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Little Tomodachi (ともだち)

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18
Mar21

Alerta: solidão faz pior à saúde do que a obesidade

Niel Tomodachi

População envelhecida, competição e redes sociais podem estar a gerar uma verdadeira epidemia: a da solidão. O isolamento social imposto pela pandemia veio agravar a questão

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Mais do que se viver sozinha, a solidão parece abater-se sobre uma sociedade que está mais competitiva e cada vez mais ligada digitalmente e desconectada da vida real.

É para este perigo que a Associação Americana de Psicologia alerta agora, após ter apresentado, numa conferência, um estudo que indica que estar só pode ser mais perigoso para saúde do que a obesidade.

Recentemente, uma investigação científica – que pode ler em detalhe aqui – indicava que a solidão matava mesmo, levando ao aumento, estimava-se, em 30%, de doenças cardíacas e de acidentes vasculares cerebrais.

Nos EUA, a professora de psicologia Julianne Holt-Lunstad, da Universidade Nova de Brigham, revelou que o isolamento duplica o risco de morte prematura, quando comparado com uma pessoa socialmente ativa e com laços fortes. Olhando para os dados da obesidade, a investigadora sustentava que ter um índice massa corporal entre os 30 e os 35 pode fazer disparar a possibilidade de morte em 45%.

É neste sentido que a professora alerta para o facto de o isolamento ser mais perigoso para a saúde pública do que a há muito divulgada obesidade.

“Com o aumento da idade média da população, o efeito para a saúde pública da solidão é de crescimento, e há mesmo países no mundo que já falam da ‘epidemia da solidão’, revelou a investigadora na conferência. Para chegar a estas conclusões, a docente compilou centenas de estudos, com milhares de participantes.

Estar ligado socialmente a outros é comummente considerado uma necessidade humana, crucial para o bem-estar e sobrevivência”, afirmou Holt-Lunstad.

Apesar de o estudo apresentar apenas correlações entre várias investigações e não dados concretos sobre a análise da teoria científica em si, há quem aponte falhas às conclusões.

Porém, a investigadora mantém que a solidão é um sério problema e que os médicos deveriam passar a prestar mais atenção a esta realidade e deviam passar a tratá-la como uma ameaça à saúde pública.

Julianne Holt-Lunstad pede para que as crianças sejam mais estimuladas e capacitadas para o desenvolvimento de habilidades em torno da vida social, mas alerta, sobretudo, para a necessidade de os médicos passarem a perguntar aos seus pacientes questões em torno do isolamento social e promoverem junto dos utentes uma vida ativa até mais tarde. Isto porque, afirma a investigadora, a solidão é hoje um maior drama das classes mais velhas do que das mais novas.

E se o isolamento for fruto de uma sociedade competitiva?

O tema da solidão foi abordado, por diversas formas, naquela conferência e foram apresentados estudos que indicam que o isolamento pode decorrer da vida numa sociedade cada vez mais competitiva.

Quem o diz é Emma Seppälä, diretora científica do Centro de Investigação para a Compaixão e Altruísmo, da Universidade de Stanford, e que correlaciona o aumento da solidão para com a propensão da sociedade americana para a independência.

“Muitos de nós ficamos competitivos quando nos comparamos com os nossos pares, outros preferem ficar fechados a trabalhar 12 horas ou correr o país na senda do conhecimento”.

Nas declarações, feitas à revista Patch, a investigadora revela ainda mais: “Afogamo-nos no ritmo workahoolic e na vida agitada e embrutecem-nos com álcool e Netflix. Ainda assim, ambicionamos desesperadamente a ligação social – essa sensação de intimidade profunda e poderosa, seja com um amigo, seja com um parceiro”.

“Num estudo sociológico revelador [O Isolamento Social na América: Mudanças para a Discussão das Relações nas últimas Duas Décadas, de 2006], uma grande percentagem de americanos declarou estar a sentir as suas redes sociais a encolher e declarou ter menos relações de amizade. Um americano tem, em média, apenas um confidente próximo”, conta a mesma investigadora, lembrando, no entanto que, mais importante do que o número de relacionamentos que cada um tem, é a qualidade com que os vive.

(S)

 

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