Book: “Canção de Embalar de Auschwitz”

Uma História de Heroísmo e Coragem
A Obra:
Sobre a lama negra de Auschwitz que tudo devora, Helene Hanneman levantou uma creche no Campo Cigano. Nesse lugar, onde a felicidade é proibida, a jovem mãe ajuda a sobreviver a pouco mais de uma centena de crianças e, a pesar do horror do campo de extermínio , Helene não desiste, nunca perde a vontade de viver nem de ajudar e ensina-nos uma lição maravilhosa sobre a coragem. Um romance emocionante baseado em factos reais, que resgata do esquecimento uma das mais comoventes histórias de heroísmo de uma mãe alemã no meio do terror nazista. Inspirado numa história real, Canção de embalar de Auschwitz é uma homenagem à bondade, à coragem e à generosidade das pessoas comuns.
Um relato comovente em que se entrelaçam a vida de prisioneiros ciganos, judeus e alemães, que lutam por sobreviver no inferno do maior campo de extermínio da História.
O Autor:
Licenciado em História e Diplomado em Estudos Avançados em História Moderna, escreveu inúmeros artigos e livros sobre a Inquisição, a Reforma Protestante e as seitas religiosas. É colaborador habitual da National Geographic História e História 16. Trabalha como director executivo de uma ONG e é director da revista Nueva Historia para el Debate. Interessado nos mistérios ocultos por detrás da história, da religião e da ciência, tem dedicado toda a sua vida a desvendá-los.
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“Um relato comovente em que se entrelaçam a vida de prisioneiros ciganos, judeus e alemães que lutam para sobreviver no inferno do maior campo de extermínio da História.”
“Inspirado numa história real, Canção de embalar de Auschwitz é uma homenagem à bondade, à coragem e à generosidade das pessoas comuns.”
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Citações:
“Sentia-se culpada por não ter previsto que a loucura dos nazis acabaria por nos alcançar, devíamos ter fugido para Espanha ou para a América, para nos afastarmos o máximo possível da terrível loucura que se apoderara do nosso país e de quase toda a Europa. Sempre quis acreditar que no final as pessoas se dariam conta de que Hitler e os sequazes representavam, mas não foi assim. Todos os seguiram na sua loucura fanática e converteram o mundo num inferno de guerra e fome.”
“A minha chegada a Auschwitz não poderia ter começado pior. Ainda não tinha compreendido que a única regra que reinava no campo era de sobreviver a qualquer preço e não esperar muita ajuda de ninguém. As mães agarravam-se ao mínimo pedaço de pão para alimentar os seus filhos famintos, os homens lutavam pelos melhores postos de trabalho dentro do acampamento com a esperança de sobreviver mais um dia. As guardas e as SS tentavam aproveitar-se da nossa situação das formas mais cruéis e sádicas. A lógica de Auschwitz não podia comparar-se com a que existia do outro lado das cercas electrificadas”.
“Muitas vezes, quando a realidade te arranha a alma, é melhor tentar evadir-se com ilusão.”
“As palavras de Elisabeth devolveram-se de novo à dura realidade de Auschwitz. Não importava muito atrasar a morte de alguns se no final a morte de todos seria certa.”
“Em Auschwitz não era muito fácil pensar com clareza.”

“Os sentimentos pareciam anestesiados, mas ao mesmo tempo todo o ambiente era asfixiante e impedia que se visse as coisas com certa perspectiva.”
“Pode ser que nenhum de nós saia deste lugar com vida, mas o que não vou permitir é que os nazis destruam a minha alma. Enquanto houver o menor vislumbre de humanidade arriscarei a vida pelos outros.”
“Pó ao pó e cinza às cinzas. A morte parecia-me um presente do céu, mas sabia que aquilo era impossível, os meus filhos ancoravam-me à vida como um velho barco no meio de uma tempestade. Teria que continuar a lutar por eles, tentando agarra-me à esperança, olhando cada dia de frente, para que todo este pesadelo terminasse para sempre.”
“O horizonte era a única coisa que desejava contemplar naquele dia. A minha alma sentia-se livre, aqueles assassinos violentos nunca poderiam apropriar-se dela. Sabia que para eles a nossa felicidade era em parte a sua infelicidade. Comiam melhor do que nós, desfrutavam de intermináveis passeios aos fins de semana e deitavam-se uns com os outros. Eram pouco mais do que animais selvagens, cruéis e desumanos a brincar como crianças desalmadas com brinquedos partidos, só que neste caso cada uma das suas decisões dava fim à vida de centenas de pessoas.”

“Escrever um diário num sítio como este era pouco menos do que burlar a brutal opressão dos nossos verdugas. Eles queriam roubar-nos até a memória, por isso aquelas letras apertadas desejavam cercas as nossas lembranças, para que ninguém se atrevesse a roubar-nos isso. Talvez fosse uma maneira de exorcizar o perigo que continuava a flutuar sobre as nossas cabeças. Uma condenação à morte em que apareciam todos os nossos nomes. Ao fim ao cabo, todos temos de morrer maus cedo ou mais tarde, mas tinha a sensação de que no campo de concentração não falecia, simplesmente deixava de existir. Famílias inteiras eram capturadas e muito poucos saíam com vida das cercas electrificadas, ninguém as recordaria nunca mais, a sua memória dissipar-se-ia como a névoa quando o sol começasse a aquecer a terra. Fumo, nada infinito, vazio inexistente em que o ser se converte em pouco mais do que um suspiro exalado na eternidade. Acreditava que éramos imortais, aos meus pais sempre me tinham dito que os nossos nomes estavam para sempre na memória de Deus. Os nazis queriam apagar-nos da face da terra e levar-nos para sempre ao limbo dos não nascidos.”
“Quanto sofrimento tinha trazido esta guerra e, sobretudo, a maldade daqueles que se julgam superiores aos outros por causa da cor da sua pele, a sua origem ou a sua língua.”
“A luz dos grandes candeeiros de Auschwitz penetrava pelas janelas ofuscando as estrelas e a lua. Algum dia, quando aquele campo estivesse às escuras e em silêncio, os corpos celestes voltariam a banhá-lo com a sua luz pura, como sempre fora, e o mundo seria de novo um lugar bom para viver.”
“O esgotamento é o melhor companheiro do tempo. Permite-nos passar as folhas com rapidez, como se de um mau livro se tratasse. Às vezes é uma mistura de ansiedade por conhecer o final e o descuido que produz a quotidianidade, embora esta seja a terrível rotina de Auschwitz.”

“Estávamos a celebrar a vida no meio de um cemitério. Por um instante, pareceu-me um sacrilégio, mas depois senti que, enquanto as crianças contassem, o mundo teria ainda uma esperança de salvação. As suas vozes alimentavam as nossas almas, que naquela altura estavam tão enfraquecidas como os nossos corpos. O mal movia-se com tanta força em Auschwitz que parecia uma terra estreita e estéril em que tudo o que era bom acabava por murchar mais cedo ou mais tarde. Aquela creche no meio do horror não podia ser uma exceção, sabia, mas tentava desfrutar do que cada dia nos dava de presente. Uma vela por cada ano de vida. Em Birkenau devíamos soprar uma por cada hora e cada minuto, um ano era um tempo inimaginável.”
“Por um segundo teria deixado tudo por ele, até aos meus próprios filhos. Isso é algo que só uma mulher apaixonada que recupera o seu amor perdido pode entender. Quando vês o teu amado queimam-se-te as entranhas. Sentes que essa metade destruída e abandonada encaixa de novo, de repente a dor e o sofrimento parecem fantasmas longínquos.”
“O amor não existia em Auschwitz e, se conseguisse crescer entre a podridão infeta das suas ruas, em seguida murchava, torrado pelo ódio perene do campo.”
“As vezes temos que perder tudo para conseguir obter o mais importante.Quando a vida nos despoja daquilo que julgávamos imprescindível e nos encontramos nus distante da realidade, o essencial que é sempre invisível aos olhos, ganha a sua verdadeira importância.”
“Para os nazis, as mulheres eram pouco mais do que amas. A única coisa que lhes interessava era a nossa fertilidade, devíamos ter filhos fortes e sãos para o Reich, embora em seguida este os levasse para o fogo dilacerador da guerra.”
