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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

26
Dez20

Novidades literárias com vencedor do Booker e coleção de Alberto Manguel

Niel Tomodachi

A obra vencedora do prémio Booker 2020, uma nova coleção na Tinta-da-China, dirigida por Alberto Manguel, textos inéditos de George Orwell, e novos romances de Olga Tokarczuk, Bernardine Evaristo e Michel Houellebecq, são algumas das novidades editoriais de 2021.

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Logo no início do ano, a Cavalo de Ferro vai editar um livro de ensaios da escritora norte-americana Patrícia Highsmith, conhecida pelos 'thrillers' psicológicos, no qual partilha as inspirações, aprendizagensêxitos e fracassos da sua carreira.

Segue-se 'Rebelião', romance de Joseph Roth, inédito em Portugal, com o qual a editora prossegue a publicação da obra essencial do autor austríaco a partir dos originais, e que retrata uma sociedade austríaca fraturada e perdida.

A editora vai lançar também uma edição cartonada e ilustrada por Ralph Steadman de 'A Quinta dos Animais', de George Orwell, com os dois prefácios do autor.

A Cavalo de Ferro vai também lançar uma coleção, com novo formato, dedicada a obras influentes da literatura, como 'Mrs. Dalloway', de Virginia Woolf, 'O Estranho Caso do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde e outros contos', de R.L. Stevenson, e 'A Confissão de Um Filho do Século', de Alfred De Musset, ainda inédito em Portugal.

'Casa de Dia, Casa de Noite', mais um romance da Nobel da Literatura de Olga Tokarczuk, 'O Passageiro', de Ulrich Alexander Boschwitz, 'As Crónicas Marcianas', de Ray Bradbury, e 'A presa', de Irène Némirovsky, romance publicado em 1938 e até hoje inédito em Portugal, são outras das novidades da Cavalo de Ferro, que vai publicar também uma 'coleção de esboços, de micronarrativas' de Julio Cortázar, intitulada 'Um Certo Lucas'.

Através da chancela Elsinore, chega às livrarias no primeiro semestre o mais recente romance de Cynan Jones, 'Estilicídio', originalmente escrito para a BBC Radio 4, que encomendou ao autor 12 histórias interligadas, com a duração máxima de 15 minutos de tempo de leitura.

'Despertar os Leões', de Ayelet Gundar-Goshen, com tradução direta do hebraico, 'Sistema Nervoso', da autora chilena Lina Meruane, 'Olá, América!', de J. G. Ballard, em nova tradução, e 'Inventário de Algumas Perdas', da escritora alemã Judith Schalansky, são outras novidades da editora.

Até junho, a Elsinore publica ainda o último livro do 'quarteto das estações' de Ali Smith, 'Verão', um novo livro da premiada autora de 'Rapariga, Mulher, Outra', Bernardine Evaristo, intitulado 'Blonde Roots', e o novo romance de Tatiana Salem Levy, 'Vista Chinesa',

Entre os destaques da Companhia das Letras, contam-se um romance de José Gardeazabal, nascido dos tempos vividos no último ano e intitulado 'Quarentena -- Uma história de amor', bem como um romance sobre identidade e relações raciais, 'O avesso da pele', do autor brasileiro Jeferson Tenório.

Até junho, a Companhia das Letras conta ainda passar a editar Dulce Garcia, com o romance 'Olho da rua', e publicar novos livros de Hugo Gonçalves, João Tordo e Afonso Cruz, bem como um novo livro de Isabel Lucas, intitulado 'Viagem ao país do futuro'.

Alfaguara traz aos leitores portugueses mais um livro do escritor francês Michel Houellebecq, 'As partículas elementares', no qual explora a crise afetiva e sexual da sociedade ocidental, através dos percursos familiares e sentimentais dos dois protagonistas, assim como dois romances que têm figurado nas mais importantes listas de melhores livros do ano: 'The Vanishing Half', da autora americana Brit Bennett, e o vencedor do Prémio Booker 2020, 'Shuggie Bain', de Douglas Stuart.

Para os primeiros seis meses do ano, a Relógio d'Água planeia editar 'Jack', da norte-americana Marilynne Robinson, 'O Problema dos Três Corpos', o primeiro livro em Portugal do autor de ficção científica chinês Liu Cixin, um novo livro de Djaimilia Pereira de Almeida, 'Notas de vida e morte', mais um livro da laureada com o Nobel 2020, Louise Gluck, 'Vita Nova', bem como o romance vencedor do Women's Prize for Fiction deste ano, 'Hamnet', da escritora irlandesa Maggie O'Farrell, inspirado na morte do filho de William Shakespeare aos 11 anos.

'A Noite do Morava', de Peter Handke, 'Canoagem', de Joaquim Manuel Magalhães, 'Rodeado De Ilha', de João Miguel Fernandes Jorge, reedições dos clássicos 'Recordações da Casa dos Mortos', de Fiódor Dostoievski, 'O Doutor Fausto', de Thomas Mann, 'A Guerra do Mundo', de Niall Ferguson, e um livro de Gonçalo M. Tavares com ilustrações de Julião Sarmento, são outras das novidades desta editora.

Para 2021, além dos destaques literários, a Tinta-da-China reserva uma novidade que é o nascimento de uma nova coleção, de antologias temáticas de contos dirigida por Alberto Manguel, com temas como amor, vingança, ou erotismo.

Quanto a livros, está prevista a publicação de 'Trieste', de Jan Morris, na Coleção de Literatura de Viagens, naquela que é a sua primeira tradução pra português, 'O Reino', de Emmanuel Carrère, também inédito em Portugal e inspirado pelos primórdios do cristianismo, 'Ideas of Order', de Wallace Stevens, a ser publicado na coleção de poesia, e o ensaio-memória 'The Undying', de Anne Boyer, sobre cancro, doença e política nos tempos modernos.

Na Coleção Ephemera, está previsto sair 'Diário dos Dias da Peste', com organização de José Pacheco Pereira, inspirado nos dois meses que corresponderam ao período mais duro do confinamento da pandemia da covid-19.

A Porto Editora destaca 'Beartown', do sueco Fredrik Backman, um romance sobre os sonhos e a sobrevivência de uma pequena comunidade, que foi adaptado para uma série de cinco episódios pela HBO.

A Bertrand Editora prepara-se para lançar o primeiro volume de 'A Dança da Morte' ('The Stand'), o 'grande romance apocalíptico de Stephen King', construído num cenário de luta pela sobrevivência após uma poderosa estirpe de vírus da gripe matar 99% da população. O livro foi alvo de uma recente adaptação para a HBO.

Quetzal vai publicar um novo livro de Julian Barnes, 'O Homem do Casaco Vermelho', uma aventura social, cultural e política vivida em Londres, em 1885, pelo príncipe Edmond de Polignac, o conde Robert de Montesquieu e o plebeu Samuel Pozzi, médico-cirurgião e ginecologista, livre pensador -- o homem do casaco vermelho, retratado na famosa tela do célebre pintor John Singer Sargeant.

As publicações D. Quixote vão editar o novo romance de Patrícia Reis, 'Da meia-noite às seis', um livro de ensaios da escritora inglesa Zadie Smith, 'Sinta-se livre', um 'grande romance' do escritor Matthew Weiner, criador de séries como 'Mad Men' e 'Os Sopranos', intitulado 'Heather, absolutamente', e um livro sobre a importância da família, da memória e da perda, com o título 'Luto', da autoria de Eduardo Halfon.

'A cadela', de Pilar Quintana, finalista do National Book Award nos Estados Unidos, 'Chamada para o morto', primeiro livro de John le Carré, publicado originalmente em 1961, 'Afastar-se (treze contos sobre água)', de Luísa Costa Gomes, 'Paixão', livro de poemas inéditos de Maria Teresa Horta, 'A morte de Jesus', livro com que J.M. Coetzee fecha a trilogia iniciada com 'A Infância de Jesus', o romance histórico 'Um coração convertido', de Stefan Hertmanns, e o romance de estreia do autor norte-americano Salvatore Scibona, 'Fim', são outros dos destaques.

A Caminho vai publicar um novo livro de Alexandra Lucas Coelho, ainda sem título, sobre as crises do Líbano, e o segundo romance do angolano Júlio de Almeida, 'Incesto real'.

Pela Asa chega uma novela negra do escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte, 'Cães maus não dançam', bem como o aclamado romance literário de Mary Beth Keane, 'Ask again, yes', que está já a ser adaptado ao cinema.

Entre as publicações da editorial Presença, destacam-se 'O preço do dinheiro', 'thriller' de Ken Follett, autor de 'Os pilares da Terra', 'Uma grande história de amor', o romance que marca o regresso de Susanna Tamaro, e 'O Fonchito e a lua', um 'picture book' do autor peruano Nobel da Literatura Mário Vargas Llosa.

Almedina prepara-se para publicar as biografias de Joe Biden e Kamala Harris, 'Ensaios' de George Orwell, muitos deles inéditos em português, e 'A Última Tentação de Cristo', de Nikos Kazantzakis, o livro que inspirou o filme de Martin Scorsese.

 

20
Nov20

Romance vencedor do Booker Prize de 2020 vai ser publicado em Portugal no próximo ano

Niel Tomodachi

"Shuggie Bain", vencedor do Booker Prize de 2020, vai ser publicado no próximo ano pela Alfaguara. Livro do escocês Douglas Stuart conta a história de um jovem homossexual e da sua mãe alcoólica.

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O romance vencedor da edição deste ano do Booker Prize, Shuggie Bain, vai ser publicado em 2021 em Portugal pela Alfaguara, anunciou esta sexta-feira a chancela do grupo Penguin Random House. O prémio foi atribuído ao final da tarde desta quinta-feira, durante uma cerimónia transmitida online pela BBC.

Romance de estreia do escocês Douglas Stuart, Shuggie Bain baseia-se na infância e juventude do próprio autor, passada em Glasgow, na década de 1980. Conta a história de um filho homossexual, Shuggie, e da sua mãe alcoólica, Anne. “Cresci em Glasgow nos anos 80 e foram tempos muito duros”, admitiu o autor. “A minha mãe era alcoólica e morreu quando era criança, e durante 30 anos carreguei essa perda, esse amor, esse sofrimento, e quis contar o que foi crescer como gay naquela cidade”, declarou Stuart, de 44 anos.

Clara Capitão, editora da Alfaguara, descreveu a personagem Shuggie como “inesquecível” e “de tal forma real, que ainda hoje, vários meses passados sobre a leitura, dou por mim a imaginar como estará ele, se a vida andará a tratá-lo melhor”. Em comunicado, a editora revelou que leu Shuggie Bain durante o confinamento, em março.

“Era uma leitura dura, talvez não a mais recomendada para um momento em que todos estávamos tão assustados. Mas ler aquela história, ao mesmo tempo tão triste e tão bonita, deu-me a possibilidade de olhar para lá do meu universo doméstico e relativizar as minhas queixas ou preocupações.” Ainda segundo Clara Capitão, “este livro tem uma extraordinária capacidade de despertar uma profunda empatia e compaixão, de mostrar que temos de estar mais atentos e disponíveis para os outros, agora e sempre”.

 

20
Nov20

"Shuggie Bain"

Niel Tomodachi

Booker Prize 2020

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Sobre o Livro:

Shuggie Bain is the unforgettable story of young Hugh "Shuggie" Bain, a sweet and lonely boy who spends his 1980s childhood in run-down public housing in Glasgow, Scotland. Thatcher's policies have put husbands and sons out of work, and the city's notorious drugs epidemic is waiting in the wings. Shuggie's mother Agnes walks a wayward path: she is Shuggie's guiding light but a burden for him and his siblings. She dreams of a house with its own front door while she flicks through the pages of the Freemans catalogue, ordering a little happiness on credit, anything to brighten up her grey life. Married to a philandering taxi-driver husband, Agnes keeps her pride by looking good—her beehive, make-up, and pearly-white false teeth offer a glamorous image of a Glaswegian Elizabeth Taylor. But under the surface, Agnes finds increasing solace in drink, and she drains away the lion's share of each week's benefits—all the family has to live on—on cans of extra-strong lager hidden in handbags and poured into tea mugs. Agnes's older children find their own ways to get a safe distance from their mother, abandoning Shuggie to care for her as she swings between alcoholic binges and sobriety. Shuggie is meanwhile struggling to somehow become the normal boy he desperately longs to be, but everyone has realized that he is "no right," a boy with a secret that all but him can see. Agnes is supportive of her son, but her addiction has the power to eclipse everyone close to her—even her beloved Shuggie.

A heartbreaking story of addiction, sexuality, and love, Shuggie Bain is an epic portrayal of a working-class family that is rarely seen in fiction. Recalling the work of Édouard Louis, Alan Hollinghurst, Frank McCourt, and Hanya Yanagihara, it is a blistering debut by a brilliant novelist who has a powerful and important story to tell

 

Sobre o Autor:

Stuart Douglas

20
Nov20

Escritor escocês Douglas Stuart venceu prémio literário Booker

Niel Tomodachi

O escritor Douglas Stuart venceu o prémio literário Booker deste ano, com a obra "Shuggie Bain", e é o segundo escritor da Escócia a conquistar o galardão, anunciou hoje a organização.

naom_5ef681995caa5.jpg"'Shuggie Bain' de Douglas Stuart foi hoje à noite nomeado o vencedor do prémio Booker 2020 para Ficção, com o culminar de uma 'cerimónia sem paredes' repleta de 'estrelas' na Roundhouse de Londres", explicita um comunicado divulgado pela organização.

'Shuggie Bain' foi o primeiro romance de Stuart, que é também o segundo escritor escocês a vencer o galardão, depois de James Kelman, em 1994.

A obra é baseada nas experiências pessoais do escritor de uma infância em Glasgow repleta de 'pobreza e dependências'.

O livro transporta o leitor para Glasgow na década de 1980, 'com uma mãe a batalhar contra as dependências'.

Margaret Thatcher era primeira-ministra durante este período, caracterizado pela austeridade implementada pelo Governo conservador em todo o Reino Unido.

Douglas Stuart dedicou a obra à mãe, que morreu vítima de alcoolismo quando o escritor tinha apena 16 anos.

Um dos elementos do júri da edição deste ano, Margaret Busby, comentou que a obra 'está destinada a ser um clássico' por ser um 'retrato comovente, envolvente e matizado de um mundo social muito unido, do seu povo e dos seus valores'.

Além de Douglas, também estavam nomeados os escritoes Diane Cook, Tsitsi Dangarembga, Avni Doshi, Maaza Mengiste e Brandon Taylor.

Esta edição de um dos mais importantes prémios literários da língua inglesa, que premeia ficção publicada desde outubro de 2019, no Reino Unido e Irlanda, é disputada por quatro mulheres e dois homens, todos nomeados pela primeira vez.

Diane Cook ('The New Wilderness'), Tsitsi Dangarembga ('This Mournable Body', o terceiro título de uma trilogia), Avni Doshi ('Burnt Sugar'), Maaza Mengiste ('The Shadow King'), Brandon Taylor ('Real Life') e Douglas Stuart ('Shuggie Bain') saberão em novembro qual deles vencerá o Prémio Booker 2020.

O júri é composto pela editora e crítica literária Margaret Busby, que preside, pelo escritor Lee Child, pelo autor e crítico Sameer Rahim, pelo escritor Lemn Sissay e pela tradutora Emily Wilson. O júri escolheu os nomeados de entre 162 candidatos.

"Os romances da lista de finalistas deste ano vão de uma criança fora do comum, que cresce na classe trabalhadora de Glasgow na década de 1980, a uma mulher que enfrenta um pesadelo pós-colonial no Zimbabué. Pelo caminho encontramos um homem que luta contra o racismo num campus universitário, participamos numa caminhada no deserto após um desastre ambiental, seguimos uma mulher e a sua mãe idosa enquanto viajam pela Índia e, numa exploração do poder feminino, descobrimos como pessoas comuns se 'levantaram' na Etiópia nos anos 1930 para defenderem o seu país contra os invasores italianos. É uma variedade maravilhosa e enriquecedora de histórias, e também extremamente emocionante", afirmou Margaret Bubsy, citada no comunicado hoje divulgado pela organização do prémio.

Fora da lista de finalistas ('shortlist') desta edição do Booker ficou a escritora inglesa Hilary Mantel, que se encontrava entre os 13 nomeados da 'longlist', anunciada no final de julho, com o livro 'The Mirror and the Light', depois de ter vencido o galardão, com os dois títulos anteriores da saga sobre Thomas Cromwell.

Outros autores previamente nomeados para o prémio, como Anne Tyler, com 'Redhead by the Side of the Road', e Colum McCann, com 'Apeirogon', também ficaram fora da lista de finalistas, assim como Gabriel Krauze ('Who They Was'), Kiley Reid ('Such a Fun Age'), Sophie Ward ('Love and Other Thoughts Experiments') e C Pam Zhang ('How Much of These Hills is Gold'), que completavam a lista inicial de nomeados.

No ano passado, o Booker foi conquistado, em conjunto, por 'Os Testamentos', de Margaret Atwood, e 'Girl, Woman, Other', de Bernardine Evaristo.

04
Out20

Anúncio do vencedor do Booker Prize adiado para não coincidir com publicação das memórias de Obama

Niel Tomodachi

O anúncio do vencedor do Booker Prize 2020 foi adiado dois dias para não coincidir com a publicação das memórias de Barack Obama. "Uma Terra Prometida" é lançado a 17 de novembro.

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O vencedor do Booker Prize 2020, que devia ser conhecido a 17 de novembro, vai afinal ser revelado a 19 de novembro para não coincidir com a publicação das memórias do ex-Presidente norte-americano Barack Obama, anunciou a diretora literária da fundação que atribui o prémio.

“Achámos que era infeliz que dois dos mais entusiasmantes eventos literários deste ano — o anúncio do vencedor do Booker Prize 2020 e a publicação das memórias de Barack Obama — calhassem no mesmo dia, então decidimos dar aos leitores dois dias de intervalo”, disse Gaby Wood, citada pela The Bookseller.

A cerimónia da entrega do prémio de ficção em língua inglesa estava agendada para 17 de novembro, o dia em que chega às livrarias Uma Terra Prometia. Será também nesse dia que o livro será publicado em Portugal, pela editora Objetiva.

O anúncio do vencedor costuma ser feito durante um evento organizado no Guildhal, em Londres, com a presença de todos os nomeados mas, devido às restrições atuais, este ano acontecerá digitalmente a partir da Roudhouse, também na capital inglesa. “Detalhes sobre como assistir e participar serão anunciados em breve”, afirmou Gaby Wood.

A edição deste ano dos prémios Booker ter sido marcada por vários adiamentos, sobretudo consequência da pandemia de Covid-19. Depois de a shortlist do galardão de tradução, o International Booker Prize, ter sido anunciada durante o confinamento, a organização decidiu mudar a data do anúncio do vencedor, de maio para final de agosto. Também o anúncio do vencedor do Booker Prize, que geralmente acontece no mês de outubro, foi adiado para novembro, sofrendo agora um segundo adiamento devido às memórias de Obama.

A lista dos seis finalistas do Booker foi anunciada a 15 de setembro e é composta pelos seguintes romances:

  1. The New Wilderness, Diane Cook (EUA). Oneworld Publications;
  2. This Mournable Body, Tsitsi Dangarembga (Zimbabué). Faber & Faber;
  3. Burnt Sugar, Avni Doshi (EUA). Hamish Hamilton, Penguin Random House;
  4. The Shadow King, Maaza Mengiste (Etiópia/EUA). Canongate Books;
  5. Shuggie Bain, Douglas Stuart (Escócia/EUA). Picador, Pan Macmillan;
  6. Real Life, Brandon Taylor (EUA). Originals, Daunt Books Publishing.

No ano passado, o prémio foi atribuído pela primeira vez a duas obras, a Rapariga, Mulher, Outra, da anglo-nigeriana Bernardine Evaristo, e a Os Testamentos, da canadiana Margaret Atwood.

16
Set20

Booker Prize. "Shortlist" inesperada deixa de fora Hilary Mantel

Niel Tomodachi

É talvez a "shortlist" mais diversificada e inesperada de que cá memória. Este ano, o júri do Booker Prize decidiu optar por jovens promessas e deixar de lado os veteranos, como Hilary Mantel.

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Este ano, o júri do Booker Prize decidiu deixar cair as escolhas óbvias, optando por um conjunto de obras escritas por jovens promessas praticamente desconhecidas do grande público. O resultado é a shortlist mais diversificada e talvez mais inesperada de que há memória, com quatro estreantes, um veterano, a zimbabuana Tsitsi Dangarembga, e o primeiro escritor de nacionalidade etíope, Maaza Mengiste.

A lista dos seis finalistas ao prémio de ficção de literatura em língua inglesa foi anunciada ao início da tarde desta terça-feira, durante uma conferência de imprensa transmitida online. Coube à presidente do júri desta edição, Margaret Busby, revelar as obras e autores candidatos ao galardão de 50 mil libras e quem ficou de fora. Entre aqueles que ficaram pelo caminho destaca-se Hilary Mantel. A escritora britânica concorria com o muito aguardado terceiro volume da sua trilogia sobre Thomas Cromwell, The Mirror & The Light (editado este mês de setembro em Portugal com o título O Espelho e a Luz, pela Presença) .

O livro era, desde a sua publicação em fevereiro no Reino Unido, apontado com um grande favorito ao Booker deste ano. Mantel ganhou duas vezes o Booker Prize, pelo primeiro e segundos volumes desta mesma trilogia, Wolf Hall e Bring Up the Bodies (O Livro Negro, na edição portuguesa), em 2009 e 2012, respetivamente. Muitos esperavam que repetisse o feito em 2020, com The Mirror & The Light.

Norte-americanos dominam shortlist

A alteração das regras do Booker em 2014 permitiu a nomeação de qualquer autor que escreva em inglês e cuja obra esteja publicada no Reino Unido. Foi graças a essa mudança que passou a ser possível eleger escritores norte-americanos que, desde então, se tornaram presença recorrente nas listas de candidatos e de vencedores. A shortlit deste ano é particularmente norte-americana (já a longlist o era), com quatro escritores dos Estados Unidos da América e dois com dupla nacionalidade. Entre estes contam-se os quatro estreantes — Diane Cook, Avni Doshi, Douglas Stuart e Brandon Taylor.

A grande exceção é Tsitsi Dangarembga. A autora zimbabuana, atualmente a aguardar julgamento depois de ter detida em Harare por participar num protesto contra a corrupção no governo, concorre com This Mournable Body, sequela do seu romance de 1988 Nervous Conditions, considerado pela BBC um dos 100 livros que mudaram o mundo.

Dangarembga é uma das quatro escritoras a concurso. A shortlist de 2020 inclui apenas dois escritores — Brandon Taylor e Douglas Stuart. Os Booker têm, nos últimos anos, tentado constituir listas mais diversas, com um maior número de mulheres e de escritores não brancos. As shortlists de 2020 dos prémios de ficção e de ficção traduzida são um bom exemplo disso.

O número elevado de norte-americanos ou escritores também com nacionalidade norte-americana na shortlist significa que é muito provável que, este ano, o galardão seja arrebatado por um norte-americano. Se isso se confirmar, será a terceira vez que o Booker irá para um escritor dos Estados Unidos, depois de Paul Beatty e George Saunders o terem ganho em 2016 e 2017, respetivamente.

 

E os seis finalistas são…

shorlist completa é a seguinte:

  1. The New Wilderness, Diane Cook (EUA). Oneworld Publications;
  2. This Mournable Body, Tsitsi Dangarembga (Zimbabué). Faber & Faber;
  3. Burnt Sugar, Avni Doshi (EUA). Hamish Hamilton, Penguin Random House;
  4. The Shadow King, Maaza Mengiste (Etiópia/EUA). Canongate Books;
  5. Shuggie Bain, Douglas Stuart (Escócia/EUA). Picador, Pan Macmillan;
  6. Real Life, Brandon Taylor (EUA). Originals, Daunt Books Publishing.

 

Além da editora Margaret Busby, o júri do Booker de 2020 inclui os escritores Lee Child, Lemn Sissay, o jornalista Sameer Rahim e a classicista e tradutora Emily Wilson.

Em 2019, o Booker Prize foi atribuído pela primeira vez a duas obras, a Rapariga, Mulher, Outra, da anglo-nigeriana Bernardine Evaristo, e a Os Testamentos, da canadiana Margaret Atwood. O vencedor do Booker é geralmente conhecido em meados de outubro, mas este ano a organização decidiu empurrar o anúncio para o dia 17 de novembro. Este acontece por norma durante um evento organizado no Guildhal, em Londres, com a presença de todos os nomeados. Ainda não é certo se a habitual cerimónia acontecerá este ano devido à Covid-19.

A pandemia do novo coronavírus levou a Booker Prize Foundation a fazer algumas mudanças relativamente à edição de 2020 dos dois prémios que atribui todos os anos — o International Booker Prize e o Booker Prize. O primeiro, o prémio de tradução, foi o mais afetado — a shortlist foi revelada durante o confinamento e o anúncio do vencedor foi adiado vários meses, de maio para o final de agosto. Este foi atribuído a Marieke Lucas Rijneveld, dos Países Baixos, pelo romance The Discomfort of Evening.

 
03
Set20

MARIEKE LUCAS RIJNEVELD É A VENCEDORA DO INTERNATIONAL BOOKER PRIZE

Niel Tomodachi

Marieke Lucas Rijneveld, de 29 anos, é a vencedora do prestigiado Booker International com a obra de estreia The Discomfort of Evening.

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Editado originalmente em 2018 na Holanda, trata-se de um romance com uma «força inegável» que revela «talento e habilidade electrizantes» e «ganha força» a cada nova leitura, justificou esta quarta-feira o presidente do júri Ted Hodgkinson, durante o anúncio oficial.

Segundo a autora, a obra demorou seis anos a ser escrita e foi inspirada pelos sentimentos de perda e de luto causados pela morte do irmão mais velho de Marieke, Matthies, num acidente durante uma viagem à neve. Numa ligação visceral à infância, The Discomfort of Evening acompanha a história de Jas, uma rapariga de 12 anos, e da sua família conservadora e extremamente devota, cujas vidas sofrem uma reviravolta após uma morte inesperada. Tem como pano de fundo a zona rural dos Países Baixos, de onde Rijneveld é originária.

 

28
Jul20

Revelada "longlist" (muito norte-americana) do Booker Prize 2020

Niel Tomodachi

Anne Burns pôs um ponto final ao domínio dos EUA com "Milkman", mas este ano pode haver uma reviravolta no Booker: 9 dos 13 romances escolhidos foram escritos por autores de nacionalidade americana.

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Já se conhecem os primeiros nomeados para o Booker Prize de 2020. A longlist do principal prémio de ficção em língua inglesa foi revelada online durante os primeiros minutos desta terça-feira. A lista inclui Hilary Mantel, apontada como uma das candidatas mais prováveis (a integrar a lista mas também a ganhar o Booker pela terceira vez), mas não o de Ali Smith, outra favorita. O número de escritores britânicos é, este ano, relativamente diminuto — são apenas três em 13, Mantel incluída — e são muitas as estreias.

Pelo contrário, os autores de nacionalidade norte-americana estão em grande maioria (nove dos 13 romances selecionados), o que poderá significar um regresso às vitórias americanas e uma derrota para Mantel e para o volume final da trilogia sobre Thomas Cromwell, The Mirror & The Light. Depois de o Booker Prize ter mudado as regras para incluir escritores de língua inglesa outras nacionalidades que tenham obra publicada no Reino Unido, o prémio já foi atribuído duas vezes a norte-americanos — a Paul Beatty, por The Sellout, e a George Saunders, por Lincoln in the Bardo, em 2016 e 2017, respetivamente.

Este rol de vitórias seguidas foi interrompido em 2018 por Anne Burns, autora de The Milkman. Burns foi o primeiro autor da Irlanda do Norte a vencer o galardão de ficção em inglês. No ano passado, o Booker foi pela primeira vez entregue a duas obras em simultâneo, The Testaments, da canadiana Margaret Atwood, e Girl, Woman, Other, da britânica Bernardine Evaristo.

Uma das surpresas desta longlist é talvez a zimbabuana Tsitsi Dangarembga, que concorre com This Mournable Body, uma sequela do seu romance de 1988, Nervous Conditions, considerado pela BBC um dos 100 livros que mudaram o mundo, que deixou uma forte impressão em todos os jurados. Dangarembga é um dos poucos autores estabelecidos de uma lista composta sobretudo por estreias.

Muitos estreantes e poucos conhecidos com diferentes vozes e histórias poderosas
A lista de 13 candidatos de 2020 destaca-se também pelo elevado número de estreias no mundo literário. É o caso do norte-americano Brandon Taylor e do seu romance Real Life, a história de um homem negro, queer e introvertido de Alabama, descrita pelo júri como “um relato profundamente doloroso e detalhado de micro-agressões, abusos, racismo, homofobia, trauma, sofrimento e alienação”. Também Avni Doshi entra para a longlist com uma estreia, Burnt Sugar, sobre as memórias de infância de uma mulher indiana.

Em comunicado, o diretor literário da Booker Prize Foundation, Gaby Wood, referiu-se precisamente à predominância dos estreantes (mais de metade da lista), considerando ser “uma proporção alta pouco comum e especialmente surpreendente para os próprios jurados, que admiraram muitos livros de autores mais estabelecidos e que tiveram de os deixar ir”. “É talvez óbvio que histórias poderosas podem surgir de lugares inesperados e sob formas inesperadas; no entanto, esta lista caleidoscópica serve como lembrete”, afirmou.

Margaret Busby, presidente do júri do Booker Prize 2020, admitiu que cada um dos romances deixou “um impacto” nos jurados “que conquistou um lugar na longlist“, apontando que os livros escolhidos estão atentos à história, têm “personagens memoráveis” e representam “um momento de mudança cultural ou as pressões que um indivíduo enfrenta numa sociedade pré ou pós-distópica”.

“Alguns dos livros concentram-se nas relações interpessoais que são complexas, com diferentes nuances e emocionalmente carregadas. Existem vozes das minorias que não são ouvidas, histórias que são frescas, arriscadas e absorventes”, afirmou. “A melhor ficção permite ao leitor relacionar-se com a vida das outras pessoas; partilhar experiências que nunca imaginámos é tão poderoso como ser capaz de nos identificarmos com as personagens.”

 

Uma lista muito americana (e um bocadinho britânica)

 

Os 13 romances que compõem a longlist de 2020 são:

 

  1. The New Wilderness, Diane Cook (EUA). Oneworld Publications;
  2. This Mournable Body, Tsitsi Dangarembga (Zimbabué). Faber & Faber;
  3. Burnt Sugar, Avni Doshi (EUA). Hamish Hamilton, Penguin Random House;
  4. Who They Was, Gabriel Krauze (Reino Unido). 4th Estate, HarperCollins;
  5. The Mirror & The Light, Hilary Mantel (Reino Unido). 4th Estate, HarperCollins;
  6. Apeirogon, Colum McCann (Irlanda/EUA). Bloomsbury Publishing;
  7. The Shadow King, Maaza Mengiste (Etiópia/EUA). Canongate Books;
  8. Such a Fun Age, Kiley Reid (EUA). Bloomsbury Circus, Bloomsbury Publishing;
  9. Real Life, Brandon Taylor (EUA). Originals, Daunt Books Publishing;
  10. Redhead by The Side of The Road, Anne Tyler (EUA). Chatto & Windus, Vintage;
  11. Shuggie Bain, Douglas Stuart (Escócia/EUA). Picador, Pan Macmillan;
  12. Love and Other Thought Experiments, Sophie Ward (Reino Unido). Corsair, Little, Brown;
  13. How Much of These Hills is Gold, C Pam Zhang (EUA). Virago, Little, Brown.

 

O júri da edição deste ano do Booker inclui, além da presidente, a editora Margaret Busby, os escritores Lee Child, Lemn Sissay, o jornalista Sameer Rahim e a classicista e tradutora Emily Wilson. A shortlist dos seis romances finalistas ao Booker Prize de 2020 será anunciada também online a 15 de setembro e o grande vencedor, como é costume, em outubro, no dia 27.

 

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