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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

30
Ago22

Degelo na Gronelândia elevará nível do mar em 27 centímetros, o dobro do previsto

Niel Tomodachi

A camada de gelo da Gronelândia, que está a derreter rapidamente, irá acabar por elevar o nível global do mar em pelo menos 27 centímetros, mais do dobro do que anteriormente previsto, segundo um estudo publicado esta segunda-feira.

27 centímetros são mais do que o dobro do aumento do nível do mar que os cientistas esperavam com o degelo

Este efeito pode ser causado pelo chamado "gelo zombie", ou "gelo condenado", que, embora ainda preso a áreas mais espessas de gelo, já não é "reabastecido" por glaciares próximos que agora recebem menos neve.

Sem este "reabastecimento", o "gelo condenado" está a derreter com as alterações climáticas e inevitavelmente irá elevar o nível do mar, salientou William Colgan, especialista do Serviço Geológico da Dinamarca e da Gronelândia e coautor do estudo.

"É gelo morto. Vai derreter e desaparecer da camada de gelo. Este gelo será enviado para o oceano, independentemente do cenário climático que adotemos agora", realçou Colgan em conferência de imprensa.

O autor principal do estudo, Jason Box, especialista em glaciares da Gronelândia, alertou que a situação é estar "com um pé para a cova".

Os inevitáveis 27 centímetros apontados pelo estudo são mais do que o dobro do aumento do nível do mar que os cientistas esperavam com o degelo na Gronelândia.

A investigação, publicada na revista Nature Climate Change, aponta que pode chegar a 78 centímetros.

Por outro lado, o relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) do ano passado projetou um alcance de 06 a 13 centímetros para o provável aumento do nível do mar, pelo derretimento do gelo da Groenlândia, até o ano 2100.

Neste trabalho, os cientistas olharam para o gelo em risco. Em perfeito equilíbrio, a queda de neve nas montanhas da Gronelândia desce, recarrega e engrossa as laterais dos glaciares, equilibrando o que está a derreter.

Mas, nas últimas décadas, há menos "reabastecimento" e mais degelo, o que cria um desequilíbrio.

Os autores do trabalho analisaram a proporção do que está a ser adicionado ao que está a ser perdido e calcularam que 3,3% do volume total de gelo da Gronelândia irá derreter, sem que importe o que aconteça no mundo com a redução da poluição por carbono, salientou Colgan.

Mais de 120 triliões de toneladas de gelo já estão fadadas a derreterem, devido à incapacidade do manto de gelo reabastecer as laterais.

"Esta é uma perda muito grande e terá um efeito prejudicial nas costas de todo o mundo", destacou David Holland, da NYU, que regressou recentemente da Gronelândia, mas não faz parte da investigação.

Esta é a primeira vez que os cientistas calculam uma perda mínima de gelo - e o aumento do nível de mar que causa - para a Gronelândia, uma das duas enormes camadas de gelo do planeta.

As duas estão a diminuir lentamente devido às alterações climáticas decorrentes da queima de carvão, petróleo e gás natural.

O 'timing' é uma questão sem resposta no estudo. Os investigadores frisaram que não podem estimar o momento do degelo do 'gelo condenado', mas apontaram que será "dentro deste século", embora não o assumam concretamente.

 

05
Ago22

A Grande Barreira de Coral na Austrália começa a mostrar sinais de recuperação

Niel Tomodachi

É uma das sete maravilhas naturais do mundo e está em risco de desaparecer devido às alterações climáticas.

Mergulhar na Grande Barreira de Coral está no topo da bucket list de muita gente. É uma das sete maravilhas naturais do mundo e um dos locais de excelência para fazer mergulho. No entanto, os incríveis corais, os peixes coloridos, aquela magia toda debaixo de água foi-se tornando numa paisagem branca de corais mortos.

Em menos de 30 anos, a Grande Barreira de Corais na Austrália perdeu metade dos seus corais devido às alterações climáticas. Um estudo, realizado em outubro de 2020, revelou aquilo que muitos cientistas temiam: um dos habitats mais importantes do nosso planeta estava mesmo em risco de desaparecer.

Felizmente, a Grande Barreira de Corais da Austrália registou a maior quantidade de cobertura de coral dos últimos 36 anos. Segundo um relatório do Instituto Australiano de Ciências Marinhas (IACM), que analisou dados de 87 pontos da Grande Barreira, foram verificados os sinais de recuperação mais animadores dos últimos anos.

As partes norte e central do recife conseguiram ultrapassar os danos mais depressa do que o previsto. A cobertura aumentou 36 por cento nos locais monitorados, mais nove por cento do que em 2021. Já na região sul, a percentagem desceu de 38 por cento, no ano passado, para 34 por cento em 2022. Esta recuperação deveu-se sobretudo aos corais Acropora, um coral ramificado que sustenta milhares de espécies marinhas.

Apesar das boas notícias, o presidente do IACM, Paul Hardisty, alertou que tudo pode mudar novamente, caso existam ciclones ou outros eventos de surtos de coroas de espinhos, que acabam por matar os corais.

“O que é preocupante é que a frequência destes eventos que causam perturbações está a aumentar, particularmente os fenómenos de grande escala de branqueamento de corais”, disse o líder do programa de monitorização, citado pelo “Público”.

A Grande Barreira de Corais, património da UNESCO, tem vindo a desaparecer nos últimos anos devido às alterações climáticas. O número de corais pequenos, médios e grandes diminuiu em mais de 50 por cento desde os anos 1990. 

O desaparecimento de corais ocorreu em águas rasas e profundas, e em quase todas as espécies, mas particularmente em corais ramificados e em forma de mesa, que têm sido os mais afetados pelas temperaturas recordes que desencadearam o branqueamento em massa em 2016 e 2017.

O branqueamento dos corais é o resultado do stress devido a mudanças na luz, temperatura e nutrientes, um processo que os leva a expelir algas simbióticas nos seus tecidos e a tornarem-se vulneráveis.

 

22
Jul22

Alterações climáticas vão afetar os cavalos-marinhos, diz novo estudo português

Niel Tomodachi

As altas temperaturas irão elevar os custos energéticos da espécie e diminuir a sua condição corporal.

Não é segredo que as alterações climáticas estão a afetar tanto os humanos, quanto os animais, em especial, os marinhos. Um estudo realizado por uma equipa de investigadores do MARE-ISPA, que chegou ao fim esta terça-feira, 19 de julho, visou analisar o aquecimento dos oceanos e o seu impacto no comportamento e fisiologia do cavalo-marinho-de-focinho-comprido.

A sede da pesquisa foi o Biotério de Organismos Aquáticos do Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida (ISPA). A instalação acolheu 22 espécies retiradas da Reserva Natural do Estuário do Sado, um dos maiores estuários da Europa.

Durante dois meses, a espécie foi exposta a temperaturas diversas, entre os 18 e os 24 graus, sendo a última a temperatura prevista para o final deste século. Foram analisados as taxas de ingestão e o sistema reprodutor dos cavalos-marinhos, e as conclusões indicaram que os peixes terão custos energéticos elevados e uma diminuição na sua condição corporal.

“Apesar dos cavalos-marinhos terem resiliência térmica e capacidade de adaptação a curto prazo, o gasto de energia que a exposição a temperaturas mais elevadas pode acarretar, a médio-longo prazo, poderá trazer consequências ao nível do crescimento e sobrevivência da espécie”, explicou a coordenadora do estudo, Ana Margarida Faria, num comunicado publicado pelo ISPA.

Nos últimos anos, os cavalos-marinhos-de-focinho-comprido têm apresentado um declínio acentuado em Portugal, de acordo com a página oficial da espécie no Oceanário de Lisboa. Entre os principais problemas de conservação, está a sua captura para, posteriormente, serem vendidos como lembranças.

Gonçalo Silva, investigador do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), frisou a importância da recolha de dados para “que se possam tomar decisões e aplicar medidas de mitigação e de conservação, com base científica”. Os cavalos-marinhos analisados no estudo foram devolvidos “sãos e salvos” ao estuário na quarta-feira, 20 de julho.

 

28
Jun22

O país que proibiu nadar e mergulhar para proteger um tesouro

Niel Tomodachi

A ilha de Hon Mun, no Vietname, é conhecida pelas suas praias paradisíacas, frequentadas por milhares de turistas. A partir de agora, é expressamente proibido nadar e mergulhar naquelas águas.

A razão é simples. O Governo vietnamita pretende proteger o já de si muito danificado recife de coral lá existente, o que para muito contribuiu a grande procura por parte de mergulhadores.

“Queremos avaliar as condições da área sensível do recife para que possa ser levado a cabo um plano adequado a fim de decretar a área de conservação do mar”, explicaram as autoridades locais.

Cerca de 60% do mar costeiro em Hon Mun estava coberto por corais vivos em 2020. Descobertas recentes mostraram que o valor diminuiu para menos de 50%.

A pesca ilegal, dragagens e construções de parques industriais foram também fatores que contribuíram para o drama ambiental.

Com mais 3200 quilómetros de costa, o Vietname tem tomado medidas alargadas de proteção ambiental, mesmo que choquem com a não escondida busca por receitas turísticas.

Os recifes de coral em todo o Sudeste Asiático foram fortemente atingidos pelo aquecimento global.

A sua degradação, diz a comunidade científica, pode ter efeitos devastadores ambientais e económicos.

O Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas alertou que 4,5 milhões de pessoas na Ásia e na região do Oceano Índico podem ser afetadas por recifes danificados.

 

29
Abr22

Os bancos de jardim em Copenhaga que alertam para a subida do nível das águas

Niel Tomodachi

Sensibilizar a população para os perigos das alterações climáticas é o objetivo da iniciativa.

As alterações climáticas e as suas consequências são cada vez mais uma preocupação e urge alertar a população mundial para a problemática de modo a tentar contorná-la. Multiplicam-se, portanto, as várias campanhas de sensibilização que procuram trazer envolver as pessoas nesta causa. Algumas delas, por terem tanto de inusitado e original como de simples, alcançam particular destaque, até porque obrigam quem com elas se cruza a parar e refletir.

Deste grupo, sobressai uma recente iniciativa da emissora pública dinamarquesa, a “TV 2 Denmark”. Numa tentativa de despertar o interesse dos cidadãos para o risco da subida das águas motivada pela crise ambiental, a estação aumentou, em um metro, a altura dos pés de dez bancos de jardim que encontram espalhados por Copenhaga. Esta é a altura que se espera que o nível das águas atinja até 2100.

De acordo com o “Público”, em cada novo equipamento é possível ler uma mensagem: “as inundações vão tornar-se parte da nossa vida quotidiana, a não ser que algo seja feito em relação ao clima. De acordo com o mais recente Relatório Climático das Nações Unidas, espera-se que o nível da água do mar suba até um metro antes do ano 2100 se o aquecimento global continuar.”

Em comunicado citado pela mesma publicação, Jacob Weinreich, diretor do canal de televisão, considerou que muitos dinamarqueses “se sentem perdidos com tantos números, relatórios, dados e previsões” que discutem o aquecimento global, e que é “responsabilidade” da TV 2 Denmark, enquanto “emissora de serviço público”, “transmitir a informação de forma a que a todos entendam”. A iniciativa surge, assim, para simplificar uma mensagem que, pela elevada quantidade de dados, tende a ser complexa, mas cuja compreensão é urgente.

Para atingir o objetivo, o canal recorreu a algo que toda a população consegue, facilmente, identificar. “O nosso ponto de partida é o famoso e icónico banco da cidade de Copenhaga, mobiliário urbano que é igual em todo o país desde 1888”, concluiu.

Fotografia: Instagram @tv2danmark.

 

10
Nov21

"A Missão das Cidades no Combate às Alterações Climáticas" de Jorge Cristino

A governança multinível para o êxito da saúde planetária

Niel Tomodachi

Um livro sobre o problema das alterações climáticas e o desenvolvimento sustentável.

Sobre o Livro:

Na era do desenvolvimento sustentável, em que as organizações internacionais definem estratégias, agendas, metas e objetivos como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, o Acordo de Paris, a Nova Agenda Urbana ou o novo Green Deal, cabe cada vez mais às cidades o papel de implementar ações e medidas que contribuam para tais compromissos e que envolvam mais as comunidades, através da cooperação multilateral e do trabalho em rede ao nível internacional, transnacional e intergovernamental.

O crescimento demográfico global, a concentração da população em áreas urbanas e o aumento insustentável do consumo têm levado a um aumento da pegada ecológica sem precedentes, provocando impactos devastadores no planeta.

Neste livro, dá-se destaque ao papel que as cidades podem e devem desempenhar no panorama internacional em prol da sustentabilidade e da saúde planetária.

 

Sobre o Autor:

Jorge Cristino é natural da Figueira da Foz. Mestre em Relações Internacionais. Atualmente exerce funções como gestor público no setor empresarial do Estado, na área do ambiente. Ao nível autárquico, foi adjunto da vereação, nas áreas do Ambiente, Serviços Urbanos, Mobilidade, Proteção Civil Municipal, Urbanismo e Relações Internacionais.

 

27
Out21

Um dinossauro à solta na ONU (VÍDEO)

Niel Tomodachi

Um dinossauro irrompeu pela sala da Assembleia Geral das Nações Unidas e foi até ao palanque alertar os dirigentes mundiais para os perigos das alterações climáticas

Esta situação não é mais do que um curto filme lançado esta terça-feira pelo Programa de Desenvolvimento da ONU como peça central da campanha Não Escolham a Extinção. No filme, o primeiro a ser feito na sala da Assembleia Geral usando imagens geradas por computador, celebridades de todo o mundo dão voz ao dinossauro Frankie, que entra na sala e avança até ao palanque, por entre a surpresa e o medo dos presentes.

“Nós, pelo menos, tivemos um asteroide. Qual é a vossa desculpa?”, pergunta Frankie, referindo-se à teoria mais popular para explicar a extinção dos dinossauros, há 70 milhões de anos, a queda de um asteroide, que provocou um inverno de milhares de anos no Planeta. "É tempo de os humanos pararem de arranjar desculpas e começarem a fazer mudanças" para lidar com a crise climática", diz.

 

21
Ago21

Mais um sinal de crise: choveu pela primeira vez no pico da calota polar da Gronelândia

Niel Tomodachi

É mais um sinal claro da crise climática que assola o nosso planeta: chuva caiu onde nunca tinha caído, no cume da enorme calota de gelo da Gronelândia. Pelo menos desde que há registos. Aliás, a precipitação foi tão inesperada que os cientistas nem tinham forma de a calcular.

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No pico dos 3216 metros da massa de gelo daquela que é a maior ilha do Mundo, localizada entre o Atlântico Norte e o Oceano Ártico, as temperaturas estão normalmente bem abaixo dos 0ºC e seria altamente improvável - senão mesmo impossível, até agora - que a chuva ali caísse. No entanto, o "impossível" aconteceu entre os dias 14 e 16 de agosto, quando os cientistas na estação de pesquisa da Fundação Nacional da Ciência dos Estados Unidos viram as gotas de água a descer do céu em direção ao glaciar. Pela primeira vez desde que há registos.

De tão inesperada que era a precipitação naquela zona do planeta, os cientistas não tinham sequer medidores para calcular, em número exato, o volume da chuva. Mas, em estimativa, acreditam que tenham caído das nuvens cerca de sete mil milhões de toneladas de água em toda a Gronelândia.

O fenómeno aconteceu durante uma vaga de três dias excecionalmente quentes naquela ilha, quando as temperaturas eram 18ºC mais altas do que a média em alguns lugares. Resultado: gelo a derreter um pouco por toda a Gronelândia, que tem mais de 44 mil quilómetros de linha de costa.

Sem precedentes

Os avisos já foram lançados e as consequências já são visíveis em muitas partes do Mundo: vivemos uma crise climática e estamos "a ultrapassar os limites", alertam os especialistas. O episódio na Gronelândia é só mais um sinal claro do impacto ambiental no planeta.

"O que está a acontecer não é simplesmente uma ou duas décadas quentes num padrão climático errante. Isto não tem precedentes. Estamos a ultrapassar limites que não eram vistos em milénios e, francamente, isso não vai mudar até que ajustemos o que estamos a fazer ao ar", disse à CNN Ted Scambos, o cientista do Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo da Universidade do Colorado que relatou a queda da chuva no pico da calota de gelo.

Um relatório recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) concluiu que era "inequívoco" que as emissões de carbono das atividades humanas estão a aquecer o planeta e a causar impactos como o derretimento do gelo e a elevação do nível do mar.

Ponto de não retorno

Em maio, investigadores relataram que uma parte significativa da camada de gelo da Gronelândia estava a aproximar-se de um ponto de inflexão, após o qual o derretimento acelerado se tornaria inevitável, mesmo se o aquecimento global fosse interrompido.

A Gronelândia também teve um episódio de degelo em grande escala em julho, tornando 2021 um dos quatro anos no último século com um derretimento tão grande, como em 2019, 2012 e 1995. A chuva e o degelo de 14 a 16 de agosto ocorreram no último momento do ano em que um grande evento foi registado.

A causa destes fenómenos é a mesma: o ar quente é "empurrado" sobre a Gronelândia e mantido ali. Esses eventos de "bloqueio" não são incomuns, mas parecem estar a tornar-se mais graves, segundo os cientistas.

Se todo o gelo da Gronelândia derretesse, o nível global do mar aumentaria cerca de 6 metros, embora isso levasse séculos ou mesmo milénios para acontecer. Ainda assim, os biliões de toneladas de gelo derretidos na Groenlândia desde 1994 estão a elevar o nível do mar e a colocar em risco as cidades costeiras de todo o Mundo.

O nível do mar já subiu 20 centímetros e o IPCC disse que a variação provável até ao final do século era de mais 28-100 centímetros, embora pudesse chegar aos 200. O gelo da Gronelândia está a derreter mais rápido do que em qualquer outro momento nos últimos 12 mil anos, com a perda de gelo a ocorrer a uma taxa de cerca de 1 milhão de toneladas por minuto em 2019, estimam os cientistas.

 

10
Ago21

Greta Thunberg inaugura Vogue escandinava e critica indústria da moda

Niel Tomodachi

"Não se pode produzir moda em massa ou consumir 'sustentavelmente' no mundo de hoje", alertou a ativista, que critica a indústria da moda.

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ativista Greta Thunberg foi escolhida para a capa da primeira edição da Vogue Escandinávia, onde chamou a atenção para a indústria da moda, uma das mais poluentes do mundo.

"A indústria da moda é um dos principais causadores da emergência ecológica e climática, sem falar no seu impacto nos inúmeros trabalhadores e comunidades que são explorados em todo o mundo para que alguns possam usufruir do pronto-a-vestir que muitos tratam como descartável", indicou a jovem de 18 anos, na publicação de Instagram onde apresenta a capa.

Greta Thunberg alerta que muitas marcas começaram a mostrar preocupação com o ambiente e até "se definem como 'sustentáveis', 'éticas', 'verdes' ou 'justas'". "Mas vamos ser claros: isto é quase sempre falso. Não se pode produzir moda em massa ou consumir 'sustentavelmente' no mundo de hoje", acrescentou, apelando a uma "mudança de paradigma".

 

A editora da revista, Martina Bonnier, disse-se "orgulhosa" por poder contar com a Greta para a primeira edição. "Não só é uma figura escandinava singular e uma força de mudança, como também incorpora o amor pela natureza, a busca pela sustentabilidade e a coragem ousada que está no centro da nossa visão", afirmou, no editorial daquela edição.

Por cá, a porta-voz do Pessoas-Animais-Natureza (PAN), Inês Sousa Real, aproveitou para chamar a atenção para o tema. "A rapidez com que se descarta a roupa e a ausência de uma cadeia de tratamento deste resíduo, proposto pelo PAN em Portugal e que foi rejeitado, contribui igualmente para a degradação do meio ambiente", indicou.

30
Jun21

Alterações climáticas: Lema do semestre português "não ficou cumprido"

Niel Tomodachi

O lema da presidência portuguesa da União Europeia "não ficou cumprido", porque em tudo o que diz respeito às alterações climáticas a UE "não se impôs", considerou em entrevista à agência Lusa o diretor executivo da Amnistia Internacional Portugal.

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"Houve uma Cimeira Social, que foi até um dos momentos altos da presidência, que aconteceu no Porto [em maio], que referiu a questão da pobreza, tocando também aqui a questão digital e as alterações climáticas, mas tudo com objetivos a muito longo prazo e sem um plano concreto de ação", disse Pedro Neto, ao fazer um balanço da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, que hoje termina.

Portugal assumiu a 01 de janeiro, pela quarta vez, a presidência europeia, sob o lema "Tempo de agir: por uma recuperação justa, verde e digital".

"Este era um mote que nos entusiasmou, porque tinha em conta a justiça, a justiça social, a questão das alterações climáticas e também a inovação e a modernização em tudo o que diz respeito ao mundo digital, ao que o digital vem facilitar a vida, quer a vida em sociedade, quer a vida pessoal e também em relação às questões relativas a dados pessoais e à proteção da identidade das pessoas", assumiu o dirigente da Amnistia Internacional (AI).

"Infelizmente vamos percebendo que, por vezes, as declarações de intenções são compromissos do momento, que são feitos com entusiasmo, mas se não forem acompanhados de um plano concreto de operacionalização depois ficam por aí e aquilo que vemos são as datas a prolongarem-se", lamentou.

Passados seis meses, e face às expectativas criadas, fica um "sabor agridoce", nas palavras de Pedro Neto, que reconheceu ter havido também "alguns pontos positivos" na presidência portuguesa.

"Houve questões que foram acontecendo no plano de um desafio enorme que a presidência portuguesa herdou, numa das alturas mais duras desta pandemia a viver-se nos meses de janeiro e fevereiro, também com uma economia de rastos, a população desgastada com esta vaga de covid-19 na altura a ensombrar toda a Europa", referiu.

"Aquilo que nos animou perante este cenário foi essa atitude, a recuperação justa, verde, digital, esse entusiasmo que parecia que nos ia dar um semestre com os Direitos Humanos sempre em cima da mesa como tema crítico", um dos pilares fundamentais da União Europeia, sublinhou o ativista.

Na questão do clima, Pedro Neto destacou que os vários acordos existentes no mundo não estão a responder à urgência que vivem determinadas populações, obrigadas a procurar refúgio em outros países e a enfrentar a fome no seu próprio país.

"Muitos dos novos pobres e dos migrantes também já o são por questões como as alterações climáticas e não vemos aqui nenhuma ação muito concreta e decisiva, nenhum plano de intervenção com datas. Só vemos a data final de quando é para estar cumprido, mas não vemos mais", declarou.

De acordo com a apreciação que fez da presidência portuguesa, há uma intenção de construir o edifício, mas é necessário "construir passo a passo e definir" um caminho, que não vislumbra.

Entre os pontos positivos do último semestre, Pedro Neto destacou, no plano dos eventos, a celebração dos 10 anos da Convenção de Istambul, com uma conferência de alto nível sobre a violência contra as mulheres na União Europeia, na qual se debateu e refletiu sobre o problema.

As celebrações ficaram, no entanto, ensombradas com a saída da Turquia deste compromisso.

"Ao olharmos para o tempo, para estes 10 anos, e mesmo para este semestre, parece que não houve progressos significativos, nem houve a adesão de mais Estados membros à Convenção, o que para nós é muito preocupante, bem pelo contrário, acabou por sair um dos Estados membro", disse.

No que diz respeito à igualdade de género, Pedro Neto destacou a divulgação de um relatório em que se abordou "de uma forma muito positiva" a necessidade de quotas para impulsionar a igualdade em lugares de decisão nas várias esferas da sociedade e que apresentou uma "percentagem preocupante e que é preciso reverter".

"A liderança [feminina] ainda é feita apenas por 33% na política e 19% nos negócios. É preciso equilibrar estas percentagens para uma maior igualdade", concluiu.

 

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