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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

21
Ago21

Mais um sinal de crise: choveu pela primeira vez no pico da calota polar da Gronelândia

Niel Tomodachi

É mais um sinal claro da crise climática que assola o nosso planeta: chuva caiu onde nunca tinha caído, no cume da enorme calota de gelo da Gronelândia. Pelo menos desde que há registos. Aliás, a precipitação foi tão inesperada que os cientistas nem tinham forma de a calcular.

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No pico dos 3216 metros da massa de gelo daquela que é a maior ilha do Mundo, localizada entre o Atlântico Norte e o Oceano Ártico, as temperaturas estão normalmente bem abaixo dos 0ºC e seria altamente improvável - senão mesmo impossível, até agora - que a chuva ali caísse. No entanto, o "impossível" aconteceu entre os dias 14 e 16 de agosto, quando os cientistas na estação de pesquisa da Fundação Nacional da Ciência dos Estados Unidos viram as gotas de água a descer do céu em direção ao glaciar. Pela primeira vez desde que há registos.

De tão inesperada que era a precipitação naquela zona do planeta, os cientistas não tinham sequer medidores para calcular, em número exato, o volume da chuva. Mas, em estimativa, acreditam que tenham caído das nuvens cerca de sete mil milhões de toneladas de água em toda a Gronelândia.

O fenómeno aconteceu durante uma vaga de três dias excecionalmente quentes naquela ilha, quando as temperaturas eram 18ºC mais altas do que a média em alguns lugares. Resultado: gelo a derreter um pouco por toda a Gronelândia, que tem mais de 44 mil quilómetros de linha de costa.

Sem precedentes

Os avisos já foram lançados e as consequências já são visíveis em muitas partes do Mundo: vivemos uma crise climática e estamos "a ultrapassar os limites", alertam os especialistas. O episódio na Gronelândia é só mais um sinal claro do impacto ambiental no planeta.

"O que está a acontecer não é simplesmente uma ou duas décadas quentes num padrão climático errante. Isto não tem precedentes. Estamos a ultrapassar limites que não eram vistos em milénios e, francamente, isso não vai mudar até que ajustemos o que estamos a fazer ao ar", disse à CNN Ted Scambos, o cientista do Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo da Universidade do Colorado que relatou a queda da chuva no pico da calota de gelo.

Um relatório recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) concluiu que era "inequívoco" que as emissões de carbono das atividades humanas estão a aquecer o planeta e a causar impactos como o derretimento do gelo e a elevação do nível do mar.

Ponto de não retorno

Em maio, investigadores relataram que uma parte significativa da camada de gelo da Gronelândia estava a aproximar-se de um ponto de inflexão, após o qual o derretimento acelerado se tornaria inevitável, mesmo se o aquecimento global fosse interrompido.

A Gronelândia também teve um episódio de degelo em grande escala em julho, tornando 2021 um dos quatro anos no último século com um derretimento tão grande, como em 2019, 2012 e 1995. A chuva e o degelo de 14 a 16 de agosto ocorreram no último momento do ano em que um grande evento foi registado.

A causa destes fenómenos é a mesma: o ar quente é "empurrado" sobre a Gronelândia e mantido ali. Esses eventos de "bloqueio" não são incomuns, mas parecem estar a tornar-se mais graves, segundo os cientistas.

Se todo o gelo da Gronelândia derretesse, o nível global do mar aumentaria cerca de 6 metros, embora isso levasse séculos ou mesmo milénios para acontecer. Ainda assim, os biliões de toneladas de gelo derretidos na Groenlândia desde 1994 estão a elevar o nível do mar e a colocar em risco as cidades costeiras de todo o Mundo.

O nível do mar já subiu 20 centímetros e o IPCC disse que a variação provável até ao final do século era de mais 28-100 centímetros, embora pudesse chegar aos 200. O gelo da Gronelândia está a derreter mais rápido do que em qualquer outro momento nos últimos 12 mil anos, com a perda de gelo a ocorrer a uma taxa de cerca de 1 milhão de toneladas por minuto em 2019, estimam os cientistas.

 

10
Ago21

Greta Thunberg inaugura Vogue escandinava e critica indústria da moda

Niel Tomodachi

"Não se pode produzir moda em massa ou consumir 'sustentavelmente' no mundo de hoje", alertou a ativista, que critica a indústria da moda.

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ativista Greta Thunberg foi escolhida para a capa da primeira edição da Vogue Escandinávia, onde chamou a atenção para a indústria da moda, uma das mais poluentes do mundo.

"A indústria da moda é um dos principais causadores da emergência ecológica e climática, sem falar no seu impacto nos inúmeros trabalhadores e comunidades que são explorados em todo o mundo para que alguns possam usufruir do pronto-a-vestir que muitos tratam como descartável", indicou a jovem de 18 anos, na publicação de Instagram onde apresenta a capa.

Greta Thunberg alerta que muitas marcas começaram a mostrar preocupação com o ambiente e até "se definem como 'sustentáveis', 'éticas', 'verdes' ou 'justas'". "Mas vamos ser claros: isto é quase sempre falso. Não se pode produzir moda em massa ou consumir 'sustentavelmente' no mundo de hoje", acrescentou, apelando a uma "mudança de paradigma".

 

A editora da revista, Martina Bonnier, disse-se "orgulhosa" por poder contar com a Greta para a primeira edição. "Não só é uma figura escandinava singular e uma força de mudança, como também incorpora o amor pela natureza, a busca pela sustentabilidade e a coragem ousada que está no centro da nossa visão", afirmou, no editorial daquela edição.

Por cá, a porta-voz do Pessoas-Animais-Natureza (PAN), Inês Sousa Real, aproveitou para chamar a atenção para o tema. "A rapidez com que se descarta a roupa e a ausência de uma cadeia de tratamento deste resíduo, proposto pelo PAN em Portugal e que foi rejeitado, contribui igualmente para a degradação do meio ambiente", indicou.

30
Jun21

Alterações climáticas: Lema do semestre português "não ficou cumprido"

Niel Tomodachi

O lema da presidência portuguesa da União Europeia "não ficou cumprido", porque em tudo o que diz respeito às alterações climáticas a UE "não se impôs", considerou em entrevista à agência Lusa o diretor executivo da Amnistia Internacional Portugal.

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"Houve uma Cimeira Social, que foi até um dos momentos altos da presidência, que aconteceu no Porto [em maio], que referiu a questão da pobreza, tocando também aqui a questão digital e as alterações climáticas, mas tudo com objetivos a muito longo prazo e sem um plano concreto de ação", disse Pedro Neto, ao fazer um balanço da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, que hoje termina.

Portugal assumiu a 01 de janeiro, pela quarta vez, a presidência europeia, sob o lema "Tempo de agir: por uma recuperação justa, verde e digital".

"Este era um mote que nos entusiasmou, porque tinha em conta a justiça, a justiça social, a questão das alterações climáticas e também a inovação e a modernização em tudo o que diz respeito ao mundo digital, ao que o digital vem facilitar a vida, quer a vida em sociedade, quer a vida pessoal e também em relação às questões relativas a dados pessoais e à proteção da identidade das pessoas", assumiu o dirigente da Amnistia Internacional (AI).

"Infelizmente vamos percebendo que, por vezes, as declarações de intenções são compromissos do momento, que são feitos com entusiasmo, mas se não forem acompanhados de um plano concreto de operacionalização depois ficam por aí e aquilo que vemos são as datas a prolongarem-se", lamentou.

Passados seis meses, e face às expectativas criadas, fica um "sabor agridoce", nas palavras de Pedro Neto, que reconheceu ter havido também "alguns pontos positivos" na presidência portuguesa.

"Houve questões que foram acontecendo no plano de um desafio enorme que a presidência portuguesa herdou, numa das alturas mais duras desta pandemia a viver-se nos meses de janeiro e fevereiro, também com uma economia de rastos, a população desgastada com esta vaga de covid-19 na altura a ensombrar toda a Europa", referiu.

"Aquilo que nos animou perante este cenário foi essa atitude, a recuperação justa, verde, digital, esse entusiasmo que parecia que nos ia dar um semestre com os Direitos Humanos sempre em cima da mesa como tema crítico", um dos pilares fundamentais da União Europeia, sublinhou o ativista.

Na questão do clima, Pedro Neto destacou que os vários acordos existentes no mundo não estão a responder à urgência que vivem determinadas populações, obrigadas a procurar refúgio em outros países e a enfrentar a fome no seu próprio país.

"Muitos dos novos pobres e dos migrantes também já o são por questões como as alterações climáticas e não vemos aqui nenhuma ação muito concreta e decisiva, nenhum plano de intervenção com datas. Só vemos a data final de quando é para estar cumprido, mas não vemos mais", declarou.

De acordo com a apreciação que fez da presidência portuguesa, há uma intenção de construir o edifício, mas é necessário "construir passo a passo e definir" um caminho, que não vislumbra.

Entre os pontos positivos do último semestre, Pedro Neto destacou, no plano dos eventos, a celebração dos 10 anos da Convenção de Istambul, com uma conferência de alto nível sobre a violência contra as mulheres na União Europeia, na qual se debateu e refletiu sobre o problema.

As celebrações ficaram, no entanto, ensombradas com a saída da Turquia deste compromisso.

"Ao olharmos para o tempo, para estes 10 anos, e mesmo para este semestre, parece que não houve progressos significativos, nem houve a adesão de mais Estados membros à Convenção, o que para nós é muito preocupante, bem pelo contrário, acabou por sair um dos Estados membro", disse.

No que diz respeito à igualdade de género, Pedro Neto destacou a divulgação de um relatório em que se abordou "de uma forma muito positiva" a necessidade de quotas para impulsionar a igualdade em lugares de decisão nas várias esferas da sociedade e que apresentou uma "percentagem preocupante e que é preciso reverter".

"A liderança [feminina] ainda é feita apenas por 33% na política e 19% nos negócios. É preciso equilibrar estas percentagens para uma maior igualdade", concluiu.

 

30
Jun21

Cidades flutuantes: será esta a solução para as mudanças climáticas?

Niel Tomodachi

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Terão os escritores do filme Waterworld previsto o futuro? Além da impossível simbiose aquática do protagonista, a abordagem poderia ter sido correta se a proposta da Universidade de Delaware (Estados Unidos) fosse levada em consideração diante da ameaça das mudanças climáticas para as cidades costeiras do mundo. De acordo com os especialistas, a construção de uma bateria de medidas deve começar agora, incluindo fortificações de áreas costeiras e criações de cidades flutuantes para as quais a próxima geração se deve deslocar.

A ideia publicada na revista Science pelo investigador AR Siders, do Disaster Research Center da Universidade de Delaware, e por Katharine J. March, especialista em Ciências Atmosféricas da Universidade de Miami, antecipa uma possível solução à elevação do nível do mar que provocará o aumento das temperaturas do planeta nos próximos anos e o derretimento dos polos.

A primeira parte da sua proposta consiste na retirada como o método mais eficaz antes da chegada das águas. Mas o seu projeto é ambicioso porque também propõe transformar estradas em canais para podermos viver em cidades flutuantes ou construir cidades mais fortificadas nos pontos mais altos do planeta, como se fosse um filme de ficção científica.

Especialistas acreditam que a construção de diques como o que está a ser planeado no litoral de Nova Iorque e a retirada para locais mais seguros devam ser a primeira opção, embora não a única, para evitar os desastres meteorológicos que estão por vir. A razão é o seu alto custo e a sua considerável ineficiência. De acordo com os seus cálculos, apenas 13% das costas poderiam ser bem-sucedidas e lucrativas, reforçando as suas defesas contra a elevação do nível do mar.

Universidade de Delaware

Projeto de médio prazo e exemplos de sucesso

Os investigadores sugerem que olhe a longo prazo se quiser alcançar o sucesso. “É difícil tomar boas decisões sobre as mudanças climáticas se pensarmos 5 ou 10 anos à frente. Estamos a construir infraestruturas que duram entre 50 e 100 anos; o nosso planeamento deve ser longo”, alerta Siders .

A proposta não é rebuscada. Na verdade, ela tem referências de sucesso, como a construção na Holanda em terrenos recuperados do mar. A sua última novidade deslumbrante foi a instalação de casas flutuantes no porto de Nassau (Roterdão) que se adaptam às marés e oferecem um espaço ecológico entre as casas. Outras cidades vizinhas seguiram o mesmo exemplo.

Os Estados Unidos também têm exemplos como as novas casas flutuantes de Miami. No Oceano Atlântico, alguns proprietários com uma conta bancária próspera já começaram a desfrutar de casas flutuantes de alto padrão.

As cidades flutuantes e as migrações são a solução para as mudanças climáticas? “A mudança climática está a afetar as pessoas ao redor do mundo e todos estão a tentar descobrir o que fazer a respeito. Uma estratégia potencial, fugir dos perigos, poderia ser muito eficaz, mas muitas vezes é esquecida”, afirma. Joseph R. Biden, do Departamento de Geografia da Universidade de Delaware e um dos promotores da proposta elaborada pelo departamento de pesquisa de desastres da universidade norte-americana para responder às perguntas.

 

07
Jun21

Alterações climáticas podem gerar perdas económicas superiores às da Covid-19, alertam especialistas

Niel Tomodachi

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As economias dos países mais ricos vão encolher duas vezes mais do que na crise da Covid-19, se os governos não conseguirem lidar com o aumento das emissões de gases de efeito estufa. De acordo com um novo relatório, divulgado esta segunda-feira, as nações do G7 podem perder 8,5 por cento do seu PIB por ano até 2050.

O custo anual para enfrentar os impactos da crise climática vai superar o custo económico da pandemia. Em 2050, as nações do G7 podem perder em média 8,5 por cento do seu PIB a cada ano (o equivalente a 4,8 triliões de dólares), ou seja, o dobro dos 4,2 por cento atingidos pelas perda económicas geradas pela Covid-19, se as alterações climáticas continuarem sem ser controladas ou revertidas.
 
Estas são as conclusões divulgadas num novo relatório da Oxfam, esta segunda-feira, baseado na investigação do Swiss Re Institute.
 
"O mundo pode perder cerca de 10 por cento do valor económico total em meados do século se as alterações climáticas permanecerem na trajetória atualmente prevista e se o Acordo de Paris e as metas de emissões líquidas zero para 2050 não forem cumpridas", começa por alertar o relatório.
 
Os especialista referem, portanto, que os países do G7 - as maiores economias industrializadas do mundo - podem ver as suas economias encolherem duas vezes mais do que agora que enfrentam a pandemia, nos próximos 30 anos, se a temperatura global subir 2,6ºC. Em causa estão as perdas causadas pelo calor e a saúde das populações com as mudanças extremas da temperatura, o aumento do nível do mar, secas e inundações, e a redução de produtividade dos terrenos agrícolas, que podem impedir o crescimento económico destas nações.
 
A economia do Reino Unido, por exemplo, pode perder 6,5 por cento ao ano até 2050 com as políticas e projeções atuais, em comparação com os 2,4 por cento se as metas do acordo climático de Paris fossem cumpridas.

Mas há países que serão ainda mais prejudicados, incluindo a Índia, cuja economia pode encolher cerca de 25 por cento devido ao aumento de temperatura. Também a Austrália vai perder cerca de 12,5 por cento da sua produção e a Coreia do Sul arrisca-se a perder quase um décimo do seu potencial económico.

Por essa razão, a Oxfam apela ao G7 para que estabeleça novas metas climáticas na preparação para a COP26. Os líderes dos países do G7 - Reino Unido, Estados Unidos, Japão, Canadá, França, Alemanha, Itália - e a União Europeia vão reunir-se, na Cornualha, na próxima sexta-feira para debater a economia global, as vacinas contra a Covid-19, os impostos sobre as empresas e, claro, a crise climática.
"Economias mais desenvolvidas não estão imunes"
 
De acordo com os dados do documento, relativamente à exposição a "riscos climáticos severos resultantes das alterações climáticas", o sudeste da Ásia e a América Latina provavelmente serão "os mais suscetíveis a condições de seca". Por outro lado, muitos países no norte e no leste da Europa, devem sofrer mais impactos devido a chuvas intensas e inundações.

O Índice de Economia do Clima, apresentado no relatório, indica que "muitas economias avançadas no hemisfério norte são menos vulneráveis ​​aos efeitos gerais das alterações climáticas, estando menos expostas aos riscos associados e com melhores recursos para lidar com isso". Os EUA, o Canadá e a Alemanha, por exemplo, estão entre os dez países menos vulneráveis aos impactos da crise climática, tanto a nível ambiental e de saúde da população como a nível económico.
 
Portugal também aparece nos primeiros lugares como um dos países menos vulnerável a impactos físicos das alterações climáticas e com alguma capacidade de adaptação. Mas segundo os dados do relatório, é dos países mais ameçados por secas extremas, subida do nível do mar e inundações devido a chuvas intensas.
 

Estas descobertas, avisa a Oxfam, fazem sobressair a necessidade de as nações reduzirem as emissões de carbono mais rapidamente.

"A crise climática já está a devastar vidas nos países mais pobres, mas as economias mais desenvolvidas do mundo não estão imunes", apontou no relatório o CEO da Oxfam GB, Danny Sriskandarajah.

"O Governo do Reino Unido tem uma oportunidade única numa geração de liderar o mundo em direção a um planeta mais seguro e habitável para todos nós", acrescentou. "Deve forçar todos os tendões diplomáticos para garantir o resultado mais forte possível no G7 e na COP26, e liderar pelo exemplo transformando promessas em ações e revertendo decisões autodestrutivas, como a proposta da mina de carvão em Cumbria e cortes na ajuda internacional".

Já Jerome Haegeli, economista-chefe do grupo Swiss Re, considera que "as alterações climáticas são o risco número um de longo prazo para a economia global, e ficar onde estamos não é uma opção - precisamos de mais progresso por parte do G7".

Isso significa "não apenas obrigações de reduzir o CO2, mas também ajudar os países em desenvolvimento".

Segundo Haegeli, também a distribuição de vacinas contra a Covid-19 é uma forma de ajudar os países em desenvolvimento, "já que as suas economias foram duramente atingidas pela pandemia e precisariam de ajuda para se recuperar num caminho verde, em vez de aumentar os combustíveis fósseis".
 
A Swiss Re concluiu que as políticas e as atuais promessas dos governos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa ainda são inadequadas para cumprir as metas do acordo de Paris.
Países em desenvolvimento e ambiente dependentes de "ajuda internacional"
 
Antes da COP26, o Reino Unido está a pedir a todos os países para apresentarem promessas mais duras sobre a redução das emissões de carbono, a fim de cumprir as metas de Paris e de limitar o aquecimento global abaixo de 2ºC.

Mas este limite está cada vez mais ameaçado, visto que as emissões de gases de efeito estufa devem aumentar drasticamente este ano, para o segundo maior aumento já registado, devido à recuperação da recessão da Covid-19 e ao aumento do uso de carvão.
 
"O risco climático é um risco sistémico, que pode ser gerido através de uma ação política global coordenada. Existe uma oportunidade única de tornar as nossas economias mais verdes", referem os especialistas no relatório.
 
Contudo, a ajuda internacional tem sido o principal obstáculo para muitos, e tem sido descrita como um desastre diplomático visto o sucesso da Cop26 depender, em parte, do Reino Unido conseguir persuadir outras nações ricas na cúpula do G7 a apresentarem promessas muito maiores de assistência financeira aos países em desenvolvimento, de forma a ajudar os países pobres a reduzir as suas emissões e a lidar com os impactos da degradação do clima.

O país mais afetado no G7 seria a Itália, que deve perder 11,4 por cento do PIB por cada ano. Mas os países em desenvolvimento seriam duramente atingidos, com a Índia a sofrer perdas de 27 por cento no PIB e as Filipinas de 35 por cento.
 
O primeiro Registo de Ameaças Ecológicas (ETR) do Instituto de Economia e Paz alertou também que a crise climática pode obrigar à deslocação de mais de 1,2 mil milhões de pessoas até 2050, considerando as ameaças à sua sobrevivência como desastres naturais, escassez de alimentos e água, criando novas tendências de migração. Além disso, o Banco Mundial revelou, recentemente, que haverá entre 32 e 132 milhões de pessoas a mais a viver em condições de pobreza extrema até 2030, devido ao aquecimento global.

O relatório da Oxfam reitera ainda que os Governos do G7 não estão a cumprir a promessa de contribuir com 100 mil milhões de dólares para ajudar os países em desenvolvimento, estimando-se que os compromissos atuais do G7 entregaram, até agora, apenas 10 mil milhões para projetos e iniciativas de adaptação climática.

Atualmente, apenas o Reino Unido e os EUA concordaram em aumentar o financiamento dos níveis atuais. A França, por seu lado, pretende manter os níveis atuais de financiamento climático, e o Canadá, a Alemanha, o Japão e a Itália ainda não confirmaram se pretendem manter ou aumentar os investimentos verdes nos países menos desenvolvidos.
 
24
Abr21

Estudo revela que alterações climáticas estão a provocar mudanças no eixo da Terra

Niel Tomodachi

O fenómeno está a acelerar muito. E já pouco há a fazer para inverter esta tendência.

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O impacto das alterações climáticas está a gerar consequências que vão além dos ecossistemas. De acordo com um estudo divulgado no Geophysical Research Letters, a velocidade a que os glaciares estão a derreter está a gerar uma rápida movimentação do próprio eixo da Terra. 

De acordo com os investigadores, o eixo polar sofreu uma alteração na direção em 1995. O mesmo estudo revela ainda que entre 1995 e 2020, o eixo se moveu-se a uma velocidade 17 vezes mais rápida do que no período entre 1981 e 1995. A conclusão, que os cientistas classificam como “muito preocupante”, é que a posição dos polos se alterou em cerca de quatro metros desde 1980. 

O estudo aponta ainda que, até esta altura, se verificavam algumas alterações nos polos, mas que estas aconteciam de forma discreta e que eram apenas motivadas por fenómenos naturais, como a confluência de correntes frias com erupções vulcânicas subaquáticas. O problema agora, apontam, é que o aumento da temperatura global que está a acelerar o processo de erosão dos glaciares também está a influenciar este processo.

“Este fenómeno é um resultado do desequilíbrio da quantidade de água congelada que deixou de estar em terra”, explica Shanshan Deng, o responsável pelo estudo, que aponta ainda que não há já nada a fazer para inverter esta tendência.

 

22
Abr21

Greta Thunberg. "Por quanto tempo acreditam que se vão safar?"

Niel Tomodachi

A jovem ativista participou, esta quinta-feira, Dia da Terra, numa audiência sobre os subsídios dados à indústria dos combustíveis fósseis. Perante o Congresso norte-americano, a jovem considerou esses subsídios "uma vergonha".

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ativista Greta Thunberg considera "ultrajante" que os políticos ainda estejam a debater, em 2021, se vão acabar com os subsídios aos combustíveis fósseis, o que considera "uma vergonha".

Em declarações perante o Congresso norte-americano, numa audiência sobre os subsídios dados à indústria dos combustíveis fósseis, a ativista considerou os mesmos a "prova clara de que não entendemos a emergência climática de forma alguma".

A jovem alertou mesmo os congressistas dos Estados Unidos que a história os responsabilizará pelas catástrofes climáticas se não pararem de subsidiar a indústria de combustíveis fósseis.

"Por quanto tempo acreditam, honestamente, que pessoas no poder, como vocês, vão safar-se?", questionou no discurso de abertura. "Por quanto tempo acham que podem continuar a ignorar a crise climática sem serem responsabilizados?”

A ativista, de 18 anos, enfatizou ainda que sua geração vai tomar medidas para enfrentar as alterações climáticas se os que estão no poder se recusarem a fazê-lo.

"Ao contrário de vocês, a minha geração não vai desistir de lutar", garantiu Thunberg. "Nós, os jovens, somos aqueles que vamos escrever sobre vocês nos livros de História. Somos nós que decidimos como serão lembrados. Portanto, o meu conselho para vós é que saibam escolher com sabedoria."

Greta Thunberg, que inspirou um movimento global contra as alterações climáticas, participou por videoconferência num painel da Câmara dos Representantes, no mesmo dia em que decorre a cimeira de líderes mundiais sobre o clima convocada pelo Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

Antes, a jovem já tinha assinalado o Dia da Terra, esta quinta-feira, com um vídeo, publicado nas redes sociais, onde alerta para o facto de as medidas tomadas para a neutralidade carbónica até 2050 serem insuficientes.

"Atenção, isto é um alerta de emergência para o público em geral", lê-se no início do vídeo, antes da jovem criticar a ausência de muitos aspetos nos compromissos dos países para chegar a zero emissões carbónicas em 2050.

"Podemos continuar a fingir que estes objetivos estão alinhados com o que precisamos, mas se nos podemos enganar a nós e aos outros, não podemos enganar a natureza nem a física", refere nas imagens.

 

22
Abr21

Passos escassos dos líderes mundiais conduzem mundo à catástrofe

Niel Tomodachi

A organização ambientalista internacional Greenpeace defende que os "passos escassos" dos líderes mundiais em relação ao clima estão a conduzir o mundo "à catástrofe", ficando longe de garantir as metas do Acordo de Paris.

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Num comunicado divulgado hoje, o primeiro dia da Cimeira de Líderes pelo Clima, que decorre online por iniciativa dos EUA, a Greenpeace defende que "apesar de um grande número de anúncios" feitos hoje, os líderes internacionais deixaram o globo "encalhado num mundo de marés a subir, glaciares a derreter e desflorestação".

"Mesmo com os novos compromissos nacionais dos EUA, Reino Unido, China, Canadá e Japão, os governos mundiais estão ainda sem definir um caminho claro e sólido em direção a um limite de 1,5º C no aquecimento global, de acordo com o legalmente estabelecido no Acordo de Paris", defende a Greenpeace.

Jennifer Morgan, diretora executiva da Greenpeace Internacional, assinalou, no comunicado, as movimentações dos governos em relação à crise climática, defendendo que estes "são capazes, mas não têm vontade de correr em direção às soluções que previnem o colapso ambiental" e permitem alcançar a meta de 1,5º C.

"Os Governos deixaram-nos à espera de ação demasiado tempo e não podem deixá-la para a COP26. Tem que haver uma urgente, justa e verde transição dos combustíveis fósseis, enquanto a natureza -- a nossa maior defesa contra a crise climática -- tem que ser protegida e restaurada", defendeu a responsável.

Já Janet Redman, da Greenpeace EUA, defendeu que os atuais compromissos da Casa Branca são insuficientes e que "a ciência e a justiça exigem que se pare com a expansão dos combustíveis fósseis imediatamente", investindo na transição para uma "economia 100% renovável".

A Greenpeace Brasil defende que o presidente norte-americano, Joe Biden, não deve assinar qualquer acordo climático com o homólogo brasileiro, Jair Bolsonaro, uma vez que a proposta de não eliminar a desflorestação ilegal antes de 2030 "não só fica aquém do que é necessário", como "não é confiável, uma vez que continua a desmantelar agressivamente" proteções ambientais e o reforço da defesa do ambiente no país.

As delegações da Greenpeace do Canadá, Reino Unido, Este asiático e continente africano concordam que os respetivos líderes mundiais devem fazer mais em defesa do clima.

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, convidou 40 líderes mundiais para uma cimeira destinada a preparar o caminho para a cimeira das Nações Unidas sobre o clima que se se realiza este ano em Glasgow (COP26).

Biden comprometeu-se já a cortar em metade as emissões de gases com efeito de estufa nos EUA até 2030, com o objetivo de alcançar a neutralidade carbónica em 2050.

O presidente russo, Vladimir Putin, pediu cooperação internacional na luta contra as alterações climáticas; o presidente chinês, Xi Jinping, pediu respeito pelo multilateralismo e responsabilidades diferenciadas aos países conforme a sua prosperidade económica; o presidente francês, Emmanuel Mácron, pediu maior rapidez na aplicação do Acordo de Paris; e a chanceler alemã, Ângela Merkel, disse que o país continuará a fazer a sua parte em defesa do clima.

Entre os países de língua oficial portuguesa, o Brasil comprometeu-se a pôr fim à desflorestação e a atingir a neutralidade carbónica em 2050.

 

20
Abr21

Com o novo timelapse do Google Earth pode ver como o mundo mudou em 37 anos

Niel Tomodachi

A nova ferramenta ficou disponível esta semana e permite ver alterações na urbanização, na desflorestação e no degelo.

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Através do carregamento de 24 milhões de fotografias, o Google Earth adicionou uma nova ferramenta que permite perceber como mundo mudou em quase 40 anos. Este timelapse está disponível online e recua até 1984. Pode escolher qualquer ponto do globo e deixar correr o vídeo ano por ano até 2020.

São mais de 800 vídeos que podem ser vistos tanto a duas como a três dimensões. Em algumas zonas até encontra guias interativos que ajudam a perceber as mudanças que as alterações climáticas provocaram, já que esse foi o principal objetivo da criação desta ferramenta.

Em 2013, a Google tima lançada um sistema do género, mas esta versão é muito mais avançada. O timelapse só foi conseguido através da colaboração da NASA, com os programas Landsa, do Serviço Geológico dos Estados Unidos, e do Copernicus, da União Europeia.

Rebecca Moore, a diretora do Google Earth, explicou que o objetivo passa por atualizar anualmente este serviço e ganhar um novo timelapse daqui a 10 anos. “Esperamos que esta perspetiva do planeta sirva de base para debates, encoraje descobertas e mude as perspetivas sobre as questões globais mais prementes”, disse Rebecca Moore.

 

06
Mar21

Há uma nova mobilização pelo clima convocada para março

Niel Tomodachi

Estudantes apelam à participação nas ações online e presenciais que estão marcadas para todo o País.

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A Greve Climática Estudantil convocou nova Mobilização pelo Clima para 19 de março, uma sexta-feira. Esta ação está inserida no movimento internacional Fridays For Future, que pretende consciencializar para as questões climáticas.

“Face a todas as promessas vazias, de líderes e instituições, precisamos de um plano real, construído pelo movimento por justiça climática, por todas as pessoas, para todas as pessoas”, justificam os estudantes em comunicado.

No mesmo documento, a Greve Climática Estudantil explica que este é o ano para “começar e recuperar”, explicando que este é o momento para agir, depois de um ano marcado pela crise pandémica.

Um dos pontos que os estudantes querem ver resolvido é que a sociedade tenha em conta “tanto os e as empregadas nos setores poluentes, como as pessoas que foram mais abaladas pela crise pandémica”. O objetivo principal será que a vida seja posta no centro de todas as decisões, dizem.

“Reivindicamos a criação de milhares de empregos para o clima nos setores-chave que reduzam as emissões e o encerramento das infraestruturas mais poluentes, garantindo a proteção e requalificação dos trabalhos. A solução da crise climática também exige a criação de um plano habitacional; a criação de um plano nacional florestal e agrícola, fundamentado na agroecologia e na permacultura; o incentivo a projetos benéficos às zonas rurais e que proceda à adequação das áreas florestais às condições climáticas atuais e futuras; a integração do estudo das alterações climáticas e da ecologia nos currículos escolares, entre outras”, aponta ainda o comunicado.

O motivo para a escolha de 19 de março para agendar os protestos não é aleatório: “Não nos podemos dar ao luxo de esperar mais, quando no dia 19 de março de 2021 teremos seis anos e 287 dias até que seja impossível ultrapassar os 1.5ºC de aquecimento em relação a níveis pré-industriais”.

Até agora, são 18 as localidade que confirmaram a participação nestas manifestações — Alcácer do Sal, Algarve, Aveiro, Bragança, Caldas da Rainha, Coimbra, Entroncamento, Évora, Guimarães, Lamego, Lisboa, Mafra, Montijo, Odemira, Pico, Porto, Setúbal e Viseu.

Em todas as localidades haverá protestos online, mas algumas terão ainda encontros presenciais marcados. Em Lisboa será às 16h30 na Praça José Fontana e às 17h30 no Martim Moniz, em Mafra será às 17 horas no Palácio de Mafra, em Aveiro será no Parque do Rossio e no Parque da Fonte Nova às 17 horas, e no Algarve está marcado para as 16h30 no Mercado Municipal de Faro.

“Convocamos todos e todas para exigir respostas reais ao grande desafio dos nossos tempos, tomando as devidas medidas de higiene que assegurem a segurança de todos os participantes, no caso de ações presenciais”, frisa ainda a Greve Climática Estudantil.

 

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