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Little Tomodachi (ともだち)

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"Quando tudo cai, permanece, indomável, o amor" - Claudia Durastanti
Qua | 16.09.20

Booker Prize. "Shortlist" inesperada deixa de fora Hilary Mantel

ともだち

É talvez a "shortlist" mais diversificada e inesperada de que cá memória. Este ano, o júri do Booker Prize decidiu optar por jovens promessas e deixar de lado os veteranos, como Hilary Mantel.

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Este ano, o júri do Booker Prize decidiu deixar cair as escolhas óbvias, optando por um conjunto de obras escritas por jovens promessas praticamente desconhecidas do grande público. O resultado é a shortlist mais diversificada e talvez mais inesperada de que há memória, com quatro estreantes, um veterano, a zimbabuana Tsitsi Dangarembga, e o primeiro escritor de nacionalidade etíope, Maaza Mengiste.

A lista dos seis finalistas ao prémio de ficção de literatura em língua inglesa foi anunciada ao início da tarde desta terça-feira, durante uma conferência de imprensa transmitida online. Coube à presidente do júri desta edição, Margaret Busby, revelar as obras e autores candidatos ao galardão de 50 mil libras e quem ficou de fora. Entre aqueles que ficaram pelo caminho destaca-se Hilary Mantel. A escritora britânica concorria com o muito aguardado terceiro volume da sua trilogia sobre Thomas Cromwell, The Mirror & The Light (editado este mês de setembro em Portugal com o título O Espelho e a Luz, pela Presença) .

O livro era, desde a sua publicação em fevereiro no Reino Unido, apontado com um grande favorito ao Booker deste ano. Mantel ganhou duas vezes o Booker Prize, pelo primeiro e segundos volumes desta mesma trilogia, Wolf Hall e Bring Up the Bodies (O Livro Negro, na edição portuguesa), em 2009 e 2012, respetivamente. Muitos esperavam que repetisse o feito em 2020, com The Mirror & The Light.

Norte-americanos dominam shortlist

A alteração das regras do Booker em 2014 permitiu a nomeação de qualquer autor que escreva em inglês e cuja obra esteja publicada no Reino Unido. Foi graças a essa mudança que passou a ser possível eleger escritores norte-americanos que, desde então, se tornaram presença recorrente nas listas de candidatos e de vencedores. A shortlit deste ano é particularmente norte-americana (já a longlist o era), com quatro escritores dos Estados Unidos da América e dois com dupla nacionalidade. Entre estes contam-se os quatro estreantes — Diane Cook, Avni Doshi, Douglas Stuart e Brandon Taylor.

A grande exceção é Tsitsi Dangarembga. A autora zimbabuana, atualmente a aguardar julgamento depois de ter detida em Harare por participar num protesto contra a corrupção no governo, concorre com This Mournable Body, sequela do seu romance de 1988 Nervous Conditions, considerado pela BBC um dos 100 livros que mudaram o mundo.

Dangarembga é uma das quatro escritoras a concurso. A shortlist de 2020 inclui apenas dois escritores — Brandon Taylor e Douglas Stuart. Os Booker têm, nos últimos anos, tentado constituir listas mais diversas, com um maior número de mulheres e de escritores não brancos. As shortlists de 2020 dos prémios de ficção e de ficção traduzida são um bom exemplo disso.

O número elevado de norte-americanos ou escritores também com nacionalidade norte-americana na shortlist significa que é muito provável que, este ano, o galardão seja arrebatado por um norte-americano. Se isso se confirmar, será a terceira vez que o Booker irá para um escritor dos Estados Unidos, depois de Paul Beatty e George Saunders o terem ganho em 2016 e 2017, respetivamente.

 

E os seis finalistas são…

shorlist completa é a seguinte:

  1. The New Wilderness, Diane Cook (EUA). Oneworld Publications;
  2. This Mournable Body, Tsitsi Dangarembga (Zimbabué). Faber & Faber;
  3. Burnt Sugar, Avni Doshi (EUA). Hamish Hamilton, Penguin Random House;
  4. The Shadow King, Maaza Mengiste (Etiópia/EUA). Canongate Books;
  5. Shuggie Bain, Douglas Stuart (Escócia/EUA). Picador, Pan Macmillan;
  6. Real Life, Brandon Taylor (EUA). Originals, Daunt Books Publishing.

 

Além da editora Margaret Busby, o júri do Booker de 2020 inclui os escritores Lee Child, Lemn Sissay, o jornalista Sameer Rahim e a classicista e tradutora Emily Wilson.

Em 2019, o Booker Prize foi atribuído pela primeira vez a duas obras, a Rapariga, Mulher, Outra, da anglo-nigeriana Bernardine Evaristo, e a Os Testamentos, da canadiana Margaret Atwood. O vencedor do Booker é geralmente conhecido em meados de outubro, mas este ano a organização decidiu empurrar o anúncio para o dia 17 de novembro. Este acontece por norma durante um evento organizado no Guildhal, em Londres, com a presença de todos os nomeados. Ainda não é certo se a habitual cerimónia acontecerá este ano devido à Covid-19.

A pandemia do novo coronavírus levou a Booker Prize Foundation a fazer algumas mudanças relativamente à edição de 2020 dos dois prémios que atribui todos os anos — o International Booker Prize e o Booker Prize. O primeiro, o prémio de tradução, foi o mais afetado — a shortlist foi revelada durante o confinamento e o anúncio do vencedor foi adiado vários meses, de maio para o final de agosto. Este foi atribuído a Marieke Lucas Rijneveld, dos Países Baixos, pelo romance The Discomfort of Evening.

 
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