humano em todo o mundo.
Um centro comunitário construído apenas com terra e bambu, no Bangladesh, é o Prémio Obel 2020.

O prémio da fundação dinamarquesa com o mesmo nome quer estimular e reconhecer contributos excecionais para a humanidade. Ou seja, para ser nomeada para este prémio uma obra tem de ser no mínimo original e contribuir para a construção de um futuro melhor.

O prémio dinamarquês vai ser entregue este ano à arquiteta alemã Anna Heringer.

 

08
Mar21

"Vozes a crescer" by esqrever

Niel Tomodachi

Pensando nas crias adolescentes que me rodeiam, que bom que é que possam ver que não temos, enquanto mulheres ou enquanto pessoas excluídas, de resignar-nos ao silêncio, à invisibilidade ou à violência. As raparigas continuam a ser julgadas e avaliadas pelos seus corpos, continuam a ser objetificadas, retiradas de um lugar de afirmação e poder - pior ainda continuam a fazer isso a si mesmas. Com filmes de adolescentes assim, talvez possam olhar-se de outra forma, exigir mais à sociedade para elas. 

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A estreia, há uns dias na Netflix, do filme “Moxie” não podia ser mais oportuna. Um filme de adolescentes em que a luta, a revolta e os direitos das mulheres entram em primeiro plano é um acontecimento digno da semana do Dia Internacional das Mulheres, hoje celebrado.

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“Moxie”, de Amy Poehler, é um filme de adolescentes, típico no ambiente, no tom e na dinâmica, mas atípico na perspetiva em que se centra a ação. É a perspetiva das personagens femininas, é o seu olhar que vemos e é exatamente nessa condição que se centra o tema do filme. Vivian, a protagonista, é quem nos guia no processo de encontrar a sua voz, levando-nos por uma escola secundária cheia de preconceitos machistas, práticas misóginas e uma violência “consentida” pelo silêncio generalizado e a cumplicidade da Diretora. Vivian passa da “mais obediente”, da miúda introvertida, para a revolucionária feminista disposta a ir até ao fim. Encontra a sua voz, entre a inspiração do passado da mãe (a própria Amy Poehler) e a insubmissão de uma nova colega, e nós lá estamos a torcer por ela.

Amy Poehler não é propriamente novata nestas andanças. O seu filme anterior como realizadora, Wine Country (também na Netflix), já reunia um cast incrível de mulheres numa comédia que evidenciava uma vez mais o female gaze, afastando as personagens femininas do dominante universo/olhar masculino. Como artista, atriz, comediante e figura pública, Amy Poehler tem desenhado um percurso bem feminista, até em projetos menos mediáticos como o Amy Poehler’s Smart Girls. Neste projeto, focado num público jovem, celebra-se também a diversidade de cada pessoa e de cada rapariga. Podemos ler “We celebrate curiosity over gossip. We are a place where people can truly be their weird and wonderful selves. We are funny first, and informative second, hosting the party you want to attend.”

Este também podia ser o mote de Moxie. E mostrar de uma forma divertida (mas bastante genuína) como a realidade das mulheres está comprometida pela sociedade patriarcal e como a voz das mulheres é silenciada diariamente, como a sua ação é subjugada pelo status quo e por uma tabela de valores indiferente à sua vontade.

Uma das cenas mais marcantes do filme é quando Vivian diz, acerca do personagem masculino que simboliza esse poder, que ele é “irritante” e a nova amiga Lucy lhe responde que, em vez disso, ele é “perigoso”. É aqui que o olhar de Vivian começa a mudar, quando deixa de aceitar aquela realidade como normalidade “irritante” e começa a exigir a igualdade e a liberdade das mulheres como a normalidade necessária, que a liberta de um perigo bem real.

“Moxie” é um filme baseado num livro e isso por vezes nota-se, pois há muitos fios que vemos que dariam para uma meada maior. Não há tempo para tudo, mas há para o mais importante: dar às pessoas adolescentes um filme divertido que é reflexo dos tempos em que vivem e da luta que tantas e tantos de nós travamos. Tem ainda a beleza da diversidade, conseguindo retratar a interseccionalidade da luta feminista, com personagens e mulheres não-normativas, em raça, orientação sexual, identidade de género ou deficiência. É um hino à sororidade, à solidariedade e à empatia.

Pensando nas crias adolescentes que me rodeiam, que bom que é que possam ver que não temos, enquanto mulheres ou enquanto pessoas excluídas, de resignar-nos ao silêncio, à invisibilidade ou à violência. As raparigas continuam a ser julgadas e avaliadas pelos seus corpos, continuam a ser objetificadas, retiradas de um lugar de afirmação e poder – pior ainda continuam a fazer isso a si mesmas. Com filmes de adolescentes assim, talvez possam olhar-se de outra forma, exigir mais à sociedade para elas. Filmes diferentes dos que eu e a Amy Poehler vimos em adolescentes. Há outros excelentes exemplos desta tendência que esperamos crescente, como os recentes e excelentes “Booksmart“, realizado por Olivia Wilde, curiosamente uma mulher que também é atriz, ou “Alice Júnior“. Mais representatividade, mais female gaze, mais autenticidade e mais mudança em filmes simples e leves que são também inspiradores. Que nos inspirem hoje e todos os dias fazendo as vozes crescer até ser impossível não as escutar.   

 

08
Mar21

Estudo revela desigualdades de género em teatros de toda a Europa

Niel Tomodachi

Os homens continuam a ultrapassar as mulheres e a ocupar os mais prestigiados cargos nas programações teatrais, segundo um estudo sobre igualdade e diversidade de Género nos Teatros Europeus, da Convenção Europeia de Teatro (ETC), hoje divulgado.

24005312.jpgO estudo conclui que há quatro mulheres para cada seis homens mencionados nos programas de teatro, e que os homens dominam as categorias profissionais de dramaturgo, realizador e pessoal técnico, enquanto as mulheres ocupam mais de 70% dos cargos de "figurino" e "cabeleireiro".

Não obstante, o estudo, publicado no Dia Internacional da Mulher, também revela o impacto "notável" das mulheres diretoras de teatro e dramaturgas na diversidade das equipas criativas.

O estudo surge numa altura em que muitos teatros europeus permanecem fechados, reconhecendo ainda assim a necessidade de utilizar este tempo para refletir sobre como construir um futuro mais inclusivo no teatro e na vida pública.

O estudo abrangeu 22 países europeus, incluindo mais de 4.000 funcionários de teatros e uma análise de mais de 11.500 artistas em 650 espetáculos.

Verificou-se que as mulheres têm situações contratuais menos seguras do que os homens, e estão "menos presentes no topo da hierarquia".

Os resultados encontraram uma "significativa" ausência de pessoas de origens minoritárias (incluindo orientação sexual, etnia, trans e pessoas com deficiência) entre o pessoal dos teatros membros da ETC.

Os homens são mais visíveis do que as mulheres nas programações de teatro, e dominam os "prestigiados cargos" de dramaturgo, realizador e pessoal técnico, enquanto as mulheres ocupam mais de 70% dos cargos de "figurino" e "cabeleireiro".

O estudo demonstrou também que o género dos decisores no teatro tem um impacto significativo nas suas escolhas: "Autores e realizadores femininos demonstram uma clara tendência para a igualdade de género, em comparação com os seus colegas masculinos, que estão em maioria e que tornam os homens mais visíveis".

Segundo a análise, em palco, 43% das personagens eram mulheres, em comparação com 57% das personagens que eram homens.

Este estudo, a primeira análise da diversidade entre os funcionários e em palcos de teatros de toda a Europa, foi realizado para a ETC por investigadores da Universidade Católica de Lovaina (UCLovaina), na Bélgica.

As conclusões resultam de um autoexame voluntário feito pelos teatros membros da ETC, numa tentativa de descobrir e impulsionar a mudança sobre as desigualdades de género e a falta de diversidade que prevalecem em todos os setores do entretenimento.

 

22
Jan21

Site dedicado a Guernica de Picasso com documentos e entrevistas inéditas

Niel Tomodachi

O museu Reina Sofia, em Madrid, reforçou o 'site' dedicado à obra "Guernica", de Pablo Picasso, com mais de 200 documentos, entrevistas inéditas e duas novas secções, anunciou hoje aquele equipamento cultural.

28943227.jpgNum comunicado hoje divulgado, o museu recorda que lançou "há três anos 'Repensar Guernica, História e Conflito no século XX', um projeto sob a forma de 'website', com o objetivo de estudar o quadro de Pablo Picasso através de diferentes abordagens, metodologias e ferramentas".

"Repensar Guernica, História e Conflito no século XX", o projeto, "foi concebido desde início como um projeto em aberto, para ser enriquecido permanente e progressivamente".

"Com esta melhoria, a coleção documental é aumentada com mais de duzentos documentos. Além disso, o 'site' passa a incluir duas novas secções: '(Im)possíveis Contra-Arquivos' e 'História Oral', que respondem às mesmas premissas com que o projeto foi originalmente concebido: por um lado, o uso da mais avançada tecnologia para criar novas possibilidades de visualização, acesso e interação, e, por outro lado, para dar voz a novas investigações relacionadas com a 'Guernica'", lê-se no comunicado do museu.

Além dos novos elementos e funcionalidades do 'site', o museu Reina Sofia vai editar a publicação "Los Viajes de Guernica" ("As Viagens de Guernica", em português), "que partiu do estudo de materiais recolhidos (...), com a ajuda de vários especialistas e investigadores, para delinear uma extensa constelação de relações, cronologias e estudos de caso em torno daquela pintura".

Desde de que foi criado, o projeto "Repensar Guernica, História e Conflito no século XX" "teve mais de 1,5 milhões de visitas únicas e recebeu numerosas distinções internacionais, incluindo dos prestigiosos Prémios Webby, da Academia Internacional de Artes e Ciências Digitais (IADAS, sigla em inglês)".

"Guernica" é a obra mais emblemática da carreira de Pablo Picasso e talvez também da arte do século XX.

A pintura a óleo sobre tela, de 3,493 metros de altura e 7,766 metros de largura, mostra os horrores do bombardeamento da cidade basca de Guernica, por aviões alemães do regime nazi, apoiando o ditador Francisco Franco, em 26 de abril de 1937, durante a Guerra Civil de Espanha (1936-1939), naquele que foi visto como um teste dos ataques aéreos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Em abril de 2017, o museu Reina Sofia inaugurou a exposição "Piedade e terror em Picasso: o caminho até Guernica", que celebrava o 80.º aniversário da criação do quadro, "Guernica", e os 25 anos da chegada da obra ao museu.

O quadro mais famoso de Picasso foi pintado a partir de uma encomenda feita pela República espanhola (o regime democrático que chegou ao fim no termo da guerra civil, com a imposição da ditadura franquista), durante a primavera de 1937, para ser exibido no pavilhão de Espanha da Exposição Internacional de Paris. Rapidamente se converteu num símbolo contra os horrores da guerra.

Alguns anos antes de morrer, Picasso pediu para que o quadro só fosse devolvido a Espanha quando as liberdades públicas fossem restauradas nesse país.

"Guernica", o quadro, chegou a Espanha em 1981, depois da morte do ditador Francisco Franco (1939-1975) e da transição para a democracia, encetada em 1977.

Depois da Exposição Internacional de Paris, entre 1938 e 1939, o quadro de Picasso foi exibido em Oslo, na Noruega, em Copenhaga, na Dinamarca, Estocolmo e Gotemburgo, na Suécia, e, no Reino Unido, em Londres, Leeds, Liverpool e Manchester.

Depois da vitória do ditador Francisco Franco, em Espanha, e antes do início da II Guerra Mundial, o quadro foi enviado para os Estados Unidos, onde foi mostrado no Museu de Arte Contemporânea de São Francisco, primeiro, e no Museu de Arte Moderna (MoMA), de Nova Iorque, mais tarde, instituição onde se manteve até 1981, depois de breves passagens por cidades norte-americanas como Chicago e Filadélfia, e pelo Brasil, na década de 1950.

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