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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

29
Abr22

Os bancos de jardim em Copenhaga que alertam para a subida do nível das águas

Niel Tomodachi

Sensibilizar a população para os perigos das alterações climáticas é o objetivo da iniciativa.

As alterações climáticas e as suas consequências são cada vez mais uma preocupação e urge alertar a população mundial para a problemática de modo a tentar contorná-la. Multiplicam-se, portanto, as várias campanhas de sensibilização que procuram trazer envolver as pessoas nesta causa. Algumas delas, por terem tanto de inusitado e original como de simples, alcançam particular destaque, até porque obrigam quem com elas se cruza a parar e refletir.

Deste grupo, sobressai uma recente iniciativa da emissora pública dinamarquesa, a “TV 2 Denmark”. Numa tentativa de despertar o interesse dos cidadãos para o risco da subida das águas motivada pela crise ambiental, a estação aumentou, em um metro, a altura dos pés de dez bancos de jardim que encontram espalhados por Copenhaga. Esta é a altura que se espera que o nível das águas atinja até 2100.

De acordo com o “Público”, em cada novo equipamento é possível ler uma mensagem: “as inundações vão tornar-se parte da nossa vida quotidiana, a não ser que algo seja feito em relação ao clima. De acordo com o mais recente Relatório Climático das Nações Unidas, espera-se que o nível da água do mar suba até um metro antes do ano 2100 se o aquecimento global continuar.”

Em comunicado citado pela mesma publicação, Jacob Weinreich, diretor do canal de televisão, considerou que muitos dinamarqueses “se sentem perdidos com tantos números, relatórios, dados e previsões” que discutem o aquecimento global, e que é “responsabilidade” da TV 2 Denmark, enquanto “emissora de serviço público”, “transmitir a informação de forma a que a todos entendam”. A iniciativa surge, assim, para simplificar uma mensagem que, pela elevada quantidade de dados, tende a ser complexa, mas cuja compreensão é urgente.

Para atingir o objetivo, o canal recorreu a algo que toda a população consegue, facilmente, identificar. “O nosso ponto de partida é o famoso e icónico banco da cidade de Copenhaga, mobiliário urbano que é igual em todo o país desde 1888”, concluiu.

Fotografia: Instagram @tv2danmark.

 

10
Nov21

"A Missão das Cidades no Combate às Alterações Climáticas" de Jorge Cristino

A governança multinível para o êxito da saúde planetária

Niel Tomodachi

Um livro sobre o problema das alterações climáticas e o desenvolvimento sustentável.

Sobre o Livro:

Na era do desenvolvimento sustentável, em que as organizações internacionais definem estratégias, agendas, metas e objetivos como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, o Acordo de Paris, a Nova Agenda Urbana ou o novo Green Deal, cabe cada vez mais às cidades o papel de implementar ações e medidas que contribuam para tais compromissos e que envolvam mais as comunidades, através da cooperação multilateral e do trabalho em rede ao nível internacional, transnacional e intergovernamental.

O crescimento demográfico global, a concentração da população em áreas urbanas e o aumento insustentável do consumo têm levado a um aumento da pegada ecológica sem precedentes, provocando impactos devastadores no planeta.

Neste livro, dá-se destaque ao papel que as cidades podem e devem desempenhar no panorama internacional em prol da sustentabilidade e da saúde planetária.

 

Sobre o Autor:

Jorge Cristino é natural da Figueira da Foz. Mestre em Relações Internacionais. Atualmente exerce funções como gestor público no setor empresarial do Estado, na área do ambiente. Ao nível autárquico, foi adjunto da vereação, nas áreas do Ambiente, Serviços Urbanos, Mobilidade, Proteção Civil Municipal, Urbanismo e Relações Internacionais.

 

27
Out21

Um dinossauro à solta na ONU (VÍDEO)

Niel Tomodachi

Um dinossauro irrompeu pela sala da Assembleia Geral das Nações Unidas e foi até ao palanque alertar os dirigentes mundiais para os perigos das alterações climáticas

Esta situação não é mais do que um curto filme lançado esta terça-feira pelo Programa de Desenvolvimento da ONU como peça central da campanha Não Escolham a Extinção. No filme, o primeiro a ser feito na sala da Assembleia Geral usando imagens geradas por computador, celebridades de todo o mundo dão voz ao dinossauro Frankie, que entra na sala e avança até ao palanque, por entre a surpresa e o medo dos presentes.

“Nós, pelo menos, tivemos um asteroide. Qual é a vossa desculpa?”, pergunta Frankie, referindo-se à teoria mais popular para explicar a extinção dos dinossauros, há 70 milhões de anos, a queda de um asteroide, que provocou um inverno de milhares de anos no Planeta. "É tempo de os humanos pararem de arranjar desculpas e começarem a fazer mudanças" para lidar com a crise climática", diz.

 

21
Ago21

Mais um sinal de crise: choveu pela primeira vez no pico da calota polar da Gronelândia

Niel Tomodachi

É mais um sinal claro da crise climática que assola o nosso planeta: chuva caiu onde nunca tinha caído, no cume da enorme calota de gelo da Gronelândia. Pelo menos desde que há registos. Aliás, a precipitação foi tão inesperada que os cientistas nem tinham forma de a calcular.

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No pico dos 3216 metros da massa de gelo daquela que é a maior ilha do Mundo, localizada entre o Atlântico Norte e o Oceano Ártico, as temperaturas estão normalmente bem abaixo dos 0ºC e seria altamente improvável - senão mesmo impossível, até agora - que a chuva ali caísse. No entanto, o "impossível" aconteceu entre os dias 14 e 16 de agosto, quando os cientistas na estação de pesquisa da Fundação Nacional da Ciência dos Estados Unidos viram as gotas de água a descer do céu em direção ao glaciar. Pela primeira vez desde que há registos.

De tão inesperada que era a precipitação naquela zona do planeta, os cientistas não tinham sequer medidores para calcular, em número exato, o volume da chuva. Mas, em estimativa, acreditam que tenham caído das nuvens cerca de sete mil milhões de toneladas de água em toda a Gronelândia.

O fenómeno aconteceu durante uma vaga de três dias excecionalmente quentes naquela ilha, quando as temperaturas eram 18ºC mais altas do que a média em alguns lugares. Resultado: gelo a derreter um pouco por toda a Gronelândia, que tem mais de 44 mil quilómetros de linha de costa.

Sem precedentes

Os avisos já foram lançados e as consequências já são visíveis em muitas partes do Mundo: vivemos uma crise climática e estamos "a ultrapassar os limites", alertam os especialistas. O episódio na Gronelândia é só mais um sinal claro do impacto ambiental no planeta.

"O que está a acontecer não é simplesmente uma ou duas décadas quentes num padrão climático errante. Isto não tem precedentes. Estamos a ultrapassar limites que não eram vistos em milénios e, francamente, isso não vai mudar até que ajustemos o que estamos a fazer ao ar", disse à CNN Ted Scambos, o cientista do Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo da Universidade do Colorado que relatou a queda da chuva no pico da calota de gelo.

Um relatório recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) concluiu que era "inequívoco" que as emissões de carbono das atividades humanas estão a aquecer o planeta e a causar impactos como o derretimento do gelo e a elevação do nível do mar.

Ponto de não retorno

Em maio, investigadores relataram que uma parte significativa da camada de gelo da Gronelândia estava a aproximar-se de um ponto de inflexão, após o qual o derretimento acelerado se tornaria inevitável, mesmo se o aquecimento global fosse interrompido.

A Gronelândia também teve um episódio de degelo em grande escala em julho, tornando 2021 um dos quatro anos no último século com um derretimento tão grande, como em 2019, 2012 e 1995. A chuva e o degelo de 14 a 16 de agosto ocorreram no último momento do ano em que um grande evento foi registado.

A causa destes fenómenos é a mesma: o ar quente é "empurrado" sobre a Gronelândia e mantido ali. Esses eventos de "bloqueio" não são incomuns, mas parecem estar a tornar-se mais graves, segundo os cientistas.

Se todo o gelo da Gronelândia derretesse, o nível global do mar aumentaria cerca de 6 metros, embora isso levasse séculos ou mesmo milénios para acontecer. Ainda assim, os biliões de toneladas de gelo derretidos na Groenlândia desde 1994 estão a elevar o nível do mar e a colocar em risco as cidades costeiras de todo o Mundo.

O nível do mar já subiu 20 centímetros e o IPCC disse que a variação provável até ao final do século era de mais 28-100 centímetros, embora pudesse chegar aos 200. O gelo da Gronelândia está a derreter mais rápido do que em qualquer outro momento nos últimos 12 mil anos, com a perda de gelo a ocorrer a uma taxa de cerca de 1 milhão de toneladas por minuto em 2019, estimam os cientistas.

 

10
Ago21

Greta Thunberg inaugura Vogue escandinava e critica indústria da moda

Niel Tomodachi

"Não se pode produzir moda em massa ou consumir 'sustentavelmente' no mundo de hoje", alertou a ativista, que critica a indústria da moda.

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ativista Greta Thunberg foi escolhida para a capa da primeira edição da Vogue Escandinávia, onde chamou a atenção para a indústria da moda, uma das mais poluentes do mundo.

"A indústria da moda é um dos principais causadores da emergência ecológica e climática, sem falar no seu impacto nos inúmeros trabalhadores e comunidades que são explorados em todo o mundo para que alguns possam usufruir do pronto-a-vestir que muitos tratam como descartável", indicou a jovem de 18 anos, na publicação de Instagram onde apresenta a capa.

Greta Thunberg alerta que muitas marcas começaram a mostrar preocupação com o ambiente e até "se definem como 'sustentáveis', 'éticas', 'verdes' ou 'justas'". "Mas vamos ser claros: isto é quase sempre falso. Não se pode produzir moda em massa ou consumir 'sustentavelmente' no mundo de hoje", acrescentou, apelando a uma "mudança de paradigma".

 

A editora da revista, Martina Bonnier, disse-se "orgulhosa" por poder contar com a Greta para a primeira edição. "Não só é uma figura escandinava singular e uma força de mudança, como também incorpora o amor pela natureza, a busca pela sustentabilidade e a coragem ousada que está no centro da nossa visão", afirmou, no editorial daquela edição.

Por cá, a porta-voz do Pessoas-Animais-Natureza (PAN), Inês Sousa Real, aproveitou para chamar a atenção para o tema. "A rapidez com que se descarta a roupa e a ausência de uma cadeia de tratamento deste resíduo, proposto pelo PAN em Portugal e que foi rejeitado, contribui igualmente para a degradação do meio ambiente", indicou.

30
Jun21

Alterações climáticas: Lema do semestre português "não ficou cumprido"

Niel Tomodachi

O lema da presidência portuguesa da União Europeia "não ficou cumprido", porque em tudo o que diz respeito às alterações climáticas a UE "não se impôs", considerou em entrevista à agência Lusa o diretor executivo da Amnistia Internacional Portugal.

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"Houve uma Cimeira Social, que foi até um dos momentos altos da presidência, que aconteceu no Porto [em maio], que referiu a questão da pobreza, tocando também aqui a questão digital e as alterações climáticas, mas tudo com objetivos a muito longo prazo e sem um plano concreto de ação", disse Pedro Neto, ao fazer um balanço da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, que hoje termina.

Portugal assumiu a 01 de janeiro, pela quarta vez, a presidência europeia, sob o lema "Tempo de agir: por uma recuperação justa, verde e digital".

"Este era um mote que nos entusiasmou, porque tinha em conta a justiça, a justiça social, a questão das alterações climáticas e também a inovação e a modernização em tudo o que diz respeito ao mundo digital, ao que o digital vem facilitar a vida, quer a vida em sociedade, quer a vida pessoal e também em relação às questões relativas a dados pessoais e à proteção da identidade das pessoas", assumiu o dirigente da Amnistia Internacional (AI).

"Infelizmente vamos percebendo que, por vezes, as declarações de intenções são compromissos do momento, que são feitos com entusiasmo, mas se não forem acompanhados de um plano concreto de operacionalização depois ficam por aí e aquilo que vemos são as datas a prolongarem-se", lamentou.

Passados seis meses, e face às expectativas criadas, fica um "sabor agridoce", nas palavras de Pedro Neto, que reconheceu ter havido também "alguns pontos positivos" na presidência portuguesa.

"Houve questões que foram acontecendo no plano de um desafio enorme que a presidência portuguesa herdou, numa das alturas mais duras desta pandemia a viver-se nos meses de janeiro e fevereiro, também com uma economia de rastos, a população desgastada com esta vaga de covid-19 na altura a ensombrar toda a Europa", referiu.

"Aquilo que nos animou perante este cenário foi essa atitude, a recuperação justa, verde, digital, esse entusiasmo que parecia que nos ia dar um semestre com os Direitos Humanos sempre em cima da mesa como tema crítico", um dos pilares fundamentais da União Europeia, sublinhou o ativista.

Na questão do clima, Pedro Neto destacou que os vários acordos existentes no mundo não estão a responder à urgência que vivem determinadas populações, obrigadas a procurar refúgio em outros países e a enfrentar a fome no seu próprio país.

"Muitos dos novos pobres e dos migrantes também já o são por questões como as alterações climáticas e não vemos aqui nenhuma ação muito concreta e decisiva, nenhum plano de intervenção com datas. Só vemos a data final de quando é para estar cumprido, mas não vemos mais", declarou.

De acordo com a apreciação que fez da presidência portuguesa, há uma intenção de construir o edifício, mas é necessário "construir passo a passo e definir" um caminho, que não vislumbra.

Entre os pontos positivos do último semestre, Pedro Neto destacou, no plano dos eventos, a celebração dos 10 anos da Convenção de Istambul, com uma conferência de alto nível sobre a violência contra as mulheres na União Europeia, na qual se debateu e refletiu sobre o problema.

As celebrações ficaram, no entanto, ensombradas com a saída da Turquia deste compromisso.

"Ao olharmos para o tempo, para estes 10 anos, e mesmo para este semestre, parece que não houve progressos significativos, nem houve a adesão de mais Estados membros à Convenção, o que para nós é muito preocupante, bem pelo contrário, acabou por sair um dos Estados membro", disse.

No que diz respeito à igualdade de género, Pedro Neto destacou a divulgação de um relatório em que se abordou "de uma forma muito positiva" a necessidade de quotas para impulsionar a igualdade em lugares de decisão nas várias esferas da sociedade e que apresentou uma "percentagem preocupante e que é preciso reverter".

"A liderança [feminina] ainda é feita apenas por 33% na política e 19% nos negócios. É preciso equilibrar estas percentagens para uma maior igualdade", concluiu.

 

30
Jun21

Cidades flutuantes: será esta a solução para as mudanças climáticas?

Niel Tomodachi

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Terão os escritores do filme Waterworld previsto o futuro? Além da impossível simbiose aquática do protagonista, a abordagem poderia ter sido correta se a proposta da Universidade de Delaware (Estados Unidos) fosse levada em consideração diante da ameaça das mudanças climáticas para as cidades costeiras do mundo. De acordo com os especialistas, a construção de uma bateria de medidas deve começar agora, incluindo fortificações de áreas costeiras e criações de cidades flutuantes para as quais a próxima geração se deve deslocar.

A ideia publicada na revista Science pelo investigador AR Siders, do Disaster Research Center da Universidade de Delaware, e por Katharine J. March, especialista em Ciências Atmosféricas da Universidade de Miami, antecipa uma possível solução à elevação do nível do mar que provocará o aumento das temperaturas do planeta nos próximos anos e o derretimento dos polos.

A primeira parte da sua proposta consiste na retirada como o método mais eficaz antes da chegada das águas. Mas o seu projeto é ambicioso porque também propõe transformar estradas em canais para podermos viver em cidades flutuantes ou construir cidades mais fortificadas nos pontos mais altos do planeta, como se fosse um filme de ficção científica.

Especialistas acreditam que a construção de diques como o que está a ser planeado no litoral de Nova Iorque e a retirada para locais mais seguros devam ser a primeira opção, embora não a única, para evitar os desastres meteorológicos que estão por vir. A razão é o seu alto custo e a sua considerável ineficiência. De acordo com os seus cálculos, apenas 13% das costas poderiam ser bem-sucedidas e lucrativas, reforçando as suas defesas contra a elevação do nível do mar.

Universidade de Delaware

Projeto de médio prazo e exemplos de sucesso

Os investigadores sugerem que olhe a longo prazo se quiser alcançar o sucesso. “É difícil tomar boas decisões sobre as mudanças climáticas se pensarmos 5 ou 10 anos à frente. Estamos a construir infraestruturas que duram entre 50 e 100 anos; o nosso planeamento deve ser longo”, alerta Siders .

A proposta não é rebuscada. Na verdade, ela tem referências de sucesso, como a construção na Holanda em terrenos recuperados do mar. A sua última novidade deslumbrante foi a instalação de casas flutuantes no porto de Nassau (Roterdão) que se adaptam às marés e oferecem um espaço ecológico entre as casas. Outras cidades vizinhas seguiram o mesmo exemplo.

Os Estados Unidos também têm exemplos como as novas casas flutuantes de Miami. No Oceano Atlântico, alguns proprietários com uma conta bancária próspera já começaram a desfrutar de casas flutuantes de alto padrão.

As cidades flutuantes e as migrações são a solução para as mudanças climáticas? “A mudança climática está a afetar as pessoas ao redor do mundo e todos estão a tentar descobrir o que fazer a respeito. Uma estratégia potencial, fugir dos perigos, poderia ser muito eficaz, mas muitas vezes é esquecida”, afirma. Joseph R. Biden, do Departamento de Geografia da Universidade de Delaware e um dos promotores da proposta elaborada pelo departamento de pesquisa de desastres da universidade norte-americana para responder às perguntas.

 

07
Jun21

Alterações climáticas podem gerar perdas económicas superiores às da Covid-19, alertam especialistas

Niel Tomodachi

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As economias dos países mais ricos vão encolher duas vezes mais do que na crise da Covid-19, se os governos não conseguirem lidar com o aumento das emissões de gases de efeito estufa. De acordo com um novo relatório, divulgado esta segunda-feira, as nações do G7 podem perder 8,5 por cento do seu PIB por ano até 2050.

O custo anual para enfrentar os impactos da crise climática vai superar o custo económico da pandemia. Em 2050, as nações do G7 podem perder em média 8,5 por cento do seu PIB a cada ano (o equivalente a 4,8 triliões de dólares), ou seja, o dobro dos 4,2 por cento atingidos pelas perda económicas geradas pela Covid-19, se as alterações climáticas continuarem sem ser controladas ou revertidas.
 
Estas são as conclusões divulgadas num novo relatório da Oxfam, esta segunda-feira, baseado na investigação do Swiss Re Institute.
 
"O mundo pode perder cerca de 10 por cento do valor económico total em meados do século se as alterações climáticas permanecerem na trajetória atualmente prevista e se o Acordo de Paris e as metas de emissões líquidas zero para 2050 não forem cumpridas", começa por alertar o relatório.
 
Os especialista referem, portanto, que os países do G7 - as maiores economias industrializadas do mundo - podem ver as suas economias encolherem duas vezes mais do que agora que enfrentam a pandemia, nos próximos 30 anos, se a temperatura global subir 2,6ºC. Em causa estão as perdas causadas pelo calor e a saúde das populações com as mudanças extremas da temperatura, o aumento do nível do mar, secas e inundações, e a redução de produtividade dos terrenos agrícolas, que podem impedir o crescimento económico destas nações.
 
A economia do Reino Unido, por exemplo, pode perder 6,5 por cento ao ano até 2050 com as políticas e projeções atuais, em comparação com os 2,4 por cento se as metas do acordo climático de Paris fossem cumpridas.

Mas há países que serão ainda mais prejudicados, incluindo a Índia, cuja economia pode encolher cerca de 25 por cento devido ao aumento de temperatura. Também a Austrália vai perder cerca de 12,5 por cento da sua produção e a Coreia do Sul arrisca-se a perder quase um décimo do seu potencial económico.

Por essa razão, a Oxfam apela ao G7 para que estabeleça novas metas climáticas na preparação para a COP26. Os líderes dos países do G7 - Reino Unido, Estados Unidos, Japão, Canadá, França, Alemanha, Itália - e a União Europeia vão reunir-se, na Cornualha, na próxima sexta-feira para debater a economia global, as vacinas contra a Covid-19, os impostos sobre as empresas e, claro, a crise climática.
"Economias mais desenvolvidas não estão imunes"
 
De acordo com os dados do documento, relativamente à exposição a "riscos climáticos severos resultantes das alterações climáticas", o sudeste da Ásia e a América Latina provavelmente serão "os mais suscetíveis a condições de seca". Por outro lado, muitos países no norte e no leste da Europa, devem sofrer mais impactos devido a chuvas intensas e inundações.

O Índice de Economia do Clima, apresentado no relatório, indica que "muitas economias avançadas no hemisfério norte são menos vulneráveis ​​aos efeitos gerais das alterações climáticas, estando menos expostas aos riscos associados e com melhores recursos para lidar com isso". Os EUA, o Canadá e a Alemanha, por exemplo, estão entre os dez países menos vulneráveis aos impactos da crise climática, tanto a nível ambiental e de saúde da população como a nível económico.
 
Portugal também aparece nos primeiros lugares como um dos países menos vulnerável a impactos físicos das alterações climáticas e com alguma capacidade de adaptação. Mas segundo os dados do relatório, é dos países mais ameçados por secas extremas, subida do nível do mar e inundações devido a chuvas intensas.
 

Estas descobertas, avisa a Oxfam, fazem sobressair a necessidade de as nações reduzirem as emissões de carbono mais rapidamente.

"A crise climática já está a devastar vidas nos países mais pobres, mas as economias mais desenvolvidas do mundo não estão imunes", apontou no relatório o CEO da Oxfam GB, Danny Sriskandarajah.

"O Governo do Reino Unido tem uma oportunidade única numa geração de liderar o mundo em direção a um planeta mais seguro e habitável para todos nós", acrescentou. "Deve forçar todos os tendões diplomáticos para garantir o resultado mais forte possível no G7 e na COP26, e liderar pelo exemplo transformando promessas em ações e revertendo decisões autodestrutivas, como a proposta da mina de carvão em Cumbria e cortes na ajuda internacional".

Já Jerome Haegeli, economista-chefe do grupo Swiss Re, considera que "as alterações climáticas são o risco número um de longo prazo para a economia global, e ficar onde estamos não é uma opção - precisamos de mais progresso por parte do G7".

Isso significa "não apenas obrigações de reduzir o CO2, mas também ajudar os países em desenvolvimento".

Segundo Haegeli, também a distribuição de vacinas contra a Covid-19 é uma forma de ajudar os países em desenvolvimento, "já que as suas economias foram duramente atingidas pela pandemia e precisariam de ajuda para se recuperar num caminho verde, em vez de aumentar os combustíveis fósseis".
 
A Swiss Re concluiu que as políticas e as atuais promessas dos governos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa ainda são inadequadas para cumprir as metas do acordo de Paris.
Países em desenvolvimento e ambiente dependentes de "ajuda internacional"
 
Antes da COP26, o Reino Unido está a pedir a todos os países para apresentarem promessas mais duras sobre a redução das emissões de carbono, a fim de cumprir as metas de Paris e de limitar o aquecimento global abaixo de 2ºC.

Mas este limite está cada vez mais ameaçado, visto que as emissões de gases de efeito estufa devem aumentar drasticamente este ano, para o segundo maior aumento já registado, devido à recuperação da recessão da Covid-19 e ao aumento do uso de carvão.
 
"O risco climático é um risco sistémico, que pode ser gerido através de uma ação política global coordenada. Existe uma oportunidade única de tornar as nossas economias mais verdes", referem os especialistas no relatório.
 
Contudo, a ajuda internacional tem sido o principal obstáculo para muitos, e tem sido descrita como um desastre diplomático visto o sucesso da Cop26 depender, em parte, do Reino Unido conseguir persuadir outras nações ricas na cúpula do G7 a apresentarem promessas muito maiores de assistência financeira aos países em desenvolvimento, de forma a ajudar os países pobres a reduzir as suas emissões e a lidar com os impactos da degradação do clima.

O país mais afetado no G7 seria a Itália, que deve perder 11,4 por cento do PIB por cada ano. Mas os países em desenvolvimento seriam duramente atingidos, com a Índia a sofrer perdas de 27 por cento no PIB e as Filipinas de 35 por cento.
 
O primeiro Registo de Ameaças Ecológicas (ETR) do Instituto de Economia e Paz alertou também que a crise climática pode obrigar à deslocação de mais de 1,2 mil milhões de pessoas até 2050, considerando as ameaças à sua sobrevivência como desastres naturais, escassez de alimentos e água, criando novas tendências de migração. Além disso, o Banco Mundial revelou, recentemente, que haverá entre 32 e 132 milhões de pessoas a mais a viver em condições de pobreza extrema até 2030, devido ao aquecimento global.

O relatório da Oxfam reitera ainda que os Governos do G7 não estão a cumprir a promessa de contribuir com 100 mil milhões de dólares para ajudar os países em desenvolvimento, estimando-se que os compromissos atuais do G7 entregaram, até agora, apenas 10 mil milhões para projetos e iniciativas de adaptação climática.

Atualmente, apenas o Reino Unido e os EUA concordaram em aumentar o financiamento dos níveis atuais. A França, por seu lado, pretende manter os níveis atuais de financiamento climático, e o Canadá, a Alemanha, o Japão e a Itália ainda não confirmaram se pretendem manter ou aumentar os investimentos verdes nos países menos desenvolvidos.
 
24
Abr21

Estudo revela que alterações climáticas estão a provocar mudanças no eixo da Terra

Niel Tomodachi

O fenómeno está a acelerar muito. E já pouco há a fazer para inverter esta tendência.

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O impacto das alterações climáticas está a gerar consequências que vão além dos ecossistemas. De acordo com um estudo divulgado no Geophysical Research Letters, a velocidade a que os glaciares estão a derreter está a gerar uma rápida movimentação do próprio eixo da Terra. 

De acordo com os investigadores, o eixo polar sofreu uma alteração na direção em 1995. O mesmo estudo revela ainda que entre 1995 e 2020, o eixo se moveu-se a uma velocidade 17 vezes mais rápida do que no período entre 1981 e 1995. A conclusão, que os cientistas classificam como “muito preocupante”, é que a posição dos polos se alterou em cerca de quatro metros desde 1980. 

O estudo aponta ainda que, até esta altura, se verificavam algumas alterações nos polos, mas que estas aconteciam de forma discreta e que eram apenas motivadas por fenómenos naturais, como a confluência de correntes frias com erupções vulcânicas subaquáticas. O problema agora, apontam, é que o aumento da temperatura global que está a acelerar o processo de erosão dos glaciares também está a influenciar este processo.

“Este fenómeno é um resultado do desequilíbrio da quantidade de água congelada que deixou de estar em terra”, explica Shanshan Deng, o responsável pelo estudo, que aponta ainda que não há já nada a fazer para inverter esta tendência.

 

22
Abr21

Greta Thunberg. "Por quanto tempo acreditam que se vão safar?"

Niel Tomodachi

A jovem ativista participou, esta quinta-feira, Dia da Terra, numa audiência sobre os subsídios dados à indústria dos combustíveis fósseis. Perante o Congresso norte-americano, a jovem considerou esses subsídios "uma vergonha".

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ativista Greta Thunberg considera "ultrajante" que os políticos ainda estejam a debater, em 2021, se vão acabar com os subsídios aos combustíveis fósseis, o que considera "uma vergonha".

Em declarações perante o Congresso norte-americano, numa audiência sobre os subsídios dados à indústria dos combustíveis fósseis, a ativista considerou os mesmos a "prova clara de que não entendemos a emergência climática de forma alguma".

A jovem alertou mesmo os congressistas dos Estados Unidos que a história os responsabilizará pelas catástrofes climáticas se não pararem de subsidiar a indústria de combustíveis fósseis.

"Por quanto tempo acreditam, honestamente, que pessoas no poder, como vocês, vão safar-se?", questionou no discurso de abertura. "Por quanto tempo acham que podem continuar a ignorar a crise climática sem serem responsabilizados?”

A ativista, de 18 anos, enfatizou ainda que sua geração vai tomar medidas para enfrentar as alterações climáticas se os que estão no poder se recusarem a fazê-lo.

"Ao contrário de vocês, a minha geração não vai desistir de lutar", garantiu Thunberg. "Nós, os jovens, somos aqueles que vamos escrever sobre vocês nos livros de História. Somos nós que decidimos como serão lembrados. Portanto, o meu conselho para vós é que saibam escolher com sabedoria."

Greta Thunberg, que inspirou um movimento global contra as alterações climáticas, participou por videoconferência num painel da Câmara dos Representantes, no mesmo dia em que decorre a cimeira de líderes mundiais sobre o clima convocada pelo Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

Antes, a jovem já tinha assinalado o Dia da Terra, esta quinta-feira, com um vídeo, publicado nas redes sociais, onde alerta para o facto de as medidas tomadas para a neutralidade carbónica até 2050 serem insuficientes.

"Atenção, isto é um alerta de emergência para o público em geral", lê-se no início do vídeo, antes da jovem criticar a ausência de muitos aspetos nos compromissos dos países para chegar a zero emissões carbónicas em 2050.

"Podemos continuar a fingir que estes objetivos estão alinhados com o que precisamos, mas se nos podemos enganar a nós e aos outros, não podemos enganar a natureza nem a física", refere nas imagens.

 

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