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Little Tomodachi (ともだち)

Little Tomodachi (ともだち)

12
Jan23

Automutilação. Os adolescentes precisam de ajuda

Niel Tomodachi

A filha de Sónia deu recentemente entrada nas urgências, com um grande corte no braço que a obrigou a levar pontos. A de Armando marcou os pulsos com um x-ato e o pai ainda hoje dá voltas à cabeça para perceber porquê. Helena usou a lâmina de barbear do pai. Queria fugir à dor de um bullying mortificante. Um em cada quatro adolescentes portugueses já se feriu de propósito. E as sirenes disparam. Não estamos a fazer o suficiente para acudir ao sofrimento dos mais jovens, avisam os especialistas.

Sónia (nome fictício) lembra-se da primeira vez como se fosse hoje: o choque de chegar a casa e ver a filha deitada na cama, cheia de cortes nos braços, o sangue ainda ali à vista, o desvario que veio com aquela imagem desconcertante, antes que ela pudesse sequer parar para respirar fundo. “Fiquei possuída, confesso. Na altura, não entendi aquilo como um pedido de ajuda, mas sim como uma tentativa de chamar a atenção. E então passei-me. Dei-lhe uma palmada no rabo e depois ajudei-a a curar as feridas, mas sempre muito aborrecida.” O episódio tem anos, a filha, uma das três, estava então com 13 anos, entregue à adolescência, envolta num intrincado nó sombrio. “Enquanto criança, era extremamente sociável e popular. Os miúdos até se pegavam para ir às festas dela. Depois começou a recusar todos os convites e mais alguns, a deixar de querer fazer festas de anos, a fechar-se no mundo dela.” Por essa altura, já estava até a ser acompanhada por um pedopsiquiatra. Por causa de um episódio na escola envolvendo um bilhete com uma aparente mensagem suicidária, que levou a diretora de turma a chamar Sónia para lhe dar conta da sua preocupação. “Ela negou. Disse sempre que só se estava a referir ao facto de ir mudar de escola.”

Mas depois vieram os cortes. “Tentámos falar com ela, mas não dizia nada, ficava calada, nunca deu uma justificação .” E o coração de mãe a encolher, imerso num mar de dúvidas. “Entretanto fomos percebendo que havia uma questão relacionada com a identidade de género. Mas mesmo isso ainda não percebemos bem. Porque ela quer ser chamada por um nome masculino, mas quando lhe pergunto se, no futuro, quer fazer uma operação para mudar de sexo, ela diz: ‘Credo mãe, claro que não’. E noutras vezes diz que é só uma questão de pronome. De qualquer forma, nós nunca fomos castradores em relação a isso, nem em relação a nada.” Sónia vai divagando em ziguezagues, como quem continua à procura de explicações. “Sabemos que tem uma má relação com a irmã mais velha e que isso é parte do problema. Mas, se me pergunta se temos problemas em casa, eu acho sinceramente que não, que somos uma família normal. No outro dia, ouvi-a a dizer à irmã que, a dada altura, na escola antiga, chegou a sofrer de bullying. E eu pergunto-me: ‘Mas como é que nós nunca soubemos de nada? E será que isso também contribuiu?’.”

Sem respostas, e sem um guião exato para lidar com o problema, a família vai procurando “vigiar” como pode. “Tento estar sempre atenta. A minha filha do meio nisso também ajuda muito porque dão-se bem. Quando ela está a tomar banho e sabemos que anda mais nervosa, a do meio vai para a casa de banho também, tenta distraí-la, fazer conversa, ir espreitando. Percebemos que, volta a meia, quando anda mais nervosa, faz pequenos cortes, nas coxas ou nos antebraços, coisas discretas.” Mas, recentemente, a situação voltou a descontrolar-se. “Fez um corte muito grande no braço. Como não parava de sangrar contou à irmã e ela contou-me a mim, levei-a às urgências e teve de levar três pontos. Disse-nos que fez aquilo por causa de um pico de stress, motivado pelos exames da faculdade. Essa é outra coisa. Ela sempre teve excelentes notas, mas é extremamente perfeccionista e isso também não a ajuda.” Toma até medicação, “levezinha”, diz a mãe, para a ajudar a lidar com a ansiedade e a dormir melhor. Mas até ver não tem nenhuma outra patologia diagnosticada. E ainda assim Sónia continua a viver de coração nas mãos. “É inevitável pensar: ‘Agora é um corte, amanhã o que vai ser?’. É muito complicado. Ela já é acompanhada por uma psicóloga, por um pedopsiquiatra, eu também tento ajudar, mas ela fala pouco comigo. É uma sensação de impotência muito grande. É triste vermos um filho a sofrer e não conseguirmos fazer nada para ajudar.”

A angústia que aflige Sónia inquieta um número crescente de pais. A asserção é confirmada pelos dados apresentados no´último estudo “Health behaviour in school-aged children [comportamentos de saúde de crianças em idade escolar]”, realizado de quatro em quatro anos pela Organização Mundial de Saúde, em 51 países, entre os quais Portugal. A análise, conduzida pela equipa do projeto Aventura Social, em parceria com várias entidades, Direção-Geral da Saúde incluída, denota um agravamento da saúde mental dos jovens entre os 11 e os 15 anos (a amostra focada neste estudo), traduzido numa série de parâmetros com resultados preocupantes: 28% dos adolescentes sentem-se infelizes, 9% estão “tão tristes que não aguentam mais”, 21% sentem-se nervosos quase todos os dias (16% admitiram mesmo ter tomado medicação por este motivo no mês anterior), 9% sentem medo diariamente, 64,1% têm dificuldade em adormecer à noite. Em todos estes pontos, há um agravamento, quando comparando com os resultados obtidos em 2018 (ver gráficos). A própria perceção de infelicidade escalou quase dez pontos percentuais, dos 18,3% para os 27,7%. E é neste quadro negro que sobressai um outro resultado inquietante: um em cada quatro adolescentes portugueses (24,8%) já se feriu de propósito pelo menos uma vez, através de cortes, queimaduras ou outro tipo de lesões. Um número que traduz um aumento superior a cinco pontos percentuais face aos resultados de 2018 e que faz soar os alarmes.

 

“Se não fosse a minha mãe não estava aqui”

 

“É uma forma de os jovens lidarem com as emoções negativas e uma manifestação de mal-estar psicológico muito preocupante, que requer apoio especializado”, alerta Tânia Gaspar, coordenadora nacional do estudo. Sofia Ramalho, vice-presidente da Ordem dos Psicólogos, chama a atenção para um “agravamento do sofrimento psicológico na sua generalidade, que se manifesta em mais ansiedade, mais quadros de depressão, mais distúrbios alimentares e também mais automutilações”. No caso destas últimas, a especialista sublinha que tanto podem ser “sintoma de um problema de saúde mental”, nomeadamente de depressão, como uma situação “isolada e situada no tempo, que não implica a existência de uma perturbação subjacente”. Em ambos os casos, há “uma tentativa de autorregulação emocional e de autocontrolo da dor [psíquica] e da ansiedade”. E em ambos os casos está inerente “um sofrimento psicológico intenso”, que impõe a necessidade de uma “intervenção psicológica e especializada”.

Também João Bessa, da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, põe o dedo na ferida. “A questão não são tanto os números, porque esses dependerão sempre da metodologia adotada em cada estudo. O que me parece mais relevante é que este é um problema de saúde pública que está cá, que obviamente não se verifica só a nível nacional, mas que é preocupante, que tem que ser reconhecido e valorizado, e que exige a adoção de novas estratégias.” Até porque, lembra o psiquiatra e docente da Escola de Medicina da Universidade do Minho, apesar de os comportamentos autolesivos não terem, à partida, “uma intencionalidade focada no fim da vida”, são “um fator preditivo importante do aparecimento de comportamentos suicidários no futuro”. Para tranquilizar os pais que possam estar a ler estas linhas, vale a pena reforçar que a correlação não é obrigatória. Mas é mais um sinal de que o assunto é grave e deve inspirar cuidados e reflexão.

O caso de Helena Maia, 21 anos, é um bom exemplo disso. Pede que a chamemos pelo nome verdadeiro porque não se envergonha do que ficou para trás. E porque, repete uma e outra vez, quer muito poder ajudar outros jovens que estejam a passar pelo mesmo. Helena vive com uma depressão. Assume-o às claras. Toma antidepressivos e ansiolíticos (estes últimos só em SOS). E ainda assim diz com orgulho que se transformou, que conseguiu escapar do buraco onde viveu durante tanto tempo. Fala despachada, confiante, parece toda senhora de si. A história começa quando tinha uns 12, 13 anos. “Era muito gordinha, cheguei a pesar 105 quilos, e sofria imenso bullying. Desde ouvir coisas como ‘olha, vai ali a passar a gorda’ até fazerem rodinhas à minha volta para me humilharem e chamarem nomes.” Acresce que mal falava sobre o assunto. Os pais trabalhavam muito, ela também não se sentia à vontade para puxar o tema, tinha vergonha, começou a fechar-se em copas. E a espiral de sofrimento começou aí. Depois, veio a “inspiração”. Uma amiga que “andava sempre com a caixinha das lâminas” e que um dia se automutilou à beira dela. “Porque no fundo partilhávamos o mesmo sofrimento.”

Helena viu ali um possível escape para a dor. “Durante a noite, quando os meus pais estavam no quarto, fui buscar uma lâmina de barbear do meu pai e cortei-me no braço.” Lembra-se que chorou, que o alívio que achou que ia encontrar foi engolido por uma tristeza imensa, que se culpou e ficou ali abatida, a braços com um peso inultrapassável: “Como é que cheguei a este ponto?” E ainda assim optou por continuar a calar aquela dor, a sofrer em silêncio. “Durante duas semanas, tive que andar sempre preocupada em tapar os braços, em esconder, porque fiquei mesmo muito marcada.” Na altura, uma amiga mais próxima, que se apercebeu de que ela não estava bem, tentou apoiá-la. Mas os pais de nada souberam. Essa confissão, aos pais – ou melhor, à mãe -, tardaria ainda uns dois anos. “Curiosamente, até foi por causa de um comentário de um professor de Educação Física. Na altura íamos ter um corta-mato e ele, num telefonema para a diretora da escola, disse qualquer coisa como: ‘Não te esqueças que para a Helena tem de ser uma camisola maior.’” E aquela saída aparentemente desprovida de maldade deixou-a desvairada, como um gatilho que traz à tona o que tentamos a todo o custo remeter para as entranhas. “Fui-me embora da escola a correr, cheguei a casa muito triste, a chorar, enraivecida, tão enraivecida que dei um soco num vidro e tive de ir para o hospital, porque abri o braço todo. Levei imensos pontos.” Naquele momento, decidiu abrir o jogo com a mãe. Contar-lhe do bullying, do sofrimento, de como tentou fazer mal a ela própria. E a partir dali o jogo virou: começou a ter acompanhamento especializado, deixou a escola antiga, mudou-se de Matosinhos para o Porto. “Aí comecei a minha transformação.”

Tudo parecia estar por fim a entrar nos eixos. Mas com 18, 19 anos, nem sabe ao certo, teve um momento de desespero e tentou pôr fim à vida. “Tenho uma depressão e naquele dia não estava em mim. Acho que sofri tanto naqueles anos que acabei por ficar com uma série de traumas.” Mas prefere focar-se na parte boa da história. “Os meus amigos foram muito importantes neste processo. E a minha mãe também. Se não fosse a minha mãe não estava aqui hoje.” Por isso, faz questão de deixar um conselho a quem possa rever-se nas angústias que acedeu a partilhar. “Não tenham medo de falar. Se não quiserem falar com a vossa mãe ou o vosso pai, falem com outra pessoa. Numa fase inicial nós temos sempre vergonha, mas é o primeiro passo. O pior é sempre guardar.” E não termina sem dar graças por se dar hoje “muito mais valor à saúde mental”. “Há uns anos, quando eu andava na escola, ainda era uma questão muito subvalorizada. A minha mãe ainda hoje se culpa por não ter reparado antes na minha tristeza, por não ter conseguido apagar o fogo a tempo.”

A relação com os pais não é uma nota lateral nesta história. Tânia Gaspar, coordenadora do estudo que dá o mote para este trabalho, salienta isso mesmo. “O estudo fornece uma visão abrangente, em que tentámos ver a ‘big picture’. Por um lado, há a questão dos indicadores de saúde mental e bem-estar destes jovens; por outro, é percetível também um agravamento da relação com os pais, uma maior dificuldade de comunicação, uma perceção de menor apoio dos pais e de que a relação já não é tão positiva.” A psicóloga clínica destaca ainda dois outros pontos, que lhe parecem relevantes para uma interpretação mais ajustada: “Por um lado, a questão do aumento do uso das novas tecnologias.” Que em si mesmo não é mau, mas que pode ser preocupante na medida em que há um aumento da dependência e um aparente “enfraquecimento das competências socioemocionais” na socialização cara a cara. E há ainda a questão dos medicamentos. O estudo mostra que aumentou o uso do fármacos como espécie de droga, bem como a medicação sem prescrição médica. “E isto também inibe as competências para lidar com as coisas de outra forma. Todo este panorama acaba por pesar na questão da saúde mental e do bem-estar.”

A este quadro juntou-se, nos últimos dois anos, um outro fator que assume particular relevância no agravamento do estado emocional dos jovens (e não só): a pandemia. E tudo o que veio com ela. Diogo Guerreiro, especialista em psiquiatria de adultos e adolescentes e autor de uma tese de doutoramento datada de 2014 que foca precisamente a questão dos comportamentos autolesivos, ressalva que não há explicações 100% precisas “porque são sempre multifatoriais”, mas recorda que a crise pandémica, os confinamentos, o isolamento fizeram com que o aumento da prevalência da ansiedade e da depressão seja “avassalador em todo o Mundo”. Com natural repercussão ao nível dos comportamentos autolesivos.

“Estes comportamentos têm dadas funções. Por um lado, são uma forma de comunicação. Por outro, são uma tentativa destes jovens regularem emoções que não estão a conseguir controlar.” E o facto de os adolescentes se terem visto privados da socialização, a incerteza que veio com a pandemia, a instabilidade financeira e familiar redundaram numa espécie de “tempestade perfeita” para os potenciar. “Quando somos adultos, temos outras formas de lidar com a frustração, com o tédio, com os estados mais depressivos. Os adolescentes nem tanto. Até porque muitas vezes também há um efeito de contágio.”

 

“Para não lhe bater, parti-lhe o telemóvel”

 

Armando (nome fictício) não tem certezas, mas está convencido de que esse fator também há de ter contribuído para que, há uns meses, a filha (13 anos) tenha decidido cortar ambos os pulsos com um x-ato. “Creio que se inspirou numa colega da escola que passou pelo mesmo. Nestas idades as companhias influenciam muito.” Armando nem sabe bem por onde começar a desenrolar o novelo. Sabe que a filha sempre foi algo tímida, mas que se tornou mais introvertida com a entrada na adolescência. Sabe que a pandemia e a “telescola”, como lhe chama (neste caso, o “Estudo em Casa”), não ajudaram. “Se ela já passava muito tempo no quarto, começou a passar ainda mais.” Sabe que a filha foi ficando mais calada e mais murcha. Desconfia até dos animes (desenhos animados japoneses) que a filha começou a ver. “Eu não sei, mas acho aquilo muito depressivo.” Até que, um dia, a mulher recebeu um telefonema da mãe de uma colega da escola da filha. A avisá-la de que algo de estranho se passava. “Nesse dia, quando chegámos à beira dela, a mãe puxou-lhe as mangas da camisola para cima e vimos que tinha os pulsos cortados.”

“Não foi bonito”, reconhece. “Muitos gritos, choro, fiquei tão cego que, para não lhe bater, parti-lhe o telemóvel.” A reação imediata de quem é tomado de súbito pela frustração e a angústia. Pela incompreensão também. “Ainda hoje não consigo perceber.” Depois, com mais calma, tentaram conversar. “O passo seguinte foi procurar ajuda na escola, falar com os professores, pedir para estarem atentos. Nessa altura, começou também a ser acompanhada pela psicóloga da escola. Fomos insistindo no diálogo em casa, tentando puxá-la para sair mais, e as coisas foram acalmando.” Que se tenham apercebido, o episódio não se repetiu. “E ela até está mais comunicativa. Mas mesmo assim ando sempre de pé atrás. Porque quem passa por uma situação destas fica sempre desconfiado.” Tanto mais quanto Armando continua a deparar-se com umas quantas pontas soltas. “Ela nunca conseguiu explicar-nos bem por que razão o fez. Mas havia claramente inseguranças e falta de autoestima próprias de uma adolescente. Problemas com o corpo. Mas, caramba, eu também tive, quando era adolescente. Acho que todos passámos por isso e não andámos propriamente a cortar-nos com um x-ato.”

O desabafo de Armando toca num ponto relevante, desconstruído pela pedopsiquiatra Bárbara Romão. “Os jovens podem sofrer de uma forma mais internalizante, que é aquele sofrimento que provoca maior apatia, que puxa mais para estar deitado, ou mais externalizante, que é quando o sofrimento é exteriorizado. E hoje em dia o sofrimento mais comum é o externalizado. Já não há tanto aquela inibição de incomodar o outro, de não querer dar nas vistas, que se devia muito a uma educação mais autoritária. Neste momento, como o modelo parental mais prevalente é um modelo mais permissivo, isso faz com que o sofrimento seja mais externalizado. Mas também faz com que haja jovens mais narcísicos, menos gratos, mais exigentes, mesmo em relação aos próprios pais.” E, embora admita que a percentagem apresentada no estudo (um quarto dos jovens) a surpreende, não tem dúvidas de que “é um fenómeno crescente”, que atende cada vez mais jovens com “pequenos cortes” e que há um “agravamento enorme”, a todos os níveis. “A procura disparou com a pandemia. Já não estou a aceitar primeiras consultas porque não tenho capacidade de resposta.”

Ivone Patrão, psicóloga clínica e coordenadora do projeto “Geração Cordão”, aponta outros fatores, mais relacionados com a esfera pessoal, que podem pesar. “As questões relacionadas com a imagem corporal, os problemas ligados ao comportamento alimentar, as dificuldades na socialização e interação com o grupo de pares ou mesmo as disfuncionalidades familiares, tudo isso pode contribuir para que haja comportamentos autolesivos. Depois, os estudos dizem-nos que adolescentes com uma personalidade mais introvertida ou com características de um neuroticismo mais elevado estão mais sujeitos. Mas claro que isto não quer dizer que todos os miúdos introvertidos se vão cortar.” Chama ainda a atenção para outros dois pontos relevantes: o primeiro é que estes comportamentos são mais típicos nas raparigas, mas “também há rapazes a fazê-lo”; o segundo é que quando acontece uma vez, “a probabilidade de se repetir é grande”.

Hugo Tavares, pediatra no Hospital Lusíadas Porto, onde é responsável pela “consulta do adolescente”, também tem notado um aumento substancial do número de jovens que adota comportamentos autolesivos. “Os últimos tempos têm sido inacreditavelmente pródigos neste tipo de episódios.” O pediatra distingue três situações-tipo. “Há casos em que, quando nos chegam, já temos conhecimento de que estes comportamentos ocorreram; há outros em que os pais se apercebem que há uma mudança de atitude e depois, durante o exame da consulta, vamos dar com as marcas dos cortes; e há ainda aquelas situações em que não há qualquer indício percecionado pelos pais e acabamos por ser nós a descobrir.” Frequentemente, os pacientes tentam esconder, arranjam justificações, dizem que foi o gato que os arranhou ou invocam outra qualquer desculpa. Noutros casos, “até fazem gala disso”. “Há situações em que a questão é a transferência da dor psicológica para a dor física. E há outras em que o veem como um castigo que têm de cumprir. Porque se portam mal, porque só causam problemas à família, porque a escola não corre bem, porque os amigos não gostam deles. Seja como for, é sempre um sinal muito importante de perda do controlo, que nos deve preocupar. Porque dali para outras situações que põem em causa a vida pode ser um passinho.” Bárbara Romão também realça que estes fenómenos “nunca devem ser negligenciados”. “O mais importante é não desvalorizar. Uma automutilação pode ter vários significados, mas é sempre caso para consultar um especialista. E também é importante não culpabilizar, mostrar compreensão, comunicar.”

E num plano mais alargado, o que pode ser feito para reduzir estes números e cuidar da saúde mental dos mais jovens? O psiquiatra Diogo Guerreiro aponta alguns pontos cruciais. “É preciso falar mais, aumentar a literacia dos pais e dos professores, para que saibam reconhecer os sinais de alarme. É preciso que os próprios jovens saibam a quem podem recorrer. Tem havido um aumento brutal das patologias de saúde mental e, com os meios que temos, é muito difícil encontrar uma resposta cabal na rede. Tem de haver uma abordagem mais geral, que envolva a escola, a sociedade, em que os professores estejam à vontade para falar sobre estes temas, em que tenham ao seu dispor um kit básico de ferramentas para abordar o assunto, em não haja tabus. Há muito a ideia de que falar sobre estes comportamentos vai exponenciá-los, mas uma das medidas que mais eficácia tem é falar sobre eles.” Além do imperativo reforço da rede de psicólogos e pedopsiquiatras do SNS. Até porque, como lembra João Bessa, da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, o “sofrimento psíquico na infância e adolescência pode suscitar o desenvolvimento de patologia psiquiátrica na idade adulta”. Por isso, não tem dúvidas: “O foco de intervenção deve virar-se cada vez mais para estas janelas temporais que sabemos que são cruciais no desenvolvimento pessoal”.

Linhas de apoio

Apoio Psicológico integrado na linha SNS24
Horário: 24 horas por dia
Contacto telefónico: 808 24 24 24

SOS Voz Amiga
Horário: 15.30 horas – 00.30 horas
Contacto telefónico: 213 544 545 | 912 802 669 | 963 524 660

Conversa Amiga
Horário: 15 horas – 22 horas
Contacto telefónico: 808 237 327 | 210 027 159

Vozes Amigas de Esperança de Portugal
Horário: 16 horas – 22 horas
Contacto telefónico: 222 030 707

Telefone da Amizade
Horário: 16 horas – 23 horas
Contacto telefónico: 222 080 707

Voz de Apoio
Horário: 21 horas – 24 horas
Contacto telefónico: 225 506 070
Email: sos@vozdeapoio.pt

Vira(l)Solidariedade – Rede de Apoio Telefónico da Sociedade Portuguesa de Psicanálise
Horário: 08 horas – 00.00 horas
Contacto telefónico: 300 051 920

 
 

Source: https://www.noticiasmagazine.pt/2023/os-adolescentes-precisam-de-ajuda/historias/284402/

 

11
Jan23

Por que motivo ajudar os outros faz com que nos sintamos bem

Niel Tomodachi

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A explicação encontra-se no bem-estar eudaimônico. Descubra o que é.

 

Já se perguntou sobre o porquê de se sentir bem quando faz algo de positivo para outra pessoa ou participa de uma causa de caridade? A ciência determinou que é o bem-estar eudaimônico que explica este fenómeno. Realizar atos de bondade e ajudar os outros pode ser bom para a saúde e para o bem-estar das pessoas, de acordo com pesquisa publicada pela American Psychological Association no 'Psychological Bulletin'. “O comportamento pró-social (altruísmo, cooperação, confiança e compaixão) é um ingrediente necessário de uma sociedade harmoniosa para funcionar bem. Faz parte da cultura partilhada pela humanidade, e a nossa análise mostra que também contribui para a saúde física e mental”, disse Bryant PH Hui, professor assistente de investigação da Universidade de Hong Kong e principal autor da pesquisa.

“Os seres humanos são realmente projetados para serem recompensados ​​quando praticamos ações altruístas. O egoísmo é natural no ser humano e é necessário para a sobrevivência. Porém, quando fazemos algo pelos outros sem esperar nada em troca, é como se o cérebro nos recompensasse ativando a dopamina, a hormona da felicidade e do prazer. É por isso que algumas pessoas se sentem mais felizes quando oferecem presentes do que quando recebem,” explica Inma Brea, especialista em comportamento humano, coach e mentora de executivos e líderes organizacionais.

“Ser generoso deixa-nos felizes. É uma emoção que está associada ao altruísmo e à solidariedade. Faz-nos sentir orgulho de nós mesmos e dá-nos uma imagem de autoconfiança. Também gostaria de comentar o quão é importante poder ser generoso, mas também receber a generosidade dos outros. Alguém que é generoso fala-nos de independência, capacidade de agir (não só financeiramente), mas também de ser gentil, ensinar alguém, dedicar tempo a uma atividade... Ou seja, alguém que pode ajudar, mas também é importante saber ser ajudado" , acrescenta Alicia Reinoso, psicoterapeuta.

Existem pessoas que não conseguem fazer uma boa ação sem avisar os outros... Estamos a falar de alguém que precisa de aplausos? Inma Brea acredita que sim. “De fato, há pessoas que precisam ser reconhecidas como “gente de bem”, porque isso faz parte da sua identidade. Quando alguém tem necessidade de ser reconhecido socialmente por essa qualidade, realmente é capaz de esforçar-se muito para conseguir isso; é alguém que está sempre atento aos outros, pergunta sobre a família, oferece-se para ajudá-la nas mudanças, etc. Não é tanto pelos aplausos, mas por reafirmar a própria identidade”, explica.

“Claro que isto é uma faca de dois gumes, porque no fundo essa pessoa sabe que espera algo em troca: amor e reconhecimento. Portanto, por não ser inteiramente altruísta, gera uma certa culpa, inconscientemente, criando um círculo vicioso da necessidade de dar para receber”, esclarece a especialista em comportamento humano, coach e mentor de executivos e líderes organizacionais.

“Ser generoso deixa-nos felizes. É uma emoção que está associada ao altruísmo e à solidariedade."

“Como mencionei antes, estamos aludindo ao assunto da chapadinha nas costas, de poder ser feliz com o que faz, sem a necessidade do reconhecimento do outro. Mas isto acontece com absolutamente tudo, até com a saúde (há pessoas que comem de forma mais saudável quando estão com outras pessoas, ou que se cuidam pelo efeito que isso tem no corpo, não para elas mesmas, mas para os outros verem) . Neste caso, são pessoas que só têm o sentimento de valor ou de que algo que fizeram é valioso se alguém lhes disser ou reconhecer. No final, também pode ser um traço de insegurança”, comenta Alicia Reinoso.

“Outra possibilidade é ser duas caras. Só quando alguém me vê é que eu comporto-me bem, mas dentro das paredes da minha casa sou o oposto... Portanto não é uma generosidade desinteressada (que nunca é, porque faz-nos sempre bem sermos generosas), mas neste caso procura algo além do suposto gesto de generosidade”, alerta a psicoterapeuta.

As redes sociais estão a lançar cada vez mais ações com fins filantrópicos, por isso são uma ótima ferramenta para ajudar. A área de filantropia do Twitter, chamada TwitterForGood, em trabalha constantemente com ONGs e instituições de caridade para aproveitar o poder positivo do Twitter para tornar o mundo num lugar melhor. Eles fazem isto fortalecendo as suas comunidades através da sua plataforma, os seus funcionários e os seus recursos.

“No Twitter, estamos convencidos de que a conversa pública e a troca aberta de informações podem ser uma força imparável para o bem no mundo. Com base nessa ideia, a nossa missão filantrópica concentra-se em refletir e ampliar o poder positivo de nossa plataforma por meio de uma interação cívica, voluntariado de funcionários, contribuições de caridade e doações de publicidade pro bono ou de outra espécie. Desta forma, o Twitter pode promover uma maior compreensão, igualdade e oportunidades nas cidades e países em que atua. Os funcionários do Twitter estão envolvidos numa ampla variedade de causas e iniciativas filantrópicas, como resposta a crises e emergências ou alfabetização tecnológica, entre muitas outras”, explica a equipa do Twitter.

“Fortalecer as nossas comunidades faz parte de nosso ADN e esforçarmo-nos para unir a nossa empresa e comunidade como uma força para o bem social. E fazemos isto de uma perspetiva ampla, onde não apenas procuramos ajudar a arrecadar fundos, mas também garantir que as organizações possam usar o Twitter para alcançar comunidades vulneráveis ​​e divulgar o seu importante trabalho por meio de nosso programa #AdsforGood.social, no qual a filantropia está presente diariamente através do poder democratizante da plataforma e do altruísmo das pessoas que utilizam o seu serviço. Assim, eles arrecadam dinheiro para quem precisa, partilham causas que necessitam de apoio e mobilizam mudanças por meio de poderosos movimentos sociais.

 

12
Dez22

Associação pede que se deixe o troco na farmácia para ajudar carenciados

Niel Tomodachi

A associação Dignitude, promotora do programa abem, convida os portugueses a doarem o troco das suas compras realizadas na farmácia ao Fundo Solidário abem, que usará o montante angariado para a aquisição de medicamentos prescritos para pessoas carenciadas apoiadas pelo programa abem: Rede Solidária do Medicamento. A campanha solidária "Dê Troco a Quem Precisa" arranca esta segunda-feira, dia 12 de dezembro, nas farmácias portuguesas aderentes, até do 21 de dezembro.

Associação pede que se deixe o troco na farmácia para ajudar carenciados

O Programa abem: Rede Solidária do Medicamento permite o acesso aos medicamentos prescritos a quem não tem capacidade financeira para os adquirir, tendo já ajudado 30 490 pessoas. Os beneficiários são referenciados por entidades parceiras locais, como câmaras municipais, juntas de freguesia, instituições particulares de solidariedade social, Cáritas e misericórdias.

"Sabemos que os tempos atuais são difíceis. Vivemos dois anos de pandemia, em que muitos portugueses viram a sua situação económica deteriorar-se, com perdas significativas de rendimentos. Entretanto, teve início uma guerra na Europa, com forte impacto ao nível do aumento do custo de vida e da inflação. Nos dois anos de pandemia, registámos um elevado acréscimo do número de famílias que ajudamos e a tendência mantém-se", explica Maria João Toscano, diretora executiva da associação Dignitude, apelando ao contributo de todos para que seja possível ajudar mais pessoas a acederem aos medicamentos de que necessitam.

É também possível contribuir para a campanha "Dê Troco a Quem Precisa" através de transferência bancária ou MB WAY, estando os dados disponíveis no site da associação.

 

30
Nov22

Helpo: Este Natal, a sua ceia chega a mais pessoas

Niel Tomodachi

Este ano, o seu Natal volta a ser solidário e muito colorido. Ofereça bolas solidárias Helpo e alimente milhares de crianças e famílias de Moçambique, São Tomé e Príncipe e Ucrânia.

Este Natal, a sua ceia chega a mais pessoas

Pode escolher entre 5 Bolas solidárias, que correspondem a 5 apoios alimentares:
- Lanche escolar anual para 1 aluno em Moçambique - 12€
- Refeição quente semanal para 20 crianças em São Tomé - 20€
- Cabaz alimentar para 1 família ucraniana em Portugal - 30€
- Papas mensais para 40 crianças em Moçambique - 55€
- Kit alimentar mensal para 1 família em Moçambique - 110€

Ao oferecer bolas de Natal solidárias àqueles de quem mais gosta, está a ajudar a Helpo a distribuir alimentos a quem mais precisa. E como os apoios são distribuídos em contexto escolar, está também a ajudar estas crianças a ir às aulas. A distribuição de alimentação é um forte incentivo para levar as crianças à escola.

Encomende o seu presente aqui ou através de sofianobre@helpo.pt e faça chegar a sua generosidade a quem mais precisa.

 

Source:  https://www.helpo.pt/pt/news/este-natal-a-sua-ceia-chega-a-mais-pessoas

 

24
Nov22

A 3 e 4 de dezembro, os livros na Penguin Random House Grupo Editorial podem ajudar quem mais precisa

Niel Tomodachi

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No fim de semana de 3 e 4 de dezembro as portas do Penguin Random House Grupo Editorial abrem-se aos leitores para uma venda solidária de Natal.

Entre grandes clássicos, romances que fazem palpitar o coração, thrillers que tiram o sono, biografias cativantes e o mundo gigantesco de obras infantis, será possível encontrar o livro ideal para aquela pessoa especial. Estará disponível uma seleção do catálogo, que inclui novidades (como Cem anos de perdão, de João Tordo; O caso Alaska Sanders, de Joël Dicker; Surrender, de Bono; Isto começa aqui, de Colleen Hoover; ou A noite é um jogo, de Camilla Läckberg) e obras mais antigas. Só serão aceites pagamentos por multibanco.

E, enquanto deixa arrumado o assunto “presentes de Natal”, ajuda uma causa solidária. As receitas das vendas irão reverter na totalidade para a Acreditar.

Esta associação de pais e amigos de crianças com cancro está, neste momento, a ampliar a casa de Lisboa, junto ao IPO. Em vez dos atuais 12 quartos, a instituição passará a poder acolher 32 famílias em simultâneo.

As casas são essenciais para muitos pacientes e familiares que só assim conseguem permanecer juntos durante os tratamentos – uma vez que têm de se deslocar das suas respetivas localidades para estarem perto dos centros de referência de oncologia pediátrica. Além de Lisboa, a Acreditar tem casas em Coimbra, Funchal e Porto.

A associação funciona desde 1994 e, além do alojamento gratuito para as famílias, faz o acompanhamento em todos os momentos da doença, tanto nas casas, como nos hospitais ou no domicílio.

Também o Penguin Random House Grupo Editorial tem uma responsabilidade social. Acreditamos que os livros, as histórias e as ideias que eles contêm, têm a capacidade única de nos conectarem, mudarem e levarem para um futuro melhor. Se, através dessa paixão que queremos partilhar com os nossos leitores, pudermos fazer a diferença noutras áreas – desta vez, através da Acreditar –, melhor ainda.

Por isso, estamos à vossa espera a 3 e 4 de dezembro, das 14h às 20h, nos escritórios da editora, em Lisboa (Av. Liberdade, 245 – 7A). Prometemos ajudar nas escolhas, fazer embrulhos lindos com o nosso papel personalizado e não cantar temas de Natal – é melhor para todos que nos limitemos a fazer aquilo que sabemos: livros. Porque, seja Natal ou não, temos a certeza de uma coisa: os melhores presentes leem-se.

Descubra parte da seleção que poderá encontrar à venda a 3 e 4 de dezembro.

https://www.penguinlivros.pt/

 

24
Nov22

Campanha do Banco Alimentar Contra a Fome sai à rua no fim de semana

Niel Tomodachi

Em causa está uma iniciativa que, este ano, apresenta uma importância acrescida, defende o Banco Alimentar Contra a Fome

Campanha do Banco Alimentar Contra a Fome sai à rua no fim de semana

Uma nova campanha de recolha de alimentos por parte dos Bancos Alimentares Contra a Fome vai arrancar, este fim-de-semana, de norte a sul do país, informa um comunicado a que o Notícias ao Minuto teve acesso.

Dezenas de milhares de voluntários vão estar, como é habitual, presentes nos supermercados para proceder à recolha de bens alimentares doados pelos portugueses, numa altura em que os 21 Bancos Alimentares, em parceria com cerca de 2.600 instituições e entidades que atuam no terreno, prestam apoio a mais de 400 mil pessoas.

Em causa está uma iniciativa que, este ano, apresenta uma importância acrescida, defende o Banco Alimentar Contra a Fome, face ao "contexto de crescentes dificuldades para muitas famílias a braços com o aumento dos preços e das taxas de juro".

Para além da campanha presencial dos dias 26 e 27 de novembro, a recolha de donativos prosseguirá ainda até dia 4 de dezembro, através da possível aquisição de vales alimentares disponíveis nos supermercados ou de contribuições feitas no site www.alimentestaideia.pt.

Na ótica de Isabel Jonet, presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, “o papel dos Bancos Alimentares adquire uma importância acrescida face ao aumento das carências alimentares e constitui mais do que nunca um farol de esperança para muitas famílias portuguesas".

 

19
Nov22

Brincar e ajudar? A LEGO mostra que é possível

Niel Tomodachi

A época Natalícia está a chegar. Se para uns o Natal representa felicidade, para outros é sinónimo de momentos mais difíceis. Mas tu podes ajudar. Com muita criatividade e diversão, o Grupo LEGO conta contigo para levares a brincadeira às crianças do mundo inteiro.

A iniciativa #BuilToGive incentiva as famílias a usarem e abusarem da criatividade e, assim, “oferecerem” um presente. E não é preciso muito. Basta juntar a família, ir a uma das lojas e por mãos à obra. De seguida, partilha o que fizeste nas redes sociais, utilizando a hashtag #BuildToGive. Por cada presente partilhado até 31 de dezembro, o grupo vai doar um set LEGO a uma criança do outro lado do mundo.

Adoraste a proposta, mas estás sem ideias? Não há problema. No site da LEGO poderás encontrar dicas e muita inspiração para que a tua família seja a mais criativa.

A decorrer pelo sexto ano consecutivo, a campanha tem como objetivo levar dois milhões de kits LEGO a crianças em hospitais, centros de acolhimento e comunidades vulneráveis. Será a maior contribuição da marca até ao momento. Segundo Diana Ringe Krogh, vice-presidente da responsabilidade social do Grupo LEGO, “a adesão tem sido muito boa”. Desde 2016, ano em que a iniciativa começou, a marca conseguiu mais de 4,5 milhões de doações.

Integrada na campanha “Construir um Natal Divertido”, a #BuiltToGive promete inspirar as famílias a aproveitarem os momentos que passam juntos e a abraçarem a brincadeira. E, para ajudar a divulgar a iniciativa, a popular cantora Katy Perry, também imagem de promoção do Grupo LEGO, prepara-se para mostrar o que ela própria construiu. Basta segui-la nas redes sociais e descobrir.

#BuiltToGive permite que todos brinquem e ajudem neste Natal.

 

17
Nov22

WalkingPAD, a app para prescrever caminhadas e ajudar doentes

Niel Tomodachi

A tecnologia, dirigida à doença arterial periférica, permite aos médicos monitorizar os pacientes e lançar desafios. Já foi testada e os resultados são positivos.

A pergunta de partida é simples: como vamos convencer um doente a caminhar se quando caminha tem dor? Uma equipa do Hospital de Santo António, no Porto, juntou-se para criar uma app para telemóvel, a WalkingPAD, que quer ajudar pacientes com doença arterial periférica a fazer exercício físico, prescrevendo caminhadas – o número semanal e o limite mínimo de tempo – e monitorizando os doentes à distância. O projeto, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, já tem resultados. Mas comecemos pelo princípio. “Esta é uma doença das artérias dos membros inferiores que, estando parcial ou totalmente entupidas, fazem com que chegue menos sangue aos músculos das pernas e dos pés. Ou seja, o doente quando caminha sente dor”, explica Ivone Silva, cirurgiã vascular e coordenadora do projeto. A doença atinge cerca de 27 milhões de pessoas na Europa e nos Estados Unidos. Em Portugal a prevalência anda entre os 4% e os 8%. É a principal causa de amputação dos membros inferiores.

A dor, que pode começar por aparecer ao fim de 500 metros de caminhada, mais tarde surge ao fim de 300 metros até ao momento em que se torna incapacitante. Mas há esperança. Para lá da medicação, o exercício físico é a receita, porque permite que “se desenvolvam artérias paralelas, de circulação lateral, para ultrapassar a lesão”. Só que “a adesão é pequena”. “Os locais que podemos aconselhar são os escassos centros de reabilitação cardíaca, que não são dirigidos para esta doença e obrigam a que o doente falte ao trabalho.” Daí a WalkingPAD, disponível para telemóveis Android, criada em parceria com o INESC TEC e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. “Inclui um programa de caminhada que o doente pode fazer na área de residência. É ele que escolhe onde e quando fazer. E nós conseguimos monitorizar remotamente se caminha ou não, e saber se é o doente que está a caminhar, através da passada.”

Rafaela Oliveira, cardiopneumologista, Ivone Silva, cirurgiã vascular, e Susana Pedras, psicóloga, são três das promotoras do projeto

Mas a app, como tantas outras que existem, não caminha pelo paciente e o segredo do projeto, que já foi testado em dois grupos, está no programa de educação, motivação e mudança comportamental levado a cabo em sessões presenciais e por telefone pela psicóloga Susana Pedras. É a literacia sobre a doença, a intervenção psicológica que tem dado frutos. Isso e os desafios que os médicos têm lançado. “Um deles era percorrer a Estrada Nacional 2. De acordo com o número de quilómetros que caminham, a app mostra em que local estariam e qual o objetivo para a próxima consulta. O que gerou uma espécie de competição”, conta Ivone Silva. Ao fim de seis meses de teste, “houve uma melhoria da performance funcional e clínica de todos os doentes, que aumentaram a distância caminhada sem dor”. E mesmo com os mais velhos (distribuíram smartphones), a iliteracia digital não foi uma barreira, “porque a app é muito simples”.

Agora, o objetivo é alargar a escala, sair das portas do Santo António e tornar a app funcional para todos os cuidados de saúde primários e hospitais. “Estamos na fase de criar um avatar, a Matilde, que no fundo vai fazer o papel que a nossa psicóloga faria. Porque à escala nacional não há Susanas que cheguem.” A equipa já está em negociações com os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde.

 

08
Nov22

Venham daí os suspiros. Bombeiros tiram a roupa para defender os animais

Niel Tomodachi

É o calendário mais aguardado do ano. Os bombeiros australianos voltaram a despir as camisolas para ajudar causas sociais.

Este é para colocar num local de destaque. Seja na cozinha, na sala, ou até no quarto, o calendário tem de estar visível a donos e animais, pois o que é bom é para se ver. Bem, o que é importante é para se ver. É que o calendário mais aguardado do ano não faz só bem à vista — faz bem também ao coração, porque apoia diversas causas sociais.

Os bombeiros australianos juntaram-se para comemorar o 30.º ano dos calendários mais sensuais do mundo, trazendo a edição do ano de 2023. Cães, gatos, cangurus, coalas e até cabrinhas: são vários os sortudos de quatro patas a posar ao lado dos homens de tronco nu que vieram para aquecer a sua casa.

Todos os anos são vendidos milhões de calendários para apimentar a entrada com o pé direito, sendo que o dinheiro reverte para associações de resgate animal e para a investigação na luta contra o cancro. O calendário de 2023 irá para o “Council of Australian Volunteer Fire Associations”, para a “Kids with Cancer Foundation” e para o “Byron Bay Wildlife Hospital”, um hospital dedicado aos animais selvagens.

Além disso, as receitas vão também para o “Rescue Rebuild”, um programa norte-americano que recruta voluntários para construir abrigos para animais, vítimas de violência doméstica, sem-abrigo e veteranos. Esta é apenas uma forma de agradecer aos Estados Unidos da América pela sua ajuda nos incêndios em 2019 e 2020, que feriram cerca de três mil milhões de animais.

O calendário tem um custo de 14,89€, mais 4,37€ de portes para vir para Portugal. Mas uma coisa é certa, aquecerá os meses frios com a sensualidades dos modelos, incluindo os animais.

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04
Set22

A CATE, Casa de Acolhimento Temporário de Emergência, precisa da tua ajuda

Texto by esqrever

Niel Tomodachi

A CATE, Casa de Acolhimento Temporário de Emergência, precisa da tua ajuda

Há 25 anos que a Associação Opus Diversidades “Abraça Pessoas e Abre Horizontes” e, provavelmente, em nenhuma das muitas e variadas ações e atividades que desenvolve isso é tão claro como na CATE (Casa de Acolhimento Temporário de Emergência), onde recebe pessoas em situação de sem-abrigo e de grande vulnerabilidade.

A Casa de Acolhimento Temporário de Emergência, com uma capacidade máxima para 4 utentes, recebe pessoas em situação de desproteção e vulnerabilidade e que necessitem de apoio social. Entre outras situações, destacam-se:

  • Pessoas vítimas de violência doméstica;
  • Pessoas em situação de perda ou ausência de autonomia;
  • Pessoas sem-abrigo.

Para além destas pessoas, apoiam-se também pessoas migrantes/refugiadas, trabalhadoras do sexo, pessoas trans em processo de transição, etc, na sua maioria pessoas LGBTQI+, mas não exclusivamente.

Segundo a associação, estas pessoas provêm de situações onde não se encontravam asseguradas as condições mínimas de sobrevivência, em necessidade de ajuda imediata, e que constituem um perigo real, atual, a breve prazo ou/e iminente, para a integridade física e psíquica, necessitando de intervenção imediata.

Recentemente, esse trabalho foi reconhecido pela IKEA, tendo ganhado a 2ª Edição do Concurso pela Igualdade e Inclusão de Pessoas LGBT+ «IKEA IDAHOT 2022». Esse prémio vai permitir o Makeover do apartamento, como a instalação de uma nova cozinha, a decoração do espaço ou a substituição de roupas de cama e de banho.

Mas antes disso, são precisas obras mais estruturais e urgentes! Esta requalificação da estrutura constituirá um investimento social estratégico e urgente que impactará positivamente as comunidades LGBTQI+.

A Opus Diversidades pretende que as pessoas acolhidas usufruam de um ambiente seguro, estável e confortável, promovendo a sociabilização e apoiando a autonomização e a empregabilidade, através de uma Equipa Multidisciplinar que presta apoio psicológico, social, jurídico, etc., mitigando o sofrimento e a vulnerabilidade e melhorando a auto-estima.

 

O apoio prestado pela Opus Diversidades

A pressão dos últimos 2 anos, por efeito da pandemia e, consequentemente, do número de pedidos de acolhimento, agravou ainda mais as condições de habitabilidade do espaço, que funciona, igualmente, como base de apoio a muitas outras actividades da Associação, pelo que o impacto da estrutura se estende muito para além das pessoas que, em cada momento, se encontram acolhidas.

Actualmente, o Gabinete de Apoio presta os seguintes serviços:

  • Apoio psicossocial
  • Apoio à autonomização (incluindo formações)
  • Consultas de psicoterapia
  • Consultas de psiquiatria
  • Consultas para início e acompanhamento de processos hormonais em pessoas trans (em breve)
  • Aconselhamento e mediação jurídica
    • Migrantes
    • Requerentes de Asilo
    • Direito laboral
    • Discriminação e assédio
  • Biblioteca LGBTQI+

Nas palavras da Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, durante a assinatura do protocolo para Apartamento Partilhado, no âmbito da ENIPSSA (Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo) 2017-2023:

«Acho que é histórico. Termos hoje pela primeira vez assinado um acordo para responder a uma população específica LGBTI. Não havia nenhum acordo específico para uma solução de acolhimento para essa população. Também é um dia histórico nesse sentido. É uma porta que se abre, escancarada, que é para não fechar»

 

Como apoiar a Casa de Acolhimento Temporário de Emergência

Enquanto IPSS, todos os donativos recebidos, quer em dinheiro quer em espécie, são dedutíveis em sede de IRS (pessoas singulares) e de IRC (pessoas colectivas).

  • Para apoiar a associação basta:
    • Fazer uma transferência
      • para o IBAN PT50 0033 0000 45669002912 05
      • ou através de MB WAY – 967 892 924  

Com a vossa generosidade, a Opus Diversidades tem a certeza que conseguirá angariar os cerca de 30.000 € necessários e concretizar mais esta etapa.

 

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