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Little Tomodachi (ともだち)

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20
Set22

+Mulher: a nova exposição da Fábrica da Pólvora é um símbolo de força no feminino

Niel Tomodachi

Dez mulheres, com diferentes condições, são as protagonistas da mostra que pode visitar gratuitamente até 23 de outubro.

Dai Moraes sonhou, fotografou e a obra nasceu — não só uma, mas várias, pois cada fotografia é uma obra de arte por si só. Imagens que mostram mulheres despidas de vergonhas e preconceitos, a revelar ao mundo as marcas que fazem delas quem são, únicas nas diferenças que representam a sua individualidade, tão bem captadas pela lente da fotógrafa brasileira.

A exposição +Mulher foi inaugurada na passada sexta-feira, 16 de setembro. Ao chegar à Fábrica da Pólvora, em Barcarena, com a sua inconfundível fachada amarela, somos desde logo apresentados a esta verdadeira galeria a céu aberto. Numa fila de expositores, cada um a representar uma das dez mulheres que aceitaram o desafio de contar as suas histórias de vida, ficamos a conhecer as marcas, as cicatrizes, as doenças e as condicionantes que as acompanham, mas que nem por isso diminuem a sua força.

Para muitas, as partidas da vida mudaram a forma como olhavam para o seu corpo e como se viam ao espelho. A fotógrafa brasileira Dai Moraes quis devolver-lhes a confiança e a autoestima, através de sessões fotográficas feitas com uma enorme sensibilidade e talento, de forma a enaltecer a sua beleza “e mostrar o melhor de cada uma, mesmo que elas não vejam isso ainda”, conta a própria. Uma verdadeira libertação captada pela lente da criadora do projeto, que não escondeu a felicidade naquele fim de tarde onde se reuniram amigos, familiares, convidados e curiosos, para conhecer a exposição +Mulher.

Na Praça do Sol está patente o resultado daquilo que é muito mais que um trabalho fotográfico: é uma missão de vida e o propósito maior que fez Dai Moraes largar a área da publicidade para se dedicar à fotografia. O +Mulher é um projeto marcante que acabou por se tornar em algo muito especial e pessoal para todos os envolvidos. À fotógrafa brasileira juntaram-se outras mulheres que acreditaram na força da sua ideia, na importância do seu projeto e no poder da união feminina. Desde as protagonistas das sessões, à maquilhadora, à videógrafa, até a patrocinadora, todas tiveram um papel essencial para que o resultado fosse aquele que pode encontrar na mostra.

Com um caso de cancro na família, a brasileira teve a certeza de que este era um projeto que tinha que acontecer, assumindo-o como uma missão de vida. “Sou mulher, trabalho com mulheres e sei como temos uma pressão grande de estética. A minha mãe teve cancro do reto, ela teve que usar uma bolsa de colostomia e isso mexeu muito com a autoestima dela. Cada vez mais, fui estando cercada de pessoas que precisavam de ajuda e penso que a fotografia empodera as mulheres, resgata a sua autoestima, e por conta disso, o projeto acabou por crescer dessa forma”, afirma à NiT a fotógrafa e criadora do projeto.

“A primeira pessoa que escalei para o projeto foi a minha mãe, exatamente pela história, por ter vivido de perto este processo de melhorar a autoestima. Depois também falei com uma amiga, a Lu, que tinha uma história muito forte. Pensei: ‘já tenho duas, vamos atrás de outras pessoas’. Acabei por convidar algumas que já tinham sido minhas clientes, como é o caso das duas Anas. E fui apresentada às outras, ao longo do processo. Gosto muito de conversar com as pessoas, acabo sempre trocando histórias, então o networking foi-me levando a cada uma delas”, revela.

 

“O diferente pode ser bonito”

“Apesar das cicatrizes, das marcas, das condições, vemos que elas continuam sendo lindas do jeito que são”, refere Dai. E foi exatamente isso que sentiu Tatiana Chaves, uma das retratadas. “A Dai foi das primeiras pessoas que acreditou em mim, que viu algo que nunca ninguém tinha visto. Foi um sonho tornado realidade. Não há palavras para descrever o que significa, o que senti naquele dia e que estou a sentir neste momento”, conta, emocionada.

A jovem, que sofre de vitiligo e doença de chron, acredita que desta forma pode inspirar outras mulheres a não se deixarem abater com as contrariedades da vida e a sentirem-se especiais, mesmo quando se sentem fora do padrão. “Cada pessoa é única, não há ninguém igual, por isso as pessoas devem amar-se pelo que são e não pelo que os outros querem que elas sejam. Ter participado neste projeto, além da experiência e realização pessoal, é mostrar que, o diferente pode ser bonito”, sublinha Tatiana. À NiO, a jovem revelou ainda que foi contactada recentemente por uma marca portuguesa para um anúncio. “Cada vez mais as marcas querem pessoas diferentes e isso é maravilhoso. Não podemos deixar de gostar de nós só porque somos diferentes”.

Nesta edição do projeto +Mulher, além das imagens, tão fortes e impactantes, estas mulheres ganharam voz, através dos vídeos gravados nas sessões fotográficas e que chegam agora ao público para contar a história de cada uma. Por detrás deste trabalho, está outra mulher, Joana Mouta, videógrafa responsável pela Janela Discreta e cocriadora da exposição.

“Para mim, isto foi uma surpresa. Nunca tinha feito nada com esta intensidade. Gosto de fazer vídeos focados nas emoções, mas nunca tinha feito nada assim. Acompanhei todas as sessões fotográficas que a Dai fez e, no final, fazia uma entrevista a cada uma para contar a sua história. Foi muito bom, porque acho que algumas delas nem sabiam o quanto precisavam de contar a sua história. Foi muito emocionante. Acabámos sempre a abraçar-nos no final e a chorar. Foi muito bonito poder fazer parte”, explica Joana.

A fotógrafa Dai Moraes com a videógrafa Joana Mouta. Créditos: Gustavo Felman
 

E se, ao visitar a exposição, sente uma curiosidade imediata para ver os vídeos, saiba que pode fazê-lo no local, através do QR Code, presente em cada um dos expositores. “As fotografias são fortes, mas o vídeo depois é que vai contar a história de cada uma. Quem quiser vir até cá, é só aceder aos QR Code que estão em cada cubo, e são levados diretamente para a história dessa mulher”, refere a videógrafa.

Quem também sentiu este projeto de uma forma pessoal, foi Cindy Perella, que faz parte do Departamento de Marketing da Coloplast, patrocinadora da exposição. “Quem conhece a Coloplast sabe que a empresa carrega a missão de facilitar a vida das pessoas com necessidades de cuidados de saúde íntima. Já é muito difícil lidar com essa questão da beleza, autoestima e exposição quando estamos saudáveis. Mas quando se tem alguma condição relacionada com a saúde íntima, pode ser muito desafiante e é ainda mais difícil.”

E acrescenta: “Carregamos isso no nosso ADN, queremos facilitar a vida dessas pessoas. Sem sombra de dúvida fazer com que um projeto desses aconteça, patrociná-lo, fazer parte, quebrar o tabu, informar e valorizar a beleza natural dessas mulheres é a execução da nossa missão. Quando este projeto chegou às nossas mãos, demorou apenas dois segundos, para querermos fazer parte e fazer isso acontecer. Nunca vi um projeto tão alinhado com a própria missão da empresa”.

A Dama de Copas juntou-se ao projeto através da oferta da lingerie utilizada nas sessões fotográficas. Estas contaram também com o importante contributo de Ana Schelles e Kênia Bispo para a maquilhagem e cabelos. E assim, da colaboração, apoio, coragem e confiança de todas estas mulheres juntas, foi possível tornar real uma ideia que nasceu para empoderar todas elas.

Ao final da tarde, as responsáveis pelo projeto e exposição subiram ao palco, com discursos emotivos de agradecimento e a certeza de que este projeto muda vidas.

As protagonistas e as responsáveis do +Mulher. Créditos: Gustavo Felman
 

A história do projeto +MULHER

Tudo começou com uma ideia de Dai Moraes, há quase dez anos, no Rio de Janeiro. Nessa altura a fotografia era apenas uma paixão para brasileira, a par com o trabalho numa agência de publicidade, a sua área de formação. Tinha em mente a ideia de fotografar mulheres em tratamento ou vigilância de cancro de mama e assim fez. A força e importância deste trabalho fez depois com que lhe desse continuidade, em 2019. Nesse momento, as sessões decorreram tanto na cidade carioca como em Lisboa e passou a fotografar mulheres em tratamento ou vigilância de diversos tipos de cancro.

Três anos depois, em 2022, Dai, atualmente a viver em Portugal, decidiu alargar ainda mais e mostrar mulheres não só com histórias de cancro, mas com diferentes condições físicas e outros problemas de saúde, que resultam em histórias de vida e de superação incríveis. A terceira edição do + MULHER ganha, assim, uma exposição pública que permite chegar a mais pessoas e levar estas dez histórias de vida incríveis a inspirar tantas outras mulheres que passam pelo mesmo ou por problemas semelhantes.

Dai especializou-se em sessões Boudoir (expressão inspirada na palavra francesa que descreve o recanto privado da mulher), que são normalmente realizadas num ambiente mais íntimo, com um toque de sensualidade, feitas em lingerie e focadas no corpo e nas curvas das mulheres. Foi exatamente isso que procurou proporcionar a estas dez mulheres e o resultado está à vista de todos.

“Sempre quis fazer este trabalho de empoderar mulheres. Quando comecei este projeto, em 2013, a fotografia era mais voltada para o retrato, mas como estava a estudar esta área, pensei que com o Boudoir este tipo de trabalho iria ter um impacto diferente”, sublinha.

Através das sessões femininas Boudoir, Dai Moraes já realizou vários trabalhos em diversos locais como o Brasil, Portugal e o Reino Unido. A fotógrafa tem como objetivo de vida captar sorrisos e descobrir a alma dos seus clientes com a ajuda das lentes fotográficas. Quando perguntámos sobre o futuro do +Mulher, em especial, a fotógrafa não hesitou: “É um projeto para continuar”.

Pode visitar a exposição até 23 de outubro, todos os dias, das 9 às 23 horas. A entrada é livre. Vá até lá, convide os amigos, familiares, partilhe com os seus conhecidos para que o +Mulher inspire cada vez mais pessoas.

 

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